Blog do Editor do Scream & Yell
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Category — Europa 2009

Uma festa do interior… na Belgica

Bruges é uma cidadezinha a 97Km de Bruxelas cujo charme medieval é seu maior atrativo. Seu centro do século 13 é o mais bem preservado de toda a Europa e é uma volta no tempo, muito embora a quantidade de turistas superlote suas pequenas ruas. É uma mistura de Gramado com Ouro Preto (com cervejas e chocolates melhores).

A cidade esta lotada. Turistas ficam embasbacados nas vitrines das lojas de chocolate e cerveja enquanto se entopem de batatas fritas, que os belgas defendem serem os pais. Rapazes da cidade pedalam vestidos de freira pelas ruas medievais. O clima é o melhor possivel.

É no principal jardim da cidade, o Minnewater, que acontece o Cactus Festival, um dos cinco festivais mais bacanas da Bélgica (entre os mais de 50 que eles devem promover no verao), cujos mais famosos sao o Rock Werchter (eleito pela liga dos festivais europeus o melhor festival do verao quatro vezes nesta década), o Pukkelpop e o Lokerse Fest (que neste ano terá Manics em agosto).

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O Cactus lembra, e muito, uma festa de cidadezinha do interior com criancas andando pelo parque, senhoras e senhores conversando em bancos e uma variedade de comida surpreendente (além, claro, da boa cerveja belga em tres versoes: Pilsen; de trigo e de cereja) destacando-se os waffles de nutella, as fritas e os sanduiches de braadworst.

A criancada passa o tempo todo recolhendo copos de plástico de cerveja e garrafas de refrigerante para trocar em um posto de reciclagem que paga 0,10 cents de euro por cada item. Os portoes abrem às 11h da manha, e o primeiro show comeca 12h30, mas o publico está no festival nao só para ver os shows, mas pq o lugar é um ponto de encontro da cidade.

A grande diferenca em relacao ao Brasil (além da organizacao impecável, dos banheiros masculinos ao ar livre, da cerveja e da variedade de comida) é que aqui nao tocam duplas sertanejas, heróis da Jovem Guarda e da época de nossos tataravos, mas sim bandas novas como o Cold War Kids, lendas do cenário independente como Greg Dulli e Mark Lanegan e genios como Paul Weller. Bem, talvez seja a mesma coisa, né mesmo.

Ah, e eles falam o flamengo, uma mistura de holandes, frances e alemao que dá a perfeita sensacao que todo mundo ao seu redor está falando ao contrário. Panico total (risos). E tambem andam de bicicleta: mais de mil ficam “encostadas” do lado de fora do parque. Jo Gideon and The Shark, Black Box Revelation e Joan As Police Woman abrem o dia, mas só chegamos para a quarta atracao.

O Cold War Kids surgiu mostrando as músicas excelentes de seu álbum de estréia mais as fracotes do segundo disco - que cresceram ao vivo. Bom trabalho de guitarras, boa performance de palco, e “We Used to Vacation” é uma graaaaande cancao. É bom ficar de olho no terceiro disco desses caras, pois deve vir coisa boa.

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Na sequencia, Gutter Twins em momento acústico: Greg Dulli em um violao (e teclados e gaita), Mark Lanegan impassível no centro e Dave Rosser no outro violao. Único problema do show: foi curto demais (veja o set list aqui). Mas vou dizer que quase chorei em “Sworn and Broken”, do álbum “Dust”, último do Screaming Trees. E “Summer Kiss”, do Afghan Whigs, arrepiou.

Intervalo, show do Novastar (banda da casa que parece uma mistura de Fito Paez com Coldplay e levou mais público para frente do palco do que qualquer outra atracao do dia) e… Paul Weller. No palco, o ex-líder do The Jam parecia um menino de tao feliz e agitado. O show - centrado no excelente “22 Dreams” - de duas horas foi impecavel, daqueles de fazer muita bandinha inglesa nova voltar pra garagem. A garoazinha, jah no bis, terminou de lavar a alma.

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Fotos da viagem:
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Julho 12, 2009   5 Comments

Quatro itens para economizar em Paris

01) Alugue um apartamento. Sai mais barato que hotel e albergue; no Homelidays tem varios, mas vale olhar no blog Conexao Paris, da brasileira Maria Lina, tambem;

02) Adquira em qualquer guiche de metro o Paris Visite (o antigo bilhete orange). Voce compra-lo para 1, 2, 3 ou dias e compesa muuuuito, pois lhe dah direito a viagens ilimitadas de metro e onibus durante o periodo escolhido. Vale focar nas areas 1/3, e no dia em que voce quiser ir pra Versailles, compra bilhete de trem pra la;

03) Adquira o Paris Museu Pass, passe que lhe da direito aos principais museus da cidade assim como em diversas atracoes. Tem de 2, 4 e 6 dias e permite “cortar a fila” em alguns lugares. :) Voce pode compra-lo em qualquer museu ou alguns pontos de venda (como a Fnac) e ele soh passa a valer no momento em que voce usa-lo pela primeira vez;

04) Internet em Paris eh a mais cara da Europa (provavelmente) alem de ser muito, mas muito dificil de encontrar. Ha lugares em Les Halles e na Ile de La Cite que podem cobrar 6 euros a hora. Evite. O melhor ponto de internet de Paris fica no Boulevard Clichy, mais precisamente no metro Blanche (linha 2), que tambem eh conhecido por ser a estacao da casa de shows Moulin Rouge. Saindo do metro, em frente voce tera o Moulin Rouge, e atras uma rua com varios cybers que funcionam ate altas horas custando 1,50 Euros por hora.

Julho 10, 2009   2 Comments

Alguns tops da viagem ate agora

Shows
01- Blur no Hyde Park
02- Leonard Cohen no Palais de Bercy
03- Tindersticks no Hyde Park
04- Nick Cave and The Bad Seeds no Rock Werchter
05- Franz Ferdinand no Rock Werchter
06- Big Star no Hyde Park
07- Yeah Yeah Yeahs no Rock Werchter
08- Crystal Castles no Hyde Park
09- Piney Gir The Lexington
10- Foals no Hyde Park

Cervejas
01- Bloemenbier 7,0% (Belgica)
02- Deliriuns Tremens 8,5% (Belgica)
03- Hercule 9,0% (Belgica)
04- Duvel Speciale 7,0% (Belgica)
05- Leffe 9.0 (Belgica)
06- Leffe Radieuse 8,2% (Belgica)
07- La Divine 8,5% (Belgica)
08- Mongozo Banana 4,5% (Belgica)
09- Rochefort 11,5% (Belgica)
10- Mort Subite 4,5% (Belgica)

Museus
01- Museu D’Orsay, Paris
02- L’Orangerie, Paris
03- Museu Picasso, Paris
04- Centre Pompidou, Paris
05- Museu Rodin, Paris
06- Tate Modern, Londres
07- Museu do Louvre, Paris
08- Museu de Armas, Paris

Dez lugares
01- Rua Montergueil, Paris
02- Hyde Park, Londres
03- Grande Praca, Bruxelas
04- L’Orangerie, Paris
05- Grande Praca, Leuven
06- Torre Eiffel a noite, Paris
07- Camden Town, Londres
08- A Ponte do Milenio, Londres
09- Bairro Marais, Paris
10- Pub Deliriuns Tremens, Bruxelas

Julho 10, 2009   3 Comments

Ultimo dia em Paris

Tanta coisa pra contar, tantos sentimentos pra dividir e pouco tempo util. Paris eh… foda. Lili jah entregou seu coracao. Ela relutou bastante valorizando o bordao que diz que, sem os parisienses, Paris seria um paraiso, mas ela jah admite sentir saudades daqui. Eh tanta coisa. De um lado, a grandiosidade dos monumentos. De outro, o charme dos milhares de pequenos bistros e padarias.

Eles sao milhares, eh serio. Na rua Montergueil (que Monet eternizou em quadro de 1878, e ela continua igual), local em que estamos instalados (na verdade, em uma travessa dela) existem uns quinze bistros, uns dez cafes, duas lojas de vinho, uma fromagerie, tres quitandas, um loja de peixes, duas de frango, dois supermercados e sabe-se lah mais o que, e sao soh tres quadras. Eh um festival de cheiros, cores e sabores de deixar a alna bebada e feliz.

Temos que organizar as ideias e lembrar de contar sobre o tumulo de Napoleao (valeu, Ligelena, por ter insistido: adoramos e rimos muito), sobre o Museu Picasso, o D’Orsay, sobre as cervejas belgas (estou anotando tudo sobre elas e, alias, ha uma filial do Templo da Cerveja em Bruges!!!), sobre a Torre Eiffel dourada a noite. Por enquanto, deixo uns textos da Flavia, que ela escreveu seculos atras pro Scream: “A Franca” e “Uau, voce mora em Paris!” e a minha resenha para o “2 dias em Paris“, filme da Julie Delpy. Sao textos que falam muito sobre o estar em Paris.

Ps. Amanha cedinho emarcamos para o Cactus Festival em Bruges com Paul Weller, Gutter Twins, Calexico. Aguarde.

Fotos da viagem:
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Julho 10, 2009   2 Comments

Um dia corrido cheio de coisas

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Nosso terceiro dia em Paris foi, de longe, o mais bacana. Lili jah esta curtindo a cidade, feliz pelos museus, cafes e bistros. Fizemos tanta coisa hoje que nem vou entrar numa de fazer textao. Vamos por topicos mesmo:

-Museu do Louvre: fomos logo cedo e ficamos tres horas. Sai morto, mas valeu para rever algumas coisas legais que eu tinha gostado no ano passado. Se pudesse, Lili ficaria dias olhando os Escravos, de Michelangelo.

-Museu L’Orangerie: Ligilena, voce estava certissima. Esse eh o museu mais fofo e especial de Paris. Chapei com as imensas ninfeias, de Monet, que fiquei admirando por bastante tempo. Depois descemos para o acervo com coisas de Modigliani (que eu e Lili adoramos), varios Renoir e Cezanne alem de alguns Picasso e Matisse. Virou o meu museu preferido.

- Instituto do Mundo Arabe: obra interessante do arquiteto Jean Nouvel. Um dia antes jah tinhamos ido ver a Biblioteca Francois Mitterrand, outra obra interessante,

- Pantheon: adoramos o predio, mas ficamos decepcionados com o Pêndulo de Foucault. Lili acha aque eh culpa de Lost… risos

- Centre Pompidou: o complexo cultural que atrai mais gente em Paris (sim, mais do que a Torre Eiffel e o Louvre) eh outra interessante obra de arquitetura (assinada pelos italianos Renzo Piano e Richard Rogers). Tem uma belissima vista da cidade alem de um magnifico acervo de arte moderna. Duas controversas obras do genial Duchamp estao aqui: A Latrina e a Roda de Bicicleta. Mas eles tambem tem Picasso, Modigliani, Giacometti, Miroh, Matisse e Braque, entre muitos outros. Um lugar foda.

Terminamos o dia com as pernas arrebentadas e olhos e coracao felizes bebendo vinho barato frances no apartamento acompanhado de queijos da feirinha da Rua Montergueil, nosso lugar preferido na cidade. E eu viciei em framboesa, tipo a realeza dos morangos. Ainda tenho que falar das cervejas belgas, mas tento fazer isso amanha, sem falta…

Fotos da viagem:
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Julho 9, 2009   3 Comments

Três horas de Leonard Cohen em Paris

O Palais Omnisport de Paris Bercy fica um pouco distante do centro, nada que três estações de metrô não resolvam em apenas dez minutos. Ele é um mostrengo de ferro e azulejos, mas ótimo para abrigar jogos de basquete e vôlei além de shows podendo receber um público de até 19 mil pessoas. Para esta noite, com cadeiras ao centro, parece que Leonard Cohen levou 15 mil pessoas ao lugar, que está abarrotado.

O show estava marcado para às 20h, mas atrasou um pouco. Cohen e sua competente banda entraram quinze minutos depois, fizeram um pequeno intervalo às 21h20 e só deixaram o palco às 23h15 contabilizando três encores em três horas de apresentação (2h40 com a banda no palco, pois mesmo nos pedidos de bis, Leonard Cohen saia saltitando, a banda ameaçava sair, e logo ele voltava com o chapéu no peito e o local vinha abaixo).

O começo já bastou para deixar todo mundo feliz com “Dance Me To The End of Love” abrindo os trabalhos e os hits se sucederam: “Bird On The Wire”, “The Future”, “Ain’t No Cure For Love”, “Everybody Knows”, “Tower Of Song”, “Suzanne”, “Hallelujah”, “I’m Your Man”, “So Long, Marianne”, “First We Take Manhattan” e “Sisters Of Mercy”. “Chelsea Hotel” entrou no lugar de “Hey, That’s No Way To Say Goodbye”.

Para alegria (e loucura) do franceses, ele introduzia varias canções declamando a letra em francês. Quando, no meio do show, cantou um longo trecho em bom francês, a audiência entrou em êxtase e aplaudiu longamente ao final . Ele começou a noite convidando todos a dançarem até o fim do amor, disse depois que o futuro era escuro, mas quando voltou para o terceiro bis, com a perfeita ironia de “I Tried To Leave You”, cantou: “Boa noite, meu amor, eu espero que você esteja satisfeita”. Não tinha como não ficar.

Fotos da viagem:
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Julho 9, 2009   5 Comments

Coisas sobre Londres e Paris

Para Lili,  “Paris é uma menina linda, rica e esnobe. Londres é uma menina ruiva, bonita e muito legal e engraçada”.

Deu pra perceber que ela não foi tanto com a cara de Paris… e dos parisienses. Tipo: ela chegou para perguntar o preço de uma blusa na loja da Adidas, na Champs Elysees, que estava com uma promo maluca de 40% ou algo assim, e o atendente virou e mandou: “O preço está ai”. No fundo, o óbvio: Londres é pop, Paris é clássica.

Em Londres você vê o Blur tocando no Hyde Park. Em Paris você vê Jonathan Safran Foer autografando livros na Shakespeare and Co, a livraria de lingua inglesa mais cool do mundo. É claro que estamos exagerando um pouco, mas entendo a visão de Lili e me surpreendo pois sou pop e amei Paris e Lili é clássica e amou Londres.

Talvez essa tenha sido uma visão assustada de um primeiro dia caminhando na Paris das grandes lojas e marcas, local em que um colar custa 35 mil euros. Porém, hoje, após sair do Museu Rodin, ela já esbocava um ânimo maior (que acredito será ainda maior quando entrarmos no Louvre, na quinta e na sexta). Para Lili, a grandiosidade de Paris afasta. Para mim é um momento de admiração plena.

A segunda-feira foi dedicada a Jonathan Safran Foer, que lia em primeira mão um trecho de seu novo livro, “Eating Animals”, que só será lancado em novembro. Foer foi bastante atencioso, e após a apresentação - que avisava que teriamos leitura, perguntas e vinho - brincou com o bom público que lotou a frente da Shakespeare and Co: “Eu gostaria que o vinho viesse antes”.

Saimos dali e conseguimos ainda pegar um belissimo recital de música clássica na Catedral de Notre Dame, que arrepiou em alguns momentos colocando a prova a acústica sensacional do lugar. Um violino (ou algo que lembrava muito um violino), uma flauta e um coral de seis vozes que se alternava e preenchia com exuberancia e clareza o enorme local e fechou de forma calma a segunda-feira.

Para a terça tinhamos planejado comprar o passe de museu de quatro dias e abrir o dia no Museu Picasso, mas fomos caminhando até lé e… fechado (abre de quarta a segunda). Passamos pela Praça da Bastilha, pelo lindo Jardim des Vosges (ontem já tinhamos passado pela Praça Concorde, local que viu mais de mil cabeças decapitadas rolarem - inclusive a de Maria Antonietta) e acabamos nos Invalides.

A idéia era visitar o Hotel de Invalides, curtir o local e visitar o túmulo de Napoleão, mas como o Paris Museu Pass não cobre a visita (atualização: cobre sim!), deixamos de lado e fomos direto para o Museu Rodin, que fica ao lado, em um belíssimo casarão antigo com um jardim de cair o queixo (ainda mais com “O Pensador” e “O Portal do Inferno” exibidos no local entre outras obras).

Esta terça termina já já, mais propriadamente quando Leonard Cohen sobe ao palco para quase três horas de show no Palais Omnisport de Paris Bercy. Vou ali pegar um lenço e já volto.

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Julho 7, 2009   9 Comments

Um fim de semana na Bélgica

Não lembro de onde paramos. Sei que deixei Lili nas Galerias Lafayette e vim tentar colocar ordens nas minhas idéias. E como voce já percebeu, continuamos sem acentuacao. Vou focar nas histórias e deixar a lingua portuguesa acentuada - quase impossivel neste teclado maluco - de folga mais uma vez. Recordando…

Saimos de Londres na sexta, de Easyjet, para Paris. Vôo tranquilo e chegada sem muitos problemas. O apartamento que alugamos por 8 dias é um achado. Saiu mais barato que um albergue, tem um clima romântico e fica em um bairro bastante notivago, Les Halles. Isso tudo sem contar as suas facilidades, como a moderna lavadora e secadora de roupas, que já tratamos de usar.

Na sexta encontramos a Anamaria, que trqblqhq (trabalha em um teclado normal) comigo no iG. Atualizamos as conversas, fomos ate a Torre Eiffel, e a deixamos com um grupo de amigos do curso que ela estava fazendo aqui. Voltamos para o ap, mas não resistimos e paramos em um café na esquina da Rua Montorgueil, que servia Duvel. Dormi sonhando com os anjos. (hehe) Sábado de manha partimos para nossa aventura belga.

Fomos de trem de alta velocidade Thallys, com tiquetes comprados em promoção numa dica que peguei no ótimo blog Conexão Paris. Uma hora e pouco depois estávamos em Bruxelas, e alguns minutos depois deveriamos estar em Leuven, se não tivéssemos pego um trem errado e ir parar quase na Holanda. O cobrador foi gente finissima. Nos deu um bilhete de volta e passou todas as orientações com calma. Chegamos em Leuven ás 12h30 quando o previsto era 11h.

Foi o tempo de encontrar o Carlos e a Camila, almocar e correr para o Rock Werchter. Perdemos Regina Spektor, mas chegamos no exato momento em que Karen O adentrava o palco na tenda do festival. Show bom, mais dançante e menos barulhento que os do Brasil com direito aos hits “Gold Lion” e “Zero”. No bis, “Pin” e a sensacional yeah yeah yeahs love song “Maps”.

Na sequência, debaixo de um solzão de deixar cariocas felizes, o Franz Ferdinand despejou um caminhão de hits sobre a platéia alternando com as boas canções de seu ótimo terceiro disco. Só sairam do palco pq a bateria quebrou, o que não impediu Kapranos de levar “Jacqueline” na garganta e na guitarra.

O mesmo palco principal trouxe, em seguida, Nick Cave e os Bad Seeds em uma apresentação avassaladora. Muita gente que havia entrado no gargarejo para esperar o Kings of Leon, que tocaria depois, se surpreendeu com o barulho, e ou saiu de fininho ou protegeu-se como pode do sensacional ataque sonoro. “Red Right Hand”, “Dig, Lazarus, Dig!!!”, “Deanna”, “The Mercy Seat”, “Stagger Lee” e “Henry Lee”, dedicada a Polly Jean Harvey, lavaram a alma. Inesquecivel.

O domingo foi dedicado a Bruxelas. Visitamos a Grande Praça, considerada por Victor Hugo a praça mais linda do mundo (não é a mais linda, mas está cabeça a cabeça com as concorrentes) e saimos por aquelas ruas que cheiram chocolate belga e cujas lojas expõe centenas de exemplares de cervejas locais. Passamos no Teatro Real de Marionetes, que tambem é um ótimo bar (bebi uma cerveja leve de cereja chamada Mort Subite) e almoçamos nas redondezas.

O paraiso das cervejas se chama apropriadamente De Bier Tempel, e tem todas as melhores cervejas do pais entre 2 e 4 euros a long neck, além de edições especiais da Duvel, Leffe (existe seis variações diferentes dela) e outras. Comprei uma Duvel diferente, uma Hoegaarden especial e duas outras que comento assim que beber.

Dali nos encaminhamos para o Deliriuns Tremens, a casa da cerveja de mesmo nome, cuja garrafa traz dezenas de elefantes cor-de-rosas, aqueles que só loucos, chapados e bêbados conseguem ver. O pub entrou pro Guiness Book como o lugar que tem mais marcas de cerveja diferentes de todo o mundo para comercialização. Bebi uma cerveja da casa e uma La Divine, de 8,5%, bem boa.

O dia terminou conosco correndo com cervejas e chocolates para não perdermos o trem para Paris, e chegamos exatamente no horário. Deixamos Bruxelas pensando em como um pais do tamanho do estado de Alagoas pode fazer as melhores cervejas, os melhores chocolates e os melhores festivais de rock do mundo. Não sei se eu conseguiria morar aqui, mas partiu o coração sair de lá deixando todas aquelas cervejas para trás.

Descemos na estação Paris Nord às 20h com um solzão brilhando no céu. Nos animamos. Fizemos compras pra casa (sabão em pó para lavar a roupa e comidinhas pra economizar no café da manhã) e depois saimos a caminhar pela cidade, que anoitecia e ficava cada minuto mais linda. Passamos pela Notre Dame, pela Shakespeare and Co (Foer autografa livros lá hoje), pela Saint Chapelle e paramos para olhar os barcos no Sena até sei la que horas…

Fotos da viagem:
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Julho 6, 2009   9 Comments

Post scriptum de Londres

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 Hoje sem acentos, pq o teclado belga eh o mais complicado da viagem:

- Ficamos com muita vontade de ver “Hamlet” com Jude Law em Londres. A peca e a atuacao do ator foram elogiadissimas por todos os grandes jornais britanicos.

- No dia em que passamos pelo Soho, um guia apresentava para alguns turistas o Ronnie Scott, o mais lendario bar de jazz da cidade, que ja recebeu todas as grandes lendas do mundo e tem shows de segunda a segunda. “Eh o meu lugar preferido em um dos bairros que mais gosto de Londres”, disse o guia.

- Camden Town eh uma loucura. Quero voltar e ficar um dia inteiro lah.

- O show no Hyde Park: 55 mil pessoas presentes, sol de 31 graus e muita comida, cerveja e cidra. Perdemos o primeiro show, e uns tais de Golden Silvers vieram na sequencia, bem verdes ainda. Nao impressionaram. Crystal Castles foi bem mais interessante, apesar da jovem vocalista Alice Glass exagerar no cliche e na pose. Bom show.

O Friendly Fires provou o quanto esta grande na Inglaterra, com muita gente cantando todas as cancoes. Nao sao excelentes, mas tambem nao sao ruins. Sao soh mais uma bandinha bacaninha e tal (se o mundo ja nao tivesse infestado, mas tudo bem). E o Blur… bem, vou adiantar um paragrafo, pois o texto completo estara em uma revista perto de voce em agosto:

Graham Coxon eh um puta guitarrista, e dividiu meio a meio a honraria da noite com o senhor Damon Albarn, que nao cabia dentro de si mesmo de tanta felicidade. Pulou como um doido, contou historias, foi pra galera, fez solo de violao, relembrou a marcha contra guerra do Iraque e cantou todos os hits de sua banda em versoes aceleradas, encorpadas e empolgantes. Despediu assim: “Enjoy the summer”. Momento historico.

- Acordamos cedo na sexta para pegar o aviao para Paris, mas ai jah eh outra historia que conto amanha junto com um review da terceira noite do Rock Werchter, a qual adianto tres coisas: um video do Yeah Yeah Yeahs tocando “Zero” (aqui), os Bad Seeds deixaram todo mundo surdo (foto abaixo) e, por ultimo, Nick Cave dedicou uma cancao para… Polly Jean Harvey.

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Fotos da viagem:
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Julho 5, 2009   7 Comments

Hyde Park, Big Star e Tindersticks

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O céu é azul de um claro que impressiona. O sol não dá trégua, mas também não podemos reclamar: estes dias em Londres estão absurdamente lindos. Depois da correria dos primeiros dias decidimos fazer as coisas com calma, poupando as pernas. Assim, acordamos tarde e decidimos fazer apenas duas coisas no dia: comer o autentico café da manhã britanico e ir ao Hyde Park.

O café da manhã foi… uma experiencia estranha, mas interessante. Claro que não me incomodo com bacon no café (imagina, amigos sabem que passei boa parte das manhãs acordando com baconzitos e Fanta Uva), mas feijão, e ainda mais esse feijão cujo caldinho é de ketchup, não rola. O prato ainda vem com cogumelo passado na chapa, tiras de pão de forma na manteiga, dois ovos (adoooro) e duas salsichas (outra coisa que não desce pra mim). Ou seja, não foi um café, mas sim um almoco.

Na sequencia, fomos conhecer o Hyde Park, um parque no centro que, junto com Kensington Gardens, que fica adjacente, forma uma das maiores áreas verdes da cidade, com 2.5 km² de extensão. Ele é atravessado pelo lago Serpentine, e era ali em suas margens que iriam acontecer os shows de Big Star e Tindersticks, mais de noite. O parque ainda tem uma galeria (que eu já havia comentando uns posts atrás), um memorial para Diana e uma estatua em homenagem a Peter Pan (!?).

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A idéia era não caminhar muito, mas camelamos ao sol até encontrarmos o local do show. Para descansar, alugamos duas espreguicadeiras e descansamos na margem do lado, debaixo da sombra de uma árvore. Milhares de pessoas lotavam o lugar para correr, jogar beisebol, futebol, nadar no lago (há uma área para isso), andar de cavalo e de pedalinho no lago Serpentine. Optamos pelo pedalinho, em um passeio de uma hora que valeu muito a pena e que comecou com Blur passando o som com “Song 2”, “Coffee and TV” e “End of Century” (eles tocam na quinta e na sexta no Hyde Park).

Terminamos o passeio uns vinte minutos antes das Serpentine Sessions comecarem. Deu para entrar no local, pegar uma pizza grande (a mais cara de nossas vidas, 17 pounds), uma Pepsi Light e um Red Bull Cola (horrivel) e, assim que conseguimos uma mesa, ouvimos ao fundo os primeiros acordes de “In The Street”, clássico do Big Star (que ficou conhecida como abertura do seriado “That 70s Show”). Fomos com pizza e tudo para a tenda, e o senhor Alex Chilton não economizou emendando com “Dont Lie To Me”, outra do debute da banda, “#1 Record (1972).

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O lider Alex Chilton, genio diminuto de terno cinza em um canto do palco, veio acompanhado do baterista original do grupo Jody Stephens mais Ken Stringfellow (ex-Posies e musico de turne do R.E.M.) e John Auer (ex-Posies) e a platéia essencialmente grisalha vibrou aos primeiros acordes da linda “September Gurls” e em duas do obrigatorio “Third / Sister Lovers” (que o xará Marcelo Orozco defendeu aqui): “Till the End of the Day”, cover genial do Kinks, e “Thank You Friends”. Uma horinha de show para deixar coracoes power pop sorrindo a toa.

Pausa para uma cerveja Tuborg, de Copenhage, na Dinamarca, um pilsen levissima de 4,2% que combinou bem com o sol de fim de tarde em Hyde Park. Para o show do Big Star, nem 1/4 da tenda estava lotada, e David Kitt se apresentou sozinho acompanhado de uma bateria eletronica, em um coreto improvisado apenas para fazer som ambiente, mas assim que os portoes da tenda foram novamente abertos, o publico partiu para as grades para assistir ao belissimo show do Tindersticks.

São doze pessoas no palco: os seis integrantes mais um sexteto de cordas que faz o coracão bater mais forte em muitos momentos da noite. Stuart A. Staples, o vocalista de voz grave e jeito desesperado, comanda a orgia apaixonada cujo centro é o repertorio do belissimo “The Hungry Saw”, um dos grandes discos de 2008, mas a banda não nega seus clássicos buscando no fundo do baú coisas como “City Sickness” e “Her” (do álbum de estréia de 1993) e “A Night In”, “She’s Gone” e “Sleepy Song”, pérolas do segundo disco (1995) além de numeros de todos os outros álbuns.

Stuart A. Staples falou bem pouco com a platéia, mas lamentou quando o show chegou ao fim. “Está é a ultima do show. Para mim, passou tão rapido. Não sei para voces…”. O bis, incessantemente pedido pela tenda lotada, veio com uma dobradinha do álbum ”Simple Pleasure” (1999): “Before You Close Your Eyes” e “If She’s Torn” em versoes redentoras. Acabou? Não. Staples voltou para a facada final, “Tiny Tears”, outra do segundo disco da banda, que fechou com beleza rara uma apresentacão irretocável, daquelas que acalmam a alma.

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Fotos da viagem:
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Julho 2, 2009   7 Comments

Piney Gir, cerveja de banana e fish and chips

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Aconteceu de tudo no meu melhor dia em Londres (isso contando os dias que passei aqui no ano passado). Bebemos cervejas exoticas, encontramos amigos queridos, perambulos por bairros legais, vimos um show de uma bandinha bacana, comemos (ou tentamos comer) comida ruim, descansamos no jardim da Tate Modern, vimos fotos de Bob Dylan, compramos CDs e comemos o tradicional fish and chips. Tudo num dia so.

Acordamos tarde, pois estamos bem cansados das caminhadas, e sabiamos que o dia iria se estender até o anoitecer, que ontem por exemplo so aconteceu quase as dez da noite. O dia foi de calor intenso, e um amigo já avisou que a previsao de tempo para quinta-feira, dia do show do Blur, é de 33 graus, recorde em se tratando de Londres. Nao a toa, garotas se estendem nos parques, jardins e onde quer que seja para pegar uma cor nessa cidade agitada.

O primeiro compromisso do dia foi visitar a Catedral de Sao Paulo, a badalada St Pauls, igreja em que Charles e Diana se casaram para mostrar que eram representantes do povo (o normal seria que a cerimonia tivesse acontecido na Abadia de Westmister). Uma das obras-primas de Sir Christopher Wren, o arquiteto que reconstruiu a cidade depois do incendio de 1666, a catedral é belissima e permite uma vista majestosa da cidade.

Porém, sao 257 degraus para chegar até a Galeria dos Sussuros, em que a pessoa fala de um lado da parede, e outra ouve no outro lado da sala. Depois, mais 119 degraus para chegar até a galeria de pedra e mais 152 degraus para alcancar a ultima galeria, a dourada, que permite uma vista belissima da cidade. Sao, no total, 528 degraus, e Lili acabou passando mal, mas la em cima acabou curtindo a vista e fazendo umas fotos. Ainda assistimos um pouco de balé na porta da St. Pauls.

No caminho para a Tate resolvemos comer. Olhamos varias opcoes, e fomos seduzidos por um lugar que prometia beef assado, salada e mais algumas coisas. Vimos uma dezena de pessoas comendo o mesmo prato nos jardins ao redor da St Pauls, e resolvemos encarar. Quebramos a cara. Já nao havia carne assada, entao optamos por carne de carneiro. Fizemos uma mistureba de salada e… nao desceu. Lili so conseguia lembrar do dono do escritorio em que ela trabalha recomendando: “Quer comer bem em Londres? Va a um pub”. Beliscamos a comida apenas.

Dali fomos para a Tate Modern, olhar o acervo. Lili amou outras obras de Giacometti, impressionou-se com duas obras de Andy Warhol (que ela nao levava a sério até entao) e deslumbrou-se com varios Miro. O plano original era sairmos da Tate Modern, pegar a balsa e ir para Tate Gallery, mas quem diz que aguentamos. Haviamos marcado de encontrar o Daniel as 17h na National Gallery, e decidimos descansar deitados no jardim da Tate até a hora de partir.

Encontramos ele no horario marcado na porta da National Gallery, mas nao tinhamos pique para ver as obras. No maximo, passamos para ver algumas fotos da turne de 1966 de Bob Dylan, expostas no café da galeria. Dali fomos para a Fopp, uma das lojas mais bacanas da cidade, e nao resisti: comprei os quatro primeiros CDs da viagem, destaque para uma edicao bacana do “Blue Train”, do Coltrane, que em CD duplo ainda traz dois albuns do mesmo periodo, “Dakar” e “Soultrane”.

Daniel nos levou até o Hotel Savoy, local que serviu de pano de fundo para o clipe de “Subterranean Homesick Blues”, de Bob Dylan. Depois seguimos caminhando pelo Covent Garden, com dezenas de pubs lotados pos seis da tarde, até a rua Fleet, para pegarmos um onibus até o final da London Bridge, onde um pub bacana nos esperava com cervejas exoticas. Alias, todo o entorno das ruas Winchester Walk e Stoney Street merecem uma visita. Anote.

Na Winchester Walk fica o The Rake, um pub bacana com otimas cervejas importadas. Abrimos os servicos (hehe) com uma cerveja belga chamada Mongozo, nos sabores banana (4,5%) e coco (3,5%). As duas muito boas. Lili adorou a de banana. Na sequencia, pegamos para a Lili uma Pineapple Fruit Beer para a Lili e encaramos, eu e Daniel, uma autentica trapista belga de 11,5% chamada Rochefort, que apesar da alta graduacao alcoolica é leve, mas sobe que é uma beleza. Bastou para nos deixar bebados.

Deixamos de lado a terceira rodada no The Rake e partimos para um tradicional Fish and Chips acompanhado de Jake and Coke. E terminamos a noite no The Lexington, um pub bacana cuja programacao é de um brasileiro, o queridissimo Marcio Custodio, que nesse dia apresentava o Piney Gir, uma banda “meio bossa, meio samba” com uma norte-americana do Kansas no vocal, e o restante do grupo todo britanico (inclusive as duas jovens backing vocals), um choque de Belle and Sebastian com Pipettes. Um som bem pop, easy listening total, gostoso de ouvir.

No pub ainda encontramos o grande Juliano Zappia, editor da Jungle Drums Magazine, que adiantou o calorao da proxima quinta-feira (ele vai ver o Blur na sexta, noite que ainda tera Vampire Weekend), e talvez apareca hoje na Serpentine Sessions. “O Alex Chilton esta bem loucao, mas o show é bom”, garantiu ele. Chegamos detonados em casa, mas o dia valeu, e valeu muito. La vamos nos para mais um dia de maratona de museus e shows.

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Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Julho 1, 2009   4 Comments

Quem converte nao se diverte

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Lili está impressionada com o preco das coisas em Londres. Uma água, quase R$ 4. Mas o lema para Londres (e, no fim, para a Europa toda) é: quem converte nao se diverte. Estou muito achando que vamos chegar no fim da viagem sem um puto na conta corrente, mas nao dá para ficar se preocupando tanto, né mesmo. Tem que gastar com moderacao e nao chorar sobre a água de R$ 4 derramada…

Sendo assim, a segunda-feira comecou com Lili indo as compras. Passamos na Bond Street e na Oxford e ela se aventurou em lojas buscando algumas promocoes básicas. Deixei-a lá e fui me perder na HMV, uma das grandes megastores de CDs, DVDs e livros da cidade. Consegui sair sem nada nas maos. Achei tudo muito caro e pouca coisa me tentou (além de uns boxes que custavam os olhos da cara). Até passei rapidinho na MVE, na Berwick Street, uma loja de usados fodaca, mas nao levei nada.

Dali partimos numa longa caminhada pelas ruas do Soho até a entrada de Chinatown, o bairro oriental em Londres. E subimos a pé até o British Museum, o museu mais antigo do mundo, com um acervo de mais de 6 milhoes de itens que abrangem 1,8 milhao de anos da civilizacao. Coisa de chapar, viu. Vimos dezenas de mumias, coisas de 800 anos antes de Cristo e muito mais. Além da Great Court, o domo da nova sala de leitura do museu inaugurdo em 2000 e projetado por uma brasileira do escritorio de Sir Norman Foster. Foda.

Descansamos um pouco do jardim, e depois fomos caminhar. Acabamos aos pés da London Eye, a mais alta roda gigante do mundo, e mesmo o preco proibitivo (17 pounds) nao impediu o passeio. A visao da cidade é magnifica e o passeio vale a pena. Cabem umas dez, doze pessoas em cada cabine, mas sempre existem os romanticos que reservam a cabine inteira para pedir sua amada em casamento. Acho que umas duas cabines a frente acontecia isso, pois além do casal havia até um garcom servindo champagne…

O passeio deu tempo da minha roupa encharcada secar. Eu havia feito graca entrando em uma fonte labirintica no Royal Festival Hall, achando que nao ia me molhar. Sai ensopado, mas a roupa secou rapidamente, devido ao forte sol. Ainda estou gripado, e o ar seco combinado com o forte calor me fez ter nauseas, mas nada que pudesse atrapalhar. O dia esta escurecendo as 21h, e aquela previsao que falava em pancadas de chuva e temperatura em torno de 23 graus já era: o negocio aqui está acima de 25 graus fácil.

Terminamos o dia com um jantar em familia. Daniel fez uma pasta e ficamos conversando na mesa com ele e a Beth enquanto o Samuel enlouquecia com as quartas-de-final de Wimbledon. Um escoces passou para a semifinal, para delirio dos britanicos (e alguns nao britanicos, como o Samuel, que é portugues). Hoje o dia será de museus: Tate Modern, Tate Gallery e National Gallery. No fim da tarde, uns pints de cerveja com Daniel e na sequencia uma balada. Vamos ao sol.

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Fotos da viagem:
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Junho 30, 2009   3 Comments

Glastonbury, Neil, Paul e Pixies

“It began with the death of a legend, and ended with the birth of new ones. Glasto 2009 had it at all: Blur, the boss, and the greatest ‘I was there at Glasto’ moment - Jacko’s death”…

Esse é o começo da resenha do Glastonbury 2009 feita pelo London Paper, um dos jornais gratuitos distribuidos em portas de metrô. Mas o grande momento da semana em Londres aconteceu no sábado, quando Neil Young fechava a segunda noite do Hard Rock Calling, no Hyde Park, com a sua já costumeira versão de “A Day In The Life”, daquela bandinha de Liverpool, e chamou para o palco um tal de Paul McCartney. Parece que a Terra tremeu…

Ah, e o Pixies confirmou para o fim do ano shows no Brixton Academy tocando a integra do “Doolittle”… ingressos à venda a partir de sexta-feira.

Ps. Os primeiros shows da viagem são depois de amanhã: Big Star e Tindersticks.

Ps 2.  Andrew, vou te escrever. Passamos pelo Soho hoje!!!

Junho 29, 2009   2 Comments

Um domingo em Londres

Dica do Daniel: subimos a pé a Holland Park Avenue (vindos do Shepherds Bush Green) até a Notting Hill Gate, e foi bem gostoso. Uma caminhada de pouco mais de dez minutos em uma área bacana da cidade. Demos uma passadinha em Portobello Road (que pra minha surpresa não estava tão agitada para um domingo de sol - será que todos os ingleses foram pegar “uma praia” em Brighton?), e depois seguimos para a City, mais precisamente para a St. Pauls Cathedral.

A catedral pertence a nação e a Londres, e estava aberta no domingo apenas para as missas. Entramos, ouvimos o coro e o orgão, mas Lili não pode subir até a galeria dos sussuros, que fica para terça ou quarta. Atravessamos a Ponte do Milênio, sobre o Tamisa, para irmos fazer um lanche na Tate Modern, e na única sala que entramos, Lili deu de cara com as bailarinas do Giacometti, e quase teve um ataque de emoção (Giacometti é um dos artistas prediletos dela).

Deixamos para olhar as exposições em outro dia (de chuva, de preferencia), e saimos a bater perna pela City caminhando até a prefeitura (onde Lili tirou um cochilo), de Sir Norman Foster, atravessando a Tower Bridge, passando pela Torre de Londres (os corvos estavam lá, o que quer dizer que a monarquia está segura) chegando até o Swiss Re, outro marco de Norman Foster no centro Londrino (ele está em “Match Point”, de Woody Allen).

Chegamos detonados em casa, mas deu para ver o jogo do Brasil e sair para beber uma London Pride, interessante cerveja da cidade que é servida em temperatura ambiente, e caminhar por Sheperds Bush bebendo Castle Lager, uma cerveja sul-africana que gelada deve ser bem boa. Bem, dois minutos para acabar o tempo do netcafé. Conto sobre a casa do Aleister depois…

Junho 29, 2009   1 Comment

Sao Paulo, Paris, Londres

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Chegamos. Na verdade, ja faz um tempo, mas soh agora deu para pegar o lap do Daniel para dar um alo. Alo. (hehe) A viagem foi aquela coisa cansativa, mas ate que deu para rever “Ele Nao Tao Afim de Voce” (a Lili, que nao dormiu nada, viu ainda “Scoop”, dois episodios de Friends e dois episodios de outra coisa que esqueci), tentar jogar xadrez e apagar. Lili nao dormiu durante a noite, e apagou assim que o sol nasceu. 10h30 depois de sair de Guarulhos estavamos em Paris. O pessoal da imigracao conferiu os passaportes na saida do aviao, tudo liberado para a conexao para Londres.

Vou dizer, mas voce ja sabia: voar de Air France eh bem melhor que de Iberia. O servico de bordo entao, nem se compara. Teve ate no voo de conexao. Descemos em Heathrow quase 10h40 da manha, e a passagem na imigracao foi tranquilissima. O tio perguntou se era a primeira vez da Lili no velho mundo, e resmungou por eu ter esquecido de colocar a data no meu cartao de entrada. Nada que atrapalhasse. Chegamos mortos na casa do Daniel, a nossa casa em Londres, e um banho nos deixou pronto para as aventuras do dia, que eu conto amanha com calma (e com fotos).

Soh uma coisa: Lili se apaixonou por Londres. Mais do que eu na primeira vez…

Outra: o Liberation fez um caderno de 20 paginas para o Michael

Mais uma: assisti ao jogo do Brasil com transmissao da BBC, e eles nao ficaram tao felizes com a virada do time do Dunga. (hehe).

Vou prum pub. Ja volto.

Ps. Na foto, Lili em um momento de relaxamento no aeroporto Charles de Gaule, na poltrona que ela traria pra casa, se pudesse.

Junho 28, 2009   5 Comments

Saindo do inverno para o verão

São Paulo - mínima de 14, máxima de 19

Paris - mínima de 15, máxima de 25

Londres - mínima de 12, máxima de 26

Junho 27, 2009   2 Comments

Agora só falta Barcelona

Bem, último dia de trabalho. Amanhã começam as tão esperadas férias. Voamos para Paris no fim de tarde, a baixamos em Londres na manhã de domingo. Á viagem está praticamente toda fechada, com passagens internas de avião, trem, e albergues, hotéis e apartamentos reservados, só faltando hospedagem nos quatro dias de Barcelona. Assim como no ano passado, vou tentar manter um diário o mais atualizado possível (mesmo sem levar um notebook). Vamos ver como vai ser.

Junho 26, 2009   4 Comments

Os shows que vamos esbarrar na viagem

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No próximo sábado, eu e Lili embarcamos para a Europa (minha segunda viagem, a primeira dela) para um mochilão de 40 dias. Já compramos ingressos para vários shows, mas hoje fui pesquisar quais são os shows que vão estar acontecendo nos dias em que vou estar em cada uma das cidades que vamos visitar. É de cair o queixo, viu. Vamos encontrar Madonna, Lady Gaga e Britney Spears em Paris, Nine Inch Nails em Roma e Madri, entre outras coisas. Ah se tivéssemos dinheiro para ver tudo…

No domingo, dia em que chegamos em Londres, tem o último dia do Hard Rock Calling, com Bruce Springsteen (Neil Young e Fleet Foxes tocam um dia antes). Como já vou ver o chefão em Roma, e vamos chegar de viagem no meio do dia arrebentados, vamos passar o Bruce. Na segunda (29/07) é a vez do Nouvelle Vague fazer um pocket na loja Pure Groove, às 18h30, e no mesmo dia começa o Serpetine Sessions, no Hyde Park, com Regina Spektor. Na terça (com ingressos sold-out) tem Bon Iver e na quarta… Tinderstiks com Big Star e David Kitt (25 pounds já gastos - \o/).

Na terça ainda tem Kings of Leon com Glasvegas na O2 Arena (já paguei meus pecados com o Kings of Leon no ano passado) e M Ward no Sheperds Bush Empire (13,50 pounds - de se pensar, hein). Kings of Leon e Glasvegas voltam ao O2 Arena na quarta, que ainda terá Crosby, Stills and Nash no Royal Albert Hall, Steely Dan no Apollo Hammersmith e Foals no The Lexington. Na quinta tem Deerholf no Concorde, e Blur no Hyde Park (ingresso comprado) num festival que ainda terá Crystal Castles, Foals, Friendly Fires, Golden Silvers e Hypnotic Brass Ensemble.

Na sexta seguimos para Paris, e no sábado de manhã vamos para Leuven, na Bélgica, (encontrar Carlos e Camila) para o terceiro dia do Rock Werchter (Nick Cave, Franz Ferdinand, Mogwai, Yeah Yeah Yeahs, Kings of Leon, Kate Perry, Social Distortion, entre outros). Voltamos domingo à noite pra Paris, que receberá Britney Spears (dias 05 e 06/07). Na terça, Nine Inch Nails faz show no Le Zénith com abertura do Mew (46 euros), Santogold no Élysée Montmartre e Leonard Cohen no Palais Omnisports de Paris-Bercy (ingresso comprado).

Na quarta tem Simple Minds no L’Olympia. A quinta terá Lady Gaga no L’Olympia, Madonna no Palais Omnisports de Paris-Bercy e Antony and the Johnsons no Salle Pleyel. Na setxa tem Erykah Badu no Le Zénith. No sábado e domingo partimos para Bruges, para assistir ao Cactus Festival (Paul Weller, Gutter Twins, Cold War Kids, Joss Stone, Calexico, Magic Numbers, !!!). Depois de passarmos por Bruxelas e Berlim partimos para Florença, que recebe o Motorhead no Fortezze, dia 16 e 17 de julho. No sábado, 18/07, tem David Byrne.

No domingo, já em Roma, tem Bruce Springsteen (ingresso comprado) e na quarta (ainda em Roma) tem Nine Inch Nails, TV on the Radio, Animal Collective e Zu no festival Rock In Roma, que acontece no Ippodromo delle Capannelle (46 Euros - ainda não comprei, massss…). De Roma seguimos para Veneza, onde o Simple Minds faz show na sexta-feira. No domingo, quando chegarmos a Barcelona, o Sepultura fará show na Sala Apolo e quarta (28/07) será a vez de Marianne Faithfull subir ao palco no L’Auditori. Então seguimos para Madrid, última perna da viagem, que terá Nine Inch Nails no La Riviera (30/07 - sold-out) e Moby. Ufa.

Junho 21, 2009   10 Comments

Passagens de trem na Itália e na Espanha

Mais um exemplo do “comprar antes é uma boa” em se tratando de transporte na Europa. Compramos ontem os trechos de trem de Madrid para Barcelona, e de Florença para Roma. Para trechos na Espanha (e da Espanha para outros países) você pode comprar diretamente no site da Renfe (http://www.renfe.es/). Há uma tarifa promocional web, o melhor preço que você irá encontrar. A tarifa normal custa 113 Euros, e pagamos 43 euros pela tarifa web. Compensa muuuuuuito.

Na Trenitalia (http://www.trenitalia.com/ - que opera linhas regionais dentro da Itália e da Itália para outros países), optamos por escolher ir de Eurostar - mais rápido e pontual - ao invés de empresa italiana (que é mais lento e para em vários lugares). A diferença é de uma hora de viagem. A segunda classe na Eurostar saiu por 39 euros enquanto a empresa italiana tinha preços de até 16 euros (para a viagem mais longa, de três horas). Quando fomos fechar o pedido percebemos um botão de 15% de desconto. Clicamos… e ganhamos o desconto. Ele é concedido para um número limitado de lugares no vagão, ou seja, quem compra antes consegue.

Agora, todas as nossas passagens estão garantidas. A viagem está redondinha. Falta exatamente uma semana. Estamos aqui contando os dias.

Junho 20, 2009   4 Comments

Sobre albergues e trens na Europa

A Diana está fazendo planos para um mochilão, e me pediu dicas sobre albergues e passagens de trem e tal. Para dividir com os demais leitores, segue a resposta abaixo. E quem tiver coisas legais para acrescentar, por favor, comente.

1) Albergues: tanto no ano passado quanto neste estou indo com todos os albergues e estadias reservadas. Reservei quase tudo pelo Hostel World (http://www.hostelworld.com/) e alguns pelo Homelidays (http://www.homelidays.com). São dois modos de se olhar para essa opção: a gente fica mais despreocupado com o lugar onde vai dormir, porém a viagem fica toda fechada, sem possibildiades de se fazer uma loucurinha (tipo acordar num dia em Berlim e dizer: “acho que vou pra Viena hoje” - risos). Por outro lado, tenho uma experiência que pode te ajudar: quando eu estava em Málaga, na Espanha, no ano passado, gostei tanto da cidade que resolvi ficar mais uns dois dias. Porém o albergue em que eu estava alojado não tinha mais vagas para eu ficar além do que eu já tinha pré-reservado. Acordei na manhã do check-in, entrei no hostel world e achei super fácil um outro albergue (que por sinal era melhor do que o que eu estava). Tem uma outra história também: odiei o albergue de Paris e sai para bater perna atrás de um hotel. Achei um (1 Estrela, mas ajeitadinho) que me custou 10 euros a mais (o albergue era 24 a diaria, o hotel saiu por 34). Ou seja, você encontra estadia no dia em que chegar. Talvez valha olhar antes para ter um norte, e resolver uns dois ou três dias antes só para não perder tempo em Paris ou Barcelona caminhando na rua procurando hotel enquanto você poderia estar olhando a cidade, mas sempre se encontra lugar pra ficar. (importante: se vocês forem fora da grande temporada - entre 14 de junho e 14 de agosto - é ainda mais fácil encontrar lugares pra ficar. E outra coisa: a crise afastou muitos turistas da Europa, então teoricamente há mais lugares para ficar). Ah, eu fiz a carteirinha de alberguista… e não usei uma vez sequer. Pode chegar chegando. :)

2) Eurailpass: não tenho experiência nenhuma com ele, mas já me falaram mil maravilhas, viu. É preciso saber usar (algo que eu mesmo nunca fucei muito), e ter tempo útil para fazer os trajetos que compreendem o pacote que você escolher, mas acredito que valha a pena. Agora, se sua amiga disse que é possível encontrar passagens de trens em conta dias antes da viagem, vale arriscar. Se rolar, é uma vantagem. Se não rolar, no máximo, vocês vão gastar mais num primeiro trecho, e depois investirem no passe. Eu fiz poucos trechos de trem no ano passado, só mesmo na Espanha (http://www.renfe.es/), e ganhei um belo desconto comprando antecipado. Fiz praticamente todos os trechos de avião, a maioria pela Easyjet e a Ryanair. São duas companhias barateiras, sendo que a primeira ainda faz pousos em alguns aeroportos principais, e a segunda quase sempre é em aeroportos secundários (ou seja, tem que colocar no valor total da passagem o translado da cidade x até a cidade principal). Para essas companhias, comprar antecipadamente é um grande negocio. Ano passado, o único trecho que deixei para comprar em cima da hora (de Berlim para Glasgow), para aproveitar o melhor dia do cartão de crédito, a passagem subiu quase 50% (era algo em torno de 80 euros e foi pra 130 euros!

Junho 18, 2009   8 Comments