Três discos: Erika Martins, Andréia Dias, Julieta Venegas

por Marcelo Costa

“Curriculum”, Érika Martins (Discobertas)
Érika Martins já leva na voz dez anos de bons serviços prestados ao rock nacional, e a função desta coletânea bacana é exatamente juntar participações da cantora em discos alheios além de destacar canções de seu ex-grupo e números solos mais recentes. “Curriculum” abre com duas faixas do debute do Penélope (1999), “Holiday” e a belíssima cover de “Namorinho de Portão”, original de Tom Zé, e segue com Raimundos (“A Mais Pedida”, do último disco decente dos brasilienses), Herbert Vianna (a cover do Cure, “Inbetween Days”), Ecos Falsos (“Só Penso No Meu Bem”) e Autoramas (um registro ao vivo de “Let Me Sing, Let Me Sing”, de Raul Seixas), entre outros. Os destaques são “Superfantástico” (sim, do Balão Mágico) com Arnaldo Antunes (do delicioso projeto “Quando Eu Era Pequeno”), as covers dos Beatles (“She Loves You” e “I Will”) e Paul McCartney (“Goodbye”) e a inédita “Waiting For My Song”. Só faltou “Ciranda da Bailarina”, brilhante cover de Chico Buarque presente no segundo álbum do Penélope.

Preço em média: R$ 25 (nacional)
Nota: 7,5

http://www.myspace.com/erikamartinsoficial

“Vol. 2”, Andréia Dias (Scubidu)
Se “Volume 1”, de 2008, conquistou fãs e apareceu em diversas listas de melhores do ano, este “Volume 2” tem tudo para ampliar o número de olhares sobre Andréia Dias. A rigor, nada mudou. A força de “Volume 2” reside exatamente na segurança que a cantora e compositora (ela assina as 11 músicas do disco) deposita na sonoridade que persegue, um caldeirão recheado de samba, rock, brega e Rita Lee dos anos 70 que Andréia usa (e abusa) como se estivesse tirando sarro dos clichês. O disco abre com “Noites”, um samba canção em ritmo de novela mexicana que tem guitarras marcantes no prólogo e metais enlouquecidos no epílogo. A sexy “Nós Dois” lembra algo de Cidadão Instigado e pode atiçar a libido de pequenos cidadãos. A deliciosa “Jóia Rara” parece Carmen Miranda fazendo beicinho enquanto o riff egípcio de “Mulher” pode hipnotizar cobras (ok, não só o riff), mas é “Pomba Gira”, com participação luminosa de Zeca Baleiro, que pode fazer muita gente rodopiar loucamente pelo salão. Andréia sabe onde pisa.

Preço em média: R$ 25 (nacional)
Nota: 7,5

http://www.andreiadias.com.br/

“Outra Cosa”, Julieta Venegas (Sony Music)
Nascida na Califórnia e criada em Tijuana, Julieta Venegas conseguiu transformar-se em um dos grandes nomes do pop latino dos últimos dez anos. “Limón y Sal” (2006) vendeu 2 milhões e meio de cópias e o bonito “MTV Unplugged” (2008), alcançou a metade (1 milhão e 200 mil cópias), feito ainda assim surpreendente diante da falência do mercado. “Amores Platonicos” abre “Otra Cosa” de forma delirante, com um piano mágico. Em “Bien o Mal”, o primeiro single, Julieta toca guitarra acústica e elétrica, acordeom, percussão e teclados (expediente que se repete em todas as canções com pequenos acréscimos como o cavaquinho e o banjo em “Revolución”, o xilofone na faixa título e o ukelele em “Eterno”) construindo uma canção pop de primeira grandeza. Preste atenção, ainda, em “Si Tú No Estás” (com cheiro de ruas mexicanas), na marcha “Revolución” e na empolgante “Despedida”, de refrão forte. O pop pode ser encantador e inteligente (como era na época de Beatles e Beach Boys). Este disco é o exemplo.

Preço em média: R$ 25 (nacional)
Nota: 8,5

http://www.julietavenegas.net/

9 thoughts on “Três discos: Erika Martins, Andréia Dias, Julieta Venegas

  1. Já escutei alguma da Julieta Venegas, o acústico passa vez ou outra na TV, vou baixar pra conferir. E bah, voltei de uma viagem ao Beto Carrero agora, ida e volta escutando funk. Se me dessem um CD do Restart eu ia achar que era The Cure, tamanha a confusão.
    Era tanta putaria nas “músicas” que quase perdi a virgindade 😛
    Baixando Venegas aqui o/

  2. Julieta Venegas é muito bacana. A conheci no CD acústico, que prá mim é um dos melhores feitos até hoje, em qualquel língua! Este último disco só confirma o seu talento em fazer ótimas canções pop. Quem dera nosso pop fosse tão bem feito como esse.

  3. Esse não é u mundo justo. Vi o Penelope Charmosa – elas usavam o nome completo no início da carreira – em Salvador lá pelos idos de 1996. Na mesma noite tocou o “brincando de deus” – assim mesmo, com minúsculas.
    O brincando de deus superava o Penélope em tudo: qualidade musical, vibração do público. Se esse mundo fosse justo, estaríamos lendo sobre o brincando de deus e não sobre o Penélope. Ah, as gravadoras … as corporações …

  4. assiti o show da érika no sabado no pelourinho cultural e amei. ela está segura no palco, os músicos são ótimos e o show é diversão total. puro carisma. ela é a melhor com certeza!

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