Entrevista: Filarmônica de Pasárgada

por Rodrigo Guidi

Formada por ex-estudantes de música da USP (Universidade de São Paulo), a Filarmônica de Pasárgada mistura muito humor e criatividade em seu primeiro disco. Lançado em março deste ano, “O Hábito da Força” mostra a irreverência e o estilo eclético do grupo, que vai da MPB e da poesia de Manuel Bandeira – que influencia até o nome da banda – à pegada do rock, passando por levadas da bossa nova e do samba.

Autor das 15 faixas do álbum, Marcelo Segreto retrata cenas do cotidiano e tece críticas sociais em letras inteligentes e bem humoradas. Influenciada por Tom Zé e Luiz Tatit, a banda subverte a forma, mexe com a linguagem e com ironia transporta tudo para os shows.

Com participações marcantes em festivais de música, a Filarmônica de Pasárgada venceu a 17ª edição do Programa Nascente da USP, o 1º Festival da Canção da Unicamp e o 41º Fenac (Festival Nacional da Canção) com a música “O Seu Tipo”.

Produzido por Alê Siqueira e com projeto gráfico do artista plástico Guto Lacaz, “O Hábito da Força” foi lançado pelo selo Coaxo do Sapo, depois que a banda foi selecionada pelo ProAC (Programa de Ação Cultural) da Secretaria de Estado da Cultura, em 2011. Em meio ao trabalho de divulgação do disco, Marcelo Segreto concedeu entrevista ao PLUG, parceiro do Scream & Yell.

De onde surgiu a ideia do nome da banda?
O nome é uma homenagem a Manuel Bandeira, porque no poema (“Vou-me embora pra Pasárgada”) ele fala de um lugar imaginário, onde consegue realizar tudo aquilo que não consegue realizar em vida. Mas ele não fala em música, então quisemos fazer essa brincadeira com Pasárgada, um lugar onde a gente pudesse fazer a música que a gente deseja. Além de tudo, o Bandeira tem um estilo de poesia ligado ao cotidiano, tanto na forma da linguagem, como nos temas. O estilo do Bandeira é uma coisa próxima do que a gente acredita que é canção popular.

Dá para perceber muito isso nas letras de “O Hábito da Força”. Você escreve muita coisa sobre o cotidiano, faz críticas sociais em algumas letras e elas têm uma pegada de humor muito grande.
A gente curte muito mexer com a realidade, porque assim você alcança mais o público, no sentido de ter a atenção das pessoas. E para isso a gente usa as referências do cotidiano delas. E o bom humor também, a gente se comunica mais dessa maneira.

Vocês se conheceram na faculdade, no curso de música da USP. Como foi a decisão da formação da banda?
Foi lá na faculdade de música. Estávamos mais ou menos no segundo ano do curso e então resolvemos fazer o grupo, porque na faculdade a princípio só se fazia música erudita. A gente queria fazer canção popular e decidiu fazer o grupo. Agora todo mundo já se formou, eu me formei no ano passado e o meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) foi o CD. O CD é fruto de todo esse tempo que ficamos na graduação trabalhando esse repertório. Nada mais natural que o escolhermos para o TCC.

Quais as influências musicais suas e do grupo? A gente percebe uma pegada de samba, bossa nova no CD.
As influências são das mais variadas, mas algumas a gente está mais a fim de seguir, que são Los Hermanos, Radiohead e Tom Zé. São influências em comum do grupo, que é a sonoridade que queremos explorar. Nossa música é MPB. É muita coisa que você vai escutando e tentando dialogar. Mas tem também alguma coisa de bossa nova, tropicalismo e rock.

Vocês tiveram participações especiais nesse CD, como Ná Ozzetti e Luiz Tatit. Vocês pretendem chamar outros convidados para o novo trabalho?
A gente quer chamar, sim. Estamos fazendo as canções e vendo. Porque algumas músicas fazem homenagem a uns artistas. É muito legal, porque temos entre 20 e 30 anos e queremos fazer canção popular desde os 15. É um negócio muito forte, porque acompanhamos a carreira desses artistas e aprendemos tudo com eles. É muito legal convidá-los para participar de nosso CD.

O projeto gráfico do CD foi desenvolvido pelo Guto Lacaz e ficou diferente. Como foi isso?
Ele traduz a gente. O encarte com a montagem com as roupas. Tanto a questão do bom humor como a combinação entre o formal e o informal. A gente tem uma coisa bem pop, mas tem alguns elementos de música erudita também.

Com o CD recém-lançado e a faculdade concluída, quais são os projetos agora da banda?
Desde que mandamos esse CD para a fábrica, já começamos a pensar no segundo disco. Faltam umas quatro faixas para terminarmos de compor e em janeiro do ano que vem a gente deve entrar em estúdio para gravar o segundo álbum.

Como está a agenda de shows? Vocês pretendem viajar para divulgar o trabalho?
Pretendemos sim. A gente faz muito interior e também toca bastante em festivais de música. Temos também alguns projetos que estamos esperando resultado, da Funarte (Fundação Nacional de Artes, do Ministério da Cultura) e Petrobras. Aí tem uma turnê pelo Brasil, inclusive algumas cidades do interior de São Paulo.

E já está dando para viver de música?
Está começando. Estamos num processo. A gente faz meio independente, não é músico que vai se voltar para o mercado só. A gente tem que investir mais, ter um pouco mais de paciência. Tem que trabalhar mesmo, não tem segredo.

E quem quiser comprar o CD da Filarmônica de Pasárgada?
Acredito que o jeito mais fácil é na Livraria Cultura, pelas lojas ou pelo site.

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Rodrigo Guidi (@rodrigoguidi) é jornalista do caderno Plug, do jornal Gazeta de Limeira

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