FIB 2008, Jueves

July 18th, 2008

A XIV edicao do Festival Internacional de Benicàsssim comecou sob um sol escaldante às 19h da quinta-feira. Muita gente ainda chegava com dezenas de sacolas de comida, pilhas e pilhas de caixas de cerveja e barracas em direcao ao acampamento. A praca central do balneário virou campo de guerra: ingleses nadavam no chafariz para fugirem do calor, alemas comiam baguetes enormes e espanhóis observacao a babel com interesse.

Primeira “decepcao”: eu tinha pra mim que o festival acontecia na areia da praia, mas nao, toda a estrutura é montada ao lado de uma estrada que separa o festival do mar. No entanto, a organizacao é de primeira. Ao contrário do Werchter e T In The Park, a maior parte da área ocupada é asfaltada, o que aumenta o calor, mas evita o lamacal em caso de chuva (e choveu anteontem de manha aqui).

Novamente, o shopping rocker junta tudo: tem barraca da Elephant Records vendendo o último CD do Júpiter Maca, as famosas sandálias havaianas, uma tenda convidando o público a assistir a um jogo beneficente entre artistas e jornalistas (será que o Cohen está escalado?), comida de diversas procedências e, claro, cerveja, aqui Heineken, patrocinadora do festival. O copo pequeno custa 2,50 euros. O de um litro sai por 7,50. Vou te dizer: é lindo!

Fui encontrado pela Carol e pela Renata (que nao é a Honorato) no meio do show do Krakovia, que eu nem sei bem o que é, mas sei que é ruim pacas. No comecinho do show do Nada Surf encontrei a comitiva mineira do Alto Falante: James, Thiago e Terence. Atualizamos os papos de shows, trocamos infos sobre bandas novas que vao se apresentar no FIB e marcamos de nos encontrarmos na frente do hotel deles, de frente pra praia em Benicassim. Chato. Ah, claro, brindamos com copos de um litro de cerveja.

O show do Nada Surf (Honorato, você iria amar) foi uma entrega do vocalista e guitarrista Matthew Caws, que aumentou o volume do seu instrumento (mais comportado nos últimos álbuns) e falou em espanhol mais do que o próprio baixista da banda, que é espanhol. Power pop para as massas espanholas, que estava assistindo ao grupo pela quarta vez no festival, e sabia todas as cancoes de cor - mesmo as novas, do bom álbum “Lucky”. Show bonito e competente.

Na seqüência, o Sigur Rós voltou a embalar sonhos roqueiros com uma apresentacao tao irretocável que até a lua - absurdamente cheia - parou para assistir ao grupo. O show foi um repeteco daquele que assisti semanas atrás no Rock Werchter, na Bélgica, com a diferenca de que o público belga era distante e contemplativo enquanto o espanhol “entra” mais no clima, canta (quando é possível cantar) e, mesmo após a cancao terminada, continua fazendo coro com a melodia criando um momento de rara beleza. Seria comum se fosse uma banda comum, mas normal é um adjetivo que nao se encaixa ao Sigur Rós. Eles merecem mais.

Hora de se jogar na grama e tirar um cochilo comendo fritas (muito melhores que as da Bélgica) e se abastecer de coca-cola. Deu para ouvir, de longe, o Mates of State e encarar boa parte do show do Black Lips, grupo norte-americano que mistura o clima flower power com a crueza do punk e empolga ao vivo - principalmente nos rockabillys. O Battles abarrotou a tenda FIB Club e três da manha já era um bom horário para voltar ao hotel e se preparar para a maratona dos próximos dias em que os shows comecam as 17h30 e terminam às 07h45.

Hoje tem Babyshambles - se o Tim Maia britânico nao der cano em mais um festival, e eu tô bem afim de ver Pete Doherty ao vivo - New York Dolls, My Bloody Valentine e Spiritualized tocando no mesmo horário, Róisín Murphy, Hot Chip e Mika. Leonard Cohen toca às 20h do domingao, mas será um show de festival, com uma hora, e nao o show completo que a Juliana viu em Edinburgh na quarta-feira, e que fez ela chorar tanto a ponto da senhora velhinha que estava na cadeira ao lado lhe emprestar um lenco. Vou a praia, mas volto com fotos e histórias.

Ps. Aliás, quase voltei pra casa mais cedo. Acordei e fui para a estacao de trem sacar grana, e dois policiais civis me pararam e pediram o passaporte. Disse a eles que nao ando com o passaporte, para nao perde-lo e tal, e os caras pegaram meu RG, fizeram várias ligacoes, e me questionaram uns dez minutos. Me dispensaram uns 15 minutos depois com o aviso: “Você precisa andar com o passaporte para mostrar que está legal aqui na comunidade européia. Da próxima vez, levamos você para a comissaria e… Brasil”. Aceitei o conselho e fui pega-lo. Mas antes do Cohen e do Lou Reed eu nao volto!

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Um litro de cerveja

July 17th, 2008

Ok, estou bêbado. É bom dizer isso antes de escrever, assim vocês relevem qualquer erro ortográfico ou filosófico, ok. (hehe). Bem, estou em Benicassim, fervendo sob um sol de sei lá quantos graus. A viagem de Barcelona pra cá foi tranquilissima, com cerveja Mahou (uma das top 5 da viagem) e a costa da Espanha pela janela. Cheguei em Castellon, e eu tinha certeza que o hotel duas estrelas que reservei em cima da hora seria tosco, mas… grande engano.

Estou pagando, em média, 20 euros por noite em albergue. Este hotel em Castellon, cidade vizinha a Benicassim, está me custando 40 euros o dia, mas nada como chegar de doze dias em albergue e tomar um banho decente de uma hora em uma banheira. O hotel é fofo, mas é bem longe de Benicassim. Precisei tomar dois ônibus até chegar aqui, e foi um tempao. Minha preocupacao era pegar logo a pulseira do festival, e entao relaxar.

No caminho da entrada do FIB havia uma barraca vendendo cerveja, copos de 300 ml ou 1 litro. Optei pelo segundo, e se estou bêbado agora, nao foi só por essa opcao. É que, também, para estar escrevendo isso aqui, tive que esperar mais ou menos três horas. Nesse tempo, almocei (omelete de batatas e salada), bebi mais três Estrellas e tentei procurar uma amiga, que estava em alguma praia perto do festival, mas nem sequer na praia eu consegui chegar.

O FIB, hoje, comeca as 19h. Neste momento, 18h23. Nada Surf toca às 22h, Sigur Ros às 23h, Mates of State à 1h e… lembra aquela banda que eu tinha dito umas semanas atrás que estava pronta pra sair da sombra do White Stripes… Black Keys às 2 da manha (bêbado é uma m****! Nao era o Black Keys e sim o Black Lips). Ainda tem Battles às 3h e o festival segue até as 6h. O que me deixou puto, no entanto, foi o fato de colocarem My Bloody Valentine e Spiritualized no MESMO HORÁRIO. Tremenda sacanagem. ://// Bem, vou lá beber mais algo. Descobri uma internet do lado do hotel em Castellon, entao deve rolar atualizacao. Só depende da minha ressaca… a gente se vê.

Bye, bye, Barcelona

July 17th, 2008

Eu sei, é de partir o coracao, mas está chegando a hora de ir (”venho aqui me despedir e dizer que o meu coracao vou deixar nao ligue se acaso eu chorar, mas agora, adeus”… ahhh, o Rei Roberto). Bem, amanha de manha acordo e vou para a estacao Barcelona Sans para pegar um trem em direcao a Castellon, onde na praia vizinha, Benicassim, acontece o badalado Fiber nos próximos quatro dias. Este último dia útil em Barcelona foi o mais calmo e mais gostoso de toda a viagem, com cara de férias mesmo, e banco de praca, sorvete e caminhada de chinelo.

Acordei cedo para ir conhecer a Casa Milà, de Gaudi, popularmente chamada de La Pedrera, que fica aqui ao lado do hostel. Era para eu ser um dos primeiros a entrar, mas eis que chega junto comigo uma excursao de escola. Pô, bem legal levarem os estudantes franceses para conhecer Gaudi, mas tinha que ser no meu horário (risos). A Casa Milà è… putz, sem palavras. Meu queixo caiu várias vezes. Gaudi a construiu entre 1906 e 1910, e só um louco poderia construir uma casa bizarra dessas naquele tempo… e deslumbrante.

Na verdade, a Casa Milà eram vários apartamentos e hoje em dia é um centro cultural que abriga histórias das obras do arquiteto e o visual sensacional da casa. E, ainda, tem o “jardim” mais descolado de todos os tempos, no terraco, que você pode ter visto em “Profissao: Repórter¨, do Antonioni (valeu, meu querido Carlos Freitas), mas que nem mil fotos vao impedir que você deixe o queixo estatelado no chao. Bati muuuitas fotos. Esta, com o casal sentado sobre um dos arcos do terraco olhando a Sagrada Familia, demorou um tempo. Eu queria bater só dos arcos e da igreja, mas o casal sentou ali… (risos)

Na seqüência fui encarar o Parque Güell, que Gaudi fez entre 1910 e 1914, a pedido do dono da propriedade, Eusebi Güell. Conta a história que o resultado final do parque ficou muito aquém do ambicioso projeto original, mas olha, se ficou aquém, meu deus, o que deveria ser o projeto original! O Parque é uma pequena obra de arte. Assim que desci na estacao de metrô, e fui olhar o mapa, uma senhora perguntou: “Parque Güell? Siga reto”. Fomos conversando até o fim da escada rolante, quando ela disse que eu amaria o parque. “Me gusta mucho”, ela disse antes de ir.

Caminhei por horas pelo parque, deslumbrado com todos os seus detalhes, e lamentando nao estar com Lili para fazermos um piquinique (fica para o ano que vem). Subi e desci mais de 500 degraus (quando parei de contar), bati uma centena de fotos (mas fiz uma selecao para o flickr) e fiquei pensando o quao genial era esse homem, que fazia coisas realmente diferentes e inovadoras. É completamente chapante, completamente. Andei tanto que acabei com um tênis leve que eu tinha comprado em Parati, meses atrás, e que nao devia esperar tanto trabalho.

Voltei pro hostel de havaianas genéricas, tomei um banho e fui cortar as unhas na praca. E por lá fiquei sentado observando o movimento, descansando as pernas, acalmando a mente e sentindo o cheiro da cidade. Depois sai, olhei a Casa Battló, fui tomar um sorvete na sorveteria que fica embaixo da Casa Milà, e fiquei pensando no quanto essa cidade é encantadora. No hostel, novamente, arrumei as malas e deixei tudo pronto para amanha de manha acordar e partir, mas precisava registrar esse adeus. Nao sei como vao ser as coisas em Benicassim, mas se houver uma internet por perto (o que tem acontecido bastante nessa viagem), apareco para falar dos shows, ok.

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

“Medio millón de almas en marcha”

July 16th, 2008

O titulo do post foi a manchete de capa do jornal Publico, de Barcelona, ontem, que ainda dizia: “Mas de 500.000 personas asistiran  a un concierto en nuestro pais desde hoy hasta el domingo, en medio de la guerra de festivales por conseguir mas publico”. O bafafa todo eh devido ao classico do fim de semana: Barcelona x Benicassim.

Em Barcelona acontece nos dias 18 e 19 de julho a segunda edicao do Summercase, cujo principal nome do line-up sao os Sex Pistols (que, acreditem, estará tocando pela primeira vez na Espanha!). Mas segura o resto: Blondie, Grinderman, Interpol, Maximo Park, Primal Scream, The Verve, Ian Brown, Sons and Daughters, Breeders, Kaiser Chiefs, Mogwai (tocando o “Young Team” inteirinho), CSS, Kooks, Raveonettes, Mystery Jets, 2Many Djs e, ufa, muito mais.

Em Benicassim, voce já sabe (hehe), acontece do dia 17 ao dia 20 mais uma edicao do Fiber que destaca Leonard Cohen, Morrissey, My Bloody Valentine, Babyshambles, Mika, Siouxsie, The Raconteurs, Death Cab For Cutie, American Music Club, José González, The New Pornographers, Spiritualized, Vive La Fête, Justice, The National , Sigur Ros, The Kills, Gnarls Barkley, Róisin Murphy, The Brian Jonestown Massacre e, ulala, Nada Surf, entre outros. De quebra, no fim de semana tem Bruce Springsteen com sua E. Street Band dia 17 em Madri e 19/20 em Barcelona.

Existe público para tantos shows? Essa é a pergunta que o jornal propoe, e embora a pauta esteja fraca (falta o básico: comparacao e informacao de line-ups), uma boa frase me saltou aos olhos:

“Como la venta de CDs sigue bajando, hay quién defiende que lo que antes se gastaba en discos, ahora se invierte en conciertos. Una teoría más razonable apunta a la accesibilidad de la música. La llegada de Internet y las nuevas tecnologías ha provocado que el público llegue a las canciones más fácilmente y, en especial gracias a las redes P2P, de forma gratuita. Ético o no, legal o ilegal, la realidad es que hoy en día, cuando se vende menos música que nunca, se escucha más música que nunca y se va a más conciertos.” por Jesus Miguel Marcos (leia mais aqui).

Quatro futuros jornalistas me procuraram dias antes da viagem para pequenas entrevistas para seus projetos de conclusao de curso que sempre resvalavam no assunto MP3, música na internet, redes P2P, direitos autorais e o escambau. Acho que essa frase negritada do páragrafo acima é perfeita para simbolizar que a queda nas vendas nao significa a morte da música, e sim o momento agonizante da indústria. A indústria nao é a música, isso precisa ser dito. Meio milhao de pessoas nao marcham de bobeira, pode ter certeza. Mas vamos lá, diz ae: em qual dos dois festivais você iria?

Antoni Gaudi, Tom Waits e Barri Gotic

July 16th, 2008

Andei, andei, andei. E andei. Andei pra cacete ontem. Assim que cheguei em Barcelona, na segunda, comprei um passe de metro/tram para tres dias (algo que compensa muito em qualquer grande cidade europeia). Acordei ontem, e fui pra estacao Diagonal pegar o metro pra estacao Sagrada Familia. Pro meu “azar”, a estacao Diagonal esta em obras, e algumas conexoes estao fora de servico temporariamente. Olhei no mapa, achei perto, e fui caminhando. Meus joelhos estao um caco, mas valeu a pena.

Valeu a pena pois a Sagrada Familia eh… deslumbrante. Na verdade, eh muito dificil achar um adjetivo para descreve-la. Mesmo deslumbrante eh pouco. Seria como a coisa mais foda que eu ja vi na minha vida, ou algo assim. Imagina: a igreja ainda nem esta terminada e ainda assim atrai 1 milhao de visitantes por ano! O arquiteto Antoni Gaudi assumiu o projeto em 1883 e dedicou-se a ele nos 40 anos seguintes (chegando ate a morar dentro do canteiro de obras). Ele morreu em 1926, tres dias apos ser atropelado perto da igreja, 43 anos apos ter assumido o projeto. E la se vao 125 anos.

Otimistas acreditam que a igreja estara terminada em 2030. Outros apontam para 2080. Eh fascinante demais imaginar quantas pessoas se dedicaram a obra e nao vao ve-la finalizada. Mesmo em construcao, no entanto, a igreja pode ser visitada. Ha um museu no subsolo que conta a historia de Gaudi (cujo corpo esta em uma cripta, ali mesmo), o visitante pode admirar a obra em construcao e, ainda, subir aos campanarios ja prontos. A escadinha eh sinistra, mas a visao dos detalhes da igreja e de Barcelona valem o susto. A Sagrada Familia eh para a arquitetura o que o “Smile”, dos Beach Boys, eh pra musica pop. Coisas de genios.

Dali fui para a Vila Olimpica (namorar uma arquiteta rende passeios assim) e, em seguida, para o Barri Gotic, um bairro que um dia foi um vilarejo romano, e cujas ruas estreitas sao completamente apaixonantes. O guia sobre a cidade que estou acompanhando apontava varios lugares bacanas no bairro, mas pedia para andar a esmo, deixando-se levar pelas ruas estreitas e por sua beleza. Nao pensei duas vezes: comprei uma San Miguel (cerveja espanhola, de Alicante) e segui caminho. Cinco cervejas depois eu ja estava amando o lugar.  (risos)

Decidi comer por ali, e gastar um pouco mais (ja fazia mais de tres dias desde o bom almoco em Glasgow) e escolhi a Plaza Real para desfrutar um filet iberic amb salsa de pebre verd acompanhado de arroz, salada e um copo de vinho. No fim das contas, nem saiu tao caro. O menu do dia estava por 8,75 euros. A conta ficou em 16 euros (aproximadamente R$ 42).  Voltei a caminhar feliz pelo lugar e, quando ja estava anoitecendo, passei no hostel, tomei um banho rapido (fez 35 graus o dia todo em Barcelona - o sol se foi as 21h) e fui tentar encontrar com Tom Waits. Mas…

Bem, Tom Waits iria fazer dois shows em Barcelona, no enorme Forum, capacidade para 2200 pessoas. Os ingressos estavam entre R$ 290 (o mais barato) e R$ 350 (o mais caro). Pra mim, nunca iria esgotar. Cheguei a tentar, ao menos tres vezes, comprar os ingressos ainda no Brasil, mas nao rolou. Ontem, apos ter saido da Sagrada Familia, foi ao Forum, mas a bilheteria soh iria abrir as 17h. Quando cheguei, as 21h, ja estava sold out. Sabe que deu um alivio? Pagar R$ 300 em um show eh muuuuuito dinheiro, e em economia de viagem, seria uma extravagancia e tanto.

Na parte da tarde, no Barri Gotic, passei em umas lojinhas bacanas de CDs da Calle Tallers. Namorei uma caixa das Supremes com quatro CDs que estava com 20% de desconto sobre os 34 euros da capa (e vamos combinar, R$ 18 eh um grande desconto), mas acabei levando pelo mesmo preco um box com seis CDs que flagram as BBC Sessions completas do Wedding Present, mais um Cinerama (”BBC Sessions”), um Black Box Recorder (”The Facts of Life”), uma coletanea dupla de raridades do Superchunk e um EP de covers do Los Lobos, e tudo isso saiu por 4o euros (pouco mais de R$ 100), e eu iria pagar 125 euros no show… foda.

Lembro que paguei R$ 250 para ver o Dylan, e olha que eu e Lili precisamos debater muito se valeria a pena. Sei que teria valido a pena ter visto o Tom Waits, e ainda vou tentar ve-lo em Dublin, dia 31 de julho, quando terei uma ideia da situacao catastrofica da minha conta bancaria, mas ontem soh me restou pegar uma Estrella (cerveja de Barcelona, bem boa) na porta do show (em que nao haviam cambistas, ja que a Teleentrada vendeu os ingressos por telefone e os mesmos eram nominais) e partir, novamente, para a Sagrada Familia, e jantar um sanduiche baratinho de bacon com queijo admirando a obra de Gaudi.

Hoje o roteiro eh totalmente Gaudi: vou a Pedrera e ao Parc Guell. Acordei cedo e fui para a Barcelona Sans, estacao central de trens, para tentar simular a confusao que sera a volta de Benicassim na segunda. Meu trem esta marcado para chegar em Barcelona as 11h49. Tenho que sair do vagao correndo, comprar a passagem para o trem para o aeroporto, e voltar correndo para pega-lo as 11h55. Se perde-lo, vou morrer com uns 30 euros de taxi, pois meu horario limite para embarcar para Malaga eh 12h45, no aeroporto. Dedos cruzados ae.

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

“I Love You, Spain”

July 15th, 2008

Eu estava no segundo degrau, descendo a escada do aviao, quando uma menina atras de mim (provavelmente escocesa), soltou a frase que dah titulo ao post. Pousamos em Barcelona as 19h45 (14h45 no Brasil) e o sol estava a pino com os termometros do aeroporto marcando 28 graus. Oito horas da noite!!!!!! Bem, o clima eh outro, nao tem como nao falar. Marajei meus olhos soh de entrar na cidade.

Alias, tenho falado pouco das cidades, nao? Bem, me apaixonei por Leuven, na Belgica, mas muito mais pela calma e pelo seu jeito de presepio do que por qualquer outra coisa. Nao eh uma cidade baladeira, mas eu tambem ja passei da fase baladeira. Agora quero sair para passear com o cachorro empurrando o carrinho de bebe com a Julia e a Ana. Outros tempos, outros tempos.

Bruxelas me encantou, mas preciso explorar mais a cidade. Berlim foi um caso de amor e odio. Tem coisas excelentes (como beber cerveja no onibus, na rua, no banheiro, no banco - risos), mas a memoria da guerra me incomodou. E para viver numa cidade igual a Sao Paulo, fico em Sao Paulo. Mesmo assim, senti saudade de Berlim quando estava em Glasgow, uma cidade mais… caipira (nao sei se essa eh a definicao correta).

Glasgow (e a Escocia), definitivamente, nao me conquistou. Se eu nao tivesse passado pela parte antiga da cidade, entao, provavelmente a teria achado a coisa mais normal do mundo, mas valeu ter estado la. Fiquei cinco horas em Bournemouth, e foi interessante. O onibus que vai ao aeroporto fez um trajeto de tour para se conhecer a cidade (praia, igrejas, monumentos), mas mesmo com o sol estava um friozinho.

Ja Barcelona… assim que voce entra na cidade, vindo de qualquer um dos dois aeroportos, entra numa autovia linda, quase subterranea. Quando voce sobe para a cidade, ve os cabos e andaimes na Sagrada Familia, do lado direito, e ja sabe que esta realmente na cidade de Gaudi. Fiz um pequeno trajeto de metro (comprei o ticket para tres dias) e cheguei ao albergue, que fica a 100 metros da Casa Milá. Depois de um banho fui tomar um sorvete aos pes do predio… foda. Estou indo ver a Sagrada Familia. Volto com fotos e historias!

Direto de Bournemouth

July 14th, 2008

Acordei as cinco nesta segunda-feira para partir em direcao a Barcelona, na Espanha. Para economizar, estou fazendo dois trechos de Ryanair: o primeiro de Glasgow para Bournemouth, o segundo de Bournemouth para Barcelona (na verdade, Girona, cidade que abriga o segundo aerporto que serve a regiao). Bournemouth fica na Inglaterra, a cerca de 170 quilômetros a sudoeste de Londres, no litoral sul do país. Eh uma cidade famosa por receber varios turistas e estudantes dispostos a aprender ingles nas escolas para estrangeiros.

Um paranteses: eu nao entendia patavina do que os escoceses falavam. Nada! Nada mesmo. Se nao fosse a Ju e a Renata, provavelmente eu teria me comunicado no gesto toda a minha passagem por Glasgow. Eles falam um ingles dificilimo de se entender, e nem fazem questao mesmo de serem entendidos. Para pedir cerveja, soh pra voce ter uma ideia, eu pagava sempre com notas e 5 libras ou 10, pois nunca entendia qual era o valor certo. Eh serio (e eh engracado, vai). Notei a diferenca chegando em Bournemouth, cujo senhor da informacao turistica falou tao pausadamente as frases que mesmo que eu nao soubesse ingles teria entendido.

Meu primeiro voo chegou as 10 da manha. O outro sai as 16h (12h no Brasil). Vim passear pela cidade, atualizar o blog, e encarar mais um fish and chips. E entao me lembrei que Bournemouth fica no condado de Dorset, local que deu ao mundo a senhorita PJ Harvey. Estou em terra abencoada, caros amigos. Soh nao fico mais aqui pois tenho um encontro marcado com Gaudi e, mui provavelmente, Tom Waits, nos proximos dois dias. Mas PJ, agora que eu sei de onde voce eh, me aguarde, me aguarde… (risos)

Tops da viagem

Shows

1- Radiohead (Berlim)
2- R.E.M. (T In The Park)
3- Pogues (T In The Park)
4- Sigur Ros (Werchter)
5- Neil Young (Werchter)
6- The National (Werchter)
7- Grinderman (Werchter)
8- Vampire Weekend (Werchter)
9- The Hives (Werchter)
10- The Verve, Ben Folds e Gossip (Werchter), British Sea Power (T In The Park)

Cervejas

1- Duvel (Bélgica)
2- Leffe Black (Bélgica)
3- Mahou (Espanha)
4- Kostriker (Alemanha)
5- Orval (Bélgica)

T In The Park, Sunday

July 14th, 2008

 Nada como uma boa noite de sono para se recuperar para mais um dia de festival, nao eh mesmo. O problema eh que boas noites de sono andam em falta por aqui, entao o jeito eh descansar vendo shows sem fazer do festival uma grande maratona. Foi pensando nisso que optei por praticamente passar o dia na tenda King Tut’s ao inves de ficar pulando de um palco para o outro. Meus joelhos agradeceram. Na verdade, o plano era comecar na tenda Pet Sounds vendo o Brian Jonestown Massacre e, so entao, partir para a Kings, mas parece que a turma de Anton Newcombe nao deu as caras.

Direto para a King Tut’s entao. Deu tempo de pegar a meia hora de show do Delays, e eles nao tocaram “You and Me”, a minha preferida. Show morno, sem surpresas. A tenda esvaziou e aproveitei para tirar um cochilo em um dos cantos. Quando acordei, o local ja estava abarrotado para prestigiar a sensacao do momento, a dupla The Ting Tings. Com o publico predominantemente adolescente, a dupla fez um show correto, cantado por todos, mas que nao apresenta nada de novo. Diversao para quem nao quer se preocupar com outra coisa, sabe. O British Sea Power veio na sequencia para mostrar que dentro de uma guitar band tambem bate um coracao. A coisa toda ficou bonita com o acrescimo de um violino.

O Vampire Weekend subiu ao palco para fazer aquele que seria o ultimo show da turne de divulgacao de seu album de estreia, homonimo. O show foi um repeteco do apresentado no Werchter, uma semana antes, com a diferenca de que o vocalista Ezra estava mais falando e animado na Escocia. O publico embarcou na formula Talking Heads + Paul Simon e a banda saiu (assim como na Belgica) com a honraria de ter feito um dos grandes shows do festival. Se voce esbarrar com eles por ai, nao perca o show, nao perca.

 Mr. Ian McCulloch trouxe consigo o Echo and The Bunnymen e abriu a tarde com tres hits: “Rescue”, “Seven Seas” e “Bring on The Dancing Horses”. Na sequencia, uma roqueira musica inedita (”I Think I Need It Too”) e, entao, era uma vez a voz de Ian: “Nothing Lasts Forever” soou tao capenga que soh merece a citacao pois, no final, o vocalista cantou “Walk on The Wild Side” inteirinha dentro da cancao, e o publico aprovou. Quando soaram os acordes de “The Killing Moon” eu ja partia para o Main Stage.

Com uma bandeira do Brasil tremulando frente ao palco (fotos no flickr), Amy Winehouse exibiu seu drama pessoal para o festival. Visivelmente bebada, entornando copos e copos de sabe-se-la-o-que, tropecando no salto alto, e muito mais, a moca que um dia cantou que nao iria mais voltar pra clinica de reabilitacao eh apenas uma palida amostra do que ja foi um dia. Ela desafina horrores, sai do tom, entra errado nos versos e nao consegue tirar nem a blusa sozinha. Pena. Porem, a historia da musica pop esta cheio de exemplos de pessoas que sacudiram a poeira e deram a volta por cima. Eh torcer por ela.

Antes da grande atracao da noite, tive que suportar mais 1h45 de Kings of Leon. Quero avisar que ja paguei todos os meus pecados, ok. Dois shows inteiros do Kings of Leon eh deixar o capeta feliz da vida. O que impressiona eh como a banda tem um publico fiel, que canta as cancoes, faz air guitar na hora dos solos e parece se divertir com a bundamolice roqueira do quarteto. Paciencia. O que nao fazemos para vermos uma banda que admiramos bem de perto, nao eh mesmo. E o R.E.M. fez valer a pena, melhorando ainda mais a excelente apresentacao que a banda havia feito no Werchter. Um showzao para ninguem botar defeito e um encerramento com chave de ouro para um dos maiores festivais da Europa, que terminou, de verdade, com um gaitista de fole tocando o hino escoces e queima de fogos.

Dois festivais nas costas, qual deles eh o melhor? Bem, eu prefiro o Werchter, na Belgica. Bem mais organizado, mais limpo, com um line-up excelente e sem a quantidade de palcos que detona as pernas da galera no T In The Park. E muuuuuito, mas muuuuito mais barato mesmo. Eh bem provavel que, no futuro, eu nao va em nenhum dos dois, e opte por bater cartao em Benicassim, na Espanha, ou no Rock en Seine, na Franca. Eh preciso pernas, condicao fisica e muuuuito pique para encarar os grandes festivais europeus, mas nao vou dizer “dessa cerveja nao beberei”, ok.

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

Ps. Abaixo, o set list dos dois shows do R.E.M. que vi.

Rock Werchter, Belgica

1. Orange Crush
2. Living Well Is the Best Revenge
3. What’s the Frequency, Kenneth?
4. Ignoreland
5. Drive
6. Man-Sized Wreath
7. Imitation Of Life
8. Hollow Man
9. Walk Unafraid
10. Houston
11. Electrolite
12. The One I Love
13. Begin The Begin
14. Fall On Me
15. Let Me In
16. Horse To Water
17. Bad Day
18. I’m Gonna DJ

Bis
19. Losing My Religion
20. Supernatural Superserious
21. Driver 8
22. Pretty Persuasion
23. Man On The Moon

T In The Park, Escocia

1. Living Well Is the Best Revenge
2. These Days
3. What’s the Frequency, Kenneth?
4. Begin The Begin
5. Man-Sized Wreath
6. Drive
7. Ignoreland
8. Hollow Man
9. Imitation Of Life
10. Electrolite
11. The One I Love
12. Losing My Religion
13. Fall On Me
14. Let Me In
15. Bad Day
16. Horse To Water
17. Orange Crush
18. I’m Gonna DJ

Bis
19. Supernatural Superserious
20. It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)
21. Man On The Moon

T In The Park, Saturday

July 13th, 2008

O maior e mais badalado festival da Escocia comecou na sexta-feira, com Verve, Stereophonics, Feeder, Futureheads, Wombats e Chemical Brothers, mas devido ao alto preco dos ingressos (em libras), compramos os tickets apenas do fim de semana. E da-lhe gastos em pounds: o onibus ida-e-volta de Glasgow para o festival (1h30 de viagem) custa 22 libras (mais de R$ 70), a programacao com o horario de cada show sai por 8 libras (quase R$ 30) e o festival milhares de oportunidades para voce gastar o seu rico e suado dinheirinho.

O T In The Park ate parece um shopping center tamanho o numero de lojas. Tem de tudo: as comidas mais variadas (e servidas de forma tosca, claro), energeticos especiais apenas para maiores de 18 anos, massagem, cabelereiro, lojas de roupas e… roda gigante, bungee jump, trem fantasma e carrinho de bate-bate. Ou seja, o festival nao eh um shopping, mas sim um circo. Boa parte do publico marca presenca nao por causa desta ou daquela banda, e sim pelo fato de que o lance eh estar aqui, independente das atracoes.

Quanto as atracoes, elas sao divididas em oito palcos, sendo tres tendas de musica eletronica, uma tenda para bandas novas, dois palcos maiores (Main Stage e NME Radio 1 Stage) e duas outras tendas bacanas. O certo seria escolher uma ou duas tendas proximas, ficar se revezando entre elas e esquecer o mundo, mas quem diz que a gente consegue. Haja perna, pois as caminhadas sao beeeem longas, mas costumam valer a pena.

Eu e a Ju fizemos, cada um, a sua programacao pessoal, e saimos na batalha. Comecamos com os belgas do dEUS, que tinham fechado o Werchter, na semana passada, e aqui praticamente abriam a tenda NME Radio 1. Bom show, ao menos as quatro musicas que vimos. Passamos pelo Main Stage para olhar a Kate Nash. O microfone estava dentro de uma armacao em forma de ostra, e apesar da Kate ser toda fofinha, o show nao embalou. Duas musicas depois e ja estavamos no palco das bandas novas, o Futures Stage, vendo os ingleses do The Metros. Eles tem muuuito o que caminhar ainda, mas valeram as tres musicas que vimos.

O festival realmente comecou, com cerveja voando pro alto e a galera cantando junto, quanto o The Subways entrou no NME Radio 1. Fazia um tempo que a banda nao pisava na Escocia, e a saudade foi compensada com uma apresentacao vibrante, que ate compensa a falta de qualidade da banda em estudio. O primeiro grande show do dia aconteceu na tenda King Tut’s Wah Wah. Jogando em casa, os escoceses do Sons and Daughters, responsaveis por um dos grandes discos de 2008 (”This Gift”), soh tinham 40 minutos (dos quais usaram 36 apenas), mas mandaram bem focando nas cancoes mais antigas (”Johnny Cash”, “Rama Lama”, “Dance Me In”) e no poderoso single “Gilt Complex”. Adele, com um longo camisao com Leonard Cohen de estampa sobre um micro shortinho, derreteu coracaoes. E Scott Paterson segura tudo na guitarra. Showzao.

Na sequencia, um pouquinho da honestidade rocker do Hold Steady, da pieguice pop do Kooks (ovacionados no Main Stage) e o unico momento de duvida do dia: Raconteurs ou Pogues? Bem, imaginei que o Raconteurs tem 105% de chance de tocar no Brasil, se nao for neste ano, que seja no ano que vem, enquanto o Pogues, never. Sem contar que ainda tinha o acrescimo de que cruzo o Raconteurs no Benicassim, na proxima semana, e de que o Pogues estaria tocando “em casa”. Ganhou Shane MacGowan, o Wander Wildner do Reino Unido.

A escolha nao poderia ter sido mais acertada (e nao soh pelo fato do show do Raconteurs, segundo a Juliana, ter sido meia boca). Quinze minutos antes do show comecar, a tenda ja estava superlotada com o publico entoando as cancoes do grupo como se estivessemos todos em um estadio de futebol. A seguranca foi reforcada de cinco para quinze pessoas na frente do palco, que distribuiam agua para as primeiras filas tanto como cuidavam dos desmaiados e dos mais afoitos, que tentavam pular a grade. A banda comecou atacando um numero instrumental, e assim que Shane pisou no palco, dezenas de celulares foram ao alto para registrar o momento.

Shane MacGowan eh como um deus bebado para este povo. Ele se enrola com o microfone, caminha cambaleante pelo palco, briga com o backing, e canta como se estivesse em um pub rodeado por cervejas. O publico vai junto, e “Dirty Old Town”, um dos classicos da banda, rende um dos momentos mais belos que a musica pode proporcionar, com pessoas chorando, cantando abracadas, balancando bandeiras e se emocionando. Lindo de se ver. Shane estourou o horario em vinte minutos, mas ele pode, pois ele eh e um deus bebado e desdentado que esse povo ama. Amem.

E acabou o festival? Nao. Ainda tinha Interpol, Kaiser Chiefs, Ian Brown e Rage Against The Machine, todos no mesmo horario. Meu plano era ver tres musicas do Interpol (so para confirmar o que eu ja sabia) e ir ver outro deus tocar cancoes de sua ex-banda, uma tal de Stone Roses, e cabular Kaiser Chiefs e Rage. Vi as tres musicas do Interpol (sim, eh aquilo mesmo: as musicas do dois primeiros discos sao foda, as do ultimo sao lixo) e parti pra tenda Kings pra ver Ian Brown. Quem disse que consegui entrar? Apesar de sua carreira solo ser frouxa, o homem eh idolatrado, e o show vale pois ele toca varias cancoes do disco que mudou o rock britanico nos anos 90, mas depois de ter batido a cara na porta, decidi voltar ao Interpol, que fechou a noite com hits e mandou todo mundo feliz pra casa.

Uma coisa interessante, e que voce ja sabia, mas custa nada falar: todos os shows que vi na Europa ate agora, e que ja tinha visto no Brasil, foram melhores aqui. Ate o Kings of Leon! Esse do Interpol foi a prova dos nove: dava para se ouvir as duas guitarras, o baixo, bateria e voz perfeitamente, como se estivessemos ouvindo um CD. Foda. Bem, uma hora e tanto depois ja estavamos de volta ao hostel. Estou de malas prontas para embarcar para Barcelona nesta segunda, mas antes tem o ultimo dia do T In The Park. Minha agenda pessoal: Brian Jonestown Massacre, The Ting Tings, British Sea Power, Vampire Weekend, Echo and The Bunnymen, Amy Winehouse, Hot Chip e R.E.M.; Se a Amy der cano, vou me ajoelhar na frente do palco do National, novamente. Assim que der, volto pra contar. Me aguarda!

Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta

A capital do Brasil eh…

July 12th, 2008

Coisas surreais da viagem:

7) Fomos pra balada ontem, numa rua bacana cheia de pubs. Segundo o tabloide The Skinny, Chris Geddes (Belle and Sebastian) iria discotecar no Brel. Fomos conferir, bebemos bastante (ahhhhh, Leffe), e nada de discotecagem. Saimos antes do metro fechar (alias, o metro de Glasgow parece um ferrorama de brinquedo) e fomos para o Nice’in Sleazy para passarmos o resto da noite bebendo ao lado de 3/4 do Teenage Fanclub (Gerard Love sorriu pra Ju).

6) No hostel de Glasgow, puxei conversa com um carinha ingles - com cara de nerd e nao mais que vinte anos - no quarto. Ele tambem vai ao T In The Park, pois eh “big fan” do R.E.M., mas tem outros planos para os outros dias: “Vou fazer um tour de golfe pelas highlands”!!!!!

5) Na entrada na Escocia, um senhor grisalho me recebeu na imigracao: “O senhor veio fazer o que aqui?”, ele perguntou. “Vim ao T In The Park”, respondi. “Ahhhh, T In The Paaaaaaaark”, comentou com sotaque carregado, e emendou: “Fica ate quando?”. E eu: “Segunda, quando vou para a Espanha”. “E voce vai fazer o que na Espanha?”, ele perguntou. “Vou para o festival de Benicassim”. Ele ignorou a minha resposta e mandou: “E Portugal, voce nao vai? La eles falam portugues”…

4) Renata volta do toilete da balada e conta: “No banheiro das meninas tem maquina para fazer chapinha”!!!!!

3) No Werchter, vento forte, eu com a camisa fechada ate o ultimo botao. Uma belga questiona: “Pq isso?”. E eu: “Esta frio!!!!” E ela me olha com uma cara de quem ouviu um palavrao. Emendo: “Sou brasilero. La eh muuuito quente!!!!”. Ai parece que caiu a ficha. Ela sorri e diz: “Ok, ok”.

2) Conversando com uns moleques suecos no albergue de Berlim: “Voce mora onde no Brasil?” E eu: “Sao Paulo”. Outro pergunta: “Eh a capital do pais?”. Respondo que nao, e antes de eu continuar, outro comenta: “A capital nao eh aquela cidade que tem a estatua do homem com os bracos abertos - e gesticula imitando o Cristo Redentor”.  Sorrio e respondo que a capital nao eh o Rio de Janeiro, mas sim Brasilia. Os tres olham um para o outro, incredulos. Ainda tento um gancho: “Voces ja ouviram falar de Oscar Niemeyer?”. Nao, na Suecia eles nao sabem qual a capital do Brasil e nem quem eh o Oscar….

1) Bebendo no Nicos, em Glasgow, um cara mais velho (aparentando uns 45 anos) senta em uma das cadeiras de nossa mesa, percebe que eu, Ju e Renata nao estamos falando a lingua local, e puxa papo: “Voces sao de onde?”. E nos: “Brasil”. Ele olha estupefato e sai com o seguinte comentario: “Mas voces nao tem aqueles negocios que aumentam os labios e nao sei o que”. A gente olha um pro outro e a Renata com uma cara de “o que esse escoces ta falando?”. E eu: “Re, ele ta surpreso de nao sermos indios”…