Três CDs: Aldo, Deolinda, Donald Fagen

“Is Love”, Aldo (Reco-Head) – por Marcelo Costa
“Aldo is a Band of Brothers” avisa a capa interna de “Is Love”, disco de estreia do duo formado pelos irmãos Murilo Faria (DJ Mura) e André Faria (este responsável pelo ótimo Faria & Mori), que assumem baixo, guitarra, teclados, sintetizadores e vocais num registro que traz algumas boas ideias salpicadas entre oito canções, porém, ideias já utilizadas e reutilizadas algumas centenas de milhares de vezes – e de forma muito mais convincente e atrativa – na música pop, e que aqui não passam de meros rascunhos. A intenção eletrônica dos irmãos encontra na pegada seca da bateria do convidado Daniel Setti uma característica orgânica que poderia incluir o grupo numa onda disco-punk, mas, para isso, as guitarras precisariam ser ouvidas, as conduções precisariam induzir a climas e as canções precisariam de corpo. A sensação, no entanto, é de que “Is Love” soa mais uma demo tape gravada de brincadeira em uma noitada bêbada de insônia do que um álbum planejado e coerente. Boas ideias (mesmo as clichês) não se sustentam sozinhas.

Nota: 3
Ouça o disco: http://www.aldotheband.com/

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“Mundo Pequenino”, Deolinda (Universal Music Portugal) – por Pedro Salgado
Após a consagração nos coliseus de Lisboa e Porto, em 2011, dos quais resultaria o primeiro DVD do grupo, “Deolinda ao Vivo no Coliseu dos Recreios”, pensou-se, por momentos, que a banda de Ana Bacalhau tinha atingido o limite das possibilidades sonoras do seu fado pop. No entanto, “Mundo Pequenino” (2013) representa o passo certo na renovação do grupo, aprofundando o som do Deolinda, através da introdução de cordas, metais, percussão e coros, aos quais não é alheio o trabalho do produtor Jerry Boys. Este terceiro álbum é também uma prova de confiança do quarteto no futuro e o single “Seja Agora”, como já o era “Algo Novo”, estimula a crença do público, pela dança, com uma estrofe afirmativa: “E sei que vai ser, porque tem de ser. Se é para acontecer, pois que seja agora”. O novo trabalho mantém intacto o sentido de humor do conjunto, como em “Doidos” ou “Fiscal Do Fado”, permite escutar uma pequena orquestra em “Medo De Mim” e reflete a experiência internacional da banda na sensacional “Musiquinha”. Não sendo uma obra definitiva, “Mundo Pequenino” é ainda assim um ótimo disco e uma prova de que os melhores tempos do Deolinda estão ao virar da esquina.

Nota: 8,5
Preço em média: R$ 50 (importado)

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“Sunken Condos”, Donald Fagen (Reprise Records) – por Adriano Costa
Aos 65 anos, Donald Fagen esbanja sofisticação em “Sunken Condos”, uma mistura de rock, jazz, blues, soul, funk, R&B e pop que não apresenta nada de novo, mas seduz o ouvinte. O registro abre com “Slinky Thing”, um groove estiloso destacando um belo solo de guitarra. “I’m Not The Same Without You” é pop dançante com ecos dos anos 80, bem funkeado. “Memorabilia” é o tipo de canção que Jay Kay, do Jamiroquai, daria um dedo para ter escrito. Já “Weather In My Head” é um blues leve, mas bem encardido nas guitarras. Há ainda um clima soft com levada jazz ao fundo e metais se alternando de “The New Breed”, além da inusitada (e competente) versão de “Out Of The Ghetto”, de Isaac Hayes, e a balada com guitarra bluesy e leves toques de soul music de “Miss Marlene”. A batida funkeada e dançante volta a aparecer em “Good Stuff”, a penúltima faixa, e o álbum termina com o soul charmoso de “Planet D’Rhonda”. Tocando teclados, piano e órgão, e apresentando uma habilidade vocal de alto nível, Donald Fagen conta com a ajuda de velhos conhecidos como o produtor Michael Leonhart, o guitarrista e baixista Jon Herigton, o baterista Earl Cooke Jr. e o saxofonista e flautista Charlie Pillow, e mostra que não há problema em fazer o mesmo, desde que faça bem.

Nota: 9
Preço em média: R$ 50 (importado)

– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne
– Pedro Salgado (siga @woorman) é jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream & Yell contando novidades da música de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado aqui
– Adriano Mello Costa (siga @coisapop no Twitter) assina o blog de cultura Coisa Pop

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