Dois discos do Coldplay e um do Starsailor

por Marcelo Costa

“Parachutes”, Coldplay (EMI BRASIL)
14/01/2001
Parece que todo mundo só sabe falar de amor no rock atual. Não que seja ruim, pelo contrário. É só uma constatação de que o mundo todo anda carente. O Coldplay é a nova sensação britânica e faz rock como se estivesse declarando seu amor a alguém. Depois de um EP comentado no ano passado, a banda lançou esse ano “Parachutes”, que se não acrescenta nada de novo a equação “rock songs + letra confessional + isqueiros acesos em estádio”, também não fica devendo a expoentes do gênero como o Verve e Travis. É só mais um punhado de belíssimas canções para se ouvir ao lado de seu par. Ou ao lado de uma garrafa de bebida. Tudo depende de como você vê o amor. Ouça “Yellow”, faixa 5, e decida.

Nota: 7

“Love is Here”, Starsailor (EMI)
22/04/2002
Ok, ok. Usando a velha frase de Raul Seixas, “Pare o mundo que eu quero descer”. Algo precisa ser feito. No tempo em que comecei a ouvir música (putz, isso denota velhice, né, e só tenho 31), banda independente era aquela inacessível ao grande público porque as gravadoras recusavam-se a lançar tamanha barulheira. Hoje em dia, baladinhas folk adocicadas como as contidas em “Love is Here”, álbum de estreia do Starsailor, são elevadas a sensação independente do momento (mesmo sendo lançado por uma major). A pouca vantagem é que eles conseguem ser bem melhorzinhos que seus irmãos diretos (Travis e Coldplay), o que deixa a duvida: conta pontos? As canções não são tão soníferas e o instrumental econômico é ok. Textualmente é o mesmo lenga lenga da juventude atual: muita choradeira sem razão (rebeldes sem causa? quem?). E quando o nome de uma música parece que vai salvar as coisas (“Alcoholic”, será que eles bebem?), na letra a gente descobre que quem bebe é o pai da garota para quem o cara fez a música. Puro desperdício. Tudo culpa do bacana Jeff Buckley, como diria um amigo. Quem mandou ele fazer um belo disco chorão no inicio dos 90. A peste se espalha.

Nota: 5

“A Rush of Blood To The Head”, Coldplay (EMI BRASIL)
31/08/2002
“E me dê amor”, canta Chris Martin na faixa que abre “A Rush of Blood To The Head”, segundo álbum do Coldplay. O estranho é que a faixa se chama “Politik”… mas, ok, eles são os mesmos e na prova do segundo disco “A Rush” passa raspando. Tudo bem que os encontros de Chris Martin com Ian McCulloch ampliaram a influência dos Bunnymen no som do grupo. Mas os vocais… Chris chega a quase plagiar o vocal de Ian em “God Put A Smile Upon Your Face” (uma das melhores faixas), “The Scientist” e, principalmente, “Clocks”. O som é um “Parachutes” melhor produzido, mas não tão inspirado. Se a grandiloquência marca presença com piano e sintetizador nas citadas “Clocks”/”The Scientist” – e ainda em “Amsterdam”, destacam-se a nudez da faixa título (outra boa canção), o arranjo voz/violão de “Green Eyes” (de letra piegas) e as guitarras psicodélicas da introdução de “Daylight” (de vocal em falsete chatinho). O primeiro single, “In My Place”, porém, nos faz perguntar quem veio primeiro: Coldplay ou Travis? Ou Starsailor? A canção parece um hibrido de “Sing” e “Side” do álbum “The Invisible Band” e vai confundir ouvintes desavisados. As coisas ameaçam melhorar no desarranjo de “A Whisper”, mas para o final sobra a citada “Amsterdam”, uma baladinha insossa ao piano para celebrar isqueiros em estádios. “O tempo está do seu lado”, canta Chris. Sei não, só se o tempo parou logo depois do “The Bends” e algumas pessoas ficaram para trás…

Nota: 5.5

– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne

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