Category — Europa 2010
Uma viagem meio sem pé nem cabeça
Voltamos para casa faz uns quatro dias, e já durante o vôo vindo de Madri eu imaginava o que falar da viagem deste ano. Os dois anos anteriores foram mais fáceis – de falar e viajar. Primeiro porque as cidades eram mais (ahñ) óbvias, e segundo porque havia o deslumbre da primeira vez. Esse ano foi a terceira viagem (minha, segunda da Lili), e tudo foi mais confuso, nublado e frio, mas mesmo assim não menos emocionante.
A idéia inicial era ou ir para o Leste ou para a Escandinávia. Wilco e BRMC iriam tocar nas duas regiões em datas próximas, então era só ajeitar a agenda e escolher. Acabamos optando pelo Leste por motivos financeiros. A Escandinávia, dizem, é muito cara. No fim das contas, por culpa de Jeff Tweedy, acabamos esticando para a Grécia e chegamos até Istambul, definitivamente a cidade mais querida desta viagem.
Porém, tudo começou três semanas antes, quando nosso avião pousou em Madri (numa semana em que o vulcão de nome impronunciável havia cancelado diversos vôos para a Espanha), e de lá pegamos uma conexão para Budapeste. Chegamos arrebentados no hotel após quase um dia inteiro de viagem, e mesmo assim arriscamos uma caminhada… na chuva. No domingo a cidade estava solitária e molhada. Achamos estranho.
Na segunda partimos para Viena. Só fizemos isso por culpa do Black Rebel Motorcycle Club, que tocava em um squat super organizado da cidade nesse dia. E valeu a pena. O show foi especial, mas a cidade impressionou ainda mais. A ONU divulgou na mesma semana o ranking de qualidade de vida, com Viena no topo. Basta caminhar, observar e respirar a cidade para entender. E ouvi-la: música clássica (e, para nós, BRMC). Viena não é cinza como Budapeste. É colorida.
No entanto, alguma coisa ali pelo terceiro dia saiu do prumo. Viena é certinha demais para quem está acostumado com uma desordem. É tocante ver garotas de olhos azuis passando de bicicleta com imensos violoncelos nas costas, mas é um saco ter que esperar para atravessar a rua no sinal verde quando não há nenhum carro se aproximando nos próximos dois quilômetros. As regras não deviam cegar.
Mesmo assim, após o quarto dia, deixamos a cidade número 1 do ranking da ONU para voltar para mais dois dias (agora de sol) em Budapeste, a cidade em que mesmo alguns hotéis de redes mundiais têm damas da noite oferecendo seus dotes no saguão a noite toda. É só uma constatação. Não imagino isso acontecendo em tantas cidades (nem no Rio ou SP, embora em ambas não deva ser difícil pedir tal ajuda).
Tudo bem, este fato isolado está sendo usado para diminuir a cidade, mas Budapeste não pode ser diminuída. É uma cidade de personalidade, dividida por um rio que separa Buda (antiga e bonita) de Peste (cosmopolita) falando uma língua que até o diabo respeita. E a estação internacional de metrô pode, facilmente, receber um filme de terror. Basta começar a filmar às 3 da madrugada lá. Deve ser assustador. :~
De Budapeste um trem para Praga, e então o encanto começou. Praga é… foda. Foda. Eita cidade linda. Caminhar na Charles Bridge, mesmo com um montão de milhares de turistas, é algo único. Se perder pelas ruazinhas do centro antigo também. E ver a República Tcheca bater os quase invencíveis russos na final do campeonato mundial de hóquei no gelo na praça principal da cidade junto à torcida tcheca não tem preço.
Uma coisa que fiquei matutando: chegar numa cidade com chuva pode nublar seu olhar tanto quanto cair em uma cidade em festa pode fazer você gostar mais ainda do lugar? Provável que sim, em ambos os casos. Mas Praga sobreviveu à dúvida e nos conquistou quatro dias seguidos. E ainda me deu a única cerveja a se infiltrar entre o império belga: no top 15 pessoal, 14 foram belgas. Só uma “estranha”, tcheca, Kout.
Praga encerrava a primeira metade da viagem de línguas estranhas. Como esquecer da senhora fofa em Bratislava explicando pausadamente em eslovaco que o ingresso que eu comprei também dava direito a outra atração da cidade: o museu de farmácia. Isso porque perguntei a ela como se agradecia em sua língua: “D’akujem”, ela respondeu. E começou a falar algo que nunca vou conseguir reproduzir, mas entendi.
Esse primeiro trecho da viagem foi completamente absurdo no quesito língua. Como explicar o magyar, uma língua que parece com o… finlandês. Só personagem de livro do Chico Buarque para aprender. E só mulher para fazer isso com ele. O tcheco não é menos simples, muito menos o eslovaco. Se eu disser que achei o alemão dos austríacos mais entendível você acredita? Onde a gente estava com a cabeça (risos).
O ponto central da viagem foi Barcelona, e foi um alivio pode exercitar portunhol, mesmo em terra catalã. Se você se lembra das viagens anteriores já sabe no que se transformará esse parágrafo: uma declaração de amor à cidade que já mora no meu coração. Barcelona é poesia para mim. Simples assim. E o Primavera Sound (com Pixies, Wilco, Spoon, Pavement, XX e mais) foi um bom programa musical.
Próxima parada: um pecado. Ficar um dia apenas em Roma é um pecado. Devia estar em algum código turístico. Fomos para Roma por causa do Wilco, e por duas horas e meia, em um lugar de acústica impecável e arquitetura surrealista (o Parco Della Musica, de Renzo Piano), o Wilco fez valer o peso da mala, o translado do aeroporto e o hotel ruim. Que noite. Que show. Que banda. Que som de guitarra, mister Nels Cline.
Jeff Tweedy definiu o rumo da segunda parte da viagem. Fomos para Roma por causa do Wilco, e de lá para Atenas porque era o vôo mais barato da Easyjet. Simples assim (risos). E Atenas é (ou foi e ainda sofre por isso) a Grécia de “Z”, de Costa-Gravas. A economia mais frágil da Comunidade Européia pode ser flagrada nas ruas, mas como não se impressionar com a Acrópole, imponente observando a cidade do céu?
E se reclamavamos do magyar, do tcheco e do eslovaco, o que dizer de um país em que todo mundo fala… grego (piada besta, eu sei, mas útil – hehe). No auge da paixão por Praga, disse que a cidade formava com Veneza e Paris um trio de cidadelas encantadoras. Mas eu nunca poderia imaginar que conheceria uma cidade que seria um sonho, a dona do adjetivo “paradisíaco” e com nome de santa, Santa Irene, ou Santorini.
Dizem que Santorini é a Atlântida de Platão. Já não duvido. Uma cidade que flutua enroscada no topo de morros de um ex-vulcão com casinhas de marshmallow pode ser qualquer coisa. Vou contar – e se você leu até aqui é porque me entende, acho – que só chorei em dois momentos da viagem inteira: no segundo trecho de “Shot In The Arm”, do Wilco, em Roma, e quando ouvi “Santorini Blues”, dos Paralamas, em Santorini.
Santa Irene vai ficar guardada em nossa memória. Até comprei um imã de geladeira de um burrinho e coloquei na geladeira para Lili sempre lembrar que subiu um morro imenso no lombo de um burrico tendo pedras de um lado, despenhadeiro do outro, o Mar Egeu azul lá embaixo, e uma trilha de escada ao infinito para cima. No fim da jornada, Lili tremia, ria e falava ao mesmo tempo, não necessariamente nessa ordem.
Imperceptivelmente, ao traçar o roteiro, colocamos na seqüência uma das poucas cidades no mundo que poderiam manter o astral de Santorini, sem nos causar um banzo, uma vontade danada de voltar para a ilha grega. E assumo que não esperava, mas Istambul foi uma descoberta (que só eu não sabia que seria sensacional, já que a expectativa de Lili era a melhor possível).
O que me lembra Istambul agora é o barulho, que o Carlos resumiu perfeitamente em um comentário: “Em Istambul não tem como fugir. É definitivamente a cidade mais barulhenta do mundo. É gente vendendo, gente rezando, musica alta, etc., para todo canto da cidade”. E é isso mesmo. Faz parte do jeito turco de viver, e ao contrário do que possa parecer, é bacana. Acredite: você se acostuma.
Teve o passeio pelo Bósforo, a aula sobre a vila de Anadolu Kavagi dada pelo Ismail, um taxista que também é guia, mas que nos pareceu mais um querido vovô aposentado que, para matar o tempo, entrete os turistas que chegam de barco querendo conhecer a região – que taxista ou guia pararia o carro em frente a sua casa para pegar frutas direto de sua horta para presentear desconhecidos?
Também teve a beleza da Mesquita Azul, a impressionante Hagia Sophia, o imenso Palácio Topkapi, a fantasmagórica Cisterna Yerebatan, as compras no Grand Bazaar e no Spice Bazaar (fizemos chá de maçã ontem, aprovado), os pratos de pide (a pizza turca) e uma longa caminhada no calçadão de Isitktal. E, claro, as cervejas turcas, deliciosas. Istambul, nos veremos novamente. Anote.
Para o fim, Londres. Três anos atrás, quando pisei pela primeira vez na capital do mundo pop, a cidade não bateu. Não é que eu não tenha gostado de Londres, imagina, mas a expectativa era grande demais. Todo mundo falava: “Quando você for para Londres você vai pirar”. E eu não pirei. Mas na minha terceira passagem pela cidade já posso dizer que a danada está me fazendo ter sonhos europeus (risos).
Londres é uma das poucas cidades européias que me faz ter vontade de sair à noite para beber uma cerveja e ver um bom show de alguma banda nova, algo que faço em São Paulo religiosamente ao menos uma vez por semana. Se eu morasse em Londres iria bater cartão em festas, iria gastar meu salário em CDs, vinis e shows, e teria carteirinha de cliente preferencial do Belgo, o bar belga da cidade (risos), e também do Rakes.
Londres foi um intervalo no grande motivo da ida para o Reino Unido: ver Paul McCartney na Ilha de Wight. Vampire Weekend fez grande show. Blondie foi cool. Suzanne Vega também. Até Strokes surpreendeu. Mas histórico, como disse o rapaz do vídeo no telão (“Vocês não vão esquecer essa noite”, adiantava), foi Paul. Arrepia lembrar de “Helter Skelter”, “Live and Let Die”, “Band on The Run” e “Something”.
Num balanço rápido, a viagem deste ano foi meio sem pé nem cabeça, mas funcionou. Acho que precisamos de algumas semanas para absorver algumas coisas da viagem, aprofundar o olhar, ampliar horizontes. A cultura de um povo é um bem inestimável. Passamos por lugares tão diferentes entre si (em língua, comida, personalidade), e tão próximos, que várias vezes nos vimos olhando o Brasil. Somos assim: várias nações dentro de uma grande nação. Viajar nos traz de volta pra casa.
E é bom estar em casa, voltar ao trabalho, seguir a rotina. Temos contas para pagar, um novo apartamento para encontrar e mudar, e estamos aprendendo a lidar com a vontade de bater asas e sair voando para longe. Tudo tem sua hora. É só ficar de olhos e ouvidos atentos. Ou, como diria Walter Franco, tudo é uma questão de manter a mente aberta, a espinha ereta e o coração tranqüilo. Acrescento não deixar de tentar realizar sonhos à equação. A vida segue. Ainda bem.
Top 10 Cidades
1) Santorini (uma foto)
2) Istambul (uma foto)
3) Praga (uma foto)
4) Barcelona (uma foto)
5) Londres (uma foto)
6) Viena (uma foto)
7) Bratislava (uma foto)
8 ) Budapeste (uma foto)
9) Atenas (uma foto)
10) Ilha de Wight (uma foto)
Top Ten Lugares
1) Acrópole, Atenas (uma foto)
2) Santa Sofia, Istambul (uma foto)
3) Charles Bridge, Praga (uma foto)
4) Ôia, Santorini (uma foto)
5) Old Town Square, Praga (uma foto)
6) Parco Della Musica, Roma (uma foto)
7) Dancing House, Praga (uma foto)
8 ) Ponte Szabadság, Budapeste (uma foto)
9) Centro histórico, Bratislava (uma foto)
10) MuseumsQuartier, Viena (uma foto)
Top Ten Shows
1) Paul McCartney na Ilha de Wight (uma foto)
2) Wilco em Roma (uma foto)
3) Vampire Weekend na Ilha de Wight (uma foto)
4) Spoon no Primavera Sound (uma foto)
5) Black Rebel Motorcycle Club em Viena
6) Strokes na Ilha de Wight (uma foto)
7) Broken Social Scene no Primavera Sound (uma foto)
8 ) Pixies no Primavera Sound (uma foto)
9) Pavement no Primavera Sound (uma foto)
10) Scout Niblett no Primavera Sound (uma foto)
Top Ten Cervejas
1) Duvel, Bélgica (aqui) 8,5%
1) Chimay Blue, Bélgica (aqui) 9%
1) Chimay Red, Bélgica (uma foto) 7%
4) Kout Special Dark Beer 14°, República Tcheca (uma foto) 6%
5) Grimbergen Cuvée de l’Ermitage, Bélgica (uma foto) 7,5%
6) Grimbergen Optimo Bruno, Bélgica (uma foto) 10%
7) Gouden Carolus Ambrio, Bélgica (uma foto) 8%
8 ) Judas, Bélgica (uma foto) 8,5%
9) Achel Blonde, Bélgica (uma foto) 8%
10) Orval, Bélgica (uma foto) 6,2%

Top Ten CDs comprados
1) All Miles, The Prestige Albums, Miles Davis (box com 14 CDs)
2) Disintegration Deluxe Edition, The Cure
3) Fly On The Wall – B Sides e Rarities, Paul Weller (box com 3 CDs)
4) The Complete Singles Collection, The Thirteen Floor Elevators
5) Verona, Samson e Delilah, Bruce Springsteen (Bootleg)
6) Live at Isle of Wight, Leonard Cohen
7) London Wembley Arena, 05/10/2000, Bob Dylan (Bootleg)
8 ) New York City Blues, Lou Reed (Bootleg)
9) Working For The Man Deluxe Edition, Tindersticks
10) Stone Roses Deluxe Edition, Stone Roses
Todas as fotos por Marcelo Costa e Liliane Callegari
Mais fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/
Junho 20, 2010 11 Comments
Os CDs comprados na viagem
Atendendo a pedidos, cá está a tradicional foto dos CDs comprados na viagem (em alta aqui). Para relembrar e comparar (e tentar adivinhar alguns títulos) tem a foto dos CDs comprados em 2008 (aqui) e 2009 (aqui). Tenho a percepção que fui mais contido neste ano. Ao contrário dos anos anteriores, em que eu entrava em lojinhas de CDs em toda cidade procurando alguma raridade, desta vez deixei para fazer isso em Londres, último trecho da viagem.
Não que não tenha comprado nada antes. Os primeiros CDs foram pegos no meio da viagem, em Barcelona. Alguns na Fnac (como o duplo ao vivo da The Band e a coletânea dupla do Eels) e outros na sensacional loja Revolver, na Calle Tallers, número 13 (site oficial aqui). Se você algum dia passar por Barcelona sinta-se obrigado a ir a esta loja. E cuidado: a sessão de bootlegs em CDs e DVDs é um perigo para a sua conta bancaria.
Os dois DVDs do Fellini (com legendas em português) foram comprados na FNAC de Atenas e a grande maioria dos bootlegs numa lojinha barateira no mercado de pulgas da capital grega. E os vinis em Cowes, na Ilha de Wight. Depois disso apenas Londres. A maioria dos CDs foi comprada entre a Fopp e as duas HMV da Oxford Street. Uns três ou quatro itens eu peguei na MVE da Berwick Street (a rua da capa do segundo disco do Oasis). Quase nada de lançamento e muitas edições especiais…
Junho 18, 2010 12 Comments
68 cervejas diferentes em 30 dias
Na verdade foram 69, mas não consigo de forma alguma entender a anotação que fiz da cerveja feita na Ilha de Wight, a primeira da hora daquele almoço. E também não foram apenas 68. Nos festivais (Primavera e Isle), em que você passa um bom tempo vendo shows, bebi várias São Miguel e Carling (respectivamente). E acho que a única extra que repeti foram as deliciosas Gusta na Turquia e a passável Red Stripe, em Londres.
Das minhas cervejas prediletas faltaram a Leffe e a Hoegaarden, ambas com posições garantidas entre os dez primeiros. As duas, inclusive, eram fáceis de se encontrar, e até topamos com versões 750 ml delas em um supermercado na Ilha de Wight (a da Leffe em versão rolha), mas o supermercado estava fechado quando voltamos para compra-las. Uma pena. Uma boa cota dessa lista veio do Belgo, o excelente bar belga em Londres (em Covent Garden. Saca um clique do cardápio dos caras aqui).
Inevitável, mas a Bélgica lidera disparado a lista, e isso levando-se em conta que metade da viagem foi feita no Leste Europeu, casa da tradicional Pilsen, que não reina aqui em casa. Aliás, seria interessante alguém listar a diferença da Alpha para a Mythos e desta para Roná e desta para a Nastro Azzuro e desta para a Carling e desta para a Fisher, Grolsh, Cobra, Kaiser, Red Stripe e Staropramen… todas praticamente iguais.
Duvel é o topo certo da lista. Uma cerveja saborosa e tremendamente alcoólica, quase uma bomba relógio liquida que faz sonhar. No mesmo nível surge as Chimay, cervejas trapistas que em qualquer supermercado na Europa custa 2 euros, e no Brasil não sai por menos de R$ 20. Tanto a Red quanto a Blue são matadoras. Possível viver o resto da vida se alimentando delas.
A grande surpresa da viagem foi a Turquia. O Islã proíbe bebidas alcoólicas, e mesmo assim a Turquia fábrica ótimas cervejas como a Efes e a Gusta. Um nome para se provar em Praga é a Kout, feita em uma cervejaria que reabriu as portas faz pouco tempo, e que não tem uma boa distribuição. Local garantido de achar é no bar do prédio Dancing House, de Frank Gehry e Vlado Milunić. Tem duas ou três versões. Tente provar todas. Vale muito.
Há ainda os itens curiosos, como a Cannabis, cerveja ok feita de maconha, e fruit beers. Dessas, a Mongozo é disparada a melhor. Tem a mesma graduação alcoólica de uma Brahma, diferente das cervejas de limão (como a Sandy e as Marzens austriacas), fraquissimas. Abaixo a lista final. Para o começo do mês prometo um Top 100 incluindoas outras cervejas já listadas no Bebidinhas. Enquanto isso, um brinde. E saúde:
1) 5/5 – Duvel, Bélgica (aqui) 8,5%
1) 5/5 – Chimay Blue, Bélgica (aqui) 9%
1) 5/5 – Chimay Red, Bélgica (aqui) 7%
4) 4,96/5 – Kout Special Dark Beer 14°, República Tcheca (aqui) 6%
5) 4,95/5 – Grimbergen Cuvée de l’Ermitage, Bélgica (aqui) 7,5%
6) 4,92/5 – Grimbergen Optimo Bruno, Bélgica (aqui) 10%
7) 4,79/5 – Gouden Carolus Ambrio, Bélgica (aqui) 8%
8 ) 4,75/5 – Judas, Bélgica (aqui) 8,5%
9) 4,74/5 – Achel Blonde, Bélgica (aqui) 8%
10) 4,72/5 – Orval, Bélgica (aqui) 6,2%
11) 4,70/5 – Achel Brune, Bélgica (aqui) 8%
12) 4,66/5 – Westmalle Trappist Dubbel, Bélgica (aqui) 7%
13) 4,65/5 – Pauwel Kwak, Bélgica (aqui) 8,1%
14) 4,60/5 – Satan Gold, Bélgica (aqui) 8%
15) 4,50/5 – Grimbergen Blonde, Bélgica (aqui) 6,7%
16) 4,46/5 – Voll Damm, Espanha (aqui) 7,2%
17) 4,20/5 – Gusta Weiss Dark, Turquia (aqui) 5,5%
18) 4,09/5 – Efes Dark Brown, Turquia (aqui) 6,1%
19) 4,08/5 – Efes Dark, Turquia (aqui) 6,1%
20) 4,01/5 – Gusta Weiss, Turquia (aqui) 5%
21) 3,99/5 – Edelweiss, Áustria (aqui) 5,5%
22) 3,85/5 – Hofbrau Munchen, Alemanha (aqui) 5,1%
23) 3,65/5 – Soproni’s Fekete Démon, Hungria (aqui) 5,2%
24) 3,57/5 – McFarland, Holanda (aqui) 5,6%
25) 3,55/5 – Rethymnian Dark, Grécia (aqui) 4,8%
26) 3,01/5 – Craft Weiss, Grécia (aqui) 5%
27) 2,99/5 – Rethymnian Blonde, Grécia (aqui) 4,8%
28) 2,92/5 – Negra Modelo, México (aqui) 5,2%
29) 2,89/5 – Staropramen Černý (Dark), República Tcheca (aqui) 4,4%
30) 2,88/5 – Kozel Černý (Dark), República Tcheca (aqui) 3,8%
31) 2,86/5 – Craft Red Ale, Grécia (aqui) 4,8%
32) 2,85/5 – Mongozo Banana, Bélgica (aqui) 4,8%
33) 2,84/5 – Blanche De Bruxelles, Bélgica (aqui) 4,5%
34) 2,79/5 – Wadsworth 6 X, Reino Unido (aqui) 4,3%
35) 2,78/5 – Newcastle Brown Ale, Reino Unido - 4,7%
36) 2,76/5 – Mahou, Espanha - 5,2%
37) 2,76/5 – Efes Extra, Turquia (aqui) 8%
38) 2,75/5 - Kronenbourg 1664, França (aqui) 5%
39) 2,73/5 – Pilsner Urquell, República Tcheca (aqui) 4,4%
40) 2,72/5 – Craft Pilsner, Grécia (aqui) 5%
41) 2,71/5 – Amstel, Holanda (aqui) 5%
42) 2,65/5 – Arany Ászok, Hungria (aqui) 4,5%
43) 2,62/5 - Staropramen Granat, República Tcheca (aqui) 4,8%
44) 2,55/5 - Staropramen Premium Lager, República Tcheca (aqui) 5%
45) 2,54/5 - Gambrinus Svetly, República Tcheca (aqui) 4,1%
46) 2,49/5 - Hubertus Bräu, Áustria (aqui) 3,9%
47) 2,45/5 - Kozel Premium, República Tcheca (aqui) 4,8%
48) 2,32/5 - Tyskie Lech Premium, Polônia - 5,2%
49) 2,31/5 - Mythos Red, Grécia (aqui) 5,5%
50) 2,30/5 - San Miguel, Espanha 4,8%
51) 2,29/5 - Cannabia, Espanha (aqui) 4,8%
52) 2,28/5 - Kaiser, Áustria (aqui) 5%
53) 2,27/5 - Red Stripe, Jamaica (aqui) 4,7%
54) 2,26/5 - Cobra, Reino Unido - 5%
55) 2,25/5 - Eggenberg Vollbier, Áustria (aqui) 5,1%
56) 2,24/5 - Grolsch, Holanda (aqui) 5%
57) 2,20/5 - Fischer, Grécia (aqui) 5%
58) 2,11/5 - Alpha, Grécia (aqui) 5,4%
59) 2,07/5 - Wieselburger Stammbräu, Áustria (aqui) 5,4%
60) 2,06/5 - Carling, Reino Unido (aqui) 4%
61) 2,05/5 - Róna, Hungria (aqui) 5%
62) 2,04/5 - Nastro Azzuro, Itália (aqui) 5%
63) 2,02/5 - Mythos, Grécia (aqui) 5,4%
64) 2,01/5 - Dreher, Hungria (aqui) 5,2%
65) 1,99/5 - Elephant, Dinamarca (aqui) 7,2%
66) 1,85/5 - Gösser Märzen, Áustria (aqui) 5,2%
67) 1,10/5 - Sandy, Grécia 2,0%
68) 1,00/5 - Gösser Radler, Áustria (aqui) 2,0%
Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/
Junho 17, 2010 4 Comments
Em São Paulo
Acabei de ligar a geladeira e colocar as cervejas para gelar. A pizza chegou, e é isso que temos de comida em casa hoje após um mês batendo perna pelo mundo. Na segunda, ainda em Londres, rolou despedida no Belgo com presença do Afonso e do Askera. Na terça, enquanto o Brasil jogava (feio), a gente esperava, esperava e esperava pelo vôo de conexão para Madri, que atrasou duas horas, e nos fez perder nosso vôo para o Brasil. A Iberia nos colocou em um hotel (eu, Lili, mais dois brasileiros, o Lúcio, que já fez o Caminho de Santiago oito vezes, e a Licia, e um grupo de chilenos) e o novo vôo remarcado saiu hoje ao meio dia me fazendo perder a festa de lançamento de “O Pequeno Livro do Rock”, a coletiva de imprensa do que seria o Woodstoock em Itu e uma tarde inteira livre para procurar um novo apartamento. A vida recomeça, mas ainda há coisas da viagem pendentes. Preciso atualizar a lista final das cervejas e fazer o balanção. Amanhã, combinado?
Ps. É bom estar de volta…
Junho 16, 2010 4 Comments
Paul McCartney na Ilha de Wight
“Qual show você gostou mais?”, pergunta uma senhora que aparenta ter uns 50 anos, e que bate cartão no Festival da Ilha de Wight desde 2006. “Pink”, responde uma garota que não deve passar dos 18 anos. “A Pink foi realmente surpreendente”, completa a senhora. No banco ao lado do double decker bus que leva o público de volta pra casa, um casal de idade comenta: “Jay-Z foi legal, mas a Pink e o Macca foram demais. Quem será que eles vão trazer para o ano que vem?”. Senhores e senhoras, esse é o Festival da Ilha de Wight.
As três primeiras edições do Festival da Ilha de Wight aconteceram no final dos anos 70 (mais precisamente 1968, 1969 e 1970), sendo que a última reuniu 600 mil pessoas (que foram ver Doors, Who, Leonard Cohen e Jimi Hendrix, entre outros). Após três décadas de silêncio, a ilha na costa sul da Inglaterra voltou a sediar o festival de música em 2002, e desde então anualmente a Ilha de Wight vira palco de grandes shows no mês de junho - ao lado de eventos como caminhadas de terceira idade e competições de regatas.
No caso do festival de música, a organização impressiona. São dezenas e dezenas de barraquinhas que servem uma variedade extensa de comida (indiana, japonesa, mexicana, tailandesa, italiana, vegetariana, hambúrguer de carne de avestruz e muito mais), cerveja, vinho, roupas, chá, chocolate quente, doces, sorvetes, badulaques e tudo o mais, sem contar o parque de diversões que é montado no meio do evento para alegria dos aventureiros (uma bola de bungee jump era particularmente assustadora) e dos saudosistas (tinha até carrinho bate-bate).
Alguém pode perguntar: e a música? A música está lá, bem representada, mas um festival de verão no velho mundo é muito mais do que música, pois os europeus (no geral, e os ingleses em particular) piram com os únicos dois meses e pouco de sol que eles vão ter no ano, então o tempo bom é motivo para festejar. Não a toa, a maioria das 50 mil pessoas que congestionaram os ferries na travessia de Southampton para a Ilha de Wight o fez para acampar no festival, uma coisa tão inglesa quanto o carnaval para os brasileiros.
O público não poderia ser mais diversificado. Pais com filhos, moleques e meninas de 10 anos curtindo os shows em turma (e mandando SMS para os pais avisando que estava tudo bem), hippies velhos que já viram centenas de outros festivais, vovós (uma senhorinha em particular chamou a atenção: ela estava com a camisa do festival de 2007, tinha vários bottons dos Stones na bolsinha e comia um bolo de chocolate enquanto um dos shows não começava) e uma multidão de gente fantasiada, que deixa o ambiente meio nonsense, mas também divertido.
O festival acontece em um parque nos arredores de Newport, principal cidade da ilha, e parece ser feito especialmente para quem lota os campings, e pode dar uma boa caminhada para ver seu artista preferido na hora que quiser e depois voltar pra “casinha”. Os shows começam às 11h da manhã e seguem até meia noite numa extensa maratona. São dois grandes palcos (o menor deles numa tenda), um palco acústico e algumas tendas eletrônicas (que funcionam na madrugada para os corajosos, que são muitos).
A programação 2010 começou na sexta com shows de Florence + The Machine, Doves, Calvin Harris e Jay-Z (queridinho da liga de festivais europeus), entre outros, mas chegamos apenas no sábado, exatamente quando Ezra Koening subia ao palco com seu Vampire Weekend para seu já tradicional grande show. A apresentação funciona melhor em um lugar pequeno (com todo mundo dançando abraçado como no Werchter e no T In The Park em 2008), mas a banda cresceu e convence também em um grande palco. “Horchata” foi cool, mas “Cousins”, “Walcout”, “A-Punk”, “Oxford Comma” e “Cape Cod Kwassa Kwassa” foram celebrativas.
O Blondie, na seqüência, mostrou boas canções recentes e alguns clássicos antigos. A musa Debbie Harry está bem diferente do show do Personal Fest, em 2004 (aqui), parecendo mais um robô estático no palco do que a deusa de toda uma geração. Um simples movimento de cabeça puxa outras parte do corpo (será culpa das cirurgias plásticas?), e a cena toda é bem estranha. A voz faltou em “Call Me”, mas as versões de “One Way Or Another” e “Heart of Glass” (que eles não tocaram em Buenos Aires) honraram o mito. Ela deixou o palco recomendando: “Não façam nada que eu não faria”. Sei…
Na posição de headliners, o Strokes fechou a segunda noite com um show quilômetros à frente da apresentação mediana que fez em São Paulo, no Tim Festival, anos atrás (relembre aqui). A banda evoluiu muito, e Julian Casablancas (bêbado ou drogado, procure vídeos no Youtube e decida) toda hora repetia o quanto era bom estar de volta. O problema é que o show foi curto (a primeira parte acabou com 13 músicas e eles fecharam a noite com 17) e não trouxe nada de novo. Os caras ficam parados dois anos e voltam fazendo o mesmo show de dois anos atrás (no meio das gravações do disco novo). Frustrante, mas ainda assim um grande show. Agora só falta aprender a usar as luzes do palco a favor…
Para o domingo, a grande atração era Sir Paul McCartney, mas o dia começou com Suzanne Vega no palco acústico fazendo um show normal, com banda. Ela tinha se apresentado no palco principal ao meio dia (será que alguém acordou para vê-la?), e a organização sabiamente a colocou também neste palco num horário decente (19h). A primeira coisa que ela fez foi agradecer a presença do público: “Obrigado por vocês estarem aqui e não no palco principal vendo a Pink”, espetou. O show começou com “Marlene on The Wall”, do primeiro álbum da cantora, e misturou canções velhas e novas em uma apresentação delicada e bonita.
Deixamos Suzanne Vega sete músicas depois (e antes do final) para tentar encontrar um bom lugar para ver Paul McCartney no palco principal, o que nos deu oportunidade de presenciar ainda três músicas da Pink (uma delas, a cover de “Roxanne”, do Police) e perceber o quanto ela é querida na Inglaterra, com todo mundo cantando/berrando junto suas canções. No bis, a cantora voltou fazendo malabarismos em uma corda sobre o imenso público. De impressionar (tente acha-la aqui). A música não diz muita coisa, mas a moça tem um pique no palco de causar inveja. O show terminou com rojões e cortina de fumaça. Bonito.
Para fechar a terceira noite, e o festival, Sir Paul McCartney. O show começou morno (com “Venus And Mars/Rock Show” e “Jet”), mas nada como uma canção dos Beatles para colocar as coisas no lugar, função cumprida por “All My Loving” (com direito ao famoso baixo Hofner). “Letting Go” foi dedicada a John Lennon, e “Let Me Roll It” serviu para Paul mostrar seus dotes de guitarrista, citar “Purple Haze” no solo, e contar uma história ao final. “O disco “Sargeant Peppers” foi lançado numa sexta-feira em Londres. No domingo, Jimi tocou a música em um show em Londres. Foi sensacional. Jimi, essa música que toquei foi pra você”.
Logo mais, Paul assumiu a guitarra de novo, e explicou: “Essa eu toco guitarra porque fui eu quem gravei a guitarra nessa canção”. E surge “Blackbird”, linda. “Dance Tonight”, uma das canções recentes, faz bonito na noite, mas o grande momento, logo após a alma se arrepiar com “Eleanor Rigby” foi… “Something”, uma canção beatle que não é dele. Paul surge no palco com um ukelele, e diz: “George adorava tocar esse instrumento”, e sozinho começa a música, com o palco todo apagado, de forma acústica. Quando a banda entra na segunda parte da canção, o palco se acende e o telão revela dezenas de fotos de George Harrison, para delírio do público. Emocionante.
O trecho final é simplesmente arrasador. Começa com uma grande versão de “Band on The Run”, e segue com “Ob-La-Di, Ob-La-Da”, “Back in the U.S.S.R.”, “Paperback Writer” e “Let It Be”, todas em versões perfeitas. Em “Live and Let Die”, canhões de fogo aquecem o palco, mas nem precisava, tamanha a excelência da canção. “Hey Jude” fecha o show com 50 mil pessoas fazendo o coro do final por quase 10 minutos. A banda volta para o bis, e não economiza: primeiro vem “Day Tripper”, depois “Get Back” e “Yesterday”. Quando o riff de guitarra anuncia “Helter Skelter”, o céu parece que vai desmoronar. “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (reprise) / The End” encerram uma noite inesquecível.
Acabou? Quase. Os alto falantes anunciam o fim do festival (embora o grupo britânico James ainda estivesse tocando na segunda tenda) despejando em alto e bom som a clássica versão de Jimi Hendrix para “All Along the Watchtower”, gravada na Ilha de Wight em 31 de agosto de 1970 (dezoito dias antes da morte do guitarrista). Ao mesmo tempo, o céu vira um colorido de fogos e rojões que duram os quase seis minutos da canção num fechamento simbólico comovente. O Festival da Ilha de Wight celebra o fim da edição 2010 com muito estilo. Que venha 2011.
Mais fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/
Set list dos Strokes
1. New York City Cops
2. The Modern Age
3. Hard To Explain
4. Reptilia
5. What Ever Happened?
6. You Only Live Once
7. Soma
8. Vision of Division
9. I Can’t Win
10. Is This It
11. Someday
12. Red Light
13. Last Nite
14. Encore:
14. Juicebox
15. Under Control
16. Heart In A Cage
17. Take It Or Leave It
Set List de Paul McCartney
1. Venus And Mars/Rock Show
2. Jet
3. All My Loving
4. Letting Go
5. Let Me Roll It / Purple Haze
6. The Long and Winding Road
7. Nineteen Hundred And Eighty Five
8. I’m Looking Through You
9. Blackbird
10. Here Today
11. Dance Tonight
12. Mrs Vandebilt
13. Eleanor Rigby
14. Something
15. Sing the Changes
16. Band on the Run
17. Ob-La-Di, Ob-La-Da
18. Back in the U.S.S.R.
19. Paperback Writer
20. Let It Be
21. Live and Let Die
22. Hey Jude
23. Encore:
23. Day Tripper
24. Get Back
25. Yesterday
26. Helter Skelter
27. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band / The End
Junho 16, 2010 8 Comments
Últimos dois dias em Londres
Junho 14, 2010 No Comments
Todo dia parece domingo em Londres
A sexta-feira, nosso único dia inteiro em Londres, começou tipicamente inglesa: cinza, fria e com uma garoa insistente. Até parecia domingo, e Morrissey diria: todo dia parece domingo aqui. Colocamos o guarda-chuva na mochila e fomos caminhar pela capital do mundo pop, cidade cujas ruas estampam cartazes dos lançamentos do momento (hoje: o álbum de estreia do Drums e a coleção de singles do Oasis) e onde possível ouvir grande parte dos idiomas do mundo.
Começamos o dia na National Gallery, que por extrema incompetência cultural eu deixei de visitar nos dois anos anteriores que passei pela cidade. Das 61 salas passamos por 45, deixando a área com pinturas do século XV para uma próxima visita (talvez terça-feira, quem sabe). Há muita coisa foda na coleção, embora não exista nenhuma obra inconteste no acervo (talvez a Toilette de Venus, único nu desenhado pelo espanhol Diego Velazquez, mesmo assim inferior a “As Meninas”).
Nunca tinha visto tanto Rembrant junto (apenas uma sala chega a ter dez obras suas, mas há várias outras espalhadas pelas demais salas), aquela coisa densa, meio macabra. Foda. Aliás, isso é um mérito da National Gallery: eles tem um grande número de quadros de dezenas de artistas, como Tiziano, Monet, Turner, Pissaro, Van Gogh e Canaletto (deste último existem umas seis ou sete pinturas lindas retratando a Veneza do século XVIII).
Meus preferidos, além do Velazquez, foram Holbein (um impressionante exercício de vida e morte com “The Ambassadors”), Vermeer (o detalhista “A Young Man Standing at a Virginal”), um Seurat (achei meio futurista e totalmente triste “Bathers at Asnieres”), Hayes (em um belíssimo e acadêmico retrato de “Susannah at Her Bath”), Renoir (“At The Theatre”, “Umbrella”), Pissaro (“Boulevard Montmatre”), Turner (“The Fighting Temeraire”) e Cezanne “(“Bathers”).
O sol saiu pouco depois das 13h, quando deixamos a National Gallery. Um imenso telão preparado para transmitir os jogos da Copa foi colocado no meio da Trafalgar Square, mas tinha chego a hora de uma visitinha ligeira (nem tanto assim) às minhas megastores prediletas de CDs no mundo: a Fopp e a HMV. Sai carregado das duas lojas com mais de 20 CDs e comprei tudo aquilo que eu ainda não tinha comprado na viagem.
Para comer, contrariando a fama de a comida londrina é ruim, fomos procurar algum pub bacana. Na verdade, Londres é isso: a comida barata é ruim. Não é como Istambul, Atenas, Santorini ou São Paulo, que com R$ 10 você come algo razoavelmente bem (no caso das três primeiras, muito bom). Em Londres você precisa pagar acima de R$ 20 pra isso, e incluindo cerveja (obrigatória, né) a conta pessoal pode estourar um orçamento econômico.
Fim de viagem, decidimos investir em um pub legal, e fomos ao Belgo, um pub que destaca no cardápio aproximadamente 80 cervejas belgas mais pratos tradicionais do país, como o Mexilhão (que Lili investiu, feliz). Fui do não menos tradicional fish and chips, com a massa sendo cozida em cerveja Hoegaarden, uma delicia. Além, claro, de três cervejas trapistas (duas Achel de 8,0% e uma Orval) O Belgo fica em Covent Garden (Rua Earlham, 50), os garçons trabalham vestidos de monges e o clima todo é muito bacana. Já é meu pub preferido em Londres.
À noite rolou baladinha em Brick Lane, no 93 Feet East. Fui encontrar o Afonso Capellaro (você chegou a ouvir o programa de rádio que fizemos juntos sobre o Primavera Sound, em Barcelona. Tem reprises na Rádio Levis). Ele tinha dado a dica de uns shows legais na área, e fui conferir (aproveitando para ver jogos da Copa no telão). Só vi a última música do David’s Lyre e gostei. E vi boa parte do show da timida (e bonita) Laura Hocking (subo um vídeo asim que conseguir uma conexão boa) além de beber duas Red Stripe (cerveja jamaicana), uma cerveja polonesa que não lembro o nome e fechar com uma boa Newcastle Brown Ale.
Rolou pegar o último metrô para Shepherds Bush, dançar bêbado “Billy Jean” com mais umas 30 pessoas na estação Liverpool Street (momento divertidíssimo com um cara tocando numa entrada, as pessoas dançando animadas como se estivessem em uma balada, e indo cada um para o seu lado assim que a música acabou. Três minutos de felicidade e risos) e chegar em casa para aproveitar algumas horas de sono antes da viagem para a Ilha de Wight. No fim de semana, Vampire Weekend, Blondie, Strokes e Paul. Conto tudo na segunda.
Mais fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/
Junho 13, 2010 5 Comments
Manhã em Istambul, noite em Londres
Acordamos animados para a nossa última manhã em Istambul. Sol lindo no céu, povo animado nas ruas, o som da reza nas mesquitas no ar, muita coisa ainda pra conhecer. Aproveitamos que estávamos ali do lado e fomos ao Palácio Topkapi, lógico, sem a intenção de vê-lo inteiro, afinal o palácio circundado por muralhas tem uma área total de 700 mil metros quadrados, área maior que a do Vaticano e metade do que o principado de Mônaco.
Construído entre 1475 e 1478 (e aumentado nos sultanados seguintes), o Topkapi foi o centro da administração do império otomano por mais de 400 anos, sendo um belo exemplo da arquitetura otomana e um ponto de partida para entender a força do império, a religião islã, o sultanato e suas particularidades (as vestes, o harém e tudo mais). Construções imponentes, muitos detalhes em azulejaria e pinturas belíssimas, objetos religiosos e uma vista para o Bósforo completam o passeio.
Até que pelo tempo que tínhamos conseguimos aproveitar bem o Topkapi. Na saída ainda demos uma esticada no Hipodramo (que fica ao lado da Mesquita Azul, e antigamente recebia corridas de bigas para um público de 100 mil pessoas, mas hoje é só uma praça), local que abriga a relíquia mais antiga da cidade: um obelisco egipicio de 3500 anos trazido para Istambul pelo imperados Teodósio I do Templo de Karnak, em Luxor. Terremotos vem e vão e o Obelisco ali, imponente.
Nos atrasamos (cinco minutos só) para o shuttle que iria nos levar ao aeroporto de Sabina Góksen (que atende as companhias barateiras, como a Easyjet), no lado asiático, 1h30 distante da cidade (o aeroporto principal, Atatürk, é bem mais perto e acessível) num daqueles translados que parecem eternos. De Sabina, vôo de quatro horas para Londres (mas fuso horário de duas) e chegamos no aeroporto de Luton com nossos 40 quilos de bagagem às 18h.
A entrevista na imigração foi tensa e engraçada. Um senhor grisalho perguntou o que nos trazia a Londres, e comentamos que estávamos indo ver um show do Paul McCatney na Ilha de Wight. “Você tem os tickets?”. “Não, compramos pela internet e vamos retirar na hora”. Silêncio. “Quanto custou?”. “Cerca de 250 pounds”. Silêncio. “Cada um ou os dois?”, como se ele estivesse por dentro do preço de ingressos para festivais no Reino Unido. Antes de liberar, ainda ironizou Lili: “Você devia ser jornalista e ele arquiteto. Arquitetura é coisa de homem”. Ok, bye bye tiozinho.
Chegamos em Shephers Bush (bairro que deu ao mundo o Who) quase às 21h, detonados de cansaço. Tempo nublado e frio na cidade. Comemos em um restaurante indiano e apagamos. O dia (nosso único dia inteiro em Londres na viagem) promete muito (Nationa Gallery, passeio em Covent Garden, lojinhas de Cds, Tate Modern à noite) e amanhã de manhã partimos para a Ilha de Wight (e previsão garante: vai chover no festival). Fim de viagem tremendamente corrido, mas está valendo a pena.
Mais fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/
Junho 11, 2010 3 Comments
“5 euros, 10 liras, muito barato”
O povo turco tem o dom para o comércio e usa essa dádiva com um bom humor que impressiona (principalmente aqueles que já foram “maltratados” em alguma loja em Paris). Eles perguntam seu nome, de onde você vem, e assim que você responde “Brasil” eles soltam tudo o que sabem sobre o país privilegiando o “Bom dia”, o “Obrigado”, o “Bom negócio” e o “Muito barato” (item importante). Eles te tratam bem, e parecem fazer isso muito mais por prazer do que por comércio.
O nosso terceiro dia de Istambul foi, de longe, o melhor, e não só de nossa estadia aqui, mas também um dos melhores dias de toda a viagem. Caminhamos em uma igreja (hoje museu) de quase 1500 anos, entramos em uma outra mesquita, navegamos pelo estreito de Bósforo (e vimos o Mar Negro no horizonte), visitamos as ruínas de um castelo bizantino, bebemos chá, voltamos ao Spice Bazaar e ao Grand Bazaar e terminamos o dia comendo pide, a pizza turca.
Logo de manhã, com o sol finalmente marcando presença, entramos na Hagia Sophia, primeira catedral desenhada no formato de basílica de três naves com cúpula, modelo que a igreja católica iria usar muito posteriormente. Há tanta história entre as paredes da Hagia Sophia que chega a causar arrepios. Ela está judiada, mas continua imponente tendo sobrevivido aos piores terremotos que abalaram a Turquia nos últimos mil anos.
Hagia Sofhia começou como uma igreja, construída por Justiniano em 537. Em 1204 foi pilhada pelas cruzadas e por vikings ao mesmo tempo em que era elevada a posição de igreja matriz do catolicismo. Em 1261 passou a ser uma catedral ortodoxa e só em 1453 foi transformada em mesquita, e assim funcionou até 1935, quando virou museu. E a grande obra do Museu Hagia Sophia é o próprio prédio, histórico, grandioso e arrepiante. Uma jóia.
Dali partimos para o Nostalgic Bosphorus Tour (dica do Carlos), uma passeio de barco que sai do porto de Eminönü, quase no Mar Marmara, e vai até o porto de Anadolu Kavagi, quase no Mar Negro. O barco navega o estreito de Bósforo inteiro parando de um lado na Europa, do outro na Asia. O Bósforo separa os dois continentes, e foi o principal caminho para que Rússia e países do Oriente Médio chegassem ao Mar Egeu e ao Mediterrâneo, e conseqüentemente à Europa.
No último porto do passeio de 1h30, na vila de Anadolu Kavagi, há ruínas de um castelo bizantino, que foi ocupado durante séculos visando a proteção da entrada do estreito para quem vinha do Mar Negro. Pegamos um taxi para subir até o castelo (pela falta de tempo) e ganhamos um guia: o motorista Ismail, um senhor que está aposentado faz 25 anos depois de ter trabalhado por 35 na monitorização do estreito por parte do exército turco.
Segundo Ismail (aqui numa foto conosco), a vila de Anadolu Kavagi tem 4 mil habitantes, mil destes soldados que trabalham até hoje monitorando a entrada do Bósforo. Ismail contou detalhes das ruínas, relembrou histórias do exército, contou da família e disse que no final da estrada paralela ao castelo, já no Mar Negro, há uma vila de pescadores que faz um peixe ótimo (segundo ele, menos salgado que o peixe tradicional devido a baixa salinidade do Mar Negro). Uma simpatia.
Acabamos, no entanto, comendo um peixe na própria vila de Anadolu, quase em frente ao porto. Porém, se você um dia for fazer esse passeio (e faça, pois vale a pena), saiba que grande parte dos restaurantes de frutos do mar ali não vendem bebida alcoólica, pois o consumo é proibido pelo Islã. Cheguei a pedir, me disseram que não tinham, mas sai atrás de uma latinha para acompanhar o peixe, e encontrei. Voltei pra mesa, mas antes de abrir me alertaram (amigavelmente) que era proibido beber ali. Religião é religião, e a cerveja (essa) foi parar na mochila.
A viagem de volta foi tranqüila e sonífera, e chegamos em tempo de passar novamente pelo Spice Bazaar (em que os venezianos vinham vender suas especiarias na antiguidade) e pelo Grand Bazaar para comprar presentes pros amigos. No primeiro, um jovem do Curdistão me atendeu. Ele tem 18 anos, mas planeja aos 22 ir embora para a Espanha. “Preciso aprender a falar espanhol primeiro”, comentou em um inglês muito melhor do que o meu (o que não é difícil, diga-se de passagem).
No Grand Bazaar, quase fechado, paramos em uma lojinha de pashminas. Enquanto Lili escolhia, o dono conversava comigo, e um funcionário mais novo, filho de um amigo dele, acompanhava nossa conversa para aprender como se fala o inglês (logo comigo, que tenho um inglês péssimo). Mesmo assim foi divertidíssimo. Trocamos impressões sobre o Brasil e a Turquia (“Você está brincando que o Brasil inteiro é quase do tamanho da Europa?”) enquanto Lili aprendia – na marra – a arte da barganha. Valeu a pena. A gente acha…
Ainda comprei uma camisa da seleção brasileira (pirata, mas boa: era 25 liras, mas quando fui virando as costas caiu pra 20 e assim que pisei fora da loja ele disse 15. Comprei) para ir à rigor em clima de Copa do Mundo ao Festival da Ilha de Wight, sábado e domingo. Nesta quinta, começo da tarde, voamos para Londres, e a saudade de Istambul já começa a bater no peito. Antes, porém, queremos ir ao Palácio Topkapi. Melhor descansar.
Ps1. O Strokes, que fecha o segundo dia do festival da Ilha de Wight (eu quero mesmo é ver o Vampire Weekend), fez um show secreto hoje em Londres. Veja o set list aqui
Ps2. O Islã proíbe o consumo de bebidas alcoólicas, mas a Turquia faz algumas belas cervejas, como a Gusta e a Efes. Desta última experimentei a Dark, a Extra e a Brown (essa), que nada mais é que uma cerveja com gosto de café. E fica bom!
Ps3. O passeio de barco pelo Bósforo custa 25 liras, ida e volta (e a lira está quase 1 pra 1 com o real). Você pode olhar os horários dos barcos neste link aqui.
Ps4. Provei Cola Turka (aqui). Até o Golé Cola é melhor.
Ps5. Alguém sabe nos dizer o que vendem esses carrinhos aqui?
Ps6. No Grand Bazaar você é obrigado a pechinchar. No Spice, não. O preço que eles falam é o preço que será (pode até rolar um desconto, mas não é obrigatório).
Ps7. London Calling
Mais fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/
Junho 9, 2010 1 Comment
18 países asiáticos reunidos em Istambul
Apesar da chuva, do frio e do tempo nublado, o clima está quente em Istambul. A cidade recebe líderes de 18 países asiáticos para discutir, entre outras coisas, o ataque israelense sobre a frota humanitária internacional e o controverso programa nuclear iraniano. O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, devem participar da cúpula.
Nesta terça, uma bomba explodiu no lado europeu da cidade deixando15 feridos. O alvo era um ônibus com policiais, mas a maioria das vitimas eram civis que estavam passando pelo local. Nenhum pânico na cidade, no entanto. Soubemos do atentado pela Greice, que sabia que a gente estava por aqui e ficou preocupada. Não vimos nada de diferente que denotasse um clima de preocupação.
De manhã olhamos algumas tumbas de sultões e familiares (incrível a quantidade de túmulos de crianças) em bonitas mesquitas que fazem parte do complexo Hagia Sofia, passamos pela Cisterna Yerebatan (que abrigou cenas do filme “007 contra Moscou” e tem clima fantasmagórico com direito a música clássica e iluminação intensa) e, pra fugir da chuva e da fila do Museu Sofia, fomos para o Grande Bazaar.
O local tem mais de 3 mil lojas, e é só olhar para algo que chega alguém perguntando se você quer comprar. Você pensa e o cara diz um preço. Você diz que está caro e então começa a negociação. É uma arte que é engraçada nas primeiras vezes, mas cansa. Porém o lugar é bonito demais. Lili comprou várias coisas. Vou comprar umas bolachas de cerveja desenhadas em azulejo no Spice Bazaar. Esse foi o nosso dia.
Devido ao atentado, melhor não arriscar ficar marcando bobeira, então vamos descansar e jantar mais cedo. E dormir, se conseguirmos. Nosso hostel fica na balada. Ontem, duas da manhã, parecia que eu estava dentro de algum boteco da Augusta (mesmo deitado na cama). A algazarra foi até às três, e eu devia ter seguido o conselho do Carlos, meu conselheiro para assuntos europeus, e não ter ficado no centro antigo.
Que o sol saia nesta quarta-feira (e que não aconteça nenhuma atentado).
Ps1. As cervejas turcas estão se revelando uma ótima surpresa. Bebi duas Gusta hoje (essas aqui: uma weiss e uma dunkel weiss) simplesmente deliciosas, daquelas que eu teria na geladeira em casa fácil.
Ps2. Como a chuva chegou para ficar (parece que o sol só vai sair na quinta-feira, quando estivermos partindo para Londres) decidimos ir para algum lugar fechado hoje à noite, um shopping. Escolhemos um na parte nova da cidade, mas no meio do caminho desistimos e fomos caminhar na garoa pela rua comercial de Istambul, a Istiklal, e ver a cidade. Valeu a pena.
Ps3. Estou adorando a comida turca. O kebab é ótimo e hoje de manhã descobri o pide, a metade do caminho entre a esfiha aberta e a pizza. Gostei tanto que comi um de manhã no meio da rua e agora pouco no restaurante turistão aqui do lado do hostel. Os dois estavam bons, mas o “true” da manhã estava beeeem melhor. Lili amou uma caçarola de cordeiro que comeu no jantar.
Ps4. Os turcos são o bom humor negociante em pessoa. Sorriem para você a todo momento, tentam falar espanhol e às vezes solta uma palavra em português no meio da negociação. Sempre sorrindo.Ps5 E eles sempre tem a resposta na ponta da língua. No Grand Bazaar, para fugir de um vendedor de tapetes, comentei que estava viajando e que não teria como carrega-lo. E ele: “Sem problema, my friend: enviamos por correio”. Risos
Ps6. Nesta quarta, Hagia Sofia e Palácio Topkapi. Se fizer sol, passeio de barco no Bósforo,. Dedos cruzados pela segunda alternativa, afinal ainda não pisamos na Asia.
Ps7. Quinta e sexta, Londres. Sábado tem Vampire Weekend, Blondie, Hold Steady e Strokes no Isle of Wight. Domingo tem Suzanne Vega e Paul e mais umas bandinhas novas (veja aqui). E nós.
Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/
Junho 8, 2010 1 Comment
Em Istambul, chuva
Após três dias de sonho em Santorini, acho que poucos lugares no mundo poderiam manter o nível de astral da ilha grega. Por acaso e sorte escolhemos um desses lugares para a próxima parada: Istambul, a cidade de 10 milhões de habitantes dividida entre dois continentes (a Turquia tem 3% de sua área na Europa e os outros 97% na Asia), que um dia se chamou Bizâncio (século VII A.C.), depois Constantinopla (no ano 96), que é Ocidente e Oriente ao mesmo tempo (ok, mais Oriente) e que surpreende de várias maneiras.
Primeiro foi a chuva. Era uma garoa no meio da tarde quando chegamos, mas se transformou num baita pé d’agua algumas horas depois (que lavou a alma e encharcou o tênis). Deu tempo de derrubar o queixo na surpreendente Mesquita Azul, considerada o último grande templo religioso Otomano. Achávamos que a encontraríamos fechada (nosso hostel é praticamente a dois minutos dela), mas ela nos recebeu – descalços, claro – e nos impressionou de modo intenso.
Construída entre 1609 e 1616, a Mesquita Azul tem 260 janelas, mais de 21 mil peças de azulejaria e centenas de metros de tapete que recebem os muçulmanos que aqui vem rezar (e os turistas, que ficam embasbacados com a obra de arte do arquiteto Mehmet Aga). O clima é de paz e apenas alguns escritos retirados do Alcorão fazem menção à religião (ao contrário das igrejas católicas, lotadas de estátuas, santos e pinturas que mais intimidam do que convidam a contemplação).
Exatamente na sua frente, do outro lado da praça, está a Santa Sofia, construída no ano de 573, e que após ter sido uma Igreja e uma Mesquita passou a abrigar um museu (fechado às segundas). Assim, temos uma agenda lotada para a terça, quarta e quinta. A idéia é visitar a Santa Sofia e a Cisterna Yerebatan na parte da manhã, e partir para o Grand Bazaar e para o Spicy Bazaar na parte da tarde/noite. Quarta, se o sol sair, vamos navegar pelo Bósforo e visitar o Palácio Topkapi. E quinta temos a manhã livre para ir atrás de algo que faltou. Que o tempo melhore!
Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/
Junho 7, 2010 5 Comments
Domingo, descanso no paraíso
Manja teorias malucas, certo. Santorini tem uma, tipo aquela que diz que existe uma caverna que liga São Thomé das Letras com Machu Picchu. A história que ronda a ilha vulcânica conta que Santorini é a Atlântida citada por Platão, ilha que sumiu após uma grande erupção 3650 anos atrás. Resumindo: o povo que vivia em Atlântida foi dizimado com a erupção, e o topo do vulcão afundou com boa parte da ilha. Séculos depois, o que sobrou (a caldeira e o anel) foi habitado novamente ganhando o nome de Thira, ou Santorini.
O plano A do domingo era ir para a ilha de Ios, mas perdemos o navio do meio-dia, e o próximo e último seria às 17h (com volta no dia seguinte). Sem chance. Assim, pensando um pouco na teoria acima, optamos pelo plano B e decidimos fuçar algumas das vilas antigas, mais detonadas que Oia, mas também mais… verdadeiras. A ideia era passar por Megalohori, Messaria e Pyrgos, vilas que influenciaram gênios da arquitetura como Alvar Aalto e Le Corbusier.
Das três, porém, acabamos passando a tarde em Pyrgos, a maior delas, uma vila que preserva a característica medieval da velha Santorini, com edificações construídas pelos venezianos no século XV no alto de um morro com a intenção de ser um forte (os venezianos construíram cinco vilas assim na ilha). A arquitetura é mais densa, as ruas são bem mais estreitas e labirínticas, e é tudo de um lirismo que encanta os olhos.
A Santo Wines fica na entrada de Pyrgos. A casa dos vinhos da ilha promove uma degustação de seis taças de vinhos da casa por 12 euros (incluindo petiscos), ou doze taças de vinhos diferentes por R$ 18 euros. Mesinhas são colocadas na beira do precipício para uma visão paradisíaca do Mar Egeu. A winery fica em uma encosta no meio da ilha e a visão do arquipélago é impressionante e recompensadora. Os vinhos, doces demais, não são o grande destaque, mas a vista vale a visita.
O plano C incluía uma ida para Fira, para descermos de teleférico para o antigo porto da cidade, mas a demora do ônibus nos fez desistir e voltar pra casa. Aliás, dica importante de Santorini: se você tiver carteira de motorista, alugue um carro (quadriciclo e moto já são pra corajosos). Os pontos turísticos são distantes e os ônibus costumam atrasar (mas passam). Uma vantagem é que a quantidade absurda de rent a car na cidade coloca os preços lá embaixo. Vale investir.
Último dia na terra de Santa Irene, vale um balanço. A ilha tem praias ótimas (Perissa, Perivolos, Red Beach, Kamari) e vilas que merecem ser visitadas. Oia (ou Ia) é o lugar, mas Fira, a capital da ilha, merece um olhar delicado (há uma catedral ortodoxa lá que parece ser bem interessante, mas que vamos deixar pra próxima) assim como Pyrgos (Megalohori e Messaria). Um passeio até o vulcão pode ajudar a entender a ilha e as ilhotas menores são pura curiosidade. A alma agradece.Próxima passo: Istambul.
Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/
Junho 7, 2010 No Comments
Uma casinha branca lá no pé da serra
Pé da serra? Passado. Veja onde está essa casinha branca com quintal e janela na imensa rocha do final da Praia de Perissa, em Santorini, nesta foto aqui.
Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/
Junho 6, 2010 1 Comment
Dia de vulcão, mar e donkey parade
Aconteceu de tudo neste sábado. Visitamos a cratera de um vulcão que, segundo o folder do parque geológico que o abriga, está em “estado de tranqüilidade”. Almoçamos em uma pequena ilha cuja população não passa de 200 habitantes. Mergulhei no Mar Egeu em busca de uma piscina termal (que não estava tão quente assim). E subimos do porto para o alto da cidade cavalgando em um burro. Esse tem tudo para ser o dia imbatível da viagem.
Do começo. Como tínhamos apenas três dias inteiros em Santorini e pouca noção do que fazer para aproveitar o tempo da melhor maneira, acabamos comprando um tour na nossa pousada, que prometia um dia bem bacana. Sou totalmente a favor de quebrar a cara, ir atrás dos pontos turísticos, descobrir coisas sozinho e desbravar uma cidade, mas de vez em quando um tour não faz mal a ninguém.
Nosso tour começou às 11h no barco Odisseia, que nos levou para a ilha do vulcão, para uma pequena aula de geologia (viagem também é cultura). A ilha de Santa Irene (ou Thira, seu nome verdadeiro) é remanescente de um vulcão, que após uma imensa explosão perdeu sua parte superior. Ou seja: nos primórdios, toda a ilha era apenas um vulcão. Hoje em dia ela continua sendo território de um vulcão, mas a caldeira é uma ilhota separada e desabitada (com blocos negros de lava endurecida por todos os lados).
A última grande erupção, acompanhada de um terremoto, aconteceu em 1956, e devastou grande parte das casas da ilha, o que quer dizer que a cidade bela que todos admiram tem pouco mais de 50 anos. As casas foram reconstruídas no topo dos morros, e parecem cavalgar as montanhas de rocha vulcânica como se fizessem parte da paisagem, uma sucessão de telhadinhos brancos, amarelos e azuis (estes últimos, igrejas) que encantam o olhar.
Do Vulcano (como eles chamam) fomos para a ilha de Palea Kameni, visitar um poço de água termal que, segundo os guias, podia chegar a 60 graus positivos, então melhor tomar cuidado. O barco ficou parado a uns cem metros do poço, e lá foram os aventureiros mergulhar no gelado Mar Egeu. Vou te contar: estou completamente fora de forma. Nadei no mar razoavelmente para chegar ao poço (que nem estava tão quente assim) e sofri horrores para voltar. Cheguei com os braços dormentes e a cabeça doendo. Preciso voltar às piscinas urgentemente (mas valeu a experiência).
Dali fomos para Thirassia, a tal ilhota de 200 habitantes. Almoçamos na beira do mar (como do mar só gosto de sereia, fui de espetinho de frango com fritas e salada enquanto Lili não rogou-se e aproveitou um espeto com camarão e lagosta). A parada final do barco, às 18h, era em um pequeno porto embaixo das casas do povoado de Oia, e uma alternativa para subir os cincoenta e sete mil degraus era… o burro.
Burro aqui é um animal especial (cachorros também, sendo que estes passam o dia todo dormindo deliciosamente esparramados – como esse aqui). Se São Paulo tem a Cow Parade, Santorni tem a Donkey Parade com vários desses aqui espalhados pela cidade. Os burros sempre foram usados na ilha para levar mantimentos e materiais variados para o topo da cidade. O aeroporto diminuiu a função do animal, mas ainda há lugares (como Thirassia e Pyrgo) que só mesmo o burro pode ajudar no serviço.
A priori, eu iria deixar Lili subir, e iria à pé acompanhando, mas o burro dela (e de mais umas cinco pessoas) saiu em disparada morro acima que não pestanejei e a segui trotando a um palmo do despenhadeiro, mas a Caterina (essa) foi bastante calma e prestativa comigo, não fazendo nenhum grande movimento maluco que me fizesse cair morro abaixo. E eu e Lili, que nunca sequer tínhamos andado à cavalo, passamos no teste da subida até Oia de burro (Lili chegou sorrindo e tremendo de alegria e desespero).
E o por-do-sol em Oia, no segundo dia, ficou devendo novamente. Ele foi mais bonito que no dia anterior, pintando o mar de amarelo, dourado e laranja, mas Atacama abre 2 a 0 no marcador. Talvez no verão, sem as nuvens no horizonte, Santorini vença, mas neste momento a lembrança que temos é a do Vale da Lua, sem conversa, o que não diminui a beleza desse lugar que já foi (e continua sendo) um vulcão, e hoje é um aglomerado de vilas, praias e ruazinhas que conseguem transformam um dia qualquer em algo extremamente especial.
O sábado foi tão completo que desistimos de fazer planos para o domingo. A primeira ideia era ir para Ios, uma interessante ilha próxima (uma hora de barco de Santorini), mas chegamos tão felizes (e meio bêbados) em casa que extinguimos planos. Amanhã acordamos, tomamos café da manhã aqui na pousada, e decidimos na hora o que fazer: se vamos nadar em Perissa, descobrir qualé a da Light House ou encarar o barco até Ios em nosso último dia na ilha de Santa Irene. Segunda-feira, Istambul…
Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/
Junho 6, 2010 No Comments
O melhor barzinho café de Ia
Assim que terminamos o ótimo tour do sábado (assunto do próximo post), fomos deixados em Oia (ou Ia, como quiser o freguês) para vermos o por-do-sol. Tinhámos ainda duas horas e meia pela frente até o astro rei decidir se esconder atrás das nuvens, então fomos procurar um café bacaninha para matarmos tempo.
Meu desejo quase irrealizável era encontrar algum bar que não tivesse só Amstel, Heineken e Mythos, as únicas cervejas existentes aqui, e foi então que esbarramos em “Yeah Yeah Yeah Song”, do Flaming Lips, tocando em um café. Fomos ver o cardápio dos caras e eles devem ser os únicos a ter uma cerveja diferente em toda a ilha. Paramos.
Paramos e ficamos quase três horas. Assim que entrei, o Kosta, no balcão, disparou: “Quando você quer por essa camiseta do Mudhoney?”. Escolhemos uma mesa perto da janela, e comecei a sessão degustação da Craft, uma cervejaria artesanal grega que produz weiss, pilsener e red ale de boa qualidade.
Lili parou em uma taça de vinho branco, e o sol foi morrendo enquanto bebiamos e o som tocava Talking Heads, Bowie, Velvet, Joy Division e outros. Um grupo de portugueses veio papear conosco sobre viagens e antes de encerrarmos a conta, o Drasko, que fazia o papel de garçom, nos trouxe um chopp e uma taça de vinho (a terceira de Lili) de brinde.
Não precisa dizer que saimos altinhos do lugar (vou mandar um arquivo com umas 30 músicas brasileiras pra ele rolar ali). Então fica a dica: quem quiser gastar menos com cerveja na Grécia vai de Heineken, Mythos ou Amstel (em média, 3 euros a lata). A Craft sai por 7 euros o copo de 500 ml, mas compensa pelo conjunto no Meteor (incluindo a vista da janelinha, belíssima - todas as fotos aqui são no café).
Fora a Craft, muitas outras cervejas estreiam na lista. Uma nova belga (tinha que ser) entra no top 5: a Carolus, em sua versão Ambrio, uma cerveja escura apaixonante com o tradicional paladar entre café e chocolate mais uma alta graduação alcoólica que pode enganar os desavisados.
Outra boa surpresa foi a holandesa McFarland, uma ruiva bastante aprazível. Outra cerveja interessante é a Rethymnian, mais uma cerveja grega artesenal (como o Craft), com o diferencial de que esta é feita com ingredientes orgânicos. A cervejaria fica em Creta e, segundo o site (veja aqui), o mestre cervejeiro Dr. Bernd Brink espera a sua visita.
Na sequência, uma listade pilsens praticamente iguais: Alpha (bobagem), Amstel (uma das melhores da região), Mythos (uma cerveja helenica, e isso é o melhor que posso dizer dela, seja lá o que isso signifique), Kaiser (uma austríaca que eu já tinha experimentado em Veneza), a Fischer (outra pilsen normalzinha) e a… Sandy, outra daquelas que mistura Sprite com Pilsen (uma boa limonada). A lista atualizada fica assim:
1) 5/5 – Chimay Blue, Bélgica (aqui) 9%
1) 5/5 – Chimay Red, Bélgica (aqui) 7%
3) 4,95/5 – Grimbergen Cuvée de l’Ermitage, Bélgica (aqui) 7,5%
4) 4,92/5 – Grimbergen Optimo Bruno, Bélgica (aqui) 10%
5) 4,69/5 – Gouden Carolus Ambrio, Bélgica (aqui) 8%
6) 4,65/5 – Judas, Bélgica (aqui) 8,5%
7) 4,59/5 – Kout Special Dark Beer 14°, República Tcheca (aqui) 6%
8 ) 4,50/5 – Grimbergen Blonde, Bélgica (aqui) 6,7%
9) 4,02/5 – Voll Damm, Espanha (aqui) 7,2%
10) 3,95/5 – Edelweiss, Áustria (aqui) 5,5%
11) 3,55/5 – Hofbrau Munchen, Alemanha (aqui) 5,1%
12) 3,50/5 – Soproni’s Fekete Démon, Hungria (aqui) 5,2%
13) 3,49/5 – McFarland, Holanda (aqui) 5,6%
14) 3,48/5 – Rethymnian Dark, Grécia (aqui) 4,8%
15) 2,89/5 – Craft Weiss, Grécia (aqui) 5%
16) 2,86/5 – Rethymnian Blonde, Grécia (aqui) 4,8%
17) 2,79/5 – Negra Modelo, México (aqui) 5,2%
18) 2,76/5 – Staropramen Černý (Dark), República Tcheca (aqui) 4,4%
19) 2,75/5 – Kozel Černý (Dark), República Tcheca (aqui) 3,8%
20) 2,74/5 – Craft Red Ale, Grécia (aqui) 4,8%
21) 2,73/5 – Pilsner Urquell, República Tcheca (aqui) 4,4%
22) 2,72/5 – Craft Pilsner, Grécia (aqui) 5%
23) 2,71/5 – Amstel, Holanda (aqui) 5%
24) 2,70/5 - Kronenbourg 1664, França (aqui) 5%
25) 2,65/5 – Arany Ászok, Hungria (aqui) 4,5%
26) 2,62/5 - Staropramen Granat, República Tcheca (aqui) 4,8%
27) 2,55/5 - Staropramen Premium Lager, República Tcheca (aqui) 5%
28) 2,54/5 - Gambrinus Svetly, República Tcheca (aqui) 4,1%
29) 2,49/5 - Hubertus Bräu, Áustria (aqui) 3,9%
30) 2,45/5 - Kozel Premium, República Tcheca (aqui) 4,8%
31) 2,28/5 - San Miguel, Espanha 4,8%
32) 2,27/5 - Kaiser, Áustria (aqui) 5%
33) 2,25/5 - Eggenberg Vollbier, Áustria (aqui) 5,1%
34) 2,20/5 - Fischer, Grécia (aqui) 5%
35) 2,11/5 - Alpha, Grécia (aqui) 5,4%
36) 2,07/5 - Wieselburger Stammbräu, Áustria (aqui) 5,4%
37) 2,05/5 - Róna, Hungria (aqui) 5%
38) 2,04/5 - Nastro Azzuro, Itália (aqui) 5%
39) 2,02/5 - Mythos, Grécia (aqui) 5,4%
40) 2,01/5 - Dreher, Hungria (aqui) 5,2%
41) 1,99/5 - Elephant, Dinamarca (aqui) 7,2%
42) 1,85/5 - Gösser Märzen, Áustria (aqui) 5,2%
43) 1,84/5 - Cannabia, Espanha (aqui) 4,8%
44) 1,10/5 - Sandy, Grécia 2,0%
45) 1,00/5 - Gösser Radler, Áustria (aqui) 2,0%
Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/
Junho 5, 2010 No Comments
Um sonho chamado Santorini
Após uns vinte minutos de espera no ponto de ônibus, ele nos deixou no meio de lugar nenhum com uma turma de canadenses (três meninas, dois meninos), que também iriam ao mesmo destino que nós: Red Beach. Outro ônibus, uma caminhada entre pedras vulcânicas e chegamos ao pequeno paraíso: uma prainha que precipitava-se sobre um despenhadeiro vermelho (daí seu nome). A visão de cima era fantástica, mas nada como se esticar na rede, abrir uma cerveja e… sonhar.
Comentei com Lili: “Você devia ter comprado um livro ontem. Agora poderia ler e dormir”. E ela: “Mas eu não quero dormir. Eu quero ficar olhando!!!”, numa sensação que misturava admiração com um sorriso enorme no rosto. Red Beach é uma das praias famosas de Santorini, e além dela ainda existem a Light House, White Beach e as praias de Perissa, mas a pequena ilha de Thira reserva muitas surpresas e belezas.
Primeiro de tudo: o nome oficial da ilha é Thira, e não Santorini, embora todas se refiram a ela pelo segundo nome (a junção dos nomes Santa Irini). A ilha, nos primórdios, era uma bola com um vulcão no meio. Após uma forte erupção (que atingiu centenas de ilhas ao redor, inclusive Creta), Santorini ganhou o aspecto que tem hoje: o de uma meia lua com a o vulcão isolado no meio, uma ilha dentro de outra ilha.
O aeroporto fica numa ponta da ilha, e a vila de Perissa fica mais abaixo. O centro da cidade (que segundo o último censo, de 2001, tinha 12 mil habitantes) é Fira, agitada, cheia de lojinhas e ruazinhas, mas o que você, eu, Lili e o mundo conhece da ilha está na vila Oia (lê-se Ia): casinhas brancas sobrepostas umas as outras como se fossem marshmallow. Ruazinhas minusculas as unem, e a sensação é de que você está pisando em um território mágico.
O ponto alto de Oia, dizem, é o por-do-sol, o mais belo do planeta segundo… todo mundo. Na nossa primeira experiência, porém, ele ficou tímido e escondeu-se atrás de uma longa nuvem branca (e a platéia era imensa). Hoje teremos uma segunda chance, mas já adiantamos que, neste momento, o por-do-sol no Vale da Lua, no Deserto de Atacama (essas aqui e aqui) está vencendo a peleja por 1 x 0. E Tiradentes fica com o segundo lugar com este por-do-sol aqui e aqui.
Isso não tira de forma alguma o posto de cidade encantada de Santorini. Naquela minha lista de cidades passionais, Paris e Barcelona se diferenciam de Veneza e Santorini (e, por que não, Tiradentes) porque as primeiras são cidades belíssimas com tudo aquilo que conhecemos (facilidade e dificuldades) enquanto as três últimas (nosso exemplar mineiro incluso) são pequenos sonhos incrustados em lugares especiais.
Veneza flutua à beira do Mediterrâneo cheia de becos e vielas, onde se vai de um lugar para o outro de barco, e vê-se gandolas negras flutuando de lá pra cá entre o mar e as paredes. Santorini é uma pequena ilha no meio do Egeu, uma superlotação de casinhas brancas (as de tetos azuis são igrejas) unidas por ruazinhas minusculas que desembocam em praias e em bares aos pés do mar (tão claro, mas tão claro).
Passamos o dia inteiro fora do hotel, e voltamos de alma lavada para casa. Hoje o dia promete. Pegamos um tour que nos levará até a cratera do vulcão, passará por duas ilhas menores, e terminará no fim da tarde ao por-do-sol de Oia. Esperamos ansiosos pelo empate, e com um gol belíssimo de Santorini, mas se não rolar, não tem problema: a cidade já nos conquistou de uma maneira que podemos ficar parados para ela olhando, olhando e olhando por horas como se estivéssemos sonhando. E não estamos.
Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/
Junho 5, 2010 2 Comments
De Atenas para Santorini
Último dia em Atenas, e fiquei com vontade de ir ao bairro anarquista, mas hoje teve greve geral dos transportes públicos, então só valia ir aonde a perna aguentasse. Fica pra próxima. Dormimos até tarde, fizemos o check-out, mas deixamos as malas no hotel, pois nosso vôo para Santorini só iria sair às 19h30. Assim, passamos o dia camelando. Para matar o tempo, escolhemos um restaurante bacaninha para almoçar (bebi Kaiser, a alemã) e depois saímos à caminhar pelo mercado de pulgas de Atenas.
Para desespero da Lili, achei “a” loja de bootlegs da minha vida. Ok, nem tanto assim (só quase), mas fiz uma senhora compra na lojinha, 11 CDs por 40 euros. No pacote, um bootleg de Bruce Springsteen da turnê de 1992, um QOTSA caprichado com vários momentos da turnê de 2002 (aquela que teve Dave Ghrol e Mark Lanegan), um Lou Reed da turnê “New York” (1992), um Dylan duplo da turnê de 2000, mais dois Radiohead, dois Manics e dois R.E.M. \o/
Tudo muito bonito, tudo muito legal, mas eis que olhamos para os relógios na rua e percebemos que todos estão uma hora adiantada em relação ao nosso. Ou será o nosso que está uma hora atrasada? Pergunta daqui e dali, e não é que passamos quatro dias em Atenas com o fuso horário atrasado em uma hora! Atenas adianta o relógio uma hora em relação a Greenwich, e mais uma hora do horário de verão. Assim, eramos dois brasileiros correndo e por pouco não perdemos nosso vôo.
De resto, fora a correria, tudo tranqüilo. A viagem - que de barco demora oito horas - de avião não passa de 40 minutos. A aeronave nem termina de subir e as aeromoças já estão lhe servindo um refrigerante, e acho que não tem comida exatamente porque não daria tempo (hehe). Acho que vi golfinhos (ou tubarões, vá saber) pela janela do avião, e tudo é tão azul profundo que impressiona. Pra fechar, a pousada que escolhemos é ótima (além de ser bem barata). Amanhã, praia e casinhas brancas.
Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/
Junho 3, 2010 No Comments
Um dia pelas ruínas históricas de Atenas
O que dizer sobre a Acrópole, o Parthenon, o Templo de Zeus Olímpico que já não tenha sido dito? Sinceramente, não sei. É tudo tão grandioso (mesmo para os nosso padrões atuais) que chega a assustar. A quarta-feira foi dedicada totalmente à caminhada. Colocamos os pés no asfalto (e no mármore), óculos de sol no rosto, e fomos a luta. A cidade pareceu muito mais amistosa e bonita, e olha que a atravessamos de uma ponta a outra num daqueles dias em que você chega no hotel e se vê feliz por tudo que aproveitou.
O caminho básico foi sair do hotel às 9h, seguir a Rua Septemvriou até a Praça Omonia, e dali pegar a avenida Stadiou até a Praça Syntagma (com um pequeno desvio no roteiro para ver os prédios da avenida Venizelou. Dali descemos pelo rua comercial Ermoy parando em várias igrejinhas bizantinas do século 11. Ok, parece que estou falando grego (sinta o clima aqui), eu sei, mas foi uma bela caminhada que terminou (ou melhor, teve uma pausa) com um ótimo pita (churrasquinho grego) em um restaurante do Psiri (que um grego, amigo do Ariel, havia nos levado no dia anterior).
Dali fomos para o Parque Agora Antiga, que abriga o bem conversado Templo de Hephaestus. Uma olhada para o céu e… morro avante. Lá fomos nós em direção a Acrópole. A região no alto do morro (100 metros acima da cidade) é um tesouro para arqueólogos, que “brincam” de quebra-cabeça juntando peças (pesadas) de mármore de dois mil anos. Grandioso é a única palavra que consigo pensar, enquanto Lili sufixa todos os “ia” possíveis inventados pelos gregos: democracia, filosofia, geometria, poesia (e putaria, minha contribuição), e a lista parece seguir infinita.
Passamos no novo Museu da Acrópole (um belíssimo projeto do arquiteto suiço Bernard Tschumi) e admiramos no caminho, abaixo da Acrópole, um teatro romano, cujo público original chegava a 18 mil pessoas (as arquibancadas se estendiam até o pé do morro), e que hoje, reformado, deve receber umas 3 mil pessoas. Dia 15 de junho, se você estiver de bobeira por Atenas e quiser matar saudades do Brasil, tem show de Caetano Veloso (da turnê “Zii e Zie”, esse aqui). Imagina… fazer um show aos pés da Acrópole, do Pathernon, em um teatro romano que tem mais de 2 mil anos… Foda.
Num resumo rápido, essa quarta-feira em Atenas foi um dia de total contemplação da cidade. Amanhã a coisa toda volta ao normal (ainda mais porque haverá um grande protesto na cidade, que inclui greve geral dos transportes públicos), e à noite voamos para Santorini. Na memória, meio bêbado de cerveja grega e de Creta, ouço Herbert Vianna cantando “Santorini Blues”, faixa que encerra o álbum “Hey Na Na”, uma canção cuja letra diz: “Quem não tem amor no mundo, não vem neste lugar”. Espero ser digno.
Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/
Junho 2, 2010 2 Comments
A beleza e a tristeza de ser Atenas
Nosso guia de viagens já avisava sobre Atenas: “é bom não esperar uma terra encantada, pois daí você pode se decepcionar”. Mas como não esperar uma terra encantada se tudo que você sabe sobre a Grécia são o mar azul, a história antiga, a Acrópole e o filme “Casamento Grego” (além, claro, do indefectível churrasquinho grego). Após 15 dias de andanças pelo velho mundo, a chegada no país cuja economia é (e sempre foi) a mais frágil da Europa Ocidental é, inevitavelmente, um choque. E suspeito que isso tem mais a ver com a história do país do que com a recente crise econômica.
Tento não deixar me levar pelo momento, e um diário como esse é repleto de pré-julgamentos que precisam ser melhor analisados com o tempo. Tipo Budapeste, que nos mostrou sisuda e tristonha, mas só porque chegamos na cidade em um fim de semana chuvoso. Ou Praga que se mostrou alegre e aconchegante, mas será só por que pisamos na cidade no dia da final do campeonato mundial de hóquei no gelo, contra a rival Rússia, e os tchecos felizes acreditavam no título (que, no final, foi realmente conquistado).
Penso sempre que o local que você escolhe para ficar pode influenciar diretamente seu olhar sobre a cidade. Talvez meu descaso com Florença, por exemplo, advenha do fato de termos ficado um pouco distantes do centro, mas lembro que achei o museu Uffizi um desrespeito (pelo preço, pela desorganização, pelas luzes que iluminavam de forma errada o quadro), a igreja nem tão impressionante sim, e tudo muito mais caro do que em outros centros. Talvez não tenha me enganado, mas vá saber, vou precisar voltar e tirar a prova.
Por outro lado teve Paris, em que tudo deu errado no primeiro dia, mas a cidade conquistou-me depois. Já em Atenas, as coisas estão complicadas. Demos azar no primeiro hotel (uma espelunca no meio de uma área pouco convidativa e que, recomenda-se, não se deve sair à noite), localizado em uma área da cidade que está caindo aos pedaços (o problema é muito mais antigo que a crise atual), o que é uma ironia, já que se as construções novas são um desastre, restos milenares continuam de pé muitas vezes melhor preservados.
Trocamos a espelunca por um Novotel. O primeiro ficava no bairro Psiri, entre a praça Omonia e os sitios arqueológicos. O segundo fica do outro lado da praça Omonia, e pode se dizer que lembra a Cracolândia, em São Paulo (yep, região barra pesada). Um grego contou ao Ariel Martini (nos encontramos sem querer perambulando pela cidade) que a polícia não costuma freqüentar muito a área, e que se você os chama-los sofrerá um belo interrogatório para eles confirmarem se vale a pena visitar o local.
Porém, a cidade não gira em torno apenas dessas duas áreas que circundam a praça Omonia (assim como São Paulo não é só a Cracolândia e Barcelona não é só o El Raval). A região da avenida Stadiou, que liga as praças Omonia e Syntagma, parece ser ótima, uma cidade grande que se contrasta com as casinhas turísticas do bairro Plaka. E embora as avenidas estivessem vazias (reflexo das manifestações diárias), a rua comercial Ermoy estava lotada muito antes de chegar no território turístico, pós metrô Monastiraki (uma região de barzinhos e restaurantes que lembra um pouquinho o bairro do Bexiga, em São Paulo.
Uma coisa que percebi em Barcelona desde que estive na cidade pela primeira vez, três anos atrás, é que esse momento da história mundial é bastante interessante pois chegamos em um ponto que preservar monumentos se tornou vital para as cidades. A recuperação de áreas antes degradadas está se tornando prioridade em diversos países, que enxergaram no turismo uma forma de abrir as portas de casa para os vizinhos. E, quando se fala em Europa, os vizinhos são muitos e querem visitar você e conhecer sua história.
Atenas, porém, exibe o cerne de seus problemas ao ar livre, pois você não está vendo somente a Atenas milenar, heróica, cujo apogeu aconteceu entre 480 e 338 antes de Cristo, mas também todos os anos de ocupação romana, bizantina, turco otomana, alemã e italiana (na Segunda Guerra) além da ditadura, tema do obrigatório “Z”, de Costa Gravas, que traduz política, manipulação da mídia, e o poder da força sobre a inteligência de forma soberba. Um filme tão fresco, tão forte, tão impressionantemente atual, que explica um pouco do que é Atenas hoje.
Lógico que a crise financeira atual pode ser vista em todas as esquinas. Manifestações pesadas estão acontecendo quase todos os dias nas ruas da cidade, repleta de policiais. Nesta terça, novamente, a polícia fechou diversas ruas evitando que carros circulassem pelas ruas perto do Parlamento grego, em frente a praça Syntagma. O clima é pesadíssimo na cidade, e faz parecer que um golpe de Estado pode acontecer a qualquer momento, mas isso pode ser mais a memória acostumada com om histórico de tantos eventos assim do que a realidade.
Terra encantada não existe. O que existe são pessoas governando países, e tudo que esses governos fizeram pelo povo em 2 mil anos está exibido na sua rua, no seu bairro, na sua cidade. E tudo isso é história, muitas vezes não tão bonita. As ruas do centro velho de Atenas são tão históricas quanto o Acrópole. O mundo perfeito dos shopping centers (um local em que você só vê beleza e está seguro) é falso (assim com a vida paralela dos personagens de Lost), e é preciso ter isso em mente quando se pisa em Atenas, uma cidade brasileira, com a classe média convivendo com a pobreza todos os dias.
No entanto, basta caminhar em locais antigos como os Parques Agora Romana e Agora Antiga para deixar-se levar pela contemplação, ou mesmo descer a rua Ermoy da praça Syntagma até o centro histórico para perceber que Atenas é uma cidade viva. O começo da área dos sítios arqueológicos e o bairro Plaka são inebriantes, e sempre que se levanta o olhar encontra-se o Parthernon, imponente, um templo mítico que lembra que a cidade já viveu outras tantas eras históricas. A esperança é de que o futuro reserve dias melhores para o povo grego no geral, e para Atenas em particular. Enquanto isso, a cidade vive (pois não deixar de viver nunca foi uma opção), e nós a admiramos.
Ps1. Comprei na FNAC aqui em Atenas os dois primeiros DVDs da viagem: “Roma” e “Satyricon”, de Fellini, 6 euros cada (e com legendas em português… de Portugal. Mas tá valendo).Ps2. Estou me contendo bastante nas compras de CDs. Peguei a reedição dupla do debute do The La’s aqui, e em Barcelona quase pirei com a quantidade de bootlegs da Revolver Records, na Calle Tallers, 11 (veja o site da loja aqui). Tinha um box com todos os shows de Bruce Springsteen na Itália, ano passado (incluindo o show que vi em Roma) e centenas de DVDs piratas. Acabei pegando um bootleg simples do Bruce e mais algumas bobagenzinhas.
Ps2. Meu sonho de consumo do momento, presente em qualquer grande loja que se preze, é o box “Exile”, dos Stones (esse aqui), com dois vinis, dois Cds e um DVD. Mas tá carão.
Ps3. Terminei “Juliet, Naked”, do Nick Hornby. Aprovado. Escrevo dele assim que sobrar um tempo… Lili, por sua vez, está relendo “Tudo se Ilumina”, do Jonfe.
Ps4. Os próximos passos são Santorini na quinta-feira e Istambul na próxima segunda. Depois, Londres e Paul McCartney
Ps5. Acho que vai rolar chegar a 50 cervejas. No momento, 34.
Ps6. O jeito agora é descansar, pois amanhã será dia de Acrópole. Você vê ela lá em cima, no morro, e pensa que é perto. Pensa. A caminhada é longa, bem longa.
Ps7. Haja pernas…
Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/
Junho 1, 2010 1 Comment
Wilco ao vivo em Roma
Um dos poucos monumentos turísticos de Roma que não tem mais de 2 mil anos, o Parco Della Musica (inaugurado em 2002 e já incluso no roteiro de visitas à cidade) não é apenas uma obra de arte visual, mas também uma catedral sonora. Grandes gomos de madeira no teto permitem que os sons flutuem no ambiente, valorizando quem faz música repleta de detalhes, como o Wilco, promovendo um encontro raro de uma banda perfeita sonoramente com um local de acústica impecável.
Jeff Tweedy trouxe a banda para o palco pouco antes das 21h, e assim que suas mãos tocaram o violão, o som de “Ashes Of American Flags” preencheu o teatro desenhado por Renzo Piano dando início a um daqueles momentos especiais que os apaixonados por música sonham a todo momento. Um dos cavalos de batalha do álbum que fez o Wilco renascer na história da música, “Ashes” soou delicada e perfeita abrindo caminho para outra canção do disco “Yankee Hotel Foxtrot” (2002), a usina de desconstrução desapaixonada “I Am Trying To Break Your Heart”.
Logo na segunda canção do show já é possível perceber com clareza a dinâmica que fez a fama do Wilco (e que anda faltando nos últimos discos de estúdio do sexteto): Tweedy carrega tudo no violão e na voz triste, mas a banda insiste em envenenar a melodia com um arranjo suntuoso abarrotado de trovoadas sonoras. Se fosse só Tweedy solo, o Wilco seria um punhado de canções bonitas ao violão, mas a tempestade do arranjo transforma uma simples canção em um momento sublime de arte.
“Bull Black Nova” é a primeira do disco mais recente do grupo a marcar presença no show, e Nels Cline, o mais brilhante escudeiro de Tweedy na atualidade, pontua a versão (conduzida ao piano) com aspereza. “Wilco (The Album)” (2009) foi recebido com frieza pela crítica, mas a banda investe tocando seis canções dele no show (só “Yankee” empata em execuções), e as músicas crescem um absurdo ao vivo como se o Wilco tivesse nascido para ser uma banda de palco, e não de estúdio. “One Wing”, um dos números brilhantes de “The Album”, surge encorpada e simplesmente arrepia, com Nels Cline arrasando na guitarra.
E, então, por cerca de cinco minutos, o mundo pára. Um barulho de microfonia surge em meio ao silêncio, e o tecladista Mikael Jorgenses dispara no teclado as notas inconfundíveis de “A Shot In The Arm”. A banda vem junto e entrega para os 2800 espectadores uma versão ensurdecedora e arrasadora de um dos clássicos da primeira fase do Wilco. É a sexta música da noite, e o show já poderia ter acabado. Daí em diante, a banda arranca num crescendo mortífero no show, mas tudo soa estranhamente menor, imperfeito perto da grandiosidade de “A Shot In The Arm”.
Tweedy só se dirige ao público pela primeira vez quando o relógio anota pouco mais de uma hora de música. “Roma, é bom estar aqui”. E conta uma história. “Estávamos ontem, embasbacados, no Coliseu. E uma americana atrás de mim solta a pérola: ‘Nós viemos até aqui para ver isso??’. Definitivamente, eu não sei o que acontece com as pessoas”. Depois, elogia o som da casa e se rende à obra do arquiteto Renzo Piano. “Esse lugar é muito legal. Obrigado por nos deixarem tocar aqui”.
“One By One”, lançada em um disco com Billy Bragg, traz Nels Cline na guitarra steel, e ele novamente faz seu show particular, e estica o momento com o instrumento no colo, e uma pequena guitarra nos braços, numa versão pungente de “Deeper Down”. Mas é na dobradinha “Handshake Drugs” e (principalmente) “Impossible Germany” que a plateia louva o guitarrista, que sola seu instrumento como se o mundo fosse acabar nos próximos dois minutos, e a última coisa que ele tem a fazer na vida é esse solo de guitarra (no Primavera Sound, o público “cantou” o solo).
“Via Chicago”, inebriante, surge em um arranjo que lembra “A Shot In The Arm” (sua có-irmã do álbum “Summerteeth”) e “Break Your Heart”, e conquista a plateia (mas perde para as outras duas em empolgação). Um mini bloco “Yankee” dá às caras: “War on War” aparece mais acelerada do que no disco. Ao final, Tweedy confessa: “Essa música soou muito bem aqui”. E provoca: “O único problema de tocar num lugar bacana como esse é que vocês ficam estirados como se estivessem dormindo”. O público ri, e aos primeiros acordes de “Jesus etc…” não se contém e se levanta para cantar a canção, como se fosse um hino.
O trecho final da apresentação é delirante com “Heavy Metal Drummer” abrindo o bloco, que segue com uma versão grandiosa de “Hate It Here”, namora os Beatles (e Paul) em “Walken” e dá um longo e forte abraço em Neil Young com uma versão guitarreira de “I’m The Man Who Loves You”. O show acaba, e o público, que já tinha tomado as laterais do teatro nos números finais, vai para a frente do palco aguardar a banda, que volta com a boa “The Late Greats”, emenda com “California Stars” (assista aqui) e termina country rock (com direito a duelo de guitarras entre Nels e Pat Sansone, o guitarrista cover de Tom Petty) com “Red Eye and Blue / I Got You (At the End of the Century)”, “Hoodoo Voodoo” e “I’m a Wheel”.
No total, 27 canções em mais de 2h30 de música confirmam que o Wilco segue imbatível no quesito performance ao vivo. Aconteça o que acontecer, você precisa colocar como meta em seu futuro ver Nels Cline e Jeff Tweedy ao menos uma vez na vida, o mais rápido possível, ao vivo. O que esses dois caras fazem no palco (escorados com excelência pela banda) é de lavar a alma dez vezes na mesma noite. Embora a banda tenha se acochambrado no classic rock em estúdio (e a imensa presença de cabelos brancos na plateia só pode referendar isso), ao vivo o Wilco é uma das raras experiências imperdíveis que o rock and roll pode proporcionar no novo século, um show para se ver e guardar na memória.
Leia também:
Europa 2009: Bruce Springsteen ao vivo em Roma (aqui)
Europa 2010: Complexo Parco Della Música, de Renzo Piano (aqui)
Todas as fotos por Marcelo Costa
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
Maio 31, 2010 16 Comments





















































































































































