Balanção do Planeta Terra 2011

Balanção Planeta Terra 2011

E lá se foi a quinta edição do Planeta Terra, o festival mais bem produzido, mais charmoso e mais indie do país. No ano em que, pela primeira vez, o festival teve um headliner de verdade (Strokes fechando é algo nível primeiro mundo – mesmo em 2011), houve um monte de buracos na programação preenchidos por algumas bandas de pouca relevância – e pelos brinquedos do Playcenter. Porém, entre bocejos e descidas de montanha-russa, salvaram-se todos (ao menos é o que parece).

O Scream & Yell levou ao parque de diversões paulistano uma equipe formada pelo editor Marcelo Costa e pelos jornalistas Bruno Capelas e Murilo Basso. O site ainda recebeu o reforço do jornalista Rodrigo Levino, repórter da Veja Online, integrante da seita obscura #BAEA, e dono de uma pequena border collier. A tarefa destes quatro intrépidos profissionais: resumir o que fizeram em 12 horas de festival. O resultado você lê abaixo… e até o Planeta Terra 2012.

16-18h

Bruno Capelas – Marinheiro de primeira viagem do Planeta Terra, resolvi chegar cedo para tentar tirar o atraso de anos. Primeira parada: Criolo, de quem já deixei passar uns três shows esse ano, antes e depois do hype. A expectativa era grande, especialmente para saber como o cantor se comportaria apresentando-se para uma plateia “acostumada com Sucrilhos no prato”. Com a pista já bastante cheia para um começo de festival, Criolo fez um bom show, calcado em “Nó na Orelha”, um dos melhores discos do ano. A banda que o acompanhava – o produtor Daniel Ganjaman, o onipresente Curumin e o absurdo guitarrista Guilherme Held inclusos – não deixou a peteca cair em nenhum momento. Entretanto, havia algo estranho no ar do estacionamento do Playcenter, e não era o cheirinho de um ou outro baseado.

A grande força de “Subirusdoistiozin”, “Grajauex” e outros petardos – e o que fez muita gente prestar atenção em Criolo – é a crítica social, o tapa na cara da sociedade. Entretanto, assim como vem fazendo em muitas entrevistas recentes, o cantor mostrou-se contemporizador no palco do Planeta Terra, em frases como “cada um aqui sabe o que passa todos os dias. Hoje é um dia de festa, todos nós merecemos a felicidade”. Isso pra não falar na plateia “leite com pêra” sentindo-se e sendo tratada como “a família”, mostrando como o crossover entre o rap e o indie que Criolo faz é interessante, mas que também pode, às vezes, esbarrar na incongruência. Fiquei com um nó na cabeça.

Marcelo Costa – A primeira coisa que me vem a cabeça é o sol. E cerveja. Logo nos primeiros minutos de festival encontrei vários amigos que sarreavam o meu bigode sério, mas ele acabou ficando em segundo plano diante do show do Criolo, que dobrou a audiência que havia ido assistir Mombojó no mesmo horário no ano anterior. Debaixo de um sol castigador, Criolo fez um show bonito, certinho, com uma banda impecável, sorriso na cara de todo mundo. Bancando o bom moço, o cantor ignorou a plateia criada a sucrilhos (faz parte do sucesso aceitar o cachê e não reclamar de quem paga, certo, mano) e fez uma ode a felicidade em grupo. Funcionou. Incrível que o segundo melhor show do festival tenha sido o que abriu a maratona. Criolo devia ter tocado às 23h, antes dos Strokes.

Na sequencia tinha Nação Zumbi. Guardo na memória, entre dezenas de shows dos pernambucanos que vi, a apresentação no Tim Festival 2004, no Rio. Um pé d’agua sem tamanho e um show avassalador. É claro que eles iriam fazer um outro grande show, mas show da Nação Zumbi você vê sempre, carrinho bate bate não. Após deixar o meu automóvel morrer no meio da pista nos primeiros minutos, ainda consegui dar a partida e chacoalhar o veículo do senhor Leonardo Dias Pereira, um dos Urbanaques presente no recinto. Dali partimos para a Monga, que estava de folga (até ela folga, viu jornalistas de plantão) e quando percebemos já estávamos dentro de um barco descendo uma rampa de água. Splash. Ainda deu tempo de ir ao Turbo Drop. Não sei se é esse o nome, mas é aquele elevador que vai até perto das nuvens de poluição, faz um barulho assustador, e despenca com 12 almas em direção ao chão. Só digo uma coisa: a vista da cidade é incrível.

Murilo Basso – Ainda juntando os cacos e contando os calos após duas noites no Morumbi assistindo a um show que certamente foi melhor que o line-up das cinco edições do Planeta Terra, desembarquei no Playcenter a tempo de presenciar a melhor parte da apresentação do Criolo, o atual maior gênio incompreendido da música popular tupiniquim: “Tu-rum-pá. Valeu, Planeta Terra!”. Na sequência, a fila para o bate-bate pareceu mais convidativa que qualquer show disponível, embora ainda restasse uma leve vontade de assistir a Nação Zumbi. Ficou para próxima, o que acabou sendo a melhor escolha, afinal eu teria perdido aquele que foi sem sombra de dúvidas o melhor momento da história do festival.

Rodrigo Levino – (em casa) zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

18-20h

Bruno Capelas – Meu nó na cabeça, porém, durou pouco tempo, porque quando a Nação Zumbi subiu ao palco, às 17h30, não sobrou pedra sobre pedra. Confesso que nunca dei muita bola para a trupe de Lucio Maia – nem para as gravações de agora, nem para as da época de Chico Science. Semanas antes, comentando isso, o Mac tinha dado a letra: “É porque você nunca viu os caras ao vivo”. (Enquanto escrevo, “Da Lama ao Caos” finalmente faz sentido nos meus fones de ouvido).

Na apresentação mais empolgada – de longe – do festival, a Nação me fez entender porque é dona de um dos melhores shows do país. Não quero abusar dos clichês, mas preciso dizer que o peso da banda impressiona ao vivo, ainda mais quando encontra um som muito bem ajustado como o do Terra. Foi o segundo melhor show da noite, com direito a “Quando a Maré Encher”, “Manguetown”, “Maracatu Atômico” (cuja posse foi transmitida por uso capião à NZ) e a irresistível cover de “Umbabarauma” aparecendo no meio de “Da Lama ao Caos”.

Era pouco mais de 18h30 quando o Nação acabou seu show, e, sem saco para ver o White Lies, fui dar uma volta no carrinho de bate-bate (ou “tromba tromba”, como diria o amigo Eduardo Martinez) pra relembrar a infância e me sentir em pleno “Adventureland” – só faltava “Rock Me Amadeus” tocando alto nas caixas de som do brinquedo. Finda a brincadeira, “valeu, tchau”, deu ainda tempo de pegar a última música do Garotas Suecas & Jacaré no palco indie, num show que, segundo os amigos, não teve covers de É o Tchan. Uma pena.

Marcelo Costa – Eu acho que vi o show do White Lies. Mas devo ter esquecido. A área vip estava repleta de rostinhos bonitos, cerveja ruim, vódega, uisque e vários comes e bebes interessantes. Tinha água também. Acho. Eu devia ter anotado tudo que fiz para passar o tempo nestas duas horas, pois já não lembro. E eu nem estava bêbado. Devia ser a quarta ou quinta Devassa. Acho que vi o White Lies sim. Eles não são uma banda que fica na dúvida entre ser um sub-Killers ou um sub-Interpol? Alguém comentou isso ao meu lado. Mas enquanto ignorava completamente o som que saia alto das caixas (para infelicidade de muitos), percebi que o desenho da estrutura do palco estava lindão.

Murilo Basso – Minha relação com o Planeta Terra nunca mais será a mesma após o momento épico que vivemos no carrinho de bate-bate. Há imagens gravadas de tal feito, as quais espero que o editor deste site tenha a coragem necessária para divulgá-las. Resumindo da maneira mais clara possível, apenas digo que nosso herói Rodrigo Salem, travestido de arauto da justiça, destruiu PC Siqueira em um duelo de proporções históricas, desde já conhecido como “Death Race BAEA 3000”. Mais só as imagens podem falar (assista aqui e volte pra ler).

Se não me falha a memória, alguns instantes depois, Jacaré (ex-É O Tchan, que bagulho legal para colocar no CV, não?), subia no palco com seu moletom da Nike, em uma clara evidencia de que sim, Edson Gomes Cardoso Santos, traiu o “movimento Axé”.

Para não perder o clima, decidimos aproveitar a estrutura disponível e, embora tenham me ludibriado ao dizer que iríamos ver a Monga, acabamos no Splash, o que só foi uma experiência agradável graças a minha coragem (só tenho amigo cagão, sério). Prova disso é que instantes depois despenquei de uma altura de, sei lá, 40 metros enquanto alguns colegas cogitavam desistir de mais esse desafio. Gostaria de ressaltar que qualquer foto que possa ser publicada tentando provar o contrário, não passa de uma tentativa amadora de me desqualificar.

Rodrigo Levino (quase estourando o prazo do segundo horário) – Na fila do Playcenter, 12 minutos depois de ter saído de casa, lembrei das 2h40 que levei de Copacabana até a Barra da Tijuca, no quarto dia de Rock in Rio, há pouco mais de um mês. Que inferno aquilo tudo. E como é bom que o Planeta Terra seja perto de casa, fácil de chegar, limpo e aconteça em um parque de diversões.

Será mesmo?

Daí você entra e, de cara, como nos anos anteriores me ocorreu, a coisa toda parece uma quermesse hipster, onde música é o de menos. Porque tem montanha-russa, bate-bate, picolé, salada de frutas (!), luzinhas coloridas. O mundo perfeito onde habitam os bichinhos dos Flaming Lips, os canhões de borboleta do Coldplay e os balões iluminados do Arcade Fire.

Entre uma coisa e outra, bandas que em condições normais de temperatura (bom senso) e pressão (histeria), não atrairiam mais do que duas centenas de pessoas. Faz parte da brincadeira… como a Monga.

20-22h

Bruno Capelas – Resolvi esticar um pouquinho mais no palco indie antes de voltar pra pegar o Broken Social Scene. Comi dois cachorros quentes – caros, mas nem tanto, e bem decentes – e vi, meio de longe, o começo do Toro Y Moi, que, apesar de bem animado, não me fez querer ficar muito por ali. Pausa para o banheiro: sem filas e sem problemas – mais um sinal da acertada estrutura do Planeta Terra. Pé na estrada, amigos querendo parar para comprar cerveja e tirar fotos da “turma”, cheguei só na quarta ou quinta música do Broken Social Scene, que quase rivalizou com o Nação Zumbi no quesito “ei, estamos curtindo pra caralho tocar pra vocês”.

Em um show cheio de passagens instrumentais deliciosas, mas que foi um pouco prejudicado pela plateia desatenta – muita gente conversando, inclusive – o Broken Social Scene entrou pra lista de “bandas que eu não ouvi antes de ver ao vivo, mas merecem atenção quando eu chegar em casa”, como foi também, pra mim, o caso do Josh Rouse no SWU do ano passado.

Depois do show, mais uma pausa pra reabastecer com dois copos de Coca-Cola, porque ninguém é de ferro, e ir encontrar mais amigos no portão de entrada, que, assim como uma boa parte da plateia, chegavam só naquele horário pra pegar os últimos shows. Já ficava um pouco mais difícil de transitar pela área do palco principal.

Marcelo Costa – Alguém no Twitter dizia estar com medo de perder o show do Toro Y Moi. Eu preocupado com a história de Neil Young só vir palestrar no SWU, com o anúncio da turnê de volta do Stone Roses, com o próximo disco do Leonard Cohen, com o fato de estar gostando de algumas canções do “Lulu”, o disco do Lou Reed com o Metallica, e alguém se descabelava pelo fato de que Toro Y Moi poderia fazer um show e ele não ver. A ficha do Planeta Terra 2011 começou a cair lentamente, meio engasgada no orelhão, como quando a gente dava umas porradas de leve no aparelho público para ele nos devolver a ficha que nos tomou sem nos dar os três minutos de conversa. A vida sem celular e cartões telefônicos era complicada, viu.

Enquanto começava a caraminholar isso, Mariangela, Aline, Bruno e Leonardo me arrastaram para um montanha-russa com dois loopings. Vou ser honesto: foi a primeira vez na vida que fiz algo assim. Sabe aqueles negócios que ficam girando pra lá e pra cá e que parece que vão jogar o cérebro da gente fora? Nunca. Nem chapado, muito menos são. Bruno Dias tinha tentado me arrastar prum lance desses no Benicàssim, mas afinei. Porém a experiência da montanha russa foi divertida. Mesmo. Eu queria tuitar após sair do brinquedo, mas a minha mão tremia (a volta, com dois loopings de costas, é sinistra). Fácil meu quarto melhor momento do festival. O terceiro foi o show do Broken Social Scene, quatro guitarras no palco, indie pacas, e com aquela loirinha de cabelo B’52s despedaçando corações.

Murilo Basso – Por mais que você ache que se acostumou com o passar dos anos, a verdade é que adentrar um festival é sempre confrontar-se com o desconhecido. Foi quando me perguntaram qual tinha sido o melhor show até o momento: “Num sei, ainda num vi nenhum”. E graças a essas armadilhas do destino me flagrei vendo duas músicas do White Lies. Cerca de 8 minutos da minha vida que não voltam mais. Não satisfeito decidi desperdiçar mais alguns minutos da minha existência com o Toro Y Moi, que segundo dados que consegui levantar, possui cerca de onze fãs em todo mundo – 95% deles originários das turmas de Publicidade da PUC-PR.

Foi quando mais uma vez, graças a nossa total ausência de noção, meus amigos (aproveito para agradecer publicamente a todos os envolvidos) decidiram me tirar desse martírio para observá-los na fila da montanha-russa. O que foi muito mais interessante, acreditem. Após todas essas experiências gratificantes voltamos para presenciar o bom show do Broken Social Scene, que pode ser resumido nos suspiros de aproximadamente cinco retardados pela “guria do Metronomy”.

Rodrigo Levino – Toro Y Moi. Gosto muito do disco. Entra fácil em um Top 15 do ano. Tem dias que voltando do trabalho no ônibus lotado ouvir “How Can You Swallow So Much Sleep” me faz bem. Mas vou te contar, que trabalho hercúleo deve ser convencer a si próprio que aquilo que se ouvia e via no palco era algo digno de respeito.

Pode-se alegar em defesa da banda que o lugar é inapropriado para a sonoridade e que, sei lá, aquilo ali na choperia do SESC renderia melhor. Mas não. Porque não tem punch, a execução é capenga, não há carisma, performance, experiência suficiente para dominar a plateia.

Deixo o palco indie e, no caminho até o main stage, encontro um casal de amigos jogando argolas. O resultado serve de analogia ao show que acabara de ver: um fracasso.

Nem eu lembrava que gostava tanto o Broken Social Scene. Como tocam bem, como os arranjos, riffs e fraseados de guitarra soam agradáveis. E mesmo a levada da maioria das músicas, de pouca variação, é compensada pela habilidade da cozinha. Eis um show que talvez casasse à perfeição no palco menor. E, sei lá, empurraríamos o Toro Y Moi para o tiro ao alvo.

Findo o show e ao longo de 600 metros encontro mais de uma dezena de conhecidos. O Planeta Terra é o Gigabyte dos indies/hipsters paulistanos. Eu sou um deles? Minha mãe não me criou para isso. Mas não fazia muito tempo eu estava cantarolando músicas de uma banda-coletivo canadense que nunca deve ter se apresentado para mais de dez mil pessoas na vida.

22-00h

Bruno Capelas – Lição nº1 da noite: Às vezes, ir a um festival também se trata de uma questão de escolhas – ficar perto do seu artista preferido pode significar ter que aturar um ou dois shows bem chatos. Meus amigos queriam chegar o mais perto possível de Julian Casablancas, e pra isso, como se estivéssemos na estação Sé do Metrô às seis da tarde, disputávamos território e tentávamos não nos separar – tarefa bem difícil, diga-se de passagem.

Enquanto isso, no palco, o Interpol fazia um show burocrático. Eu até tentei me animar pra saber como as coisas tavam lá na Costa Oeste (“The Heinrich Maneuver”), num raro momento de brilho da banda de Paul Banks e cia, mas não deu muito certo.

Entre bocejos, uma lista de 5 melhores coisas pra se fazer durante o show do Beady Eye (na melhor tradição Rob Fleming da coisa) e discussões se valeria a pena dar uma fugidinha pro palco indie e ver pelo menos o começo do show do Bombay Bicycle Club, a passagem do Interpol pelo Playcenter finalmente acabou. Antes disso, porém, em “Obstacle 1”, uma amiga minha chegou a desmaiar por queda de pressão – o que quase nos fez perder nossa “posição”. Por sorte, foi só tomar um ar que tudo ficou bem – e deu até pra ir um pouco mais pra frente, segurando a onda com os fãs apaixonados do(s) irmão(s) Gallagher. Havia até quem arriscasse a começar um coro de “olê, olé, olé, olé, Liam! Liam!”. Pensei comigo mesmo: “é, a noite vai ser longa…”.

Marcelo Costa – Se você acompanhou o Scream & Yell através destes longos e árduos 11 anos, sabe que eu não levo o Strokes à sério, certo. Acho “Is This It” um puta disco (que poderia ter sido melhor se eles não fossem coxinhas e tivessem aparado a microfonia do álbum), e dai pela frente eles lançaram alguns belos singles (se você me encontrar discotecando pode cobrar “Juicebox” que eu toco), mas a banda sempre me soou… criada com sucrilhos no prato. Ainda assim, pode procurar no site: eu falo bem deles quando eles acertam. Já o Interpol… uma das sete ou oito vezes que esbarrei com eles nestes anos difíceis de discos ruins foi no Via Funchal. Vi cinco músicas e, acompanhado da senhorita Liliane Callegari, decidimos tomar um ar na porta da casa de shows. E não voltamos.

Então, meninas, não venham com esse papo de que o Paul Banks é bonitinho. No relato das próximas duas horas resumirei com perfeição o embate “beleza x inteligência” no rock and roll. Enquanto o Interpol fazia um bom público sofrer na pista do palco principal (e não era pela tristeza das músicas, mas pela ruindade sem tamanho das canções – principalmente as do terceiro e quarto disco), eu aproveitava para tirar uma soneca no colo da namorada enquanto aguardava o Goldfrapp começar seu show no palco indie. Decepção, viu. O show começou em primeira marcha. Demorou dez minutos para a banda engatar a segunda marcha e o show começar a parecer… show. Desisti na sexta ou sétima música (quando o grupo já esboçava uma reação contra si mesmo pretendendo virar o jogo). Se alguém disser que eles fizeram um grande show eu não vou duvidar, mas preferi gastar meu tempo (e meu dinheiro) comprando a camiseta do festival (esses badulaques sempre me fisgam).

Murilo Basso – Tenho lapsos de memória dizendo que o Interpol fez uma apresentação comovente. Reza a lenda que Paul Banks foi quase tão simpático quanto Axl Rose no Rock In Rio. Quase um Chris Martin sem grife. Mas não me recordo de ter visto qualquer coisa relacionada a isso. O fato é que neste momento o festival se resumia a mulheres bem dispostas, bêbados transgressores e altas doses de música ruim. E mais uma vez acabei salvo pela montanha russa.

Fui forçado a perder mais alguns minutos com o Goldfrapp, porque a vida me ensinou a não discutir com seu chefe. Conclui que eles ainda estão abaixo do Toro Y Moi, afinal possuem sete fãs ao redor do globo, em sua maioria estudantes de cinema da FAAP. Aproveitei para cortar relações com um amigo de longa data que ousou proferir a frase “essa música aí é legal, né?” e ainda ouvi a melhor definição para o Planeta Terra em cinco anos:

“O melhor desse festival é que ninguém nunca ta ligando para nada” TERRON, Paulo, 2011.

Rodrigo Levino – Fulano voltando da montanha-russa, o casal ainda tentando ganhar uma garrafa de champagne no jogo de argolas, relatos de flertes fracassados, duas risadas pela desgraça alheia, um mar de gente para comprar pipoca (!) e uma vontade nascente de sair de fininho, pegar um taxi, vir para casa e ainda pegar Janete e Valéria no Zorra Total.

Ideia que tomou corpo quando Paul Banks subiu ao palco. Tivesse o Interpol parado no segundo disco, o mundo seria um lugar mais digno. Alheios um ao outro, plateia e banda terminaram a pelada em um empate. Que, quem sabe, Alisson Goldfrapp, a Mika em slow motion do Planeta Terra 2011 poderia mudar o quadro.

Nem tanto. Abba encontrou Pet Shop Boys para gravar um disco de trip hop e deu em Godlfrapp. Era playback? Não sei. Da posição em que estava não me pareceu um descompasso entre movimentos e voz. Nem possível que soasse tão cristalina e afinada naturalmente. Mas sabe-se lá o quanto de canto a moça estudou. De uma parte do show em diante, me concentrei na tecladista e, bem, o Liam Gallagher entraria no palco logo mais.

00-02h

Bruno Capelas – Lição nº2 da noite: às vezes, é fácil queimar a língua. Passei o dia inteiro fazendo a piada de que o Planeta Terra tinha “trazido o irmão errado por engano” – explico: Noel Gallagher, o outro irmão, soltou um dos discos mais legais do ano nas últimas semanas (e tem feito grandes shows, pelo que andei lendo por aí). Tentei até o último minuto ver se não dava mesmo pra ir ver o Bombay Bicycle Club e voltar – não dava nem pra ir buscar uma bebida no bar (vi gente pagando alguns dinheiros por um gole de água), quem dirá ir até o outro palco. Mas acabei ficando pra ver o Beady Eye, e queimei a língua.

Não que Liam Gallagher e seus companheiros tenham feito um show memorável. Pelo contrário. Mas, dadas as baixíssimas expectativas, até que o Beady Eye fez um show bem decente. Tudo bem, as músicas da banda são um simulacro mal remendado de “Beatles and Stones”, mas Liam soube bem levar a plateia, fazendo o tempo passar rápido e calando a boca até de quem ensaiava um corinho irônico de “Noel! Noel! Noel!” ao final da cada canção. Isso porque o repertório se baseou apenas em “Different Gear, Still Speeding”, álbum de estreia dos ingleses – caso a banda tivesse tocado uma ou duas pérolas do Oasis, a noite poderia ter sido bem diferente.

À uma da manhã, enquanto seu Julian não vinha, eu e meus amigos sentamos no chão para dar uma segurada no cansaço e no calor – as pernas já tinham pedido arrego há algumas horas, e toda energia poupada seria bem vinda para os próximos minutos.

Marcelo Costa – Acho que bebi mais umas duas ou três cervejas até meu dinheiro de mentirinha acabar (e eu ter preguiça de ir até a área vip me abastecer). Pensei em comprar mais e lembrei de um caixa no T In The Park, na Escócia, que já calculava os preços de quantas fichas de cerveja você queria comprar: 5, 10, 20, 40, 50, 100, 500 e 1000. Isso mesmo, 1000 cervejas. Achei bizarro até perceber que, na verdade, os britânicos juntam toda a grana e deixam com um cara responsável por comprar a bolada de pão liquido para os quatro dias (dinheiro de cerveja é sagrado, ninguém brinca com isso). 1000 cervejas para uma turma de 20 pessoas é igual a 50 cervejas por pessoa. Divididas em quatro dias são 12,5 cervejas por cabeça. Do capítulo “jornalista também sabe fazer contas de dividir” retirado do livro Cultura Inútil.

Enquanto eu tentava treinar a minha mente com essas contas, as meninas do meu lado suspiravam: “Ai como o Liam é gato”, “Ai como o Liam é lindo”, “Ai como é Liam é charmoso”. É lógico que elas ficaram falando isso só nas três primeiras músicas do show. Passados 10 minutos nem elas aguentavam mais aquela overdose requentada de Oasis de quinta categoria, e ainda teriam mais 50 minutos de Liam gato, lindo e charmoso pela frente tentando mostrar-se relevante. Porém, tanto ele quanto elas esqueceram que a beleza (ui) pode ter ficado com o Liam, mas a inteligência era o Noel. Duvido que elas enumerassem as mesmas qualidades do irmão mais feio de Liam em 10 minutos de um show dele, mas aposto que cantariam todas as suas canções, e pediriam bis. Mais: pediriam Oasis, e ele iria tocar. No Planeta Terra, Beady Eye tocou uma hora de tédio rock and roll: demora pra passar e é chaaaaato. E nem o esforço de Liam salvou o show. Muito menos sua beleza, pois até a beleza cansa.

Murilo Basso – Pelo que me recordo, em algum momento, Liam Gallagher cantou “There’s no business like show businees”. Ou “Don’t Look Back In Anger”. Não sei ao certo. Aproveitei os instantes em que o Gallagher mais novo (e, aceitem: menos talentoso) tentava colocar 15 mil pessoas para dormir tocando um lado Z do Oasis atrás do outro para botar a conversa em dia. Confesso que o fato de o Beady Eye já possuir um bom número de fãs me assustou, o que me também me levou a conclusão de que não há mais nenhuma possibilidade de salvação para a humanidade. No mais, não podemos esquecer que Liam é hoje um fracassado. E é por isso que gostamos tanto dele.

Rodrigo Levino – Que tragédia imensa o Beady Eye. Uma banda tão sem sustância que a entrada do show poderia ser uma cesta básica, para ajudar os músicos. Genérico, sem alma, nos melhores momentos soam como lado C do Oasis, lado D do The Who. Resta a Liam pedir a Jesus – e a Noel – que sua antiga banda volte em 2015. Temos um disco a ser comemorado e que marcou a minha vida. Até lá, se permite esse salvo conduto para que o caçula da família siga destruindo o capital que acumulou em 20 anos de Oasis.

Nos estertores, refiz o caminho até o palco indie para ver um pouco do Bombay Bicycle Club. Achei um bom show. De novo o pensamento de que funcionaria melhor em um lugar menor.

02-04h

Bruno Capelas – Lição nº3 da noite: nunca subestime o poder dos hits. Antes dos Strokes chegarem, não botava muita fé no show dos nova-iorquinos, culpa da má impressão com o temerário “Angles” e do efeito “Julian Gordo” – num paralelo ao “Elvis Gordo” dos anos 70.

Nada disso, porém, foi suficiente para atrapalhar uma platéia sedenta de música, uma banda com vontade de tocar e uma seqüência irrepreensível de sucessos – que faltaram nas outras bandas do Planeta Terra. O que dizer de uma fileira como “You Only Live Once”, “Is This It”, “Under Cover of Darkness” e “Someday”? Como num feitiço, até mesmo as novas canções soavam bem, guardadas as devidas proporções – foi bonito o coro no riff de “Machu Picchu”.

No quarto final do show, o cansaço estava mais que nítido no rosto das pessoas por perto. O que não significa que todo mundo não pulou como se não houvesse amanhã na dobradinha de “Juicebox”/”Last Nite”. Já estava bom demais, mas após protocolares minutos de charme pré-bis, Julian e Nick Valensi regressaram para tocar “Under Control”, fazendo a multidão presente se arrepiar e entender na prática o choro da personagem de Érika Mader em “Apenas o Fim”.

A noite não acabou ali: ainda deu tempo de ir a dois brinquedos e tomar um sorvete esperando o metrô abrir. Esgotando o tempo regulamentar, o Planeta Terra só foi acabar mesmo às cinco da manhã, na Barra Funda. Na cabeça, a voz de Frank Sinatra, que apareceu nos alto-falantes do Playcenter após o fim do show do Strokes, ecoava, com toda a classe: “That’s life”.

Marcelo Costa – Durante algum momento da maratona cogitei ir embora. Já tinha visto neste ano um grande show do Broken Social Scene em março no Warfield, velha casa do mestre Bill Graham em São Francisco, e os Strokes no Coachella e no Benicàssim. E eu ainda pretendia rever Bombay Bicycle Club (que vi no Primavera Sound, em Barcelona) no Beco 203, na Augusta, no domingo. “O que eu fui fazer no Playcenter?”, era a questão que ecoava no vazio da minha alma que já começava a se abastecer com água. O que? A redenção de uma banda que eu nunca levei a sério. Como se Julian Casablancas comandasse um time de futebol que, após um campeonato de 10 anos, chegava na final precisando vencer por quatro gols de diferença. E seu adversário era o público.

Dai voltamos aquela ficha que começou a cair algumas horas atrás: a média de idade das principais atrações do Planeta Terra era de 10 anos. Isso explica a falta de grisalhos na plateia e a enorme quantidade de jovens, gente que tinha de 10 a 13 anos quando “Is This It” e “Turn on the Bright Lights” foram lançados, e adotou estes álbuns como se fossem (e foram) trilhas sonoras de sua adolescência. Não havia, como nos anos anteriores, gente como Iggy Pop, Sonic Youth, Smashing Pumpkins, Pavement, Devo ou Breeders, bandas que pudessem transformar o parque de diversões em um local de interação entre gerações. Estranho até que não houvesse ninguém no portão pedindo o RG e permitindo a entrada de quarentões mediante uma resposta padrão: como é o nome de todos os integrantes do Broken Social Scene? Ou: Como era a capa norte-americana do álbum “Is This It”? Quem errasse seria lançado num despenhadeiro tipo “Monty Python and the Holy Grail”.

Desta forma, tocando para o seu próprio e principal público, o Strokes fez um show arrasador. Se no Coachella a banda aumentou o volume de todos os instrumentos de birra com a produção que os escalou para esquentar a noite para Kanye West (e Julian colocou a noite a perder falando bobagens pelos cotovelos), no Planeta Terra o que se viu foi um grupo tocando rock and roll alto e sem muitas firulas. A execução perfeita (embora a voz de Julian tenha ido dar uma volta depois de “Under Cover of Darkness”) encontrou uma audiência cansada pela maratona, mas ainda assim a fim de entregar as últimas gotas de suor por sua banda predileta. E eu, que sempre olhei com desdem para o grupo, os agradeço por dar sentido ao fato de eu ter ficado 12 horas em pé de lá pra cá numa peregrinação sem sentido de um festival cujo único show memorável foi o deles. Ainda assim sai antes da última música direto para um taxi e para a cama. E dormi feliz o sono dos justos (meus tempos de esperar o metrô abrir ficaram no Hollywood Rock, o festival indie dos anos 90).

Murilo Basso – Depois de três dias meu corpo já não respondia a ordem nenhuma. E apesar de não conseguir pular e não lembrar a letra de nenhuma música, sou obrigado a reconhecer que o Strokes fez um grande show. Ok, o último disco continua sendo uma merda, se forçar um pouquinho que seja Julian estoura suas duas últimas cordas vocais, mas é fato que se trata da banda que moldou uma geração – e se você acha que cada geração tem a banda que merece, digo que dentre as opções disponíveis para os moleques que hoje estão com dez anos, quem teve o Strokes como responsável por sua inserção no universo da música pode agradecer aos céus.

O saldo final é o mesmo de sempre: entrei no táxi jurando que ano que vem assistirei ao festival em HD no conforto da minha casa, embora saiba que tudo não passa de conversa fiada.

Rodrigo Levino – Aí, amigos, vieram os Strokes, a carga de memoria afetiva colada nas canções, 2001 (que ano!) na cabeça. Curtir a vida adoidado na faculdade incluía porres lastimáveis de vodka barata e “Is This It”. Eu lembro de ter percebido o alcance daquilo tudo quando cheguei a uma boate de playboy em Natal e a pior banda cover da cidade se resgava no palco com o vocalista berrando “laaaaaaaaaaaas niiiiiiiiiiiiiite / sheee saaaaaaaaaaaay” e daí em diante ninguém entendia nada, mas todo mundo cantava junto. Os playboys e os remelentos e malfaldinhas (eu e meus amigos) da faculdade de Direito e Ciências Sociais.

Foi um arroubo. Tocaram com gosto os hits possíveis, para uma plateia aberta, disposta, dedicada. Um fim de noite para lavar a alma e compensar minimamente o prejuízo de tudo antes. A saber, o constrangimento de ter não ter acertado uma argola sequer, de ter comido um pouco da salada de frutas (!) de uma amiga, de achar que eu era um perfeito hipster usando um casaco que roubei do meu avô e que me deixa com aparência de anos 1970, ou seja, puro 2011.

Sorte foi ter encontrado uma carona assim que deixei o Playcenter. Sorte maior encontrar a minha cachorra, uma border collier sensacional, me sorrir latindo às 3h30, sem ter ideia do tanto de esforço que a gente faz pelo que gosta.

– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina o blog Calmantes com Champagne
– Murilo Basso (@murilobasso) é jornalista e colabora com o Scream & Yell, o Urbanaque, o Alto-Falante e a revista Rolling Stone
– Bruno Capelas (@noacapelas) é estudante de jornalismo e assina o blog Pergunte ao Pop
– Rodrigo Levino (@rlevino) é jornalista, repórter da Veja Online e o “enfant terrible” das letras potiguares

Todas as fotos por Marcelo Costa com exceção da foto 5/6 do mosaico que abre o post (por Mariângela Carvalho), da foto da descida do Splash (por Playcenter – foto da foto por Marcelo Costa) e da foto dos Strokes, por Reinaldo Marques (Divulgação / Terra)

Leia mais
– Planeta Terra 2007: CSS, Devo e Rapture fazem bons shows (aqui)
– Planeta Terra 2008: Indie bate o Mainstream no segundo festival (aqui)
– Planeta Terra 2010: uma noite púrpura hip-hip-hipster (aqui)
– Planeta Terra 2012: muito melhor do que a expectativa previa (aqui)
– Planeta Terra 2013: No saldo geral, o melhor Planeta Terra dos últimos anos (aqui)

24 thoughts on “Balanção do Planeta Terra 2011

  1. ‘Que tragédia imensa o Beady Eye. Uma banda tão sem sustância que a entrada do show poderia ser uma cesta básica, para ajudar os músicos’. sensacional.

  2. “Ainda juntando os cacos e contando os calos após duas noites no Morumbi assistindo a um show que certamente foi melhor que o line-up das cinco edições do Planeta Terra”

    Nem fui ao Planeta Terra, mas não duvido disso q o Murilo Basso escreveu.

  3. O Bombay Bicycle Club foi foda (juro). Eu e as 20 pessoas que ficaram até fim adoramos. Só perdeu pro Strokes. Ok, a concorrência não era das mais acirradas, mas foi bem bom. Só perdi as 3 primeiras do show da noite (dessas, só NYC Cops me fez falta).

    “O Planeta Terra é o Gigabyte dos indies/hipsters paulistanos”, GÊNIO

    Pois é, eu também andei de Tromba Tromba, na minha terra o nome é esse pô, rs

  4. Não sou afeito a parque de diversões. O pouso e a decolagem do avião da patrocinadora do festival já me bastam. Tirando a banda vencedora do concurso, vi todos os shows, o tempo que dava. Acho que devo ir ao médico.

    Achei o White Lies triste. Tocam bem, mas a presença de palco é ridícula. Melhor escutar em casa. O Broken Social Scene pra mim foi a grande decepção. Show muito morno. Interpol e Strokes se equivaleram, com a diferença que um tinha 10 vezes mais gente esperando que o outro.

    O ponto que achei muito válido, faltou aquela banda de responsa das antigas. Seria o Oasis. Beady Eye não tem poder pra isso. É uma nova banda-velha sem brilho nem muito apelo. Resultando: um monte de gente só se poupando pra banda principal.

    Headliner de respeito, lineup insosso no geral. Cobertor de mendigo, cobre os ombros e os calcanhares ficam pegando friagem.

  5. Já repararam que todos tiveram as mesmas opiniões?
    Os indies, agora, têm uma opinião formada sobre tudo o que ouvem.
    O que soa estranho é ver que a “cena ” indie não é nada além de um rascunho do mainstream.

  6. Essa historia de Planeta Terra está rendendo. Primeiro não consegui comprar meu ingresso pela covardia que foi essa disputa pra ver quem tinha a conexão mais rápida a poder comprar o dito cujo. Cinco amigos meus foram os felizardos, e eu tenho muita raiva disso, comecei a ter no caso. Outros ficaram pra trás, assim como eu. Ai me restou ver pela internet os shows, claro. Muito na birra mas fiquei pra ver. Criolo foi sensacional, a banda é muito foda em executar as musicas, e estou com muita vontade de vê-lo ao vivo. Só achei curioso sobre essa de tocar para o publico “leite com pera”. Porque segundo a Folha a palavra mais dita no show foi Amor, e garanto que seria outra coisa se fosse um cantor birrento. Imaginem se fosse os Racionais Mc’s? Que efeito teriamos,hein? Garanto que muitas mascaras hipsters cairiam? Essa eu guardo.

    Nação Zumbi também foi foda,como eles tocam pra caralho,viu? Também devo num show deles. White Lies, sei lá, eu acho que tem muita banda pós-punk 80 não acham? Já basta o Interpol, com duzias de musicas mais legais do que as deles. Achei muito chato, ao contrário do Interpol.

    Já o Beady Eye, não posso dizer muito, pois gostei do disco, simples e bem feitinho. Não dá pra exigir muito deles, porque são banda iniciante, mesmo com todos musicos tarimbados. Tocou pro gasto, não acho que deva se exigir, por mais que tenha um Noel com um show melhor ainda. Não vou esticar os problemas do Oasis pra cá, hehe.

    Strokes é aquela coisa, achei muito foda. Vendo os videos recentes deles, aparentavam estarem de saco cheio de ficar tocando, vindo de um disco nada bom. Mas acho que deram uma espetada nos moleques e se espertaram de uma vez. Tocaram o que todo mundo queria ouvir também,ninguém deve reclamar disso. Foi um showzaço, mesmo de longe.

    Menção honrosa ao Garotas Suecas, que fez um puta show e ainda mais com Jacaré em cima. Impossivel ficar parado, apesar de que os hipsters tem atração pelo trash, não sei se já repararam.

  7. Acho engraçado nego reclamar da venda de ingresso sendo que acordei no dia seguinte pela manhã – ok, concordo que a tentativa de comprar durante a madrugada me encheu o saco – e comprei tranquilamente por volta das 10 da manhã. E não, não fui só eu. =)

  8. O grande problemascom os ingressos do TERRA é que eles venderam todos os lotes no primeiro dia.
    A venda não foi DEMOCRATICA, pois pegou as pessoas que trabalham de surpresa.
    O correto seria definir uma data para cada lote, assim com o esgotamento do primeiro lote, as pessoas teriam a noticia de que a venda ocorreu em minutos ou horas sei la, ai nego ja ficaria esperto e se programaria nas datas dos lotes seguintes. Soltar tudo no mesmo dia foi ridiculo e lamentável.

    O melhor show foi da BEADY EYE, pena que fazem ROCK e estavam em um festival INDIE

    Abraços.

  9. Matéria bacana. Ri lendo. O Murilo continua um divertido resmungão e o Mac sempre querendo ir embora antes do fim.
    É bom saber que o Terra continua organizado, o melhor nesse quesito do país, mas depois de 3 anos consecutivos embarcando para o festival, a escalação pífia desse ano não deu a minima vontade para eu me abalar daqui do norte para lá.
    Vamos ver se no ano que vem melhora. 🙂

  10. E Murilo,sim foi muito engraçada essa situação pela qual passei(pode citar meu nome,não vou bater em você,pode deixar =)).E embaraçosa,fora o fato da organização do festival ter diminuido a carga de ingressos em cinco mil também foi muito engraçada,ri pra caralho disso.Só pra não chorar,fora o que perdi.Já não basta isso?

  11. Hahahaha, adorei os relatos! Ri bastante enquanto lia, e concordei com muita coisa do que foi dito.
    Porém, discordo em 2 pontos:
    1) O show do Interpol foi bom. Tudo bem que aquele clima soturno não combina com uma platéia de 10, 15 mil pessoas, mas pelo menos para mim, que sou fã dos caras há 6 anos, foi ótimo ver ao vivo a banda tocando Not Even Jail, Evil, The New, The Heinrich Maneuver etc.
    2) Também gostei do Toro y Moi. Pelo menos 3 músicas se destacaram: New Beat, Still Sound e, é claro, Low Shoulder.
    E Strokes realmente mandou muito bem, de longe o show mais animado do Planeta Terra.
    Ainda não sei se gostei mais da edição 2010 ou da desse ano; ambas tiveram seus prós e contras. De qualquer maneira, valeu a pena ir novamente ao “encontro nacional de hipsters/indies”, rs.

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