Três cervejas: Wayan, Coice e Roggen

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por Marcelo Costa

Com nome inspirado na filha do mestre cervejeiro Teo Musso, a Baladin Wayan é a releitura do italiano para o gênero belga saison – aqui com mais de 17 ingredientes incluindo cevada, trigo, trigo sarraceno, centeio, casca de laranja, pimenta, coentro e vários tipos de lúpulos. A cor é dourada com leve turbidez enquanto a espuma branca surge e desaparece num piscar de olhos. O aroma valoriza a acidez através de notas cítricas que remetem a lima, laranja, uva verde e abacaxi – além de especiarias. O paladar é altamente refrescante com as notas de especiarias (pimenta e cravo) tocando a garganta enquanto o cítrico faz uma festa. O primeiro ataque é de acidez (nota-se alta carbonatação), mas logo na sequencia a doçura (laranja, banana) e o amargor (com as especiarias marcando presença) surgem para balancear esta belíssima garota. Uma cerveja delicada e bastante saborosa perfeita para dias quentes.

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Após as excelentes Baca e Labareda, eis o terceiro lançamento da linha Fora de Série da cervejaria Coruja: a Coice. O rótulo antecipa: é uma cerveja escura tipo lager com adição de canela e 11,5% de álcool. Paulada. Na cor, um acobreado intenso e bastante turvo. A espuma bege sobe bonita recheada de bolhas enormes, mas não dura muito – nem era de se esperar com tanto álcool. O aroma valoriza o malte, que brilha de forma intensa desprendendo-se em notas de caramelo e nozes além do ingrediente especial, a canela. No paladar delicioso, o amargor se destaca pela força do álcool, mas o malte tostado (em notas de caramelo) e a canela sugerem (e cumprem) balanço. A garganta esquenta enquanto o retrogosto traz um amargor acentuado com um picante provavelmente derivado da canela e um dulçor (adstringente) derivado do álcool. Uma belíssima cerveja, mas tome cuidado: o coice é forte.

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A Brauerei Schrems foi fundada em 1320 numa cidade austríaca que fica quase na fronteira com a República Tcheca e produz onze estilos de cerveja seguindo um velho lema alemão: “Que Deus preserve o lúpulo e o malte”. O carro chefe é esta bio-bier, a Schremser Roggen, uma cerveja sem conservantes e que tem como principal diferencial o uso do malte de centeio (seguindo uma velha receita do século 15, proibida naquela época). A cor é um cobreado quase amarelo, mas totalmente turvo devido a não filtração. A espuma e sua persistência são boas. No aroma, o centeio se desdobra em pão, aveia, biscoito e um leve adocicado que remete a mel além de um frutado quase imperceptível lembrando pão. No paladar, a acidez, o frutado (banana) e o condimentado (semente de cravo) remetem a uma boa weissbier alemã. Uma boa descoberta, ou melhor, um belo presente do amigo cervejeiro Leonardo Dias.

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A Baladin Wayan, como toda linha da cervejaria italiana, é apresentada em garrafas de 250 ml e 750 ml ao preço de R$ 17 a pequena e R$ 55 a R$ 70 a grande. Já a garrafinha de 300 ml da Coruja Coice pode ser encontrada entre R$ 12 e R$ 15 enquanto a Schremser Roggen Bio Bier ainda não chegou ao Brasil, mas pode ser encontrada com certa facilidade em bons empórios europeus por cerca de 3 euros (a garrafa de 375 ml).

Baladin Wayan
– Produto: Saison
– Nacionalidade: Itália
– Graduação alcoólica: 5,8%
– Nota: 3,59/5

Coruja Coice
– Produto: Amber Lager
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 11,5%
– Nota: 3,60/5

Schremser Roggen Bio-Bier
– Produto: Roggenbier
– Nacionalidade: Áustria
– Graduação alcoólica: 5,2%
– Nota: 2,86/5

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