Entrevista: Planta e Raiz

por Marcos Paulino

A banda de reggae paulista Planta & Raiz está lançando seu novo disco, o sexto em 12 anos de carreira, cheia de amor pra dar. Começando pelo título do álbum, “Manifestação do Amor”, todo este novo trabalho foi pensado para transmitir mensagens alto astral. Além da faixa-título, a palavra amor compõe o nome de outras duas canções. Também aparece, na forma original ou em derivações como “amo” e “amar”, em quase todas as letras das composições próprias do sexteto, formado por Zeider (vocal e guitarra), Franja (guitarra e violão), Fernandinho (guitarra), Samambaia (baixo), Juliano (percussão) e Cuio (bateria).

Natureza, família e paz são outros elementos que evocam a fase que vive a banda, agora novamente independente. “É o nosso melhor momento”, proclama Zeider, que destaca a participação de seu amigo Tato, do Falamansa, na produção do disco, como um dos motivos de tanta felicidade. Aliás, foi do forrozeiro a sugestão de incluir “Família”, dos Titãs, no CD. Além dessa, outras contribuições foram “Oh Chuva”, de Luis Carlinhos, que há muito habita o repertório dos shows da banda, “De Agora Em Diante”, de Leandro Lehart, e “Mesmo Que Seja Eu”, de Erasmo e Roberto Carlos.

E foi em clima de paz e amor que Zeider conversou com o PLUG, parceiro do Scream & Yell para falar deste momento do Planta & Raiz.

Como foi a concepção do novo disco?
Este disco marca nossa volta à cena independente. Dos nossos 12 anos de carreira, em oito tivemos uma parceria com o (produtor) Rick Bonadio. Na pré-gravação deste CD, estávamos compondo as músicas sem um produtor e aí aparece o Tato, do Falamansa, que é meu amigo. Ele estava terminando de montar um estúdio na casa dele e nos ofereceu pra gravarmos o disco lá. Foi a melhor coisa que a gente fez, porque o Tato é criativo pra caramba, um ótimo compositor e se mostrou um ótimo produtor. Ele nos ajudou na seleção do repertório e na finalização de algumas músicas.

O CD fala muito em amor, em natureza, em paz. Era isso que estava na cabeça de vocês quando compuseram as músicas?
A ideia foi justamente essa, de enfatizar todas as vertentes do amor. Quando se fala em a-mor, geralmente vem à mente a ideia de uma música romântica. Mas, neste disco, falamos do amor que abrange todas as formas de expressão do sentimento. Falamos do amor à mulher, amor familiar, amor espiritual, pela natureza, à dedicação pelo trabalho. Se a gente levar a vida com amor, as chances das coisas fluírem são enormes.

Vocês incluíram algumas regravações no CD. Por que essa decisão e como escolheram as músicas que entrariam?
A música do Titãs foi uma ideia do Tato, que conhece nosso universo, nosso dia a dia, e achou que ela tem tudo a ver com a gente. Também tem a ver com a minha infância, eu tinha discos do Titãs. Já “Oh Chuva” está no nosso repertório desde o início da carreira e não podia ficar de fora. Chegou a hora de a registrarmos do jeito que ela merecia. “Mesmo Que Seja Eu” veio de um convite de uma emissora de TV pra fazer uma versão reggae da música pra uma novela. A versão ficou tão boa que achamos que deveríamos incluir.

Depois de 12 anos de carreira, como está o relacionamento entre os integrantes da banda?
Estamos numa fase muito legal. É uma fase de amadurecimento pessoal de cada um. Hoje estou com 31 anos, com dedicação total ao meu trabalho. Também é uma fase de amadurecimento profissional. Agora a banda não é só um entretenimento, uma forma de estar no meio da galera. A banda é o sustento dos nossos lares. Foram 12 anos de experiência, de estrada, e agora é o nosso melhor momento. Espero que a gente continue evoluindo e que no próximo disco a gente esteja melhor do que nesse.

Nesta nova fase independente, como vocês estão encarando o mercado? Ainda dá pra fazer um disco lucrativo?
No disco é que está a essência da música. É lá que as faixas estão na ordem que a banda e o produtor conceberam. Tem também a arte, que foi muito caprichada, com fotos. O disco ainda é uma mídia importante. Não é o principal meio de divulgação, mas a gente acredita bastante no disco, inclusive fizemos uma parceria com uma distribuidora internacional e o CD está no país todo. Mas também estamos na internet divulgando nosso trabalho. Esta-mos no MySpace, no Orkut, no Facebook. Como banda independente, estamos fazendo nossa própria notícia.

Como estão os espaços para o reggae no Brasil?
O reggae é um estilo que tem sua galera, seus seguidores, e sempre vai ter. As gerações vão passando, vão se reciclando, é uma música feita de jovens para jovens. Muitas das bandas de garagem tocam reggae, e se espelham não só em ícones como Bob Marley, Peter Tosh e Gilberto Gil, mas também na geração do Planta, Natiruts, Ponto de Equilíbrio. A cena reggae está num momento bom, as rádios estão voltando a tocar, a ter programas especia-lizados em reggae. O reggae está numa fase boa de novo, e acredito que veio pra ficar.

Vocês já estão preparando a turnê do disco novo?
O show de lançamento do disco foi no dia 7, em São Paulo. Este é um momento de transição da turnê, quando começamos a incluir as músicas novas. Estamos inclusive programando viagens pro exterior.

E o interior?
Vamos com certeza! O interior é onde a gente mais gosta de tocar, onde tem a galera mais calorosa.

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Marcos Paulino é jornalista e editor do caderno Plug, do jornal Gazeta de Limeira

8 thoughts on “Entrevista: Planta e Raiz

  1. Vê se não fala bosta, Paulo. Acredito que a maioria dos leitores do screamyell vão além de tribos ou tipinhos estereotipados. Conheço MUITO bem de reggae pra saber que essa banda é um genérico horrível. Se tu gosta, problema teu, mas a maioria das bandas de reggae nacional (veja bem, existem exceções) são uma porcaria mesmo. Só fanzocas (e aí, sim, bitolados no gênero) pra gostar. Música sem fronteiras, camarada: de freejazz à dubstep. Basta ser bom, PORRA. Vai te criar e, ao menos, ouvir alguma coisa que presta.

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