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Category — Europa 2009

Histórias de viagem: Crianças no Louvre

paris.jpg

Não lembro se cheguei a comentar quando estávamos em Paris, mas uma coisa muito bacana que nos surpreendeu foi topar várias vezes durante a semana com pequenos grupos de crianças em idade pré-escolar passeando pela cidade com orientadores. Aconteceu, no mínimo uma cinco vezes, e tanto eu quanto Lili ficamos surpresos em ver tanto pedaço de gente enfrentando a vida pelas ruas parisienses.

Eles andavam de mãos dadas, um responsável imediato pelo outro, e cheguei a achar que num grupo – que entrou conosco no mesmo ônibus que seguiu para o Museu Picasso – haviam algumas crianças de 2 ou 3 anos experimentando uma aventura sem os pais. Esse registro acima eu fiz no Louvre. Percebam o cuidado de um com o outro e a atenção de todos com a professora explicando algo do quadro.

Não lembro exatamente a primeira vez que entrei em um museu. Acho que foi depois dos 16 anos, quando sai de Taubaté para São Paulo para ver alguma exposição no Masp. E não foi coisa de colégio. Não consigo lembrar se fora a viagem dos formandos da 8ª série fizemos alguma outra, juntos. E olhando a foto senti uma ponta de saudade de algo que eu não tive e que nem sabia que poderia ter sido tão especial…

Leia também:
Histórias de viagem: D’akujem (aqui)
Histórias de viagem: Um hotel em Paris e Cherry Coke (aqui)
Histórias de viagem: Raconteurs em 2008 (aqui)
Histórias de viagem: Resumão de ideias confusas da viagem 2008 (aqui)

Setembro 19, 2009   No Comments

37 dias, 14 cidades, 6 países e muitas histórias

Uma garota no metrô em Notting Hill, Londres

É difícil explicar a sensação de chegar a casa após um mochilão de 37 dias. Você sente falta da sua cama, dos seus objetos pessoais, de roupas limpas, mas trocaria o seu chuveiro por qualquer um dos apartamentos da viagem (risos). As coisas todas estão em seu lugar, mas o coração precisou aumentar alguns cômodos para abrigar as novas experiências, que se acumularam entre tantas novas paisagens e histórias.

Voltando no tempo, lembro que houve uma época que eu achava que nunca sairia de Taubaté, a cidade que me abrigou durante 20 anos, mas que já no final da adolescência não me cabia mais, como uma roupa que rasga em movimentos mais bruscos. Fazer uma longa viagem para o exterior então nem pensar. Ok, pensar sim. Ou melhor, sonhar. Alguns sonhos nos invadem sem que a gente exija deles racionalidade.

Viajar é dar a alma um momento de vida. Estamos presos a um cotidiano mecânico cujo maior símbolo, a rotina, nos diz que hora acordar todos os dias, que veículo pegar para ir ao trabalho, como se relacionar com nossos semelhantes e, após uma seqüência de atos pouco diferentes do dia anterior, voltar para casa com o pouco tempo que resta tentando fazer dele algo útil para a… alma.

Muitas coisas diferentes aconteceram nesta viagem em relação à viagem do ano passado, a mais visível tendo relação com a companhia da Lili. Tem gente que gosta de viajar sozinho e tem gente que não consegue viajar sozinho. Ambas as situações trazem vantagens e desvantagens, mas foi bastante especial dividir esse percurso com a Lili, pois respiramos juntos às cidades, e conversamos dezenas de horas sobre os lugares.

A alegria das meninas brincando na água na fonte do Louvre em Paris

Assim como no ano passado, em que cheguei recebido por Odile e Carlos em Leuven, e me senti seguro para seguir nos próximos tantos dias, foi bastante importante chegarmos a Londres para ficarmos na casa do Daniel, da Beth e do Samuel (e da gata Coco). Os três fizeram de tudo para nos sentirmos em casa, e conseguiram. Londres ficou mais leve, e a tarde no Hyde Park com Blur ensaiando e pedalinho no lago foi inesquecível.

Dali uma pequena passada em Paris, para deixarmos as malas no melhor e mais barato apartamento da viagem, e seguirmos para a Bélgica, o país que faz alguns dos melhores chocolates do mundo, todas as melhores cervejas e ainda promove os melhores festivais de rock. Nick Cave no Rock Werchter foi um estupro sonoro. E os elefantes rosas da ótima Deliriuns Tremens dançaram em alguns copos de cerveja com o Carlos e a Camilinha em Bruxelas.

Já Paris é aquilo. Lili amou a cidade, mas odiou os parisienses. Como quase todos que passam pela cidade. Porém, inevitavelmente, Paris encanta. Se pudesse, eu passaria dias dentro do L’Orangerie e aproveitaria todos os bistrôs, cafés e padarias da Rua Montorgueil, uma descoberta deliciosa que nos deixou totalmente estupefatos. E o Louvre, a Torre, e Napoleão, e beber vinho na grama da Champ de Mars. Paris é foda.

Bruges por sua vez foi uma descoberta interessante. A cidade que mantém o centro histórico medieval mais bem preservado de toda Europa é repleta de turistas, mas sua noite é vazia e surpreende. As dicas da Maria, a dona do Bed and Breakfast que ficamos, foram imprescindíveis. E a pedalada de 5 quilômetros até Damme foi um momento de liberdade incrível desses que a gente não acredita estar vivendo.

Observando o Rio Sena em Paris

A cidade ainda rendeu alguns dos melhores pratos da viagem tanto na Le Gambrinus (uma cervejaria que cozinha a maioria de seus pratos na cerveja da casa) estendendo-se ao fofo e aconchegante Tante Marie, em Damme, com suas pequenas porções de prazer e seu ótimo chocolate quente. E, claro, o Cactus Festival, um festival de cidadezinha de interior com Cold War Kids, Gutter Twins, Calexico e Paul Weller. Foda.

Berlim continua sendo algo inexplicável para mim. Meu sangue alemão não se sente bem na cidade, que vive sobre a sombra da culpa, mas foi interessante demais ter ficado no lado Ocidental para contrastar as diferenças do lado Oriental, que me abrigou no ano passado. E foi ótimo descobrir uma loja sensacional de vinis e CDs em plena região do Europa Center. Nunca esperava encontrar o “On Strike” (Pepe Escobar disseca ele aqui) em vinil original. Nunca.

Foi um choque sair da Alemanha e ir para a Itália. Difícil imaginar dois países mais contrastantes. A Itália é uma bagunça, mas conversa com você na rua, no ônibus, na mesa de bar enquanto a Alemanha é extremamente organizada e carrancuda. Descemos em Pisa, nos apaixonamos pela Torre Pendente, e nos decepcionamos um pouco (ok Lili, eu mais) com uma Florença extremamente turística e descuidada em seu museu principal. Ah se não fosse Michelangelo com seus Escravos, seu Baco e seu Davi…

Já Roma é tudo aquilo que eu imaginava triplicado. Em que outro lugar do mundo uma simples e inocente salada caprese pode encher os olhos da gente? E são várias Roma. Tem a das igrejinhas que são pequenas obras de arte. A Roma do passado antigo, do Coliseu, da Casa Dourada de Nero, das ruínas. A Roma do aconchegante Trastevere, tudo que eu sempre imaginei que o Bixiga em São Paulo deveria ser. A Roma de Fellini, da iluminada Fontana de Trevi (e de muitas outras fontanas).

Quando a grama vira praia em Berlim

O Vaticano foi bastante cansativo. A Praça de São Pedro é bela, e a Catedral é o mínimo que se espera da grande casa da religião católica, mas a visita à Capela Sistina é um abuso de paciência com o roteiro passando por dezenas de outras salas. Se você quiser vê-la pesquise antes uma passagem secreta. Ou tenha bastante paciência. A visita vale, mas cansa. Para fechar a parte italiana teve Veneza, que eu tenho tanta coisa pra falar…

Dava para escrever um texto inteiro declarando meu amor por Veneza. Ainda faço. Vim tentando ler no avião uma reportagem em francês da National Geographic, que também foi reproduzida na edição nacional (descobri aqui). E o texto, assinado pela Cathy Newman, editora especial da revista, é uma aula de jornalismo. Então vamos combinar assim: eu digo que Veneza é a cidade mais encantadora e apaixonante em que já coloquei os meus pés e você lê o texto da Cathy aqui, fechado.

A parte espanhola começou com a Barcelona de Antoni Gaudi, de Joan Miró e do urbanista socialista Ildefons Cerda, que desenhou em 1859 uma grade urbana de quarteirões regulares e imensos passeios públicos que fazem a cidade viver e respirar. Amo Barcelona de uma forma que não sei explicar, e que acaba diminuindo por comparação meu apreço por Madri, uma bela cidade com três museus espetaculares, deliciosas casas de tapas e muito calor (o vento do Mediterrâneo faz falta).

Foram seis países e 14 cidades em 37 dias. Juntos, esses países devem ser do mesmo tamanho da nossa Região Sudeste, mas quanta diferença. Começa pela língua. Quando você começa a se adaptar ao inglês britânico tem que encarar o flamengo, a língua neerlandesa falada na Bélgica, que mais parece um disco sendo tocado ao contrário. E ai vem o francês, o alemão, o italiano e, ufa, o espanhol (ou portunhol). E tem as comidas, e tem o jeito de cada pessoa, de cada país, de cada cidade. Muita informação, mesmo.

É difícil explicar a sensação de voltar para o seu país após um mochilão de 37 dias. Você sente falta das pessoas falarem a sua língua, dos seus amigos que lhe chamam para um boteco, da comida totalmente particular, da música, do futebol, mas trocaria o nosso transporte público por qualquer um dos outros da viagem (hehe). É bom estar em casa. É bom poder dividir essas experiências, esses olhares muito pessoais neste espaço um tanto impessoal. Obrigado pelo carinho, pela leitura, pelas dicas e bons agouros. Espero ter correspondido com dicas e com o exemplo de que se eu consigo, você também consegue. Piegas, mas verdadeiro. Estamos de volta. \o/

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TOPS DA VIAGEM

Um gondoleiro em Veneza

Dez Cidades
01- Veneza (foto)
02- Paris (foto)
03- Roma (foto)
04- Barcelona (foto)
05- Londres (foto)
06- Madri (foto)
07- Bruges (foto)
08- Bruxelas (foto)
09- Berlim (foto)
10- Firenze (foto)

Hyde Park em Londres

Dez Lugares
01- Rua Montergueil, Paris (foto)
02- Santa Croce, Veneza (foto)
03- Hyde Park, Londres (foto)
04- Parc Güell, Barcelona (foto)
05- Grande Praca, Bruxelas (foto)
06- Fontana de Trevi, Roma (foto)
07- Plaza Mayor, Madri (foto)
08- Camden Town, Londres (foto)
09- Barri Gotic, Barcelona (foto)
10- Torre Pendente, Pisa (foto)

Uma Deliriuns Tremens em Bruxelas

Dez Cervejas
01- Bloemenbier 7,0% (Belgica)
02- Deliriuns Tremens 8,5% (Belgica)
03- Hercule 9,0% (Belgica)
04- Duvel Speciale 7,0% (Belgica)
05- Leffe 9.0 (Belgica)
06- Leffe Radieuse 8,2% (Belgica)
07- La Divine 8,5% (Belgica)
08- Mongozo Banana 4,5% (Belgica)
09- Rochefort 11,5% (Belgica)
10- Mort Subite 4,5% (Belgica)

Obra de Camille Claudeu no Museu D’Orsay em Paris

Dez Museus
01- Museu D’Orsay, Paris
02- Museu do Prado, Madri
03- L’Orangerie, Paris
04- Museu Reina Sofia, Madri
05- Galleria Borghese, Roma
06- Galleria Academia, Firenze
07- Museu Peggy Guggenheim, Veneza
08- Museu Picasso, Paris
09- Centre Pompidou, Paris
10- Tate Modern, Londres

Gambas em Bruges

Dez Pratos prediletos da Lili
01- Sopa de Cebola em Paris
02- Camarão ao Alho e cerveja em Bruges
03- Croquete de Camarão em Damme
04- Al Pesto em Firenze
05- Pizza Quatro Queijos no Trastevere em Roma
06- Salada Caprese em Roma
07- Morango com chocolate em Bruxelas
08- Gazpacho em Madri
09- Paella Valenciana em Madri
10- Batatas Bravas em Barcelona

Dez CDs comprados na viagem

Dez CDs comprados
01- Rocks Germany 2001, Radiohead (Bootleg)
02- Rockin’ Live From Italy 1993, Bruce Springsteen (Bootleg)
03- The Complete Sun Masters, Johnny Cash (box triplo)
04- Live, Nick Cave (bootleg)
05- Live 1981-82, The Birthday Party
06- Rum, Sodomy and The Lash, The Pogues
07- Live From Austin, Tom Waits (bootleg)
08- Rome Concert 1980, Talking Heads (bootleg)
09- Enter The Vaselines, Vaselines
10- On Strike, Echo and The Bunnymen (vinil)

Nick Cave deixou ela surda no Werchter

Quinze Shows
01- Bruce Springsteen no Stadio Olimpic, Roma (foto - texto)
02- Blur no Hyde Park, Londres (foto - texto na Rolling Stone de agosto)
03- Paul Weller no Cactus Festival, Bruges (foto - texto)
04- Leonard Cohen no Palais de Bercy (foto - texto)
05- Tindersticks no Hyde Park (foto - texto)
06- Nick Cave and The Bad Seeds no Rock Werchter (foto - texto)
07- Franz Ferdinand no Rock Werchter (foto - texto)
08- Mogwai em Firenze (foto - texto)
09- Big Star no Hyde Park (foto - texto)
10- Yeah Yeah Yeahs no Rock Werchter (foto - texto)
11- Gutter Twins no Cactus Festival (foto - texto)
12- Cold War Kids no Cactus Festival (foto - texto)
13- Calexico no Cactus Festival (foto - texto)
14- Magic Numbers no Cactus Festival (foto - texto)
15- Crystal Castles no Hyde Park (foto - texto)

Agora é melhor esfriar a cabeça como essa estátua em Leuven, na Bélgica

Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Leia tudo o que aconteceu no dia-a-dia da viagem aqui.

Agosto 4, 2009   No Comments

Em São Paulo…

…e acordando!

 Ps. O trema não me diz muita coisa, mas sinto falta do “til”, viu. (risos)

Ps2. Numa reedição de fotos acabei perdendo alguns comentários. Sorry :/

Agosto 3, 2009   No Comments

O dia já vem raiando meu bem…

A Calle Miguel de Cervantes em Madri

Está chegando a hora, e estamos detonados. Meu joelho direito resolveu chiar de toda a viagem na madrugada passada, e a noite foi péssima. Bem provável que nunca mais estendamos tanto uma viagem como fizemos desta vez (e como fiz no ano passado). Como diria Bruce Springsteen suado e jogado no chao: nao dá mais, Roma.

Mas ainda tivemos o sábado para camelar por Madri e fomos cumprir nossas duas últimas “obrigacoes oficiais” (hehe). A primeira foi visitar o Museu Thyssen-Bornemisza, que exibe a colecao que a dona Carmen foi adquirindo nos últimos 30 anos. Ele perde em comparacao para seus dois vizinhos, mas completa algumas lacunas que os mesmos deixam em aberto. Juntos, o Paseo del Arte (Thyssen, Sofia e Prado) é sensacional.

O Thyssen começa lá nos primitivos italianos e chega até a pop art. Após ter visto tantas versoes da crucificacao de Jesus, da Anunciacao e da vitória de Davi sobre Golias, a mente começa a se confundir. O mesmo acontece com as dezenas de quadros de paisagens das salas holandesas, mas foi bacana reconhecer Veneza e a Piazza Navona nos quadros de Canaletto (aqui) e Wittel (aqui).

As coisas começam a melhorar mesmo ali pela sala 32 com Monet, Picasso, Renoir e Van Gogh, e nas próximas que trazem Cezanne, Gauguin e Matisse além de mais um belo quadro de bailarinas de Degas. O final, ali pela 41, tem Mondrian, Kandinski, Juan Griss, Braque, mais Picasso, um Chagall que eu adoro (veja aqui), Dali, Magritte e Roy Linchestein além do meu preferido do museu: ”Quarto de Hotel”, de Hopper.

A nossa próxima parada, debaixo de solarao, foi no deslumbrante Palácio Real, que me deixou sem ar no ano passado (leia o post aqui), mas que já me encontrou detonado desta vez, e teve um pouco de dó (hehe). Mas foi bonito rever o quarteto de Stradivarius da Família Real e a entrada suntuosa que fez Napoleao dizer ao seu irmao, ao coloca-lo no trono da Espanha, “você está em melhor companhia do que eu”.

Ainda passamos na Caixa Fórum, um belo prédio maluco com toques gaudilescos (o restaurante é sensacional), mas agora é ajeitar os últimos detalhes, arrumar as grandes malas, e voar sobre o Atlântico. Segunda-feira voltamos com a programacao normal trazendo um resumao da viagem e coisas do Brasil. Até.

Detalhe do restaurante do Caixa Fórum de Madri

Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Agosto 3, 2009   No Comments

Um jarro de sangria e as pinturas negras

A ordem em Madri é nadar em cerveja

Tem como contrariar um pedido desses?

 7 da noite, 35 graus, Nine Inch Nails esgotado. O que nos resta? Beber.

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Penúltimo dia de viagem. Dorzinha no peito, viu. Por mais que eu esteja sentindo uma saudade enorme dos amigos, da casa, da música, de Sao Paulo e também da rotina, a vontade era estender um pouco mais esse passeio para passar por Viena, Praga, Budapeste, Amsterda e ainda ver o Manic Street Preachers no Lokerse Festival, semana que vem, perto de Antuérpia, na Bélgica. Sonhar nao custa nada, né mesmo.

Quinta-feira

Fachada do Museu Reina Sofia em Madri

Saímos de Barcelona cedinho na quinta-feira (aliás, recomendamos bastante o Hotel Condado, um três estrelas com preço de hostel) em direçao a Madri. Conseguimos um preço bom antecipado do trem AVE (alta velocidade) e a viagem de 6h30 em um trem normal ficou em 2h30. O dia começou com ABBA (viajamos assistindo ao filme “Mamma Mia”) e eu queria que terminasse com NIN, mas como você já viu, nao rolou.

Localizamos o Hostal Gonzalo em Madri (boa dica da Ligelena) com bastante facilidade. Ele fica na Calle Cervantes, rua em que nasceu, viveu e morreu o autor de “Don Quixote”. E está em excelente localizacao, pertinho do Paseo do Prado e dos três grandes museus da cidade (e da Europa). Foi desfazer as malas, respirar um poquito e sair para procurar uma cerveja (para mim) e um gazpacho (pra Lili). Eita calor dos infernos.

Como tinhamos três dias em Madri decidimos separar um dia para cada museu, e começamos desta forma a quinta-feira no Reina Sofia, casa de “Guernica”, de Picasso. Reclamei muito da organizacao deste museu no ano passado (leia aqui), mas a versao 2009 está beeem bacana. Colocaram os filmes do Buñuel algumas salas antes e há mais silêncio para se apreciar o “Guernica” (apesar dio barulho da multidao - hehe).

Uma multidão admira o “Guernica” de Pablo Picasso

Além daqueles quadros que eu já havia citado no ano passado, e que foi especial demais rever - “Muchacha en la Ventana” (aqui), “Autoretrato Cubista” (aqui) , “Gran Arlequín y Pequeña Botella de Ron” (aqui) , “El Gran Masturbador” (aqui), todos de Salvador Dali, “La Fabrica Dormida”, de Daniel Vazquez Dias (aqui), “La Chimenea”, de Diego Rivera, e “Valencia”, foto de Cartier-Bresson (aqui) - listei mais alguns no caderninho.

Dentre os novos listados estao dois Dali (”O Enigma de Hitler” e “La Velocidad Máxima de la Madonna de Rafael”) um Picabia (”Spanish Woman“), a série “Los Desastres da La Guerra”, de Goya, e algumas fotos do hungáro André Kertész (uma delas mais abaixo), um cara que influenciou Cartier Bresson. Isso tudo além de Miró e Ligia Clark (um dos “bichos” dela foi adquirido recentemente pelo Reina Sofia).

Aproveitei para conhecer o lado Jean Nouveau do Reino Sofia, que eu deixei passar batido no ano passado, e que Lili nao aprovou muito nao (ao contrário do Caixa Fórum de Madri, do escritório Herzog & De Meuron, que fez Lili vibrar). Para ela é muito tecnologia para pouca funcionalidade, e eu leigo concordo, mas tem uns ângulos bem bacanas no prédio (além de umas coisas meio Centre Pompidou).

Uma foto clássica de André Kertész

À noite, aproveitando o calor que fez o centro da cidade se abarrotar, fomos para a Plaza Mayor, a mais bela praça madrilenha (pelo espaço, pela farra, pela música, por tudo), e arranjamos uma mesinha para petiscar batatas bravas com pimenta e beber um jarro da sangria. Enquanto isso no La Rivera, Trent Reznor enlouquecia 25oo fas que haviam esgotado os ingressos da noite única dois meses antes.

Sexta-feira

Nem coloquei o celular para nos acordar. Lili pegou bastante no meu pé dizendo que eu havia desprezado Madri no ano anterior, e que a cidade era bonita, mas nao é isso. Madri é bela, tem três museus sensacionais e muito mais coisas, mas para mim cai diante de boa parte das cidades que visitei (principalmente a concorrente Barcelona). E nao lembro de outra cidade na viagem que tenha me permitido descansar sem dor na consciência.

A Ligelena é uma fa ardorosa de Madri, principalmente da noite madrilenha, e esse é um ponto que nao posso opinar muito (ela tem ótimas dicas - veja aqui). Tanto esta viagem quanto a do ano passado nao foram viagens de baladas, noitadas e bares (no máximo, alguns pubs, shows e festivais - hehe), entao minah visao é muito esta de cidade diurna. Gosto de Madri, mas mais de Barcelona (e Paris, Veneza, Londres e Roma - até Berlim).

O Paseo do Prado em Madri

Após um chocolate quente ligeiro partimos para o Museu do Prado, um dos melhores museus do mundo, para vermos as duas majas (vestida e desnuda) de Goya, e o estupendo “As Meninas”, de Velázquez, e muito mais. Esqueci de contar, mas compramos o Paseo del Arte, um pacote que reúne os três museus da cidade por apenas 14,40 euros (quase o mesmo preço da Galeria Degli Uffizi sozinha em Firenze).

No Top 3 do ano passado (releia o post todo aqui) eu tinha colocado a “Maja Desnuda” (veja aqui) em primeiro e “As Meninas” (veja aqui), mas me vejo obrigado a reconsiderar. Assim que entrei na grande sala em que está exposto “As Meninas” me arrepiei. Velázquez pula para o primeiro lugar do Museu do Prado, e entra de cabeça na briga pelo posto de um dos meus quadros favoritos de todos os tempos.

Além destes dois revi “O Cardeal”, de Rafael (veja), o polêmico “O Jardim das Delícias”, de El Bosco (veja), “Fábula”, de El Greco (veja) e o violento “O Triunfo da Morte”, de Pieter Bruegel “O Velho” (veja), em que centenas de caveiras descem à Terra para matar homens, muheres e crianças. Aproveitando o clima fechamos o Prado com a tenebrosa e inebriante sala das “Pinturas Negras” de Goya (algumas delas aqui).

“Dos viejos comiendo”, uma das pinturas negras de Goya

Goya pintou essa série de 14 quadros nas paredes de sua casa e as obras evocam sátiras da religiao, retratos de confrontos civis e uma visao crudelíssima da velhice. As 14 obras (uma possível décima-quinta encontra-se na coleção Stanley Moss, em Nova York) foram retiratas da parede e passadas para quadros, algumas sofrendo danos, mas ainda assim mantendo a aura de dor, revolta e incomodo que cercava o pintor. De tirar o fôlego.

Na parte tarde nos dividimos. Lili foi olhar lojas de roupas e eu fui procurar CDs. Quase pirei na Fnac madrilenha. Sai de lá com um box de François Truffaut em forma de rolo de filme com doze DVDs do cineasta francês (todos com legenda em castelhano) por apenas 15 euros (12 filmes por R$ 45). Além de CDs de Johnny Cash, Tom Waits e de um box com cinco filmes de… Glauber Rocha. Sai mais barato comprar aqui, acredite.

Agora à noite, para relaxar, vamos para um dos bares do roteiro da Ligelena, e nadar em cerveza e sangria (como aconselha o cartaz do post anterior). Amanha temos Thyssen Bornemisza, Palácio Real e mais um boteco, e entao é arrumar as malas para ir para casa. Saimos domingo de manha de Madri para Paris, e de lá para Sao Paulo chegando provavelmente no começo da noite em Guarulhos. Estamos indo de volta pra casa. 

“As Meninas”, de Diego Rodríguez Velázquez

Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
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Agosto 1, 2009   No Comments

Joan Miró, Mies van der Rohe e Parq Güell

O sensacional Parq Güell de Gaudi em Barcelona

Assumo: nao caio de amores por Joan Miró, como Lili, mas me divirto com várias telas dele, principalmente as surrealistas. Porém foi bastante interessante conhecer a fundaçao dedicada ao artista, que fica em Montjuïc, e traça um excelente panorama de sua obra com interessantes telas iniciais mais sóbrias e a sua consequente mudança para Paris - todos eles vao para Paris, e piram, nao tem jeito.

Anotei em algum papel as minhas telas preferidas do pintor catalao, mas quem diz que acho agora. De cabeca lembro de um quadro sem título de forte cor verde que me impressionou e “El somriure d’una llàgrima” (aqui) enquanto Lili se apaixonou por “L’or de l’atzur” (aqui) e nos dois rimos muito do título de “Cabell perseguit per dos planetes” (aqui).

Brinquei com Lili que a erva dele devia ser das boas enquanto ela defendia que a graça em Miró é que ele conseguia manter viva a criança que havia dentro dele (algo assim tipo Manoel de Barros, um cara que eu adoro e admiro). Fomos para o jardim, vimos algumas esculturas com a cidade de Barcelona ao fundo e descemos a pé o bonito Monte Judeu.

Pavilhao Mies van der Rohe em Barcelona

No caminho passamos pela Palácio Nacional, que hoje em dia abriga o Museu de Arte da Catalunha, e fomos caminhando até o Pavilhao Mies van der Rohe, que Lili nao lembrava que era em Barcelona, e como boa arquiteta, pirou. O pequeno pavilhao foi a colaboracao da Alemanha à Exposiçao de 1929, e foi logo demolido, mas reerguido em 1986.

Como define o guia, o Pavilhao é uma jóia racionalista no meio da arquitetura monumental ao seu redor. Como contou Lili, Mies van der Rohe é o dono da célebre frase “Menos é Mais” (e eu tive que comprar a camiseta) e a obra reflete isso de uma forma tao elegante que encanta. Me lembrou, em alguns momentos, a Casa de Baile, de Niemeyer, em Belo Horizonte.

Próxima parada: Parc Güell, o grande jardim que o empresario Eusebi Güell deu para Antoni Gaudi pirar e personalizar. O arquiteto viveu entao sua fase naturalista, e isso pode ser observado em dezenas de detalhes ao redor do imenso parque (mais sobre ele aqui), cujo maior destaque é o eixo central monumental e a casa, residencia de Gaudi por 20 anos.

O pátio do Parq Güell, de Gaudi, em Barcelona

Centenas de pedras pontudas dao um certo ar de brutalidade ao parque. Por outro lado, seu famoso e célebre uso do trencadis (forma de arte que consiste em quebrar azulejos e dispo-los em forma de mosaíco) dá ao lugar um ser tom onírico, sonhador e surreal causando um choque interessante que cria uma paisagem totalmente lúdica e particular.

Apesar do sol, milhares de pessoas se perdiam pelas ruas do lugar enquanto músicos tocavam bonitas cançoes espanholas ao violao (e outros até mesmo U2). Descansamos na sombra esperando o solarao baixar para voltarmos para casa. Tentamos passar no Museu Picasso, mas nada de entrada gratuita como dizia o guia, entao hora de desmaiar pois amanha é dia de viajar. Madri, nos aguarde. Estamos chegando.

Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Um violeiro espanhol no Parq Güell em Barcelona

Julho 29, 2009   No Comments

“Te quiero, Barcelona”

Detalhe da fachada dos fundos da Casa Batlló, de Gaudi, em Barcelona

Eu sou completamente apaixonado por esta cidade. Barcelona me pega de um jeito que poucas cidades conseguiram. Nao sei se sao suas avenidas imensas com encantadores passeios públicos, nao sei se é esse clima quente aliado ao vento mediterrâneo, nao sei se sao as obras de arte de Gaudi ao ar livre espalhadas pela cidade. Nao sei. Barcelona me encanta e eu moraria fácil aqui (mais do que em qualquer outra cidade européia).

Acordamos revigorados na segunda-feira após o balde de água-fria do fim de semana complicado. Estamos na Grácia, quatro ou cinco quadras do lugar que fiquei no ano passado, e eu adoro essa regiao de muitas árvores, passeios, alguns bares de tapas e casas de Gaudi. Tanto a La Pedrera quando a Casa Batlló ficam pertinho, e abrimos a segunda visitando as duas de uma vez além de dar uma esticada até La Rambla.

La Pedrera, ou Casa Milà, é uma construçao emblemática que Gaudi ergueu entre 1906 e 1910. A mao do gênio pode ser vista já de fora, na imensa porta de ferro batido, as sacadas surreais, as janelinhas estilosas e o sensacional jardim no telhado com cavaleiros medievais dominando a paisagem. A exposicao no último andar melhorou muito do ano passado para este, com vários detalhes que explicam esta e outras obras de Gaudi.

Detalhe da Casa Milá, de Gaudi, em Barcelona

O que me vem à cabeça sempre é: mesmo hoje em dia, La Pedrera seria muito avançada, imagina em 1910. Um andar todo mobiliado com peças de época dá um panorama perfeito do conservadorismo de alguns móveis com a loucura dos detalhes do prédio, das portas, das maçanetas, dos lustres. Sensacional. E ainda tem uma sala auditório que, como diz bem o nosso livro guia, o “teto parece ter sido coberto com clara batida em neve”. Hehe

Dali fomos para a Mansana de La Discordia, que traduzindo quer dizer O Quarteirao da Discórdia, que nada mais é do que uma parte do Passeio da Grácia com três casas absurdamente geniais desenhadas por três arquitetos rivais para três famílias rivais do começo do século passado: Casa Lleó Morera, de Domènech I Montaner, Casa Amatller, de Puig I Cadafalch, e a Casa Batlló, de Antoni Gaudi. Todas na mesma calçada.

Das três, apenas a Casa Batlló é aberta ao público, e é um sonho delicioso de Gaudi que merece e muito ser visto. A casa é uma alegoria da lenda de Sao Jorge com o telhado sendo as costas do dragao, e as sacadas em forma de máscaras de carnaval sendo as caveiras das vitimas do monstro. Ela impressiona do lado de fora (e fica assustadoramente bela à noite), mas é dentro que ela conquista o olhar e o coracao. Até lágrimas cairam. 

Um senhor no Barri Gotic, em Barcelona

Passada a emocao, descemos pelas Ramblas para observar a dezena de estátuas vivas (algumas sensacionais) e desbravar o Barri Gótic, um lugar em que eu felizmente me perdi no ano passado, e pude passear e passear e passear por aquelas ruazinhas que, conta a lenda, sao tao estreitas que poderiam ser amarradas com um lenço. Terminamos o dia olhando a Sagrada Familia iluminada à noite.

A terça também começou com Gaudi, com uma visita a Sagrada Família, templo em construçao. Falei tanto dele no ano passado que vale mais ler aqui, mas continuo impressionado. No subsolo da igreja, enquanto mais de 300 pessoas trabalham no canteiro de obras (e milhares admiram embasbacados a construcao), um atelier restaura as maquetes originais que Gaudi deixou e prepara os novos passos da empreitada. Lindo.

Dali fomos para a praia no Port Olimpic aproveitar o solarao de 32 graus que está beijando a cidade. Meninas de topless de um lado, chinesas oferecendo massagens do outro e até um velhinho de uns 70 anos caminhando totalmente nu na areia, com a bengala num braco, e a bermuda e a camisa no outro. Hilário. A praia, ao menos no Port Olimpic, nao é das melhores, com muitas pedras, mas a água do Mediterrâneo vale o risco. 

A Sagrada Família, de Gaudi, vista da Av. Gaudi em Barcelona

Para esta quarta-feira, último dia em Barcelona, separamos Miró e Picasso. Vamos subir o Monte Judeu (Montjuic) para conhecer a Fundaçao Miró e, se der, vermos o tal Pavilló Mies van der Rohe. Tentaremos descer de teleférico (se nao for caro) para ir ao Barri Gotic conhecer o Museu Picasso, cuja entrada é gratuita às quartas de tarde. Talvez Parq Guell, se sobrar um tempinho, mas nao dá para garantir, ainda mais que ele merece e muito uma tarde inteira. Quem sabe.

Ps. Voltando da Sagrada Família ontem à noite demos de cara com muitos torcedores do Barcelona no ônibus. Mais de 60 mil pessoas foram conferir a apresentacao de Ibrahimovic. Nao teve jogo. Era só a apresentacao. E um garoto de uns 15 anos tinha um pedaco de grama do estádio em um copo de plástico… :)

Fotos da viagem:
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Julho 28, 2009   No Comments

Veneza, Veneza, Veneza, Veneza e Ryanair

Pq será que não existem baladas em Veneza?

Tanta coisa para contar que preciso organizar os pensamentos. Este fim de semana foi caótico, a começar pela falência da My Air, que causou um efeito dominó em nossas parcas economias, e nao fosse o cartao de crédito sei lá o que teriamos feito. Como escrevi para amigos, vou ter que pagar essa viagem até 2014… mas que vou escrever pra Enac italiana pedindo reembolso da My Air, ah vou!

Sábado

Após o susto de ter o vôo cancelado e mais nenhuma informaçao, decidimos ir para a internet caçar um vôo barato, e conseguimos pela Ryanair, que eu evitei a todo custo durante todo o planejamento de viagem, mas acabei precisando na última hora (e, claro, eles pisaram na bola, mas isso fica para o domingo). Relaxados, comprei um bilhete 24 horas de batobus e fomos desbravar Veneza.

Tudo que eu tente falar é pouco para explicar o quanto essa ilhota (ou, porçao de ilhotas) é linda. Veneza encanta o olhar como poucas vezes achei que uma cidade pudesse encantar. Caminhar por suas ruelas é uma surpresa, mas vê-la de dentro da água é espetacular. Talvez, por isso, os passeios de gondola sejam tao caros, afinal você passa a centimetros da parede das casas observando a grandiosidade desta pequena jóia chamada Veneza.

Uma gondola na paisagem de tirar fôlego de Veneza

Com o passe de batobus decidimos ir para Murano e Burano, duas ilhas afastadas de Veneza. A primeira é cheia de fábricas de vidros e a segunda uma vilinha de pescador cuja principal caracteristica sao as cores fortes das casas, para que os pescadores as enxerguem do mar e saibam como voltar. Fomos para Murano, e ela só vale se você quer artigos de vidro, caso contrário fique em Veneza. Acabamos nao indo para Burano por falta de tempo.

À noite demos uma passadinha na festa da paróquia do bairro (ou da ilha em que ficamos, como queira), compramos vinho tinto, alguns badulaques e fomos fazer um piquinique do lado do grande canal. A noite caiu linda e ficamos relembrando momentos bacanas desta viagem culminando com a sensacao de que poucos lugares no mundo podem bater Veneza, mesmo a ilha nao sendo um lugar de baladas (a camisa Venice by Night diz alguma coisa?)

Lili foi dormir, eu voltei pra festa, comprei uns papéis para concorrer a brindes (estava de olho no Home Theather exposto, e se ganhasse uma das duas bikes venderia por qualquer 20 euros) e acabei saindo com uma caneta, duas esponjas de louça, uma capa de chuva, um pacote de lencinho de papel, uma régua rosa e uma máscara de carnaval bem tosca. Mesmo assim, valeu a farra. Voltei completamente bêbado para casa.

Na beira do rio em Veneza

Domingo

Se estivéssemos no vôo da My Air teríamos que chegar no aeroporto às 6 da manha, mas a troca acabou nos colocando em um vôo em Treviso às 18h, entao decidimos aproveitar mais um pouco de Veneza, e fomos conferir o acervo do Museo Peggy Guggenheim, que nos surpreendeu bastante. Aliás, se fomos ricos com a Peggy também iriámos apoiar as arte e comprar uma mansao à beira do grande canal de Veneza. Fácil. hehe

Os destaques sao muitos. Lili teve oportunidade de ver mais três obras de Giacometti (”Standing Woman” ficou entre suas preferidas do escultor - veja) e eu chapei com “Landscape with Red” de Kandinski (aqui), “Portrait of the Painter Frank Haviland”, um belíssimo Modigliani (aqui), “Rain”, de Chagall (aqui), uma tela sem título de Dali (aqui), ”Sad Young Man On a Train”, arrepiante de Duchamp (aqui) e muitos outros.

Tempo findo, bye bye Veneza, e lá fomos nós para o aeroporto de Treviso pega nosso vôo para Barcelona. Chegamos quase três horas antes. Assim que começou o check-in, a mulher da Ryanair já encanou. “A mala ultrapassou o peso. Ou vocês tiram algo, ou pagam o excesso”. Eu já estava rindo com a carteira na mao quando, em alguns segundos, ela esqueceu o excesso de peso e veio com outra taxa, mais cara, para pagarmos. :/

O olhar em Veneza

“Vocês nao fizeram o check-in online, por isso precisam pagar 40 euros por pessoa. Assim que vocês pagarem, lhes entrego o ticket de embarque”. O sangue subiu, xinguei até a décima geraçao da mulher, da Ryanair, do Papa, mas nao teve jeito: perdemos RS 240 assim, de mao beijada. Nesta nossa última semana, em que as contas correntes já estao no vermelho, e os cartoes de crédito estao no limite, foi um tremendo balde de água fria.  

Fiz todo o planejamento de viagem antecipado para evitar transtornos como esse, mas como tivemos que comprar de última hora, agitados pelo incidente My Air, esquecemos do check-in online, o que nao justifica uma taxa tao alta, mas é a Ryanair. Eles fazem os vôos mais baratos da Europa, mas é bobear que eles tiram o dinheiro de você de outra forma. Bobeamos, e nao adianta chorar sobre o euro perdido. Acabou o drama? Nao.

Chegamos em Girona, na Costa Brava, quase às 20h, e de lá tivemos que pegar um ônibus para Barcelona. Batemos na porta do Hostel às 22h04, e quem diz que havia alguém para nos atender. Entramos uns 20 minutos depois com outro hospede, mas nao havia ninguém do hostel no local. Nao pensei duas vezes: procurei um hotel na regiao, e mudamos. Detalhe: o hotel (um três estrelas bacana) foi praticamente o mesmo preço do hostel.

De pés ao vento no Grande Canal de Veneza

Esta é a nossa última semana de viagem, a grana se foi, mas estamos nos virando. Amanha falo sobre a Casa Milà e a La Pedrera, duas obras primas do gênio Gaudi, que visitamos na manha desta segunda-feira. Agora vamos nos perder pelo bairro gótico. Mas voltamos. Xô, zica. :)

Ps. Apesar da camiseta “Venice By Night”, que eu comprei, nao vimos nenhum ratinho em Veneza nos quatro dias que ficamos lá, só para registro. hehe

Fotos da viagem:
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Julho 27, 2009   No Comments

“Turisti beffati tra rabbia e delirio”

Essa é a manchete de um caderno do Il Venezia, o diario local. Motivo: a companhia My Air abriu falencia e a ENAC (que controla voos na Italia) a proibiu de voar. E adivinha: nosso voo amanha para Barcelona era My Air. :/ Fomos ate o aeroporto tentar alguma explicacao, e descobrimos apenas que uma passagem por outra companhia custaria quatro vezes mais do que tinhamos pago (400 euros por pessoa) e acabamos traçando varios trajetos paralelos (inclusive de trem para Milao e de la para sabe-se onde), mas a Ryanair nos salvou. Voamos amanha no fim da tarde para Barcelona saindo de Treviso. Mas e agora, como recuperar o dinheiro da My Air? Ou ja era?

Julho 25, 2009   No Comments

A beleza de Veneza e a siesta de Treviso

O congestionamento nos canais de Veneza

Nao tem como fugir do obvio: Veneza é deslumbrante. Até mais do que deslumbrante, Veneza é a cidade mais linda em que ja coloquei os meus pés. Dificil ficar imune ao seu encanto. Vai parecer bizarro, mas a idéia é de uma favela estilosa cortada por dezenas de canais. Nao sei explicar direito, mas assim que observei a ilha quando estavamos pousando em Mestre, a cidade vizinha, ela ja me conquistou.

A chegada foi bastante sossegada. Pegamos um onibus de Mestre para a entrada de Veneza, e entao um Vaporeto, que é o barco que faz o trajeto principal da cidade. Carros nao entram em Veneza. Até os taxis sao lanchas e tudo é feito via fluvial. Claro, a caminhada também é uma boa saida. A cidade está coberta por 177 canais, 400 pontes e 118 ilhas.

Nao podemos nos esquecer das gondolas, que merecem um paragrafo à parte. Se voce nunca observou uma gondola (em um filme) com calma, preste atencao que ela é torta para suportar o peso do gondoleiro remando atras. A profissao de gondoleiro, inclusive, é passada de pai para filho. E as gondolas sao todas pretas pois uma lei do seculo XV exigiu a cor padrao em nome dos que morreram na peste, e a tradicao se manteve.

Um passeio de gondola em Veneza custa 100 euros a hora

Passear de gondola em Veneza é algo bastante tentador nao fosse o preco. Vai de 60 euros (aproximamente uns R$ 150) até sabe-se la quanto dependendo do circuito, do horario, da vontade do fregues. Como estamos com a grana contada nestes ultimos dias de viagem vamos deixar o tradicional passeio para uma proxima oportunidade, ok. Inclusive, estamos deixando até os vaporetos (de 6 euros) de lado e gastando sola de chinelo.

Estamos em uma bairro menos agitado da ilha, o que é bom para fotografar e silencioso à noite. Tinhamos medo do “bed and breakfast” que reservamos, pois o e-mail que recebemos tinha mais frases negativas que positivas (NAO tem café da manha, NAO tem toalha extra, NAO tem internet, entre outras coisas), mas o quarto é fofissimo, maior que o de Paris, e tao fofo quanto, mas sem as facilidades (e a Rua Montergueil) de la.

Fizemos uma boa caminhada pela cidade, e descobrimos uma festinha beneficente de uma igreja a algumas quadras de nossa hospedaria. Nao resisti e comprei uma Kaiser (austriaca) e uma gordurosa costelinha - assada na hora em uma grande churrasqueira -acompanhada de polenta, que na verdade parecia tapioca. Valeu a experiencia, mas hoje vou de batatas fritas mesmo.

Uma Kaiser… austríaca

Nesta sexta decidimos vir conhecer Treviso, cidade que a Nona dos Callegari deixou para tras no comeco do seculo passado para se instalar no Brasil, mais precisamente nas minas gerais. Lili veio ver de onde saiu o sangue italiano que corre em suas veias, e aproveitou para comprar uma Moka (a tradicional Bialetti - agora até eu faco café em casa, voces estao convidados) e conhecer a cidade, fofissima, ajeitadinha e bem diferente da Toscana.

E que adota a siesta. Quase todos os estabelecimentos fecham entre 12h30 e 15h30. Estamos esperando o sol de 35 graus baixar para voltarmos a Veneza, e aproveitarmos um pouco da noite veneziana, que pode ser resumida em uma camiseta que convenci Lili a deixar eu comprar, mas que acho que nao vou conseguir subir no flickr hoje (provavel que soh domingo, de Barcelona, jah que a internet em Veneza custa 7 euros a hora - aqui em Treviso é 2 euros). O trem nos aguarda, mas a gente volta.

Ps. Na volta para Veneza paramos novamente na festinha do bairro, que estava lotada. Uma bandeira brasileira no palco avisava que haveria pagode à noite enquanto a panceta, o frango e as costelinhas assavam na grelha. Nao arriscamos e fomos de batatas fritas mesmo. E saimos antes da banda comecar. hehe

 A Piazza San Marco em Veneza

Fotos da viagem:
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Julho 24, 2009   No Comments

Arte sacra, Bernini, Caravaggio e tiramisu

Romanos na frente do Pantheon em Roma

Sao 10 horas da manha em Roma, e os relogios ja estao marcando 31 graus. Roma ferve, e esta é nossa ultima manha na cidade. Jah estamos com as passagens de trem compradas para o aeroporto Leonardo Da Vinci, e no fim da tarde estaremos em Veneza para descansar e muito das longas caminhadas que a cidade de Roma nos exigiu. Mesmo assim sera dificil esquecer Roma. Eita cidade linda! Seguindo de onde paramos…

Na terca a noite fomos visitar a Fontana de Trevi, local eternizado por Fellini em “A Doce Vida”, com Anita Ekberg bebada entrando na fonte sob o olhar embasbacado de Marcello Mastroianni. Mesmo superlotada de turistas, a Fontana de Trevi é um charme. Ela é a maior e mais ambiciona fonte barroca romana e seu fundo é um cofre repleto de moedinhas que os turistas jogam desejando voltar a cidade (passeie por ela aqui).

Caminhamos de volta para casa descobrindo uma série de igrejas, pequenas joias de arte sacra, que anotamos para visitar no dia seguinte. A quarta comecou na enorme Santa Maria Degli Angeli,  local que antes abrigava as Termas de Diocleciano, e que o Papa encomendou em 1561 a Michelangelo transforma-la em uma igreja. O local é amplo e majestoso, e o destaque é o enorme orgao. 

A Fontana de Trevi, mesmo sem a Anita, completamente lotada

Nossa proxima parada foi em Santa Maria Della Vitoria, uma interessante extravagancia barroca de Bernini e seus alunos. Aqui se encontra uma das obras maximas de Bernini, “O Extase de Santa Teresa”. Na mesma rua encontramos a lindinha San Carlo Alle Quatro Fontane, obra prima de Borromini, com quatro fontes na rua demarcando o lugar, e uma cupula oval branca e pequena que conquista o olhar.

Um pouco mais a frente, paramos na Igreja Sant’Andrea de Quirinale, outra bela obra de Bernini, mais limpa e delicada, mas ainda assim com detalhes barrocos que valorizam as bonitas esculturas do artista. Mais uma pernada e chegamos a Piazza Rotonda, local que abriga o magnifico Pantheon (de 118 d.c.), com alguns “romanos caracterizados” na frente fazendo a festa dos turistas que queriam uma lembranca mais divertida.

Atravessamos a Piazza Navona (com belas fontes desenhadas por Bernini e a bandeira brasileira indicando nossa embaixada), pegamos um gelato (bem mais barato que em Florenca) e seguimos para o Campo Del Fiori, outra pracinha fofa que durante o dia é agitada por uma feira e a noite vira balada. Almocamos no Sabys atendidos pelo Bruno, um brasileiro de Vitoria que vive a dois anos e meio em Roma, e pelo jeito ama a cidade. 

Uma tarde no Parque Borguese em Roma

Entendemos perfeitamente apos devorarmos um spaguetti al pesto o sentido da palavra “siesta”. Nao tem como caminhar ao sol da tarde em Roma. Sabe-se la quantos 30 e poucos graus estavam fazendo, entao decidimos conhecer a Villa Borguese, o maior parque da cidade, que abriga um museu em um imenso espaco verde (lembre-se que as pracas em Roma, assim como na Espanha, nao tem arvores, diferente de Londres e Paris).

Assim como varios turistas e alguns romanos cedemos a siesta e tiramos um cochilo na grama do parque, e fomos conhecer o acervo da Galleria Borghese, pequeno, mas muito impressionante. Ha uma sala toda de Caravaggio com destaque para o arrepiante “San Girolamo” (veja aqui), otimos quadros de Ticiano (incluindo o historico ”Amor Sagrado e Profano”) e obras primas de Bernini de fazer o coracao parar por alguns segundos.

Em “Apolo e Dafne”, Bernini congela no marmore o momento em que os deuses piedosos a transformam em um loureiro para tira-la de Apolo. Galhos saem de seus dedos e o detalhe de seus cabelos sao arrepiantes (mais aqui). “O Rapto de Persephone” é brutal. O musculoso Hades ri enquanto Persephone chora tentando fugir de seus bracos. Os detalhes de sua mao musculosa apertandando as pernas da moca sao sensacionais (saiba mais aqui e veja detalhes da obra aqui). 

Obras de Bernini na Piazza Navona em Roma

Deixamos a Galleria Borghese e seguimos para o Galleria Nazionale de Arte Moderna, que fica quase dentro do parque, e destaca uma colecao impressionante de italianos da segunda metade do século 19 (mestres como Domenico Morelli, Giovani Carnovali e Antonio Mancini - veja obras aqui) além de Van Gogh, Cezanne, Klimt, Miró, Kandinski, Modigliani e Duchamp (a bicicleta, a latrina e o sensacional ”50 Miligramas do Ar de Paris”).

Pegamos um trem, voltamos pro hostel para um banho e partimos em busca de um bom Tiramisu. Fomos até a Escadaria da Espanha, que nada mais é do que uma escadaria em que todo mundo fica sentando “vendo e sendo visto” e caminhamos novamente até o Campo del Fiori para terminar a noite com Pizza de Spicy Salami, brusqueta, vinho e uma boa cerveja ruiva italiana, a Moretti. E o Tiramisu, logico, o melhor que Lili comeu na vida.

Roma definitivamente nos conquistou. Obras de arte estao soltas para o prazer dos transeuntes nas ruas em dezenas de fontes em cada canto da cidade (eita gente para gostar de fonte, viu). Muitas igrejas guardam riquesas de arte sacra (esqueci de falar de “A Ressureicao de Cristo”, de Michelangelo, escultura polemica exposta na Igreja Santa Maria Sopra Minerva) e os italianos convivem muito bem com seu passado. Jogamos moedinhas na Fontana de Trevi. Queremos voltar.

Ps. Nao rolou ir ao Rock in Roma. A grana esta curta, mas ainda cruzo o Nine Inch Nails em Madri… aguarde.

 O por-do-sol na Piazza Quirinale em Roma

Fotos da viagem:
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Julho 23, 2009   No Comments

Vinho, massas, calor e ruínas históricas

O impressionante Coliseu de Roma 

Sem acentuacao hoje, ok. (teclado romano):Acho que a ficha de Roma ainda nao caiu. Jah andamos por diversos lugares, visitamos alguns pontos turisticos, batemos perna sob o sol de 30 graus que abraca essa cidade no verao, e tudo que podemos dizer é: Roma impressiona. Muito. Mas muito mesmo. A primeira comparacao que me vem à cabeca é Paris. As duas cidades estao ali, lado a lado, cabeca a cabeca querendo conquistar coracao, alma e olhos da gente.

Ainda no domingo, antes do show de Bruce Springsteen, visitamos a Basilica de Santa Maria Maggore, que fica pertinho do “bed and breakfast” que alugamos. Fundada por volta de 431 pelo papa Sisto III, é uma das maiores basilicas de Roma ricamente decorada, com algumas obras de Bernini e padres atendendo todo o tempo fieis no confessionario, um deles falava oito lingua (saiba mais sobre ela aqui).

Rememorando meus tempos de coroinha da Igreja do Alto de Sao Pedro, em Taubaté, nao consigo lembrar o nome daquele casticario de velas que os fieis acendem para os santos. O fato é que em Santa Maria Maggore, as velas foram substituidas por um casticario de luzes que representam velas. A pessoa vai lah, deposita 1 euro, e a vela de luz acende. Pra mim é picaretagem. E das grandes. 

O aconchegante bairro de Trastevere em Roma

Ja na segunda comecamos nosso trajeto de turistas embasbacos pelo Coliseu, que é de cair o queixo. Mesmo. Tirei umas duas dezenas de fotos. Dali fomos até as Termas de Caracala, que na Roma Antiga (ali pelo ano de 217 d.c.) era um complexo de lazer (canhestramente falando) em que os romanos iam se banhar nas termas. O local tinha centros sociais, galerias de arte, biblioteca, bordéis e areas de exercicios. Ruínas povoam o lugar.

Continuamos nosso dia de turismo arqueologico passando pelo impressionante Forum Romano e tambem por alguns foruns imperiais. Eh uma caminhada e tanto, mas vale muito a pena. A visao é de tirar o folego. Chegamos até a porta do Museu Capitolino, que estava fechado, e entao partimos para o Parque Oppio, que fica sobre a famosa e enorme Casa Dourada de Nero, que esta fechada para reformas (uma pena).

Almocamos por ali, em uma ruazinha qualquer, uma boa Bucatini All’Matriciana, belo spaghetti com molho de tomate, bacon e bastante queijo pecorino ralado. O que nos conquistou foi a entrada: uma salada caprese simples com um pedaco de mussarela de bufala que derretia na boca de tao leve e fresco. Também saiu daqui a frase do dia. Um cliente perguntou: “Esse vinho da casa é bom?”, o dono respondeu: “Claro, é romano”.

A Praça de São Pedro no Vaticano

A parte da tarde foi dedicada à Igreja de Sao Clemente, um tesouro arqueologico impressionante. No nivel mais profundo escavado existe uma casa de culto cristao e um templo dedicado ao deus Mitra, tudo do século 1. Um nivel acima existe pode-se ver uma basilica intacta do século 4. Incendiada em 1084 por um ataque normando, uma nova Igreja foi construida sobre a velha basilica, que foi redescoberta em 1857.

Nossa dia terminou com uma visita ao delicioso bairro de Trastevere, que é tudo que eu sonharia que o bairro do Bixiga, em Sao Paulo, fosse. Dezenas de tratorias e pizzarias se espalham pelas varias piazzas do bairro, que mantém intacto seu charme. Uma placa em um restaurante dava a deixa: “Somos contra a guerra e o menu turistico”. Comemos uma boa pizza e Lili ficou bebada (mais uma vez) com apenas uma taca de vinho.

Roma é uma cidade muitissimo especial. Sinceramente, sinto-me em casa aqui. O problema é o pouco tempo para se aproveitar uma cidade repleta de encantos. Paciencia. O melhor é relaxar e admirar. E atirar uma moedinha na Fontana de Trevi (ah, Anita) desejando voltar para a cidade. Vamos fazer isso hoje à noite depois de termos passado a manha e a tarde no Vaticano, impressionados com a Basilica de Sao Pedro e a Capela Sistina. 

A Capela Sistina, pra variar, lotada

A Capela Sistina é algo simples e belo. Voce caminha por dezenas de salas ricamente ornamentadas e quando cai na Capela toma um choque com a pintura delicada e simples de Michelangelo. A ficha demora alguns segundos pra cair. Basta ignorar a multidao e se concentrar no teto, observar a genialidade do pintor, o relevo em terceira dimensao, os afrescos delicados e se emocionar. Vale o cansaco das mil e uma salas anteriores. Mesmo.

Ainda temos muita coisa pra ver, e a completa nocao de que nao vamos ter tempo de ver tudo. Ou seja: pretendemos voltar. Temos a quarta ainda, e na quinta partimos para  Veneza, e entao a ultima semana em Barcelona e Madri, os dois pontos finais da viagem. Estamos bastante cansados, tanto que cedemos à siesta nesta terca. Amanha tem Rock in Roma com NIN, Tv on The Radio e Animal Collective, mas a grana ta curta. Quem sabe…

Ps. Fez 33 graus em Roma hoje.

Ps 2. Momento Gloria Kalil em Roma: os soldados da Guarda Suica do Vaticano ainda estao na moda com suas roupas desenhadas por Michelangelo? Veja aqui e opine (hehe)

Fotos da viagem:
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Detalhe da Capela Sistina, no Vaticano

Julho 21, 2009   No Comments

Três horas de Bruce Springsteen em Roma

Bruce Springsteen em Roma

Ok, ok, melhor falar a verdade: não foram três horas exatas de show, e sim duas horas e cincoenta e nove minutos. Mas foram 179 minutos ininterruptos de apresentação sem saída para o bis. Bruce ficou no palco o tempo inteiro correndo de lá pra cá enquando a sua E Street Band descia o sarrafo com músicas de altíssima qualidade. Nem parece que ele está para fazer 60 anos…

Os portões do Stadio Olimpico foram abertos às 16hs e uma multidão já esperava debaixo do forte sol buscando um lugar pertinho do palco. Os 42 mil ingressos colocados à venda já estavam esgotados, e cambistas faturavam em cima daqueles que deixaram para a última hora. Dezenas de barraquinhas de camisetas mostravam que o lugar já era dominio de Bruce, mesmo com o Mundial de Natação acontecendo ao lado do estádio.

Por causa do Mundial de Natação, inclusive, a produção avisou por email um mês antes que o show atrasaria meia hora, inicio previsto para às 22h30. Bruce entrou às 22h27, e em poucos segundos já havia conquistado o público com os primeiros acordes de “Badlands”. A audiência deu um show à parte estendendo-se ainda para “Out In The Street”, com seu coro do refrão sendo cantado desde os primeiros segundos.

Bruce ao violão canta “Working on a Dream”

A épica e nova ”Outlaw Pete” trouxe belas imagens no telão enorme. Seguiram-se “No Surrender”, “She’s The One”, uma versão fofa de “Working On A Dream” (com estrelas brilhando no telão), “Seeds” (com dezenas de imagens da E Street Band) e uma estupenda versão de “Johnny 99″ seguida de “Atlantic City”, as duas do álbum “Nebraska”. O primeiro bloco foi fechado por “Raise Your Hand”, que fez a cama para um dos grandes momentos do show.

É o seguinte: se você quer muito, mas muito mesmo que Bruce toque a sua música preferida, ajuda e muito escrever o nome dela em um cartaz, chegar cedo, e passar o pedido para o chefão no meio do show. Ele pega vários pedidos, lê, mostra para a banda, e se for aprovado, coloca na frente do pedestal e manda brasa. Acontece sempre no meio do show, mas no fim ele sempre escolhe mais um ou dois cartazes, dependendo do humor.

Nesta noite, a festa começou com “Hungry Heart”, em versão de chorar (até uma menininha de uns cinco anos participou do coro quando Bruce desceu até a galera). “Eu casei na semana passada e estou pegando fogo”, dizia outro cartaz com a deixa para Bruce tocar “I’m on Fire”. Vieram ainda “escolhidas pelo público” outras duas surpresas: “Pink Cadillac” e “Surprise, Surprise”.

Pelo telão comandando 50 mil pessoas

A terceira parte do show começou com “Prove It All Night”, seguiu-se com uma versão linda de “Waiting On A Sunny Day” (que contou com a participação de um garotinho retirado da platéia que cantou o refrão no maior embromation - hehe), “The Promised Land”, “American Skin (41 Shots)”, “Lonesome Day”, “The Rising” e… “Born To Run”, com todo o estádio aceso e gritando a letra da canção. Momento para não esquecer.

Ao final do número, Bruce agradeceu a todos, a E Street Band começou a deixar o palco, mas o chefão pegou o violão e mandou uma bonita  versão de “My City Of Ruins”, que serviu a perfeição como introdução de “Thunder Road”, clássico maior (assista a um trechinho aqui). O “bis” ainda teve “You Can’t Sit Down” e ”American Land” (com a mãe do compositor, Adele Zirilli, nascida no sul da Itália, subindo ao palco para abraçar o filho).

Acabou? Não. Bruce pegou mais um cartaz da galera e mandou “Bobby Jean”. Uma companheira do disco “Born In The USA” veio em seguida, o megahit “Dancing In The Dark”, com Bruce puxando uma garota da platéia para dançar com ele. Finito. Ou quase. Estatelado no centro do palco, e ensopado de suor e água, o chefão mandou: “Não dá mais, Roma”, mas a galera insistiu, e ele fechou a noite com uma cover de “Twist and Shout” (com citação de “La Bamba”).

bruce_piano.jpg

A impressão final é de uma noite perfeita. Bruce fez valer a grana que todo mundo pagou com suor, entrega e uma apresentação majestosa, dessas que mesmo os italianos que já estão acostumados a ver Bruce todos os anos (o desfile de camisetas de turnê é impressionante) saem surpresos e felizes. O jornal gratuito do Metro italiano cravava na manhã desta segunda-feira: “The Boss conquista Roma”. Impossível discordar, impossível.

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Julho 20, 2009   No Comments

Obras primas de Michelangelo em Florença

O Palácio Pitti em Firenze

Na minha imaginação, Florença seria um caos no sábado, mas o dia foi ótimo com menos calor do que os dias anteriores (só fez quase 30 graus, quase) e muito menos turistas superlotando o compacto e lindo centro antigo da cidade. Também nos organizamos. Compramos as entradas para a Galeria Degli Uffizi e para a Academia com hora de entrada reservada e marcada, assim pudemos aproveitar com mais calma a cidade. E valeu muito a pena.

O dia começou com uma caminhada pela Ponte Vecchio, que pelas fotos pode parecer uma favelinha sobre uma ponte, mas na verdade são lojas de jóias. Na verdade mesmo, ali pelo século 15, a ponte (e todas as pontes da cidade) tinham comércio. Na Ponte Vecchio ficavam os açougues da cidade, que jogavam os restos de carne no rio, mas os manda-chuvas da área, a familia Medici, que morava ali do lado, incomodada com o cheiro, tirou os açougues e colocou joalherias no local. Todas as outras pontes sucumbiram na segunda guerra, restando apenas a Vecchio para contar a história).

A familia Medici patrocinou praticamente todos os artistas da cidade, de Michelangelo a Donatelo, de Leonardo Da Vinci a Rafael entre muitos outros. Algumas obras do acervo da familia estão na Galeria Uffizi, que até tem um acervo bacana, que sucumbe diante da má iluminação de algumas salas. Gostamos muito da sala Niobe (veja aqui), reafirmei minha admiração pelos retratos densos de Tiziano e, de quadro mesmo, gostei de “Primavera”, de Botticelli (veja aqui) e de “San Jacobo con Due Fanutti”, de Andrea Del Sarto, mas como um todo o museu não me impressionou tanto como outros da viagem. 

A Ponte Vecchio em Firenze

Dali saimos para almoçar perto do Mercado Central. Acabamos parando em uma Tratoria, pois fui fisgado pelo cartaz que oferecia a Bisteca a La Fiorentina, um delicioso e enorme bife de corte diferente e feito com os mandamentos toscanos. A garçonete recomendou: “Prove sem azeite, para sentir o gosto da carne”. Resultado: melhor prato da viagem até agora. Lili pegou um ótimo gnochi ao pesto e assim nos preparamos para mais uma caminhada pela arte: ir a Academia.

O acervo da Galleria Academia é pequeno, porém de fazer chorar. Voce entra em uma sala e encontra os quatro escravos não terminados de Michelangelo, mais São Matheus (que é divino, na mesma linha dos Escravos) e também Pietà, outra obra magnifica do homem.

No fim do corredor está David, imponente, gigasteco, meditando sobre sua vitória contra Golias. Simplesmente uma sala de arrepiar a alma. Lili é apaixonada pela simbologia dos Escravos, que Michelangelo fez para o túmulo do Papa Júlio II, mas nunca terminou. Ou como dizem muitos, não quis terminar, deixando-os encravados na pedra com ar de sofrimento e gestos de dor.

Ficamos pelo menos umas duas horas dentro da Academia indo pra cá e pra lá entre as obras de Michelangelo. Aproveitamos para ver uma exposição interessante de Robert Mapplethorpe, o fotógrafo e amigo de Patti Smith que a fotografou para a capa do mitico “Horses”. Uma foto da mesma sessão está exposta nesta mostra temporária.

E ainda obras de Bartolini, um cara que eu adoro. Havia, inclusive, uma cópia da Dirce, que vimos no Louvre. Deixamos a Academia flutuando, passamos por uma passeata contra o ditador iraniano, e voltamos para casa antes de escurecer para arrumar as malas. Neste domingo partimos para Roma e Bruce Springsteen. Dia agitado, meus amigos, dia agitado.

 A Sala Michelangelo na Academia em Firenze

Fotos da viagem:
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Julho 20, 2009   No Comments

Perdido em Firenze e o inferno do Mogwai

Detalhe do Batistério em Firenze

Florença é uma cidade cara, uma das mais caras de toda a viagem. Um gelato aqui pode custar 9 euros (quase R$ 30) e um almoço simples pode sair por quase R$ 50. Refrigerantes são um assalto. Uma coca-cola lata não sai por menos de R$ 10 no centro histórico, que é deslumbrante, mas pode derrubar muitas economias claudicantes, como a nossa.

Na Galeria Degli Uffizi, o mais significativo museu da Renascença, por exemplo, a entrada é mais cara do que a do Louvre, e não aceita cartões nem dá desconto para estudantes (só para integrantes da Comunidade Europeia). E, ainda assim, as filas são enormes, uma das maiores que encontramos em toda a viagem. Agendamos um horário para o dia seguinte, e fomos descansar.

A Ponte Vecchio em Firenze

Na verdade, Lili foi descansar. Eu fui fazer a grande aventura da viagem até o momento: ir a show do Mogwai em um lugar que eu só sabia onde era pelo mapa, mas não tinha a mínima ideia de como chegar por ônibus, que não são lá tão explicativos como em outras cidades europeias que visitamos. O lance era pé na estrada, e vou te dizer que foi beeeeem divertido.

Li sobre o show em um jornal, e não sabia o horário, então parti às cegas com o mapa na mão atrás da Fortezza da Basso, uma antiga e enorme fortaleza datada do século 14 que hoje em dia é sede de inúmeras conferências, reuniões, concertos e iniciativas nacionais e internacionais, como o show do Motorhead, que tocou um dia antes do Mogwai.

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Descobri por cartazes no caminho que o show estava agendado para às 21h30, e eu já estava bem perto do lugar às 19h30. Bacana. Era torcer para o lugar não ser monótono, pois eu teria duas horas para matar ali. Monótono? Nestes dias de julho a Fortezza da Basso está recebendo uma Feira Latina com comidas, bebidas, grupos e tudo mais o que você pode imaginar.

É um feirão com barracas de churrascarias gaúchas, “picanharias” argentinas tocando tango, quiosques de comida colombiana, tequilas e petiscos mexicanos, e tudo o mais. Deu uma puta vontade de encarar um churrasco brasileiro, mas acabei optando por um básico kebab acompanhando de uma cerveja dinamarquesa.

Mogwai em Firenze

E tô eu ali, convite do show no bolso, tomando a minha cerveja, quando o cara da mesa ao lado (com um amigo e outra amiga) elogia a minha camiseta com estampa de Miles Davis. Retribui elogiando a dele, do Jimi Hendrix Experience, e a garota da mesa comenta que falei em espanhol (portunhol, na verdade), e começamos, cada um de sua mesa, a falar de shows e tal.

Em dois minutos já estávamos amigos. Ele se chama Leonardo, tem 29 anos, mãe carioca (ele mesmo nasceu no Rio de Janeiro), mas veio para Roma aos 9 anos e hoje em dia trabalha com jornalismo e marketing no site EcologiaInViaggio. O diálogo rolava mais ou menos em portunhol da minha parte, com o italiano misturado com o carioca da dele, com a menina (que eu não entendi o nome) queridíssima traduzindo no bom espanhol. Foi hilário.

mogwai3.jpg

Tomamos uma boa leva de birras os quatro, e eles (que são de Roma) contaram que estavam em Firenze para ver o Mogwai, e partiam na mesma noite para a cidade praieira de Livorno para ver, no dia seguinte, Kraftwerk e Aphex Twin. Ele tentou arranjar um espaço para mim e para Lili na casa em que eles iriam ficar em Livorno, mas não rolou. Mesmo assim estamos cogitando ir.

No fim, combinamos de trocar informações de bandas e artistas de cada país. Falei para ele da ótima cena independente nacional, ele contou que o cenário mainstream italiano está “una mierda”, tal qual o nosso. Todos na mesa reclamaram, e muito, do governo Berlusconi, e todos me ofereceram abrigo em Roma, caso eu e Lili ainda não tivéssemos reservado algum lugar.

mogwai2.jpg

Dali, partimos para o show do Mogwai, que ficava em uma tenda aberta no centro da festa. Tente você imaginar a orgia de guitarras altíssimas dos escoceses tendo como fundo uma festa latina? Foi assim que aconteceu. O show foi absurdamente bom, daquele nível Mogwai de ser. As canções começam lentas e vão até o inferno tentar salvar anjos caídos.

A primeira do set list (em foto mais abaixo) foi “Friend of The Night”, do álbum “Mr. Beast”. Do último disco, “The Hawk Is Howling”, marcaram presença “I’m Jim Morrison,  I’m Dead” e o hit “Batcat”, mas o set list caprichado abriu espaço para os hinos infernais “Mogwai Fear Satan”, “Summer” e “You Don’t Know Jesus”.

mogwai3.jpg

Na volta do bis, o aviso: “Essa é a última canção”. Nos primeiros acordes, sorrisos no meio do público, afinal não é sempre que a última canção de um show dura mais de 20 minutos. Desta forma, “My Father, My King” fechou o show de forma absolutamente ensurdecedora. Show finito, despedidas e e-mais trocados, hora de ir embora. E não é que eu me perdi em Florença…

Foram duas horas e pouco de show - acabou bem perto da meia noite. Com os ouvindos zunindo, saio por outro portão numa praça que já havia passado de ônibus. Procuro um ponto e caminho até lugar nenhum. As ruas raramente tem placas, então sigo o instinto (inseguro). Ali pelas 00h40 encontro o Rio Arno, e o rumo de casa. Compro um panino, uma coca e vou encontrar Lili, que estava preocupada. Sem problemas, a noite em Florença é bela.

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Leia o diário de viagem Europa 2009 completo aqui

Julho 20, 2009   No Comments

O rádio acaba de avisar: 35 graus

A Torre Pendente em Pisa

Vou te contar: não é mole não. Descemos em Pisa, na Itália, ontem com um senhor sol às 14h. Não perdemos tempo. Deixamos nossas mochilas (a minha já está pesando 19 kilos) no guarda-volumes da Estação Central da cidade e fomos caminhando até a Torre Pendente, mundialmente conhecida como Torre de Pisa. E ela é uma graça. Mesmo.

A Torre começou a ser construída em 1174 para abrigar o sino da catedral da cidade, mas terminado o terceiro andar, notou-se uma leve inclinação em razão de um afundamento do terreno. Tentou-se compensar a falha fazendo os outros andares maiores do lado mais baixo, só que a estrutura afundou ainda mais pelo excesso de peso.

A torre acabou de ser erguida, inclinada, em 1350, atingindo 56 metros de altura, e permaneceu fechada durante toda a década de 90 para que arquitetos tentassem recuperá-la. Houve uma estabilização na inclinação, e ela foi reaberta ao público em 2001, que pode subir até o topo em pequenos grupos e observar a cidade (como na foto acima).

Não subimos por falta de tempo (embora duvido que Lili fosse topar subir os 294 degraus), mas aproveitamos a sombra da torre, tomamos um gelato e curtimos a visão da praça dos milagres (do século 12), local em que fica a belíssima catedral, a torre pendente (leia mais sobre ela aqui) e um cemitério que compreendem o complexo arquitetônico da Escola Toscana.

Vista da Piazzale Michelangelo em Firenze

Falando em Toscana. A região é uma bagunça, mas é bela. Já em Florença, sofremos para nos localizar mesmo com várias informações detalhadas do Hostel que avisou por email em letras garrafais: FECHAMOS ÀS 19h30. Com muito sufoco conseguimos chegar às 19h27 (culpa do trem, que atrasou quase 20 minutos, do trânsito absurdo e da falta de placas de informações).

Florença é uma cidade linda. Ok, estou sendo um pouco condescendente, pois eu e Lili discutimos muito a noite passada sobre modos de ver o mundo. Florença, em um primeiro momento, não me seduziu. Achei a cidade toscana… tosca (com o perdão do trocadilho infame). Mas depois de subir para a Piazzale Michelangelo, onde se tem uma vista absurdamente linda da cidade, não tem como endurecer o coração sem perder a ternura.

E hoje, caminhando, pelo centro histórico, belíssimo, entendo a paixão do mundo por esta cidade, que já ditou moda e arte para o mundo (função que Londres e Nova York são responsáveis hoje em dia), e permite olhar obras magníficas em seus museus. Ainda não fomos ao principal museu da cidade, mas já passamos pelo Museu del Bargello, que tem o “Davi”, de Donatello e o sensacional e junkaço “Baco“, de Michelangelo (mais aqui).

Uma das grandes atrações de Florença é a impressionante Catedral Di Santa Maria Del Fiore, com uma fachada de deixar a alma sem ar, e um interior mais modesto, que perde em pompa e acabamento para igrejas britânicas e francesas. Em frente há o Batistério di San Giovanni, construido entre os séculos 5 e 9, local em que Dante Alighieri foi batizado e que inspirou detalhes de sua “Divina Comédia”.

Bem, não sei pq, mas os sinais que estavam todos funcionando no teclado, começaram a dar pau (estou voltando ao control c control v). A felicidade durou pouco (hehe), mas já comemos uma pasta, uma bruschetta e tiramos esse tempo de internet para descansarmos. Queremos ver o grande museu da cidade na parte da tarde, e espero ter forças para ir ao Mogwai, que toca aqui hoje à noite. Espero conseguir. Agora, ao sol.

 Firenze

Fotos da viagem:
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Julho 17, 2009   No Comments

Pensamentos movidos à base de cerveja

Berlim, Berlim, Berlim. Eis uma cidade que mexe bastante comigo. Na primeira vez que estive aqui, ano passado, passei bastante mal. O ar pesado, as lembrancas de guerra em cada esquina, Berlim parece uma cicatriz viva que nao consegue se fechar. Tenho amigos que amam essa cidade, e nao posso negar, ela mexe comigo. Muito embora, desta vez, parece que a dor tenha sido menor. Parece que estou me acostumando à cidade, aceitando seu passado, que me incomoda demais.

Imagino que deve ser mais ou menos essa aceitacao que um berlinense (em particular, e o povo alemao no geral) sinta em relacao a esta cidade e ao seu país. Por mais que eu quisesse (e deus, eu nao quero mesmo - risos), eu nunca poderia negar a brasilidade que circula pelo meu sangue. No fundo, amamos o nosos país (cada um o seu) e o aceitamos como ele é, mas sentimos as dores de sua história (passada e presente) vez em quando como uma dor de cabeca que nos acompanha a vida toda.

Para Lili, Berlim é pop e eficiente, mas logo que chegamos ela sentiu o peso do humor das pessoas. Enquanto em Londres, Paris, Bruxelas ou mesmo Bruges há música na rua, pessoas sorrindo nos cartoes postais da cidade, clima de festa, em Berlim nao. Aqui se ouve o barulho dos carros durante o dia, e talvez seja mesmo o que amigos já me disseram: Berlim é noturna, cidade de festas, baladas e dos anjos de Win Wenders em “Asas do Desejo” observando a multidao do alto da Coluna da Vitória.

Nossos dois dias em Berlim foram agitadíssimos. Visitamos a East Side Galery, um longo trecho de 1.300 metros do Muro de Berlim às margens do Rio Spree que teve sua face pintada por diversos artistas criando uma sensacional galeria à céu aberto. Dali fomos para o Museu do Judaíco, obra espetaculosa (mas que nao me comoveu) do arquiteto Daniel Libeskind repleta de simbolismos, alguns óbvios e tolos, outros bem interessantes, mas que peca como acervo. Vale a visita ao prédio (aqui).

Nossa próxima parada foi em um boteco turco para comermos a segunda pizza ruim da viagem, passarmos pelo Checkpoint Charlie, pelo Topografia do Terror (outro museu à céu aberto, localizado no local onde era o QG de Hitler e perto de um pedaco em pé do muro). Os vendedores ambulantes que tanto me enojaram ano passado vendendo de fardas  até máscaras de gás continuam lá, e o item capitalista do momento sao carimbos da antiga RDA no passaporte. :/

Dali passamos na Postdamer Platz e pegamos a linha 100 (que quase parece um onibus de turismo, pois passa por diversos pontos históricos da cidade) e fomos até Alexanderplatz, admirar a Fernsehturn, a Torre de Televisao que era orgulho da RDA, e que Lili achou tremendamente Jetsons, e passar pela regiao dos museus, da belíssima catedral, da Bebelplatz (local em que os nazistas queimaram livros) até chegar ao Portao de Brandemburgo e ao Parlamento Alemao. Claro, subimos para conhecer a cúpula de vidro do bambambam Norman Foster (uma bela vista da cidade, viu).

Para relaxar, uma pausa no Tiergarten (o imenso jardim da cidade) para 500 ml de Paulaner de trigo para mim, e um sorvete para Lili. Passamos ainda no Memorial do Holocausto e cometemos o segundo erro de pegar a conducao errada na viagem, pelo mesmo motivo. Na Bélgica, queriamos ir para Leuven (ou Louvain) e pegamos um trem para Louvain, mas fomos parar quase na Holanda. Em Berlim, estamos na Grunewald Straße, e pegamos um onibus para a Grunewald… bairro. Achamos estranho quando saimos do mapa, mas voltamos salvos para o apartamento. hehe

Ainda visitamos as ruinas da Catedral Kaiser Wilhelm Gedäcgtniskirche, um dos simbolos locais, que fica ali pertinho do Europa Center e do Zoológico, e que impressiona bastante. Severamente bombardeada durante a segunda guerra mundial, a catedral foi mantida tal qual ficou após os ataques, e uma maquete “antes e depois” compara a regiao e as duas versoes da catedral. Por fim, visitei a minha loja de CDs predileta na cidade, mas sai frustrado: eles nao aceitam mais cartoes de crédito, e a essa altura da viagem, nada de compras à vista.

Porém, encontrei uma loja extremamente sensacional ali perto do Europa Center (esqueca a enorme megastore Saturn) chamada Cover Music, com um acervo sensacional de CDs e, principalmente, vinis, muitos deles piratas. Agora sou um feliz possuidor de um exemplar do raríssimo bootleg em vinil “On Strike… Or Songs The Lord Taught Us”, do Echo and The Bunnymen. E tinha tanta coisa lá (de piratas do Sonic Youth, Bob Dylan e Bruce até todos os singles do Radiohead em vinil 7 polegadas) que até cogito visitar essa cidade um dia só para voltar na Cover Music.

Essa é nossa última noite em Berlim, e apesar de me sentir um pouco mal aqui, parte o coracao partir. Minha visao mudou um pouco, o que me comforta, mas ainda nao sei se, um dia, eu moraria aqui. Nao sei, mas já acendeu a vontade de pesquisar outros cantos da Alemanha como Dresden, Hamburgo, Dusseldorf, Colonia, a Bavária e, claro, Aachen, a cidade em que mora o grande Carlos, companheiro de viagem e fonte inesgotável de boas dicas (de lugares e shows). Meu sangue alemao ainda visitará esse país novamente. Com certeza.

Nesta quinta comeca a parte italiana de nossa viagem. Acordamos cedo e partimos para o aeroporto de Schönefeld   para mais um voo Easyjet (já perdi a conta de quantos foram). Descemos de aviao na Toscana ali pela hora do almoco, mais precisamente em Pisa, para olharmos a torre torta, comermos alguma massa e partimos na mesma tarde para Florenca, nossa casa por tres dias. Dali, Roma (com Bruce, Trent Reznor e Tv On The Radio) e Veneza e entao o trecho espanhol, com Barcelona e Madri fechando o mochilao.

Meu tenis Adidas, que comprei para o mochilao do ano passado, abriu o bico. A idéia era passar em uma loja da própria marca, que é alema, e comprar um novo, mas os precos estao proibitivos. Os modelos bacanas estao entre 80 e 120 euros. Os mais ou menos saem por 50, 60 euros. Recorri a uma Second Hand (nossos populares brechos, que existem aos montes na regiao de Warschauer Strasse) e achei um tenis ótimo por 23 euros. Agora, pé na estrada e mochila (de quase 2o quilos nas costas). Parlamos mais amanha, ok.

Ps. Mais de mil fotos nos flickrs meu e de Lili. Olha lá. :)

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Julho 15, 2009   No Comments

Correndo e pedalando daqui pra lá

De Berlim (Ocidental):

As coisas no supermercado ao lado do hotel sao tao baratas que até nos assustamos. E a internet, na esquina, rápida, com teclado parecido com o nosso e alguns acentos, meus amigos, voltaram (só alguns). Bem, vou direto rememorar tudo o que aconteceu no domingo e hoje e zerar o diário para comecarmos novinhos amanha.

Domingo

Acordamos cedo com o propósito de fazermos uma aventura: alugar uma bike cada um e ir para Damme, cidade que fica a 5 km de Bruges, tomar um dos melhores chocolates quentes da Europa. Claro que nao só para isso, mas também para curtir o passeio e fazer como os belgas: andar de bicicleta.

O dia amanheceu nublado, mas nao desistimos do plano. Alugamos nossas bikes e lá fomos nós margear o rio até pegar a auto-estrada. No caminho passamos por uma feirinha, dessas de tralhas e trecos, e parei em uma barraquinha que tinha uns CDs à venda. Sou um feliz possuidor do “Live 81-82″ do Birthday Party que custou… 4 euros.

Lili acha que fizemos os 5 km entre uma cidade e outra em menos de meia-hora, mas nao sei. O tempo ficou estável, caiu uma garoinha, e depois abriu o sol. O trecho entre as cidades era bucólico: o rio ao lado, vaquinhas pastando com moinhos de vento ao fundo, algumas casinhas e muito, mas muito verde.

Entramos em Damme, que merece a sua visita caso voce vá um dia para Bruges, pela avenida principal e logo achamos o Tante Maria, o tal local do chocolate quente. Chegamos com fome, entao abracamos o menu de 16 euros por pessoa. Escolhi o menu Lorraine (quiche com bacon, saladinha e e focaccia de presunto parma - veja aqui) enquanto Lili foi de menu fish (croquete de camarao, quiche de salmao e tomate recheado com camarao - veja aqui).

Vou contar: passei as últimas 30 e poucas horas ouvindo Lili falar o quao bom era o tal do croquete de camarao. O argumento dela é que croquete é algo tao normal, que a gente nao espera nada, e o tal que ela comeu era surpreendente bom, algo que ela nunca esperava que pudesse acontecer. Tudo bem, saiba que ela já tomou, em Paris, a melhor sopa de cebola da vida dela…

Bem, almoco terminado, o bom chocolate quente tomado (vale a sua ida até o lugar), e hora de pedalar de volta para Bruges. Trocamos os 5 km de pedaladas por uma volta de barco bebendo cerveja belga e admirando a paisagem. Passeio bucólico e delicioso para revigorar para a última noite do Cactus Festival.

O passeio de bike fez com que perdessemos o show do !!! e, quase, Magic Numbers. Pegamos as tres últimas músicas da banda fofinha mais bacana sobre um palco do planeta. Nao gosto deles em disco, mas o show é bastante divertido e animou muito o público do festival.

Na sequencia foi a vez do septeto Calexico tentar fazer o público gingar, no que eles podem até se dar por satisfeitos: umas dez ou doze pessoas chacoalharam enquanto a multidao assistia impassível (e apluadia efusivamente no final). Parece que eles nao estao gostando, e quando a música termina eles vibram e aplaudem. O ponto alto foi a já costumeira e empolgante versao de “Alone Again Or”, do Love. De fazer chorar, viu. O show tem altos e baixos, mas é de responsa.

Hora de comer no Cactus Festival, mas o que escolher? A variedade é imensa. Tem desde de barraquinhas de comida tibetana, japonesa, italiana, senegalesa, arabe, indiana, francesa, vegetariana até os famosos pratos locais sem contar as barracas de cerveja, refrigerante, narguilé, crepes, waffles, sucos de frutas e o escambau. Acabamos no final optando pelas tradicionais fritas com maionese, mas dá dó de lembrar como passamos fome nos festivais brasileiros.

Já tinhamos planejado no dia anterior deixar de lado Joss Stone, que iria fechar a noite de domingo, mas até que fiquei com uma vontadezinha de ver a garota, no entanto, ela cancelou de última hora, e Jamie Lidel foi escalado para substitui-la. Preferimos nos despedir da cidade fotografando-a durante a noite (até esbarramos com o pessoal do Calexico, encantando com a beleza medieval da cidade).

Segunda

Acordamos às 8h30, arrumamos a mala e fomos tomar o café que a Maria havia feito para nós. Pecado: ainda nao falei da Maria. Bem, ela é a dona da casa que alugamos o quarto para ficarmos em Bruges (via Hostelword), e é uma mama estilo italiano que comeca falando em ingles, no meio da frase está em italiano e termina com coisas em espanhol, holandes ou todo junto. Uma jóia de pessoa.

Assim que chegamos no sábado, ela nos levou até a mesa e nos deu dicas de onde comer a melhor comida por precos justos (fugindo dos restaurantes caca-turistas), onde encontrar a melhor cerveja da regiao e onde devorar os melhores chocolates. E ainda escreveu em um papel um recado para o cara do barco nos dar um desconto. Querida demais.

Nos despedimos dela e… comecou a correria. Chegamos na hora na estacao de Bruges, compramos passagens para Bruxelas, entramos no trem e… esquecemos uma sacola com um vinil raro (que comprei a pedido do Wagner), os posters da Shakespeare em Co, presentes e todas as passagens e reservas de hotel e albergues impressas. Falamos com o cobrador e ele foi ironico e sacana: “Nao posso parar o trem. Voces descem em Bruxelas e voltam”.

No fim, nao descemos em Bruxelas, e sim em Gent, a parada seguinte. Acabamos voltando para Bruges mais cedo que imaginavamos, mas deu tudo certo. O senhor que nos vendeu a passagem avisou que a sacola estava no “Achados e Perdidos” da estacao, e conseguimos pegar o próximo trem para Bruxelas tendo como prejuizo uma hora perdida e 25 euros de passagens.

Em Bruxelas, mais correria. Almocamos ao lado da Grande Praca, babamos nos waffles, andamos na rua que cheira a chocolate, olhei e comprei CDs em uma loja bacana (veja aqui) e… nos atrasamos para o voo. Ainda mais que o guiche da Easyjet ficava nos cafundos do aeroporto, mas o voo atrasou e chegamos em tempo. Preciso urgentemente de uma cerveja. E cama. Amanha volto com impressoes sobre a Alemanha, ok.

Fotos da viagem:
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Julho 13, 2009   No Comments

Adeus Belgica, oi Alemanha

De Brussels, ou Bruxelles, ou Bruxelas:Passamos na Grande Praca para nos despedir, encontrei uma lojinha de vinis e CDs sensacional na rua do boneco mijao e, agora, soh voltamos a dar noticias de Berlim, onde chegaremos hoje a noite. Muitas coisas bacanas sobre o dia de ontem para contar desde passeios de bicicletas ate a cidadezinha de Damme, a noite em Bruges, mais cervejas, mais shows (a fofura de sempre do Magic Numbers e a festa texmex do Calexico) e sacolas esquecidas na estacao de trem. A Easyjet nos espera, jah nos falamos novamente.

Ps. Jah dissemos, mas nao custa lembrar: as ruas ao lado da grande praca de Bruxelas cheiram chocolate.

Ps 1. Parto deixando para tras centenas de cervejas sensacionais. Lutei muito comigo mesmo para combater a vontade de levar um pack com seis Duvel para o Brasil, mas temos tantos aeroportos pela frente ainda que seria um transtorno carrega-lo. Paciencia.

Ps 2. Alexandre, nao subimos na torre de Bruges (perdi a hora, mas tambem, um puta sol as sete da noite), vai ficar para a proxima, mas passeamos de barco na volta de Damme para Bruges.

Julho 13, 2009   No Comments

Uma festa do interior… na Belgica

Bruges é uma cidadezinha a 97Km de Bruxelas cujo charme medieval é seu maior atrativo. Seu centro do século 13 é o mais bem preservado de toda a Europa e é uma volta no tempo, muito embora a quantidade de turistas superlote suas pequenas ruas. É uma mistura de Gramado com Ouro Preto (com cervejas e chocolates melhores).

A cidade esta lotada. Turistas ficam embasbacados nas vitrines das lojas de chocolate e cerveja enquanto se entopem de batatas fritas, que os belgas defendem serem os pais. Rapazes da cidade pedalam vestidos de freira pelas ruas medievais. O clima é o melhor possivel.

É no principal jardim da cidade, o Minnewater, que acontece o Cactus Festival, um dos cinco festivais mais bacanas da Bélgica (entre os mais de 50 que eles devem promover no verao), cujos mais famosos sao o Rock Werchter (eleito pela liga dos festivais europeus o melhor festival do verao quatro vezes nesta década), o Pukkelpop e o Lokerse Fest (que neste ano terá Manics em agosto).

cactus.jpg

O Cactus lembra, e muito, uma festa de cidadezinha do interior com criancas andando pelo parque, senhoras e senhores conversando em bancos e uma variedade de comida surpreendente (além, claro, da boa cerveja belga em tres versoes: Pilsen; de trigo e de cereja) destacando-se os waffles de nutella, as fritas e os sanduiches de braadworst.

A criancada passa o tempo todo recolhendo copos de plástico de cerveja e garrafas de refrigerante para trocar em um posto de reciclagem que paga 0,10 cents de euro por cada item. Os portoes abrem às 11h da manha, e o primeiro show comeca 12h30, mas o publico está no festival nao só para ver os shows, mas pq o lugar é um ponto de encontro da cidade.

A grande diferenca em relacao ao Brasil (além da organizacao impecável, dos banheiros masculinos ao ar livre, da cerveja e da variedade de comida) é que aqui nao tocam duplas sertanejas, heróis da Jovem Guarda e da época de nossos tataravos, mas sim bandas novas como o Cold War Kids, lendas do cenário independente como Greg Dulli e Mark Lanegan e genios como Paul Weller. Bem, talvez seja a mesma coisa, né mesmo.

Ah, e eles falam o flamengo, uma mistura de holandes, frances e alemao que dá a perfeita sensacao que todo mundo ao seu redor está falando ao contrário. Panico total (risos). E tambem andam de bicicleta: mais de mil ficam “encostadas” do lado de fora do parque. Jo Gideon and The Shark, Black Box Revelation e Joan As Police Woman abrem o dia, mas só chegamos para a quarta atracao.

O Cold War Kids surgiu mostrando as músicas excelentes de seu álbum de estréia mais as fracotes do segundo disco - que cresceram ao vivo. Bom trabalho de guitarras, boa performance de palco, e “We Used to Vacation” é uma graaaaande cancao. É bom ficar de olho no terceiro disco desses caras, pois deve vir coisa boa.

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Na sequencia, Gutter Twins em momento acústico: Greg Dulli em um violao (e teclados e gaita), Mark Lanegan impassível no centro e Dave Rosser no outro violao. Único problema do show: foi curto demais (veja o set list aqui). Mas vou dizer que quase chorei em “Sworn and Broken”, do álbum “Dust”, último do Screaming Trees. E “Summer Kiss”, do Afghan Whigs, arrepiou.

Intervalo, show do Novastar (banda da casa que parece uma mistura de Fito Paez com Coldplay e levou mais público para frente do palco do que qualquer outra atracao do dia) e… Paul Weller. No palco, o ex-líder do The Jam parecia um menino de tao feliz e agitado. O show - centrado no excelente “22 Dreams” - de duas horas foi impecavel, daqueles de fazer muita bandinha inglesa nova voltar pra garagem. A garoazinha, jah no bis, terminou de lavar a alma.

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Julho 12, 2009   No Comments