CDs: Blur, Gomez e Oasis

por Marcelo Costa

“The Best Of”, Blur (EMI)
Eis uma coletânea joinha que reúne 18 faixas do que de melhor esse grande grupo de universitários ingleses fez em 10 anos. Das 18 faixas, 17 foram single (só “This Is a Low”, do álbum “Parklife”, de 1994, não foi lançada no formato). Do primeiro single, “She’s So High” (1990), ao último, “No Distance Left to Run” (1999), a banda mostra as várias caras que o próprio rock britânico teve nos últimos anos. Dois brindes fazem parte da coletânea e pelo primeiro você não paga nada: é a inédita “Music Is My Radar”, faixa esquisita, porém bacana. A tal, inclusive, foi licenciada para um portal inglês de telefonia celular, e, quando o telefone de um fã que tenha o sistema tocar, não será trimmm, mas sim a referida. O segundo bônus é mais caro: na versão importada surge um CD bônus trazendo 10 canções (entre elas “Girls & Boys”, “To The End”, “End of a Century” e “Tender”) retiradas de um show em Wembley, 11/12/1999, em sequência cronológica de single. Imperdível para fãs.

“Abandoned Shopping Trolley Hotline”, Gomez (Virgin – Imp.)
Banda inglesa (de Southport, Merseyside) que mais soa norte-americana na atualidade, o Gomez chamou a atenção do público com um belo álbum de estreia, “Bring It On”, de 1998, seguindo por um segundo álbum mais psicodélico, mas não tão inferior, o ótimo “Liquid Skin” (1999), ambos inéditos no Brasil, assim como “Abandoned Shopping Trolley Hotline”, recém-lançada coletânea de sobras e raridades que, descontando todo o sentimento de colcha de retalhos típico de um lançamento desses, é um grande álbum. Não chega aos pés do álbum de estreia, mas traz momentos chapantes como a coda de abertura, “Shitabag 9”, que se une a segunda e bacana “Bring Your Lovin’ Back Here”, e a magistral “Buena Vista”. As primeiras 50.000 cópias trazem de bônus o EP “Machismo”, e com ele a sensacional “The Dajon Song”, mais de treze minutos de muita, mas muita psicodelia. Ah, tem cover bacana dos Beatles também.

“Familiar To Millions”, Oasis (Sony Music)
Com toda megalomania que cerca esses ex-pobretões da classe trabalhadora, nada melhor que seu primeiro disco ao vivo oficial no estádio de Wembley (veja só) lotado, com 70 mil pessoas de backing vocal. Foram dois dias, mas só as canções do primeiro foram registradas. Quer saber o clima? No inicio da apresentação do segundo dia, flagrada em um excelente bootleg, Liam Gallagher, o único rock star vivo da atualidade (rock star é, ou deveria ser, aquele cara irresponsável, drogado, puto, que fala o que dá na telha, sempre) manda a seguinte pérola ao pequeno público de 70 mil pessoas: “Vamos agitar essa porra. Não tem nenhum Simple Minds aqui em cima não”. O repertório é aquilo. Algumas canções do fraco “Standing On The Shoulder Of Giants”, mas que soam legais ao vivo, e um punhado de canções (já) clássicas, com destaque supremo para as sensacionais “Stand By Me”, “Champagne Supernova” e “Don’t Look Back In Anger”, além de versões fieis para “Hey Hey My My”, de Neil Young, e, zuzu bem, “Helter Skelter”, dos Beatles.

Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne

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