A Weekend In The City, Bloc Party

A Weekend In The City, do Bloc Party (Warner)
Preço em média: R$ 35

“A Weekend In The City”, segundo álbum do Bloc Party, caiu na web tanto tempo antes de chegar às lojas reais que causou uma estranha reação em muitos dos ouvintes: a primeira audição foi fria, com muitos desacreditando ser “A Weekend In The City” fruto da mesma banda que pariu o ótimo “Silent Arm” dois anos antes. Porém, com o passar do tempo, algumas canções foram crescendo conforme as audições se repetiam, e agora que o disco chega definitivamente às lojas brasileiras, parece que a banda quase virou o jogo a seu favor.

Parece. “A Weekend In The City” ainda soa como um álbum difícil, muito pela temática que aborda (um flagra no fim de semana de uma cidade moderna, com direito a discussões sobre racismo – Kele Okereke, líder da banda, é negro -, terrorismo, sexo, morte e desigualdade social), um outro tanto porque após um início inebriante, recheado de grandes canções, o disco caia de qualidade na segunda parte. Se isso não apaga o brilho de algumas faixas redentoras, ao menos trabalha contra a unidade de “A Weekend In The City”.

A vantagem de Kele Okereke e seu Bloc Party é que canções como “Song For Clay (Disappear Here)”, “Hunting For Witches” e o primeiro single “The Prayer” compensam – e muito – o lado mais fraco do álbum. A épica “Song For Clay (Disappear Here)” abre o disco com Kele soltando sua ótima voz sobre um arranjo de piano, mas a música só começa mesmo após um minuto. Poderia ser um anticlímax se a canção não fosse tão boa, mas ela é. “Song For Clay (Disappear Here)” fala de um cara que está tentando ser um herói, enquanto abastece a alma de foie gras, cocaína e Marlboro vermelho. A matadora “Hunting For Witches” (com riff irmão de “Banquet”) flagra o personagem da letra sentado no telhado de sua casa com uma arma e um pacote com seis cervejas. O jornal diário avisa que o inimigo está entre nós / o medo vai nos manter seguros em algum lugar”, canta o vocalista, genialmente.

“A Weekend In The City” é o típico álbum que daria um EP matador. Em algum momento de sua audição, parece que a banda sucumbiu a pressão de parir um álbum tão bom quanto sua estréia, mas há algo em “A Weekend In The City que clama por atenção. Se este é um disco que passou batido por você na primeira audição, retome ele prestando atenção às letras. Talvez você veja – traduzido pela caneta de Kele – algumas situações que vive todos os dias… e o relato do vocalista é bastante interessante.

Ouça quatro músicas no no My Space do Bloc Party

Assista a um vídeo de “Hunting For Witches” ao vivo:

4 thoughts on “A Weekend In The City, Bloc Party

  1. …depois de ouvir “A Weekend In The City” algumas vezes no decorrer dos últimos meses considero como primordial a atitude da banda para o seu caminho, mostrando uma forte identidade sempre em busca de liberdade musical o que é sempre louvável, mas por outro lado e apesar disso o resultado final do disco em si é apenas mais ou menos, onde prefiro acreditar que o futuro reserva melhores trabalhos para o Bloc Party…

    Foi o comentario que fiz no meu blog sobre o disco…

    🙂

  2. Pode ser até viagem minha , mas Ok Computer influenciou este álbum do Bloc Party … desde a capa que me lembra muito o clássico de 97 até a temática das letras …. se Thom Yorke e cia. falavam de uma sociedade sucumbindo frente aos desafios de um mundo incontralável , bizarro e difícil , Kele Okereke continua o que Thom Yorke já via há 10 anos …
    Mas o que importa mesmo , é constatar que a música pop sempre nos ajudará a entender os tempos que vivemos ..

    um abraço , Maykon

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