O disco agradável do Megafaun

por Tiago Faria

Mais do que um álbum com potencial para agradar a todas as classes de fãs do Wilco (imagine aí um disco espaçoso e cheio de si, como “The Whole Love”, só que preenchido com as lindas melodias de country-folk que apareciam em “Being There”), esta domingueira do Megafaun nos ensina como uma obra longa, cheia de ambições (e de músicos convidados), pode chegar aos nossos ouvidos com a leveza alegre que talvez encontrássemos numa fitinha demo gravada por bons amigos durante uma tarde de folga. Enquanto ouço, posso imaginar o cheiro de churrasco e batatas-fritas enquanto os músicos afinam os instrumentos.

Portanto, evite as conclusões apressadas: a terceira faixa dura oito minutos não para nos convencer de que esta é uma banda tecnicamente sofisticada (e é, aliás), mas porque há músicas saborosas que merecem todo esse terreno em torno delas. Tem uma diferença importante entre esses dois procedimentos.

No mais, é aconselhável deixar de lado, por um tempo, as resenhas que destacam a forma como este álbum revê certos gêneros tradicionais da música americana. Mais prazeroso é perceber, por exemplo, como as músicas estão sempre abandonando e voltando ao lar (= as melodias mais reconhecíveis, familiares), num movimento pendular entre trechos confortáveis e estranhos, caipirões e alienígenas, pé-na-terra e cabeça-nas-nuvens. “These Words”, o momento sublime do regabofe, resume esse paradoxo.

A arte do Megafaun – este trio com síndrome de quinteto – é um pouco mais trabalhosa do que este disco tão agradável dá a entender. Mas, apesar de aparentemente efêmera (impressão enganosa, ok?), taí uma beleza a ser admirada até por aquele fã do Wilco que não se impressiona mais com nada.

“Megafaun”, o álbum, está sendo lançado pelo selo Hometapes: http://hometapes.tumblr.com/

– Tiago Faria (siga @superoito) é jornalista e escreve no http://superoito.com

Leia também:
– “The Whole Love”, o álbum multifacetado do Wilco, por Marcelo Costa (aqui)

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