Category — Europa 2008
E as férias comecaram…
Na teoria, as férias comecaram ontem. Acordei descansado, andei de chinelos na praia de Málaga, caminhei horrores pela cidade e quase comi uma paella. Quase, mas nao tenho coragem. Na prática, só encaro os shows que esbarrarem em mim em Paris e Londres. Nada de Tom Waits em Dublin nem de Leonard Cohen em Roma (Carlos, eu cogitei), pois já fiz as contas e a grana está contada. Como era de se esperar, gastei mais do que devia, claro, mas está tudo sob controle. Dá para ver algo sem se deslocar muito. Ou de graca. E olhe lá.
Definitivamente, a Espanha é a minha cara. Amei Málaga também, mas preciso dizer que esse sol constante de 30 graus está castigando a minha pele branca. Já estou quase terminando um frasco de protetor solar, e isso nunca tinha acontecido comigo. A cidade é uma graca. Traz tracos romanos e foi território fenício no século VIII. Há escavacoes de um teatro romano (do século I depois de Cristo) no meio da cidade, e debaixo do Museu Picasso há ruínas de construcoes fenícias e romanas. A cidade é uma graca, com um centro bonito e boêmio, e uma igreja tao imensa que toda populacao da cidade deve caber dentro dela.
Isso tudo fora o Castelo de Gibralfaro, que fica no alto da cidade, data do século XIV, e brilha todas as noites sob a luz da lua. De dentro dele é possível ter uam vista maravilhosa da cidade, da Plaza de Toros abaixo e até de montanhas do estreito de Gibraltar. Aliás, lembra que eu tinha deixado um dia vago para pensar em ir a Gibraltar ou Sevilha? Desisti. Muito peso pra carregar. O problema é que o albergue que estou nao tem mais vaga, e estou indo pra outro agora, mais no centro da cidade.
Também passei pelo Museu Picasso, o primeiro museu da viagem. Como devo voltar para uma viagem mais leve e sem tantos festivais no ano que vem com a Lili (quem sabe o Fib), e sei que ela irá querer ir a muitos museus e que vamos ter um belo tour arquitetônico pelas cidades, estou focando em outras coisas. Mas como nao devemos vir a Málaga, passei no Museu do filho famoso da cidade para dar risada com suas obras hilarias. E tem uma exposicao de fotos sobre o artista que achei bem bacana.
A parte cubista tem coisas sensacionais - e divertidas - como “A Mulher com Bracos Levantados” (1936) e “A Mulher Desnuda com Gato” (1964). Das minhas preferidas, duas: ”Claude em Marron e Branco” (1950) e “Menina com sua Boneca” (1952). É possível ver a maioria da colecao no site oficial do Museu Picasso Málaga (aqui). Ainda quero ver o “Guernica” em Madri e passar um dia inteiro no Louvre, vamos ver. Agora sao 10h aqui, 5h no Brasil. Sol forte. Vou trocar de albergue agora, voltar pra praia e conferir a agenda de shows em Paris de 27 a 30 de julho, e Londres de 01 a 06 de agosto. Passagens devidamente compradas.
Cervejas
01- Duvel (Bélgica) 8,5%
02- Leffe (Bélgica) 6,5%
03- Voll-Damm (Espanha) 7,2%
04- Mahou (Espanha) 5,5%
05- Kostriker (Alemanha) 4,9%
06- Orval (Bélgica) 6,2%
07- Amstel (Espanha) 5,0%
08- San Miguel (Espanha) 5,0%
09- CruzCampo (Espanha) 4,8%
10- Tennents (Escócia) 4,5%
Cidades
01- Barcelona (Espanha)
02- Leuven (Bélgica)
03- Berlim (Alemanha)
04- Málaga (Espanha)
05- Glasgow (Escócia), Bruxelas (Bélgica) e Bournemouth (Inglaterra)
Shows
01- Leonard Cohen (Benicàssim)
02- Radiohead (Berlim)
03- Lou Reed (Málaga)
04- Morrissey (Benicàssim)
05- R.E.M. (T In The Park)
06- Pogues (T In The Park)
07- Sigur Ros (Benicàssim)
08- Neil Young (Werchter)
09- The National (Werchter)
10- Spiritualized (Benicasim)
11- Grinderman (Werchter)
12- Vampire Weekend (Werchter)
13- American Music Club (Benicàssim)
14- Raconteurs (Benicàssim)
15- The Hives (Werchter)
16- Babyshambles (Benicàssim)
17- British Sea Power (T In The Park)
18- Richard Hawley (Benicàssim)
19- Sons and Daughters (T In The Park)
20- The Verve (Werchter), Gossip (Werchter), Nada Surf (Benicàssim), Ben Folds (Wertcher), The Kills (Benicàssim), The Ting Tings (T In The Park)
Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta
Julho 23, 2008 No Comments
Lou Reed em Málaga
Acordei na segunda-feira destruído. Fisicamente e emocionalmente, afinal ver The National, Morrissey e Leonard Cohen (aqui) seguidos é um teste para qualquer coração, mas o tempo é curto e tinha muita correria pela frente. Dez quilos de bagagem nos braços mais 18 quilos nas costas, e lá vamos nós para a estação de trens. A viagem de Castellon para Barcelona foi ok. Lembra que eu tinha só seis minutos entre desembarque, comprar passagem e embarcar em outro trem? Então, rolou. O que eu nao contava era com um congestionamento de malas de rodinhas no El Prat, o aeroporto internacional de Barcelona!!!!!
Era uma multidão de gente querendo entrar no aeroporto e uma multidão de gente querendo entrar no trem, que a muvuca causou um “congestionamento”. Sério. Agora imagina: eu tinha 15 minutos pra fazer o check in, e fico quase 10 parado numa situação surreal dessas? Assim que o congestionamento se desfez, fui procurar o guichê da Vueling, companhia barateira que faz vôos nacionais na Espanha. Claro: o guichê deles ficava no quinto dos infernos do aeroporto, e lá vou eu correndo com quase 30 quilos de bagagem. Cheguei quando já anunciavam: “Última chamada do vôo para Málaga”.
Em Málaga, os termômetros do aeroporto Pablo Ruiz Picasso, ilustre filho da cidade, marcavam 32 graus. Pela primeira vez na viagem tive que recorrer a um taxi, após vagar a esmo tentando encontrar o albergue, sem sucesso. Detalhe: nem os taxistas sabiam onde ficava o lugar. Liga pra cá, pergunta ali, e encontramos (e nem é fora de mão nem nada, vá entender). Tentei achar uma internet, mas só há “peluquerias” na região. Quando achei um locutório, um e-mail da produção do show de Lou Reed avisava que haveria um atraso:
“Estimado Usuario: el concierto de LOU REED previsto para hoy día 21 de julio de 2008 a las 21.30 horas ha sido retrasado por necesidades de producción, dada la complejidad del montaje, el espectáculo comenzará a las 22.00 horas, media hora más tarde de lo previsto inicialmente. Si tiene alguna duda adicional, por favor póngase de nuevo en contacto con nosotros.”
Não tem jeito, primeiro mundo é outra coisa…
Fui caminhando do albergue até o Teatro Cervantes para observar a paisagem e me apaixonar pela cidade, e cheguei ao teatro cinco minutos antes do show. Pessoalmente, não achava que esse show iria me abalar tanto quanto o fim de semana em Benicassim com Leonard Cohen, Morrissey e Spiritualized, mas então eu entro no teatro, lindo (lembra o Theatro Municipal de São Paulo, mas é menor, com 1104 lugares, e mais charmoso), datado de 1870, e vejo que o meu lugar, fila 1, cadeira 18, é realmente de frente ao palco: não dava para acreditar. Precisei beber uma cerveja no saguão para ajustar os ânimos.
Quando a organização mandou o e-mail falando da “complexidade da montagem”, não estava brincando. O cenário é belo, com um sofá de três lugares pendurado no teto simbolizando um decadente quarto de hotel, a New London Childrens Choir (coral infantil com doze crianças) do lado esquerdo do palco, sete membros da London Metropolitan Orchestra do lado direito, mais a banda com sete integrantes - incluindo Steve Hunter, guitarrista original do álbum - e, claro, o próprio Lou Reed. Não se engane: estamos diante de uma ópera rock!
“Berlin”, lancado em 1973, foi o terceiro disco solo de Lou Reed após sua saída do Velvet Underground, e vinha na seqüência do sucesso conquistado pelo single “Walk On The Wild Side” e pelo disco “Transformer”, um ano antes. Seguindo a mesma temática de seu principal hit, porém, afundando as canções num dramático lodo orquestral, Lou fotografa a depressão romântica de um casal drogado na Berlim (Oriental) ainda dividida pelo muro. Ela (Caroline) acaba, por fim, cortando os pulsos. Ele (Jim) lamenta a perda daquela que ele acreditava ser a sua Rainha da Escócia.
O show que comemora 35 anos de lançamento do disco começa com Bob Ezrin, produtor do disco, subindo ao palco. Ele fala um pouco da apresentação, lembra que Málaga é o encerramento da turnê, e chama Lou Reed ao palco. Lou entra de camiseta qualquer nota vermelha. Ele está aparentemente bem mais velho do que da última vez que o vi, em 2001, no Credicard Hall (resenha aqui), mas ostenta ainda aquela cara de poucos amigos que fez sua fama. Ele pega sua Fender, olha para o coral e as crianças começam o show cantando a melodia de “Sad Song”. Arrepia.
“Berlin”, a música, comeca suave com seus clássicos dedilhados de piano que contemplam a felicidade do casal. Guitarradas marcam a entrada de “Lady Day”, e aqui o coral de crianças e a orquestração encantam. “Men of Good Fortune” (aquela que diz que “os homens de sorte, muitas vezes, provocam a queda de impérios”) surge com Steve Hunter estracalhando na guitarra e o bom backing de Jeni Muldaur se destacando. “Caroline Says (I)” causa o primeiro momento de histeria na platéia, mas é com a linha de baixo de “How Do You Think It Feels” - numa versão chapante - que o teatro quase vem abaixo.
Lou Reed não se dirige ao público em nenhum momento. Ele sorri para Steve Hunter e para o baixista Fernando Saunders após alguma boa passagem instrumental e e só. Quando, em “Oh, Jim”, ele leva a base da canção sozinho na guitarra (com Steve fazendo pequenos solos), o público tenta acompanhar nas palmas, mas ele muda o andamento, quebra o ritmo, e o público se perde. A versão, no entanto, é poderosa, e marca a passagem do disco (lado b) e do show para a parte trágica da história do casal.
“Caroline Says (II)” surge numa versão fantasmagórica, com Saunders tocando violino enquanto Lou narra a degradação do romance. Jim bate em Caroline, que não pára de se drogar, e é apelidada pelos amigos como Alaska. “Está tão frio no Alaska”, canta Lou acompanhado do coral infantil no final do canção. “The Kids” é… foda. Foda. Lou repete o verso inicial várias vezes aumentando a tensão sob uma base limpa de violão: “Eles tiraram os filhos dela, porque, dizem, ela não é uma boa mae”. Jim está cansado e não está mais feliz.
“The Bed” é de chorar. Canta Lou: “Este é o lugar onde ela deitava a cabeça quando ia para a cama à noite / Este é o lugar onde concebemos os nossos filhos, velas acesas iluminavam o quarto / Este é o lugar onde ela cortou os pulsos naquela estranha e fatídica noite”. O coral de crianças intervem no trecho “oh, oh, oh, oh, oh, oh, what a feeling” e é preciso ter muito sangue frio para não se deixar levar e se emocionar. “Sad Song” retorna para fechar o show com toda sua tristeza em forma de orquestração rock and roll.
Após mais de dez minutos de incessantes pedidos de bis, Lou retorna ao palco e fala sobre o disco, apresenta as mais de 30 pessoas envolvidas, e comeca um improviso de guitarra que se transforma em ”Satellite of Love”. “Rock and Roll”, do Velvet, vem na seqüência. E “Power Of The Heart”, canção inédita disponível para download no site Cartier. Love (vá na barra do menu, clique em Love Music, espere aparecer a foto de Lou Reed e baixe aqui) encerra a noite de gala. Já se passaram da meia noite, mas volto para o albergue caminhando, olhando a luz da lua e admirando a beleza da cidade. Esse show me trará sempre a Málaga. Durmo feliz.
Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta
Julho 22, 2008 11 Comments
FIB 2008, Domingo
Eu juro que não estava preparado emocionalmente para o que iria acontecer no último dia do Festival Internacional de Benicàssim, edição 2008. Juro. Se eu conseguisse ter imaginado que tudo que aconteceu fosse realmente acontecer, talvez até tivesse medo de ter um infarto fulminante em meio ao público, sacumé, tem coisas que o coração pode não aguentar mais. O coração, neste momento, ainda bate. O corpo está um caco e não sei se me recuperei emocionalmente ainda. Vamos ver…
Acordei às 13h para postar o texto do sábado e ir tentar almoçar com o pessoal do Alto Falante. Cheguei no hotel e ainda deu tempo de ver Nelsinho Piquet subir ao podium com Felipe Massa (vou ter que falar que o Galvão Bueno espanhol fala muuuito mais do que o nosso), se preparar para o almoço (hamburguer, fritas, salada e cerveza) e rir das histórias dos mineiros (”Esse pueblo de Lula es muy confuso”). Os próximos programas prometem, especialmente o gravado em Abbey Road.
Uns quinze minutos de caminhada e um sprint de 200 metros pra não perder o começo do show e lá estou eu novamente frente ao The National, que numa tenda sob um sol de sabe se lá quantos graus (muitos) apresentou suas pérolas românticas doloridas movidas a guitarradas, teclados atmosféricos e violino. O show foi um repeteco da brilhante apresentação no Werchter, semanas atrás, com “Baby, We’ll Be Fine”, “Fake Empire”, “Mistaken For Strangers” e uma estracalhante versão de “Mr. November” fechando a noite de sol. A “noite” só estava comecando.
Pontualmente às 20h, Leonard Cohen adentrou ao palco do festival com os dez personagens que transformam em música suas letras/poesias. Olha, é difícil demais falar sobre esse show. Uma senhora emprestou um lenço para a Juliana enxugar as lágrimas no show de Edinburgh, na quarta anterior. Alguns dias antes, o Carlos falou sobre a apresentação que ele viu em Amsterdam “O Carlos que você conheceu no Rock Werchter não existe mais, agora existe o Carlos pós show do Cohen”. Esses sentimentos são muito mais do que música, transcendem algo que não sei dizer ao certo o que é.
Pra você ter uma idéia, 20 minutos após o show terminado eu ainda estava chorando. A Carol falava: “Calma, respira fundo”. E as lágrimas vinham. Fora os flashbacks horas depois quando eu lembrava do show: “Vou ligar pra Lili pra contar” (e da-lhe lágrimas). “Como vou explicar o que foi “Hallelujah” ao vivo?” (mais lágrimas). Sinceramente: eu nunca tinha sentido o que senti ontem na frente de Leonard Cohen, e depois que ele saiu saltitando do palco após apenas uma hora de clássicos.
Comecou com “Dance Me To The End Of Love”, e algumas senhoras presentes murmuravam: “Essa é a música do meu primeiro amor”. Depois veio “The Future”, valsa do disco homônimo apropriada para apresentar o poeta aos incautos com versos como “I’ve seen the future, brother: it is murder”. E o que falar de coisas como “Bird on a Wire”, “Everybody Knows”, “Who by Fire”, “Suzanne” (com Cohen ao violão), “I’m Your Man” e “First We Take Manhattan”? Nao se fala. Se ouve. Chora. E eu chorei.
O dia já estava ganho, o ano já estava ganho, mas o FIB 2008 ainda reservava surpresas guardando como “brinde” shows de Richard Hawley e Morrissey (que festival é esse em que um show de Morrissey vem como brinde?????). O guitarrista britânico Richard Hawley, que já tocou com o Pulp de Jarvis Cocker no álbum “We Love Life”, levou para a tenda Vodafone todo charme e bom gosto dos fifties, com baladas encantadoras e rockabillys contagiantes. O visual não deixava dúvidas numa mistura de Roy Orbison e Elvis Presley, e o show foi ovacionado pelo público que lotou a tenda.
Já Morrissey, você sabe. Ninguém vai para um show dele esperando ouvir essa ou aquela música. As pessoas até gostariam de ouvir os hits, mas elas vão mesmo a um show de Morrissey para ver Morrissey. Simples assim. O que ele tocar, está valendo. Então comparar o repertório do show no FIB com aquele que vi em Buenos Aires quatro anos atrás é uma tremenda bobagem. Morrissey é o show.
Quer ver: ele entra no palco (com os cinco integrantes de sua banda sem camisa e com jeans preto colado no corpo) e sacaneia: “Spanish eyes, olhem para mim. Vocês querem que eu fale espanhol? Eu vou falar argentino (sic), português, francês, mas não vou falar espanhol”. Ele abre com “Last Of The Famous International Playboys” e finada a canção tenta convencer o público: “Benicàssim, eu estou aqui”. A música na seqüência faz todo mundo duvidar: “Ask”, dos Smiths, aquele riff mastigado, aquela bateria galopante. Será mesmo?
Seguem-se “First Of The Gang To Die”, “That’s How People Grow Up” (”a” música de 2008) e “Irish Blood, English Heart”. Ele volta ao microfone: “Eu sei que as bandas pop espanholas são um lixo, mas tudo bem, as bandas pop inglesas também são, e isso não importa pois.. “The World Is Full Of Crashing Bores”". Ataca o consumo de “animais mortos” no festival, e filosofa: “Garoto namorando garota, garota namorando garoto, garota namorando garota, garoto namorando garoto: tudo é possível”.
Dos Smiths ainda marcaram presença “Vicar In A Tutu”, “What She Said”, “Stretch Out And Wait”, uma versão fodaça de “Death of a Disco Dancer” e “How Soon Is Now?”, fechando a noite após um cover dos Buzzcooks (”You Say You Don’t Love Me”) e “Life Is A Pigsty”, um dos melhores números do álbum “Ringleader Of The Tormentors”. Faltou um mundo de músicas, mas ele próprio, mais do que ninguém, sabe que suas duas camisas arremessadas ao público vão se transformar em centenas de pedacinhos que vão ser guardados como um prêmio por cada uma daquelas pessoas. Ele é Morrissey, e pode tudo.
Eram duas da madrugada e ainda tinha Siouxsie e Viva La Fete no palco principal, mas eu não tinha as mínimas condições físicas e emocionais para seguir em frente. The National, Leonard Cohen, Richard Hawley e Morrissey numa mesma noite e em seqüência arrebenta com o coração de qualquer um. Até ouvi, de longe, “Hong Kong Garden”, mas o festival já tinha acabado - ao menos para mim. Lágrimas ainda escorriam vez em quando pelo rosto. A lembrança do dia perfeito já comecava a se cristalizar na memória. Nunca fui tão feliz após um show. Agora é dancar até o fim do amor pois é assim que as pessoas crescem.
Julho 21, 2008 15 Comments
FIB 2008, Sábado
O dia em Benicàssim comeca depois das 14h. É quando a comunidade branquela do mundo (eu incluso) e alguns poucos morenos acorda e abarrota as praias do balneário procurando um lugar para… dormir (e as meninas, fazer topless). Perdi o trem das 14h30 de Castellon para Benicàssim (assim, cheguei até a entrar no vagao, mas estava na dúvida se era aquele mesmo ou se eu estava pegando um trem para o sentido contrário. Era aquele) e tive que encarar a viagem de ônibus, que geralmente derruba o freguês de sono. Me desencontrei do pessoal do Alto Falante, enconstei em um bar na orla, estiquei as pernas na cadeira e… três Amstel de um litro (cerveja de Sevilha) e eu já estava pronto para o ritual: capotar na praia.
Arranjei um lugar “limpinho”, fiz da mochila e dos chinelos meu travesseiro, coloquei o relógio para despertar às 18h e sonhei com anjos. Acordei às 18h20 e só nao perdi o The Ting Tings pois o show atrasou. Quando coloquei o pé direito na tenda, Katie White e Jules De Martino entraram no palco. Era um dos primeiros shows do dia, 18h40, solzao no alto, e o local estava abarratodo (repetindo a loucura do T In The Park). O duo novamente fez uma boa apresentacao, com algumas criancas na platéia e clima de festa adolescente. “That’s Not My Name” (que bateu no número 1 da parada britanica), “Shut Up And Let Me Go” e “Great DJ” incendiaram a tenda.
Primeira grande comida de bola da viagem: finado o show do Ting Tings, eu, Renata e Carol procuramos um lugar pra armar o boteco e esperar o próximo show. Enquanto isso, para uma tenda com 1/4 de sua lotacao (ou seja, vazia), Jon Spencer levava ao FIB seu projeto paralelo de rockabilly Heavy Trash. Eu bebendo cerveja na grama e Jon Spencer - sem barba e de terninho - mandando ver no barulho na tenda FiberFib. Das coisas que acontece quando o line-up tem mais de 110 nomes confirmados. Pena. Mas vi meia hora de José González (aquele show bonito que a gente já conhece) e três músicas do Brian Jonestown Massacre (eu esperava mais do Anton; acho que o ótimo documentário “Dig!” superestimou a banda).
De volta a tenda FiberFib, novamente com pouca gente, estirei-me no chao a dez passos da grade e vi a performance do American Music Club inteirinha jogado. O vocalista e guitarrista Mark Eitzel (foto abaixo) tira um faca cravada no peito a cada novo número trazendo as cancoes lá do fundo do amâgo, onde você nao acredita que alguém consiga buscar emocao. Eitzel é daqueles caras que poderia ficar rico vendendo honestidade em frasquinhos de 5ml, e o reconhecimento veio no pedido de bis, o primeiro que vi neste festival, mas que o pequeno público fez questao de pedir, e ganhou como presente a pungente e arrepiante ”All My Love”, em versao comovente, de congelar a espinha. Puta show.
Por falta do que ver, tive que encarar um show inteiro do My Morning Jacket. O Thiago, do Alto Falante, definiu bem: “Eles sao até legais em disco, mas em show abusao do rock burrao”. Tem até guitarra flying V. Era isso ou ver Tricky. Fiquei matando tempo até à meia noite, quando Alison VV Mosshart e Jamie Hince entraram no palco do Main Stage. Assumo: se eu nao fosse casado (e ela também), eu pediria a Alison em casamento. Fácil. Ao contrário de Paula Toller, Alison é daquelas mulheres que solos de guitarra podem conquista-la. Ok, nao sao os solos do Kid Abelha, mas sim do The Kills, uma usina de barulho movida a bateria eletrônica e guitarradas. O show, no entanto, foi inferior ao do Campari Rock 2005, e terminou de forma abrupta como um coito interrompido. Alison gosta de partir coracoes e ir embora sem dizer adeus.
Depois de troca-los por Grinderman, na Bélgica, e The Pogues, na Escócia, finalmente me vi frente a frente com o Raconteurs. Jack White conseguiu montar uma banda de garagem com todos os clichês do gênero (para o bem e para o mal). Tem longos improvisos e jams que na maioria dos momentos enchem o saco, mas quando a banda engata a quinta marcha, sai debaixo. Nenhuma música surge tal qual foi gravada em álbum. Eles recriam tudo, e em várias passagens se superam, caso da versao arrasa-quarteirao de “Steady, As She Goes”, mas nao é o show da vida de ninguém. Sao simplesmente quatro bons músicos declarando paixao e devocao pelo barulho. “Many Shades of Black”, com Brendan Benson comandando, foi um dos grandes momentos, mas muita coisa boa do primeiro disco ficou de fora em favorecimento de faixas medianas do segundo. E vamos combinar: Jack White e Michael Jackson podem sair de maos dadas no quesito brancura.
A noite ainda teve Gnarls Barkley (que abriu o show com a festejada cover dos Violent Femmes, “Gone Daddy Gone”) tocando seu álbum de reggae dos anos 2000 (com direito a cover do Radiohead, “Reckoner”, do “In Rainbows”) e sanduiche de bacon com chourizo (aprovado) acompanhado de duas Jake and Coke. Quando cheguei no hotel, o relógio marcava quase sete da manha, e eu precisava descansar, afinal este domingo é o grande dia do FIB 2008: na agenda Leonard Cohen e Morrissey. Amanha, correria: às 9h embarco de trem para Barcelona. Chego às 11h42 e saio correndo do vagao para comprar uma passagem de trem para o aeroporto (11h55), onde preciso estar até 12h35, horário final do check in do vôo para Malága, na Andaluzia, onde tenho encontro marcado com Lou Reed às 21h. Torce por mim. Vai ser muuuuita correria.
Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta
Julho 20, 2008 5 Comments
FIB 2008, Viernes
Almocei cerveja na sexta-feira, segundo dia do Festival Internacional de Benicàssim. Fui encontrar o pessoal do Alto Falante, que está em um hotel de frente para o mar - e para as européias de topless - na própria Benicàssim (invejaaaaa), e quando cheguei eles tinham acabado de almoçar. Fomos para um bar ao lado que vendia cerveja (Heineken) a 1 euro. Chamei pelo garçom duas vezes, para pedir uma tortilla de jamon (omelete de presunto), e ele não veio, então tive que me contentar com a cerveja como almoço.
A primeira coisa que fiz ao entrar no FIB foi ir direto comer um taco numa barraquinha de comida mexicana. Facada: 10 euros, mas valeu, estava bem bom. E estou eu lá, no meio do prato, quando cola uma menina ao lado: “Você fala inglês ou espanhol?”. E eu: “Nem um nem outro, mas diga”. Ela: “Cara, estou com muita fome, você pode me dar um pouco da sua comida?”. O nome dela era Roxanne, era francesa e depois de duas garfadas - cujo sabor deu para perceber em seus olhos - se despediu: “Como se diz bon appetite em português?”
Já tinha acontecido algo assim no primeiro dia, antes mesmo de eu pegar a pulseira do festival. Do lado de fora, uma barraca vendia copos de cerveja de 1 litro por 6 euros. Com o sol a pino, decidi encarar. Uma inglesa colou em mim no balcão e desembestou a falar. E eu: “Calma, calma, devagar”. E ela: “Você é alemão? Fala inglês?”. E eu: “Mais ou menos”. E ela: “Legal, você me entende. Me empresta 2 euros para eu comprar um kebab?”. O atendente, espanhol, comentou: “Você devia ter dito que não sabia falar inglês”. (risos)
Roxanne, a francesa, estava ali para ver Pete Doherty. Os portões para o palco principal foram abertos quinze minutos antes do show, e assim que cheguei perto a vi colada na grade. É interessante observar o fascínio que esse moleque provoca em seu público. Ele preferiu trocar uma das bandas britânicas mais fodas do anos 00 pelo vício em drogas. Depois, deixou uma das modelos mais cool do mundo ir embora. Mas ele continua, chapéu enfiado na cabeca, batida na guitarra marca Mick Jones e pose blasé. Para a infelicidade dos detratores, Pete Doherty está bem vivo.
O show é correto no jeito Pete Doherty de ser: ele emenda uma canção na outra através de riffs clashianos preguiçosos que parecem que vão se desmanchar no ar, mas de repente embalam e revelam uma grande cançãoo. Ao vivo, as músicas do fraquíssimo primeiro álbum crescem e empolgam e as poucas canções boas do segundo álbum, ”Shotter’s Nation”, ficam de fora, com exceção da ótima ”Delivery”. O show não dura nem 40 minutos, mas a banda sai ovacionada após uma versão incendiária de “Fuck Forever”, num daqueles momentos pra não se esquecer.
O New York Dolls vem na seqüência abrindo, de cara, com “Looking For a Kiss” para incendiar a galera. O show, no entanto, é calcado muito mais no repertório do álbum de 2006, “One Day It Will Please Us to Remember Even This”, do que na dobradinha clássica “New York Dolls”/”Too Much Too Soon” (1973 e 1974, respectivamente). E não é só David Johansen que está igualzinho ao Mick Jagger: a própria banda escarra Rolling Stones por todos os poros. Bom show, e só.
Enquanto o Hot Chip abria a noite na tenda FiberFib, o público começava a dolorosa separação: uma parcela para o Vodafone Club que iria receber o Spiritualized e outra (maior) para o Escenário Verde, dito palco principal, que iria abrigar as loucuras guitarreiras de Kevin Shields e seu My Bloody Valentine. Apesar do jornal valenciano El Mundo definir o show do My Bloody como “os setenta minutos mais intensos dos 14 anos do FIB” (leia aqui), só consegui ver o número final, “Soon”, fodido, e um casal tapando os ouvidos criando uma cena divertidíssima.
Só vi o número final pois, enquanto Kevin Shields tocava seus clássicos do inferno, eu estava ajoelhado frente a Jason Pierce, que estava convertendo novas almas com seu Spiritualized. A espinha central do show são as cancões do sensacional “Songs In Accident and Emergency” (traduzindo: “Cancoes de UTI”) que formam um núcleo de fazer o corpo levitar: “Soul On Fire”, “Sweet Talk” e ”Sitting On Fire” são de chorar. Mas é com a versão arrepiante da clássica “Come Together” que Pierce faz um estrago violento no coração dos presentes. Daqueles momentos que você pensa: “Eu nunca mais vou ser o mesmo depois disso!”.
O show foi curto, quarenta minutos, mas serviu para me deixar completamente descoordenado. Sai da tenda Vodafone em estado de transe total e embora a noite ainda prometesse com Róisín Murphy e Mika, o único destino após um show do Spiritualized é o céu, que para mim pôde ser transferido para um banho de três horas na banheira do hotel, tentando entender o que tinha acontecido debaixo da lona daquela tenda do FIB. Assim, melhor não falar mais nada. Mesmo porque não tenho mais palavras. Foi foda. Basta.
O terceiro dia do FIB promete: tem o Ting Tings, José González, The Brian Jonestown Massacre, American Music Club, My Morning Jacket, The Kills, Tricky, Raconteurs e Gnarls Barkley às 3 da manhã. Vou ali pegar uma praia, beber alguns litros de cerveja e tentar comer uma paella, mas eu volto. Eu acho…
Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta
Julho 19, 2008 8 Comments
FIB 2008, Jueves
A XIV edicao do Festival Internacional de Benicàsssim comecou sob um sol escaldante às 19h da quinta-feira. Muita gente ainda chegava com dezenas de sacolas de comida, pilhas e pilhas de caixas de cerveja e barracas em direcao ao acampamento. A praca central do balneário virou campo de guerra: ingleses nadavam no chafariz para fugirem do calor, alemas comiam baguetes enormes e espanhóis observacao a babel com interesse.
Primeira “decepcao”: eu tinha pra mim que o festival acontecia na areia da praia, mas nao, toda a estrutura é montada ao lado de uma estrada que separa o festival do mar. No entanto, a organizacao é de primeira. Ao contrário do Werchter e T In The Park, a maior parte da área ocupada é asfaltada, o que aumenta o calor, mas evita o lamacal em caso de chuva (e choveu anteontem de manha aqui).
Novamente, o shopping rocker junta tudo: tem barraca da Elephant Records vendendo o último CD do Júpiter Maca, as famosas sandálias havaianas, uma tenda convidando o público a assistir a um jogo beneficente entre artistas e jornalistas (será que o Cohen está escalado?), comida de diversas procedências e, claro, cerveja, aqui Heineken, patrocinadora do festival. O copo pequeno custa 2,50 euros. O de um litro sai por 7,50. Vou te dizer: é lindo!
Fui encontrado pela Carol e pela Renata (que nao é a Honorato) no meio do show do Krakovia, que eu nem sei bem o que é, mas sei que é ruim pacas. No comecinho do show do Nada Surf encontrei a comitiva mineira do Alto Falante: James, Thiago e Terence. Atualizamos os papos de shows, trocamos infos sobre bandas novas que vao se apresentar no FIB e marcamos de nos encontrarmos na frente do hotel deles, de frente pra praia em Benicassim. Chato. Ah, claro, brindamos com copos de um litro de cerveja.
O show do Nada Surf (Honorato, você iria amar) foi uma entrega do vocalista e guitarrista Matthew Caws, que aumentou o volume do seu instrumento (mais comportado nos últimos álbuns) e falou em espanhol mais do que o próprio baixista da banda, que é espanhol. Power pop para as massas espanholas, que estava assistindo ao grupo pela quarta vez no festival, e sabia todas as cancoes de cor - mesmo as novas, do bom álbum “Lucky”. Show bonito e competente.
Na seqüência, o Sigur Rós voltou a embalar sonhos roqueiros com uma apresentacao tao irretocável que até a lua - absurdamente cheia - parou para assistir ao grupo. O show foi um repeteco daquele que assisti semanas atrás no Rock Werchter, na Bélgica, com a diferenca de que o público belga era distante e contemplativo enquanto o espanhol “entra” mais no clima, canta (quando é possível cantar) e, mesmo após a cancao terminada, continua fazendo coro com a melodia criando um momento de rara beleza. Seria comum se fosse uma banda comum, mas normal é um adjetivo que nao se encaixa ao Sigur Rós. Eles merecem mais.
Hora de se jogar na grama e tirar um cochilo comendo fritas (muito melhores que as da Bélgica) e se abastecer de coca-cola. Deu para ouvir, de longe, o Mates of State e encarar boa parte do show do Black Lips, grupo norte-americano que mistura o clima flower power com a crueza do punk e empolga ao vivo - principalmente nos rockabillys. O Battles abarrotou a tenda FIB Club e três da manha já era um bom horário para voltar ao hotel e se preparar para a maratona dos próximos dias em que os shows comecam as 17h30 e terminam às 07h45.
Hoje tem Babyshambles - se o Tim Maia britânico nao der cano em mais um festival, e eu tô bem afim de ver Pete Doherty ao vivo - New York Dolls, My Bloody Valentine e Spiritualized tocando no mesmo horário, Róisín Murphy, Hot Chip e Mika. Leonard Cohen toca às 20h do domingao, mas será um show de festival, com uma hora, e nao o show completo que a Juliana viu em Edinburgh na quarta-feira, e que fez ela chorar tanto a ponto da senhora velhinha que estava na cadeira ao lado lhe emprestar um lenco. Vou a praia, mas volto com fotos e histórias.
Ps. Aliás, quase voltei pra casa mais cedo. Acordei e fui para a estacao de trem sacar grana, e dois policiais civis me pararam e pediram o passaporte. Disse a eles que nao ando com o passaporte, para nao perde-lo e tal, e os caras pegaram meu RG, fizeram várias ligacoes, e me questionaram uns dez minutos. Me dispensaram uns 15 minutos depois com o aviso: “Você precisa andar com o passaporte para mostrar que está legal aqui na comunidade européia. Da próxima vez, levamos você para a comissaria e… Brasil”. Aceitei o conselho e fui pega-lo. Mas antes do Cohen e do Lou Reed eu nao volto!
Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta
Julho 18, 2008 5 Comments
Um litro de cerveja

Ok, estou bêbado. É bom dizer isso antes de escrever, assim vocês relevem qualquer erro ortográfico ou filosófico, ok. (hehe). Bem, estou em Benicassim, fervendo sob um sol de sei lá quantos graus. A viagem de Barcelona pra cá foi tranquilissima, com cerveja Mahou (uma das top 5 da viagem) e a costa da Espanha pela janela. Cheguei em Castellon, e eu tinha certeza que o hotel duas estrelas que reservei em cima da hora seria tosco, mas… grande engano.
Estou pagando, em média, 20 euros por noite em albergue. Este hotel em Castellon, cidade vizinha a Benicassim, está me custando 40 euros o dia, mas nada como chegar de doze dias em albergue e tomar um banho decente de uma hora em uma banheira. O hotel é fofo, mas é bem longe de Benicassim. Precisei tomar dois ônibus até chegar aqui, e foi um tempao. Minha preocupacao era pegar logo a pulseira do festival, e entao relaxar.
No caminho da entrada do FIB havia uma barraca vendendo cerveja, copos de 300 ml ou 1 litro. Optei pelo segundo, e se estou bêbado agora, nao foi só por essa opcao. É que, também, para estar escrevendo isso aqui, tive que esperar mais ou menos três horas. Nesse tempo, almocei (omelete de batatas e salada), bebi mais três Estrellas e tentei procurar uma amiga, que estava em alguma praia perto do festival, mas nem sequer na praia eu consegui chegar.
O FIB, hoje, comeca as 19h. Neste momento, 18h23. Nada Surf toca às 22h, Sigur Ros às 23h, Mates of State à 1h e… lembra aquela banda que eu tinha dito umas semanas atrás que estava pronta pra sair da sombra do White Stripes… Black Keys às 2 da manha (bêbado é uma m****! Nao era o Black Keys e sim o Black Lips). Ainda tem Battles às 3h e o festival segue até as 6h. O que me deixou puto, no entanto, foi o fato de colocarem My Bloody Valentine e Spiritualized no MESMO HORÁRIO. Tremenda sacanagem. ://// Bem, vou lá beber mais algo. Descobri uma internet do lado do hotel em Castellon, entao deve rolar atualizacao. Só depende da minha ressaca… a gente se vê.
Julho 17, 2008 2 Comments
Bye, bye, Barcelona

Eu sei, é de partir o coracao, mas está chegando a hora de ir (”venho aqui me despedir e dizer que o meu coracao vou deixar nao ligue se acaso eu chorar, mas agora, adeus”… ahhh, o Rei Roberto). Bem, amanha de manha acordo e vou para a estacao Barcelona Sans para pegar um trem em direcao a Castellon, onde na praia vizinha, Benicassim, acontece o badalado Fiber nos próximos quatro dias. Este último dia útil em Barcelona foi o mais calmo e mais gostoso de toda a viagem, com cara de férias mesmo, e banco de praca, sorvete e caminhada de chinelo.
Acordei cedo para ir conhecer a Casa Milà, de Gaudi, popularmente chamada de La Pedrera, que fica aqui ao lado do hostel. Era para eu ser um dos primeiros a entrar, mas eis que chega junto comigo uma excursao de escola. Pô, bem legal levarem os estudantes franceses para conhecer Gaudi, mas tinha que ser no meu horário (risos). A Casa Milà è… putz, sem palavras. Meu queixo caiu várias vezes. Gaudi a construiu entre 1906 e 1910, e só um louco poderia construir uma casa bizarra dessas naquele tempo… e deslumbrante.
Na verdade, a Casa Milà eram vários apartamentos e hoje em dia é um centro cultural que abriga histórias das obras do arquiteto e o visual sensacional da casa. E, ainda, tem o “jardim” mais descolado de todos os tempos, no terraco, que você pode ter visto em “Profissao: Repórter¨, do Antonioni (valeu, meu querido Carlos Freitas), mas que nem mil fotos vao impedir que você deixe o queixo estatelado no chao. Bati muuuitas fotos. Esta, com o casal sentado sobre um dos arcos do terraco olhando a Sagrada Familia, demorou um tempo. Eu queria bater só dos arcos e da igreja, mas o casal sentou ali… (risos)
Na seqüência fui encarar o Parque Güell, que Gaudi fez entre 1910 e 1914, a pedido do dono da propriedade, Eusebi Güell. Conta a história que o resultado final do parque ficou muito aquém do ambicioso projeto original, mas olha, se ficou aquém, meu deus, o que deveria ser o projeto original! O Parque é uma pequena obra de arte. Assim que desci na estacao de metrô, e fui olhar o mapa, uma senhora perguntou: “Parque Güell? Siga reto”. Fomos conversando até o fim da escada rolante, quando ela disse que eu amaria o parque. “Me gusta mucho”, ela disse antes de ir.
Caminhei por horas pelo parque, deslumbrado com todos os seus detalhes, e lamentando nao estar com Lili para fazermos um piquinique (fica para o ano que vem). Subi e desci mais de 500 degraus (quando parei de contar), bati uma centena de fotos (mas fiz uma selecao para o flickr) e fiquei pensando o quao genial era esse homem, que fazia coisas realmente diferentes e inovadoras. É completamente chapante, completamente. Andei tanto que acabei com um tênis leve que eu tinha comprado em Parati, meses atrás, e que nao devia esperar tanto trabalho.
Voltei pro hostel de havaianas genéricas, tomei um banho e fui cortar as unhas na praca. E por lá fiquei sentado observando o movimento, descansando as pernas, acalmando a mente e sentindo o cheiro da cidade. Depois sai, olhei a Casa Battló, fui tomar um sorvete na sorveteria que fica embaixo da Casa Milà, e fiquei pensando no quanto essa cidade é encantadora. No hostel, novamente, arrumei as malas e deixei tudo pronto para amanha de manha acordar e partir, mas precisava registrar esse adeus. Nao sei como vao ser as coisas em Benicassim, mas se houver uma internet por perto (o que tem acontecido bastante nessa viagem), apareco para falar dos shows, ok.
Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta
Julho 17, 2008 4 Comments
“Medio millón de almas en marcha”
O titulo do post foi a manchete de capa do jornal Publico, de Barcelona, ontem, que ainda dizia: “Mas de 500.000 personas asistiran a un concierto en nuestro pais desde hoy hasta el domingo, en medio de la guerra de festivales por conseguir mas publico”. O bafafa todo eh devido ao classico do fim de semana: Barcelona x Benicassim.
Em Barcelona acontece nos dias 18 e 19 de julho a segunda edicao do Summercase, cujo principal nome do line-up sao os Sex Pistols (que, acreditem, estará tocando pela primeira vez na Espanha!). Mas segura o resto: Blondie, Grinderman, Interpol, Maximo Park, Primal Scream, The Verve, Ian Brown, Sons and Daughters, Breeders, Kaiser Chiefs, Mogwai (tocando o “Young Team” inteirinho), CSS, Kooks, Raveonettes, Mystery Jets, 2Many Djs e, ufa, muito mais.
Em Benicassim, voce já sabe (hehe), acontece do dia 17 ao dia 20 mais uma edicao do Fiber que destaca Leonard Cohen, Morrissey, My Bloody Valentine, Babyshambles, Mika, Siouxsie, The Raconteurs, Death Cab For Cutie, American Music Club, José González, The New Pornographers, Spiritualized, Vive La Fête, Justice, The National , Sigur Ros, The Kills, Gnarls Barkley, Róisin Murphy, The Brian Jonestown Massacre e, ulala, Nada Surf, entre outros. De quebra, no fim de semana tem Bruce Springsteen com sua E. Street Band dia 17 em Madri e 19/20 em Barcelona.
Existe público para tantos shows? Essa é a pergunta que o jornal propoe, e embora a pauta esteja fraca (falta o básico: comparacao e informacao de line-ups), uma boa frase me saltou aos olhos:
“Como la venta de CDs sigue bajando, hay quién defiende que lo que antes se gastaba en discos, ahora se invierte en conciertos. Una teoría más razonable apunta a la accesibilidad de la música. La llegada de Internet y las nuevas tecnologías ha provocado que el público llegue a las canciones más fácilmente y, en especial gracias a las redes P2P, de forma gratuita. Ético o no, legal o ilegal, la realidad es que hoy en día, cuando se vende menos música que nunca, se escucha más música que nunca y se va a más conciertos.” por Jesus Miguel Marcos (leia mais aqui).
Quatro futuros jornalistas me procuraram dias antes da viagem para pequenas entrevistas para seus projetos de conclusao de curso que sempre resvalavam no assunto MP3, música na internet, redes P2P, direitos autorais e o escambau. Acho que essa frase negritada do páragrafo acima é perfeita para simbolizar que a queda nas vendas nao significa a morte da música, e sim o momento agonizante da indústria. A indústria nao é a música, isso precisa ser dito. Meio milhao de pessoas nao marcham de bobeira, pode ter certeza. Mas vamos lá, diz ae: em qual dos dois festivais você iria?
Julho 16, 2008 4 Comments
Antoni Gaudi, Tom Waits e Barri Gotic

Andei, andei, andei. E andei. Andei pra cacete ontem. Assim que cheguei em Barcelona, na segunda, comprei um passe de metro/tram para tres dias (algo que compensa muito em qualquer grande cidade europeia). Acordei ontem, e fui pra estacao Diagonal pegar o metro pra estacao Sagrada Familia. Pro meu “azar”, a estacao Diagonal esta em obras, e algumas conexoes estao fora de servico temporariamente. Olhei no mapa, achei perto, e fui caminhando. Meus joelhos estao um caco, mas valeu a pena.
Valeu a pena pois a Sagrada Familia eh… deslumbrante. Na verdade, eh muito dificil achar um adjetivo para descreve-la. Mesmo deslumbrante eh pouco. Seria como a coisa mais foda que eu ja vi na minha vida, ou algo assim. Imagina: a igreja ainda nem esta terminada e ainda assim atrai 1 milhao de visitantes por ano! O arquiteto Antoni Gaudi assumiu o projeto em 1883 e dedicou-se a ele nos 40 anos seguintes (chegando ate a morar dentro do canteiro de obras). Ele morreu em 1926, tres dias apos ser atropelado perto da igreja, 43 anos apos ter assumido o projeto. E la se vao 125 anos.
Otimistas acreditam que a igreja estara terminada em 2030. Outros apontam para 2080. Eh fascinante demais imaginar quantas pessoas se dedicaram a obra e nao vao ve-la finalizada. Mesmo em construcao, no entanto, a igreja pode ser visitada. Ha um museu no subsolo que conta a historia de Gaudi (cujo corpo esta em uma cripta, ali mesmo), o visitante pode admirar a obra em construcao e, ainda, subir aos campanarios ja prontos. A escadinha eh sinistra, mas a visao dos detalhes da igreja e de Barcelona valem o susto. A Sagrada Familia eh para a arquitetura o que o “Smile”, dos Beach Boys, eh pra musica pop. Coisas de genios.
Dali fui para a Vila Olimpica (namorar uma arquiteta rende passeios assim) e, em seguida, para o Barri Gotic, um bairro que um dia foi um vilarejo romano, e cujas ruas estreitas sao completamente apaixonantes. O guia sobre a cidade que estou acompanhando apontava varios lugares bacanas no bairro, mas pedia para andar a esmo, deixando-se levar pelas ruas estreitas e por sua beleza. Nao pensei duas vezes: comprei uma San Miguel (cerveja espanhola, de Alicante) e segui caminho. Cinco cervejas depois eu ja estava amando o lugar. (risos)
Decidi comer por ali, e gastar um pouco mais (ja fazia mais de tres dias desde o bom almoco em Glasgow) e escolhi a Plaza Real para desfrutar um filet iberic amb salsa de pebre verd acompanhado de arroz, salada e um copo de vinho. No fim das contas, nem saiu tao caro. O menu do dia estava por 8,75 euros. A conta ficou em 16 euros (aproximadamente R$ 42). Voltei a caminhar feliz pelo lugar e, quando ja estava anoitecendo, passei no hostel, tomei um banho rapido (fez 35 graus o dia todo em Barcelona - o sol se foi as 21h) e fui tentar encontrar com Tom Waits. Mas…
Bem, Tom Waits iria fazer dois shows em Barcelona, no enorme Forum, capacidade para 2200 pessoas. Os ingressos estavam entre R$ 290 (o mais barato) e R$ 350 (o mais caro). Pra mim, nunca iria esgotar. Cheguei a tentar, ao menos tres vezes, comprar os ingressos ainda no Brasil, mas nao rolou. Ontem, apos ter saido da Sagrada Familia, foi ao Forum, mas a bilheteria soh iria abrir as 17h. Quando cheguei, as 21h, ja estava sold out. Sabe que deu um alivio? Pagar R$ 300 em um show eh muuuuuito dinheiro, e em economia de viagem, seria uma extravagancia e tanto.
Na parte da tarde, no Barri Gotic, passei em umas lojinhas bacanas de CDs da Calle Tallers. Namorei uma caixa das Supremes com quatro CDs que estava com 20% de desconto sobre os 34 euros da capa (e vamos combinar, R$ 18 eh um grande desconto), mas acabei levando pelo mesmo preco um box com seis CDs que flagram as BBC Sessions completas do Wedding Present, mais um Cinerama (”BBC Sessions”), um Black Box Recorder (”The Facts of Life”), uma coletanea dupla de raridades do Superchunk e um EP de covers do Los Lobos, e tudo isso saiu por 4o euros (pouco mais de R$ 100), e eu iria pagar 125 euros no show… foda.
Lembro que paguei R$ 250 para ver o Dylan, e olha que eu e Lili precisamos debater muito se valeria a pena. Sei que teria valido a pena ter visto o Tom Waits, e ainda vou tentar ve-lo em Dublin, dia 31 de julho, quando terei uma ideia da situacao catastrofica da minha conta bancaria, mas ontem soh me restou pegar uma Estrella (cerveja de Barcelona, bem boa) na porta do show (em que nao haviam cambistas, ja que a Teleentrada vendeu os ingressos por telefone e os mesmos eram nominais) e partir, novamente, para a Sagrada Familia, e jantar um sanduiche baratinho de bacon com queijo admirando a obra de Gaudi.
Hoje o roteiro eh totalmente Gaudi: vou a Pedrera e ao Parc Guell. Acordei cedo e fui para a Barcelona Sans, estacao central de trens, para tentar simular a confusao que sera a volta de Benicassim na segunda. Meu trem esta marcado para chegar em Barcelona as 11h49. Tenho que sair do vagao correndo, comprar a passagem para o trem para o aeroporto, e voltar correndo para pega-lo as 11h55. Se perde-lo, vou morrer com uns 30 euros de taxi, pois meu horario limite para embarcar para Malaga eh 12h45, no aeroporto. Dedos cruzados ae.
Fotos da viagem e dos shows: http://www.flickr.com/photos/maccosta
Julho 16, 2008 3 Comments
“I Love You, Spain”
Eu estava no segundo degrau, descendo a escada do aviao, quando uma menina atras de mim (provavelmente escocesa), soltou a frase que dah titulo ao post. Pousamos em Barcelona as 19h45 (14h45 no Brasil) e o sol estava a pino com os termometros do aeroporto marcando 28 graus. Oito horas da noite!!!!!! Bem, o clima eh outro, nao tem como nao falar. Marajei meus olhos soh de entrar na cidade.
Alias, tenho falado pouco das cidades, nao? Bem, me apaixonei por Leuven, na Belgica, mas muito mais pela calma e pelo seu jeito de presepio do que por qualquer outra coisa. Nao eh uma cidade baladeira, mas eu tambem ja passei da fase baladeira. Agora quero sair para passear com o cachorro empurrando o carrinho de bebe com a Julia e a Ana. Outros tempos, outros tempos.
Bruxelas me encantou, mas preciso explorar mais a cidade. Berlim foi um caso de amor e odio. Tem coisas excelentes (como beber cerveja no onibus, na rua, no banheiro, no banco - risos), mas a memoria da guerra me incomodou. E para viver numa cidade igual a Sao Paulo, fico em Sao Paulo. Mesmo assim, senti saudade de Berlim quando estava em Glasgow, uma cidade mais… caipira (nao sei se essa eh a definicao correta).
Glasgow (e a Escocia), definitivamente, nao me conquistou. Se eu nao tivesse passado pela parte antiga da cidade, entao, provavelmente a teria achado a coisa mais normal do mundo, mas valeu ter estado la. Fiquei cinco horas em Bournemouth, e foi interessante. O onibus que vai ao aeroporto fez um trajeto de tour para se conhecer a cidade (praia, igrejas, monumentos), mas mesmo com o sol estava um friozinho.
Ja Barcelona… assim que voce entra na cidade, vindo de qualquer um dos dois aeroportos, entra numa autovia linda, quase subterranea. Quando voce sobe para a cidade, ve os cabos e andaimes na Sagrada Familia, do lado direito, e ja sabe que esta realmente na cidade de Gaudi. Fiz um pequeno trajeto de metro (comprei o ticket para tres dias) e cheguei ao albergue, que fica a 100 metros da Casa Milá. Depois de um banho fui tomar um sorvete aos pes do predio… foda. Estou indo ver a Sagrada Familia. Volto com fotos e historias!
Julho 15, 2008 7 Comments
Direto de Bournemouth
Acordei as cinco nesta segunda-feira para partir em direcao a Barcelona, na Espanha. Para economizar, estou fazendo dois trechos de Ryanair: o primeiro de Glasgow para Bournemouth, o segundo de Bournemouth para Barcelona (na verdade, Girona, cidade que abriga o segundo aerporto que serve a regiao). Bournemouth fica na Inglaterra, a cerca de 170 quilômetros a sudoeste de Londres, no litoral sul do país. Eh uma cidade famosa por receber varios turistas e estudantes dispostos a aprender ingles nas escolas para estrangeiros.
Um paranteses: eu nao entendia patavina do que os escoceses falavam. Nada! Nada mesmo. Se nao fosse a Ju e a Renata, provavelmente eu teria me comunicado no gesto toda a minha passagem por Glasgow. Eles falam um ingles dificilimo de se entender, e nem fazem questao mesmo de serem entendidos. Para pedir cerveja, soh pra voce ter uma ideia, eu pagava sempre com notas e 5 libras ou 10, pois nunca entendia qual era o valor certo. Eh serio (e eh engracado, vai). Notei a diferenca chegando em Bournemouth, cujo senhor da informacao turistica falou tao pausadamente as frases que mesmo que eu nao soubesse ingles teria entendido.
Meu primeiro voo chegou as 10 da manha. O outro sai as 16h (12h no Brasil). Vim passear pela cidade, atualizar o blog, e encarar mais um fish and chips. E entao me lembrei que Bournemouth fica no condado de Dorset, local que deu ao mundo a senhorita PJ Harvey. Estou em terra abencoada, caros amigos. Soh nao fico mais aqui pois tenho um encontro marcado com Gaudi e, mui provavelmente, Tom Waits, nos proximos dois dias. Mas PJ, agora que eu sei de onde voce eh, me aguarde, me aguarde… (risos)
Tops da viagem
Shows
1- Radiohead (Berlim)
2- R.E.M. (T In The Park)
3- Pogues (T In The Park)
4- Sigur Ros (Werchter)
5- Neil Young (Werchter)
6- The National (Werchter)
7- Grinderman (Werchter)
8- Vampire Weekend (Werchter)
9- The Hives (Werchter)
10- The Verve, Ben Folds e Gossip (Werchter), British Sea Power (T In The Park)
Cervejas
1- Duvel (Bélgica)
2- Leffe Black (Bélgica)
3- Mahou (Espanha)
4- Kostriker (Alemanha)
5- Orval (Bélgica)
Julho 14, 2008 5 Comments
T In The Park, Sunday
Nada como uma boa noite de sono para se recuperar para mais um dia de festival, não é mesmo. O problema é que boas noites de sono andam em falta por aqui, então o jeito é descansar vendo shows sem fazer do festival uma grande maratona. Foi pensando nisso que optei por praticamente passar o dia na tenda King Tut’s ao invés de ficar pulando de um palco para o outro. Meus joelhos agradeceram. Na verdade, o plano era começar na tenda Pet Sounds vendo o Brian Jonestown Massacre e só então partir para a Kings, mas parece que a turma de Anton Newcombe não deu as caras.
Direto para a King Tut’s então. Deu tempo de pegar a meia hora de show do Delays, e eles não tocaram “You and Me”, a minha preferida. Show morno, sem surpresas. A tenda esvaziou e aproveitei para tirar um cochilo em um dos cantos. Quando acordei, o local ja estava abarrotado para prestigiar a sensação do momento, a dupla The Ting Tings. Com o público predominantemente adolescente, a dupla fez um show correto, cantado por todos, mas que não apresenta nada de novo. Diversão para quem não quer se preocupar com outra coisa, sabe. O British Sea Power veio na sequência para mostrar que dentro de uma guitar band também bate um coração. A coisa toda ficou bonita com o acréscimo de um violino.
O Vampire Weekend subiu ao palco para fazer aquele que seria o último show da turnê de divulgação de seu álbum de estreia, homônimo. O show foi um repeteco do apresentado no Werchter, uma semana antes, com a diferença de que o vocalista Ezra estava mais falante e animado na Escócia. O público embarcou na fórmula Talking Heads + Paul Simon e a banda saiu (assim como na Bélgica) com a honraria de ter feito um dos grandes shows do festival. Se você esbarrar com eles por ai, não perca o show, não perca.
Mr. Ian McCulloch trouxe consigo o Echo and The Bunnymen e abriu a tarde com três hits: “Rescue”, “Seven Seas” e “Bring on The Dancing Horses”. Na sequência, uma roqueira música inédita (”I Think I Need It Too”) e, então, era uma vez a voz de Ian: “Nothing Lasts Forever” soou tão capenga que só merece a citação pois, no final, o vocalista cantou “Walk on The Wild Side” inteirinha dentro da canção, e o público aprovou. Quando soaram os acordes de “The Killing Moon” eu já partia para o Main Stage.
Com uma bandeira do Brasil tremulando frente ao palco (fotos no flickr), Amy Winehouse exibiu seu drama pessoal para o festival. Visivelmente bêbada, entornando copos e copos de sabe-se-lá-o-que, tropeçando no salto alto, e muito mais, a moça que um dia cantou que não iria mais voltar pra clinica de reabilitação é apenas uma pálida amostra do que já foi um dia. Ela desafina horrores, sai do tom, entra errado nos versos e não consegue tirar nem a blusa sozinha. Pena. Porém, a história da música pop esta cheia de exemplos de pessoas que sacudiram a poeira e deram a volta por cima. É torcer por ela.Antes da grande atração da noite tive que suportar mais 1h45 de Kings of Leon. Quero avisar que já paguei todos os meus pecados, ok. Dois shows inteiros do Kings of Leon é para deixar o capeta feliz da vida. O que impressiona é como a banda tem um público fiel, que canta as canções, faz air guitar na hora dos solos e parece se divertir com a bundamolice roqueira do quarteto. Paciencia. O que não fazemos para vermos uma banda que admiramos bem de perto, não é mesmo. E o R.E.M. fez valer a pena, melhorando ainda mais a excelente apresentação que a banda havia feito no Werchter. Um showzão para ninguém botar defeito e um encerramento com chave de ouro para um dos maiores festivais da Europa, que terminou, de verdade, com um gaitista de fole tocando o hino escocês e queima de fogos.
Dois festivais nas costas, qual deles é o melhor? Pprefiro o Werchter, na Bélgica. Bem mais organizado, mais limpo, com um line-up excelente e sem a quantidade de palcos que detona as pernas da galera no T In The Park. E muuuuuito, mas muuuuito mais barato mesmo. É bem provavel que, no futuro, eu não vá a nenhum dos dois, e opte por bater cartão em Benicassim, na Espanha, ou no Rock en Seine, na Franca. É preciso pernas, condição fisica e muuuuito pique para encarar os grandes festivais europeus, mas não vou dizer “dessa cerveja não beberei”, ok.
Fotos: http://www.flickr.com/photos/maccosta
Ps. Abaixo, o set list dos dois shows do R.E.M. que vi.
Rock Werchter, Belgica
1. Orange Crush
2. Living Well Is the Best Revenge
3. What’s the Frequency, Kenneth?
4. Ignoreland
5. Drive
6. Man-Sized Wreath
7. Imitation Of Life
8. Hollow Man
9. Walk Unafraid
10. Houston
11. Electrolite
12. The One I Love
13. Begin The Begin
14. Fall On Me
15. Let Me In
16. Horse To Water
17. Bad Day
18. I’m Gonna DJ
Bis
19. Losing My Religion
20. Supernatural Superserious
21. Driver 8
22. Pretty Persuasion
23. Man On The Moon
T In The Park, Escocia
1. Living Well Is the Best Revenge
2. These Days
3. What’s the Frequency, Kenneth?
4. Begin The Begin
5. Man-Sized Wreath
6. Drive
7. Ignoreland
8. Hollow Man
9. Imitation Of Life
10. Electrolite
11. The One I Love
12. Losing My Religion
13. Fall On Me
14. Let Me In
15. Bad Day
16. Horse To Water
17. Orange Crush
18. I’m Gonna DJ
Bis
19. Supernatural Superserious
20. It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)
21. Man On The Moon
Julho 14, 2008 8 Comments
T In The Park, Saturday
O maior e mais badalado festival da Escócia começou na sexta-feira, com Verve, Stereophonics, Feeder, Futureheads, Wombats e Chemical Brothers, mas devido ao alto preço dos ingressos (em libras), compramos os tickets apenas do fim de semana. E da-lhe gastos em pounds: o onibús ida-e-volta de Glasgow para o festival (1h30 de viagem) custa 22 libras (mais de R$ 70), a programação com o horário de cada show sai por 8 libras (quase R$ 30) e o festival ainda destaca milhares de oportunidades para você gastar o seu rico e suado dinheirinho.
O T In The Park até parece um shopping center tamanho o número de lojas. Tem de tudo: as comidas mais variadas (e servidas de forma tosca, claro), energéticos especiais apenas para maiores de 18 anos, massagem, cabelereiro, lojas de roupas e… roda gigante, bungee jump, trem fantasma e carrinho de bate-bate. Ou seja, o festival nao é um shopping, mas sim um circo. Boa parte do público marca presença não por causa desta ou daquela banda, e sim pelo fato de que o lance é estar aqui, independente das atrações.
Quanto as atrações, elas são divididas em oito palcos, sendo três tendas de música eletrônica, uma tenda para bandas novas, dois palcos maiores (Main Stage e NME Radio 1 Stage) e duas outras tendas bacanas. O certo seria escolher uma ou duas tendas próximas, ficar se revezando entre elas e esquecer o mundo, mas quem diz que a gente consegue. Haja perna, pois as caminhadas são beeeem longas, mas costumam valer a pena.
Fizemos cada um a sua programação pessoal, e saimos na batalha. Começamos com os belgas do dEUS, que tinham fechado o Werchter, na semana passada, e aqui praticamente abriam a tenda NME Radio 1. Bom show, ao menos as quatro músicas que vimos. Passamos pelo Main Stage para olhar a Kate Nash. O microfone estava dentro de uma armação em forma de ostra, e apesar da Kate ser toda fofinha, o show não embalou. Duas músicas depois e já estávamos no palco das bandas novas, o Futures Stage, vendo os ingleses do The Metros. Eles tem muuuito o que caminhar ainda, mas valeram as três músicas que vimos.

O festival realmente começou, com cerveja voando pro alto e a galera cantando junto, quanto o The Subways entrou no NME Radio 1. Fazia um tempo que a banda não pisava na Escócia, e a saudade foi compensada com uma apresentação vibrante, que até compensa a falta de qualidade da banda em estúdio.
O primeiro grande show do dia aconteceu na tenda King Tut’s Wah Wah. Jogando em casa, os escoceses do Sons and Daughters, responsáveis por um dos grandes discos de 2008 (”This Gift”), só tinham 40 minutos (dos quais usaram 36 apenas), mas mandaram bem focando nas canções mais antigas (”Johnny Cash”, “Rama Lama”, “Dance Me In”) e no poderoso single “Gilt Complex”. Adele, com um longo camisão com Leonard Cohen de estampa sobre um micro shortinho, derreteu coracões. E Scott Paterson segura tudo na guitarra. Showzão.
Na sequencia, um pouquinho da honestidade rocker do Hold Steady, da pieguice pop do Kooks (ovacionados no Main Stage) e o único momento de dúvida do dia: Raconteurs ou Pogues? Bem, imaginei que o Raconteurs tem 105% de chance de tocar no Brasil, se não for neste ano, que seja no ano que vem, enquanto o Pogues, never. Sem contar que ainda tinha o acréscimo de que cruzo o Raconteurs no Benicassim, na próxima semana, e de que o Pogues estaria tocando “em casa”. Ganhou Shane MacGowan, o Wander Wildner do Reino Unido.
A escolha não poderia ter sido mais acertada (e não só pelo fato do show do Raconteurs, segundo a Juliana, ter sido meia boca). Quinze minutos antes do show começar, a tenda já estava superlotada com o público entoando as canções do grupo como se estivéssemos todos em um estádio de futebol. A segurança foi reforçada de cinco para quinze pessoas na frente do palco, que distribuiam água para as primeiras filas tanto como cuidavam dos desmaiados e dos mais afoitos, que tentavam pular a grade. A banda começou atacando um número instrumental, e assim que Shane pisou no palco, dezenas de celulares foram ao alto para registrar o momento.
Shane MacGowan é como um deus bêbado para este povo. Ele se enrola com o microfone, caminha cambaleante pelo palco, briga com o backing, e canta como se estivesse em um pub rodeado por cervejas. O público vai junto, e “Dirty Old Town”, um dos clássicos da banda, rende um dos momentos mais belos que a música pode proporcionar, com pessoas chorando, cantando abraçadas, balançando bandeiras e se emocionando. Lindo de se ver. Shane estourou o horário em vinte minutos, mas ele pode, pois ele é um deus bêbado e desdentado que esse povo ama. Amém.
E acabou o festival? Não. Ainda tinha Interpol, Kaiser Chiefs, Ian Brown e Rage Against The Machine, todos no mesmo horário. Meu plano era ver três músicas do Interpol (só para confirmar o que eu já sabia) e ir ver outro deus tocar cancões de sua ex-banda, uma tal de Stone Roses, e cabular Kaiser Chiefs e Rage. Vi as três músicas do Interpol (sim, é aquilo mesmo: as músicas do dois primeiros discos são foda, as do último são lixo) e parti pra tenda Kings pra ver Ian Brown. Quem disse que consegui entrar? Apesar de sua carreira solo ser frouxa, o homem é idolatrado, e o show vale pois ele toca várias canções do disco que mudou o rock britanico nos anos 90, mas depois de ter batido a cara na porta, decidi voltar ao Interpol (no caminho conferi três músicas do RATM: é, não gosto deles), que fechou a noite com hits e mandou todo mundo feliz pra casa.
Uma coisa interessante, e que você já sabia, mas custa nada falar: todos os shows que vi na Europa até agora, e que já tinha visto no Brasil, foram melhores aqui. Até o Kings of Leon! Esse do Interpol foi a prova dos nove: dava para se ouvir as duas guitarras, o baixo, bateria e voz perfeitamente, como se estivéssemos ouvindo um CD. Foda. Bem, uma hora e tanto depois já estávamos de volta ao hostel.
Estou de malas prontas para embarcar para Barcelona nesta segunda, mas antes tem o último dia do T In The Park. Minha agenda pessoal: Brian Jonestown Massacre, The Ting Tings, British Sea Power, Vampire Weekend, Echo and The Bunnymen, Amy Winehouse, Hot Chip e R.E.M.; Se a Amy der cano, vou me ajoelhar na frente do palco do National, novamente. Assim que der, volto pra contar. Me aguarda!

Julho 13, 2008 3 Comments
A capital do Brasil eh…
Coisas surreais da viagem:
7) Fomos pra balada ontem, numa rua bacana cheia de pubs. Segundo o tabloide The Skinny, Chris Geddes (Belle and Sebastian) iria discotecar no Brel. Fomos conferir, bebemos bastante (ahhhhh, Leffe), e nada de discotecagem. Saimos antes do metro fechar (alias, o metro de Glasgow parece um ferrorama de brinquedo) e fomos para o Nice’in Sleazy para passarmos o resto da noite bebendo ao lado de 3/4 do Teenage Fanclub (Gerard Love sorriu pra Ju).
6) No hostel de Glasgow, puxei conversa com um carinha ingles - com cara de nerd e nao mais que vinte anos - no quarto. Ele tambem vai ao T In The Park, pois eh “big fan” do R.E.M., mas tem outros planos para os outros dias: “Vou fazer um tour de golfe pelas highlands”!!!!!
5) Na entrada na Escocia, um senhor grisalho me recebeu na imigracao: “O senhor veio fazer o que aqui?”, ele perguntou. “Vim ao T In The Park”, respondi. “Ahhhh, T In The Paaaaaaaark”, comentou com sotaque carregado, e emendou: “Fica ate quando?”. E eu: “Segunda, quando vou para a Espanha”. “E voce vai fazer o que na Espanha?”, ele perguntou. “Vou para o festival de Benicassim”. Ele ignorou a minha resposta e mandou: “E Portugal, voce nao vai? La eles falam portugues”…
4) Renata volta do toilete da balada e conta: “No banheiro das meninas tem maquina para fazer chapinha”!!!!!
3) No Werchter, vento forte, eu com a camisa fechada ate o ultimo botao. Uma belga questiona: “Pq isso?”. E eu: “Esta frio!!!!” E ela me olha com uma cara de quem ouviu um palavrao. Emendo: “Sou brasilero. La eh muuuito quente!!!!”. Ai parece que caiu a ficha. Ela sorri e diz: “Ok, ok”.
2) Conversando com uns moleques suecos no albergue de Berlim: “Voce mora onde no Brasil?” E eu: “Sao Paulo”. Outro pergunta: “Eh a capital do pais?”. Respondo que nao, e antes de eu continuar, outro comenta: “A capital nao eh aquela cidade que tem a estatua do homem com os bracos abertos - e gesticula imitando o Cristo Redentor”. Sorrio e respondo que a capital nao eh o Rio de Janeiro, mas sim Brasilia. Os tres olham um para o outro, incredulos. Ainda tento um gancho: “Voces ja ouviram falar de Oscar Niemeyer?”. Nao, na Suecia eles nao sabem qual a capital do Brasil e nem quem eh o Oscar….
1) Bebendo no Nicos, em Glasgow, um cara mais velho (aparentando uns 45 anos) senta em uma das cadeiras de nossa mesa, percebe que eu, Ju e Renata nao estamos falando a lingua local, e puxa papo: “Voces sao de onde?”. E nos: “Brasil”. Ele olha estupefato e sai com o seguinte comentario: “Mas voces nao tem aqueles negocios que aumentam os labios e nao sei o que”. A gente olha um pro outro e a Renata com uma cara de “o que esse escoces ta falando?”. E eu: “Re, ele ta surpreso de nao sermos indios”…
Julho 12, 2008 4 Comments
Da terra de Kapranos e Murdoch
Dicas para a sua viagem: planeje com antecedencia os roteiros, nao faca uma viagem muuuuito extensa e nao fique pulando de cidade para cidade a cada tres dias, ok. Depois de quatro dias de Rock Werchter, na Belgica, e caminhadas por Bruxelas e Berlim (e mais o show do Radiohead), estou um bagaco. De verdade. Muuuuuito cansado. E ainda faltam 28 dias (acho que eh isso) para eu voltar.
Contribuem para o cansaco o peso das mochilas (a principal, com 12 quilos, e as outras duas mais leves, mas mesmo assim, aumentando o peso), o jet lag (dormi pouco mais que tres horas nesta noite) e as longas caminhadas entre uma cidade e outra. Nos ultimos dez dias foram quatro voos, um deles de 10 horas. Foram tres “casas” diferentes. Quando estou comecando a me acostumar com o lugar, bye bye. Isso eh foda.
O voo para Glasgow (Easyjet novamente) foi sossegado. Deu balancadas e o pouso foi uma pancadinha na pista, mas tudo ok. Nao sei pq, mas toda vez me lembro do pouso em Santiago, quando eu e Lili estavamos voltando do deserto do Atacama. Pegamos uma tempestade forte quase chegand0 na cidade, e o piloto foi baixando o aviao aos trancos e barrancos, mas na hora que colocou a nave no solo, nem percebemos tamanha a delicadeza do pouso. Nao a toa, todos os passageiros aplaudiram. Eu nunca tinha visto isso… risos
O hostel em Glasgow eh extremamente bem localizado, e muito mais organizado (e mais caro) que o de Berlim. Cheguei, joguei as malas no armario e fui ligar pra Ju e pra Renata, que ja estavam me esperando para almocar, e me levaram para comer o tradicional “fish and chips” acompanhado de um pint de cerveja. Nesse momento, por mais contraditorio que possa parecer, comecei a sentir falta de Berlim: as cervejas alemas e belgas sao muuuuuito melhores que as daqui. E aqui, se voce beber no onibus, eh multado… putz.
Comemos, caminhamos um pouco, bebemos mais, fomos em uma famosa baladinha indie local (famosa por ter marcado o encontro do pessoal do Franz Ferdinand e do Belle and Sebastian), que estava vazia, e ainda vimos trechos de tres shows de bandas novas em um lugar chamado Box (bem bacana). Mas a cidade ainda nao tinha me dito a que veio ate, nesta manha, eu conhecer a Catedral da cidade, grandiosa (de madeira e pedra), mas com uma area para a missa tao aconchegante que me fez escorrer lagrimas.
Bem, hoje comeca o segundo festival maratona da viagem, mas eu e a Ju (Renata volta para Londres e Paris) soh vamos encarar o sabado e domingo (Ju ate comprou uma galocha - viu o momento Gloria Kalil no flickr? - para atravessar o mar de lama, se chover) com shows de R.E.M. (sim, de novo), Raconteurs, The Fratellis, The Kooks, We Are Scientists, Ian Brown, The Pogues, Primal Scream, The Charlatans, Echo & The Bunnymen, Sons and Daughters, Vampire Weekend, British Sea Power e muito mais (veja aqui).
Vai ser correria! E na segundas, as 6h da manha, pego um trem para o aeroporto de Prestwick a caminho de Barcelona… aguenta coracao!!!!! Ah, e rapidinho, a The Fly (guia de baladas distribuido gratuitamente no Reino Unido) deu quatro moscas (num total de cinco) para o disco novo do CSS, cujo album foi o destaque desta edicao. E a Lovefoxxx abre o berreiro na capa da NME desta semana. Ainda nao ouvi o disco novo, mas voces podem me adiantar o que acharam, hein.
Ps. Atualizando as listas top da viagem:
Shows
1- Radiohead (Berlim)
2- Sigur Ros (Werchter)
3- Neil Young (Werchter)
4- The National (Werchter)
5- R.E.M. (Werchter)
6- Grinderman (Werchter)
7- Vampire Weekend (Werchter)
8- The Hives (Werchter)
9- The Verve (Werchter)
10- Ben Folds / Gossip (Werchter)
Cervejas
1- Duvel (Bélgica)
2- Leffe Black (Bélgica)
3- Mahou (Espanha)
4- Kostriker (Alemanha)
5- Orval (Bélgica)
Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta
Julho 11, 2008 8 Comments
Radiohead em Berlim
Dois shows do Radiohead em um intervalo de quatro dias. O que pode acontecer de diferente? Olha, nada. Em conceito, a apresentacao que Thom Yorke e cia fizeram na terca-feira à noite, em um anfiteatro no meio de uma floresta (literalmente) em Berlim, foi igual a apresentacao que o grupo havia feito no sábado passado no Werchter, na Bélgica. Porém, desta vez eu já sabia o que iria acontecer (nao havia a surpresa, positiva ou negativa) e… estava bêbado. Cerveja quente (os alemaes bebem e a gente vai junto) sobe que é uma beleza.
Quer saber: o melhor lugar do mundo para se estar às 20h do dia 08 de agosto de 2008 era em Wuhlheide, periferia de Berlim, um enorme parque de mata quase fechada que, se você nao tomar cuidado, se perde (eu nao tomei, e me perdi). Choveu no meio do show, as pessoas se abracavam e cantavam junto, ingleses, um americano, outro suico, uma galera de espanhóis, belgas e alemaes lavaram a alma com um show extremamente impecável. Cacete, eles tocaram “No Surprises”, “My Iron Lung” e “Street Spirit”… difícil nao ser passional num momento desses.
Estávamos uns cem metros do palco, mas mesmo assim o Luiz foi pro gargarejo. Resultado: nos desencontramos na saída. Eu, que adoro inventar novos caminhos, fui pro lado inverso ao qual entrei, e me perdi. Caminhei uns 30 minutos, peguei dois ônibus errados, fui pra lá, voltei pra cá, e quando já estava imaginando que iria dormir na rua na perifa de Berlim, um casal alemao me salvou: “Onde fica a estacao Köpenick?”. Ela nao sabia, mas ele, que nao falava ingles, me indicou o ônibus certo. Da Köpenick voltei para o hostel, e fui dormir às três da manha (para acordar às cinco - sim, estou sofrendo de jet lag…).
Abaixo, o set list dos dois shows do Radiohead que vi. Mais fotos do show no flick: http://www.flickr.com/photos/maccosta
Setlist Rock Werchter, Bélgica:
01 Arpeggi
02 The National Anthem
03 Lucky
04 All I Need
05 There There
06 Nude
07 Climbing Up The Walls
08 The Gloaming
09 15 Step
10 Faust Arp
11 How To Disappear Completely
12 Jigsaw Falling Into Place
13 Optimistic
14 Just
15 Reckoner
16 Idioteque
17 Bodysnatchers
Bis
18 Videotape
19 You and Whose Army?
20 2+2=5
21 Paranoid Android
22 Everything In Its Right Place
Setlist do show em Berlim
01 15 Step
02 Airbag
03 There There
04 All I Need
05 Where I End and You Begin
06 Nude
07 Weird Fishes/Arpeggi
08 The Gloaming
09 Videotape
10 No Surprises
11 Jigsaw Falling into Place
12 My Iron Lung
13 Wolf at the Door
14 Reckoner
15 Everything in Its Right Place
16 Bangers and Mash
17 Bodysnatchers
Primeiro bis
18 Cymbal Rush
19 You and Whose Army?
20 Paranoid Android
21 Dollars & Cents
22 Idioteque
Segundo bis
23 House of Cards
24 National Anthem
25 Street Spirit (fade out)
Julho 9, 2008 6 Comments
Andando na Unter Den Linden
Andei tanto nessa cidade nos últimos dois dias que estou até enjoado. Nada contra a cidade, imagina, mas Berlim tem um ar pesado de quem traz marcas da guerra em cada esquina. A localização do hostel em que estou é bem emblemática, pois mostra perfeitamente as diferenças da Berlim Oriental (aqui) e a da Berlim Ocidental, mais… capitalista. Porém, o que me deixou enjoado, provavelmente, não foi o ar pesado, mas como a cidade convive com seu passado.
Duas coisas podem exemplificar bem o que estou tentando falar: no caminho do Muro (há só uns 100 metros dele em pé hoje) existem vários camelôs vendendo badulaques socialistas, de quepes a fardas até… máscaras de gás. Mau gosto pra cacete. A outra coisa foi a seguinte: em um dos memoriais que passei, na Wilhelm Strasse, está em pé um dos poucos prédios construídos pelos nazistas. Hoje em dia, o prédio abriga o Memorial das Passeatas contra o Comunismo. A passeata mais significativa, de 1953, está estampada em um grande painel fotográfico postado no chão, na entrada do prédio.
Ok, o painel está ali, e algumas meninas (norte-americanas, pelo jeito) não sabiam que não podiam pisar nele (o guia não avisou). No que elas pisam, um senhor grisalho - que estava dentro de um carro parado no meio da rua aguardando o sinal abrir - desce do carro, atravessa a rua e começa a desferir xingamentos contra as meninas, que ficaram completamente sem saber o que fazer (entender o alemão normalmente já é difícil, imagina o cara nervoso, falando pelos cotovelos). Ou seja, há um culto da memória que precisa ser preservado (para que os erros não se repitam), mas que pega pesado no fundo do estômago. É foda conviver com esse passado.
No entanto, a cidade tem muuuuuitas coisas imperdíveis. Caminhar na Unter Den Linden é algo inebriante. Pra mim, foi daqui que Lúcio Costa se inspirou para desenhar o Eixo Monumental de Brasilia. A rua liga o Portão de Brandemburgo ao Palácio Real e entre os dois eixos existem uma dezenas de prédios históricos, de museus a igrejas passando pela Ópera Estatal, a embaixada Russa, a Universidade Humboldt e o museu Guggenheim de Berlim, entre outras coisas. Foda.
Eu e o Luiz (amigo carioca que conheci no primeiro dia do hostel) encaramos um tour “gratuito” (que custou 5 mangos pra cada um, e valeu a pena) e o cara deu uma aula sobre a Alemanha para a turma. Já comecei a entender as linhas de trem e ônibus e estou até falando “Danke” algumas vezes. Como a grana está contada nas moedinhas de cent, estou comendo bobagens e reservando apenas um dia em cada cidade para gastar um pouco. Por isso hoje almocei file mignon com uma salada deliciosa e um batata assada com creme de queijo. Saiu por 23 Euros, mais de R$ 50, mas compensou. Lá pra segunda eu como bem em Glasgow… até lá, pizza e lanches! risos
Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta
Julho 9, 2008 1 Comment
Europa, dia 6
Bem, acordei cedo em Leuven com o pensamento de chegar em tempo de ver Bruxelas antes do vôo. Passei na principal rua de compras de Leuven, peguei um CD do Sigur Rós por 7,50 euros (aquele dos paranteses) e parti em direcao a Gare Central, estacao central de trens de Bruxelas. Chegando lá, quem eu encontro: a comitiva recifense (risos). Isso serve para exemplificar o quanto a Bélgica é pequena.
Devidamente acompanhado de amigos, fizemos um tour de ônibus pelos principais pontos de Bruxelas. Segundo Victor Hugo, a Praca Central da cidade é a mais linda de todo o mundo. Olha, fica dificil discordar, viu. Vejam as fotos no flickr. Apos o passeio e uma pizza de calabrese (que era de atum), mais uma despedida dos amigos e vôo para Berlim.
O primeiro vôo de Easyjet a gente nao esquece. O aviao balancou tanto em certo trecho da viagem que parecia uma montanha russa. E a cada balancada, umas meninas francesas gritavam: “uhu”. Sinistro (risos). Mesmo assim, o pouso foi ok e o deslocamento do aeroporto para o albergue uma moleza: um trem só e fiquei a duas quadras do All In Hostel.
Berlim é… a Praca da Republica em Sao Paulo, mas sem os camelos - ao menos a parte oriental. O hostel que optei fica na ex-Berlim Oriental, e isso é perceptivel pela fachada dos prédios. Conto mais amanha, quando vou beber uma cerveja na Alexander Platz, dica do amigo brasileiro que conheci no hostel, e que já virou compania da cerveja da noite. Me espera. Ah, tem Radiohead nesta terca também… será que vai ser outro show eletrônico
Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta
Julho 7, 2008 5 Comments
Bye bye Bélgica
Faz só cinco dias que estou na Europa, mas parecem meses. Foi especial demais ter comecado pela Bélgica por vários motivos: por ter compania brasileira no primeiro festival (Carlos, nao sei o que dói mais: joelhos ou sola do pé), e abrigo na casa da Odile, uma belga que já trabalhou em ONG no Recife, e foi bastante querida conosco. A inseguranca de uma primeira viagem desse porte já é coisa do passado.
Ok, deu para falar bem pouco meu péssimo inglês (e a Odile entende bem o português), mas percebi que tem como se virar sozinho superando a barreira da língua, algo que eu temia muito. Ainda nao estou entendendo nada de flamengo, o idioma predominante de Leuven, mas me apaixonei pela cidade (saiba mais dela aqui). Gótico e moderno se misturam sem se agredir. A cidade está perto de várias capitais européias e o clima no ar é de calma e sossego.
Mais de 100 mil pessoas moram em Leuven, e só para você ter uma idéia do tamanho do festival Rock Werchter, 100 mil pessoas é o número diário do festival (que acontece faz mais de 20 anos - só o R.E.M. já tocou sete vezes aqui, a primeira em 1983). Tenho mais dois festivais pela frente, mas já indico o Werchter como uma parada obrigatória caso você queira ver festivais na Europa. Ele acontece no primeiro fim de semana de julho, e a escalacao costuma ser sempre sensacional (e o preco dos tickets é um dos mais em conta da Europa).
Porém, para curtir o Werchter é preciso ter um bom condicionamento fisico, muita forca de vontade, e estar descansado. Nao tem como colocar o festival no final de um roteiro de férias: você vai chegar cansado de todas as cidades que conheceu, e o Werchter nao admite cansaco! (risos). É caminhada de um palco para o outro (e só sao dois palcos), chuva, lama, horas e horas em pé, depois mais dois quilometros caminhando para chegar ao ônibus que faz o translado da estacao de trem de Leuven para o festival (15 km fora da cidade). Quatro dias assim derrubam qualquer um (e eu nem comentei das dúzias de Stellas)…
A partir desta segunda parto para novas aventuras. A idéia é acordar cedinho e ir para Bruxelas, caminhar no centro da cidade para dizer “oi, estive aqui”. Depois, no fim da tarde, voar para Berlim. É bem provável que eu nao consiga manter posts diários como fiz em Leuven (que tinha um lap conectado no quarto em que estávamos), mas vou tentar. Odile disse que se eu gostei de Leuven, vou amar Antuérpia (que é o ponto de referência para o festival de Lokerse, aquele com Sonic Youth e Supergrass). O Carlos insiste que eu vá para Budapeste. De algum lugar qualquer, eu escrevo. I promise.
Ps. Ranking das cervejas
1- Duvel (Bélgica)
2- Leffe Black (Bélgica)
3- Mahou (Espanha)
4- Orval (Bélgica)
5- Stella Artois (Bélgica)
Fotos da viagem e dos shows:
http://www.flickr.com/photos/maccosta
Julho 6, 2008 2 Comments




























