Entrevista: Lucas e o Beeshop

por Marcos Paulino

Durante alguns anos, Lucas Silveira, mais conhecido como vocalista e líder da banda gaúcha de rock Fresno, foi gravando em seu computador várias de suas composições. Nada a ver com o som de seu grupo famoso, porém. São canções em diversos ritmos, que embalam letras em inglês, classificadas pelo próprio autor como “autobiográficas”. Aos poucos, Lucas foi disponibilizando, sem muita pretensão, essas músicas na internet. Até que o diretor artístico Rick Bonadio encasquetou que elas deveriam gerar um disco.

Assim nasceu “The Rise and Fall of Beeshop”, álbum em que Lucas deixa de lado o mainstream para embarcar numa viagem indie. O Beeshop do título é tratado por ele às vezes como um “alterego descompromissado”, em outras como se fosse realmente uma banda, mesmo que tenha gravado (quase) todos os instrumentos sozinho. De qualquer forma, é um projeto que deve deixar de cabelos em pé os fãs mais radicais da Fresno. Mas não há motivo para apreensão. Lucas não tem a menor intenção de matar sua galinha dos ovos de ouro. O Beeshop, garante nesta entrevista exclusiva ao PLUG, parceiro do Scream & Yell é só mesmo uma “egotrip musical”.

Qual reação você espera dos fãs do Fresno ao se depararem com o som do Beeshop?
No Fresno, eu canto, faço as músicas, mas é um coletivo. Por isso, preciso despejar meus surtos, minhas pirações, em outros projetos, sem compromisso com o Fresno. As pessoas já têm uma expectativa em relação ao Fresno, porque o universo em que a gente trafega musicalmente é mais fechado. É rock, popular, mas rock, onde todos da banda colaboram. No Beeshop, não existe nenhuma amarra, posso ir pra qualquer lado. Meu único compromisso é fazer o melhor possível, sem nenhum roteiro.

Por que você optou por usar o nome Beeshop? É uma espécie de alterego?
Eu não conseguiria chamar este disco de Lucas Silveira, porque por mais que tenha um monte de coisas minhas lá, não sou só aquilo. A Fresno se aproxima mais do que eu sou, do que almejo musicalmente, que o próprio Beeshop. O Beeshop é uma aventura minha, que o povo não está acostumado a ver. Quem me conhece sabe que pego um violão e toco todo tipo de música. É um alterego mesmo, uma versão minha descompromissada.

Sua ideia foi mostrar que era possível viajar por vários ritmos num disco só, que você é capaz disso?
Mais que mostrar o que sei fazer, a ideia é levar o cara que está ouvindo numa viagem minha. Todas as músicas do Beeshop são autobiográficas, as pessoas que me conhecem sabem dessas histórias. Levei três ou quatro anos gravando, a maioria das músicas cheguei a lançar a versão demo na internet para os fãs. Durante a gravação, fui dando a roupagem que elas pediam. A música é feita basicamente com os mesmos ingredientes, em medidas diferentes. Mas a única coisa que garante alguma unidade nesse disco é o fato de eu estar cantando todas as músicas.

Conforme você ia registrando as músicas, você imaginava que um dia elas dariam um disco?
Na verdade, não imaginava que iria rolar um disco. Fui postando na internet, vendo o que a galera achava, uns gostavam, outros não. Mas o Rick Bonadio há um tempão falava: “Um dia vamos gravar isso aí”. Nem eu mesmo sabia se queria isso. Hoje, para a maioria das pessoas, faço parte de uma banda chamada Fresno, e dou minha cara à ela. E esse trabalho poderia gerar confusão.

Por que você optou pelo inglês?

Quando comecei a gravar as músicas, coloquei no meu MySpace pessoal um cover que fiz de uma música do Copeland, uma banda bem pequena dos Estados Unidos, que gosto muito. Queria que os caras da banda ouvissem. Aí os fãs do Fresno descobriram e acharam legal. Um belo dia, de brincadeira, fiz uma música em inglês e coloquei nesse mesmo MySpace, que virou o do Beeshop. As pessoas foram querendo mais músicas desse tipo, e a cada dois ou três meses eu colocava uma. Quando a Fresno ganhou o VMB, na comemoração, o Rick disse que estava na hora de gravar o disco do Beeshop.

Você sempre fala no Beeshop como se fosse uma banda mesmo. É assim que você vê esse projeto?
É uma banda formada somente por mim. Mas costumo chamar de banda, porque não é o Lucas Silveira. É um projeto que não sei se vai ter continuidade. Sei que no meio do ano deve ter um novo disco do Fresno, e que na entressafra eu talvez grave uma outra “salada”. Mas pode ser com outro nome, com outra banda, com mais alguém…

Como foi a experiência de gravar todos os instrumentos?
Foi uma egotrip musical, mas uma coisa que estou muito acostumado a fazer. Se estou em casa e tenho uma ideia, gravo no computador. Sempre tive isso de gravar todos os instrumentos. Em casa, uso uma bateria eletrônica, porque não dá pra ter uma de verdade. Na hora de gravar o Beeshop, achei que era um trabalho tão meu que eu tinha que gravar todos os instrumentos. Menos a bateria, que não sei tocar tão bem a ponto de colocar num disco. Aí chamei o Bell, baterista da Fresno, e o Tavares, que é baixista, mas também toca bateria, e fui orientando a levada que eles iriam fazer.

Você tem pretensão comercial com esse disco ou só fez pelo lado artístico?
Um misto dos dois. Mas o que quero mesmo é que as pessoas gostem, não só os fãs da Fresno. Quero que o amigo do meu pai goste. Quis fazer um som universal. Usei standards musicais que são muito universais, existem há 50 anos. Claro que existe uma pretensão de tocar bastante, numa rádio, numa novela. Claro que eu gostaria muito que o Beeshop fosse um megassucesso, mas não vejo como uma coisa de massa. Um homem só não consegue abraçar duas coisas de massa. Realmente, é algo complementar a Fresno.

E vão rolar shows do Beeshop?
Estou marcando alguns shows, justamente aproveitando essa entressafra da Fresno, em que não temos tantos compromissos durante a semana. Tem alguma coisa marcada em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, algumas praças grandes, sempre dentro do meu limite físico. O projeto acaba tendo o tamanho que eu posso dar.

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Marcos Paulino é jornalista e editor do caderno Plug, do jornal Gazeta de Limeira

2 thoughts on “Entrevista: Lucas e o Beeshop

  1. Marcelo, tira uma dúvida.. o unapieldeastracan saiu do ar??? Putz, kra… indica uns blogs legais aí do msm nível p mim..

    Vlws, abração

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