Opinião do Consumidor: Harboes Bryggeri

A Harboes Bryggeri é a maior cervejaria da Dinamarca. Fundada em 1883 em Skaelskor, uma cidadezinha de sete mil habitantes na ilha da Zelândia (cerca de uma hora e meia de Copenhague), a Harboes tem uma carta de cervejas diversificada, sendo que a maioria delas circula apenas na Dinamarca, e alguns rótulos são feitos exclusivamente para a Escandinávia (onde as Bear Beer deste post se chamam Bjørne Bryg e não ultrapassam 3,5% de graduação alcoólica). Para exportação (incluindo o Brasil) apenas as trava-língua Bear Beer.
A versão popular da casa é a Bear Beer Premium Lager, 5% de graduação alcoólica e quase nenhuma diferença das (nossas) cervejas premium tradicionais. O aroma é bastante maltado, com o lúpulo floral marcado presença com delicadeza. No paladar, como manda o estilo, a regra se inverte: o lúpulo traz o amargor para frente do conjunto enquanto o malte tenta dar um pouquinho de sabor em uma cerveja cuja função primordial é refrescar (como as nossas). Se você estiver na Dinamarca, vale o copo. Caso contrário não vale o investimento.
A Strong Lager da Harboes Bryggeri é uma versão um pouquinho mais densa da Premium Lager (e muito mais leve que a porrada Extra Strong). No aroma tudo praticamente se repete: bastante malte e lúpulo delicado. A diferença é a presença do álcool, ainda comportado (principalmente em comparação com a próxima), mas presente. O paladar é um pouco mais amargo, remetendo levemente a nozes e malte, que dominam o final (nada amargo). Das três cervejas da casa, a mais equilibrada (ainda que nada sensacional).
Já a Bear Beer Extra Strong é uma patada de urso. Sério. São 12% de álcool que se apresentam ao freguês já no aroma, que ainda deixa passar notas de malte, de milho e… conhaque. No paladar, o álcool bate no céu da boca e fica. E não espere mais nada. Ok, ela ainda é levemente adocicada, muito embora você vá esquecer isso (e do mundo) no segundo gole. Os 12% de álcool são alcançados através da fermentação, e isso fica evidente no conjunto, que chega a enjoar. Para beber e cair (ou se esquentar do frio se você estiver no inverno europeu). E só.
As Bear Beer estão chegando ao Brasil entre R$ 7 e R$ 9,50, mas já tem gente que encontrou em boteco por R$ 6 (e vale… principalmente a patada de urso). Acima disso parece exagerado para uma cerveja que não traz tantas qualidades nem diferenças de exemplares nacionais próximos. Se o seu negócio é ficar bêbado, duas Bear Beer Extra Strong podem fazer uma noite. Se o seu negócio é boa cerveja, vale dar uma conferida no Top 100 deste blog (aqui). Tem coisa muito boa ali.
Bear Beer Premium Lager
- Produto: Premium Lager
- Nacionalidade: Dinamarca
- Graduação alcoólica: 5%
- Nota: 2/5
Bear Beer Strong Lager
- Produto: Strong Lager
- Nacionalidade: Dinamarca
- Graduação alcoólica: 7,7%
- Nota: 2,1/5
Bear Beer Extra Strong
- Produto: Strong Lager
- Nacionalidade: Dinamarca
- Graduação alcoólica: 12%
- Nota: 1,9/5
Março 26, 2012 Encha o copo
Graveola ao vivo em São Paulo
Em janeiro fui a Belo Horizonte conferir o show de lançamento do novo álbum do Graveola, “Eu Preciso de um Liquidificador”, no pomposo (e grande) Palácio das Artes. O público lotou o maior teatro da cidade (o mesmo em que Chico Buarque lançou seu último CD) e deu um show particular numa bela apresentação que marcava o lançamento do clipe de “Farewell Love Song” e a gravação do primeiro DVD ao vivo da banda.
Fiquei felizmente impressionado tanto com a receptividade do público, que cantou, sambou e pulou em canções como “Insensatez: a Mulher Que se Fez”, do primeiro álbum, “Graveola e o Lixo Polifonico”, tanto quanto recebeu bem as boas faixas de “Eu Preciso de Um Liquificador”, um dos grandes nacionais álbuns de 2011 (a deliciosa “Desdenha” rolou por vários dias aqui em casa).
A ideia era ter escrito um textão para o site na volta da viagem, mas o tempo atropelou o desejo, e cá está a banda se apresentando nesta terça-feira, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, um bom motivo para sair de casa e encontrar uma grande banda ao vivo. Os dois discos (mais a coletânea bootleg “Um e Meio”) estão liberados para download no site oficial dos mineiros. Baixe, ouça e tente ir ao show. Vale a pena.
Ps. O grupo volta a se apresentar em São Paulo no dia 12 de abril, às 21h, no Teatro do Sesc Ipiringa.

Março 25, 2012 Encha o copo
Três Filmes: Hawks 1940, 1952 e 1953

“Jejum de Amor” (“His Girl Friday”, 1940)
A peça da Broadway “The Front Page” ganhou sua primeira versão para o cinema em 1931 através de Howard Hughes (“O Aviador”, de Scorsese, lembra?), mas em 1940 estava de volta às telas, desta vez com Howard Hawks e uma mudança fundamental no roteiro: o papel de Hildy Johnson, escrito para um homem, passou para a ágil Rosalind Russell, e isso colocou o romance entre Hildy (Rosalind) e o editor Walter Burns (Cary Grant sensacional) em primeiro plano (e transformou o filme em uma comédia romântica deliciosa – com mais comédia que romance) deixando o afiado retrato dos primeiros anos do jornalismo na retaguarda. Acreditando estar sendo boicotada por Hawks, que, segundo a atriz, havia separado as frases mais afiadas do roteiro para o personagem de Cary Grant, Rosalind Russell contratou um roteirista para abastecê-la de frases – apoiada no incentivo de improvisação do diretor –, o que talvez explique a força narrativa do filme. Richard Schinkel, especialista em cinema americano e responsável pelo livro “Conversas com Scorsese”, julga essa como “uma das melhores de todas as comédias românticas”. É muito boa, mas ainda assim acho o adjetivo exagerado. “The Front Page” voltou aos cinemas em 1974 com Billy Wider, mas sem a pega romântica de “His Girl Friday”. Vale comparar.

“O Inventor da Mocidade” (“Monkey Business”, 1952)
Primeiro filme de Howard Hawks com Marilyn Monroe, mas ela só é coadjuvante (destilando charme e libido). À frente do elenco estão Ginger Rogers (absolutamente excelente) e Cary Grant, novamente sensacional em um papel bastante exigente. Nesta tradicionalíssima screwball comedy (de argumento inspirado em um outro sucesso de Hawks, “Levada da Breca”, de 1938, com Katharine Hepburn e Cary Grant), um cientista (Cary) está buscando uma fórmula que torne as pessoas mais jovens. Ele já está velho, não enxerga bem e se esquece de algumas coisas (a cena inicial, que começa na verdade nos créditos, é simplesmente brilhante). Sua esposa (Ginger) é afetuosamente apaixonada, mas tudo foge do convencional quando o cientista decide provar uma nova versão de sua fórmula, que acaba por ser “batizada” por Esther, um dos macacos de testes, que sozinho no laboratório prepara uma fórmula que é jogada no bebedouro (sem que os cientistas percebam), ponto de partida para uma divertida comédia, que parece um pouquinho mais longa do que o necessário (só tem 97 minutos, mas com 85 seria perfeito), mas serve de trampolim para um show de Cary Grant e Ginger Rogers.

“Os Homens Preferem as Loiras” (“Gentlemen Prefer Blondes”, 1953)
No ano seguinte, lá estavam Hawks e Marilyn juntos novamente, e impressiona como a atriz cresce de um papel para o outro. Aqui ela vive a dançarina de bordel Lorelei Lee, uma moça apaixonada por dinheiro, homens ricos e, principalmente, diamantes (o grande momento do filme, e um dos grandes momentos da história do cinema, é o número musical “Diamonds Are a Girl’s Best Friend”, com Marilyn lindíssima), que tem em sua amiga Dorothy Shaw (a bela morena Jane Russel) a amiga perfeita, mas de temperamento contrário: para ela não importa se o homem tem dinheiro, se é homem basta (a cena em que ela se passa por Lorelei em um tribunal é impagável). Intercalando ótimas gags cômicas (com boas pitadas de sexo) e números musicais eficientes que não tiram o ritmo da trama, “Os Homens Preferem as Loiras”, ao contrário do que o título possa sugerir, não tem nada de masculino: aqui os homens não escolhem nada, e sim são meros joguetes nas mãos de duas mulheres que sabem o que querem e o que precisam fazer para conseguir, num exemplo de liberdade feminina que deve ter chacoalhado algumas mulheres no começo dos anos 50, muito embora boa parte da trama se resolva em Paris (recado implícito: “Isso não acontece nos EUA, mas na França…”).
Leia também:
- Sobre “Conversas com Scorsese”, de Richard Schinkel (aqui)
- Sobre “Uma Aventura em Martinica”, outro Howard Wawks (aqui)
- Faltam atributos que façam de “O Aviador” um clássico (aqui)
Março 25, 2012 Encha o copo
Europa 2012: 4º rascunho de viagem
Mais um ticket comprado: Big Star’s Plays Legendary “Sister Lovers” album. Ok, não tem Alex Chilton (o vi com o Big Star em 2008 aqui), mas terá Mitch Easter, Jody Stephens, Chris Stamey, Ken Stringfellow e participações especiais de Mike Mills (R.E.M.), Alexis Taylor (Hot Chip), Jon Auer (The Posies), Brendan Benson (The Raconteurs), Norman Blake (Teenage Fanclub), John Bramwell (I Am Kloot), Ira Kaplan (Yo La Tengo), Sondre Lerche e Sharon Van Etten. Dia 28/05 no Barbican (que já era um lugar que eu queria conhecer).
Então a viagem está quase fechada. Quase. Só bato o martelo quando começar a comprar os trechos internos e reservar os hotéis, o que quer dizer que alguma coisa pode mudar ainda. Por exemplo: o trecho de Porto, no final da viagem (com show do Suede Optimus Primavera Sound do domingo), pode não rolar. As passagens estão caras, principalmente para sair de Porto na segunda e chegar em tempo de ver Bruce Springsteen na Itália, na segunda-feira. Estou pensando seriamente em ter um fim de semana italiano para descansar…
24/05 - Londres - Elvis Costello (Royal Albert Hall)
25/05 - Londres - I’ll Be Your Mirror
26/05 - Londres - I’ll Be Your Mirror
27/05 - Londres - I’ll Be Your Mirror
28/05 - Londres - Big Star
29/05 - Barcelona
30/05 - Barcelona - Primavera Sound
31/05 - Barcelona - Primavera Sound
01/06 - Barcelona - Primavera Sound
02/06 - Barcelona - Primavera Sound
03/06 - Barcelona - Primavera Sound
04/06 - Luxemburgo
05/06 - Luxemburgo
06/06 - Lou Reed, Luxemburgo
07/06 - Cork, Irlanda
08/06 - Tom Petty, Cork, Irlanda
09/06 - Porto - Optimus Primavera Sound ?
10/06 - Porto - Optimus Primavera Sound ?
11/06 - Bruce Springsteen, Trieste, Itália
Datas possíveis
22/05 - Brendan Benson, Scala, Londres
23/05 - Brendan Benson, Ruby Lounge, Manchester
29/05 - Soundgarden - Paris - Le Zenith
04/06 - Soundgarden e Afghan Whigs, Milão, Itália
10/06 - Black Sabbath - Download Festival - Reino UNido
Março 24, 2012 1 Brinde
Opinião do Consumidor: Shepherd Neame
Inaugurada na cidade de Kent, no sudoeste da Inglaterra (a cerca de uma hora de Londres), em 1698, a Shepherd Neame é a mais antiga cervejaria inglesa tendo transformado a bitter ale (um ale amarga, lupulada) através das décadas em paixão nacional perfeitamente reconhecível ao primeiro gole. Hoje em dia, a Shepherd Neame produz cerca de oito rótulos e possui mais de 360 pubs no Reino Unido (em Kent, Londres e Essex) tendo conseguido atravessar fronteiras e conquistar até os suecos.
Dois rótulos da Shepherd Neame se destacam: o primeiro é o Dedo do Bispo (Bishops Finger), que começou a ser produzido em 1958, quando o conselho de administração da Inglaterra liberou os cervejeiros para testar novos rótulos (o pós-guerra provocou um racionamento do malte – entre dezenas de outras coisas, e a ordem do governo era clara: “Quantidade, não qualidade). O cervejeiro da casa apostou nos lúpulos da cidade (hoje famosos), na água tirada de um poço artesiano há 200 metros do chão e em uma receita simples, que virou lenda.
Para ter uma ideia de como a produção da Bishops Finger é levada a sério, o conselho da Shepherd Neame decretou que a cerveja, produzida apenas às sextas-feiras, precisa semanalmente passar pelo crivo de um dos conselheiros. O resultado é uma bitter pale ale caprichada, com o aroma lupulado, que ainda traz notas de madeira, malte e frutas. O paladar crava o que o aroma sugere, mas com muita leveza, deixando um rastro de ameixa e uva passa num final que é surpreendentemente balanceado entre o amargo e o adocicado.
Já a Spitfire Premium Kentish Ale nasceu em 1990 – e logo se tornou o carro chefe da cervejaria – como uma homenagem à cidade de Kent, onde a Luftwaffe (Força Aérea Alemã) e a Royal Air Force (Força Aérea Britânica) lutaram durante a Segunda Guerra Mundial. Spitfire era o nome do caça britânico mais usado na época, e seu símbolo (uma bola vermelha dentro de uma bola azul - veja na foto) estampa a tampa da cerveja. E, claro, Kent também é famosa por seus lúpulos, sendo que três deles são usados na composição da Spitfire Premium Kentish Ale.
Ela já mostra sua personalidade através do aroma delicioso, um q de amadeirado com muito lúpulo floral e malte de caramelo que flutua no ar assim que o líquido é colocado no copo. No paladar, todas as características de uma autêntica bitter ale inglesa sugrem: o amargor pronunciado devido aos três tipos de lúpulo gruda no céu da boca arrastando um bocadinho de caramelo e melaço do malte, o que torna o conjunto bem interessante e deixa uma sensação agradável no final, levemente amargado. Ótima cerveja.
Fiquei bem curioso pelos outros rótulos da Shepherd Neam (principalmente pela Original Porter e pela Goldings Summer Hop Ale, que creio deva lembrar bastante a Bodebrown Hop Weiss, ótimo exemplar de Curitiba). Tanto a Spitfire Premium Kentish Ale quanto a Bishops Finger podem ser encontradas com facilidade no Brasil. Ou nos supermercados da rede Pão de Açucar, ou em empórios especializados com o preço variando entre R$ 14 e R$ 19 (a garrafa bonitinha de 500 ml).
Bishops Finger
- Produto: Strong Pale Ale
- Nacionalidade: Inglaterra
- Graduação alcoólica: 5,4%
- Nota: 3,24/5
Spitfire Premium Kentish Ale
- Produto: Bitter Ale
- Nacionalidade: Inglaterra
- Graduação alcoólica: 4,5%
- Nota: 3,31/5
Leia também
- Três cervejas da Bodebrown, por Mac (aqui)
- Top 100 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
Março 23, 2012 Encha o copo
Duas coisinhas
Escrevi um texto louvando George Costanza para o Movimento Seinfeld (aqui) e respondi algumas perguntinhas sobre audição de discos para a Lorena Calábria (aqui)…
Tem mais coisas pra dizer, mas o principal é que estou tentando domar a ansiedade e o stress (com remédios, sonhos e filmes - e um pouquinho de cerveja) e está dando um trabalho (risos)…
Março 22, 2012 Encha o copo
Martin Scorsese, eu e a morte

Foto: Marcos Pacheco
Comecei nesta semana a ler o quarto livro do ano, o que por si só já é um recorde de muitos anos. Ok, estou roubando um bocadinho na conta. Terminei o obrigatório “O Resto é Ruído”, do Alex Ross, em janeiro, mas comecei a ler mesmo em setembro ou outubro, quando voltei a pegar metrô e trem para o trabalho, o que trouxe a leitura de volta ao meu cotidiano (faço parte do grupo de pessoas que não pode ler em ônibus nem carro – enjoo na certa).
O segundo livro foi “A Visita Cruel do Tempo”, romance magnifico de Jennifer Egan. Agradeço imensamente à Ana Carolina, da Intrinseca, por ter me enviado o livro. O Gabriel já tinha recebido um para resenhar para o site (aqui), mas a Ana mandou assim mesmo um para mim. Nas entrelinhas, um “você precisa ler isso”. Obrigado, Ana. Egan me pegou de jeito. No meio da correria não calculei todo o impacto do livro sobre mim, mas foi forte, beeeem forte.
Sobre o terceiro, “Sexo na Lua”, de Ben Mezrich (o mesmo autor de “Bilionários por Acaso”, que originou o filme “A Rede Social”), falo um pouquinho mais em resenha (curta, mas direta) para uma revista (quando sair aviso aqui). E, então, comecei o meu quarto livro de 2012, “Conversas com Scorsese”, do crítico e documentarista Richard Schinkel, edição da Cosac Naify que segue o modelo do ótimo “Conversas com Woody Allen”, de Eric Lax.
Assim como Lax, Schinkel conheceu seu “objeto de estudo” no começo dos anos 70. Eric Lax conheceu Woody em 1971 (e as entrevistas começaram em 1973) enquanto Richard Schinkel convidou um amigo para uma projeção em casa de “Jejum do Amor” (1940), de Howard Hawks (“Uma das melhores de todas as comédias românticas”, grifa o crítico), e esse amigo trouxe Marty. A amizade seguiu, mas as entrevistas do livro começaram a ser feitas apenas em 2004.
“Acredito, de fato, que a coisa mais importante que descobri sobre Marty foi o poder que o passado exerce em seu trabalho”, conta Schinkel no prefácio. “Estou falando, por exemplo, da forma como a violência se apresenta em seus filmes. Ela aparece tão de repente. Raramente existe uma preparação para ela. Ele quer que fiquemos tão chocados – e tão atentos – como ele foi um dia (em Little Italy). É a assinatura gravada de sua sensibilidade”, analisa.
Estou apenas no começo do livro (página 60 de quase 500), mas me impressionou como o medo era um integrante vivo da rotina de Scorsese quando criança, uma criança asmática, o caçula de uma família numerosa que vivia em um apartamento de dois cômodos e meio numa rua do bairro italiano (e mafioso) de Nova York – e que conseguia um pouco de paz apenas dentro de um cinema e da igreja (ele foi coroinha e cogitou ser padre).
Impressionado com a quantidade de vezes que Marty usa a palavra “medo” (ou equivalentes) em 30 páginas (as que tratam de sua infância em Little Italy), comecei a rememorar minha própria infância, olhar para trás para identificar algum sentimento, algo que tenha ficado para trás (análises, ahh, a idade - risos). Não é questão de comparar, apenas uma curiosidade sobre si mesmo, mas óbvio que a minha infância foi bem mais calma que a do cineasta.
Ainda assim me lembrei de algo que tomou boa parte dos meus primeiros anos – não sei ao certo de quando a quando, mas me parece algo entre os quatro até os seis (talvez mais tarde, não sei). Mas durante meses (ou anos) eu deitava na cama e me via… morto. Ok, não me via, mas via o caixão, e sabia que eu estava lá. E sabia que era um eu velhinho, ou seja, não era uma preocupação de “posso dormir e não acordar”, mas sim uma preocupação… futura.
A vida era leve nessa época (pais exigentes e carinhosos, futebol com a molecada na rua, não tenho lá tantas memórias até a primeira série, aos 6 anos, quando a vida realmente “começa”), e não sei de onde esse sonho surgiu, e porque me acompanhou tanto tempo, mas um dia do nada ele foi embora (provavelmente trocado pela paixão pelo futebol, ou por uma das meninas da sala de primeiro ano, ou, claro, por uma das professoras de catecismo – tão óbvio). Dos sonhos estranhos…
Voltando a Scorsese (e 2012), já estou fazendo um planejamento mental de filmes para ver nos próximos dias. Amo o tristíssimo e dolorido “A Época da Inocência” (1993), embora não o veja desde os anos 90. Marty fala muito de “Os Infiltrados” (2006) no começo do livro, e deu vontade de revê-lo, assim como alguns do começo da sua carreira que nunca vi – “Quem Bate à Minha Porta?” (1968), “Caminhos Perigosos” (1973) e “Alice Não Mora Mais Aqui” (1974).
Outro que até tenho na estante e nunca assisti é “O Rei da Comédia” (1983), mas quero mesmo rever “Gangues de Nova York” (2002 – na época gostei tanto que escrevi isso aqui). Revi “Goodfellas” mês passado, e “A Cor do Dinheiro” (1986), “Taxi Driver” (1976) e “Cassino” (1995) estão fresquinhos na memória (revi os três em 2011). Já “A Última Tentação de Cristo” (1988) me venceu duas ou três vezes…
A leitura está rendendo como há tempos não rendia. Mas ainda tenho os dois Jonathan Safran Foer na fila (e a Nicole Krauss também), comprei a coleção “O Tempo e o Vento”, do Érico Verissimo, para reler (um dos meus livros preferidos desde sempre) e ainda tenho “Escuta Só”, do Alex Ross e muitos outros me olhando na estante (Shakespeare e Oscar Wilde pedem atenção e ainda tem os quatro volumes do… Marcel Proust). Devagar e sempre.
Leia também:
- Leia o 1º capítulo de “A Visita Cruel do Tempo”, de Jennifer Egan (aqui)
- “O minimalismo e o rock and roll”, trecho de “O Resto é Ruído” (aqui)
- De Luis Buñuel para Erasmo Carlos (aqui)
- De volta ao mundo de Rob Fleming (aqui)
- Os filmes prediletos de Woody Allen: 15 americanos, 12 europeus (aqui)
- Woody Allen de 0 a 10, por Marcelo Costa (aqui)
- “Quem precisa pensar sobre tamanhas bobagens”, Woody Allen (aqui)
Março 20, 2012 12 Brindes
Três Filmes: Fellini 1969, 1970 e 1978

“Satyricon” (“Satyricon”, 1969)
Baseado livremente e lisergicamente na obra homônima de Petrônio, um cortesão romano que viveu durante o reinado de Nero no século I, “Satyricon” narra as desventuras românticas de Encolpio e seu amante Gitone em uma Roma amoral e decadente. O filme começa em uma sauna romana, local em que Encolpio enfrenta o amigo Ascilto, que vendeu seu amante para um ator de teatro. É o ponto de partida para uma série de pequenos contos surreais que juntam cenas passadas em um bordel, palco de dezenas de passagens sensuais, segue-se em um Museu de Arte, onde um poeta critica o capitalismo, depois em um enorme (e nojento) banquete/bacanal servido por um homem rico, que corteja duas crianças sob o olhar reprovador da esposa. Encolpio, o amigo Ascilto e o amante Gitone são presos pelos soldados do imperador e levados em um barco. Um comerciante, Licas, seduzido pela beleza de Encolpio, decide-se casar com o rapaz, em cerimonia abençoada pela esposa Trifena. Calma, não terminou: ainda há um conto com uma hermafrodita e outro em que Encolpio ganha Ariadne como prêmio, e deve copular com ela frente a todo um estádio (e não consegue). Onírico e de difícil digestão, “Satyricon” parece um conto de fadas adulto e soa como o ponto de partida para a Trilogia da Vida, que Pasolini começaria a filmar em 1971.

“Os Palhaços” (“I Clowns”, 1970)
Produzido originalmente para a televisão italiana, “Os Palhaços” é metade documentário, metade fantasia, sobre um tema que sempre seduziu o cineasta italiano. Na primeira bela cena do filme, um menino observa um circo se erguer em frente a sua casa. A mãe coloca medo no menino: “Se não se comportar, vou dizer a esses ciganos que te levem com eles”. Começa assim, com memórias autobiográficas, a relação de Fellini com o universo circense, em bonitas cenas de picadeiro, que se juntam a entrevistas dispersas com velhos palhaços em asilos, todas conduzidas pelo próprio cineasta, que em cena é acompanhado de um câmera, um assistente e uma secretária (todos atores). Heróis do passado relembram outros ícones do picadeiro, numa mistura de nostalgia e tristeza. Um estudioso de clowns os divide em dois grupos – o branco (elegante e inteligente) e o augusto (atrapalhado e bagunceiro) – mas acredita que os palhaços estão mortos. Fellini junta os dois tipos de palhaço em cena para uma homenagem, mas falta intensidade e corpo ao filme (que tem uma ponta de Anita Ekberg), que inteiro perde para a cena de circo de “8 e Meio”, muito mais lírica e contemplativa.

“Ensaio de Orquestra” (“Prova d’Orchestra”, 1978)
O cenário: uma antiga capela do século 13, túmulo de três Papas e sete Bispos, de sensacional acústica, usada agora para o ensaio de uma orquestra. Os personagens: um grupo de músicos italianos regidos por um maestro alemão. Uma equipe de TV, comandada por Fellini (com voz em off), está no local para entrevistar os músicos, e isso já serve como ponto de partida para uma revolta trabalhista (“Vou perguntar ao Sindicato se devo ganhar um bônus para a entrevista”, diz alguém) tanto quanto para uma análise sarcástica do ego de cada músico tendo como foco seus próprios instrumentos. No auge da crise na orquestra, após uma greve (tempo hábil para que um dos músicos transe com a pianista embaixo do piano enquanto ela devora um sanduíche – ela não se importa nem com o sexo, nem com a música), o grupo decide trocar o maestro por um enorme metrônomo. A revolta aumenta, a história sufoca o espectador, e em certo momento, o cenário único e o caos que se instala remetem a “O Anjo Exterminador”, obra prima de Buñuel (o filme de Fellini é bem inferior), mas a crítica aqui é política: troque a capela pela Itália, os músicos pelo povo e o maestro por Hitler. Eis uma metáfora brilhante da força do poder sobre a individualidade.
Leia também:
- “Roma”: Fellini destrói a cidade, e a acaricia (aqui)
- Três Filmes: Fellini 1952, 1954 e 1955 (aqui)
- Top Fellini / Truffaut: uma lista “in progress”, por Marcelo Costa (aqui)
Março 18, 2012 1 Brinde
Download: Belém, São Paulo e Belo Horizonte

“Kitsch Pop Cult”, Felipe Cordeiro (Ná Music)
Baixe em um clique no site oficial: http://felipecordeiro.net/

“Nava Manhã”, Trupe Chá de Boldo (Independente)
Baixe gratuitamente no site oficial: http://www.trupechadeboldo.com

“Not Tourist”, Câmera (Independente)
Download do EP e dos trabalhos anteriores: http://cameracamera.net/
Março 18, 2012 Encha o copo
Europa 2012: 3º rascunho de viagem

A confirmação do Suede no Optimus Primavera Sound, perna portuguesa do festival espanhol, deu um nó no meu roteiro pessoal. Ainda estou cogitando ir, mas daria um trabalho danado, e os preços de voos estão meio salgados. A rigor as coisas são simples: acordo no sábado em Cork, na Irlanda, e tenho que estar em Trieste na segunda.
O Renato, um dos parceiros da viagem, já carimbou seu passaporte para o Download Festival, e eu queria evitar ir para o Reino Unido duas vezes. Tudo indefinido neste trecho, mas bateu uma ideia agora de escolher algum destino interessante e barato saindo de Cork, e que não de muito trabalho chegar em Trieste. Suede? Será?
Pode ser Gênova, pode ser Innsbruck, pode ser Veneza e pode ser… Liverpool. Uma hora de voo de Cork para Liverpool, e segunda algum voo para Trieste… dúvidas…
24/05 - Londres - Elvis Costello (Royal Albert Hall)
25/05 - Londres - I’ll Be Your Mirror
26/05 - Londres - I’ll Be Your Mirror
27/05 - Londres - I’ll Be Your Mirror
28/05 -
29/05 -
30/05 - Barcelona - Primavera Sound
31/05 - Barcelona - Primavera Sound
01/06 - Barcelona - Primavera Sound
02/06 - Barcelona - Primavera Sound
03/06 - Barcelona - Primavera Sound
04/06 -
05/06 - Luxemburgo
06/06 - Lou Reed, Luxemburgo
07/06 - Cork, Irlanda
08/06 - Tom Petty, Cork, Irlanda
09/06 - Porto - Optimus Primavera Sound ?
10/06 - Porto - Optimus Primavera Sound ?
11/06 - Bruce Springsteen, Trieste, Itália
Datas possíveis
22/05 - Brendan Benson, Scala, Londres
23/05 - Brendan Benson, Ruby Lounge, Manchester
28/05 - Big Star Plays Third - Londres
28/05 - Bruce Springsteen - Pinkpop - Holanda
28/05 - Soundgarden - Rockhal - Holanda
28/05 - Metallica Plays Black Album - Bélgica
29/05 - Soundgarden - Paris - Le Zenith
04/06 - Soundgarden e Afghan Whigs, Milão, Itália
10/06 - Black Sabbath - Download Festival - Reino UNido
Março 16, 2012 6 Brindes
Histórias de Bruce Springsteen no SXSW
Março 15, 2012 Encha o copo
Opinião do Consumidor: Eggenberg
Localizado às margens do rio Alm, em Vorchdorf, no estado de Salzburg, região dos Alpes austríacos, o Castelo Eggenberg (fundado no século X) é a casa da cervejaria de mesmo nome desde o século XIV. De lá pra cá, sete gerações da família Stöhr vem fabricando algumas das melhores cervejas austríacas, entre elas o “coice de bode” Urbock 23º, a Mac Queens Nessie (com malte de uísque escocês) e os dois interessantes rótulos que integram este post: a Hopfenkönig e a histórica Samichlaus.
A levíssima Eggenberg Hopfenkönig (que, traduzindo, significa “Rei do Lúpulo” – e não qualquer lúpulo, mas um dos mais famosos, o de Saaz, de origem tcheca) pode enganar quem esperava encontrar uma cerveja altamente amarga: o frescor do aroma impressiona tendendo levemente ao frutado / maltado, mas o paladar surge bem balanceado entre amargor e dulçor, definindo-se pelo primeiro apenas no final, que fica marcado na garganta. A sensação final é de um amargor não pronunciado, mas presente, que surpreende em uma bela cerveja.
Já a particularíssima Samichlaus, a cerveja lager mais forte do mundo com 14% de graduação alcoólica (para comparar, as cervejas de balcão no Brasil tem entre 4,5% e 5%) começou a ser fabricada na Suíça pela cervejaria Hürlimann, que passou o rótulo para a Eggenberg em 2000. Primeiro fato que chama a atenção: a Samichlaus é fabricada apenas uma vez por ano, no dia 06 de dezembro, dia de São Nicolaus (Santa Claus ou… Papai Noel). Ela ainda é envelhecida por 10 meses antes do engarrafamento, o que a torna quase licorosa.
O aroma é bastante complexo com notas de malte tostado, madeira, mel, uvas, avelã, nozes e, claro, álcool, duelando pelo olfato. Já o paladar é extremamente maltado, com início extremamente caramelado e um final seco que deixa um rastro de álcool do céu da boca até a garganta. Este álcool desaparece alguns segundos depois, e um inesperado – e sensacional – dulçor de melado (com toques de avelã e nozes) marca presença. O álcool permanece imperceptível no conjunto de uma cerveja rara, indicada para momentos especiais.
Outra característica interessante da Samichlaus: ela não possui prazo de validade, pois continua maturando na garrafa – seu aroma torna-se mais complexo com o passar do tempo. As quatro Eggenbergs (leia sobre as outras duas - Urbock 23º e Mac Queens Nessie - nos links abaixo) são encontradas com facilidade em bons empórios com o preço da garrafa de 330 ml indo de R$ 9 (Hopfenkönig) até R$ 23 (Samichlaus) – a Urbock está na faixa de R$ 18 e a Nessie por volta de R$ 15 – e valem muito o investimento.
Eggenberg Hopfenkönig
- Produto: Pilsen
- Nacionalidade: Austriaca
- Graduação alcoólica: 5,1%
- Nota: 3/5
Samichlaus
- Produto: Strong Lager
- Nacionalidade: Austriaca
- Graduação alcoólica: 14%
- Nota: 4,05/5
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Março 15, 2012 Encha o copo
Cinco shows que valem a pena em SP

Na quinta-feira, 15/03, Felipe Cordeiro lança seu elogiado “Kitsch Pop Cult” com show no Sesc Vila Mariana, a partir das 21h. Sobre o disco, Elvis Rocha escreveu aqui. Infos do show aqui
Na sexta-feira, 16/03, o Lestics mostra algumas das músicas que irão compor “História Universal do Esquecimento”, quinto álbum, no Estúdio Nimbus, a partir das 21h30. Endereço e infos aqui.
No sábad0, 17/03, é a vez da Banda Gentileza, ao lado d’A Banda Mais Bonita da Cidade, se apresentar de graça no Sesc Pinheiros a partir das 16h. Endereço e mais infos aqui.
Ainda no sábado, mas às 21h, no Auditório Ibirapuera (boa dica do amigo @jnflesch), tem show da dupla sborniana Tangos e Tragédias. Impagável e imperdível. Infos aqui.
No domingo, 18/03, é a vez do grande Pélico mostrar as canções de seus dois ótimos álbuns em show com violões, bandolim e metalofone na Casa do Mancha, a partir das 20h (infos aqui)
Vou me esforçar para tentar ir aos quatro…

Ps. Baixe o disco do Pélico aqui, o da Banda Gentileza aqui, da Banda Mais Bonita aqui, do Felipe Cordeiro aqui e os quatro álbuns do Lestics aqui
Março 15, 2012 Encha o copo
Dos dias…
em que parece que um caminhão passou sobre você. Alguém anotou a placa?
Março 13, 2012 Encha o copo
Os riffs dos Smiths por Johnny Marr
This Charming Man
How Soon Is Now?
Bigmouth Strikes Again
A Rickenbacker e os Smiths
Riffs from The Smiths, TheThe, The Kinks
Março 11, 2012 Encha o copo
Três shows: Noel, Pulp, Arcade Fire
Noel Gallagher’s High Flying Birds - Itália 2011
Pulp - Reading 2011
Arcade Fire - Coachella 2011
Março 10, 2012 Encha o copo
Cinco fotos: Santiago
Clique na imagem se quiser vê-la maior
Leia também:
- Roteiro: Argentina e Chile – Parte 1: Comida (aqui)
- Roteiro: Argentina e Chile – Parte 2: Outros (aqui)
Cinco fotos: Atacama, Atenas, Barcelona, Berlim, Bratislava, Bruges, Bruxelas, Budapeste, Chicago, Dublin, Florença, Istambul, Leuven, Londres, Madri, Málaga, Nova York, Parati, Paris, Praga, Roma, Santorini, São Paulo, Tiradentes, Veneza e Viena (aqui)
Março 10, 2012 Encha o copo
Promo: Bixiga 70 em SP, Showmício no Rio
Duas promoções relâmpago:

O Bixiga 70 apresenta as músicas de seu elogiado álbum de estreia no Auditorio Ibirapuera no domingo, 11/03. O belo debute dos caras apareceu na lista de Melhores Discos de 2011 do Scream & Yell (em terceiro lugar) e pode ser baixado gratuitamente aqui (mas eles fizeram uma prensagem caprichada em vinil também). O show contará com a participação de Luisa Maita e Philippe Lafreniere.
SORTEADOS: ISABELA O. e THIAGO NASCIMENTO
SERVIÇO
Dia: 11/03 - 19h
Ingressos: R$20 e R$10 (meia-entrada)
Auditório Ibirapuera (mais infos aqui)

No Rio acontece hoje o Showmício de lançamento do selo Penetra Records com sets de Camara, Leo Justi, Strausz e So&So na Comuna, Rua Sorocaba, 585. O Penetra Records é um braço fonográfico e agenciador do portal Party Busters, que aposta na variedade e expressividade de seus artistas.
SORTEADO: LEONARDO
SERVIÇO
Dia: 09/03 - 23h até 06h
Ingressos: R$25 (lista amiga) e R$40 (sem lista)
Entrada somente em dinheiro
www.penetrarecords.com
O Scream & Yell está sorteando um par de ingressos vip para o Showmicio da Penetra Records no Rio e dois pares de ingressos para o show do Bixiga 70, domingo, no Auditório Ibirapuera. Basta ir aos comentários abaixo e dizer “Eu quero ir no…”. Boa sorte.
Março 9, 2012 9 Brindes
Dez links que valem a pena
* Domingo estarei no Terra TV ao vivo com lado de Lorena Calabria, Camilo Rocha e Thiago Phetit num esquenta do portal para a transmissão do show de Morrissey em São Paulo. Mais infos aqui.
* A Lorena, inclusive, estreou blog no Terra, e tem uma entrevista bacana com o pessoal do Titãs relembrando os tempos do “Cabeça Dinossauro”. Vale ler aqui
* Mochilar ou Pedalar? Camila Guido opina aqui
* Kristeen Young abre o show de Morrissey (tanto no Rio quanto em São Paulo). Veja dois vídeos que gravei, um em Rosário (aqui) e outro em Buenos Aires (aqui)
* O Bruno Capelas fala mais do Tête-a-Tête com o Super Fu Animals. Ou Pato Furries (encontro de John Ulhoa e Fernanda Takai com Gruff Rhys). Leia aqui
*Beck sobre Bob Dylan em um texto antigaço: “Todo mundo devia pagar ingresso só para ver o cara que escreve aquelas canções maravilhosas”. Leia aqui
* O Driving Music faz show neste sábado em São Paulo. Serviço aqui
* “New Multitudes”, com Will Johnson e Jay Farrar (ex-Uncle Tupelo) recuperando Woody Guthrie. Ouça o disco todo no El País (aqui)
* Para assistir: 1h20 de Noel Gallagher ao vivo (aqui)
* O Podcast #49 do Scream & Yell já está disponível para download na Levis Radio. Você pode baixar lá ou aqui
Março 9, 2012 1 Brinde
Quatro vídeos: Lados b do Pato Fu
Registros do projeto Tête-à-Tête #Inker10Anos (saiba mais aqui)
Televisão de Cachorro
Quase
A Hora da Estrela
No Aeroporto (Versão Original) With Gruff Hyms
Março 9, 2012 Encha o copo










