CDs: Ben Harper, Molotov, León Gieco

por Leonardo Vinhas

“Get Up!”, Ben Harper with Carlie Musselwhite (Universal)

Desde que começou a trabalhar com a banda Relentless7, Ben Harper vem lançando seus melhores discos. Depois de “White Lies for Dark Times” (2009) e “Give Till It’s Gone” (2011), agora vem “Get Up!”, que recebe a adição de Charlie Musselwhite, gaitista com quase quarenta anos de carreira e um dos heróis musicais de Harper. O resultado dessa parceria reforça uma tese defendida aqui: o amigo de Jack Johnson faz blues rock sem nenhum dos clichês de ambos os gêneros (ok, “I’m In I’m Out and I’m Gone” é meio “canônica” demais, mas só ela). O disco é excelente em sua concisão: dez faixas bem resolvidas, executadas com uma pegada intensa na qual a execução se sobrepõe à (notável) técnica dos músicos. A coisa pode ir para um lado mais roots (“We Can’t End This Way”, “She Got Kick”) ou mais pesadão (“I Don’t Believe a Word You Say”, “Blood Side Out”), mas a qualidade não vacila. E ainda há a tensão crescente de “I Ride at Dawn”.

Nota: 9
Preço em média: R$ 29

“Desde Rusia con Amor”, Molotov (Universal)
Com sua estreia em disco, “Donde Jugarán las Niñas?” (1997), os mexicanos do Molotov foram fundamentais para estabelecer o hip hop latino como gênero na indústria. Mas indo além do rótulo de prateleira, é mais justo dizer que o Molotov é uma banda de rock pesado, com grande propensão ao groove. Esse disco – seu primeiro ao vivo em mais de 15 anos de estrada – comprova isso. É uma sequência de hits de todos os álbuns, incluindo os covers de “Rock Me Amadeus” (convertido em “Amateur”), “Bohemian Rhapsody” (“Rap y Soda Bohemia”) e “I Turned into a Martian” (“Me Convierto en Marciano”). Sem grandes inovações nos arranjos, valem pela intensidade, configurando uma excelente maneira de apresentar a banda a quem não os conhece, ou pelo menos como um “greatest hits”. Pena que o DVD não ganhou edição nacional (mas vale ir atrás).

Nota: 8
Preço em média: R$ 29

“El Desembarco”, León Gieco (EMI)

León Gieco é um dos nomes mais importantes da música argentina contemporânea, seja para o rock ou para o que podemos chamar de folk (pensando que o folk argentino, claro, não tem nada a ver com o dos EUA). Aos 61 anos de idade, soma mais de 40 de carreira e mantém a inquietude que falta a tantos veteranos. Depois de gravar um disco com a banda de hard rock D-Mente (“Um León D-Mente”, de 2009), se juntou a grandes sessionmens gringos, como Jim Keltner e Mark Goldenberg, e registrou um de seus discos de estúdio mais parelhos. Embora haja grande diversidade musical, indo do rockão de arena (“El Argentinito”) ao pop mais assimilável (“Ella”) ou seus hinos acústicos (a emocionante faixa-título), há uma coesão estabelecida por sua lírica afiada e pela qualidade dos músicos envolvidos. Mesmo as canções com influências mais folclóricas, como “Hoy Bailaré”, que poderiam soar caricatas, mostram um senso de composição que só pode existir após anos de refinamento.

Nota: 8
Preço: R$ 45 (importado)

– Leonardo Vinhas (@leovinhas) assina a seção Conexão Latina (aqui) no Scream & Yell.

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