Bob Marley, Neil Young e David Bowie

1000 Toques por Marcelo Costa

“Live Forever”, Bob Marley and The Wailers (Universal)
Em 21 de setembro de 1980, após duas noites lotando o Madison Square Garden, Bob Marley desmaiou correndo no Central Park. O cantor já vinha lutando contra o câncer fazia três anos, e após o lançamento do álbum “Uprising” (em maio) e uma extensa turnê de mais de 30 datas na Europa, Bob iniciava a perna americana da tour. Dois dias após o colapso em Nova York, Marley se apresentava no sacrifício em Pittsburgh naquele que seria seu último show (o resto da tour seria cancelado e Bob internado para cuidar da doença da qual viria a sucumbir em maio de 1981, aos 36 anos). No palco, um homem ainda debilitado tenta passar sua mensagem através de canções emblemáticas como “Positive Vibration”, “War”, “No Woman, No Cry”, “Is This Love” e “Exodus”. “Redemption Song” surge quase nua, e vai sendo vestida de sons. A mesma The Wailers que gravou em Londres o incendiário “Live!” (1975) parece mais contida, mas a noite em Pittsburgh era mesmo diferente. Um mito abandonava o cenário. E este é seu adeus.

Nota: 7,5
Preço em média: R$ 45 (CD Duplo nacional)

“Live in Chicago 1992”, Neil Young (Immortal)
Mais uma pérola do catálogo do selo independente Immortal, que está se especializando em lançar em CDs shows gravados especialmente para DVDs. Eles já tinham colocado nas lojas em 2007 o bombástico “Live in San Francisco” (em CD e vinil duplo), show de 1978 que flagra Neil Young ao lado da Crazy Horse espumando fogo em 18 canções. Desta vez, o selo reedita o áudio do DVD “Live Centerstage in Chicago”, que flagra a turnê acústica que Neil Young fez em 1992 munido de violão, banjo, harmônica e piano para divulgar o belíssimo “Harvest Moon”. A turnê já havia ganhado um registro oficial no tocante “Dreamin’ Man” (2010), meio que uma coletânea com as 10 canções do álbum retiradas de diversos pontos da turnê. “Live in Chicago 1992” vai além acolhendo entre suas 20 faixas os hinos “Pocahontas”, “Like a Hurricane”, “The Needle and the Damage Done”, “Tonight’s the Night”, “Don’t Let It Bring You Down”, “Powderfinger” e “Sugar Mountain” em versões cruas e emocionais que merecem serem ouvidas por dias a fio.

Nota: 9,5
Preço em média: R$ 60 (CD duplo importado)

Leia também:
– 500 Toques: “Dreamin” Man Live 92”, Neil Young (aqui)
– 500 Toques: “Cinnamon Girl”, um tributo feminino para Neil Young (aqui)
– “O coração de ouro de Neil Young”, por Marcelo Costa (aqui)

“Birthday Celebration Live in NYC”, David Bowie and Friends (Immortal)
Em 1997, no Madison Square Garden, David Bowie comemorava 50 anos na compania de diversos convidados. A fila para beijar a mão de Bowie começa com Frank Black (numa versão metalizada de “Scary Monsters” e em outra bem bacana de “Fashion”) e segue com Dave Grohl (com o Foo Fighters em “Hallo Spaceboy” e sozinho) colocando peso em “Seven Years in Tibet”, Robert Smith subaproveitado em duas canções do álbum “Earthling” e o Sonic Youth fazendo o inferno em “I’m Afraid of Americans”. Lou Reed canta “Queen Bitch” e três canções suas (até parece que o aniversário é dele): “Dirty Blvd”, “I’m Waiting For The Man” e “White Light / White Heat”. Tudo perfeito até o final quando Billy Corgan surge para quase estragar “All The Young Dudes” e “The Jean Genie”. Bowie ainda canta sozinho clássicos como “Heroes”, “Space Oddity” e “The Man Who Sold The World” em uma festa de aniversário cujo presenteado foi o público (que pode ter saído bêbado de emoção, mas com certeza deve ter reclamado dos salgadinhos).

Nota: 7,5
Preço em média: R$ 60 (CD duplo importado)

Leia também:
– 1000 Toques: Storytellers”, David Bowie (aqui)
– 500 Toques: “Live Santa Monica ‘72″, David Bowie (aqui)
– 500 Toques: “Space Oddity (40th Anniversary Edition)”, David Bowie (aqui)

9 thoughts on “Bob Marley, Neil Young e David Bowie

  1. Ô loco bicho….Só 7,5 para um clássico como Live Forever, do Bob Marley? Enfim, opinião é opinião…

    De qualquer modo, acho que esta apresentação traz Bob em um momento de muito vigor. Pelo menos, foi uma apresentação que mostrou o esforço do músico em evidenciar seu legado naquela que seria a sua última apresentação.

    Merecem destaque também as versões de “Them Belly Full” e “Burnin’ and Loothin'”, canções que sempre ficam ofuscadas pelos hits-que-todos-sabem-cantar do rei do reggae. Em questão de qualidade, está bem distante daquele Live! de 1975. Mas, por ser a última apresentação de Bob, está envolvido em um certo misticismo.

    Abraço!
    Tiago

  2. Então Tiago, o disco acabou de sair, não sei se dá para coloca-lo na categoria de clássico. Porém, o valor do lançamento é muito mais emocional. A banda não está na melhor forma (incomodada com razão pelo estado de saúde de seu líder), o Bob não está na melhor forma (por motivos óbvios), mas está tentando. É um retrato valoroso, mas qualquer um dos três ao vivo anteriores é melhor musicalmente que este, como você mesmo disse sobre o “Live!” (1975), pra mim o registro definitivo ao vivo deles. Este sim, um clássico.

  3. Oficiais pero no mucho. Você consegue comprar qualquer um dos CDs da gravadora Immortal na Amazon, por exemplo, mas nenhum deles está presente na discografia oficial de cada artista. O artista (ou o empresário, quem seja) quando assina um contrato para o lançamento de um DVD, por exemplo, precisa especificar detalhadamente para que aquela gravação oficial servirá. Se não há essa especificação, a gravadora pode lançar da forma que quiser. Isso é um lado. O outro: uma gravadora no Brasil compra o direto para comercializar no país um DVD do Neil Young. Se não vier especificado que esse produto só poderá ser vendido em DVD (o que normalmente acontece), a gravadora pode lançar no formato que quiser dentro do periodo que ela tem direito de comercializar a obra. Ou seja, é legal judicialmente.

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