Sobre sono, sonhos e R.E.M. em SP

Por Marcelo Costa

Quem se aventura a escrever sobre música (em blog, site, jornal, revista, guardanapo ou papel higiênico) acaba, por fim, ficando chato. Ok, não posso falar por todos, só por mim, mas tudo que aconteceu nas últimas semanas apesar reforça essa questão. Tipo: alguns amigos não entendem o motivo de eu não ter me empolgado com o KaiserChiefs enquanto eles adoraram e reportagens de grandes jornais definiam o show como “catártico”. Aquilo? Catártico? Piada. E das ruins.

E não é que o show deles seja ruim. Eles aprenderam os clichês, usam bem, mas precisam de muito Toddynho até, um dia, conseguirem fazer uma apresentação digna do adjetivo catártico. Um fã tem todo o direito de amar e dizer que a sua banda é a coisa-mais-linda-do-mundo-que-eu-amo-e-não-me-interessa-o-resto, mas alguém que escreve sobre música precisa deixar o fanatismo de lado, respirar fundo e tentar entender aquele momento encaixado em uma situação de tempo/espaço.

É uma equação bastante simples: eu, por, exemplo, escrevo sobre música (shows, discos, bobagens) de duas a quatro vezes por semana. Vamos pegar a média, três, e multiplicar por 52 semanas e teremos mais de 150 textos de música publicados em um ano (às vezes mais, às vezes menos). Esse número pressupõe que seu cérebro, acostumado a tudo que você ouviu e escreveu durante certo período, consiga mensurar qualidade com base na comparação às coisas que sugerem análise.

Curto e grosso ao ponto: uma pessoa que diz maravilhas do show do KaiserChiefs é:

1) Fã
2) Não tem base de comparação
3) Gostaria de qualquer show, pois gostar faz parte.
4) Não tem opinião
5) Todas as alternativas.

Não há nenhum problema em se encaixar em alguma dessas alternativas desde que você saiba disso (ok, há um problema na 4, pois pessoas sem opinião podem ser manipuladas, e o mundo precisa dessa opinião, certa ou errada, para gerar conflitos e acordos). O que mais incomoda, no entanto, é a deterioração do valor dos adjetivos. Até parece que tudo é maxi, mega, super sensacional e catártico, porém, se o show do KaiserChiefs é catártico, o que dizer do show do R.E.M.?

Isso realmente me incomoda. Em duas noites, em São Paulo, o R.E.M. colocou no bolso o line-up completo do Planeta Terra, e sacudiu (vamos deixar a Mallu Magalhães de fora, pois ela é café-com-leite). Por uma razão que ouso desconhecer, muitas pessoas ignoram níveis de comparação, e colocam tudo no mesmo saco, misturando farinha com Bourbon francês numa paixão tão duradoura quanto a lembrança do almoço que você comeu no dia 12 do mês passado.

Então vamos colocar as coisas no seu devido lugar: enquanto o KaiserChiefs fez um show ok, arroz com feijão sem fritas nem bife, mas que alimenta, o R.E.M. serviu um delicioso banquete com pratos assinados por alguns dos maiores chefes do mundo. Sei que alguém deve estar lendo e pensado que “esse cara é maluco: não tem como comparar R.E.M.”, mas então eu respondo: ambos fazem música, tocam para um público, e causas reações com isso. Como não dá para comparar? E como descrever uma apresentação do R.E.M. a contento se estão usando desleixadamente os dicionários de adjetivos?

Este “como” do parágrafo anterior não diz respeito apenas a quem escreve, mas também a quem lê: “Como esse cara pode estar falando uma bobagem dessas?”. Duvide. Sempre. Ou quase sempre. Não precisa duvidar, por exemplo, que o R.E.M. fez dois shows além das palavras em São Paulo, diferentes entre si, mas completamente iguais em qualidade: o primeiro mais melódico, excitante, atual. O segundo mais barulhento, cansado e antigo. Entre um e outro, 35 músicas diferentes.

Quantidade não garante qualidade, diria o esperto. O problema é que estamos diante de uma das três melhores bandas de rock do mundo em atividade nos últimos 20 anos (escolha as outras duas), e uma das poucas que além de não virar cópia de si mesma, ainda consegue criar material instigante após tanto tempo de janela. Vindo deles, quantidade e qualidade andam de mãos dadas movidas a acordes ensandecidos da Rickenbaker de Peter Buck, do baixo e vocal marcantes de Mike Mills, e da forte presença de palco de Michael Stipe.

Há, em ambas as noites, recados em pró da Anistia Internacional, homenagens ao novo presidente dos EUA, Barrack Obama (“Obamatic For The People” surge no telão), e ataques aos Bush pai e filho e a uma certa governadora do Alaska. Há, também, momentos de comoção coletiva em “Everbody Hurts” (um dos momentos mais brilhantes do show), “Losing My Religion” (que, na segunda noite, sacudiu até uma senhora de – provavelmente – mais de 60 anos atenta ao telão na pista do Via Funchal), “The One I Love”, “Man On The Moon” e “It’s the End of the World As We Know It (And I Feel Fine)”.

O tom da apresentação é dado pelas canções do álbum mais recente do trio, “Accelerate”, rápido, alto e urgente. O volume das guitarras é altíssimo. A bateria massacra em várias partes. Michael corre de um lado para outro, dança e comanda o público com maestria exibindo uma força vocal e gestual que impressiona. Mike Mills, principal estrela de “Accelerate”, além de segurar tudo no baixo ainda faz backings precisos e, na primeira noite, comanda a banda no country “Don’t Go Back To (Rockville)”.

Como espetáculo, a apresentação do R.E.M. é irretocável, deslumbrante, catártica. Fãs choram pelos cantos e meios da casa abarrotada de gente (em momentos diversos como por exemplo “Fall on Me” e “Electrolite”, presentes na primeira noite, e “I’ve Been High” e “Nightswimming” na seguinte). Há uma ligação tão forte entre público e banda que não consegue passar despercebida, mesmo quando Michael pede para o público levantar as mãos e aplaudir o show chato de Wilson Sideral, na abertura dos trabalhos.

Em retrospecto, apesar da excelência, os dois shows de São Paulo não conseguiram bater em emoção a apresentação inesquecível do Rock in Rio 3, mas soaram melhores (como um todo) que os shows do Rock Werchter, na Bélgica (“Electrolite”, lá, valeu uma vida), e do T In The Park, na Escócia. O som estava mais furioso (o local fechado, ao contrário do imenso palco dos dois festivais, colaborou), quase uma dezena de amigos tomava uma das fileiras da esquerda da platéia do Via Funchal, e essa coisa clichê do “obrigado” – em português mesmo – acaba realmente aproximando: ver show em casa é outra coisa.

Ao vivo, o R.E.M. causa um tipo de comoção que não se sente todos os dias. O tipo de sensação que faz você se sentir bem (apesar de “Chinese Democracy”, a crise econômica mundial e o fim do mundo – que todo mundo sabe). Por mais que jornais (sites, blogs e aviões na orla do litoral norte paulistanos) necessitem de manchetes sensacionais para vender mais, também é preciso clareza, conhecimento e um pouco de chatice (e/ou ser honesto e impiedoso) ao lidar com qualquer coisa cuja base seja sua opinião. É por isso tudo que o show do KaiserChiefs foi ok (com alguns momentos de sono) e o R.E.M. foi antológico (com breves momentos de sonho). Você pode até discordar, mas estará errado. :)~

R.E.M. em São Paulo, primeira noite
Novembro 10th, 2008
01) “Living Well Is The Best Revenge
02) I Took Your Name
03) What’s The Frequency, Kenneth?
04) Fall On Me
05) Drive
06) Man-Sized Wreath
07) Ignoreland
08) Hollow Man
09) Imitation of Life
10) Electrolite
11) Great Beyond
12) Everbody Hurts
13) She Just Wants To Be
14) The One I Love
15) Sweetness Follows
16) Let Me In
17) Bad Day
18) Horse To Water
19) Orange Crush
20) It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)

Bis
21) Supernatural Superserious
22) Losing My Religion
23) Animal
24) (Don’t Go Back To) Rockville
25) Man On The Moon

R.E.M. em São Paulo, segunda noite
Novembro 11th, 2008
1. Living Well Is the Best Revenge
2. These Days *
3. What’s the Frequency, Kenneth?
4. Driver 8 *
5. Drive
6. Man-Sized Wreath
7. Ignoreland
8. Exhuming McCarthy *
9. Imitation of Life
10. Pretty Persuasion *
11. Great Beyond
12. Everbody Hurts
13. Seven Chinese Brothers *
14. One I Love
15. I’ve Been High *
16. Nightswimming *
17. Bad Day
18. I’m Gonna DJ *
19. Orange Crush
20. It’s the End of the World As We Know It (And I Feel Fine)

Bis
21. Supernatural Superserious
22. Losing My Religion
23. Maps & Legends *
24. Begin the Begin *
25. Man On The Moon

* não foram tocadas na primeira noite

Leia também:
– “Accelerate”, do R.E.M: Cinismo e barulho, por Marcelo Costa (aqui)

19 thoughts on “Sobre sono, sonhos e R.E.M. em SP

  1. Pô Mac! E o set list e os comentários de Porto Alegre? Você não veio? Não acredito!?! Os caras mataram a pau em Porto, no melhor show que já rolou nos pampas gaudérios!!! Abraço, Áureo.

  2. aonde maluco
    hipocrita vc
    deixa o fanatismo de lado sim
    R.E.M é uma pseudo banda

    o show do Kaiser Chiefs foi otimo
    nunca R.E.M conseguiria fazer um show ao nivel do kaiser Chiefs
    presta atenção no que você fala

    você levou em consideração seu fanatismo

  3. Fala Marcelo,
    fui nas duas noites tambem, e gostei mais da primeira. Pois gosto mais da fase pos Green da banda. Mas a segunda noite com “driver 8” e “these days” foi tb incrivel.

    quanto ao kaiser chiefs, eu como fui um grande fan de Blur, me diverti muito no show do KC e achei muito bom mesmo.

    Ah, as duas outras bandas pra mim sao :
    Depeche Mode e Manic Street Preachers.

    —-

    Falando em fans, ja estou com medo deles no show do radiohead ano que vem, rsrs.

  4. Olá, Marcelo. Realmente, foi um show emocionante. Eu fui no do RJ e fui as lágrimas em dois momentos: EVERYBODY HURTS e DRIVE. Também foi emocionante em THE ONE I LOVE ver Michael Stipe indo falar com o público e cumprimentando as pessoas durante quase toda a música. Valeu a pena deixar de ir a SP ver o Planeta Terra (como eu queria ver o JMC e o Breeders, mas fica para a próxima). para assistir o desfile de clássicos do rock contemporâneo que foi esse show do REM no RJ. Valeu e um abraço!

  5. Uau. Que texto maravilhoso!
    Infelizmente nao fui aos shows pois nao estou no Brasil, mas sua critica me deu uma vontade danada de ter ido!
    Parabens pela clareza e lucidez! 🙂

  6. Kaiser Chiefs mandou muito bem.Mas realmente tem que comer muito arroz e feijão para chegar aos pés do R.E.M e fazer um show como o que vi na segunda feira.Aqui sim foi uma catarse coletiva.
    Belo Texto

    Abraços

  7. Nossa, procurava uma resenha do show… E ao ler a sua (ótima, a propósito), me convenci: “Quem mandou não comprar ingresso logo, acabou e você não viu R.E.M. ao vivo…”

    Bom, tem sempre uma próxima vez… assim espero!

    Um abraço!

  8. O show do R.E.M. aqui no Rio foi 10!!!!!!!!!
    Eu não não vi o show do Kaiser Chiefs, por isso não posso comentar. Mas comparar eles com o R.E.M é covardia.
    Eles tem muita estrada pela frente.
    Fui as lágrimas quando o Michael Stipe cantou “Everbody Hurts” . Só faltou o Bill Berry.
    Bjs.

  9. Cara, tive o prazer de sentir toda essa emoção na primeira apresentação dos caras em sampa, Foi demais, muito emocionante, estou agora escrevendo essas linhas e ainda emocionada com os caras do R.E.M. Valeu muito !!!!Parabéns pelos su texto Otimo, como os caras do R.E.M. Bjos

  10. Marcelo, parabéns pelo texto. Fica díficil para muitas pessoas entenderem que um jornalista deve traduzir em informação para seu leitor o que é a realidade das coisas, e foi o que você fez no seu texto. O problema é que música envolve paixão, então a racionalidade por parte de quem lê algo diverso a seu pensamento incomoda um pouco.
    Particularmente, eu não tenho “bagagem” de shows internacionais,vi uma díuzia deles e olhe lá. Assiti os dois shows e achei ambos ótimos, cada um no seu lugar e dentro da realidade de cada uma das bandas. O R.E.M fez exatamente aquilo que se espera de uma banda da magnitude e genealidade que eles são, ou seja, acima da média, espetacular. O Kaiser também fez um show dentro da sua realidade, de uma banda iniciante, que tem e demonstra suas deficiências e compensa com um show energético, envolvente e honesto, dentro da realidade do festival.
    Parabéns mais uma vez pela sua lucidez e continue escrevendo textos como esse, pois isso é que é legal do jornalismo, informação, opinião e principalmente colocar o leitor em confronto com os fatos.
    ABRAÇOS

    Enviado por: Ana
    É isso aí.. não fui no REM, mas falar que o KC foi catártico… foi ok, divertido, nada mais. Minha sorte é que meu padrão de show é baseado na minha banda preferida da adolescência, o Pearl Jam. Logo, só o REM pra equiparar, mesmo. KC não chega perto.

    Enviado por: Rodrigo
    Excelente texto!!!

    Fui no show do Kaiser Chiefs e do REM. O show do KC foi bom, animou, mas o do REM…Ao mesmo tempo que vc diz: TEM COMPARAÇÂO…eu dgo NÂO TEM COMPARAÇÂO!!! Foi o melhor show que eu já fui, e olha que eu tenho alguns na bagagem (incluindo os 2 shows do U2, que foram fantásticos, mas até ai eu me ancaixo no item 1 das suas alternativas la no começo do texto).
    ATé agora, foi o texto mais verdadeiro que eu li sobre uma opinião de agum show…

    Enviado por: Leonardo
    Mac,
    Texto perfeito!!!!!!
    Fui nos dois shows e foi realmente incrível!!!
    O show do Rock in Rio sem dúvida foi o melhor show da minha vida (e olha que eu não fui!).
    E ainda tive que ler o cara do Estadão escrevendo que o som é “datado”! O cara levou uma senhora descompostura do Caetano e não aprendeu nada!
    Kaiser Chiefs … quem?
    Don´t believe the hype!!!!

    Enviado por: Saviola
    Hey Mac……Comparar Kaiser Chiefs, Bloc Party, Hanna Montana, The Strokes, High School Music, White Stripes e coisas desse genero………com REM, Pearl Jam, Stone Temple Pilots………

    É a mesma coisa de comparar a Xuxa com a Madonna!!!!!!!

    Ps: Espero não ser processado….

    Enviado por: Dedeca
    O show do R.E.M. aqui no Rio foi 10!!!!!!!!!
    Eu não não vi o show do Kaiser Chiefs, por isso não posso comentar. Mas comparar eles com o R.E.M é covardia.
    Eles tem muita estrada pela frente.
    Fui as lágrimas quando o Michael Stipe cantou “Everbody Hurts” . Só faltou o Bill Berry.
    Bjs.

    Enviado por: Mariana Takamatsu
    Marcelo, parabéns pela ousadia do texto. Concordo plenamente com vc, mas é preciso culhões para escancarar assim. Os shows do REM em SP foram incomparavelmente melhores que o Kaiser Chiefs e não entendi o tanto de elogios que eles receberam. Bandinha boba com fãs animados, só isso.

    Existe um site só com os seus textos? Ou preciso pipocar em vários para te achar?

    Enviado por: Jams
    É complicado querer comparar presença de palco do REM que já está há muito mais tempo na estrada com a do Kaiser Chiefs, né? Fora o repertório vastíssimo da primeira banda, além da maior experiência, inclusive com públicos do mundo todo. Acho um tanto que desnecessária essa comparação.
    Fui nos dois shows, o Planeta Terra e o do 1o do REM de SP e curti muitissimo ambos. Claro que o REM, pelos motivos citados acima, empolga muito mais, gera toda uma comoção no público, até porque muitas das pessoas que estão ali já conhecem a banda há séeeculos, enquanto o Kaiser Chiefs não tem esse tempo todo de existência, e logo, essa maturidade e consolidação de público.

    Enviado por: Rodrigo Gonçalves
    Caro Marcelo,
    Longe de ser fanatismo, como disseram alguns, e sim questão de qualidade e tempo de estrada de uma banda como REM. Não dá pra comparar com qualquer bandinha da moda…Fiquei sabendo que os shows em SP foram arrebatadores, o do Rio tb foi %!@$&@#o, pra sempre na memória de todos que compareceram!! E que voltem sempre!!!
    abs

    Enviado por: Fabiana Tibolla Tent
    Parabéns, texto de alta qualidade!
    Estranhei que a cobertura da imprensa nacional foi tão superficial e distante, sem levar em consideração a importância do R.E.M. e sua trajetória… tua coluna me desfez dessa impressão.
    Ah, o show em Porto Alegre foi maravilhoso, memorável… os olhos vão fazer muitos movimentos rápidos durante muitos sonhos ainda!!!
    Abraços.

    Enviado por: Nathalia
    Eu estava do lado da velhinha!!!!
    (E o show foi algo fora do normal. De fato, não dá pra comparar com nada!!!)

    Enviado por: Alessandra
    Olá Mac!

    É a primeira vez que leio um texto seu, e claro que li por causa do R.E.M. Eu sou de Sampa, mas moro nos EUA e vi o show do R.E.M. em Nova York dia 19 de Junho/08 e fiquei sem palavras.

    Concordo com tudo que vc disse no seu texto, e eu sou uma fanática por U2, e amo outras bandas como REM, Coldplay, The Killers, etc mas graças ao bom senso, consigo enxergar quando eles pisam na bola ou algo não é tão excitante musicalmente.

    Não se pode comparar o REM com o U2, mas o Michael & Cia são ótimos. Fiquei super emocionada e quando eles tocaram Drive, eu quase morri. 😉

    Queria muito ter visto o show no Brasil, pq ver essas mega bandas em casa é a melhor coisa do mundo…mas tenho sorte de ter visto nesse ano o R.E.M., Coldplay e The Killers…e mal posso esperar pelo novo CD e tour do U2 no próximo ano.

    Keep up the great work! 😉 Já ganhou mais uma leitora!

    See ya!

    Enviado por: dan
    Bom, resenha de fã.
    Ficar comparando bandas de bagagens tão distintas é exercicio de futilidade. Acho que qualquer show ( tirando Dylan, Radiohead e afins) que acotecesse no mesmo fds do REM e meio que “roubasse” o spotlight de sua amada banda vc ficaria indignado.
    Ja vi os dois ao vivo, inclusive mais de 2 vezes, e foram otimos,. Mas claro nao vou comparar uma banda historica com outra que esta comecando….

    Enviado por: Leonard Moura
    durante sua resenha sobre o show do R.E.M. você contradisse boa parte da introdução de seu próprio texto e se encaixou na categoria de número 1 da sua própria lista.
    é claro que não se compara o Kaiser ao REM, do mesmo jeito que não se compara um jogador do dente-de-leita com o Ronaldinho Gaucho.

    realmente, por enquanto, o REM está bem a frente, mas o seu fanatismo foi bem maior do que qualque moderninho que diga ser fã do Kaiser Chiefs

  11. ah, cara, eu sou fanático por kaiser chiefs, mas entendo de certa forma o que você quis dizer.

    O problema é que, pela forma com que você falou, dá a entender que o crítico de música que fez uma resenha positiva do show dos Kaiser Chiefs não é crítico de verdade.

    Tudo bem você não ter gostado, mas daí a tentar supor o perfil das pessoas que gostaram do show dos Chiefs foi demais.

  12. Olá Marcelo, texto muito bem escrito e coerente. Concordo contigo, que ao abordar uma questão polêmica, por gerar inúmeras controvérsias, e que nem sempre é respeitado pela maioria dos profissionais que atuam no ramo, tal postura de isenção deveria ser uma norma de conduta que deveria se estender a todos os críticos, independente do no âmbito no qual atua. No entanto, o que se encontra por aí é exatamente o oposto, pessoas inebriadas pelas suas paixões e que não conseguem ponderar o devido equilíbrio entre a razão e a emoção e quando se é um formador de opinião, tal conduta é impressindível. Caso contrário, tal atuação se torna despropositada e perde totalmente o seu foco principal: o de levar a informação para o público e deixá-lo, embasado nas informações fornecidas para ele, tirar as suas próprias conclusões, não é verdade!?
    Sempre leio os seus textos, mas, em especial, gostei demais deste. Achei ele, além de muito bem escrito, muito bem embasado, com argumentações plausíveis e coerentes! Este é o diferencial (em minha humilde concepção, claro), de uma conduta profissional e acima de tudo, responsável! O mais legal é que você conseguiu abordar dois assuntos e “matar dois coelhos numa cajadada só”, linkou o show do REM, com um tema bastante polêmico e que merece ser abordado e levado ao público, em geral, para reflexão, que é um dos papéis assumido pelo jornalista, quando escolhe exercer a profissão com ética e acima de tudo, responsabilidade!

  13. Parabéns a resenha!!

    Fui ao show do R.E.M. no Rio e foi simplesmente sensacional! Tenho uma bagagem grande em shows internacionais e esse sem dúvida está entre os melhores…. Para mim, melhor que o show do REM somente o show do RUSH , Roger Watters e Neil Young no rock´n rio 3… o resto é resto… o show do REM inclusive foi bem superior ao do U2.. e do mesmo nível que do Pearl Jam…

    Agora comparar o Kaiser com REM é sacanagem….

  14. Parabéns pela texto, já que poucas vezes lí uma rezenha com tamanha lucidez e originalidade. Digo-lhe que gosto do Kaiser Chiefs, más seria impossível compara-los à uma das maiores bandas de rock (a maior de rock alternativo) de todos os tempos. Alem do mais alto nivel musical, eles possuem uma clareza quanto a seus princípios políticos e sociais que dificilmente encontraiamos em um conjunto de rock. Não seria discurso panfletário , más sim característica natural da banda e principalmente de Michael Stipe. Quanto à música em sí, que seria o mais importante em questão, eles se encontram num grupo seleto de artistas que têm personalidade e estilo próprios. É muito difícil alguem ficar tanto tempo no mainstream sem cometer deslizes e eles conseguem. Com exceção ao penúltimo trabalho, um pouco inferior aos demais (porém também de ótima qualidade), eles nunca deixaram de lado a boa música, boas letras, arranjos e sonoridade maravilhosa. E isso é um grande mérito , já que com o passar dos tempos fica muito difícil criar algo original sem soar datado, e eles conseguem. Faço minhas vossas palavras, impossível comparar o grande REM com bandas que surgem todos os anos como a salvação da lavoura. Vida longa ao REM. Abraços.

  15. Falô e disse ! Não sei se é porque entrei nos 40, mas tenho feito esse exercício (de comparação) de um (qualquer) show legal com os 3 que vi ao vivo do R.E.M. (o último que assisti foi o 1º show do Via Funchal, em 10/11/2008, e olha que o 1º que vi deles foi em 1988, em Berkeley, qdo eu fazia intercambio na Califórnia).
    Resultado: nenhum outro show (e vi vários muito bons) bateu os 3 que do R.E.M.
    Ok, a banda encerrou (acertadamente) sua trajetória ano passado, o que pode impossibilitar muita gente de poder fazer este teste…. então, pegue qualquer um dos registros ao vivo do R.E.M (vou facilitar pra quem não sabe: “Tourfilm” – 1990 / “Road Movie” – 1996 / “Perfect Square” – 2004 / “This Is Not a Show” – 2009) veja e compare com outro shows que foram gravados. Não sei qual será sua opinião, mas garanto que valerá à pena o teste.

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