Entrevista: Ludov estreia com o EP “Dois a Rodar”

por Marcelo Costa

Maio de 2002, Sesc Pompéia, São Paulo. Na Choperia do lugar, três bandas se apresentam sob a bandeira de uma nova revista de música que apostava no novo som independente brasileiro. Das três, uma chamava mais a atenção do público. Após dois álbuns e dezenas de resenhas elogiosas pelo Brasil afora, os integrantes do Maybees decidiram acabar com a banda. E começar de novo. A principal mudança: as composições, antes em inglês, agora seriam em português. E para se desligar totalmente do passado, um novo nome foi proposto. E foi como Supertrunfo que o quinteto fez sua primeira apresentação, naquele maio de 2002.

No palco, o grupo fez um excelente show, com canções em português, bons arranjos e a bela voz de Vanessa à frente. Por parte do público, quase todos aprovaram a nova vocação da banda, mas, mesmo assim, o quinteto hibernou, preferindo o despojamento de shows intimistas e acústicos com repertório amparado em covers, enquanto preparavam a nova vinda. Neste meio tempo, descobriram que o nome Supertrunfo já estava registrado por outra banda. A troca foi necessária mais uma vez. O S&Y conversou com o guitarrista Habacuque Lima para entender esse cenário de mudanças. No papo, o recém-lançado EP “Dois a Rodar“, Maybees e Ludov, a nova banda.

Três perguntas em uma: por que a mudança de língua, de nome e por que Ludov?
As composições já estavam sendo em português desde o finalzinho do Maybees. A mudança na língua é simples: a gente passou a procurar algo que expressasse ainda melhor o que estávamos sentindo. Nada muito planejado, foi apenas expressão mesmo. O novo nome já é outra história. A realidade é que o Maybees acabou e a gente passou uns 2 ou 3 meses meio sem saber direito o que faríamos do conjunto de músicas. Foi um período de fim de ano, festas, férias e etc. Foi só por volta de fevereiro que resolvemos iniciar uma banda, com as composições novas. Por isso não havia sentido em tentar manter o nome Maybees. Era tudo novo, e Maybees já tinha feito sua parte na nossa história, a gente quis deixar aquela parte bem definida nos 2 discos lançados, e dar um sentido diferente pro que viria adiante. Mudamos o nome pra Supertrunfo, mas pra nossa infelicidade já havia um bom número de bandas que usava esse nome e que vieram reclamar conosco. Então passamos para Ludov, que não é nada além de um ‘apelido’ para Ludovico.

O que o Ludov herdou do Maybees?
Olha, os nossos instrumentos ainda são os mesmos hahaha. Na verdade ainda somos os compositores de nossas músicas, ainda somos os arranjadores delas, então a herança está nas pessoas. Só que as pessoas mudam com o tempo, mesmo que passem a vida toda tocando em uma única banda de baile, o modo de entender e devolver o entendimento ao mundo muda.

Vocês já têm um público fiel aqui em SP, pelo trabalho do Maybees. Como você acha que esse público vai receber o Ludov?
O pessoal que gostava do Maybees já tem recebido muito bem o Ludov. Somos uma banda nova, mas o timbre da Vanessa e o estilo das composições devem permitir ainda a identificação do nosso antigo público. E grande parte daquele público do Maybees se tornou amigo da banda, então todos acompanharam o processo de mudança e devem sentir-se como nós nessa nova fase.

Por que o formato EP? É totalmente independente, feito pela banda?
Esse EP é uma apresentação da banda para o nosso público, para um possível novo público e para gravadoras. A gente não quis entrar de sopetão na casa das pessoas com 14 músicas e dizer: ‘ouça tudo’. Então a escolha do formato foi pensando nisso. Foi pensando em demonstrar nossas composições, sem que se tornasse demasiado chato pra uma primeira audição. É difícil pegar um disco de uma banda de que você nunca ouviu falar e sentar ali pra escutar 50 minutos de música dos caras. Com meia hora de música já dá pra dar uma idéia do que somos. O resto virá em outros EPs ou em um disco completo. O disco é independente sim. Como disse, é pra ser uma demonstração que almeja conseguir algo maior com o investimento necessário para uma produção do disco completo. Mas por enquanto fomos nós que gravamos, mixamos, prensamos e distribuímos.

E quanto tempo vocês trabalharam essas músicas? São todas canções novas?
Algumas delas vêm sendo trabalhadas desde o final dos Maybees. Até chegamos a tocar nos últimos shows. Outras são bastante novas, e entraram no EP na última hora mesmo. É claro que, durante um longo processo de gravação, mixagem e masterização do EP, outras músicas foram sendo compostas e são agora as ‘novas canções’. Mas não tem nenhuma música ali que seja do século passado.

O que você achou do resultado? Ficou como a banda esperava?
Ficou muito bom. Acredito que ficou além do que esperávamos. Era um projeto pequeno no começo e no final, além das músicas gravadas com ótima qualidade, conseguimos fazer a parte de CDROM, com video, cifras, música extra, etc. A parte gráfica também ficou muito bonita. Estamos muito satisfeitos.

Eu achei o som mais pesado do que no Maybees…
Achou mesmo? Talvez tenha sido a qualidade da produção do disco, que melhorou muito dessa vez. As guitarras soam bem melhores que nos discos do Maybees. Mas eu não acho mais pesado não. Acho que esteja mais definido, com estruturas melhor pensadas. Mas isso é natural pra um grupo de músicos que já toca junto há alguns anos.

Das seis canções do Ep, qual a sua preferida?
Não dá pra escolher muito uma preferida não é? A gente passa muito tempo gravando as músicas, trabalhando com elas no estúdio, e acaba entrando em fases de gostar mais de uma ou outra. Desde o começo das gravações já gostei muito de cada uma das canções. Hoje eu estou na fase de gostar da faixa ‘Melancolia’ por ser bem diferente, com o arranjo baseado no teclado, baixo e bateria. Mas também gosto muito de ‘2 a rodar’, que á o título do EP e que tem um bocado de elementos interessantes.

O site está bem bacana, com jogos, wallpapers, blog. Como funciona a atualização?
Nós mesmos atualizamos tudo o que há por lá. Sempre que sobra um tempinho a gente tenta pensar em algo que possa ser interessante pra quem visita. Além disso recebemos vez ou outra alguns jogos criados por amigos e fãs, e, quando são legais, colocamos no site também. Durante alguns meses convidamos um grande amigo para escrever no nosso blog (Renato Thibes). Foi o tempo em que ficávamos muito voltados pra gravação do EP, então o Renato passava as novidades pra quem visitava o site.

E este projeto Mondo 77, trata-se do que?
Esse é um projeto que começou quase de brincadeira, pra funcionar mais como um ensaio extra na semana. Dali ele foi crescendo e recebendo um bom público, então resolvemos levar adiante. Tocamos todas as quintas-feiras num bar aqui em São Paulo. A gente toca um bocado de músicas covers, coisas que a gente acha divertido, e de vez em quando uma ou outra música nossa. Tem sido muito bom porque acaba possibilitando uma proximidade enorme com quem gosta da banda. O pessoal vai lá pra ficar batendo papo com a gente, pedindo músicas pra outra semana, essas coisas.

O que rola de covers no Mondo 77? Alguma chance dessas covers aparecerem nos shows da banda?
A gente toca muita coisa por lá. São cerca de 50 músicas que a gente vai variando, e algumas extras que entram a cada semana. Tem U2, Cure, Cranberries, Los Fabulosos Cadillacs, Pato Fu, Cardigans, Blondie, Pulp… Existe chance sim de alguma delas aparecer no show. Estamos pensando isso, apesar de, no Mondo’77, todas as versões serem semi-acústicas. Precisaríamos apenas fazer um arranjo diferente para um show ao vivo e elétrico.

Qual as influências da banda hoje em dia, o que vocês estão ouvindo?
Eu diria que estamos bastante distantes um do outro no que diz respeito a ‘músicas pra se ouvir em casa’. Na verdade eu nem sei o que o resto da banda ouve. Eu tenho ouvido muito pouca música, e quase tudo instrumental/eletrônico light. Vez ou outra procuro saber das novas bandas (nacionais e internacionais). Ouço um pouco, mas tenho confundido tudo, os nomes, os sons, os países. Aí acabado desistindo. E vou jogar GTA Vice City no computador hahaha.

Como que pessoas de outros Estados podem contatar vocês e comprar o EP?
Estamos preparando uma maneira que seja a melhor possível para enviar os discos a um custo legal e facilitar o pagamento. Por enquanto o disco pode ser omprado através de lojas em SP que fazem esse serviço do envio. Com certeza tem na Velvet (www.velvetcds.com.br), na Sensorial (www.sensorialdiscos.com.br) e na Bizarre (www.bizarremusic.com.br). Se alguém precisar de mais informações ou quiser simplesmente falar com a gente, pode mandar um email pro ludov@ludov.com.br . Ou então entrar no nosso site www.ludov.com.br onde tem uma área pra cadastrar emails na nossa mailing list, e também um cadastro pra Lista de Discussão do Ludov.

Qual os planos da banda, agora, com o álbum pronto, nas mãos?
Nós vamos partir pra divulgação e venda de parte desses discos pra tentar pagar o que gastamos até a agora. Além disso temos que fazer muitos shows pra reconquistar o público do maybees e mostrar a música pra mais pessoas. Uma outra boa parte dos EPs está separada para divulgação e distrubuição em selos e gravadoras, com o objetivo de conseguirmos gravar um disco inteiro para o próximo ano.

– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina o blog Calmantes com Champagne

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