Madonna ao vivo em Coimbra, 2012

por Pedro Salgado, especial de Coimbra

Estádio Municipal de Coimbra, Portugal, 24 Junho, 22h. Depois de um animado set do DJ e produtor francês Martin Solveig, apresentando temas como “Titanium”, de David Guetta, “Rolling In The Deep”, de Adele, sem esquecer a estrela da noite, “Into The Groove”, Madonna fez a sua entrada em cena dentro de um buggy.

Com um público rendido e aquecido pela atuação anterior, esperava-se muito da rainha da pop. Coimbra é a décima parada da MDNA Tour, que começou em Tel Aviv, Israel, no dia 31 de maio, e desde então já passou pelos Emirados Árabes, pela Turquia, pela Itália (Roma, Milão e Florença) e pela Espanha (duas datas em Barcelona) e chega ao Brasil em dezembro, com shows marcados para o Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

O começo do espetáculo foi arrebatador com a rendição vibrante de “Girl Gone Wild”, animada pelos passos de dança da cantora e dos seus bailarinos. E “Revolver” (da compilação “Celebration”), tal como “Gang Bang” (de “MDNA” assim como “Girl Gone Wild”), prolongaram a atenção dos espectadores.

Gradualmente, o frenesi de imagens, coreografias e cenários foram transformando o show num enorme videoclipe em que a música foi perdendo pontos em face do turbilhão de elementos conjugados. Quando os primeiros acordes de “Papa Don´t Preach” ecoaram no estádio, a canção encontrou correspondência na assistência, mas a conjugação com “Hung Up” quebrou o momento.

Um dos melhores momentos da noite veio ao som de “Express Yourself”. Vestida de cheerleader, a senhora Ciccone animou os seus prosélitos, piscando o olho a Lady Gaga, com uma citação de “Born This Way”, e apresentando o primeiro single de “MDNA”, “Gimme All Your Luvin”, com um coletivo de percussionistas.

Madonna, aos 53 anos, exibiu uma forma física invejável, não só quando dançou ou fez acrobacias, mas também quando atingiu um plano de maior destaque ao tocar guitarra em “Turn Up The Radio”. A sensação de empastelamento, por via da marca eletrônica do novo trabalho (nenhuma faixa do melhor “Ray Of Light” mereceu menção), e a escassez de temas dos anos 80, ofuscaram o show.

Dois fatos contraditórios. Na interpretação arrastada de “Like A Virgin”, em que um piano acompanhou a voz da diva, pairou uma sensação de tédio. Em contraste total com a euforia de “Like A Prayer”, o pico máximo do concerto e um raro momento de comunhão total entre artista e público, transformando o recinto num enorme karaokê com os corpos dançando interminavelmente.

Para terminar, a autora de “Beautiful Stranger” fez um apelo à participação das cerca de 40 mil almas presentes para se embalarem com “Celebration”, em parte conseguido, atirando um “obrigado!” demasiado planejado e profissional, não regressando para o tradicional encore e repetindo uma fórmula já ensaiada na atual turnê em outras paragens.

Seja pela disputa pelo trono da pop com Lady Gaga ou por uma questão de ego, Madonna luta contra o tempo, procurando atualizar-se permanentemente. Observar as novas tendências musicais e recrutar os melhores produtores é louvável, tal como tentar manter a sua arte na vanguarda. Porém, importa também respeitar as aspirações do público e desformatar mais a sua embalagem.

Set List
1) Girl Gone Wild (com sampler de “Material Girl” e “Give It 2 Me”)
2) Revolver
3) Gang Bang
4) Papa Don’t Preach
5) Hung Up (com sampler de “Girl Gone Wild”)
6) I Don’t Give A
7) Express Yourself (com citação de “Born This Way” e “She’s Not Me”)
8 ) Give Me All Your Luvin’
9) Turn Up the Radio
10) Open Your Heart (com Kalakan e citação de “Sagarra jo!”)
11) Masterpiece (com Kalakan)
12) Vogue
13) Candy Shop (com sampler “Ashamed of Myself”. de Kelley Polar e citação de “Erotica”)
14) Human Nature
15) Like a Virgin (com sampler de “Evgeni’s Waltz”, de Abel Korzeniowski)
16) I’m Addicted
17) I’m a Sinner (com Kalakan e citação de “Cyber-Raga”)
18) Like a Prayer
19) Celebration (com sampler de “Girl Gone Wild”)

– Pedro Salgado (siga @woorman) é jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream & Yell contando novidades da música de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado aqui

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