Esse você precisa ouvir: Jeff Lynne e ELO

A Orquestra Da Luz Elétrica no Último Trem Pra Londres – Jeff Lynne e ELO
por Carlos Eduardo Lima

O que você acharia se uma banda surgisse hoje e dissesse que sua proposta musical é retomar o que os Beatles fizeram em “I Am The Walrus” e, a partir daí, fazer novas coisas? Soaria atrevido, prepotente, descabido ou motivo de celebração? E se essa mesma gente maluca quisesse fazer isso ao mesmo tempo em que incorpora elementos de orquestra na música pop, inclusive, instrumentos como cello, violino, viola, basicamente uma sessão de cordas clássica? Então seria fácil perceber que esse tipo de bravata não tem mais lugar nos dias de hoje, quando qualquer som pode ser incorporado a uma canção, via tecnologia de ponta. Pois bem, para Jeff Lynne e Roy Wood, dois sujeitos estranhos de Birmingham, a cerca de duas horas de trem de Londres, música pop significava seguir essa receita.

Lynne e Wood eram músicos da cena de Birminghan na segunda metade dos anos 60. O primeiro era guitarrista do semi-obscuro Idle Race e o segundo atuava no mais conhecido The Move. Ambas as bandas tinham em comum o decalque sonoro dos Beatles, algo relativamente normal para a época, pois quase todas as bandas britânicas que faziam sucesso nas paradas ostentavam a identidade beatle em algum elemento. Com The Move era assim: o sucesso existia dentro da Inglaterra, mas não conseguiu atravessar o Atlântico, o que significava pouco estímulo para continuar. O Idle Race era uma banda local, com relativo sucesso, mas nada que fosse realmente importante.

A partir de 1971, Lynne integrou as fileiras do The Move e contribuiu com dois belos discos obscuros, “Looking On” (1971) e “Message From The Country” (1972). O som da banda mudou, o sucesso na Inglaterra continuou, mas ninguém na terra do Tio Sam parecia se importar com uma banda que se banhava desavergonhadamente em águas beatles. Enquanto isso, Lynne e Wood experimentavam mais e mais os elementos da fusão entre rock e música clássica, atingindo um ponto que ultrapassava as fronteiras do próprio escopo musical do Move. Era a hora de mudar e assumir a nova persona que haviam criado. Nascia a Electric Light Orchestra.

O que havia então? Glam e Progressivo estourados na Inglaterra. Os Estados Unidos começando a curtir uma maré de revisionismo rock, com direito a revival de Beach Boys. Rolling Stones, Pink Floyd, Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple fazendo shows gigantescos ao redor do mundo. Era um cenário que parecia hostil àqueles sujeitos malucos, que se equilibravam em cima de um muro estético que parecia intransponível. Além disso, as pessoas não pareciam muito dispostas a ouvir misturas de rock com música clássica. A presença de Wood na ELO durou apenas um disco, o primeiro, “No Answer”, de 1973. Ele sairia para formar o Wizzard, não sem antes notar que o primeiro single do grupo, “10538 Overture”, tornara-se um hit massivo na Inglaterra.

A partida de Wood deixava Jeff Lynne com os vocais e o controle criativo total da ELO. Com seu registro muito próximo do próprio John Lennon e a chegada de gente importante, como o tecladista Richard Tandy, além da presença do baterista Bev Bevan, a banda seguiu com o lançamento de “Electric Light Orchestra 2”, no fim do mesmo ano. Ali já estava o primeiro hit transatlântico, uma versão exagerada de “Roll Over Beethoven”, que misturava passagens da Quinta Sinfonia do velho Ludwig com o clássico de Chuck Berry. Enquanto acertava o arranjo e iniciava as gravações, Lynne recebeu a visita de George Martin, que produzia “Live And Let Die”, com Paul McCartney, no mesmo Air Studios, mais exatamente, na sala ao lado. O velho produtor dos Beatles assistiu a alguns takes e concordou com toda a concepção. A canção fez muito sucesso e abriu as portas da América para a ELO. A longa duração das músicas em “ELO 2” impediu que o disco galgasse as paradas mais e mais.

Na verdade, a ELO só atingiu seu máximo potencial de sucesso de público e crítica quando lançou “New World Record”, em 1976. Até lá, eles lançariam “On The Third Day” (dezembro de 1973), que teve em “Ma-Ma-Ma Belle” (com participação de Marc Bolan na guitarra) um grande hit, “Eldorado” (1974), este último um disco conceitual inspirado em “O Mágico de Oz”, marcando a primeira vez em que a ELO contou com uma orquestra de fato no estúdio. Até então as concepções orquestrais vinham de instrumentos esparsos, nunca uma orquestra completa. Jeff Lynne conta que só teve o respeito de seu pai quando ele ouviu “Eldorado” e reconheceu ali vários elementos realmente pertencentes à abordagens de música clássica. Este disco também rendeu um grande hit, “Can’t Get It Out Of My Head”, que estourou nos USA e na Inglaterra.

Em 1975 veio “Face The Music”. A banda dava início a uma sutil mudança no conceito musical, o que significava um “downsizing” em relação à opulência de “Eldorado”. Em meio ao approach orquestral, canções mais enxutas, calcadas no rock sessentista viam a luz do dia e faziam sucesso, caso de “Evil Woman” e “Strange Magic”. A espaçonave – símbolo perene da banda – só aterrisou em 1976. Já aparecia estampada na capa de “New World Record”, que seria lançado em novembro. Além disso, Lynne estava se tornando um verdadeiro artesão do estúdio, cada vez mais fluente em técnicas e timbres, conferindo sonoridades cristalinas e top de linha em termos tecnológicos. Não fosse o bastante, a ourivesaria pop que ele empreendia em músicas como “Livin’ Thing” e “Shangri-La” era notável. Duas outras canções merecem destaque: “Telephone Line”, uma balada dilacerada, que não faria feio no repertório de Paul McCartney, e “Rockaria”, que é o que seu título indica: uma mistura de rock glam com uma ária operística. O que é interessante notar é que, a partir desse momento, a ELO já soava como ELO e não como um mero imitador ou reprodutor de tiques musicais dos Beatles em versão clássica. Seus detratores, ou seja, a maioria da crítica especializada da época, nunca reconheceu essa evolução.

O sucesso avassalador continuou com o disco seguinte, “Out Of The Blue”, lançado em 1977, cujo maior sucesso, “Mr. Blue Sky”, arrombou a banca e as paradas de sucesso ao redor do mundo. Muita gente conhece a canção por ela ter feito parte da trilha sonora de “Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças”, o que é uma injustiça. Talvez seja o grande momento da ELO no estúdio em todos os tempos, uma verdadeira overdose de elementos beatle enfileirados, com sons escondidos, falsos finais, mudanças de andamento, virtuosismo, cordas, sinos e vocoders, um exagero barroco que poderia soar como uma contrarrevolução ao nascente movimento punk, que pregava a estética oposta, na qual o “faça você mesmo” e o “menos é mais” imperavam.

Nessa época – 1977/79 – o cenário pop não deixava alternativas. Ou você se assumia punk ou ia para a discoteca. Quem não fazia nenhuma das duas coisas, ficava automaticamente fora dos ouvidos dos formadores de opinião. A grande verdade é que o punk rock não se revoltou contra o progressivo, como diz a lenda. O que gente como Clash e Jam queriam era uma volta às raízes do rock, algo como a redescoberta das influências, da questão do inconformismo, da não-alienação. O oposto disso estava nas paradas de sucesso e na disco music. Hoje em dia, o estado das coisas nos faz questionar esse movimento punk e pesar na balança o que ele deixou como legado para a música pop. Mas isso é outro papo. A verdade é que o rock tradicional também não tinha muito espaço nesses tempos e o radicalismo tomou conta. Muitas bandas e artistas veteranos deram uma guinada em direção à disco music, de Bee Gees e Beach Boys, passando pelo próprio Paul McCartney. A ELO também usou esse jeito de corpo e lançou “Discovery” em 1979. O tecladista Richard Tandy, meio irritado com a “onda disco” acabou chamando o novo álbum de “Disco-very”.

Injustiça com uma obra que hoje revolucionaria o pop. Digo isso sem medo de errar porque “Discovery” é a mais bem sucedida fusão de rock com disco music já feita, algo que pode conquistar gente moderninha fã do Rapture. O som barroco, cheio de efeitos eletrônicos – hoje classificados como vintage mas, na época, high tech – se adaptam ao som mais grooveado e com menos cordas. Vocais assumem uma faceta mais próxima dos Bee Gees, sobretudo nos hits mundiais “Don’t Bring Me Down”, “Last Train To London” e “Shine A Little Love”, que abusam das levadas de baixo e sintetizador imitando som de baixo, conferindo um balanço inédito. ELO nunca foi tão dançante sem deixar, no entanto, as referências beatle de lado. Lá está “The Diary Of Horace Wimp”, com levada psicodélica que poderia ter saído de “Magical Mystery Tour”, contando a saga de um sujeito atrapalhado e sem sorte com as mulheres. Também estão presentes baladas dilaceradas de veia mccartneyana como “Need Her Love” e “Midnight Blue”. A versão remasterizada, lançada em 2001, traz ainda uma cover de “Little Town Flirt”, de Del Shannon, na qual Jeff Lynne toca todos os instrumentos e faz os vocais, em homenagem a um dos seus heróis musicais de sempre.

Por conta do sucesso de “Discovery”, a ELO embarcou naquele que é o momento mais excêntrico de sua carreira, a trilha sonora de “Xanadu”, filme-musical que trazia Olivia Newton-John e Gene Kelly em pleno 1980. A lógica de hoje detectaria uma atitude “cool”, mas, naquela época, isso era colocar em xeque toda a carreira. Se a canção título, na voz de Olivia, foi sucesso mundial, junto com “All Over The World”, o tom, digamos, fabuloso ao extremo que o filme tinha – uma historieta de amor suspenso no tempo sobre patins – fez com que a heroína fosse cruelmente chamada de Olivia Neutron Bomb. O filme fez sucesso, a trilha idem mas, este foi o último momento realmente glorioso da banda.

Acompanhando as tendências de 1981, a ELO sofreu nova mutação. Saiu a fusão gloriosa de disco e rock e veio a perseguição a um som mais eletrônico e futurista, no sentido Atari do termo. Era o som que as bandas progressivas estavam buscando, priorizando teclados com timbres orquestrais e épicos, como o que daria fama e fortuna ao Asia no ano seguinte, com o hit “Only Time Will Tell”. Com a ELO ainda funcionou em canções como “Twilight” e “Ticket To The Moon”, mas a aura de disco conceitual sobre o futuro e o uso abusivo de vocoders e outros bichos não chegaram a convencer como novos elementos estéticos. Ainda havia a habilidade de compositor pop e produtor de Jeff Lynne mas tais predicados não haviam sido suficientes dessa vez.

Dois anos depois, a ELO voltaria com “Secret Messages”, concebido como um álbum duplo, mas lançado como disco simples, após Lynne ser “convencido” pela gravadora. É um trabalho melhor que “Time”, com canções como “Bluebird” e a faixa-título, que retomam um pouco do som clássico dos anos 70 mas ainda abarrotadas por teclados e sintetizadores, que eram a paixão de Richard Tandy. O baterista Bev Bevan se dividiu entre a banda e sua empreitada no Black Sabbath, onde assumiu as baquetas para a turnê de “Born Again”, que ainda trazia Ian Gillan (do Deep Purple) nos vocais. Ele retornaria a ELO em 1986 para a gravação do último disco da banda, “Balance Of Power”. A pomarola azedara completamente e a banda praticamente cumpriu uma obrigação contratual. O disco, no entanto, ainda tem momentos interessantes, sobretudo em “Calling America”, mas o espírito original da banda já não existia mais.

Entretanto, nessa época começou uma espécie de renascimento para Jeff Lynne, dessa vez como produtor. Ninguém menos que George Harrison faria um convite para que ele assumisse a cadeira de produtor de seu novo disco, “Cloud Nine”, que seria lançado em novembro de 1987. Nesse álbum, que marcava seu retorno após cinco anos de ausência, Harrison retomaria uma sonoridade clássica, avessa a qualquer eletrônica, calcada no rock da virada dos anos 50/60. A produção de Lynne, que poderia seguir o padrão recente dos discos da ELO, trabalha a favor disso, conseguindo uma sonoridade seca e despojada, ideal para as expectativas de Harrison. Os grandes hits desse disco, “Got My Mind Set On You” e “When We Was Fab”, conseguem ser saudosos e modernos, tamanho é o brilhantismo da produção de Lynne. O melhor, no entanto, estaria por vir.

A volta de Harrison trouxe ânimo para um monte de veteranos que ficaram à margem da indústria musical por muito tempo. Roy Orbison, por exemplo, fonte de inspiração dos próprios Beatles, amargava um ostracismo longo demais, foi salvo por Lynne, que assumiu a produção de seu belíssimo disco “Mystery Girl”, no qual canções como “You Got It” e “(All I Can Do) Is Dream You” levaram o veteraníssimo barítono de volta às paradas. Ao mesmo tempo em que produzia o disco de Roy e que essa turma se animava, veio a idéia de George Harrison de formar um supergrupo. Nascia o Travelling Wilburys, um dos maiores momentos musicais dos anos 80. Lançaram dois maravilhosos discos, nada nostálgicos, um em 1988 e outro em 1990. Eram apenas George Harrison, Tom Petty, Bob Dylan, Roy Orbison e Jeff Lynne, juntos, num estúdio, fazendo música com a tranqüilidade de velhos camaradas. E o resultado, “Vol.1”, é uma pepita de ouro, a começar pela soberba “Handle With Care”, seguindo adiante por todo o disco, como alguns dos melhores momentos de Dylan na década, em “Congratulations” e no balanço de “Dirty World”, além do clima “killer” em “Rattled”.

O imitador dos Beatles era agora o produtor deles e de seus maiores contemporâneos e heróis. Tom Petty aproveitou o embalo e recrutou Lynne para produzir seu soberbo “Full Moon Fever” em 1989, cujo maior sucesso, “Free Fallin'”, apresentou Petty para toda uma nova geração de fãs. Haveria tempo também para Lynne entrar no estúdio e compor todo um disco solo, chamado “Armchair Theater”, um dos mais bem guardados segredos de 1990, uma vez que permanece fora de catálogo há um bom tempo. 1991 seria o ano da produção de “Rock On”, disco de retorno de Del Shannon, famoso nos anos 60 por um grande sucesso, “Runaway”, que confiara a Lynne a missão de dar-lhe um upgrade. O resultado é emocionante e a regravação de outro grande sucesso da carreira de Del, “I Go To Pieces”, supera o registro original em muitos quilômetros. O segundo disco dos Travelling Wilburys viria a seguir, novamente produzido por Lynne, traria Shannon substituindo Roy Orbison, que morrera vitimado por um ataque cardíaco. Mas Del, que tinha problemas pessoais e depressão, cometeu suicídio, deixando o disco dos Wilburys desfalcado.

Lynne adentrava os anos 90 como um produtor muito requisitado e sempre lembrado pelo trabalho que fizera ao longo dos anos 70, fornecendo sua visão pessoal das sonoridades beatle. Em 1992 ele produziria grande parte das canções de “Time Takes Time”, disco que marcava o retorno de Ringo Starr após 11 anos ausente. Não é de se espantar que os três integrantes do Fab Four tenham pensado nele e o recrutado para produzir sua canção inédita, a primeira em 24 anos, que seria a ponta de lança da série “Anthology” em 1994. O trabalho que Lynne fez, ajudado por Paul, George, Ringo e o próprio George Martin na recuperação das fitas originais de “Free As A Bird”, feitas por John Lennon em algum momento dos anos 70, é admirável. Toda uma nova parte havia sido composta por Paul, lembrando muito a dinâmica de “A Day In The Life”, que, na verdade, é a junção de duas canções distintas. O solo de Harrison, a bateria marcial e pesada de Ringo conferem uma beleza ímpar à canção.

O resultado, por mais impossível que pudesse parecer, não deu a “Free As A Bird” um provável status de “patinho feio” em meio à discografia da banda e foi comparada na época de seu lançamento a algo que poderia estar no lado A de Abbey Road – último disco de estúdio dos Beatles. Não poderia haver maior elogio para uma canção em toda a década de 1990. Ele também produziria a outra canção “inédita” trazida pelo projeto Anthology, “Real Love”, igualmente feita por Lennon nos anos 70 e encorpada pela presença do trio remanescente. Em 1997 seria a vez de Lynne assumir a cadeira de produtor para um disco de Paul McCartney e ele fez de “Flaming Pie”, um trabalho assumidamente revisionista e voltado para as origens em Liverpool, um dos melhores lançamentos de Macca em muito tempo.

Lynne terminaria a década e iniciaria o milênio assinando um novo disco de inéditas da ELO, chamado “Zoom”, lançado no início de 2001. Tudo o que ele aprendera em termos de uso do estúdio, sua nova sonoridade despojada, suas reminiscências dos anos 70, sua perene fixação pelas harmonias beatle e as presenças de George Harrison e Ringo Starr definem o que é este disco tardio. Mais que alguma necessidade de faturar dinheiro fácil com o nome de sua ex-banda, “Zoom” é uma beleza do início ao fim, com destaque para a cortante “One Day In Paradise”, que conta com Harrison, Ringo e Lynne, algo que é sinônimo de beleza e ourivesaria pop. A tristeza maior viria no fim do ano quando Harrison finalmente perdia sua batalha contra o câncer. O quiet Beatle havia permanecido ativo ao longo da década de 1990, tanto no projeto “Anthology” quando em gravações caseiras e elas foram terminadas por Lynne e pelo filho de George, Dhani, resultando no disco póstumo “Brainwashed”, lançado em 2002.

Ao contrário do que o clima de tristeza poderia sugerir, o disco é lindo, cheio de momentos emocionantes e reflexões sobre o mundo, a doença e a antevisão da morte, sob a ótica de um cara espiritualizado, como era Harrison. O sucesso veio com “Between The Devil And The Deep Blue Sea”, um standard da canção americana tradicional de 1932, mas devidamente revista por George. Tudo isso levou o milhão de amigos que Harrison fez em sua vida ao Royal Albert Hall, no “Concert For George”, realizado em 29 de novembro de 2002, no primeiro aniversário de sua morte. Em meio a clássicos dos Beatles e da carreira solo (dentre os quais, “Give me Love”, cantada por Lynne), estavam “Handle With Care”, dos Traveling Wilburys, levada pelos integrantes remanescentes, Tom Petty (à frente de sua banda, os Heartbreakers) e Jeff Lynne. A produção do evento, que ainda trouxe Ringo Starr, Paul McCartney, Billy Preston, Jim Capaldi, entre tantos, ficou a cargo dos melhores amigos que George no fim da vida, justamente Eric Clapton e Jeff Lynne. Talvez seja o mais belo concerto em homenagem a um artista morto, com a reprodução mais fiel das sonoridades originais.

Jeff Lynne produziu em 2009 canções do disco de Regina Spektor, “Far”. Neste trabalho, Spektor dividiu seu álbum em três, deixando quatro músicas para três produtores. Além de Lynne, Mike Elizondo e Jacknife Lee também foram recrutados. O trabalho mais recente do homem é a produção e participação no excelente novo disco de Joe Walsh, “Analog Man”.

A ELO é raramente lembrada pelo senso comum seletivo da crítica musical contemporânea. O trabalho de Lynne como compositor e produtor também não recebeu o reconhecimento que deveria. Fico imaginando se é por total desconhecimento, o que seria imperdoável, uma vez que os sujeito enfileiraram hits ou se é por preconceito em relação ao som do grupo ou por resistência a tudo o que pode soar “velho”, sem a esperteza de ser “vintage” ou “retrô”. Talvez seja a hora de reavaliar tudo o que fizeram e reconhecer a beleza e a engenhosidade desse capítulo dourado, barroco e glorioso da música pop. Sem exagero.

– Carlos Eduardo Lima (@celeolimite) é jornalista e assina a coluna Sob o CEL no Scream & Yell

8 thoughts on “Esse você precisa ouvir: Jeff Lynne e ELO

  1. Baita texto, CEL, eu também sempre fui atraído pela musica do ELO, mas achava que era um dos poucos que reconhecia a genialidade do cara, mas de tanto subestimarem o cara e sua banda quase que embarco nessa também. agora lendo o seu texto, me senti vingado

  2. O auto-intitulado disco de estréia do ELO de 1971 é uma das coisas mais incríveis que meus ouvidos já experimentaram…lembro de ter ficado embasbacado com “Nellie Takes her Bow” e “Mr.Radio”…esse álbum tem clima mágico e único. Acho que o restante da discografia da banda fica bem aquém desse debut.

  3. Álvaro, o debut é diferente do restante mesmo, sobretudo pela alquimia entre o Roy Wood e o Jeff Lynne. Eu gosto muito da ELO sob o comando do Jeff mas fico imaginando que banda eles teriam sido que o Roy não tivesse saído no segundo disco.

  4. Descobri a ELO ao assistir a série Life on Mars (a original, britânica). “10538 Overture” faz parte da trilha sonora. O primeiro disco deles é mesmo muito bom!
    Adorei o texto! É ótimo ver alguém falar sobre esta banda.

  5. Conheci a elo na mídia mesmo.

    Foi em 80, quando o “trem para Londres” estourou nas fm’s.

    Aí meus amigos, no raiar da minha vida adulta, crente que tava abafando (normal aos 18/20 anos), dei mole para uma loirinha e tomei aquele pé (pnb) clássico que deixa o cara sem som e sem imagem e aquele sangue pisado no peito.

    Era 1981 e o rádio tocou todos os principais sucessos de Xanadu de janeiro a agosto.

    Quando eu ouvia a balada melosa ‘Don’t walk away’, eu juro..as lágrimas desciam.

    É que como desgraça pouca é bobagem, um dos programas curtidos com a menina má foi uma sessão do filme naquele antigo cinema da Av Pasteur, em Botafogo.

    Levei mais de 25 anos para baixar as músicas e ouvi-las sem problemas com os cotovelos.

    Foi osso.

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