Bizz x Rolling Stone

A chegada da edição brasileira da Rolling Stone (que vinha namorando o mercado brasileiro fazia uns bons dez anos) às bancas trouxe consigo uma série de questões que rendem uma análise bastante interessante. Num primeiro momento, a revista chega ao Brasil no exato instante em que o modelo “gravadoras” está beirando a falência, e as lojas on-line começam a virar obrigação em todo grande portal. O iG já anunciou a sua loja.

Além disso, com a popularização da web já é muito mais fácil ouvir uma rádio gringa de qualidade no lugar de uma nacional movimentada por uma programação ditada por jabá. O grande público ainda é refém das AMs e FMs, mas será que o grande público compra revistas?

Nas bancas, apenas a revista Bizz tem uma circulação regular, mensal, e sugere uma concorrência com a Rolling Stone brazuca, mas será que o mercado brasileiro consegue comportar duas revistas no mesmo segmento? Será que a Rolling Stone brasileira bate de frente com a Bizz, ou será a Trip e a Vip suas grandes “adversárias”? Ou são as três? O que muda com a chegada da Rolling Stone ao Brasil? Essa e outras perguntas, a Revoluttion opina, abaixo:

01) Há espaço no mercado para duas publicações de música no Brasil?
Primeiro ponto: não existe mercado de música no Brasil hoje em dia. O que existe é apenas um rascunho do que o mercado brasileiro foi um dia. Dito isso, é bom saber que mesmo assim se consome – muita – música nesse país (e o crescente número de shows internacionais que andam baixando por aqui é apenas um sintoma da valorização da música por estes lados). No entanto, para que duas publicações existam neste país que não lê, elas precisam ter um foco definido, boas pautas e qualidade editorial. Não podem bater de frente. A Rolling Stone traz uma diferença da Bizz, no sentido de ter um maior leque de temas para cobrir, o que acaba sendo uma vantagem para as duas publicações: a Rolling Stone poderá usar esse leque de temas como diferencial, e a Bizz seu foco em música como especialidade. No mais, se a Argentina tem além da boa Mono, as franquias da francesa Los Inrockuptibles e da própria Rolling Stone convivendo bem nas bancas, o que nos impediria de ter?

02) O preço
Esse é o primeiro grande diferencial da Bizz e da Rolling Stone. A franquia norte-americana chega ao Brasil com 50 páginas a mais do que a Bizz, e custando R$ 1,05 a menos. Sem contar que o formato da RS é maior do que o da Bizz. Alguns fãs da Bizz dizem que o que mais gostam na revista é sua leitura ágil. Bobagem. Ninguém pode querer uma revista que se lê em dois dias a uma outra cuja leitura demora mais tempo. Pode? As longas entrevistas/reportagens são um ponto a favor da RS, que a Bizz terá que saber contornar. Mas, de cara, a relação “custo x benefício” aponta a RS como melhor opção. E se o comprador puder comprar apenas uma revista por mês, preço e quantidade são fatores que podem pesar na sua decisão.

03) Quantidade é qualidade?
Porém, quantidade nunca significa qualidade. E nisso as duas revistas vão ter que suar para surpreender o público. Na verdade, espera-se o mínimo de ambas: boas reportagens. A RS chegou às bancas em um momento que a Bizz trazia em sua capa uma reportagem sobre Renato Russo. O artifício de colocar um morto famoso na capa só seria válido se o material justificasse. Não justificava. A pauta era bisonha e não trazia nenhuma novidade, nada que valesse um box inferior no final da revista. A RS se saiu bem ao escolher a capa: Gisele Bündchen. A chamada de capa era provocativa e inteligente: “A maior popstar brasileira”. Mas o texto é fraco, fraco, fraquinho. Havia lógica na pauta, mas o autor buscou ser sutil, tentando mostrar que a agenda superlotada da modelo e o tanto de pessoas que ela movimenta para um sessão de fotos exemplificam o quanto Gisele é famosa. Desculpe, mas não há espaço para sutilezas no jornalismo pop. E era tão simples validar Gisele na capa. Bastava traçar seu perfil, falar nos milhões de dólares que ela ganha por mês e dizer que ela tem mais falas no filme hit da temporada (“O Diabo Veste Prada”) do que Rodrigo Santoro teve em toda sua carreira internacional (contando os primeiros episódios da 3ª temporada da série Lost). Gisele é quase tão famosa quanto Pelé (se não for mais), mas a reportagem não discute isso. Uma pena. Jogaram uma bela capa no lixo. No entanto, o assunto qualidade é muito mais extenso, e segue abaixo…

04) Matérias gringas, resenhas e dossiês…
Um dos fatores interessantes que a RS deverá imprimir no jornalismo nacional é a boa relação “jornalista/artista”. No Brasil, a grande maioria dos artistas se acha gênio, e o jornalista é só alguém tentando desmistificar sua genialidade. Bobagem, claro. Não que os artistas sejam idiotas e os jornalistas gênios, menos, por favor. A relação é apenas de entrevistado e entrevistador. Quantas vezes no Brasil poderíamos pegar um artista mainstream e passear com ele pela cidade, como fez a reportagem gringa com o Killers? (que, aliás, bateu no segundo posto da Billboard com “Sam’s Town”, duas semanas atrás – e que a Bizz só deu uma nota na edição anterior). Esse é um ponto forte da RS, que deverá trazer bons frutos para o jornalismo nacional. No entanto, a RS vai precisar trabalhar muito para chegar ao nível editorial da Bizz na questão resenhas. A diferença é gritante, e não só em texto. Na RS, fotos de artistas em uma página, resenhas em outra, e textos que nada falam sobre o disco (o do Rakes, por exemplo, é uma bobagem, já que a banda ainda aparece entrevistada na edição – só perde para a resenha do Raconteurs, cuja resenhista parece desconhecer os integrantes da banda, que não são moleques e muito menos novatos. Ao menos, a RS deu um espaço um pouco maior para Lily Allen). A RS ainda tropeça nas traduções das reportagens (a do Bob Dylan traz ao menos um erro grosseiro). Ponto positivo desta primeira edição é a excelente reportagem de André Vieira, Projacre. Pesando na balança, a qualidade editorial da Bizz é bem maior.

05) Rolling Stone x Bizz
Elas são concorrentes? Sim. Esse papo de que a RS pode ocupar o lugar da Vip ou da Trip é balela. A Vip é totalmente particular, desde o tom textual ao foco (não imagino a RS colocando gostosas na capa – sem que elas sejam cantoras). Já a Trip tem quase nada de música, um dos pilares da RS. Desta forma, a Rolling Stone brasileira pode colocar na capa algum artista que a Bizz planejasse colocar. E essa briga pela melhor pauta deve dar um nó na cabeça das duas redações, e maior qualidade jornalística para os leitores. Elas são concorrentes, mas podem – e devem – caminhar juntas no mercado. A Bizz precisará de um melhor direcionamento editorial, mas é – de longe – uma revista muito melhor acabada do que a RS. A RS, por sua vez, precisará encontrar a melhor forma de edição – e isso irá acontecer com o tempo. No momento, as duas publicações têm muito a melhorar, e seria de bom grado que o público acompanhasse essa evolução. Antes de qualquer coisa, ambas merecem votos de confiança. E críticas, claro.

Ps1: A comunidade da Bizz no Orkut é uma das comunidades mais agitadas (e legais) do mundo azul. Muitas dessas idéias acima foram discutidas lá. Confira aqui.

Ps2: O site da Bizz é outro ponto a favor da revista sobre a da RS. Enquanto o da segunda ainda nem estreou (e em tempos de Internet, deveria ter entrado no ar – no mínimo – junto com a revista), o da Bizz sempre traz podcasts gravados pela turma da redação, como também novidades da revista. Olha lá.

Ps3: As edições argentinas da Los Inrockuptibles e da Rolling Stone são beeem mais baratas que as duas revistas brasileiras…

Ps4: Uma capa interessante de música do mês é a da Bravo, que colocou Paulinho da Viola cabeça a cabeça com Arnaldo Antunes. Na verdade, a pauta que fala que agora é “A Hora do Samba” pode ser bem interessante se o autor lembrar de nomes como Curumin, Wado e Rômulo Froes.

Ps5: A Bizz nova que está chegando ás bancas preparou um dossiê sobre música digital. Mesmo atrasada, é uma pauta bem legal, que deve render nas mãos de Alexandre Matias e Marcelo Ferla. A capa já é a melhor da revista nos últimos meses.

Ps6: Fiquei aqui matutando uma coisa: em que lugar você se informa sobre música, leitor? Você compra revistas? Quais? Ainda ouve rádios? E sites? Diz ai, que vou tentar arrumar algum brinde bem bacana pra semana que vem.

Ps7: zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

41 thoughts on “Bizz x Rolling Stone

  1. Penso q não há como comparar uma revista estreiante como uma q já está há um bom tempo no mercado, mas acho q uma nova (?) revista sobre música e cultura pop aqui no brasil vem bem a calhar…

  2. E ai cara, comprei as duas revistas e notei de cara a qualidade inferior das resenhas da RS, muito fraquinhas mesmo, mas no geral gostei bastante da revista.
    Vc falou “não imagino a RS colocando gostosas na capa, sem que elas sejam cantoras”
    Uéeee ja começou colocando!
    A não ser que a magrela-gostosa da Gisele cante e eu não saiba, ou talvez vc não a ache gostosa.
    Ai já é questão de gosto.
    Quanto as suas perguntas, lá vai.
    me informo sobre musica em sites/blogs/colunas tipo:
    The freakium, scream y yell, radiola urbana, pilula pop, blog do jamari(o globo), blog do mauro ferreira, trabalho sujo, urbe etc
    Compro sempre a Bizz e agora vou passar a comprar tb a RS.
    Radios??? Tô fora!

  3. Eu não sei se vou ter grana para comprar as duas revistas. Este mês eu preferi comprar a RS para conhecer. Achei boas as suas observações. Me diz, qual o erro grotesco na entrevista com o Dylan?

    Me informo sobre música na internet mesmo, ando frequentando uma caralhada de blogs, mais do que sites.

    Não ouço rádio.

    Abraços!

  4. dei meu voto de confiança à RS, e acho que valeu a pena; porém, no geral… vi mais graça nas matérias que não eram relacionadas à música.
    não ouço rádio – pelo menos não com freqüência e nenhuma em especial que mereça ser citada.
    quanto aos sites… me informo através de sites como o S&Y (sem puxar sardinha) e de alguns blogs (como Una Piel, etc), sempre buscando mais detalhes no oráculo do AMG e em comunidades do orkut (que, salvo as de bandas mais populares – normalmente infestada de adolescentes e “fãs cegos” que jamais admitem que seus ídolos são capazes de errar – são ótimos lugares para se descobrir curiosidades).

    acho que é basicamente isso… rs

    abs

  5. Olá Marcelo. Li sua análise comparativa. É claro que tem vários pontos nos quais eu concordo e em outros, não (continuo achando que uma das concorrentes da RS é a Trip, até porque as duas falam muito de comportamento). Agora, o mais bacana dessa vinda da Rolling Stone é o fato dela ter inicado esse debate sobre o jornalismo impresso e o mercado de revistas. É isso. Abraços

  6. Mac querido, vou exercer o direito de comentar aqui. Como leitor assíduo da RS Latina (ainda que baseada na Argentina, ela abrange Chile, Paraguai, Uruguai, Colômbia, Peru, Venezuela e Bolívia, já que o mercado argentino abastece esses países) e posso dizer que o que me incomoda nela é o tom excessivamente reverente das reportagens. Qualquer banda com mais de três discos é “clássica” e nenhum artista ganha paredão, ou sequer uma resenha negativa lá. Não que descer a lenha seja a única função do jornalismo cultural, mas acariciar o ego dos artistas também não o é. Além disso, há uma uniformidade textual que me incomoda: você só sabe se um texto é do Oscar Jalil, do Claudio Kleiman ou do Pablo Hernandez se olhar os créditos da matéria. Ninguém tem um texto distingüível, e isso é fundamental em qualquer jornalismo opinativo, como é o caso da música. Isso facilita a identificação do ouvinte. Esse tipo de coisa pode vir a se anunciar na RS Brasil. Veremos…

  7. Quando se fala em revistas que trabalham com bandas “da moda” e se sustentam em Cobains e Russos deve-se discutir se as mesmas terao futuro. Para se ter uma ideia , fiz questao de abrir meu armario de coisas velhas e pegar uma bizz de maio de 91 que tinha na capa , os seguintes dizeres “Soup Dragons, a bandinha independente que conquistou o planeta” e ainda tinha como destaque uma disputa para ver quem era o melhhor rapper entre MC Hammer e Vanilla Ice….Bom, nao acompanho o mercado pop mas acredito que nenhum destes citados acima ainda existe mais, apesar de terem “conquistado o mundo”. Informaçao sobre bandas descartaveis torna-se descartavel tambem, se a onda virar denovo terá de mudar de nome, acabar , nascer denovo. Prefiro ficar com minha Rock Brigade que existe ha mais de 25 anos e ja publica versao em espanhol para America Latina e tambem é distribuida em Portugal. Sem falar na Roadie Crew e Valhalla (que se juntou a gigante alemã Rock Hard). Para finalizar, quando se fala em publicaçao musical acho que nao deveria se esquecer do mercado Heavy Metal, que mantem-se com solidez e saude financeira.

  8. Na verdade, gosto muito mais de ler matérial impresso do que ler direto da tela do pc. Quando não imprimo matérias de e-zines pra ler na cama, no ônibus, no trabalho, tenho que desembolsar os quase dez reais pra ler revistas como Bizz, Bravo e SET (com sua seção intitulada FILTRO). Claro que não deixo de ler boas matérias que encontro on line mesmo, mas leio impresso bem mais do que leio na tela (isso quando cartucho de impressora tá disponível, claro : ) No mais, por aqui (Salvador BA) existem ótimos canais pra se conseguir revistas com apenas um mês de atraso em relação ao lançamento e com metade do preço de capa. Hoje em dia, isso é muito vantajoso e rentável…

  9. Acho o jornalismo musical um tanto quanto sucateado, mas não por opção própria.

    Como você frisa, não há oportunidade de realizar grandes materias com grandes nomes (caso do Killers). Além do mais, o cenário musical nacional mainstream não colabora nem um pouco para aumentar a qualidade das publicações.

    Agora, quanto as comparações de uma revista a outra, não suporto o formato da RS. Não me refiro ao editorial, mas sim ao tamanho mesmo.

    É muito inconveniente aquele quase jornal. Blah… hehe

  10. Respondendo à sua pergunta:
    Me informo basicamente por dois meios: internet e revistas especializadas. Compro a Roadie Crew e a Valhalla. Cheguei a comprar algumas edições da Bizz, mas não gostei muito. Muito bobinha, com matérias pequenas e sem algo que interesse a leitura de “cabo a rabo”.

  11. RPZ, SÓ COMPRO A ROADIE CREW…

    TU SABE QUANTAS TIRAGEMS TEM DELA E DA ROCK BRIGADE?

    PQ TU NÃO CITOU elas?

    ótima matéria, abraço!

  12. Comprei as duas revistas, a RS ainda não li inteira, mas quanto as resenhas e até algumas notas, o pouco que li achei um tanto quanto superficial, tudo bem, são notas…. mas dá impressão de uma certa falta de conhecimento das bandas de que se escreve.

    Me informo, além das revistas, por vários blogs, Scream Yell, Dynamite e vários outros sites. Rádio convencional dificilmente ouço, mas tenho programas em uma webrádio.
    Um se chama Programa de Indie( Segunda e quarta das 17h as 18h), e o outro é o Portal Iradio (Sábado das 19h as 21h, discute bandas novas) o site é http://www.iradio.com.br Desculpa a propaganda, mas acho que tem a ver com o assunto.
    Falow abraços

  13. Olá, Marcelo!
    Gostaria de te enviar um convite para o lançamento do vídeo-clipe de uma banda bem interessante, no cinema HSBC, aqui em SP.
    Se possível, gostaria que divulgasse aqui no IG tb (ou me passar o contato do responsável para tal)>
    Agradeço a atenção e ajuda desde já!
    Meu email: robertasiviero@gmail.com.
    Abraços,
    Roberta Siviero.

  14. Já foi tempo em que a Bizz rendia alguma coisa. E visto que ninguém nesse país lê uma revista se quer, não faz tanta diferença ter Rolling Stone. Nem a Bizz, nem a Rolling Stone tem um público alvo certo.

    Ninguém que ouve The Killers compra alguma das duas revistas, preferem ler no Orkut ou em outros sites.

    Sou leitor assiduo da Roadie Crew e Valhalla. Por preferência de estilo atual.

    E hoje em dia nenhuma revista aborda outras vertentes do Rock nacional. Apenas as que estão em evidência e que com certeza vão sumir em alguns anos.

    Brasil vive num loop musical infinito, não se define e nem se deixa definir.

  15. Comprei as duas . A Bizz , musicalmente falando é bem superior > A RS apresenta algumas reportagens fora interessantes , mas tem muita baboseira , como aquela dos casais motoqueiros ou aquela outra com “roupinhas descoladas pra mauricinhos e patricinhas ” , uma porcaria

  16. pra mim falta justamente aquilo que o cara fala no editorial da primeira RS: “o que importa é opinião”. seja contra ou a favor, mas opinião, e de preferência, embasada, não achismo (o que é muito comum por aí). só que pra variar, o editorial promete aquilo que a revista não cumpre, vide as resenhas burocráticas/chapa branca. e isso vale tanto pra RS quanto pra Bizz. Que infelizmente também não tá entregando o que vende (tanto em reportagem quanto em opinião). os editoriais da Bizz também tem colocado coisas que eu acho muito acertadas. o problema é que quando você lê a revista, não condiz com o que se promete lá.

  17. Bacana a análise. Estava precisando mesmo alguém para fazê-la. Sobre a RS, reproduzo parte do email que mandei:

    “A revista está muito boa para a primeira edição, fora os apelos mercadológicos ridículos e sem propósito, óbvio (colocar Gisele na capa sem nenhum motivo que justifique, algo completamente fora de “timming” e numa matéria chinfrin é totalmente triste). A parte estes deslizes, o tamanho especial, o bom número de páginas, e o preço razoável (tenham em mente JAMAIS reduzir o número de páginas e aumentar o preço….salvo daqui há muito tempo e com absoluta parcimônia e coerência de modo a não prejudicar o produto final). Melhorem as resenhas. Peguem o que de melhor a matriz pode oferecer. Esqueçam o que o público estadunidense adora. Transponham para o Brasil. Trafeguem entre o hype, o indie, o underground, o mainstream. Antecipem, não corram atrás. Se esforcem ao máximo pra não colocar coisas despropositadas (como a notícia do “interesse” do google pelo youtube, quando a revista saiu a compra já estava fechada). Este não é o papel de vcs. Revistas não dão noticias. A interpretam. Aprofundam. Comentam, criticam. ”

    Respondendo ao sujeito ali embaixo, se não me engano a tiragem da Roadie Crew (a qual já colaborei) é de 50 mil exemplares e a da Rock Brigade de 70/80 mil. Elas nao valem pq são especializadas em heavy metal. E tem mta bobagem nelas tmb.
    Vamos ver se a RS aprende e evolui com o tempo e se consegue sobreviver.

  18. Marcelo… Vejo uma diferença gritante entre uma e outra… A RS (pelo menos a nacional) me pareceu bem mais comprometida com o conteúdo pop, ou variado (ai poder dizer que ela faria frente com a TRIP ou VIP), com uma grande sustentação na música. A BIZZ me parece uma revista quase 100% música. Gostei da comparação de preços e mesmo a RS sendo R$ 1,05 mais barata, ainda é cara, levando -se em consideração o poder de compra, de quem realmente sustenta esse tipo de publicação!
    Gostei da tua colocação ao falar da capa da Bravo com P. Viola e A. Antunes e “a hora do samba” citando Wado, Curumim… Minha pergunta é: O mercado “independente” sustenta o rascunho de mercado fonográfico brasileiro? Por exemplo, o Wado ta no 3° disco, e pouco se fala nele…
    Abs… e muito boa a matéria!!!

  19. é notório que a RS chegou para balançar o mercado de revistas como a TRIP e a Bizz, a atual brasileira está seguindo os padrões da americana, mas ela terá que se adequar ao interesse do brasileiro-leitor que se diferencia do brasileiro que não gosta de ler. Isso não é falar de elite vs. proletário. O problema de qualidade está nas duas revistas, mas já que a Bizz se propõe a especialização do jornalismo musical, tem que arcar com isso, porque ela não está representando bem. A RS está com problemas no seu conteúdo do conteúdo. A concorrência pode ser benéfica para o leitor. Se a Bizz resolver baixar o preço – acho difícil – e aumentar sua qualidade e quantidade nas/das páginas. Se a RS não aumentar o preço, ou continuar assim, mas diminuir as páginas o que daria num aumento indireto. Mas tudo aí tem um ponto positivo: o brasileiro ganhou com o reaparecimento da RSBrasil (que já fora editada anteriormente aqui) e com a Bizz. Agora só falta começar a ganhar nos conteúdos.

  20. Não seria também um pouco de comodismo dos jornalistas brasileiros não fazer esse tipo de matéria que fizeram com o killers? Entendo o teu ponto de vista, concordo parcialmente com ele, mas acho que também tem um pouco de preguiça jornalística aí.

    PS: Essa comparação com os preços na Argentina é complicada. Tudo lá é mais barato, por uma série de razões. Por outro lado, as pessoas ganham menos (sim, menos, por incrível que pareça). Teria que fazer uma comparação do preço vs poder de compra e, ainda assim, não seria exatamente culpa das respectivas editoras.

  21. Adoro a Rolling Stone, tão que tenho várias internacionais… Quando descobri que seria publicada novamente ao Brasil, fiquei muito feliz. Adoro a linguagem da RS, mistura musica, politica, e entreterimento um máximo!! Não gosto da Bizz, acho uma linguagem meio “loca”, Parabéns a RS, e q a próxima capa seja ótima.!!!

  22. Resposta a Ps6: sou “pesquisador”, procuro música em tudo: outdoor, cartazes, tv, jornais, internet, jornais, revistas, zines e rádios. Acho que quanto mais publicações, melhor. O mercado consumidor vai com tempo ‘moldando’ os conteúdos e interesses. Acho que a Rolling Stones bem bacana, mas vai ter que se adaptar ao jeito do brasileiro ler e receber notícias do mundo pop. Coisa que a Bizz sai na frente – sou seu leitor desda edi~ção No.1.
    Abraço a todos. Música ao mundo!!!
    Murilo.

  23. Lamentável. Espero que as duas revistas vão a falência. Pelo seguinte motivo: gosto de rock, mas não posso esquecer que sou brasileiro e latino. Falo e leio inglês, mas 99% da população brasileira não entende o que canta, o que ouve em inglês em nossas rádios idiotizadas e americanizadas. A música popular no Brasil é o pagode, o funk, o forró, o axé, o brega, o sertanejo. Existem bons e péssimos artistas nestes gêneros, como existem bons e milhares de péssimos roqueiros nos EUA e no Brasil! Continuem ignorando a língua, a música, o povo do Brasil e da América Latina, e assim continuem vendendo poucas revistas e vivendo de lucros apertados, senhores executivos das revistas Bizz e Rolling Stones.
    Eu nunca irei trocar um forrozeiro autêntico por um Oasis qualquer da vida (Oasis?! alguém ainda lembra dessa bandinha?!). Enquanto isso os norte-americanos continuam tirando sarro da cara dos roqueiros brazucas (lembram do Link Park, no Fantástico, ridicularizando “aquela banda”, que não lembro o nome, numa entrevista?).
    Bizz! até o nome é uma mistura de inglês com iogurte!! patéticos macaquitos!

  24. Calma lá Luciano, sem xenofobismo cara, não é porque é daqui que presta e não é porque é de fora que é ruim.
    Música é um tipo de arte e assim sendo não tem fronteiras.
    Sem esses papos de Ariano Suassuna e Tinhorão bicho, vamos abrir a cabeça nem que seja com um machado.

  25. Marcelo, me parece, acima de tudo, q ambas podem se completar nas suas qualidades e deficiências. Em bora eu ache, ao contrário de vc, q jornalismo musical neste país é muito chapa branca, não vejo porque dar um tratamento mais “aproximado” na feitura das matérias (pelo menos em relação à entrevistas e reportagens), sem necessariamente se distanciar de um senso crítico. Afinal, tb ao contrário do q dizem certos “professores” da matéria, jornalismo é opinião sim, e não paneas informação. Senão vira um grande release. E pago com o meu suado dinheirinho.
    É bom ressaltar, ainda, q nestes tempos de informação na velocidade da luz pela rede, não vão ser a RS e a Bizz os únicos veículos. Não para o público alvo destas revistas: aquele q consome cultura pop. Para se interar em tempo real sobre este mundo pop, temos o rraul, o urbe, o trabalho sujo, na cova do leão, omelete, rio fanzine, revista cinética, contracampo e inúmeros blogs.
    Um abraço, bro.

  26. Muito legal você ter feito esse texto comparativo. Não tenho a menor paciência para a comunidade da Bizz no orkut, aquele egocentrismo me enjoa. Mas em relação às revistas: 1Quem compra revista “de música” hoje em dia? A mesma pessoa que acessa consome música pela internet: lê o S&Y, escuta rádio gringa e baixa música em seu PC. Sou eu e (quase) todos que comentaram aqui, todos que estão nas comunidades das revistas no orkut e não podem perder a oportunidade de estar bem informado…somo um público de massa? Não, mas também não estamos isolados em guetos. Neste cenário (não apostaria isso nos anos 1980) acredito, felizmente, na sobrevivência das duas, porém…2 Sim, o preço pode ser determinante na escolha. Hoje compro as duas, mas é possível que em algum momento tenha que optar pelos seguintes motivos: grana e falta de tempo. Explico: não tenho condições de ler mais que duas revistas por mês, a não ser que para de ler livros e isso não está nos meus planos – pelo andar da carruagem vou ficar com a RS e a piauí. 3 Concordo com você, espera-se o mínimo, de ambas boas reportagens. Neste quesito ponto para a RS, os textos são mais completos e melhor escritos – na número um os gringos mataram a pau, os “perfis” de Dylan e Jack Nicholson são muito bons. A Bizz me mantém informada, mas não sinto prazer na leitura, o que considero fundamental no jornalismo, não basta informação. Profundidade e beleza são fundamentais. Tem uma coisa na Bizz também que incomoda profundamente, uma delas você comentou, talvez não com o mesmo enfoque, mas acho oportunismo barato um Renato Russo na capa com uma matéria tão fraca, e o que foi aquilo na chamada da matéria do New Order “nunca cheiramos tanto”, ridículo aquilo, basta ler o texto para saber. 4 Ambas poderiam sim, investir em matérias “de rua”. Ir até as bandas, conviver, fazer tudo aquilo que o Lester Bangs te diria para não fazer, ver o cotidianos desses caras, quem são eles “de verdade”, algo reflexivo que nos faça entender porque cargas dágua gostamos tanto de suas músicas. Concordo que “nossos artistas” não são lá tão fáceis, mas convenhamos que no Brasil não temos essa tradição (tipicamente americana) no jornalismo, principalmente o musical. Não sei se fui clara, mas falta um pouco do ser humano, tanto quanto do músico. Não me entendam mal, não quero fofocas, quero textos mais completos e menos resenhol. Sem dúvidas, as resenhas da Bizz são melhores.
    5 Não acredito que a Bizz vá diminuir o preço, talvez aumentar o número de páginas. Tudo está muito recente para apostas, prefiro ver a RS número 2, 3, 4…aí sim ver no que vai dar. Sorte para as duas.
    Concordo plenamente com o ps4, mas ainda não li a Bravo (êh grana).
    P.s.6: Compro revistas, leio sites/blogs, baixo músicas na internet – se for uma banda/cd que eu goste muito (não dá pra comprar tudo), compro um original.
    Abraços.

  27. O Marcelo está corretíssimo quando questiona se temos um público consumidor de revistas de música no Brasil. Mas uma coisa temos que levar em conta: Como pagar R$10,00 por uma revista ou R$40,00 por um CD que vc acha legal? Isto afasta o público consumidor e o leva a procurar outras fontes, muitas vezes melhores e o melhor de graça!!! Êta invenção massa essa tal de internet…

  28. Marcelo, faz um século que não compro revista de música. Já folheei ambas na banca, mas não me animei. De qualquer forma, me considero bem informado apenas com a internet.

  29. Com tanto material interessante na internet, eu realmente não gasto dinheiro em revistas sobre música. Até porque tenho coisas bem mais importantes na frente e é raro sobrar alguma coisa. E eu acho o preço de ambas bem salgadinho. É, a Internet se torna a minha melhor amiga nessa questão.

  30. Eu não compro revistas há séculos. Os preços são muito caros para um material que tu já viu na internet milhares de vezes. Somente comprei a RS por curiosidade mesmo. Já a última Bizz foi devido a matéria sobre Daft Punk, que aliá, estava bem fraquinha… Eu acho que se fossem mais baratas, teriam mais público.

  31. a Bizz precisa parar de falar de Legião Urbana e Renato Russo.. precisam se atualizar, ou se é pra ficar relembrando bandas que já eram, que escrevam sobre outras

  32. nego, desde os tempos da antiga bizz, a parte que mais me interessava era o começo e o fim, pois tinha as novidades e as resenhas, o miolo era a encheção de linguiça. e confesso que ainda compro nesse sentido. nao me importo com a vida pessoal do artista, gosto do que tem a dizer sobre musica. nesse sentido a RS, mandou muito bem no seu primeiro numero, vamos ver como rola.

  33. O que mais falta no jornalismo de cultura deste país é factual e suor. Ele não é chapa branca; nem negra; nem chapa nenhuma. Ninguém procura de verdade saber qual é a chapa, mas todo mundo “acha” alguma coisa assim mesmo, e enfia montes de opiniões, sutis ou não, em textos que deveriam ser interpretativos e buscar validar argumentos. É principalmente daí que vem a pobreza dos textos dessas revistas, sempre cheios de erros grosseiros vindos das pré-concepções do autor (ele “acha”, logo, não pesquisa) e de pitacos blogueiros demais pra serem chamados de “jornalismo profissional”. Num mercado sem consciência como o nosso, talvez as revistas reflitam exatamente essa falta de conteúdo: se não se pensa música, não se faz música, e mais longe ainda se está de poder avaliar música.

  34. Meu Deuas…como puderam deixar de falar da Rockpress, que inclusive esta na lista de sites aí do lado??? a Rockpress mantém um padrão de fazer inveja, sem se influenciar por jabá, e por modismos. Um abusrdo achar isso. E por mais que sejam bem específicas, ainda tem a rockbrigade, e outras voltas pro público do metal. O fato é que tanto a RS quanto a BIZZ (e a da MTV, “agora só para assinantes”) vão ser voltadas pro público preguiçoso de música…aqueles que não vão atrás de informação.

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