“24 Horas” e o mundo, 9 anos depois

“24 Horas” e o mundo, nove anos depois
por Márcio Padrão

Além das comemorações dos 20 anos de “Os Simpsons”, o canal de TV por assinatura FOX tem outra “prata da casa” comemorando uma grande marca em 2010. Em sua oitava temporada, “24 Horas” está a poucos episódios de se tornar a série de ação e espionagem mais longeva da TV norte-americana. O dilema no qual os produtores devem estar metidos agora é: encerrar no auge ou esgotar ainda mais a fórmula sob o risco inimente da queda de qualidade?

Os dias mais tensos da vida de Jack Bauer já deixaram sua marca na cultura pop, mas é importante rever essa história de sucesso sob as devidas circunstâncias. Ao estrear apenas dois meses após o 11 de Setembro de 2001, o trágico agente antiterrorista interpretado por Kiefer Sutherland não precisava de muito esforço para ganhar o coração dos americanos. Foi o personagem certo na hora certa, o típico herói de guerra que de tempos em tempos aparece para salvar o mundo – pelo menos na ficção – como ocorreu com Capitão América ou Rambo no passado, para ficarmos em apenas dois exemplos.

Mas o que tornou “24 Horas” e Jack Bauer ícones universais foi a capacidade do programa de pintar seu universo ficcional com tintas muito semelhantes às da realidade geopolítica da última década. Nesse sentido, os maiores tiros certeiros da série foram “prever” Barack Obama com o presidente negro David Palmer. Desde a temporada anterior, o seriado também vem apostando na sua “Hillary Clinton”, a presidente Allison Taylor.

As temporadas seguintes conseguiram manter o bom equilíbrio entre o entretenimento e a reflexão no limite da polêmica, além de consolidar Bauer como um dos grandes “badass” dos últimos anos. No entanto, o péssimo sexto ano e um hiato de quase dois anos causado pela greve dos roteiristas de 2007 quase puseram tudo a perder. Do outro lado da TV, não deve ter ajudado muito a ameaça da Al-Qaeda ter minguado com o passar dos anos.

Em 2009, foi curioso notar que o renascimento da série veio em um momento bem diferente a 2001: no embalo da euforia otimista pós-Obama. A sétima temporada conseguiu trazer ares de novidade ao introduzir a presidente Taylor, vivida com segurança por Cherry Jones; o fim da desgastada Unidade Contra-Terrorismo (CTU); o retorno de um coadjuvante carismático, Tony Almeida; e a presença ilustre de Jon Voight como um dos vilões.

Após oito dias tensos torturando árabes, africanos, orientais e latinos em prol da segurança dos Estados Unidos, Jack Bauer está cada vez mais no limite. Não apenas físico e psicológico, mas também criativo. Mesmo os fãs mais ardorosos vêm admitindo que a série está reciclando sacadas e situações de outras temporadas. Mesmo assim, a audiência continua satisfatória. O “Dia 7” obteve 12,6 milhões de espectadores – para se ter um parâmetro com outro “hit” da televisão atual, “Lost” fechou sua quinta temporada em 11,2 milhões.

Mesmo que na teoria esta oitava temporada seja a última, já existem conversas cautelosas sobre o nono ano, dependendo do retorno. Se tudo der certo, “24 Horas” pode se consolidar, ao lado da família amarela de Springfield, em um seleto grupo de programas das quais não conseguimos viver sem. Afinal, qual fã da série consegue imaginar a vida sem as telas divididas, Bauer gritando “dammit” a cada cinco minutos ou o tenso relógio digital com ruído de bomba-relógio?

Os segundos continuam a correr.

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Leia também: Começa a oitava temporada de “24 Horas” (aqui)

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Márcio Padrão é jornalista e escreve no blog http://mpadrao.blogspot.com

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