CDs: Meat Puppets, Jonny, Roddy Woomble

1000 toques por Adriano Costa

“Lollipop”, Meat Puppets (Megaforce)
Formada no comecinho dos anos 80 pelos irmãos Cris e Curt Kirkwood, o Meat Puppets já passou por dois “falecimentos”, mas conseguiu renascer. Neste “Lollipop”, o grupo supera os dois trabalhos anteriores conseguindo resgatar em alguns momentos o brilho dos discos dos anos 80 e 90 – que conquistaram a admiração de Kurt Cobain. Os irmãos envelheceram e é muito provável que não vejamos mais a energia de “Meat Puppets” (1984) ou a vestimenta alternativa de “Too High Too Die” (1994). As canções agora já não trazem toda aquela fúria ou mistura psicodélica. Aqui apenas “Vile” e “Way That It Are” lembram algo assim. As canções são mais simples como o country-folk de “Baby Don’t”, “Lantern” e “Town” ou a surpreendente “Shave It” – que parece ter sido gravada na Califórnia e não no Texas, devido a sua junção de pop, reggae e anos 60. Em outras como “Damn Thing” percebe-se um bonito rock alternativo americano safra 80’s. O tempo passa, cruel, mas o Meat Puppets ainda merece ser ouvido com respeito.

Preço em média: R$ 50 (importado)
Nota: 6,5

“Jonny”, Jonny (Merge)
Para Norman Blake fazer música parece uma coisa extremamente fácil. No Teenage Fanclub ele sempre elaborou canções com um incrível senso de melodia. Agora, aos 45 anos, resolveu transformar um projeto com Euros Childs (da extinta Gorky’s Zygotic Mynci) em disco. A sonoridade que marcou o Teenage está presente em faixas como “You Was Me”, “Circling The Sun” (com um “pa, pa, pa…” viciante), “I Want To Be Around” e o primeiro single, “Canyfloss”, belo exemplo da excelência das melodias. Mas o disco também caminha por outras direções. “Witch Is Witch” é um divertido jogo de palavras guiando um popzaço sessentista. Em “Goldmine” a inspiração são os Stones. “English Lady” é melancólica e mostra uma harmonia que Paul McCartney ficaria feliz de ouvir enquanto “The Goodnight” olha com carinho para Crosby, Stills, Nash And Young. O lado meio maluco do Euros Childs surge em “Bread”, quase uma trilha de desenho animado, e em “Cave Dance”, uma viagem lisérgica setentista. Para escutar e cantar junto.

Preço em média: R$ 50 (importado)
Nota: 7

Leia também:
– 1991: The Year Creation Records Broke, por Marco Antonio Bart (aqui)
– “Shadows”, Teenage Fanclub: com quantos acordes se faz uma canção adorável (aqui)
– “Howdy!”, Teenage Fanclub: “Estamos Nos Divertindo!”, por Nick Hornby (aqui)

“The Impossible Song & Other Songs”, Roddy Woomble (EMI)
Acompanhado do parceiro Rod Jones, de Sorren Maclean e de Jill O’Sullivan, Roddy Woomble (Idlewild) gravou seu segundo álbum solo na ilha em que vive com sua família, e um clima de paz, tranquilidade e otimismo permeiam o disco. Basta um violão (como em “Living As You Always Have”) para que Woomble preencha o ar com beleza, mas o disco demonstra outros belos contornos como no indie pop magistral de “Roll Along” ou no folk rock de “Leaving Without Gold”. “Make Something Out Of What It’s Worth” traz um belo piano ao fundo enquanto “Work Like You Can” fala sobre tomar o caminho certo e cresce quando a bateria entra – o mesmo ocorre na sessentista “Tangled Wire”. Porém, o melhor fica para o final: “Gather The Day” é daquelas canções que quase conseguem tocar o céu. O vocal dobrado com Jill O’Sullivan não pode ganhar adjetivos menores que sublime. E “Between The Old Moon” arremessa melancolia em doses fartas e belas para fechar um disco que consegue por alguns minutos fazer do mundo um lugar melhor.

Preço em média: R$ 50 (importado)
Nota: 9

Leia também:
– “My Secret Is My Silence”, Roddy Woomble: obra prima de delicadeza (aqui)
– “The Remote Part”, Idlewild: um trator passando sobre uma formiga (aqui)
– “A Sentimental Education”, Rod Jones: pequena coleção de folk e country-rock (aqui)

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– Textos: Adriano Mello Costa (siga @coisapop) assina o blog Coisa Pop

4 thoughts on “CDs: Meat Puppets, Jonny, Roddy Woomble

  1. Adoro Meat Puppets, que conheci através do sensacional acústico do Nirvana – sua pegada de country rock psicodélico me agrada aos ouvidos.
    Mas, como bem disse o Adriano, o tempo passa.
    Prefiro os disquinhos velhos, tipo:
    – Up on the sun
    – Meat Puppets II

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