CDs: Shonen Knife, Elder Effe, Molho Negro

por Adriano Costa

“Osaka Ramones”, Shonen Knife (Damnably)
A japonesa Naoko Yamano completou, no ano passado, 30 primaveras empunhando sua guitarra e cantando na banda Shonen Knife. Única integrante da formação original (hoje a banda tem Ritsuko Taneda no baixo e Emi Morimoto na bateria), ela resolveu enquadrar em um só disco, a sua banda principal e uma espécie de projeto paralelo onde só toca canções de um dos pilares do punk. O resultado é “Osaka Ramones: A Tribute To The Ramones”. Produzido por Robby Takac, do Goo Goo Dolls (o que não ajuda, convenhamos), o disco não traz nenhuma surpresa. Todas as 13 canções são executadas exatamente como as originais, o que se por um lado representa minutos garantidos de diversão, por outro não acrescenta absolutamente nada na carreira de nenhum dos envolvidos, assim como dos homenageados. Deve ser entendido apenas como uma brincadeira de fã para ídolos confessos. Mesmo assim, é impossível classificar como ruim um disco que traga clássicos como “Blitzkrieg Bop”, “Rockaway Beach”, “Sheena Is a Punk Rocker” e “Psycho Therapy”. Dê uma chance.

Nota: 6,0
Preço em média: R$ 45 (importado)

“Sob Medida”, Elder Effe (Independente)
“Dessa vez vai ser melhor ficar distante da confusão. Agora eu ando sempre alerta, eu nunca sigo em vão. Espero a poeira baixar pra decidir a direção”. Os versos iniciais de “As Crônicas do Bandido”, a primeira música do EP “Sob Medida”, que o músico paraense Elder Effe disponibilizou no final de 2011, diz muito sobre a sua atual situação. A relação pessoal existe, mesmo se tratando de um personagem que dará o tom da estreia solo dele, que de fundador do Suzana Flag, montou o Ataque Fantasma e faz parte do Johny Rockstar e hoje também do combo Laurentino e os Cascudos. Amadurecido e com outro olhar da vida, o músico percorre o caminho do folk-pop nas três faixas do EP. Além dos suaves dedilhados da canção citada temos a bonita balada que dá nome ao álbum, construída sobre violões e piano, e a viciante e grudenta “Video Out”. Apesar de ser uma espécie de aperitivo, o EP serve devidamente para mostrar o alto poderio de composição que o artista sempre se notabilizou, além de constituir um belo prelúdio do que está por vir.

Nota: 7,5
Download gratuito: http://www.paramusica.com.br/paginacd

“Rock!”, Molho Negro (Independente)
Tecnobrega, tecnomelody, aparelhagens, o escambau. Tente esquecer isso quando pensar no Pará. João Lemos (das bandas Sincera e Laurentino e Os Cascudos) ergueu a guitarra e proclamou do alto de alguns riffs mais um grupo na contramão da marcha corrente. Junto com o ótimo Turbo, de Camilo Royale, o Molho Negro surge como um alívio para o rock no Estado paraense. O apropriado nome “Rock!” batiza o primeiro EP com 4 faixas e demonstra um vigor e energia muito bem vindos. Gravado no estúdio Rocklab em Goiânia, por João Lemos (vocal, guitarra e baixo) e Augusto Oliveira (também do Sincera – responsável pela bateria e vocal), o Molho Negro hoje já é um trio com a chegada de Raony Pinheiro no baixo. “Rockk!” abre com as guitarras de “Mania de Perseguição”, passa pela melancolia bem sacada do complexo de Peter Pan de “Fliperama Superstar”, atravessa a poderosa “Onde Está Meu Mojo?” e chega ao sarcasmo do pequeno candidato a hino do momento paraense atual: “Ela Prefere o DJ”. Para baixar, botar no player, aumentar o som e lembrar-se de como o rock cai bem.

Nota: 8,0
Download gratuito: http://www.molhonegro.com

– Textos: Adriano Mello Costa (siga @coisapop) assina o blog Coisa Pop

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