CDs: Everclear, JC Brooks, Ben Harper

por Leonardo Vinhas

“Return to Santa Monica”, Everclear (Cleopatra)
A egomania de Art Alexakis fez com que o baixista Craig Montoya e o baterista Greg Eklund pedissem demissão do Everclear depois do fracasso comercial e artístico que foi seu álbum de 2003, “Slow Motion Daydream”. Em vez de enfiar a guitarra no saco, Alexakis juntou uns coitados e saiu destruindo a reputação da banda com shows pífios e insosso álbum “Welcome to the Drama Club” (2006). Também abriu falência e perdeu a guarda até do cão da família (é sério). Um cenário deprimente, que é perfeitamente ilustrado com esse medonho “Return to Santa Monica”, no qual ele regrava os sucessos do Everclear em condições bem piores do que as dos registros originais. Só não está claro porque ele fez isso. Talvez para mostrar que as canções não são tão boas quanto os fãs acreditavam, já que todas as versões são inferiores? Vai saber. E ele ainda destroi hits óbvios do Police, da Steve Miller Band e de Tom Petty and The Heartbreakers. Não ouça.

Preço: R$ 45 (importado)
Nota: 0

Leia também: “Slow Motion Daydream”, do Everclear, por Leonardo Vinhas (aqui)

“Want More”, JC Brooks & The Uptown Sound ( Bloodshot Records)
A imprensa gringa anda chamando JC Brooks & The Uptown Sound de “Otis Redding a frente dos Stooges”. Um exagero, claro, até porque a energia bruta da banda (que existe) não tem nada a ver com a banda de Iggy. Mas sim, existe um clima de soul rock quase punk em sua urgência e simplicidade, que funciona muitíssimo bem graças a uma produção cuidadosa mas nada polida, e principalmente graças a voz de JC, comparável, sim, a dos grandes soulmen da Stax e da Motown. É um disco que renova as esperanças de quem já estava cansado de ver o santo nome da soul music ser profanado quando associado com Amy Winehouse e Duffy. E a versão de “I Am Trying to Break Your Heart”, do Wilco, é só um motivo a mais para você escutá-los com atenção.

Preço: R$ 45 (importado)
Nota: 8,5

Leia também: “The Whole Love”, do Wilco, por Marcelo Costa (aqui)

“Give Till It’s Gone”, Ben Harper (EMI)
OK, já foi lançado faz tempo, mas passou sem registro, e não dá para desprezar o que é um dos melhores álbuns de 2011, e seguramente um dos melhores na carreira do compositor. Dado o teor altamente pessoal das canções, ele tirou o nome da banda da assinatura, mas os Relentless7, que o haviam acompanhando no espetacular “White Lies for Dark Times” (2009), continuam ao seu lado, o que significa um instrumental intenso, de execução irrepreensível e cheio de sentimento. Jackson Browne ajuda a entregar um bom quinhão dessa emoção ao dividir os vocais com Harper na lindíssima “Pray That Our Love Sees the Dawn”, e Ringo Starr também faz bonito coassinando e tocando bateria em “Spilling Faith”. Mas o show é de Harper e sua banda, com um álbum em que força e fragilidade se equilibram com precisões poucas vezes vistas na história. E da faixa de abertura, “Don’t Give Up On Me Now”, nem é bom falar. Resume-se assim: “ai!”.

Preço: R$ 30 (nacional)
Nota: 10

Leia também: “Diamonds on the Inside”, de Ben Harper, por Tomaz Alvarenga (aqui)

Leonardo Vinhas assina a seção Conexão Latina (aqui) no Scream & Yell e já escreveu uma Discografia Comentada de Nick Cave (aqui) e entrevistou o Pão de Hamburguer (aqui)

4 thoughts on “CDs: Everclear, JC Brooks, Ben Harper

  1. O vocal do cara tem um quê de Otis Redding mesmo. Já a alusão aos Stooges deve ser pela capa – homenagem? – bem parecida com o primeiro disco deles.
    Não conhecia a banda, gostei da música do vídeo.
    Vou baixar pra sacar melhor.
    Valeu.

  2. “I’m trying to break your heart” em clima de festa com um negão de voz rouca pagando de fodão… Não curti. Prefiro a sonolência entorpecida e a tristeza pálida da original.

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