Boteco: Cinco cervejas da Duvel Moortgat

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por Marcelo Costa

A Duvel Moortgat é uma cervejaria flamenga surgida em 1871, na Bélgica. A sede da empresa fundada por Jan-Leonard Moortgat fica em Breendonk, uma cidadezinha entre Bruxelas e Antuérpia, e a principal estrela do cardápio apareceu pela primeira vez em 1920, visando comemorar o fim da Primeira Guerra Mundial. Ela se chamava então Victory Ale, mas um ávido bebedor num pub, ao prova-la, soltou as palavras mágicas em brabante holandês – “Nen Echten Duvel” (“Um Diabo Real”) – e a família Moortgat decidiu não só rebatizar a criança, mas também a companhia. Nascia a Moortgat. Abaixo, cinco cervejas produzidas em Breendonk.

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Sucesso da cervejaria belga Moortgat, a Duvel ganhou uma versão lupulada em 2007, cuja produção esgotou em três dias. Os mestres cervejeiros da casa repetiram a receita em 2012 (a pedido do público) com um terceiro lúpulo diferente ao lado do tcheco Saaz e do esloveno Styrian Golding, ambos usados na Duvel tradicional: em 2007 foi o lúpulo norte-americano Amarillo; em 2012, outro lúpulo norte-americano, Citra, e, agora em 2013 (essa edição especial passa a ser anual), com edição limitada, chega aos balcões a Duvel Triple Hop destacando o lúpulo japonês Sorachi Ace.

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Duvel Triple Hop: eis uma cerveja sensacional, perfeita: espuma majestosa com renda belga marcando a taça e, repetindo a receita fantástica de 2012, um aroma fantástico (valorizado pelo dry hopping): muito floral e herbal se desprendendo em notas que remetem a hortelã, grama, alecrim, levedura e limão. No paladar, o primeiro ataque é de amargor (com a acidez da levedura em segundo plano), mas algo de adocicado se junta à hortelã, frutas cítricas (maracujá) e malte, que balanceiam o belíssimo conjunto. O final é seco e amargo, e o retrogosto (amargo) interminável. Brilhante.

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Em 1945, Albert Moortgat, filho do fundador da cervejaria, decidiu apostar em um lager destinada a clientes mais jovens em bares urbanos de luxo. Nascia a Vedett, que em 2008 ganhou uma versão Extra White, com trigo, cevada lúpulo, coentro e casca de laranja seca. Se você pensou em Hoegaarden, patrimônio do estilo, acertou. De cor amarelo palha e boa formação de espuma, esta Vedett traz no aroma intensas notas cítricas (limão e abacaxi), temperos e trigo. O paladar cítrico segue a risca o que o aroma adianta. O final é seco e refrescante e o retrogosto, condimentado, pede outra garrafa. Aceite.

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Em 1963, a Duvel Moortgat passou a produzir e comercializar uma linha de cervejas de abadia que leva o nome do Mosteiro de Maredsous, sob licença dos monges, que exercem um controle rigoroso para que a receita original da abadia seja seguida a risca pela fábrica. O mosteiro beneditino fica na aldeia belga de Denée, na província de Namur (à 1 hora e 15 minutos de Bruxelas, quase na divisa com a Alemanha). Fundado em 1872, o mosteiro é famoso pelo queijo que produz em cinco variedades: Maredsous Tradition, Mi-Vieux (meia cura), Fumé (defumado), Fondu (fondue), Frais (queijo fresco), Light e Fagotin.

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No caso da cerveja, a Moortgat produz três estilos: Maredsous Blonde Ale (6% de álcool), Maredsous Brune (8% ) e Maredsous Triple (10%). A Maredsous Blonde Ale é dourada e exibe um bele creme, que permanece durante um bom tempo na taça. O aroma característico traz notas frutadas entre o adocicado (pêssego em calda, damasco e mel) e o cítrico. O malte e a levedura também marcam presença. O paladar fica entre o adocicado, o cítrico e o amargo do lúpulo, com a acidez da levedura e do álcool batendo ponto. O final é seco e o retrogosto adocicado. Uma delícia.

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A versão Brune da Maredsous (também conhecida por Maredsous 8) é uma Belgian Dark Strong Ale bastante suave. Na taça, um liquido caramelo quase indo para o preto exibe uma formação de espuma exuberante. No aroma, o malte tostado é responsável pelas notas principais, que remetem a café e caramelo. Notas frutadas também surgem (ameixa e frutas vermelhas) além do álcool. No paladar, a primeira sensação fica entre amargor e acidez, mas é algo rápido que abre espaço para o adocicado caramelado. O final é lento e licoroso pendendo ao adocicado (com uma certa acidez) enquanto o retrogosto traz frutas secas. Belíssima.

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Encerrando este passeio pelas cervejas do demo belga, a Maredsous Tripel (Maredsous 10) é um exemplar de líquido âmbar e espuma generosa e de longa permanência. No aroma frutado, os 10% de álcool mostram o rabo ao lado de notas de malte (desprendendo-se como caramelo, melaço e ameixa) e percepção de levedura com um leve toque de acidez. O paladar é tão alcoólico quanto adocicado. A acidez (com certa percepção de condimentos) volta a marcar presença beliscando o céu da boca enquanto o amargor (com toques de anis) surge rapidamente um pouco antes do final, que é maltado e persistente. No retrogosto, ameixa. Muito boa. Todas as cervejas acima podem ser encontradas com facilidade no Brasil. A Duvel Tripel Hop 2013 sai entre R$ 17 e R$ 22 enquanto as demais estão entre R$ 7 e R$ 12 em bons supermercados. Vale o investimento.

Duvel Triple Hop 2013
– Produto: India Pale Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 9,5%
– Nota: 5/5

Vedett Extra White
– Produto: Witbier
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 4,7%
– Nota: 3,82/5

Maredsous Blonde Ale 6
– Produto: Belgian Blond Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 6%
– Nota: 3,82/5

Maredsous Brune 8
– Produto: Belgian Dark Strong Ale
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 8%
– Nota: 3,95/5

Maredsous Triple 10
– Produto: Belgian Tripel
– Nacionalidade: Bélgica
– Graduação alcoólica: 10%
– Nota: 3,90/5

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– Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
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