Entrevista: Brollies & Apples

por Marcos Paulino

Bianca Jhordão é conhecida pelo seu trabalho na banda de rock Leela, onde canta e divide as guitarras com seu marido, Rodrigo. Carol Teixeira é escritora e filósofa. Aconteceu de as duas se conhecerem nos camarins de um programa de TV, ao qual foram convidadas para apresentar uma pre-miação. A sintonia entre as duas foi imediata. Tanto que se tornaram a-migas e, mais que isso, resolveram colocar suas afinidades em prática num projeto musical que reunisse rock e música eletrônica.

Foi aí que entraram os maridos. Além de Rodrigo, também o de Carol, Fredi Chernobyl Endres, que empunha a guitarra da Comunidade NinJitsu e atua como produtor do Bonde do Rolê, foi convidado para encarar o desafio de fazer um disco de electrorock. Os dois casais deram o nome da nova banda de Brollies & Apples, capricharam nas poses sensuais para as fotos e iniciaram a mistura de guitarras pesadas com bases eletrônicas. Depois, rechearam de melodias que embalam as letras – quase todas em inglês – de Carol e foram ver no que dava.

O resultado está em “This Is An Organized Orgy”, primeiro disco do quarteto, que transformou a simples curtição do início em um projeto que os dois casais agora querem levar a sério. Sobre esta fase da banda, Carol conversou com o PLUG, parceiro do Scream & Yell.

Como vocês resolveram unir dois casais para fazer um disco de música eletrônica?
Eu e a Bianca nos encontramos nos bastidores de uma festa de premiação do canal Nickelodeon. Nós duas íamos apresentar um prêmio e ficamos superamigas. Ela acabou lendo meu livro e começamos a conversar meio de brincadeira em formarmos uma banda de casais. Depois nós quatro nos encontramos em Londres e resolvemos colocar a ideia em prática. Começamos a compor e fomos trocando letras e bases por e-mail, acrescentando melodias e vozes. Quando vimos, deu num som diferente, que não planejamos, saiu de forma superinstintiva.

Esse projeto foi mais uma curtição ou vocês realmente têm uma ambição comercial com ele?
Quando começamos, era uma curtição. Era um lance de fazer uma coisa nova, mas daí virou sério. Agora queremos investir, estamos nos dedicando, pensando num segundo disco. Quando pisamos juntos num palco pela primeira vez, num festival no Circo Voador, ficamos impressionados com a nossa sinto-nia. Todo mundo toca vários instrumentos e canta, daí veio a brincadeira da orgia organizada. Acabamos criando um som peculiar em que vale a pena investir, porque no Brasil as pessoas não fazem muito electrorock.

Como foi definido o estilo musical da banda?
Como tudo na banda, não foi planejado. Eu sou muito ligada no electro e o Fredi produz música eletrônica. Juntamos isso com essa coisa rock do Rodrigo e da Bianca. Foi natural. Criamos as músicas a partir das letras, depois íamos pras bases e então acrescentando os outros elementos.

Você já tinha as letras prontas ou compôs especialmente para o disco?
Fiz especificamente pensando na banda. Acho interessante ter essa pegada literária e filosófica numa banda de electrorock.

Por que a opção pelo inglês em quase todas as letras?

O inglês combina mais com o tipo de som. A única música em português é a primeira que foi feita. Mas prefiro as outras.

Quais as influências da banda?
Temos às vezes uma coisa mais grunge, meio Garbage, meio Nir-vana. Aparece também um violão, como em “Rented Dreams”. Tem também uma pegada do Sonic Youth, que todo mundo na banda ama. Tem ainda influências de coisas mais contemporâneas, como Crystal Castles, Kap Bambino, Peaches.

Você acha que há espaço para que as bandas brasileiras de música eletrônica apareçam mais?
O electrorock realmente não é popular no Brasil e não vejo muita mudança nesse quadro. Mas tenho visto de uns anos pra cá surgirem bandas cantando em inglês e elas podem conseguir seu espaço e atingir um maior público.

Pra vocês, estão se abrindo mais espaços?
Estamos tendo espaço, sim. Estamos indo num ritmo interessante. Apesar de sermos uma banda nova, estamos sendo bem aceitos. Temos recebido muitas respostas no Twitter, no MySpace.

Como vocês estão comercializando o disco?
Colocamos à venda no site 7 Polegadas (www.7polegadas.com). Mas a gente deve colocar em breve para download. Só queremos fazer essa venda do disco todo no início porque ficou tão legal com o encarte.

Trabalhar com o marido ou a mulher pode ser meio complicado. No caso de vocês, ainda mais, porque são dois casais. De vez em quando rola algum problema?

Tem sido mais tranquilo do que imaginei, somos muito amigos. Claro que às vezes rola uma briguinha ou outra de marido e mulher. Achei que pudesse ser um problema trabalhar com o marido, mas tem sido uma diversão.

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Marcos Paulino é jornalista e editor do caderno Plug, do jornal Gazeta de Limeira

12 thoughts on “Entrevista: Brollies & Apples

  1. Podem dizer que é preconceito e o escambau, mas misturar Leela (…) com música eletrônica e poesia marginal?
    Pra mim não, obrigado.

  2. “Assim falou Leelatustra”??? KKKKKKKK. Brincadeira. Mas quanta pose pra pouco som, hein. Aliás, essa parece ser a tônica do momento: nego é mais fashionista que músico. Síndrome emo, hipster ou só baitolagem pós-moderna (como diria o falcão – aquele sim, fashion)???? : )

  3. Adorei os comentários. Sou da mesma opinião. Já lí outras entrevistas dessa bandinha e sempre fazem questão de dizer que misturam grunge com eletrônico.
    A coisa mais grunge nesta banda é a camiseta do Nirvana que a guria usou na foto rsrs.
    Som fraquinho fraquinho, tipo sopa de salsicha.

  4. O cabeleca do Leela, que tenta esconder as entradas com a franjinha! Nada contra bald guys, é só engraçado. Tipo Dallas Toller Wade, manjam?, que tinha um dos maiores skullets já vistos e raspou, aquele traíra.

  5. Acho o visual digno de desfile rocker da Vivianne Westwood, porém o som… Abafa o caso…
    Apesar que tem coisas boas da Carol Teixeira (como escritora), vale a pena ler!!

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