Blog do Editor: Num dia a gente ri, no outro…

por Mac

Então você foge para o cinema para esquecer a tristeza da vida. Chega na bilheteria, vê que o único filme possível de se ver é um que você não tem a mínima idéia do que seja. Você está dez minutos atrasado, mas o atendente garante que você pegará o comecinho da fita. E você vai…

Assim que entra na sala você observa na tela um nevoeiro. Coisas densas pela frente, imagina, mas nada poderia lhe preparar para o que viria a seguir. Nada. “Katyn”, o filme que representou a Polônia no Oscar 2008, foi uma das experiências mais avassaladoras e dolorosas que enfrentei em uma sala de cinema em toda a minha vida.

Deixei a sala com  lágrimas escapando dos olhos, os pulsos tremendo e uma sensação de vazio que fazia eco dentro de mim. O filme de Andrzej Wajda (83 anos) narra o evento que ficou conhecido como o Massacre da Floresta de Katyn, em que soldados soviéticos assassinaram mais de 15 mil soldados (a grande maioria, oficiais do exército) poloneses em 1941. Mais: os soviéticos obrigaram o povo polonês a mentir atribuindo os assassinatos aos nazistas.

Não há um segundo que seja de esperança na película. Wadja não permite. Seu pai foi um dos oficiais mortos em Katyn e o que o filme sugere é uma dolorosa missa solene em nome dos soldados desaparecidos, e ao sair do cinema senti as mesmas sensações doloridas que me invadiram andando nas ruas de Berlim. Uma porrada tão forte e tão violenta que é difícil respirar. Difícil,  bem difícil.

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