CDs: Tired Pony, Gaslight Anthem e The Transatlantics

por Adriano Costa

“American Slang”, The Gaslight Anthem (SideOneDummy)
“E eles me cortaram em pedaços e me ensinaram a dirigir”, diz um dos versos de “American Slang”, rock clássico que dá nome e abre o terceiro disco do The Gaslight Anthem. Após a urgência da estréia (“Sink Or Swin”, 2007), onde a influência do punk era bem forte, o álbum seguinte, “The ’59 Sound”, encontrou Bruce Springsteen e Tom Petty. “American Slang”, o disco, é um passo a frente. Em “Bring It On” a sonoridade de Springsteen ainda está muito presente, mas em “The Queen of Lower Chelsea” e “The Diamond Church Street Choir” é o The Clash quem dita regras (a primeira ska e dub, a segunda reggae). Brian Fallon agrada com boas letras, como em “Stay Lucky”, canção que explica “que os sentimentos morreram por razões que você sabe”. “Old Haunts” remete ao Replacements e a tristeza melancólica de “We Did It When We Were Young” lembra U2. A energia do punk vai se travestindo num rock clássico com direito a maiores experimentações, o que deixa a esperança de um grande disco para um futuro próximo.

Preço em média: R$ 45 (importado)
Nota: 7

“The Transatlantics”, The Transatlantics (Freestyle)
De Adelaide, na Austrália, os Transatlantics desembarcam no mundo pop com uma ótima estréia regada a soul music e funk em mais um bom revival do estilo. O sabor da sonoridade das gravadoras Stax e Motown marca presença, e o disco consegue variar muito bem entre canções com melodias mais elaboradas e arranjos soul music (como “Couldn’t Be Him”, “That’s When I Feel So Lonely”, “On Fire” e “Save Me”) e pedradas instrumentais funk (em faixas como “Tea Legs” e “Thumbin’ It”). Os bônus mantêm o nível, como a instrumental “Turn You Loose” (que vai mais além e mistura o funk com a música disco) e os metais poderosos de “Big Chief”. Duas ótimas covers também se destacam: o soul urgente e rasgado no vocal de Tara Lynch em “Things Got to Get Better”, de Marva Whitney, e “Talk Like That”, do The Presets, que foi reinventada e ficou melhor que a original. Na esteira do ressurgimento do estilo – que vem sendo reapresentado ao público nos últimos anos –, os Transatlantics merecem atenção. A estréia credencia.

Preço em média: R$ 50 (importado)
Nota: 7

“The Place We Ran From”, Tired Pony (Mom & Pop)
Fiel militante do rock inglês, Gary Lightbody (Snow Patrol) nutre uma paixão pelo country americano, o que o fez montar o Tired Pony, projeto com Peter Buck (R.E.M), Richard Colburn (Belle & Sebastian) e Scott Mccaughey (Minus 5, R.E.M), com participações especiais da dupla She & Him, Zooey Deschanel e M. Ward, e Tom Smith, do Editors. “Northwestern Skies” abre o disco com a guitarra acústica e o acordeom guiando um amor destroçado: “Nós podemos nos esconder, onde sempre nos escondemos: no projeto de tela em branco de nossas vidas”. Bandolim, banjo e piano conduzem o clima baladão do disco (as guitarras pesadas de “Get On The Road” são a honrosa exceção), que encontra momentos emocionantes no romantismo de “Held In The Arms Of Your Words”, na busca pela redenção de “That Silver Necklace” e na tristeza de “I Am A Landslide” e “The Deepest Ocean There Is” (que diz: “Eu tenho medo desde que você saiu pela porta”) num disco bonito onde melodia e melancolia andam de mãos dadas na beira do precipício.

Preço em média: R$ 45 (importado)
Nota: 8,5

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– Adriano Mello Costa (@blogcoisapop) assina o blog Coisa Pop

6 thoughts on “CDs: Tired Pony, Gaslight Anthem e The Transatlantics

  1. Não acho que precisamos esperar por um grande disco do Gaslight Anthem. ‘American Slang’ e ‘The ‘59 Sound’ já são fantásticos na minha opinião. Mas também gosto um pouco mais do 59, acho que ele conjuga melhor as influencias de Springsteen e Replacements com a energia punk rock do inicio da banda. É provavelmente a melhor banda que eu conheci nos últimos anos e, graças a deus, não tem a afetação e pretensão desses hypes que aparecem todos os dias pra salvar o rock.

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