Discografia comentada: Mogwai

Discografia comentada: Mogwai

por Elson Barbosa

O Mogwai é uma banda difícil de entender à primeira ouvida. É daqueles grupos em que cada vez que você ouve, qualquer que seja a música, você percebe algum detalhe que nunca havia percebido antes. Ou seja, é uma banda que requer atenção, um preço relativamente alto hoje em dia. Eles já vieram ao Brasil, em 2002, para uma turnê intensa. Além de ser uma banda difícil de entender à primeira ouvida, o Mogwai também é daqueles grupos que promovem experiências sonoras ao vivo.

Apesar do som inspirar seriedade, a banda ri em fotos e coloca títulos engraçados em suas músicas. Eles são de Glasgow, terra de Primal Scream, Teenage Fanclub e Franz Ferdinand, e meu primeiro contato com eles foi em 1999. Um amigo havia indicado uma coletânea tripla da Matador, “Everything Is Nice”, lançada em comemoração aos 10 anos do selo, por um preço muito barato na Amazon. Comprei. Nela havia duas faixas – “Xmas Steps” e “Hugh Dallas” (essa inédita até hoje). “Xmas Steps” atrai devido a mistura de estranheza e beleza, com um peso enorme ao final da música. Não se parecia com nada que eu tivesse ouvido antes.

Logo depois a gravadora Trama lançou o creme da discografia inicial do Mogwai em edição nacional – “Ten Rapid”, “Young Team”, “Come On Die Young” e “Rock Action” (“Mr Beast” ainda sairia no Brasil via Musik Brokers, mas os dois últimos não chegaram a ter edição nacional). Comprei todos, ainda sem entendê-los direito. Anos depois, passei a me aprofundar nesse estilo chamado post-rock, descobrindo Godspeed You! Black Emperor, Mono, Explosions In The Sky e Slint, entre outros. Em uma viagem aos Estados Unidos, encontrei o EP “My Father My King”, e comprei meio que por impulso completista. E a ficha caiu.

“My Father My King” mudou tudo. Passei a dar valor à banda, a reouvir os álbuns antigos com outros ouvidos, descobrindo faixas obscuras que eu mal havia percebido a existência antes. A dar atenção à banda. Foi o Mogwai que me induziu a formatar e batizar a minha própria banda, a formatar e batizar o meu selo virtual, a fuçar e abraçar dezenas de bandas nacionais que seguem as ideias deste grupo de escoceses. “Two parts serenity and one part death metal”, a descrição colada em um adesivo no EP “My Father My King”, passou a ser quase uma definição de caráter.

Abaixo, disco a disco, um a um, você poderá adentrar também esse território inebriante. Espero que você se divirta. Eu me sinto em casa.

Young Team (1997)
Para abrir seu álbum de estreia, os integrantes do Mogwai convidaram uma amiga, pedindo para que ela desse sua opinião sobre a música da banda: “If the stars had a sound, it would sound like this” (“Se as estrelas tivessem um som, elas soariam assim”). A frase marcante praticamente resume toda a carreira do Mogwai. “Young Team” é o primeiro álbum full do grupo, talvez o mais variado, e, ainda, o clássico da banda. Aqui, o grupo define e explora sua principal característica: a variedade em dinâmicas, climas, timbres, texturas. “Like Herod”, talvez a faixa mais forte de toda a carreira da banda, é quase uma definição do que se entende como post-rock: início com um leve clima de tensão, riffs em repetição, bateria calma. Perto dos dois minutos e meio, quase silêncio, para aos três minutos o peso e a tensão máxima explodirem numa massa sonora aterrorizante. Dá quase para ver a música, ou ao menos seguir um roteiro imaginário combinando suspense, terror e violência. As diferenças de dinâmica calmaria-explosão são um clichê, mas funcionam, e o Mogwai se tornaria um especialista nisso. Mas o que chama atenção é a variedade no resto do álbum: “Tracy” é triste e delicada, em total contraste com o terror de “Like Herod”. “Yes! I Am A Long Way From Home” e “Katrien” são densas e pesadas – nessa última, uma voz narra algo ininteligível, o que torna a voz só mais um instrumento embaixo do ruído. “R U Still In 2 It” é uma faixa introspectiva, trazendo a voz forte de Aidan Moffat (Arab Strap) contrastando com a tímida voz de Stuart Braithwaite tentando cantar o refrão. Mas nem tudo é perfeito: “Summer (Priority Version)” é uma regravação inferior de “Summer”, presente no EP “Ten Rapid”; “With Portfolio” é só um filler com uma mixagem exagerada que obriga o ouvinte a abaixar o volume no seu final, e “Mogwai Fear Satan” perde muito para as versões ao vivo, mais curtas e muito mais pesadas. Mas nada disso faz perder o brilho do álbum.

Nota: 9
Ouça: “Like Herod”, “Tracy”
Melhor trecho: As duas explosões de “Like Herod”
Curiosidades: Em 2008, “Young Team” foi relançado em uma versão deluxe dupla, com um segundo CD de raridades e versões ao vivo. E no mesmo ano o Mogwai tocou o disco na íntegra no Primavera Sound Festival, na Espanha.

Come On Die Young (1999)
Diferente da fórmula calmaria-explosão que o próprio Mogwai ajudou a definir no álbum de estreia, “Come On Die Young” surpreende por ser um trabalho calmo e introspectivo – talvez o mais difícil da banda. É um álbum desplugado, sem grandes efeitos de guitarra ou o peso característico dos primeiros trabalhos. Mas passada a fase de estranhamento, dá pra encontrar um belíssimo conjunto de canções, com composições mais maduras do que o esperado para um segundo álbum. “Cody” é uma balada cantada pela voz tímida de Stuart Braithwaite. “Kappa” e “May Nothing But Happiness Come Through Your Door” são primas de “Tracy”, do álbum anterior, e têm um clima de tensão crescente que até ensaia uma pequena explosão, mas logo voltam para a introspecção. “Ex-Cowboy” é um dos pontos altos do disco, trazendo um trecho com efeitos climáticos e viajantes. A explosão esperada só aparece no final do disco – “Christmas Steps”, a penúltima faixa, traz um trecho pesado e distorcido, lembrando que ainda se trata do mesmo Mogwai de “Young Team”. Diante de um álbum tão calmo e leve, é irônico ver títulos de músicas como “Punk Rock:” e “Punk Rock/Puff Daddy/Antichrist”, comprovando que os escoceses são grandes piadistas na hora de batizar suas músicas.

Nota: 8
Ouça: “Christmas Steps”, “Ex-Cowboy”
Melhor trecho: A explosão em “Christmas Steps”
Curiosidade: A faixa “Punk Rock:” tem um discurso de Iggy Pop sobre punk rock, de um programa de TV canadense de 1977.

Rock Action (2001)
A primeira característica que chama a atenção em “Rock Action” são os sintetizadores. A banda começa a explorar mais timbres eletrônicos, com sintetizadores analógicos, vocoders e bateria eletrônica. As músicas herdam os climas mais calmos de “Come On Die Young” – novamente, não há trechos pesados e distorcidos. Outra mudança é que a presença de vocais é constante durante todo o álbum. “Sine Wave” e “2 Rights Make 1 Wrong” têm vocais em vocoder, novamente sendo usados mais como um instrumento do que como uma voz passando uma mensagem através de uma letra. “Take Me Somewhere Nice” é cantada por Stuart Braithwaite, com David Pajo (Slint) fazendo vocais de apoio. “Dial: Revenge” é cantada em gaélico por Gruff Rhys, do Super Furry Animals – a escolha da língua foi justamente com o objetivo de tornar a letra incompreensível. “2 Rights Make 1 Wrong” tem vocais de apoio de mais um convidado conhecido: Gary Lightbody, do Snow Patrol. O ponto alto é “You Don’t Know Jesus” em todo seu crescendo dramático, com a banda adicionando camadas e ruídos a cada trecho da música, descascando-os aos poucos até o final.

Nota: 8
Ouça: “You Don’t Know Jesus”, “2 Rights Make 1 Wrong”
Melhor trecho: O crescendo de “You Don’t Know Jesus”
Curiosidade: Novamente uma citação de Iggy Pop – “Rock Action” é, ao lado de “Rock Asheton”, um dos apelidos que Iggy deu a Scott Asheton, baterista dos Stooges.

Happy Songs For Happy People (2003)
Eis o álbum menos inspirado da banda. Quase uma continuação de “Rock Action”. Os elementos eletrônicos e vocais em vocoder têm bastante presença em todo o trabalho – vide “Hunted By A Freak”, a faixa de abertura. “Moses? I Amn’t” é uma peça minimalista de sintetizadores e violoncelo, lembrando Philip Glass. Em “Killing All The Flies”, a banda ensaia uma volta aos tempos de “Young Team” e começa a fazer as pazes com os pedais de distorção, em um trecho que dura poucos segundos. A distorção toma forma de vez em “Ratts Of The Capital” – o seu crescendo e ápice é talvez um dos cinco melhores momentos de toda a carreira da banda. “I Know You Are But What Am I?” volta ao minimalismo, dessa vez com uma melodia repetitiva ao piano lembrando Arvo Pärt, antes de entrar uma bateria eletrônica. “Stop Coming To My House” fecha o álbum com um belo crescendo de camadas sobrepostas de ruído. Apesar do brilho em momentos específicos, é um álbum menor na discografia dos escoceses.

Nota: 6
Ouça: “Ratts Of The Capital”, “Hunted By A Freak”
Melhor trecho: A explosão em “Ratts Of The Capital”
Curiosidade: A versão em CD vem com as faixas individuais de “Hunted By A Freak” separadas para serem remixadas e retrabalhadas. E uma versão em mp3 que circulou pela internet continha um sampler do tema de “Happy Tree Friends” ao final do álbum.

Mr Beast (2006)
“Provavelmente o melhor álbum de art rock em que eu estive envolvido desde ‘Loveless’, do My Bloody Valentine. Na verdade, é possivelmente melhor que o Loveless”. As palavras são de Alan McGee, dono do selo Creation e produtor executivo do álbum. Não há como ignorar e não referendar: “Mr Beast” é o melhor trabalho dos escoceses. As faixas são curtas e diretas – nenhuma canção chega aos 6 minutos de duração –, tendo estruturas mais simples e acessíveis, estrofe-refrão, quase um álbum de rock tradicional. “Auto Rock” é uma bela melodia ao piano que vai ganhando corpo aos poucos. “Glasgow Mega-Snake” é violenta e furiosa – nunca antes a banda havia gravado algo tão direto e pesado. “Travel Is Dangerous”, com vocais do tecladista Barry Burns, é quase shoegaze, com estrofe leve e refrão pesado e sujo. “Team Handed” e “Friend Of The Night” têm melodias ao piano que trazem um clima de sofisticação. “I Chose Horses” é lenta e delicada, com vocais em japonês de Tetsuya Fukagawa, da banda Envy. E “We’re No Here” fecha o álbum de maneira magistral, com todo o seu peso e melodia grandiosa quase lembrando um hino. “Mr Beast” é talvez o trabalho que melhor representa a complexidade de ideias da banda, ao unir faixas tão sofisticadas e outras tão pesadas em um mesmo álbum. É esse paradoxo de calmaria e violência que faz a banda ser tão singular. Se precisar escolher um álbum para entender o Mogwai – e talvez boa parte do post-rock – comece por esse.

Nota: 10
Ouça: “Glasgow Mega-Snake”, “We’re No Here”, “Friend Of The Night”
Melhor trecho: A mudança harmônica com a repetição de bateria a partir dos 2:40 de “We’re No Here”
Curiosidade: A versão deluxe traz de bônus um DVD com um documentário de 40 minutos sobre a gravação do álbum, além de trechos de shows.

The Hawk Is Howling (2008)
Uma espécie de evolução das ideias dos álbuns anteriores. Traz quase a mesma estrutura de “Mr Beast”, mas dessa vez voltando às faixas mais longas – metade delas passam dos 6 minutos de duração. “I’m Jim Morrison, I’m Dead” abre o álbum com um clima denso movido a pianos. “Batcat” volta à violência de “Glasgow Mega-Snake” em uma faixa ainda mais pesada que a sua antecessora. “The Sun Smells Too Loud” até chama a atenção por sua ideia inusitada – com uma base eletrônica, é quase um kraut-rock animadinho –, mas o resultado beira a estranheza e o resultado é abaixo da média. “I Love You, I’m Going To Blow Up Your School” e “The Precipice” são quase literais no título – enquanto a primeira começa lenta e densa até o final explosivo, a segunda é profunda e com um senso de perigo e tensão, crescendo devagar até estourar nos últimos minutos da música e do CD. E há “Scotland’s Shame”, uma pequena obra-prima – lenta, climática, com uma bateria densa e um belíssimo arranjo de sintetizadores e guitarras em reverb e delay, um dos pontos altos do álbum e até da carreira da banda. “The Hawk Is Howling” comprova o caráter experimental da banda adicionando novas ideias e influências a cada álbum.

Nota: 8
Ouça: “Batcat”, “Scotland’s Shame”
Melhor trecho: Em “Scotland’s Shame”, quando um efeito de guitarra em wah parece “abrir” a música para os sintetizadores
Curiosidades: A versão deluxe do álbum traz de bônus um DVD com um documentário sobre a banda dirigido por Vincent Moon. Roky Erickson, ex-vocalista do 13th Floor Elevators, canta em “Devil Rides”, b-side do single de “Batcat”.

Hardcore Will Never Die, But You Will (2011)
Primeiro álbum do Mogwai lançado pela Sub Pop. A banda parece simplificar novamente seu som, apostando em faixas mais curtas e diretas. “White Noise” abre o disco de forma grandiosa, com um pequeno épico no meio dos seus curtos 5 minutos, fazendo dessa abertura um dos pontos altos do trabalho. “Mexican Grand-Prix” é eletrônica, prima de “The Sun Smells Too Loud” do álbum anterior, mas com melhores resultados. “Rano Pano” adiciona estranheza – é um ritmo quebrado, difícil de ser entendido nas primeiras audições. Ponto para a banda por abrir mais um caminho. “San Pedro” é talvez a faixa mais pop da carreira dos escoceses – três minutos e meio, direta, redonda. “Letters To The Metro” volta à introspecção de “Come On Die Young”. “You’re Lionel Richie” é o Mogwai fazendo o que faz melhor – um épico crescendo em tensão constante. “Hardcore” marcou o crescimento da banda, tendo repercutido mais que os anteriores e ganhando três vídeos oficiais, feito inédito para a banda.

Nota: 8
Ouça: “San Pedro”, “White Noise”
Melhor trecho: Em “White Noise” quando entra um “solo” de efeitos em crescendo
Curiosidades: A versão deluxe do álbum traz de bônus um segundo CD com uma faixa inédita – “Music For A Forgotten Future (The Singing Mountain)”, de mais de 23 minutos de duração. “You’re Lionel Richie” foi batizada depois que o guitarrista Stuart Braithwaite realmente encontrou com o famoso cantor dos anos 80 em um aeroporto.

Compilações e BBC Sessions
“Ten Rapid” (1997) é uma compilação de diversas faixas lançadas em EPs no início de carreira (entre 1996 e 1997). Por ter sido lançada antes do primeiro álbum oficial (“Young Team”), muitas vezes é confundido como o primeiro álbum da banda. “Summer” é a versão original – e melhor – da música, diferente da “Summer (Priority Version)” incluída em “Young Team”, e é tocada até hoje nos shows da banda junto a “Helicon 1”. EP+6 (2000) junta três EPs: “4 Satin”, primeiro EP da banda, lançado em 1997 com três faixas; “No Education = No Future (Fuck The Curfew)” lançado em 1998 com três faixas; E “EP”, lançado em 1999 com quatro faixas. “No Education” e “EP” foram lançados nos EUA em um mesmo álbum, rebatizado de “EP+2”. “No Education” inclui “Xmas Steps”, uma versão alternativa da “Christmas Steps”, lançada no álbum “Come On Die Young”. “Government Comissions” (2005) reúne Diversas gravações que o Mogwai fez para a BBC de 1996 até 2003, incluindo Peel Sessions – é a voz de John Peel que abre o álbum apresentando “Ladies And Gentlemen, Mogwai!”. O maior destaque da compilação é a versão matadora de “Like Herod”, com 18 minutos de duração.

Álbuns ao Vivo
“Special Moves” é um álbum ao vivo lançado junto ao filme “Burning” numa edição CD+DVD, contendo faixas gravadas em três shows em Nova York em abril de 2009. “Burning” foi dirigido por Vincent Moon, que já havia dirigido um curta para o álbum “The Hawk Is Howling” (junto ao CD+DVD há um cartão que dá acesso a mais seis faixas ao vivo exclusivas). Outros bootlegs podem ser encontrados com facilidade na web, e os mais recomendados são “Mogwai Live at Supersonic” (2007), “Music Hall of Williamsburg” (2009), “ITunes Festival” (2011) e “Live at KEXP Studios 2011-05-06” (2001).

Singles, splits e EPs
Os primeiros singles foram reunidos nas coletâneas “Ten Rapid” e “EP+6”, mas ainda ficou muita coisa inédita de fora, como os lançados em 2001: “Travels in Constants, Vol. 12”, “US Tour EP”, “UK/European Tour EP” e “My Father, My King”, esta última talvez a grande obra-prima da banda. Gravada por Steve Albini e com mais de vinte minutos de duração, é baseada em um hino judeu chamado “Avinu Malkeinu”, e contém todos os elementos que definem o som da grupo: introspecção, tensão, caos, redenção. Talvez não: é a grande obra-prima do Mogwai.

Diversos singles dos álbuns “Mr Beast” (“Travel is Dangerous” e “Friend of The Night”), “The Hawk Is Howling” (“Batcat”) e “Hardcore Will Never Die, But You Will” (“Rano Pano”, “Mexican Grand-Prix” e “San Pedro”) também contém faixas inéditas de bônus. “Earth Division” (2011) é um EP de quatro músicas gravado durante as sessões de “Hardcore Will Never Die”, e lançado no final de 2011. Nele a banda adota um estilo mais acústico e faz maior uso de violinos e violoncelos, como na quase vinheta erudita “Get To France” e na mistura de eletrônica com música erudita de “Drunk And Crazy”. Recentemente, no início de maio, a faixa “Earth Division” foi divulgada na internet como parte da coletânea “Music For Occupy”. Apesar do título, a faixa estranhamente não entrou no EP de mesmo nome.

“Angels Vs Aliens” (1996, dividido com Dweeb), “Club Beatroot – Part Four” (1997, dividido com pH Family) e “Do The Rock Boogaloo” (1998, com Magoo) são splits lançados entre 1996 e 1998, com versões alternativas de “Angels Vs Aliens” (regravada em “Ten Rapid”) e “Stereodee” (regravada em “4 Satin”). “Do The Rock Boogaloo” ainda tem duas versões de músicas do Black Sabbath – “Black Sabbath” pelo Magoo e “Sweet Leaf” pelo Mogwai. “US Tour EP” (2008) é um split dividido com o Fuck Buttons, com Mogwai remixando “Colours Move”, dos Buttons, e estes fazendo uma cover de “Mogwai Fear Satan”. Este EP foi relançado no Record Store Day em 2010.

Álbuns de remix e Trilhas Sonoras
“Kicking A Dead Pig” é um álbum de remixes de várias faixas do Mogwai, remixado por artistas como Arab Strap, Alec Empire e My Bloody Valentine. O álbum foi relançado em 2001 com um segundo CD de bônus contendo remixes de “Mogwai Fear Satan”, que haviam sido lançados em um EP de 1998. “Zidane: A 21St Century Portait” (2006) é a trilha sonora do documentário que retrata a biografia de Zinedine Zidane, um dos maiores futebolistas da história. Nele, a banda volta ao estilo calmo e introspectivo dos dias de “Come On Die Young”. Uma das faixas, “7:25”, é uma sobra de estúdio daquele álbum, enquanto “Black Spider” é uma sobra do “Rock Action”. Já “The Fountain” é a trilha sonora do filme “A Fonte da Vida”, dirigido por Darren Aronofsky, composta por Clint Mansell, que já havia trabalhado com o diretor nas trilhas de “Pi“ e “Requiem For A Dream”, e além do Mogwai conta com a participação do Kronos Quartet.

Covers
Algumas covers gravadas pela banda:
– “Honey” (Spacemen 3) – Álbum A Tribute to Spacemen 3 (1998)
– “Sweet Leaf” (Black Sabbath) – EP Do The Rock Boogaloo (1998)
– “Don’t Cry” (Guns N’ Roses) – Gravada em uma Peel Session de 1998, mas nunca lançada
– “Arundel” (Papa M, projeto de David Pajo do Slint) – EP Travels In Constants (2001)
– “Gouge Away” (Pixies) – Álbum Dig For Fire – A Tribute to Pixies (2007)
– “Ghostrider” (Suicide) – Faixa ainda não lançada

Itens de colecionador
MOGWAI BIG MUFF PI
Pedal de Big Muff feito exclusivamente para a banda, pela Electro Harmonix.
http://www.ehx.com/blog/mogwai-big-muff-pi

Abaixo, primeiro vídeo: Tracy Music Box -> uma caixinha de música com a melodia de “Tracy”

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– Elson Barbosa toca baixo no Herod Layne e é um dos capos do selo virtual Sinewave

Leia também:
– Perdido em Firenze e o inferno do Mogwai ao vivo na Itália, por Marcelo Costa (aqui)
– “Se Beethoven tivesse nascido na Escócia, 1980, provável que tocasse no Mogwai” (aqui)
– Mogwai em São Paulo em 2002, duas noites de barulho e risos, por Marcelo Finateli (aqui)
– “Rock Action”, do Mogwai, é o som de demônios sendo moídos, por Diego Fernandes (aqui)

20 thoughts on “Discografia comentada: Mogwai

  1. Depois de ler esse texto, fui procurar o “Mr Beast” e achei no site da Livraria Cultura por absurdos R$ 11,90. Tive que comprar né…hehehe.

  2. O meu preferido, sem dúvida, é o come on die young. Um disco a ser ouvido na íntegra, como uma peça única, contínua, à penumbra, sozinho com sua cabeça. Lembro de uma resenha, anos atrás, no saudoso site gordurama, na qual o cara (acho que o resenhista era o Diego Fernandes) dizia que, se tivesse que atravessar oceanos como passageiro clandestino no porão de algum cargueiro decadente, levaria esse disco como trilha sonora. Perfeito.

  3. Grande banda! Young Team e The Hawk is Howling são discos acima da média da própria banda e são um belo chute na bunda de quem acha que o rock não faz sentido hoje em dia.

  4. Fiquei fã de imediato dos caras depois de ver o show no Sesc Vila Mariana (nem lembrava que tinha sido em 2002) foi uma das experiências sonôras mais intesas que tive na minha vida… confesso que fiquei muito tempo sem ouvi-los, valeu Elson!

  5. Sou fã da banda, mas achei o “Hardcore Will Never Die” uma decepção…acho que o Mogwai não funciona bem quando tenta ser “animado” demais…os melhores trabalhos são os mais sombrios e pesados, sem dúvida. Young Team, CODY e Mr.Beast são obras-primas.

  6. Po, achei Hardcore…, um discaço., “How to be a werewolf” está entre as minhas preferidas de toda a discografia deles.

    A trinca fantástica (adoraria ver um show com essa sequência) seria: Ratts of the Capital seguida de My father, my king e fechar com Like Herod. Quero ver alguém sobreviver depois de uma sequência dessa…

  7. O único disco que o ouvi foi o Mr Beast e te digo, quero ouvir todos os outros. Maravilhoso é pouco pra definir esse album. Feche os olhos em Friend of the Night e deixe se levar para outra dimensão…

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