Missão Impossível – Ghost Protocol

por Adriano Costa

“Missão: Impossível – Protocolo Fantasma” é um daqueles filmes que antes de começar já tem algumas perguntas para responder. Dentre o rol dos questionamentos destaca-se: Será que Tom Cruise aos 49 anos ainda tem fôlego para encorpar o agente Ethan Hunt? O premiado diretor de animação Brad Bird (“Os Incríveis” e “Ratatouille”) possui cacife suficiente para estar no nível de Brian de Palma, John Woo e J.J Abrams, os diretores anteriores? Será que a franquia não se esgotou nos três primeiros longas?

Depois de assistir aos 133 minutos de projeção, todas essas interrogações chegam a devida conclusão. A série iniciada pelo astro na segunda metade dos anos 90 sempre se mostrou um porto seguro para continuar impulsionando sua carreira. Com o quarto filme não é diferente. Com versão em IMAX, já se mostra nos primeiros dias de exibição como um sucesso de bilheteria e o diretor Brad Bird, que estreia no comando de atores reais, capricha no que é uma constante da marca: cenas de ação com tensão e desfechos mirabolantes.

Em “Protocolo Fantasma”, Ethan Hunt está trancado em uma prisão russa quando os agentes Jane (Paula Patton, de “Preciosa”) e Benji (Simon Pegg, de “Missão Impossível III”), ambos da IMF (Impossible Mission Force) aparecem para libertá-lo. Logo em seguida o grupo precisa invadir o Kremlin para recuperar alguns arquivos, no entanto, a missão vai por água abaixo e resulta na desativação da agência (o protocolo do título), no assassinato do secretário de defesa norte-americano (Tom Wilkinson) e na inclusão do analista Brandt (Jeremy Renner, de “Guerra ao Terror”) no time (além de uma ponta de James Ford, o Sawyer da série “Lost”. J.J Abrams deixou a direção, mas assina a produção junto a Bryan Burk e o próprio Tom Cruise).

A partir disso começa a velha (e boa) perseguição para tentar salvar o mundo. Dessa vez de um ataque nuclear programado por um intelectual sueco desiludido (Michael Nyqvist, da trilogia européia de “Millennium”). Para tanto o quarteto de agentes viaja o mundo e se mete em brigas e confusões, tal qual a frenética e exuberante sequência em cima do edifício Burj Khalifa, em Dubai, o mais alto do mundo. Pendurado por fora de um prédio no 130º. andar, Ethan Hunt coloca toda sua experiência e doses calculadas de loucura em ação (veja uma foto do prédio aqui). Do lado inimigo brilha Léa Seydoux (a francesinha de “Meia-Noite em Paris”) como a assassina Sabine Moreau, que só aceita pagamento em diamantes.

“Missão: Impossível – Protocolo Fantasma” é um trabalho que honra o antecessor. Exibe uma gama de cenas espetaculares e lutas bem coreografadas com um roteiro encabeçado por Josh Appelbaum e André Nemec (da série “Life On Mars”) que é realista e factível no que dá pra ser, além de contar com gente grande no apoio como Paul Hirsch (de “Star Wars”) na montagem e Michael Kay (“A Origem”) nos efeitos especiais. O único senão fica por conta da quantidade de humor inserido, que acaba por diminuir a pressão em certas passagens.

Quanto as perguntas realizadas no primeiro parágrafo, pode-se afirmar que Tom Cruise continua a vontade no papel de Ethan Hunt e de novo dá sobrevida a carreira. Brad Bird ainda não está no nível dos outros diretores da franquia (em produções “reais”), mas exibe um cartão de visitas bacana e forja de modo competente a difícil fórmula “blockbuster = bom filme”. Quanto ao esgotamento da série, ainda não foi com “Missão: Impossível – Protocolo Fantasma” que isso ocorreu, então, pode-se esperar por mais aventuras nos anos vindouros.

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– Textos: Adriano Mello Costa (siga @coisapop) assina o blog Coisa Pop

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3 thoughts on “Missão Impossível – Ghost Protocol

  1. Um ótimo filme.
    Até porque resgatou algo que só teve no primeiro filme: trabalho em equipe que sempre foi a marca registrada da série (sim, havia uma série).
    Não achei o humor exagerado. Achei que funcionou muito bem.
    Agora… Paula Patton… Pisa em mim.

  2. Acho um pouco falho elogiar o roteiro e dizer que a direção do Brad Bird não está no nível dos diretores anteriores (sendo que Bird já provou nas animações que como diretor não deve nada à Brian de Palma, muito menos aos outros), acho justamente o contrário, a trama é até simplória demais e a energia e talento de Bird para as cenas de ação elevam o filme ao titulo de filme de ação de primeira linha.

  3. Jonathan, não vejo necessariamente uma relação direta e infalivel entre roteiro e direção. Ambos podem caminhar separadamente em análises. Quanto ao Brad Bird, realmente em animações ele tem um historico excelente, no entanto, em produções com atores reais ainda tem que comer um bocado de feijão, apesar do que mostrou no novo e bom “Missão Impossivel”. E compará-lo com Brian de Palma nesse momento inicial da carreira dele, é simplesmente impossível. Abs.

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