A estréia do Los Porongas

texto por Marcelo Costa

Leitores deste espaço já vem cobrando – via comments – um destaque merecido para o grupo acreano Los Porongas, antes mesmo da banda ter colocado na praça seu disco homônimo, pelo selo Senhor F. “Los Porongas”, o álbum agora lançado, sinaliza que os leitores estão bastante antenados com o que de melhor anda acontecendo no cenário independente nacional. Produzido por Phillipe Seabra (Plebe Rude), o disco exibe uma sonoridade encorpada e madura que se estende a temática adulta e inteligente exibida nas letras, num álbum que já entra pro rol das grandes estréias do rock nacional anos 00.

A praia dos acreanos é a do rock estilístico que, em muitos momentos, faz lembrar o trio Secos & Molhados. A voz personal de Diego Soares é emoldurada pela bateria seca e pesada de Jorge Anzol, pelo baixo de Márcio Magrão e pela ótima guitarra de João Eduardo, que pontua o arranjo com dedilhados e bons riffs. “Espelho de Narciso”, faixa que abre o CD, é um bom exemplo da estética losporongiana: um riff forte, seco, de guitarra. A bateria desconstruindo tudo por trás. O baixo passeando docemente agudo. E a voz de Diego cantando uma letra emepebistica que funciona a perfeição no arranjo.

“Lego de Palavras” já havia sido colocada para download em versão demo, e a comparação das duas faixas permite ver o quanto cresceu o som do quarteto com a mão do produtor Phillipe, e dos Dreher (Gustavo e Thomas, mixagem e masterização): os três instrumentos passeiam dispersos pela atmosfera, sem, no entanto, se soltarem um do outro. A guitarra trilha seu próprio caminho, mas baixo e bateria também, e cada um destes instrumentos merecem a sua atenção. Sobre tudo isso, Diego canta outra letra que remete aos Secos & Molhados.

Musicalmente, há no som do Los Porongas um choque entre o rock setentista e a MPB. No campo de batalha, a banda se prostra exatamente no meio entre um lado e o outro. Cede ao rock aquilo que ele pede, sem largar as mãos da música popular brasileira. As letras, intensas e de uma originalidade rara em território nacional, amplificam essa característica de embate, e tudo isso dá ao som do quarteto uma personalidade que poucas bandas conseguem impor logo em seu primeiro trabalho. Isso fica bastante explicito em trechos fortes como o refrão poderoso de “Enquanto Uns Dormem”, os riffs matadores de “Suspeito de Si”, e a empolgante faixa de encerramento, “Ao Cruzeiro”, que ousa imaginar escadarias amazônicas até Marte. O Los Porongas sonha alto. Ainda bem.

– Marcelo Costa (@screamyell) edita o Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne

11 thoughts on “A estréia do Los Porongas

  1. Bacana a resenha Marcelo, acho que eu era um dos que cobravam. =]
    Um fato interessante sobre a banda, é que tenho lido resenhas em diversos lugares, e as músicas destacadas sempre são diferentes. Não há um consenso de que determinadas músicas sejam as melhores. Eu mesmo, por exemplo, colocaria em destaque “O Escudo”, “Como o Sol”, “Nada Além”, “Subvertigem”, “Tudo ao contrário”, e tiraria “Lego de Palavras” e “Espelho de Narciso”, mas é como disse, é interessante encontrar preferências distintas sobre as músicas do cd.

  2. Nada contra nem a favor desta banda. Poxa, mas está faltando 2 resenhas essenciais por aqui: os novos discos do Manic Street Preaches e do Wilco.

  3. A genialidade, a suavidade de ritmo e letras que encantam a alma, fazem desses jovens de minha terra, receberem da crítica musical, de nosso país, elogios e aplausos, os caras estão dizendo porque vieram. Se não prestasse a crítica diria e sem piedade, pois esses profissionais são qualificados.
    Valeu Diogo, Anzol, Magrão e João.
    Abraços,
    F. Pereira

  4. Com uma apresentação dessas, apesar de ser “porongueira”, creio que os meninos já dispensam comentários. Mas elogios são pequenos diante do grandioso trabalho dessa banda, que tem um estilo muito diferenciado e faz um mix muito louco que dá sempre certo. Há as influências, como todas as bandas, mas eles são únicos. Só posso desejar mais sucesso e ficar esperando o novo CD. Adoro todas as músicas e elas caminham todos os dias comigo dentro do carro. Vlw. Bjus p todos. Jackie.

  5. Los Porongas é mais uma prova que o norte do país anda produzindo um rock de muita qualidade e principalmente criatividade…boa banda…
    🙂

  6. Vou escutar esse disco com certeza, agora vamos combinar uma coisa, essa capa tá entre as mais feias do ano até agora hehehhehe

  7. Sinto ter descoberto essa banda da minha terra tão tarde. Realmente, foram a originalidade e as letras que me cativaram a ouvir. Ando meio viciado até em Los Porongas. Sucesso à vista.

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