Dez séries para acompanhar no Netflix

por Tiago Agostini

No dia 11 de julho, o Netflix estreia “Orange Is The New Black”, nova série de Jenji Kohan, criadora de “Weeds”, e mais recente incursão do serviço de streaming no mundo das produções próprias. Esta será a quarta produção original que o Netflix estreia em 2013: primeiro foi o drama político “House of Cards”, depois o terror “Hemlock Grove” e por último o retorno da comédia cult “Arrested Development”. O sucesso e a repercusão foram tão bons que o Netflix já renovou “Hemlock Grove” e “Orange” – antes mesmo da estreia – para uma segunda temporada.

Não há, porém, como medir com certeza o sucesso e o impacto que as produções tem, uma vez que o Netflix não divulga números de audiência. Alguns números mostram que a experiência é positiva. De acordo com a empresa Procera Networks, que mede números de tráfego na internet, uma única operadora de internet a cabo nos Estados Unidos registrou 36% de seus dispositivos assistindo a “Arrested Development” na madrugada do dia 26 de maio, quando os 15 episódios da nova temporada foram colocados, de uma vez só, online no Netflix.

Ainda segundo a Procera, 10% dos assinantes assistiram todos os 15 episódios em sequência, comportamento cada vez mais comum entre os espectadores de séries de TV conhecido como binge watching, ou as maratonas. Com a facilidade de assistir a seus shows favoritos a qualquer momento, devido aos serviços de streaming, à possibilidade de gravação do video on demand e da portabilidade de tablets e afins, o binge watching está mudando a forma de se pensar e produzir TV nos Estados Unidos – esta matéria da Wired explica direitinho.

Assim, selecionamos dez séries disponíveis no Netflix para mergulhar de cabeça e perder dias, semanas e meses se divertindo.

Community – Pense em um filme de John Hughes em uma faculdade comunitária que ninguém leva a sério, saído da cabeça de alguém (Dan Harmon) tão demente para criar um episódio todo vivido em um jogo de videogame 8bit. Jeff Winger (Joel McHale, o chefe de Mila Kunis em “Ted”) é um advogado bonitão que lidera um improvável grupo de estudos com todos os estereótipos possíveis. Destaque para Chevy Chase (“Férias Frustradas”), impagável como o velho ricaço mimado, rabugento e racista Pierce Hawthorne, e Alison Brie (“Mad Men”) como Annie, uma espécie de Molly Ringwald turbinada. Prepare-se para uma infinidade de referências à cultura pop, cortesia de Abed Nadir (Danny Pudi), o nerd do grupo. Ah, e se você acha Ken Jeong sem noção como Mr. Chow em “Se Beber, Não Case”, é porque você não conhece Señor Chang.

Arrested Development – A comédia do absurdo. Um rico empresário do ramo imobiliario, George Bluth Sr (Jeffrey Tambor), vai preso por suas fraudes e negócios excusos. Quem assume o comando da empresa da familia é o filho CDF, Michael (Jason Bateman) que ignora o conselho do pai (“Lembre-se, há sempre dinheiro na barraca de bananas”) e bota fogo nas economias secretas. Para piorar, ele precisa virar babá de uma família de inúteis: o irmão mais velho, Gob (Will Arnett), um mágico desastrado; a gêmea, Lindsay (Portia de Rossi, mulher de Ellen Degeneres), a loira bonita presa em um casamento sem prazer com um lunático que quer ser ator; e o caçula, Buster (Tony Hale) superprotegido pela mãe, Lucille (Jessica Walter), alcoólatra e adúltera. Abusando dos cortes de espaço e tempo, “Arrested Development” é recheada de bordões e momentos memoráveis, como a chicken dance. Cultuada, vencedora de um Emmy de melhor comédia e cancelada após três temporadas por baixa audiência, virou coqueluche na internet e foi ressucitada, com todo elenco estrelado, pelo Netflix no dia 26 de maio. Revelou Michael Cera, que desde então interpreta versões de George Michael, filho de Michael, em todos seus trabalhos.

Weeds – Nancy Botwin (Mary-Louise Parker), uma mãe suburbana, resolve vender maconha para sustentar os altos padrões da família após o marido morrer de ataque cardíaco durante uma caminhada. As três primeiras temporadas, passadas na fictícia Agrestic, na Califórnia, são as melhores. A história se perde um pouco, mas bons momentos dos personagens – como a demência homicida de Shane (Alexander Gould, a voz de “Nemo”), a perene tensão sexual entre Nancy e o cunhado Andy (Justin Kirk) e os devaneios chapados de Doug Wilson (Kevin Nealon) – fazem valer a pena chegar à sétima temporada, quando a história volta aos trilhos após um pouco de justiça ser feita. Mary-Louise Parker, uma autêncica MILF e mulher vinho, aparece cada vez com menos roupa conforme os anos passam – se você for menina, foco em Hunter Parrish.

Married With Children – quatro palavras: Al Bundy é rei. Sucesso na Bandeirantes nos anos 1990 com o nome de “Um Amor de Família”, a história do vendedor de sapatos que odeia sua vidinha classe média foi um dos primeiros sucessos da Fox. Revelou Christina Applegate como a volátil adolescente Kelly Bundy. Tirando sarro da típica família americana, é a série mais longeva (11 temporadas) a nunca ter vencido um Emmy, ao lado de “SOS Malibu”. E Al Bundy é Ed O’Neill, o simpático patriarca de “Modern Family”, uma das séries de maior audiência da atualidade e vencedora dos últimos 3 Emmy de melhor comédia.

Nurse Jackie – Edie Falco passou seis temporadas vivendo Carmela Soprano, a esposa de Tony em “The Sopranos”, papel que lhe rendeu três Emmys de melhor atriz de drama. Em “Nurse Jackie”, que lhe deu um Emmy de atriz de comédia, ela se vinga por todos os anos de submissão e repressão sexual que ser casada com o chefão da máfia de New Jersey proporcionam. Aqui ela é uma enfermeira com problemas nas costas, viciada em analgésicos e vida dupla: em casa, uma esposa e mãe atenciosa; no trabalho, amante ardente do farmacêutico do hospital – vivido por Paul Schulze, o padre Phil Intintola de “Sopranos”, a primeira obsessão sexual mal resolvida de Carmela. Quem garante os momentos mais engraçados são Dr. Fitch Cooper (Peter Facinelli), o médico boa pinta, extremamente sem noção, mas de coração puro, e Zoey (Merritt Wever), a enfermeira novata e ingênua que se torna pupila de Jackie.

House of Cards – os bastidores do poder em Washington sem pudores. Para os personagens de “House of Cards”, vale tudo para conseguir seus objetivos: assassinato, suborno, chantagem, sexo com pessoas mais velhas que você acha repugnantes. Kevin Spacey é Francis Underwood, um importante congressista democrata que bola um plano de vingança após o presidente eleito o ignorar para o (prometido) cargo de Secretário de Estado. Produzida por David Fincher, “House of Cards” foi a primeira série exclusivamente desenvolvida para o Netflix. Ah, e Kate Mara, irmão de Rooney, está espetacular como uma jornalista ambiciosa – assim como Robin Wright, que vive a mulher de Frank.

The Shield – Vic Mackey (Michael Chiklis) é um dos caras mais durões – e controversos – das séries de TV. Comandando o Strike Team, batalhão de choque da polícia de Los Angeles em um dos piores bairros da cidade, ele usa de métodos heterodoxos e controversos para solucionar seus casos. “O tira bom e o tira mau acabaram seu trabalho, eu sou um tipo diferente de policial”, diz ele em um interrogatório na primeira temporada, antes de abusar da violência para arrancar uma confissão. Vic, no entanto, não tem a simpatia de David Aceveda (Benito Martinez), o capitão de seu distrito, que procura a todo momento uma oportunidade para desmascarar os métodos de Vic e baní-lo da polícia, posando como defensor da ética em busca de uma vaga de vereador. Se você gosta de “The Sopranos”, séries policias e violentas, não deixe de ver.

Friday Night Lights – se você gosta de esportes e dramas adolescentes, esta é a sua série. A trama retrata o cotidiano da fictícia Dillon, cidadezinha do Texas que gira em torno da paixão cega pelos Panthers, time de futebol americano da Dillon High School. O técnico do time, Eric Taylor (Kyle Chandler), serve de figura paterna para todo tipo de adolescente problemático: o alcóolatra lacônico e mulherengo (Tim Riggins, vivido pelo galã Taylor Kitsch), o órfão CDF que cuida da avó senil (Matt Saracen, vivido por Zach Gilford) e o ex-ladrão de carros com a mãe viciada e o pai preso (Vince Howard, vivido por Michael B. Jordan). A família Taylor é completa por Tami (Connie Britton, indicada ao Globo de Ouro 2013 de melhor atriz por Nashville), esposa e mãe dedicada, além de ótima conselheira estudantil, e Julie (Aimee Teegarden), paixão de um dos jogadores de Eric. Para os fãs de “Anos Incríveis”, olho na líder das cheeleaders, Lyla Garrity, vivida por Minka Kelly, uma versão anos 2000 de Winnie Cooper.

Mad Men – quatro Emmys seguidos de melhor série dramática nas primeiras quatro temporadas poderiam falar por si, mas “Mad Men” vai além dos prêmios. Retrato das mudanças sociais nos Estados Unidos nos anos 1960 contadas a partir da história de uma agência de publicidade em Nova York, a série une drama familiar, devassidão e jogos de poder sem breguice. O centro da história é Don Draper, chefe de criação na Agência Sterling Cooper, que empreende uma longa jornada para resolver sua crise existencial, começada quando roubou a identidade de um soldado que morreu a seu lado da Guerra da Coreia. Em busca de felicidade, Draper transa com todas mulheres possíveis no meio do caminho. A maestria na contextualização histórica é um dos destaques, com os grandes acontecimentos da década – assassinato de Kennedy, a crise dos mísseis de Cuba, os Beatles e os Stones, o LSD e a maconha, a luta pelos direitos civis – sendo retratados com precisão e rigor. A melhor série da atualidade.

Breaking Bad – Walter White (Bryan Cranston), um químico genial relegado a uma vida medíocre como professor de colegial, um dia descobre que tem câncer e poucos meses de vida. Incapaz de pagar o tratamento para a doença, percebe que não deixará US$ 1 para a mulher e o filho com paralisia cerebral. W.W., então, faz os cálculos de quanto precisa arrecadar até morrer e arruma uma maneira nada comum de conseguir o dinheiro: produzir metanfetamina com um ex-aluno viciado e maluco, Jesse Pinkman (Aaron Paul). Com o produto rapidamente ganhando fama de a melhor e mais pura metanfetamina jamais feita, não demora para White perceber o poder que tem nas mãos. Só há um problema para a ganância do professor: estamos em Albuquerque, Novo México, pouco mais de 400 km da fronteira mexicana, e o cartel não é um inimigo agradável. Cranston está estupendo como o protagonista, cercado de atuações primorosas de Aaron Paul e Dean Norris como Hank Schrader, o cunhado de White que trabalha no DEA. A segunda parte da 5ª e última temporada, que guarda o desfecho da história de White, estreia em 11 de agosto nos Estados Unidos. Corre que dá tempo de alcançar.

Tiago Agostini (@tiagoagostini) é jornalista e escreve para o Scream & Yell desde 2006

Leia também:
– Cinema: Juliana Torres indica 10 filmes para serem vistos no Netflix (aqui)
– Friends é Beatles, Seinfeld é Rolling Stone, por Marcelo Costa (aqui)

11 thoughts on “Dez séries para acompanhar no Netflix

  1. Poderiam fazer um post especial sobre as séries mais antigas, tipo Twin Peaks.
    Das séries citadas acima, vejo breaking bad (ótima), community(ótima, porém ficou apenas boa nas ultimas temporadas), house of cards é espetacular, Modern Family é ótima. Mad Man eu tentei (tentei mesmo, mas não consegui gostar a ponto de ver todas as temporadas). Arrested eu vi a primeira e não fui fisgado. Das outras, não tive a oportunidade de assistir
    Abraço.

  2. Tiagão, eu ia dizer que estava faltando “The Wire” na lista – mas agora vi que ela não está disponível na Netflix.

    É simplesmente estupenda, do início ao fim. TODAS as atuações dos atores são perfeitas, no ponto.

  3. Marcio K, baixei duas temporadas de The Wire já, mas to segurando pra começar porque vi que vai ser daqueles vícios q tomam todo o tempo do mundo 🙂

  4. Tiago me diz onde baixasse The Wire por favor!. começou a passar na HBO de novo mas o horário ta ruim pra mim, fiquei depressivo por saber que não vou poder assistir…valeu!!

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