24 horas em São Paulo

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Enquanto indies estão aguardando ansiosamente pelo Tim Festival (com Kaiser Chiefs, Arctic Monkeys e Cat Power), emos fazem abaixo-assinados para trazer o Panic! at The Disco ao País, e os manos acertam as últimas paradas para o Skol Beats, está agendado para o próximo final de semana, em São Paulo, o maior (e melhor) evento cultural de 2007 em solo pátrio: a terceira edição da badalada Virada Cultural, que prevê 24 horas de cultura gratuita em todos os formatos para a população paulistana. Se você é apaixonado por cultura, São Paulo se transforma em Meca cultural entre as 18h de sábado e as 18h de domingo.

Haverá grandes eventos envolvendo literatura, cinema, gastronomia, teatro e artes plásticas, mas o filé da programação vão ser as apresentações musicais, cujo leque variado prevê samba-canção, funk, soul, samba, rock, punk, rap, manguebeat, bossa nova, música eletrônica, pop e muito mais. Tudo isso em dezenas de palcos em toda a capital, com o grande foco acontecendo na região central da cidade, cujos palcos da Praça da Sé, da Rua Barão de Itapetininga, do Boulveard da Avenida São João, Rua Vieira de Carvalho, Praça XV de Novembro e Theatro Municipal vão contar a história da música nacional com vários prováveis shows antológicos.

O tom da Virada Cultural é tentar agradar a todas as tribos. Assim, os punks (principalmente os das antigas) vão poder tirar o coturno do armário para pogar ao som de Cólera (que irá tocar seu álbum mais famoso: “Pela Paz Em Todo Mundo”, de 1986), Garotos Podres (relendo o clássico “Mais Podres do Que Nunca”, de hits undergrounds do quilate de “Papai Noel, Velho Batuta”, “Vou Fazer Cocô” e o hino “Johnny”), Ratos de Porão, Inocentes e Plebe Rude (que entrou no lugar do Camisa de Vênus). Isso tudo começando na manhã de domingo.

Porém, a noitada promete - e muito - antes dos punks. No palco da Praça da Sé, Alceu Valença irá apresentar a integra de seu clássico disco “Espelho Cristalino” (1977). Alceu será seguido pela Nação Zumbi, que apresentará o monólito do manguebeat “Da Lama Ao Caos” (1993), e pelos Racionais MCs, que devem fazer história às 2 da madrugada de sábado para domingo. Não muito longe dali, na rua XV de Novembro, a música eletrônica estará em alta nas pick-ups comandadas por gente como Ramilson Maia, Camilo Rocha, Mara Bruiser e Mau Mau.

O luxuoso Theatro Municipal recebe os shows mais comentados da Virada Cultural, e os que devem render o maior número de apresentações antológicas. João Donato apresenta seu “A Bad Donato” (1970) às 21h; João Bosco apresenta o seu “100ª Apresentação” (1983) à meia-noite; o maldito dos malditos Jards Macalé toca “Farinha do Desprezo” (1972), um dos álbuns clássicos essenciais da discografia nacional em todos os tempos às 3 da manhã; Germano Mathias apresenta o seu “Ginga no Asfalto” (1962) às 9 da manhã; e Fabiana Cozza se junta ao Zimbo Trio para interpretar “O Fino da Bossa”, originalmente gravado com Elis Regina em 1965. Ufa. Perae, tem mais.

Paulinho da Viola faz show no MIS, à meia-noite, no sábado. O Sesc Pompéia recebe, também na madrugada de sábado, os novos independentes Karine Alexandrino, Junior Barreto e China; Tom Zé faz show no CEU Parque Veredas; Jorge Mautner faz uma aula-show no CEU Alvarenga; Cidadão Instigado toca no CEU Pêra Marmelo; Clube do Balanço convida Erasmo Carlos no palco do Anhangabaú, mesmo lugar que irá receber a lenda do funk brazuca Gerson King Combo, e também Ed Motta e a banda Skowa e a Máfia (recriando o álbum “La Famiglia”). A Virada Cultural ainda terá Karnak, Pato Fu, Rogério Skylab, Doris Monteiro, Cauby Peixoto, Língua de Trapo, Premeditando o Breque, Cordel do Fogo Encantado, Massacration, Edgard Scandurra, Sérgio Ricardo e Sérgio Dias, entre muitos outros.

O grande problema dessa extensa programação é que, claro, muitos shows que você, leitor esperto, vai querer ver, vão acontecer simultaneamente em alguns palcos da cidade (até parece os festivais britânicos). O site oficial do evento permite que você planeje um roteiro, mas vale imaginar que alguns dos palcos fechados vão ter convites limitados (caso do Paulinho da Viola no MIS e as apresentações do Theatro Municipal) e talvez você gaste um tempo na fila retirando os convites. A dica, claro, é eleger os shows imperdíveis, e ir atrás deles, sempre deixando algo em segunda opção. Abaixo segue a minha listinha pessoal. Se eu conseguir assistir a cinco desses shows, estarei feliz.

18h Alceu Valença na Praça da Sé
21h João Donato no Theatro Municipal
00h Paulinho da Viola no MIS
03h Jards Macalé no Theatro Municipal
04h Gerson King Combo no Boulevard São João
06h Skowa e a Máfia no Boulevard São João
08h Rogério Skylab na Barão de Itapetininga
10h Pato Fu no Boulevard São João
11h30 Ratos do Porão na Barão de Itapetininga
13h15 Garotos Podres na Barão de Itapetininga
15h Os Inocentes na Barão de Itapetininga
16h45 Plebe Rude na Barão de Itapetininga

Faça a sua programação no site oficial da Virada Cultural

Dica: para selecionar os shows, vá no link Programação, no menu, e no Tipo de Apresentação selecione MÚSICA, e clique no buscar. Então é só ir selecionando as apresentações que você quer ver, e ir montando seu roteiro cultural em São Paulo.

This entry was posted on Quinta-feira, Maio 3rd, 2007 and is filed under Revolution. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

8 Responses to “24 horas em São Paulo”

  1. СÔÓÖÖ

    ìªìª

  2. Maikol

    tirando de João Donato á Skowa e a Máfia (por enquanto, vai que eu convença a namorada), vou nos mesmos shows que você….até lá!!!

  3. Jose Henrique

    Nação Zumbi e Racionais na mesma noite!
    Sensacional.
    Semana passada comprei o DVD dos Racionais, impressionante, que show poderoso!
    Vc já resenhou esse DVD?
    Um abraço

  4. Fábio Shiraga

    Selecione os shows e faça um estoque de energéticos também, diz aí!

    Eu não aguento mais piques de festivais. Invejo quando vejo aqueles tiozinhos que levam cadeirinhas de praia e sentam confortavelmente enquanto ouvem os shows. [risos]

  5. Anna

    Pô cara os melhores shows/festivais/qualquer coisa interessante sempre acontecem no eixo Rio-SP.
    \\São Paulo se transforma em Meca cultural entre as 18h de sábado e as 18h de domingo\\ e quem vive nas outras cidades fica babando.
    Há, desculpa a frustação =D
    Tu é otimo!

  6. marcelo santiago

    É mesmo muito legal essa Virada Cultural, ainda mais por dar espaço para manifestações artísticas de diferentes estilos.

    Também queria contar que tem uma entrevista com você, feita em 2002, sobre o lançamento da Zero, no Meio Desligado. http://www.meiodesligado.com

    Não sei se você vai lembrar…

  7. Matheus ^^

    Gostei muito do seu blog…
    Tinha visto ontem mais esquesi de comenta!

    A gente vai no mesmo show na virada…A gente se encontra lá…Se eu ti reconhecer claro…!

    Só tem uma coisinha… (que sou eu para falar) Essa história de emos…e afins a tá pra baixo… falou ‘mau’ do Panic! At the Disco…blz…cada um com os seus problemas…Mais depois ve lá no meu blog uma versão deles tocando Tonight Tonight do Smashing Pumpkins…Pode mudar seus conceito pela banda!

    É só isso…
    A gente se fala cara..da uma passada lá no meu blog!
    Flw

  8. marcelo santiago

    Como não dá para comentar no seu blog no Scream and Yell, vai aqui mesmo: legal vc concordar com o q disse ainda hoje e por ter gostado, fiquei surpreso ao ver o link no blog.

    A entrevista foi publicada em março daquele ano, na revista da Universidade belo-horizontina Uni-BH, junto a uma matéria bem longa. No Meio Desligado, preferimos utilizar apenas a entrevista, completando os outros dois textos que fizemos sobre a Zero e a Frente.

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