Três perguntas: John Ulhoa

Aproveitando o gancho da canção do Pato Fu regravada por Giancarlo Rufatto no recém-lançado EP “Record Store Day 2013”, enviei três perguntinhas rápidas para John Ulhoa, que falou um pouco sobre a versão de “Quase” assinada pelo Rufatto (saiba mais sobre o EP e baixe-o aqui), sobre o Record Store Day e avisa: vem algo novo do Pato Fu pra logo. Confira.
Ps. Peço desculpas por desafinar a canção do John no vídeo abaixo…
“Isopor” é um disco forte, com um som encorpado, e termina com “Quase”, uma das duas canções que você canta no álbum, a mais suave. Por que vocês optaram por fechar o álbum com ela? E o que você achou da versão do Giancarlo Ruffato?
Acho que “Quase” se encaixa naquela categoria “chill out” de fim de disco, a música mais suave, sempre pro final. Nunca foi um hit, mas tem seus admiradores. Estou sempre recebendo pedidos pra tocá-la ao vivo. Acho que é pelo clima meio de valsa pop achada no lixo e sempre temos um coral dos losers (incluindo eu) no final. A versão do Giancarlo é bem legal, mantém o clima meio lo-fi e largado dos instrumentos… congrats!
Você ainda compra discos de vinil? E CDs? O que você acha do Record Store Day?
Vinil não… eu ganho alguns, hehe. Tenho onde escutar em casa, mas não tenho esse fetiche, não. CDs ainda compro, mas em lojas na internet, a maioria das vezes. Sinto falta das lojinhas de discos, aquela tentação… Não conheço o Record Store Day, perdoem esse fariseu aqui. É uma celebração dessa cultura musica/loja/objetos musicais físicos? Boa celebração, se for.
E o Pato Fu: já há planos para o novo disco? O que podemos esperar?
Eu terminei a pouco a trilha do “Aventuras de Alice no País das Maravilhas”, peça de teatro de bonecos do Giramundo. Trabalho gigantesco. Estreou 11/04 em BH. Agora vamos pensar um bocado em Pato Fu, e virá algo novo.
Leia também:
- Discografia Comentada do Pato Fu, por Tiago Agostini (aqui)
- Quatro vídeos: Lados b do Pato Fu, por Marcelo Costa (aqui)
- Entrevista: John Ulhoa -> “Como essa porra deu certo?”(aqui)
- Pato Fu libera vídeos em site especial, por Marcelo Costa (aqui)
Abril 19, 2013 Encha o copo
Três perguntas: DeFalla

Uma das melhores noticias do sofrido cenário musical brasileiro nesta década foi a volta do DeFalla, cultuada banda gaúcha que enlouqueceu meio mundo no final dos anos 80 com uma mistura esquizofrênica de rock, funk, hard rock, glam, rap, hardcore, Miami Bass e barulho, não necessariamente nessa ordem, e seguiu os anos seguintes aumentando o repertório de maluquices. Os dois primeiros discos –“Papaparty” de 1987 e “It’s Fuckin’ Borin’ to Death”, de 1988 – são obras-primas do rock nacional que conquistaram que arriscou ouvi-los. Também são os únicos dois discos com a formação clássica: Biba Meira, Castor Daudt, Edu K e Flu.
A baterista Biba Meira saiu logo depois destes dois primeiros álbuns e o trio restante gravou um ao vivo independente pornográfico e hard rock (“Screw You!”, 1989), um disco de trash metal (“We Give a Shit! (Kickin’ Ass for Fun)”, 1992) um sensacional álbum de crossover (“Kingzobullshitbackinfulleffect92”, 92), um disco sem o maluco de carteirinha Edu K (“D.Fhala Top Hits”, de 1995) e um flerte com o Miami Bass (nessa altura só com Edu K da formação original) que rendeu o maior hit da história da banda, a faixa “Popozuda Rock’n Roll” (e trazia versões de “Freak Le Boom Boom”, da Gretchen, “Feiticeira”, de Carlos Alexandre, e “Ilarie”, de você sabe quem).
Os primeiros shows de retorno com a formação clássica foram em 2011, e o DeFalla não decepcionou. Em Belém, no Festival Se Rasgum 2011, o quarteto tocou um repertório com boa parte das canções dos dois primeiros álbuns – “Sodomia”, “Não Me Mande Flores”, “Papaparty”, “Melô do Rust James”, “Jo Jo”, “Sobre Amanhã”, “Repelente”, “It’s Fuckin’ Borin’ to Death” – além da fodaça “Caminha (Que Aqui é de Osasco)”. Alguns meses depois, numa manhã de Virada Cultural em São Paulo, o repertório foi mais funk com versões hip hop chapadas de “(I Can’t Get No) Satisfaction”, “Help”, “Whole Lotta Love” (mixada com “Como Vovó Já Dizia”, de Raul Seixas) e “Sossego”.
A química desta volta deu tão certo que o grupo decidiu gravar um novo álbum, e após conversas com alguns selos, surgiu opção do crowdfunding. Segundo projeto postado no site Embolacha, a banda pretende arrecadar R$ 50 mil até o dia 30 de abril para cobrir custos com passagens, alimentação, aluguel de estúdio de gravação, mixagem e masterização, equipamentos, prensagem de CDs, DVDs e VINIS, entre outras coisas. Os valores começam em R$ 20 (Nome nos Agradecimentos + Download Autorizado do Disco + Bônus Tracks) e vão até R$ 1000,00 (confira aqui). Em bate papo via Facebook, Castor Daunt fala um pouco mais sobre a volta e conta o que espera desse novo projeto, afinal, o mundo precisa de um novo disco do DeFalla.
http://www.embolacha.com.br/projeto/271
Como se deu esse reencontro da formação original?
O Leandro “Lelê” Bortholacci, dono da Olelemusic, teve a ideia de convidar a formação clássica do DeFalla (Biba, Castor, Edu e Flu) para tocar o nosso primeiro LP (“Papaparty”, de 1987) no projeto “Discografia do Rock Gaúcho”, em maio de 2011. Foi no Beco, em Porto Alegre. A procura de ingressos foi tanta que tivemos de fazer duas sessões na mesma noite! Daí em diante choveram convites para shows no Brasil todo: de Brasília a Belém, passando por São Paulo e POA, claro. Essa volta nos animou bastante e começamos a cogitar fazer umas músicas novas!
Como surgiu a ideia de fazer o disco por crowdfunding?
Tivemos algumas propostas de selos e gravadoras para fazer um novo disco, mas não conseguimos acertar alguns detalhes. Como o DeFalla sempre foi uma banda de vanguarda e independente, mesmo no inicio quando contratada pela BMG-Ariola, decidimos apostar neste formato de patrocínio direto do consumidor, que tem tudo a ver com a gente!
Como estão indo os ensaios e o que você espera desse novo álbum do DeFalla?
Fizemos alguns ensaios para experimentar e nos surpreendemos com a quantidade de músicas que conseguimos criar. Foi tudo muito rápido e instantâneo, as músicas começaram a sair praticamente prontas! Eu acredito que este disco será um dos melhores do DeFalla, pois a banda está afiada e a química está melhor que antes. E temos agora uma experiência muito grande em todos os aspectos de gravação, produção e finalização de um álbum. Acho que é a hora perfeita! E o mundo precisa de um novo álbum do DeFalla, não acha??
Março 20, 2013 1 Brinde
Três perguntas: Eletrofan

Eles são de Araraquara, interior de São Paulo e já devem estar prestes a comemorar 10 anos de banda (a primeira vez que escrevi deles foi em 2004!) praticando um som de guitarras fortes que remete a coisas inglesas como Primal Scream e Joy Division, entre outras influências. Em 2010 lançaram o ótimo álbum “Day Sky / Night Sky”, dividiram uma turnê por várias cidades brasileiras com a banda alemã Tusq (incluindo uma festejada noite no Beco 203 SP sob o comando dos sites Scream & Yell e Urbanaque) e, em 2013, partiram para a Alemanha para acompanhar o Tusq numa turnê por 10 cidades em 10 dias. Para esta turnê alemã lançaram um novo EP, “Hard Way”, que pode ser baixado gratuitamente aqui. O guitarrista Itaici Brunetti fala um pouco da experiência de tocar no Velho Mundo:
Como foi a experiência de fazer 10 shows na Alemanha?
Foi muito produtiva. Aprendemos muito com essa turnê, em termos de produção, organização e como funciona a coisa lá fora. É tudo muito organizado, os shows não atrasam 1 minuto. E as pessoas também gostaram do nosso show, o que foi muito gratificante, pois existia o medo de estar apresentando um tipo de música que é comum lá fora, e ninguém dar bola pra gente. Mas depois que percebemos que o público estava realmente gostando do nosso show, nos sentimos mais à vontade e a apresentação fluía naturalmente.
O que vocês acharam de mais interessante e de mais estranho nessa viagem/tour?
O mais interessante foi ver como as pessoas lá consomem música, é um outro tipo de lidar com a cultura. As pessoas dão muito valor, vão aos shows em plena segunda, terça-feira, e pagam para ver artistas pequenos, ou que estão em ascensão como o Tusq, e também bandas desconhecidas por lá, como nós. As pessoas compravam CDs, camisetas, aplaudiam, pediam bis, e depois do show ainda vinham conversar com a gente, pediam autógrafo, uma coisa surreal para nós. Percebemos que a fama do alemão ser um povo frio é um pouco lenda, pelo menos nos shows eles foram super receptivos. O mais estranho mesmo foi beber cerveja quente. Mas como lá estava tão frio e a cerveja é tão boa, nos acostumamos no segundo dia da turnê.
Qual os próximos passos do Eletrofan? A “parceria” com o Tusq continua?
Continuaremos divulgando nosso recém-lançado EP “Hard Way”, e pretendemos lançar o próximo álbum no final do ano, no mais tardar, no início de 2014. A parceria entre Tusq e Eletrofan continua, já estamos conversando sobre uma próxima turnê deles aqui no Brasil, provavelmente para o final do ano.
Março 12, 2013 Encha o copo
Três perguntas: Leo Bigode, Goiânia Noise

No próximo fim de semana, de sexta (09), até domingo (11), Goiânia volta a se tornar a meca do barulho no Brasil. Isso é uma constante desde que o hoje mítico festival Goiânia Noise ousou enfrentar a ditadura dos sertanejos e mostrar que a cidade também tinha sede por bons shows de rock. Lá se vão 18 anos e muitas histórias, algumas delas registradas no livro “10 Anos de Goiânia Noise”, de Pablo Kossa, lançado em 2004, e que precisa ser atualizado, afinal, o festival agora é maior de idade.
“Ao longo desses anos todos, o festival teve várias caras, formatos, locais… mas sem nunca perder seus conceitos básicos e objetivos”, diz Leo Bigode, um dos fundadores do festival em 1995, ao lado de Márcio Jr. De lá pra cá, Leo e Márcio viram passar pelo palco do Goiânia Noise praticamente toda cena independente brasileira, e muito mais: de Bidê ou Balde a Ratos de Porão; de Hermeto Pascoal e Gerson King Combo até Los Hermanos, Pato Fu e Lobão; de Black Lips e Vaselines até Nebulla e The BellRays. Mais de 300 shows em 18 anos. Respeito.
Em 2012, serão 56 shows que passarão pelos três palcos do 18º Noise. Artistas de Goiás, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Distrito Federal e Pernambuco, além de 7 atrações internacionais vindas dos Estados Unidos, Suécia, Áustria, Argentina e Equador. “É uma mistura de linguagens, estilos, sotaques e loucuras numa mesma noite”, resume Léo Bigode. “Reflete um momento interessante da música brasileira”, avalia o produtor. Abaixo, três perguntas. Na sexta, volume no máximo:

18 anos de festival? Você esperava que o Goiânia Noise fosse tão longevo?
Nem nos meus delírios mais absurdos eu imaginava que o Noise fosse chegar tão longe… mas hoje já acredito que ele irá ainda mais longe. São poucos eventos de música com uma história tão longa. Mas é muito gratificante olhar pra trás e ver tudo que já fizemos. Isso dá um puta orgulho e nos motiva a seguirmos em frente, inventando coisas novas, pirando cada vez mais. Agora, por mais que se falem que hoje existe uma cultura independente em ascensão, que existe mais visibilidade com a internet, ou mesmo que existe um “circuito” de festivais, é sempre uma batalha fazer um festival como o Noise. São 18 anos, mas algumas das dificuldades são as mesmas das primeiras edições, principalmente relacionadas a patrocínios.
Esse é o primeiro festival após a reestruturação da Monstro e da própria produção do Goiânia Noise. Muda alguma coisa?
Se o que você quer dizer como “reestruturação da Monstro” seja a saída do Fabrício, não. No ano passado ele já não participou do Noise. Agora, a Monstro está sempre se reestruturando, se reinventando, inovando… e o Noise segue essa nossa tendência e inquietação. Existe uma ideia errada de que o Fabrício foi um dos criadores do Noise ou que ele era fundamental no processo. Na verdade, o Noise surgiu em 1995 apenas comigo e com o Márcio Jr. Nós carregamos o festival sozinhos por 6 edições. Em 2001 o Fabrício e o Leo Razuk entraram na Monstro, no 7º Goiânia Noise. Ao longo desses anos todos o festival teve várias caras, formatos, locais… mas sem nunca perder seus conceitos básicos e objetivos: fortalecer e fomentar a produção local, gerar intercâmbio entre artistas, promover a divulgação e circulação de bandas de todo o País, e ser uma vitrine, um raio-x do que de melhor está ocorrendo na música independente, sem abrir concessões ou se submeter a pressão dos grandes, sejam eles a indústria cultural, governos ou patrocinadores.
Este ano a Monstro passa de novo por uma reestruturação com a entrada de um novo sócio. O Guilherme Batista Pereira é um amigo das antigas, baterista, já tocou em várias bandas, inclusive no Mechanics, e chegou para agregar muito à sociedade e ao festival. Esta 18ª edição volta ao Centro Cultural Oscar Niemeyer, que é um espaço fantástico, mas com uma cara nova. São dois palcos, um estúdio, que funcionará como um palco 3, com bandas fazendo shows e gravando ao vivo, 7 atrações internacionais e uma programação que não traz grandes medalhões, mas reflete um momento interessante da música brasileira. Faremos também um domingo diferente, apenas com shows na área externa… e toda a montagem será de um jeito novo também.
Estamos, como sempre empolgados, e com o mesmo gás das primeiras edições.
O line up tem mais de 50 bandas em três dias. Quem você está muito a fim de ver ao vivo? E quais bandas locais que o público não pode perder?
Putz! Tem muita coisa que eu quero ver. Aliás, a programação é pensada justamente dessa forma: bandas que nós gostaríamos de ver! E ela é sempre bem diversa… uma mistura de linguagens, estilos, sotaques e loucuras numa mesma noite. Trash Talk e Madrid! Lirinha e Worst! Space Truck e Boom Boom Kid! Lord Bishop Rocks e Fabulous Bandits! Crucified Barbara e Hellsakura! Essa diversidade é sempre uma das características do Noise. Entre as bandas locais, algumas já são instituições do rock goiano como Violins, Mechanics, TNY e Shakemakers, mas tem uma turma nova botando pra fuder também… Space Truck, Girlie Hell (que está num momento fantástico), Dry, Chimpanzés de Gaveta, The Galo Power… vai ser bem divertido isso!
18º Goiânia Noise Festival
Dias 9, 10 e 11 de novembro
Centro Cultural Oscar Niemeyer
Ingressos:
R$ 50 (meia-entrada) – Passaportes para os 3 dias
R$ 30 (meia-entrada) – individual para sexta ou sábado
R$ 10 (meia-entrada) – individual para domingo
Infos:
www.goianianoisefestival.com.br
www.facebook.com/MonstroDiscos
PROGRAMAÇÃO
Sexta-feira, 9/11
18h – Coerência (GO)
18h30 – Dirty Harry (GO)
19h – Mortuário (GO)
19h30 – Space Truck (GO)
20h – Worst (SP)
20h30 – Mapuche (SC)
21h – Boom Boom Kid (ARG)
21h50 – Kamura (GO)
22h30 – PEZ (ARG)
23h10 – Madrid (SP)
23h50 – Trash Talk (EUA)
00h50 – Chimpanzés de Gaveta (GO)
01h40 – Lirinha (PE)
Sábado, 10/11
16h – Jam Fuzz (GO)
16h30 – Leave me Out (MG)
17h – SELETIVA PDR
17h30 – Versário (GO)
18h – Fabulous Bandits (PR)
18h30 – Judas (DF)
19h – Grindhouse Hotel (SP)
19h30 – Dry (GO)
20h – The OverAlls (AUS)
20h30 – TNY (GO)
21h – Lord Bishop Rocks (EUA)
21h50 – Atomic Mambo All-Stars (SC)
22h30 – Girlie Hell (GO)
23h10 – Hellsakura (SP)
23h50 – Autoramas (RJ)
00h30 – Karina Buhr (PE)
01h30 – Crucified Barbara (SWE)
Domingo, 11/11
14h – Damn Stoned Birds (GO)
14h30 – Corja (GO)
15h15 – Shakemakers (GO)
16h – Valdez (DF)
16h45 – The Galo Power (GO)
17h30 – Motel Overdose (SC)
18h15 – Cassino Supernova (DF)
19h – Violins (GO)
19h45 – Os Skrotes (SC)
20h30 – Mechanic[KISS] (GO)
21h15 – Indigno (EQU)
Novembro 5, 2012 Encha o copo
Três perguntas: José Felipe, da Wäls

Em 2011, na primeira edição do Beer Experience, em São Paulo, uma avalanche de rótulos estrangeiros fez a alegria de um público exigente tal qual criança em uma grande loja de brinquedos. Em 2012, o foco foi produção nacional, e a alegria talvez até tenha sido maior frente ao número expressivo de novidades que estão surgindo no mercado nacional. A Wäls, de Belo Horizonte, ocupa um lugar de destaque em um cenário cada vez mais surpreendente de micro-cervejarias artesanais brasileiras de alta qualidade.
Eu já tinha visitado a fábrica, na Pampulha, no dia em que eles iniciavam a brasagem do que viria a ser a cerveja do ano, a Petroleum, e conversado (na panela) com os irmãos Thiago e José Felipe. Daquele encontro para cá, em março, eles já colocaram no mercado três novos rótulos: a Wäls Petroleum, a Wäls Witte e, lançada no Beer Experience 2012, a Wäls 42, uma cerveja geek (de acentuação belga) produzida em parceria com o pessoal do Google.
Porém, a Wäls não para. “Estamos com algumas parcerias de produção de cerveja que podem sair até este ano ainda. A gente só não pode contar”, disse José Felipe no Beer Experience. Uma delas foi revelada esta semana: Garrett Oliver, o mestre-cervejeiro da Brooklyn Brewery (autor do livro “A Mesa do Mestre Cervejeiro”, e colaborador de outras micro-cervejarias, como a italiana Amarcord) virá ao Brasil para produzir uma cerveja em parceria com José Felipe na Pampulha. Vem mais coisa boa vem por ai.

Abaixo, três perguntas rápidas para José Felipe:
Qual é a da Wäls 42?
A Wäls 42 é uma cerveja inovadora. É a primeira cerveja do estilo Saison Farmhouse Ale do Brasil, e nós a fizemos em parceria com os Googlers, que são os funcionários da maior empresa de tecnologia das Américas. O nome #42 é um místico. Se você digitar no Google uma pergunta sobre a vida, o universo e tudo mais, você encontrará uma resposta: 42. A gente quis fazer essa brincadeira. #42 é a resposta da vida. Uma cerveja da Wäls é a resposta para tudo aquilo que a gente estava procurando. É uma cerveja bem leve (tem 6,5% por álcool) e um pouquinho ácida. Colocamos como ingredientes amêndoas, café, Limão Tahiti e abacaxi. Foi uma cerveja rápida. A gente tinha que acertar de cara. Foram dois para produzir – entre a ideia e o lançamento. Porque a ideia era lança-la na primavera, o que é tradição na Bélgica.
Como é pra vocês quando chega uma pessoa, como aconteceu agora, e diz que a Wäls Petroleum é a cerveja do ano?
É um fato recorrente. Nós ficamos felizes porque é uma receita que veio da panela dos amigos do Paraná (da Dum Cervejaria), e acabou se tornando uma cerveja brasileira com um nome muito mais grandioso. Então não é a mim que vocês tem que agradecer pela Petroleum ser a cerveja do ano. É ao Murilo (Foltran), ao Luiz (Felipe Araújo) e ao Júlio (Coutinho), que são os verdadeiros criadores dela. A Wäls só fez ela acontecer.
Como é estar em um evento como o Beer Experience? São Paulo é carente de eventos assim…
O paulistano é carente por cervejas de alta qualidade, e a gente vê isso com muita alegria, porque São Paulo já representa para a cervejaria Wäls cerca de 30% de nossa venda total. É muita cerveja que vem pra cá. O paulistano está respondendo isso à altura, comprando, bebendo e esgotando as cervejas na gondola. É isso que a gente espera ver. A gente espera mesmo que vocês acabem com a nossa cerveja (risos)…

Leia também:
- Uma manhã na cervejaria Wäls, em Belo Horizonte (aqui)
- Saiba como foi o segundo Beer Experience, em São Paulo (aqui)
- Wäls Witte: os mineiros seguiram a risca a tradição (aqui)
- Wäls Petroleum: uma verdadeira experiência alcoólica (aqui)
- Wäls Quadruppel, uma cerveja excepcional, por Mac (aqui)
- Ranking Pessoal -> Top 200 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
Outubro 18, 2012 Encha o copo
Três perguntas: Vladimir Urban

Em 1999, Vladimir Urban organizava em Curitiba o primeiro daquele que se transformaria em um dos maiores festivais de psychobilly do mundo, o Psycho Carnival, com um detalhe: realizado no meio da maior festa brasileira, o carnaval. Em 2013, o Psycho Carnival chega a sua 14 ª edição e já anunciou os primeiros nomes (Demeted Are Go, Frantic Flinstones, The Swampys, Luna Vegas, Ovos Presley, Sick Sick Sinners e As Diabata) além de um novo integrante: a Diabólica Pale Ale.
Lançada em primeira mão no Beer Experience 2012, a Diabólica Pale Ale segue o caminho aberto pela elogiada Diabólica IPA 6,66%, que já está conquistando os curitibanos: “Está sendo vendida até em posto de gasolina. Estamos ficando famosos (risos)”, diz Urban, que aproveitou o festival paulistano para lançar sua nova cerveja e também o site http://cervejadiabolica.com.br/. Distribuída em São Paulo pela Beer Maniacs, a Diabólica vem conquistando cada vez mais espaço. É um pecado que merece ser cometido. Abaixo, três perguntas para Urban:
Como surgiu a Diabólica?
A Diabólica foi uma ideia minha e do meu sócio. Eu tenho um festival de psychobilly em Curitiba, o Psycho Carnival, e meu sócio era distribuidor de cerveja especial. A gente sempre ficava se debatendo nessa coisa de conseguir apoio para o festival, e ele sempre tentava me apoiar até que um dia, depois de um festival, ele chegou e disse: “Vamos fazer a nossa a própria cerveja artesanal!”. Dai surgiu a Diabólica. Nós pensamos em qual cerveja seria interessante para o público, que ele se identificasse, a Diabólica surgiu nesse esquema. A gente adora cerveja especial, temos uma coisa com cervejas inglesas, então foi bem legal ter a Diabólica.
Então IPA é o estilo preferido da casa…
IPA é o nosso carro chefe. Desde que a Diabólica surgiu, a primeira que a gente começou a produzir foi a IPA. A gente adora IPA. Ela passou por algumas mudanças de receita e agora está com uma receita bem estabilizada, bem legal. Agora estamos começando o processo de lançamento da Pale Ale, que é lançamento no Beer Experience, nem a garrafa será como está aqui agora. Esse é um momento de apresentar a Pale Ale para o público, para que eles possam beber, possam conversar depois ir ao site e dizer o que achou. De repente uma opinião pode ajudar a aperfeiçoar a nossa Pale Ale. Essa é a ideia.
Como é a sensação dos gringos que chegam para o Psycho Carnival e conhecem a Diabólica?
É muito interessante porque a cena de cervejas especiais na Europa e muito parecida com a cena de cervejas especiais no mundo inteiro. São nichos. Não é uma coisa tão comum. A gente fica falando: “Ah, as cervejas europeias, eles tem um monte de cervejas”, mas geralmente o cara bebe lager lá, principalmente o público jovem. No Psycho Carnival acaba sendo assim também, mas quando os caras chegam aqui e encontram essa variedade de cerveja diferente dentro do festival, eles não acreditam! “Como vocês tem essa cerveja aqui? Como vocês fazem isso?”. Muitas vezes eles não conhecem o estilo (que é um estilo inglês), não tem essa percepção de conhecer uma cerveja especial legal. Tem cara que chega e diz: “Você vai fazer a cerveja da minha banda lá na Europa”. A gente quer fazer, a gente vai fazer, mas a Diabólica ainda está caminhando e a gente pretende atender não só a demanda brasileira como a americana e europeia, dentro das nossas conexões. É uma galera que a gente atende e que gosta do estilo.

Leia mais:
- Saiba como foram as duas edições do Beer Experience (aqui)
- Diabólica, uma IPA de responsa como manda o figurino (aqui)
- Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
Outubro 8, 2012 Encha o copo
Três perguntas: Apanhador Só

Eis uma banda que me surpreendeu, e, em constante crescimento, continua surpreendendo. Um dos grandes destaques da votação dos melhores do ano Scream & Yell de 2010, (“Apanhador Só”, o álbum de estreia, apareceu em terceiro lugar entre os discos do ano), os gaúchos trabalharam o álbum com calma e apreço, tocaram muito, lançaram um projeto “sucateiro-acústico” que ganhou versão em fita cassete e shows intimistas em locais inusitados, e lançou um compacto de sete polegadas produzido por Curumin (que você pode ouvir abaixo). Agora chegou a vez de pensar no segundo álbum, e a opção escolhida foi o financiamento coletivo. “A meta do projeto foi atingida e chegou a ser ultrapassada em mais de 30%”, comemora Alexandre Kumpinski (voz e guitarra).
O sucesso da empreitada prevê um novo álbum para março de 2013 (a pré-produção começa em outubro), mas o quarteto já começou a “pagar” alguns fãs: 39 pessoas adquiriram um pacote de apoio que dava direito a um show acústico na sala da casa do comprador. “A gente chega com o violão e as sucatas, se familiariza com as pessoas e com o ambiente, se instala em quatro cadeiras e manda brasa”, explica Alexandre, que se anima em estender a brincadeira. Quem sabe? A certeza, porém, é que em 2013 teremos álbum novo do Apanhador Só. Mais um pra lista de melhores do ano? Esperamos que sim… Abaixo, Alexandre fala um pouco mais dos planos do banda e você pode ouvir trechos de três canções que podem aparecer neste novo álbum.
Parabéns pelo sucesso do financiamento coletivo. Vocês tinham certeza de que ia rolar, ou bateu um receio?
Aeee, valeu!! :)Certeza nunca! Desde o início sabíamos que seria uma briga suada, já que o valor que definimos foi um valor alto, englobando custos de quase todas as etapas de produção de um disco. Daí, durante a caminhada do projeto, receio de que não dê certo é algo incontrolável e totalmente natural. Felizmente a meta do projeto foi atingida e chegou a ser ultrapassada em mais de 30%,o que foi surpreendente inclusive pra nós. Ficamos muito felizes de saber que tem tanta gente junto, disposta a fazer as coisas acontecerem.
Como vão ser esses shows acústicos na sala de casa dos 39 fãs? Já pensaram em algo especial?
Eles já vêm acontecendo mesmo antes do encerramento do projeto e têm sido experiências incríveis. A gente chega com o violão e as sucatas, se familiariza com as pessoas e com o ambiente, se instala em quatro cadeiras e manda brasa. A proximidade das pessoas que tão ali nos assistindo cria uma lógica diferente de show, uma liga mais forte entre o público e a banda do que normalmente acontece em shows normais. Cada show sai à sua maneira, de acordo com os elementos e com as pessoas envolvidas na ocasião. Já fizemos uns 10 até agora, ainda temos uns 30 pela frente, e já existe a sensação de que essa experiência pode ser levada adiante de alguma maneira, de tão legal que tem sido.
O álbum está previsto para março de 2013, com 11 músicas. Vocês pretendem começar o processo do zero, só com músicas novas, ou alguma do baú pode aparecer?
A princípio vão ser todas músicas novas, mas nada pode ser afirmado com certeza antes da pré-produção, que vamos fazer em outubro. De qualquer maneira, temos 18 composições novas listadas, de onde pinçaremos 11 pra gravar no disco. Acho difícil que alguma música guardada no baú seja trazida à luz diante desse quadro, mas tudo pode acontecer.
Setembro 23, 2012 Encha o copo
Três perguntas: Rockers Noise Festival

A estabilização da moeda brasileira agitou o mercado de shows no Brasil nos últimos três anos. Grandes festivais disputando a tapas de dólares os mesmos artistas (e aumentando seus cachês astronomicamente alcançando níveis irreais) formaram o primeiro degrau dessa escada, mas as coisas começam a ficar interessantes de verdade agora, quando nomes inéditos do cenário independente mundial começam a baixar no Brasil em novos festivais bancados por gente que sabe muito bem quem está contratando.
O pessoal responsável pelo Rockers Noise Festival é uma das novas caras desse cenário. Eles já anunciaram os nomes da primeira edição do evento (The Telescopes, Motorama, Adam Franklin and the Bolts of Melody, Gallon Drunk, The Concept, Set the Settings e Twin Pines), que acontece nos dias 30 de outubro e 01 de novembro em São Paulo, e já confirmaram que a segunda edição, em fevereiro de 2013, terá Buffalo Tom e Wedding Present, mostrando um desejo de sequencia de eventos que deve trazer muita coisa boa ao país nos próximos meses.
“Nós amamos estas bandas”, diz Renato Malizia, diretor artístico do festival, que busca no velho e bom DIY o motivo de criação do Rockers Noise Festival: “Já que ninguém fara isso por nós, vamos fazer nós mesmos”. O festival tenta fugir da mesmice buscando novas casas (no dia 30/10 será no Espaço Victory, em frente ao Metrô Penha, e dia 01/11 no Lega Itálica, na Liberdade) e quer cravar shows na memória de seu público, “da mesma forma que eu jamais esquecerei quando fiquei defronte ao J&MC no Projeto SP”, diz Malizia. Potencial eles tem.
Abaixo, três perguntas para Renato Malizia.
Como surgiu a ideia de fazer um festival como esse?
Simples, nós amamos estas bandas, fazem parte da trilha sonora de nossas vidas, ou seja, já que ninguém fara isso por nós, vamos fazer nós mesmos…
Telescopes, Gallon Drunk, Wedding Present, Buffalo Tom (só pra citar quatro): como funciona a curadoria do Rockers Noise Festival? Pergunto por que parece gente que entende do riscado : )
Modéstia a parte se juntarmos o staff da Rockers temos uma verdadeira Barsa Musical!!! Falando sério: o conceito dos festivais, line ups, segue a seguinte doutrina: primeiro, bandas inéditas no Brasil; segundo, mesclar bandas clássicas e fundamentais com novas e promissoras bandas da atualidade, sempre fugindo da pré-fabricação de NME e similares.
O festival irá acontecer no Espaço Victory e na Lega Italica: como são esses lugares e como vocês pensam a estrutura do evento?
A escolha das casas fazem parte do conceito e da proposta da Rockers, ou seja, fugir da mesmice, tentar buscar alternativas fora do eixo habitual. As casas possuem um ambiente que mescla um visual rustico e decadente, porém extremamente amplo e confortável para que o publico possa aproveitar intensamente tudo que esta sendo oferecido. Queremos que o evento fique marcado eternamente na memoria de cada um que esteja presente, da mesma forma que eu jamais esquecerei quando fiquei defronte ao J&MC no Projeto SP. É isso.
Serviço:
Rockers Noise Festival no Espaço Victory, 30/10
Rua Major Angelo Zanchi, 825, Penha (em frente ao metrô Penha)
Line-up: The Telescopes, Motorama, Adam Franklin and the Bolts of Melody, Gallon Drunk, The Concept, Set the Settings e TwinPine(s)
R$120 (Inteira), R$60 (meia)
Rockers Noise Festival na Liga Itálica, 01/11
Praça Almeida Junior 86, Liberdade (prox ao metrô Liberdade)
Line-up: The Telescopes, Motorama, Adam Franklin and the Bolts of Melody, Gallon Drunk, The Concept, Set the Settings e TwinPine(s).
R$120,00 Preço Único
A compra pode ser feita online aqui ou nos diversos pontos de venda (aqui). Mais informações: http://www.gruporockers.com.br
Setembro 19, 2012 1 Brinde
Três perguntas: Vinícius Lemos

Nesta quarta-feira, 05 de setembro, começa a décima-terceira edição do Festival Casarão, em Porto Velho, Rondônia. O chapa Tiago Agostini esteve lá em 2010 pelo Scream & Yell e agora é a minha vez de conhecer a cidade e o festival. Já estou me preparando mentalmente para o calor: “Porto Velho é uma cidade quente e isso dá o tom do festival”, avisa Vinicius Lemos, produtor do festival.
Já devo descer do avião dentro do show dos locais do Expresso Imperial (duas pessoas já me falaram para prestar atenção neles), que abre o festival e a noite para o Medialunas, do Andrio e da Liege. Depois, entre muitos nomes da cena local e alguns de fora (Dary Jr me falou bastante do Tangerines and Elephants), ainda tem Transmissor (que só vi rapidamente em Belo Horizonte), Wado, Cachorro Grande e Pouca Vogal, do mestre Humberto Gessinger.
Neste bate papo rápido, Vinicius Lemos adianta um pouco do que me espera em Porto Velho, fala sobre as bandas da região que se apresentam no festival e relembra alguns grandes shows que o Casarão já levou para a cidade em 13 anos de existência, mostrando que a construção do line-up se preocupa em sempre trazer algum nome forte para atrair o público, que, por tabela, acaba tendo acesso à cena local (um dos pontos positivos do festival). Fala Vinicius:
Essa será a minha primeira vez em Porto Velho e no Casarão. O que posso esperar da cidade e do festival?
Esperar algo quente. Porto Velho é uma cidade quente e isso dá o tom do festival. Muita coisa quente. Mas uma cidade em pleno desenvolvimento, muitas obras (quase todas inacabadas) e um caos. E a gente vivendo nesse caos querendo trazer a cultura. O festival representa tradição. Ser decano do Norte traz uma resposanbilidade de sempre inovar. Numa cidade de 500 mil pessoas muitas bandas nunca vieram, como o próprio Pouca Vogal e o Wado e esse é o tom do festival. Sem editais, grandes patrocinios e dependendo muito de bilheteria, o line up é enxuto e buscando coisas para o publico pop e indie, com o melhor que temos em cada temática no Brasil. E muitas bandas regionais.
O Festival surgiu no mesmo que o Scream & Yell, em 2000, e você deve ter muitas histórias! Quais foram os shows que você mais curtiu nesses anos todos dentro do Casarão? Aqueles que te dão orgulho de ter produzido!
História é o cerne do festival. O nome Casarão é um icone em Porto Velho, é o local mais antigo construido aqui e que infelizmente não fazemos mais lá desde 2009, por causa da Usina de Santo Antonio. E lá eram as melhores histórias. Sobre os shows acabamos que na hora de apresentar o festival temos o curriculo grande, pela primeira vez para Porto Velho trouxemos Matanza, Cachorro Grande, Ratos, Pato Fu, Dead Fish, Moveis, Autoramas etc e ainda já trouxemos Pitty. E isso que dá o grande nome. Mas o orgulho pessoal é como o festival coloca Porto Velho no mapa com bandas conceitualmente ótimas, tenho orgulho de ter trazido Ludov em 2005, Do Amor em 2008 (primeiro festival a levar a banda), Comunidade em 2010, Emicida em 2011 e Wado em 2012. Aqueles que o publico as vezes não entende, mas é o meu maior orgulho.
E pra 2012? Quem você quer muito ver e quais nomes da cena local que eu não posso perder de maneira alguma?
A Versalle é a nossa banda mais legal, mais pronta, indie rock dos melhores. E vai ter o teste de tocar antes de um headliner. Expresso Imperial é uma ótima instrumental e acho que num clima descontraido com o Medialunas vai ser bem legal. Tem a ótima Sub Pop de Vilhena, interior do Estado, surpreendente. A nova Kali e os Kalhordas - que seria a renovação da cena e pela primeira vez um destaque para uma cantora local. Sobre eu querer ver, sempre tento responder todo o festival, desde a banda de fora que veio de Roraima ou Acre ou aquelas que vem de longe. Acho que o festival nos traz emoções as vezes surpreendentes de shows que esperamos pouco. Mas a ansiedade é por Medialunas e Wado.
Setembro 3, 2012 Encha o copo
Três perguntas: Fernando Rosa

Fernando Rosa é um dos nomes de primeira hora da internet brasileira. Quando a rede começou a engatinhar no país, ele colocou no ar o Senhor F, em 1999, um site essencial que, ao mesmo tempo, lançava luz sobre a história do rock brasileiro buscando nomes dos primórdios do cenário tanto quanto distribuía via download gratuito através de seu selo virtual os novos nomes da música brasileira. Posteriormente, o Senhor F se tornaria também um selo fonográfico e uma produtora de shows e festas sob o comando apaixonado de Fernando Rosa, um cara superativo, extremamente simpático e que é, provavelmente, uma das pessoas que mais fez coisas pelo cenário independente brasileiro.
Em 2008, Fernando Rosa, Sylvie Piccolotto e Pablo Hierro organizaram o Festival El Mapa de Todos, um evento que busca quebrar as fronteiras musicais entre os países latinos, e que segue com uma excelente vitrine da boa música feita na América Latina. Em 2012, o El Mapa de Todos acontecerá nos dias 6, 7 e 8 de novembro na casa de shows Opinião, em Porto Alegre, e contará com a participação de 15 artistas: Bareto (Peru), Juan Cirerol (México), Algodón Egipcio (Venezuela), Dënver (Chile), NormA (Argentina) e El Cuarteto de Nos e Franny Glass & Banda (Uruguai). Os artistas nacionais são Nenhum de Nós, Autoramas, Apanhador Só, Esteban, Bidê ou Balde, Medialunas, The Tape Disaster e Fábrica do General Bonimores.
Para saber um pouco sobre a relação de Fernando Rosa com a música latina, envie três perguntinhas rápidas:
Quando a música sul-americana surgiu na sua vida? O que a despertou?
Olha, um conjunto de fatores. Primeiro, tem a influência da música gaúcha que, por conta do Pampa comum, é meio uruguaia e meio argentina, e que cresci ouvindo no rádio. Depois, devido a proximidade com esses dois países, quando pequeno ouvia algumas rádios argentinas, ainda mais música tradicional do que rock. Na infância também ouvi muita música sertaneja paulista, com apelo mexicano, tipo Pedro Bento & Zé da Estrada, Tonico e Tinoco e outros tantos. Mas o mais determinante foi o convívio com jovens argentinos e uruguaios foragidos das respectivas ditaduras, em meados dos anos setenta. Alguns deles foram parar em minha casa, em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, trazendo dor, saudade e discos - de artistas jovens como eles. Naquele momento, então com pouco mais de 20 anos, já tinha sido “convertido” ao rock, depois de uma escala na Jovem Guarda e na Tropicália, mesmo sem entender do que se tratava. Vale destacar ainda a repercussão da presença dos mexicanos Santana em Woodstock, que vi em filme, e imediatamente comprei seus discos, que saíram no Brasil. Ouvíamos discos de Almendra, Spinetta, Sui Generis, La Confradia de La Flor Solar e outros grupos roqueiros da época. Isso foi muito marcante e, desde então, assim como acompanhei o desenvolvimento do rock anglo-saxão, segui ouvindo o que rolava ali do lado. Também me interessei por artistas nacionais que fizeram essa ponte com a música em espanhol, como Milton Nascimento, Secos & Molhados, Fagner (um pioneiro, com o disco “Traduzir-se”), Belchior e alguns outros. Com o tempo, especialmente a partir dos anos noventa, fui ampliando o horizonte musical para além do Uruguai, do Argentina e da Espanha ouvindo artistas de outros países. Com o surgimento da internet, fechei o ciclo de gerações do rock da maioria dos países, baixando uma infinidade de discos, muitos dos quais conhecia apenas pela lenda. Outros fatores são extra-música, como a minha origem portuguesa-galega-espanhola e uma visão político-ideológica de defesa da integração latinoamericana.
Se alguém quisesse desbravar a América do Sul independente e roqueira, quais discos você recomendaria pra começar?
Uma resposta difícil, porque em todas as décadas e gerações, e em todos os países, tem discos geniais. Mas, vai então uma lista de artistas e grupos atuais, com seus lançamentos mais recentes, sem ordem de importância (nisso tem bastante de gosto pessoal):
Algodón Egípcio – La Lucha Constante (Venezuela)
Bareto – Ves Lo Quieres Ver (Peru)
Buenos Muchachos – Se Pule La Colmena (Uruguai)
Christina Rosenvinge – La Jovem Dolores (Espanha)
Cienfue – La Calma y La Tormenta (Panamá)
Davila 666 – Tan Bajo (Porto Rico)
Dënver – Música, Gramática, Gimnasia (Chile)
El Mato a Un Policia Motorizado – El Nuevo Magnetismo (Argentina)
Fernando Milagros – San Sebastián (Chile)
Francisca Velenzuela – Buen Soldado (Chile)
Franny Glass – El Podador Primaveral (Uruguai)
Gepe – Audiovisión (Chile)
Juan Cirerol – Haciendo Leña (México)
La Vida Boheme – Nuestra (Venezuela)
Lisandro Aristimuño – Mundo Anfíbio (Argentina)
Los Mentas – Unidad Educativa Los Mentas (Venezuela)
Los Negretes – México City Blues (México)
Los Vigilantes – Los Vigilantes (Porto Rico)
Manel - 10 Milles per Veure una Bona Armadura (Espanha)
Mima – El Pozo (Porto Rico)
Monareta – Fried Speakers (Colômbia)
NormA – A (Argentina)
Odio Paris – Ódio Paris (Espanha)
Vetusta Morla – Mapas (Espanha)
Xoel López – Atlântico (Espanha)
Como foi o processo de montar o line-up do El Mapa de Todos 2012?
Assim como nos anos anteriores, o lineup é resultado do acompanhamento do que está acontecendo nas respectivas cenas musicais independentes de cada país. Uma espécie de fotografia do momento, contemplando artistas novatos, como Algodón Egípcio, em ascensão, como Juan Cirerol, ou mesmo já consagrados, como Bareto, mas oriundos da cena independente local. Ouvimos os discos, vemos os vídeos de shows no Youtube, acompanhamos outros festivais, como Vive Latino (no México), lemos resenhas de discos e shows, etc para chegar a uma escalação final de acordo com a nossa capacidade econômica, que nos impõe limitações. No campo nacional, fizemos uma opção por valorizar os artistas que têm uma sintonia com a música latinoamericana. O gaúcho Nenhum de Nós, por exemplo, tem históricas parcerias com artistas argentinos e uruguaios, enquanto os Autoramas está entre os grupos brasileiros que mais circula pela América Latina.
Acima, um documentário em três partes sobre a edição 2011 do El Mapa de Todos, dirigido e produzido por Liege Milk. O Senhor F também disponibiliza um álbum contendo o áudio do festival, com uma faixa de cada artista. Baixe aqui
Agosto 27, 2012 Encha o copo
Três perguntas: Banda Gentileza

Vasculhando minha caixa do antigo Hotmail (há muitas histórias ali), o primeiro contato que tive com Heitor Humberto, vocalista da Banda Gentileza, foi em novembro de 2007. Eu estava indo para Curitiba, e ele havia me escrito, pois queria entregar o EP de sua nova banda. Acabei não voando nesse dia (devido a um congestionamento monstro na Marginal), mas o recebi em minha casa três anos depois para uma longa e interessante entrevista lado a lado com Nevilton (terminamos todos no Ecléticos, o histórico boteco mais pé sujo da Augusta, escolhendo músicas na Jukebox), que buscava contar um pouco da história das duas bandas. Com um ótimo disco de estreia nas costas, a Banda Gentileza decidiu causar em 2012. Lançaram um clipe divertidíssimo de uma canção nova e um… game. “As próximas canções só vai ouvir quem passar de fase”, brincava Heitor às cinco da manhã numa pastelaria na Augusta, algumas semanas atrás. Aproveitando que a Banda Gentileza toca nos próximos dias em Santos (SESC, 23/08), São Paulo (Casa do Mancha, 24/08) e Campinas (Cartoons, 25/08), mandei três perguntinhas pro cara. O clipe você vê abaixo. O jogo aqui. Divirta-se.
Como rolou a ideia do clipe? E do game?
A gente estava um dia pensando em universos que combinariam com a estética de “Quem me Dera”. Acabou que fomos para o mundo dos caminhoneiros por conta daquele riff meio brega de metais que tem na música. E aí uma ideia foi levando à outra - mulher caminhoneira que leva a banda na caçamba, com perseguição policial e briga de bar. O game foi bem sem querer. A ideia surgiu quando estávamos pensando na identidade visual que o single teria - novo site da banda, thumbnail do download etc. Pensamos em fazer alguma coisa que remetesse aos jogos antigos e aí veio a ideia: “então por que não fazemos nosso próprio game?”. Pareceu meio distante, mas por coincidência o Tuna conhecia o pessoal da Monster Juice, que justamente faz esse tipo de trabalho. Eles curtiram a ideia e o negócio realmente acabou acontecendo. Ainda estamos nos divertindo com o fato de termos virado personagens de um game.
Vi umas fotos suas dançando (risos)… onde você aprendeu a dançar?
Cara, esse seu “(risos)” só comprova que eu justamente não aprendi a dançar! Acho que de fato estou precisando aumentar meu repertório com algumas aulas de verdade já que por intuição eu só sei balançar os braços e rebolar.
Quais os próximos passos da Banda Gentileza?
Estamos nos dedicando a viajar para fazer shows de divulgação de “Quem me Dera”. Mas vem um novo single por aí nos próximos meses, também acompanhado por um clipe. Em 2013, a meta é lançar nosso segundo álbum.
Agosto 21, 2012 Encha o copo
Três perguntas: Labirinto

Me aproximei bastante do Erick e da Muriel, o casal que fica à frente do Labirinto (ele na guitarra, ela na bateria), em 2010, quando ao lado dos amigos (sócios) do Urbanaque fizemos uma série de festas na Casa Dissenso, um misto de estúdio, sala de shows e loja que ficava na Rua dos Pinheiros. Posso garantir sossegadamente que algumas das melhores noites daquele ano foram vividas naquele espaço assistindo a shows bacanas e bebendo e conversando sobre cerveja (Erick também é um apaixonado pelas boas cervejas). Fiquei felizmente impressionado com o esmero e carinho de todo o pessoal que gravita em torno da Dissenso (como a querida Lita, por exemplo), que começou um segundo semestre movimentado. Primeiro foi o lançamento do EP “Kadjwynh”, em vinil e CD, com quatro músicas novas (além de Erick e Muriel, o Labirinto é Daniel Fanta, Hugo Falcão e Ricardo Pereira). Depois a reinauguração do Dissenso Studio. Isso posto que em boa parte do primeiro semestre eles estiveram na estrada, entre Estados Unidos e Canadá, mostrando ao vivo as canções de “Anatema” e de “Kadjwynh”. Aproveitando todas as novidades, mandei três perguntinhas para eles.
Como está a repercussão do novo EP, “Kadjwynh”? Fiquei chapado com a arte do vinil!
Com o disco anterior, “Anatema”, conseguimos boa repercussão, no Brasil, e principalmente, no exterior. Lançamos o “Kadjwynh”, com o mesmo esmero e dedicação que o “Anatema”, mas sem a pretensão de repetir o mesmo feito, até pelo disco ser um EP. Nos surpreendemos com as críticas e a repercussão positiva. Estamos muito felizes com o “Kadjwynh”, que apresentou um conceito artístico diferente do disco anterior, e nos possibilitou experimentar novas formas de composição. O artista que produziu a arte do vinil, o grande Ricardo Sasaki, está trabalhando há alguns meses já em uma animação de uma das faixas do “Kadjwynh”, que será lançada no final deste ano.
Como foi a turnê norte-americana? Qual foi o melhor show?
A última turnê que fizemos pelos EUA e Canadá foi melhor que a primeira, que já tinha sido muito bacana. Mais shows, melhor estrutura, boa divulgação, conhecemos mais bandas e fizemos mais amigos, tocamos em dois festivais internacionais, e foi mais rentável economicamente. Foram 6 mil milhas em 40 dias. O melhor show que fizemos, certamente, foi na Casa del Popolo em Montreal, local de propriedade do baixista da banda Godspeed You! Black Emperor. A casa estava cheia e o público foi sensacional, tocamos com bandas que admiramos (thisquietarmy e Sweet Mother Logic), e para nós, o lugar era mítico, devido a toda sua história, e o que representa para diversas bandas que apreciamos. Esperamos tocar novamente lá na próxima tour!
Vocês estão reinaugurando o Dissenso Studio. Como ele vai funcionar?
O Dissenso Studio irá iniciar as atividades agora no mês de setembro, estamos finalizando os testes, e deixando todo o sistema de gravação tinindo, para podermos abrir o espaço aos clientes – que são desde bandas e artistas à pessoas que produzem trilhas, jingles, áudio para cinema, web, rádio, enfim, tudo o que envolva produção de áudio. O Dissenso Studio é o desenvolvimento, após dez anos, do primeiro espaço onde trabalhamos com estúdio, que foi o Velouriah. Depois do fechamento do Velouriah, em 2006, nos mudamos provisoriamente para o endereço da Casa Dissenso, em Pinheiros, onde realizamos alguns trabalhos com áudio, enquanto seguíamos com a construção do Dissenso Studio, paralelamente, no endereço onde ele está hoje, no bairro do Bom Retiro. Foi bacana que a Casa Dissenso, durante esse período de cinco anos, também teve uma série de atividades diferentes; shows, feiras de arte, lançamentos de discos, livros, toy art etc. No Studio, além dos serviços de gravações, também daremos um jeito de trazer mais atividades para o espaço! Faremos transmissão via web de sessões de gravação e apresentações no espaço do estúdio, e também teremos uma programação com apresentações em um canal online, de curadoria da equipe da Dissenso, com bandas selecionadas por nós. Parte desse material também estará na Dissenso Records, responsável pelos lançamentos e distribuição em mídias físicas e digital. Aliás, esta semana estamos lançando o site novo da Dissenso Records!
Agosto 16, 2012 Encha o copo
Três perguntas: Continental Combo

O trabalho de Sandro Garcia foi um dos primeiros que me aproximei quando me mudei para São Paulo no final dos anos 90. A gente já trocava correspondência ainda quando o Scream & Yell era fanzine de papel, e os dois primeiros EPs do Momento 68 (“Onde Estão Suas Canções”, de 1999, com a grudenta e impagável “1-3-4 o’Clock”, inédita de Frank Jorge; e “Ziggy”, EP de covers lançado em 2000 com canções do Yardbirds, The Who, Wilson Pickett, Syd Barrett e Love, entre outros) rodaram bastante no som de casa na virada do século (escrevi sobre “Ziggy” para a London Burning, do amigo Luciano Viana). O Momento 68 ainda lançou um bom álbum via Monstro Discos na sequencia, “Tecnologia”, mudou o nome para Continental Combo, e segue lançando discos sem se apegar a velocidade da web ao mesmo tempo em que as canções de Sandro soam como uma trilha sonora urbana. Os três discos do Continental Combo estão liberados para download no Bandcamp da banda, mas você pode encontra-los também em formato físico (junto a vários outros trabalhos de Sandro) no site da Question Mark Records. Abaixo, três perguntas para Sandro Garcia:
Como anda o processo de gravação do novo EP? Quando sai?
Este novo material, assim como toda discografia do Continental Combo (EPs e álbuns), está sendo registrado no estúdio Quadrophenia. O plano é finaliza-lo neste segundo semestre, depois vamos disponibiliza-lo para free download no bandcamp e também produzir uma pequena tiragem em formato físico, para distribuir nos shows. As gravações (são) feitas dentro das possibilidades de cada um, podem até ter adiado o resultado final, por outro lado estes espaços estão abrindo caminhos para experimentar arranjos, instrumentos diferentes e ideias que vão surgindo sem a pressa de finalizar prematuramente uma composição.
É possível encontrar os discos anteriores para comprar ou baixar? E do Momento 68?
O álbum do Momento 68 (“Tecnologia”) assim como os três discos do Continental Combo podem ser adquiridos no meu pequeno catálogo chamado de Question Mark Records. Os dois primeiros álbuns do Continental Combo estão também disponíveis para venda no site da Monstro Discos e o terceiro disco (“Conveniências na Cidade”) no site da gravadora Voiceprint. Os discos podem ser encontrados em algumas lojas como: Velvet Discos, Locomotiva, Pops, Big Papa, no Gusta Café, Sensorial Discos (loja virtual). A banda também disponibilizou seus 3 álbuns para free download e venda física no bandcamp.
http://questionmark.zip.net/
http://continentalcombo.bandcamp.com/
http://www.monstrodiscos.com.br/
http://www.voiceprint.com.br/
Você começou com o Faces & Fases e depois com o Charts, no final dos anos 80 começo dos 90. Como você vê o cenário musical hoje em dia em comparação com os anos 90?
Cada período e cada banda teve seu momento de vicio e virtude. Tento sempre olhar o lado bacana de tudo isso e desse modo continuar fazendo música. Hoje é importante um certo equilíbrio entre ter foco no que a banda quer produzir e também ter uma sintonia com a velocidade do mundo digital, que possibilitou uma grande quantidade de artistas e músicos divulgarem seus trabalhos. Estamos lidando com esses dilemas e outros como, por exemplo, acreditar na evolução do nosso trabalho autoral sem deixar de lado o prazer de dividir gostos em comum tocando com amigos em uma banda.
Próximos shows do Continental Combo:
-> 12.08 (domingo) no Espaço Cultural Walden (aqui)
-> 01.09 (sábado) no Gusta Café (aqui)
-> 16.09 (domingo) na Feira de Artes da Pça Omaguá (aqui)
Agosto 7, 2012 Encha o copo
Três perguntas: Harmada

Acompanho o trabalho de Manoel Magalhães desde o começo de 2005, quando ele me procurou para mostrar “A Mesma Pessoa no Mesmo Lugar”, EP da Polar. O disquinho rodou um bom tempo no CD player daqui de casa naquele ano e no ano seguinte, batemos um papo rápido para o site e a banda acabou. Algumas cervejas depois, Manoel passou pelo Columbia, outra boa banda da safra recente carioca, antes de encontrar Juliana Goulart, Filipi Cavalcante e Brynner Buçard e formar o Harmada, que já lançou um ótimo álbum, “Música Vulgar Para Corações Surdos”, participou do tributo ao álbum “Yankee Hotel Foxtrot”, do Wilco, divulga agora o clipe para a canção “Luz Fria”, e já começa a pensar em material para um novo disco (enquanto se prepara para integrar dois novos tributos, um de metal e outro de pagode!). O disco completo do Harmada você pode baixar aqui, o Tributo ao Wilco aqui, e o clipe de “Luz Fria” você assiste abaixo.
Como anda a família Harmada?
Anda bem, crescendo com o tempo. Acabamos de fazer um show pra bastante gente no teatro Sérgio Porto, o clipe de “Luz Fria” já saiu repercutindo bastante, fomos convidados esse mês para mais dois tributos, um homenageando uma banda de metal e o outro uma banda clássica de pagode, chega até a ser engraçado, né? Mas vai ver acharam que a gente pode transitar com cuidado entre esses mundos. No mais, até o fim do ano queremos lançar um projeto de transformar as 14 músicas do disco em vídeos gravados pela cidade, como fizemos com “Sufoco” e “Avenida Dropsie” para o Música de Bolso. A ideia é documentar um pouco desse clima de metrópole que o disco tem, recebendo a influência direta da cidade na execução das músicas. Queremos fazer também um mini-documentário sobre o disco e já começar a pensar no próximo.
Como foi a produção do clipe para a música “Luz Fria”?
O clipe é o nosso segundo trabalho com a produtora Caos e Cinema, nossos amigos e parceiros aqui do Rio. A ideia inicial veio do diretor, Rodrigo Séllos, que pensava em fazer um clipe com a delicadeza do início do cinema, citando Meliés, que tivesse truques de mágica e brincasse com os efeitos especiais dessa época, isso antes mesmo de assistirmos ao filme do Scorsese ou “O Artista”, mas seria uma produção cara e que demandaria um equipe grande. Um pouco depois ganhamos o edital de Promoção de Novos Artistas, da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, e surgiu a oportunidade de tirar isso do papel. Gravamos na Quinta da Boa Vista, na Praia Vermelha, no camarim do teatro Dulcina e em um pequeno teatro do centro da cidade. A equipe era ótima, recheada de amigos que deram duro pra coisa acontecer, todo mundo dando um jeito de ajudar pro clipe ficar bonito.
O Harmada participa do tributo ao “Yankee Hotel Foxtrot”. O que você achou do tributo como um todo e o que representa o Wilco pra você?
Achei sensacional a ideia do tributo. Ainda mais pelo clima que envolveu a produção, cheia de amigos e feita com cuidado, por fãs apaixonados mesmo. O Wilco é um paradigma pra mim, é o símbolo de uma banda que já vive o nosso tempo e consegue sobreviver fazendo a música que eles querem sinceramente fazer. Acho muito simbólico o lançamento do “Yankee Hotel Foxtrot”, acredito que é o disco da nossa geração. Além de ser contundente no que se refere à estética, com canções pop perfeitas, tudo que envolveu o lançamento (a briga com a gravadora, o vazamento na internet), marcou o começo do que vivemos hoje com os blogs, a força das bandas independentes, todo esse processo, pra mim, tem no “Yankee Hotel Foxtrot” uma espécie de marco zero simbólico, não na questão da falência da indústria, que já é um processo anterior, mas como referência de como as coisas seriam dali pra frente.
Leia também:
- Scream & Yell entrevista Harmada, por Jorge Wagner (aqui)
- O Clube dos Corações Surdos, por Bruno Capelas (aqui)
- “Nós queremos uma vida boa”, por Marcelo Costa (aqui)
- “Yankee Hotel Foxtrot Tribute - A box full of versions” (aqui)
- Doc “I am Trying To Break Your Heart, Wilco”, por Mac (aqui)
- Baixe: “Música Vulgar Para Corações Surdos”, Harmada (aqui)
Agosto 4, 2012 Encha o copo
Três perguntas: Lemoskine

Conheço Rodrigo Lemos há um bom tempo, desde quando ele tinha uma das grandes bandas de Curitiba nos anos 00, a Poléxia, e gravou um punhado de canções passionais e grandiosas. Algumas dessas canções (como a bela “Aos Garotos de Aluguel”) foram parar n’A Banda Mais Bonita da Cidade, que conta com Rodrigo na formação, mas, como ele conta no bate papo rápido abaixo, ele é uma “biscate quando o assunto é música”, e está pronto para mostrar as canções de “Toda a Casa Crua”, álbum feito sob a alcunha de Lemoskine disponível para free download aqui. Já tem até show de lançamento fechado, no Teatro Paiol, em Curitiba, 31/08.
Qual a diferença de ter uma banda e de ter um trabalho solo?
Eu estou desapegado de conceitos quando mergulho num trabalho solo… Acho que banda costuma se fechar muito e eu sou uma biscate quando o assunto é música: dou pra tudo e pra todos. Esse disco, “Toda a Casa Crua”, tem sonoridades bem distintas coexistindo e um único fio condutor; que são as letras. Gosto de pensar que está dividido em lado A e lado B, como um vinil. A maior parte do repertório surgiu muito recentemente, em meio a um turbilhão na minha vida, portanto as canções não tiveram tempo de amadurecer antes de serem gravadas. Topei o risco e agora já me sinto livre pra deixar isso para trás e investir em outras ideias.
Já tem show de lançamento marcado: como funciona Lemoskine no palco? Você sozinho? Banda? Amigos?
Sozinho, não… O Lemoskine é um projeto em torno das minhas canções, mas sempre tem mais gente tocando nas gravações e nos shows. Esse disco tem uns detalhes curiosos que deixo pras pessoas irem descobrindo… mas adianto que teve participações das mais inusitadas; de John Ulhoa (que também produziu algumas faixas) tocando “stylophone” a um coro de assovio executado por amigos que fazem parte da equipe que acompanha a Banda Mais Bonita… No show de lançamento, que acontecerá dia 31 de agosto, no Teatro Paiol, a banda será formada por Diego Perin (baixo e clarineta), Luís Bourscheidt (bateria e samples) e Vinícius Nisi (piano e samples); com participações do Ale Rogoski (bateria) e do João Marcelo Gomes (baixo acústico).
Você já tinha trabalhado com o John Ulhoa num single da Poléxia, e agora retoma a parceria no Lemoskine. O que ele acrescenta à sua musicalidade?
O John é como um visitante de outro planeta que vem, faz contato, sintoniza comigo e depois diz: “Tchau… E até a próxima, terráqueo”. Foi bem divertido poder contar com a companhia dele novamente e ele se deu super bem com o pessoal que toca junto. A gente alternava as sessões do disco com doces de restaurante, festa de YouTube e papo sério. Eu sou produtor musical também e tenho meus vícios… Contar com uma visão de fora, que te ofereça um espelho, pode ser estimulante e, no caso do John, as faixas sempre acabam se destacando. Deve ser porque ali existiu uma “simbiose”, sabe? Não foi uma idéia que começou “assim” e também terminou “assim”.
Acompanhe o Lemoskine: http://soundcloud.com/lemoskine/
Julho 20, 2012 Encha o copo
Três perguntas: Cris Braun

Acompanho o trabalho de Cris Braun há um bom tempo, mais precisamente desde quando ela cantava no Sex Beatles, banda que ouvi muito nos anos 90 (e que vez em quando resgato os dois CDs da prateleira). Seu primeiro trabalho solo (“Cuidado Com Pessoas Como Eu”, de 1998) tocou bastante em casa com “Brigas”, “Dry Martini Drama” e a cover de “Bom Conselho”, de Chico, ecoando pelas paredes. Em 2005, quando ela lançava seu segundo álbum, o delicado “Atemporal”, tivemos uma conversa animada por telefone, que rendeu essa entrevista, e agora ela retorna com “Fábula”, um disco muito bonito e maduro, que abre com duas faixas de Wado (“Ossos” e a inédita “Cidade Grande”, que remete a paisagens de “Pavão Macaco”), segue com “Tanto Faz Para o Amor”, de Lucas Santtana, e traz ainda canções de Alvin L e Marina (“Deve Ser Assim”) e parcerias com Billy Brandão e Fernando Fiuza. Cris Braun está disponibilizando “Fabula” para download tanto em seu site oficial (http://www.crisbraun.com.br/) quanto no ótimo site Musicoteca (baixe aqui). Para aproveitar o momento mandei algumas perguntinhas rápidas (inclusive sobre cervejas, uma paixão recente de ambos).
“Fábula” é seu terceiro CD solo. O que representa cada um destes três discos para você?
Existe um espaço grande entre eles, em média 7 anos. Acho que eles são mesmo um reflexo muito pessoal do momento vivido e do entorno. Percebo a maturação, a tomada de posse, a autoridade para fazer como faço. Mesmo que o retorno no sentido de grana e reconhecimento maior não seja grande, o fato de ser dona e confiar no que me proponho a fazer me mantem viva nisso. Meus discos são minha assinatura de Dali !
Se você tivesse que apresentar o “Fábula” para alguém, como você faria?
Oi “alguem”, este é o “Fábula”, um disco que a trilha sonora de um filme imaginário que trata do percurso do ser humano nesta terra. Sua pureza, suas derrotas, suas vitórias, sua iras, suas invejas, seus temores, amores, desamores, virtudes e relação com o divino. Musicalmente é contemporâneo, porque se mescla ritmos, instrumentos e arranjos com total liberdade de estilos.
Sei que você também é uma grande admiradora das boas cervejas. Quais as preferidas de Cris Braun?
Sou uma iniciante, e metódica. Por enquanto insisto mais nas Belgas, trappistas. Provei uma defumada que não lembro o nome. Mas adoro as Rochefort 8 e 10. Chimay Red. Delirium nocturna, Corsendonk Pater Dubbel.

Leia também:
- Entrevista: “Faço música livre brasileira”, diz Cris Braun (aqui)
Julho 12, 2012 1 Brinde
Três perguntas: TiãoDuá

Segundo a informação do Soundcloud, “Tiãoduá é um trio de música brasileira formado por três jovens músicos proeminentes da cena musical de Minas Gerais”. Os três jovens são Juninho Ibituruna, Gustavito Amaral e Luiz Gabriel Lopes, este último músico prolífico (e obsessivo) que além de tocar na excelente Graveola e o Lixo Polifônico, mantém uma boa carreira solo (acho, inclusive, que ele me deu duas cópias de seu CD solo - quem curtir grita que envio de presente) e várias outras parcerias. Foi Luiz quem respondeu as três perguntas abaixo. O disco você pode baixar aqui
1) Quando surgiu o TiãoDuá? Apresenta o trio pros leitores
O TiãoDuá é um trio formado pelo Juninho Ibituruna, Gustavito Amaral e por mim no começo do ano passado em Belo Horizonte. No início era uma espécie de “banda autoral de buteco”, (com) a ideia de fazer um repertório de canções da galera num formato enxuto, com essa onda power trio brazuca – baixo, batera e violão. Fazíamos também um repertório de MPB dos anos 60/70, essa MPB mais roqueira da época do “Transa”, do “Expresso 2222”, etc. Daí na época pintaram uns convites pra fazer uns shows na Europa e teve a oportunidade de conseguirmos as passagens pelo Programa Música Minas, o que acabou rendendo uma turnê hercúlea de uns 30 e tantos shows entre Portugal, Holanda, Alemanha, Espanha e Inglaterra. Isso foi uma experiência ducaralho. Passamos por todo tipo de situação, tipo um dia numa livraria, outro dia num hotel de luxo, outro dia num buteco punk, outro dia num squat… daí foi surgindo um material novo de canções, fomos fazendo música juntos e daí saiu grande parte do repertório que apresentamos nesse disco de agora, que acaba sendo um retrato dessa turnê, personagens reais e tal… O Rui Macacada, por exemplo, existe mesmo, e é um amigo que vive no Haarlem, na Holanda.
2) Luiz, como você consegue tempo para se meter em tantos projetos?
Fui criado numa cidade do interior, na zona rural de Entre Rios de Minas, e quando criança tive uma pequena criação de girinos numa bacia, na varanda da minha casa, pela qual desenvolvi muito afeto. Alimentava os bichinhos todo dia, conversava com eles… Mas quando os girinos cresceram e começaram a ter perninhas de sapo, logo eles fugiram pro jardim da casa e se perderam, e isso me causou uma sensação muito grande de abandono e tristeza, foi minha primeira grande desilusão na vida. Daí fui parar em psicólogo e tal, e a única coisa que me curou foi fazer aulas de violão. Na época o cara chamava Pedrinho do Adão, me ensinava aquelas serestas, aquelas coisas tipo “quem quer pão… quem quer pão”… Depois dessa fase acabei passando parte da adolescência me dedicando a exercícios de guitarra, sweep picking, two hands, essas coisas, cheguei a ter bandas de heavy metal, era fã do Dream Theater… Acho que vem disso tudo esse perfil levemente obsessivo.
3) Disco nas praças da internet. E show? Vai rolar?
Lançamos hoje (11/7) o disco em Belo Horizonte, e temos alguns shows por aqui pra fazer, (mas) estamos agendando pra fazer show em Sampa e no Rio em breve. Acabamos de enviar uma proposta de turnê de lançamento na Zoropa também, pra dar continuidade ao processo iniciado no ano passado. No momento estamos dependendo da boa vontade do Programa Música Minas, vamos ver se rola…
Julho 11, 2012 4 Brindes




