Auto entrevista: Leonardo Vinhas

Não me lembro há quanto tempo conheço Leonardo Vinhas. Morávamos na mesma cidade, Taubaté, que ele visita com mais regularidade que eu, e nos esbarramos quando o Scream & Yell já era um fanzine de papel, e eu vivia metido no cenário underground do Vale do Paraíba procurando conhecer bandas novas. A vontade de sacudir as outras pessoas através de textos nos aproximou e ele participou ativamente dos anos iniciais. Lá se vão uns 15 anos, e muita água passou por debaixo dessa ponte.

Leonardo Vinhas é uma pessoa de personalidade forte, que fala apaixonadamente e sem papas na língua. Em “O Estuprador Deprimido e Outras Pessoas Comuns”, seu primeiro livro de contos (ele já lançado um livro de poesias em 2000, “As Pérolas Que Enriquecem os Porcos”), ele faz o favor de colocar para fora alguns pensamentos que eu, você, o rapaz que guarda carros na esquina e mesmo alguns milionários guardamos no fundo do nosso âmago, mas não temos coragem de admitir e/ou enfrentar. Como define de forma perfeita o poeta Amarildo Anzolin na contracapa, “Você para de ler. E continua sangrando”.

Lançado em 2012 pela Editora Multifoco, “O Estuprador Deprimido e Outras Pessoas Comuns” pode ser encontrado em boas livrarias, ou mesmo adquirido diretamente com o autor (R$ 31,00, frete incluído ou R$ 25,00, direto com Leonardo no leonardo.vinhas@gmail.com).

O jornalista Leonardo Vinhas entrevista o escritor Leonardo Vinhas

De onde saíram as inspirações para os personagens e as histórias?
Das pessoas comuns. Daí o título do livro. Ao nosso lado no metrô, no apartamento de frente, na família – em qualquer lugar há pessoas com algo que “desvia da norma” em seu íntimo. Na verdade, gosto de pensar que todo mundo tem esse aspecto. O que faço no livro e olhar para algumas dessas pessoas e tirar o que penso ser a história delas, mesmo se, para isso, me baseio apenas num trecho de uma frase entreouvido na fila do banco.

Você vivenciou ou testemunhou algumas dessas histórias?
Sim. Todas, de uma forma ou de outra. O que não quer dizer que elas tenham acontecido de fato

O que você espera ganhar com o livro? Não dá para imaginar um título como “O Estuprador Deprimido” virando literatura obrigatória nas escolas…
Eu adoraria ganhar fama, royalties que rendessem a vida toda e acesso a sexo fácil e sem repercussões sérias. Mas como isso não vai acontecer, entendo que o livro atende a outros objetivos. O primeiro é fechar um ciclo, publicando o que vinha escrevendo há anos e podendo enfim me ver livre para tentar outras coisas. Assim, posso tirar esses contos de dentro de mim e torná-los do leitor (mas ainda me reservo os direitos autorais). O terceiro é vaidade. O quarto, e talvez mais importante, é outra necessidade: a de não me acomodar, de me dedicar a algo que realmente importa para mim. Agora, porque importa… já não sei bem.

Você, como jornalista, resenha discos, filmes, quadrinhos. E livros. Está pronto para ler críticas sobre o seu?
Se não estivesse, não poderia tê-lo lançado. Se nego faz uma obra artística, quer que ela seja vista. E avaliada, para o bem ou para o mal.

Se você não tivesse nenhum pudor, modéstia ou ego, o que você diria sobre seu próprio livro?
Que ele deve ser comprado. Mas ok, pode pegar emprestado do amigo pra ler.

Quem é seu público?
Quem quiser ler. Quem se interessa por gente, e ao mesmo tempo sabe que gente é bicho, só é um pouquinho mais complicado que esses bichos que os veterinários estudam. Espero que não sejam malucos que vejam no livro “revelações pessoais” – como uma doida que pirou num poema do meu primeiro livro, “As Pérolas que Enriquecem os Porcos”.

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