Blog do Editor do Scream & Yell
Random header image... Refresh for more!

Category — Turismo

Histórias de Viagem: Um hotel e Cherry Coke

mondial1.jpg

Minha primeira vez em Paris começou com o pé esquerdo. Foi em um longo mochilão, em que por razões de economia, optei por pegar um voo de Madri (Barajas) para Paris às 6 da manhã por uma companhia barateira. Ou seja: cochilei durante a madrugada no aeroporto (lotado), e cheguei em Paris (Beauvais) às 8 da manhã – Beauvais é uma pequena cidade vizinha a Paris que atende voos da Ryanair.

Após quase 50 minutos de ônibus de Beauvais para o centro de Paris, comecei minha aventura francesa sofrendo para comprar o ticket de metrô (eu queria o de uma semana, mas na primeira tentativa só consegui fazer a senhora atendente me vender o unitário mesmo), e parti dali até o albergue que eu havia reservado via Hostel Word, o 3-Ducks, no 15º distrito, pertinho da Torre Eiffel.

Ao entrar no hostel, passado 10 horas da manhã, começou o sofrimento. Detonado pela noite mal dormida, eu só pensava em banho e cama. Queria tirar um cochilo e colocar a mala em algum locker antes de bater perna pela cidade luz. Primeira decepção: o 3-Ducks tem um horário de limpeza dos quartos de 11h até às 16h. Isso mesmo: nenhum quarto fica liberado neste horário (mesmo que você o reserve para uma semana – como eu havia feito).

Depois de argumentar bastante (e ouvir muita contra-argumentação; os franceses adoram), cansado e puto, pedi para guardar minha mala em um locker. Outra surpresa: não havia locker nem armário, mas sim uma sala de livre acesso a todos com todas as malas e mochilas de todos os hospedes. Eu já estava viajando há 30 dias, com uma mochila enorme, e duas mochilas menores (uma delas apenas com CDs comprados), e não havia a mínima condição de deixar as coisas ali.

Pedi para ir ao quarto, aproveitando o pouco tempo que havia antes das 11h, e tomar um banho. Mais uma surpresa negativa: o chuveiro era terrível. Voltei ao quarto extremamente puto, decidido a arrumar as coisas e ir embora, quando um japonês, de New Jersey, (percebendo meu “bad day”) salvou o dia: “Percebi que você está tenso. Você tem um mapa? Faz o seguinte: nos estamos aqui. Pega a Rua do Commercio que você vai sair na Torre Eiffel. Depois atravessa, vai no Arco do Triunfo e desce a Champs Elysees. Seu dia irá melhorar”.

mondial2.jpg

 E melhorou. Levei comigo a mochila de CDs, que deixei em um locker de metrô, cochilei em um passeio de balsa no Rio Sena (lembra do “Antes do Por-do-Sol”?) e decidi que iria procurar um hotel no dia seguinte. Durante a noite, até cogitei passar toda a estadia no 3-Ducks, mas não tinha como. Na manhã seguinte bati perna no 15º distrito, olhei alguns hotéis e acabei optando por um de… 1 estrela. No Mondial Hotel. E foi a melhor coisa que eu poderia ter feito.

Acho que paguei 38 euros por dia (a atendente, esforçada, entendia mais espanhol que inglês), mas o quarto (no quinto andar – sem elevador) era simples, limpo e aconchegante. Típico de Paris: havia pia e chuveiro, mas não vaso sanitário, que ficava no corredor (em muitos hotéis são assim). Lembrei-me de Paul Auster em “O Inventor da Solidão”. E sorri. Aquele seria o meu cantinho em Paris durante a próxima semana, e Paris (apesar do 3-Ducks) já tinha me conquistado no primeiro dia.

Havia uma estação de metrô na porta (La Motte-Picquet - Grenelle‎, que virou a minha estação Nelson Piquet – não tinha como esquecer), mas uma caminhada direta de 10 minutos pelo Boulevard de Grenelle (uma longa avenida) me colocava de frente com a Champ de Mars, e consequentemente com a Torre. A região, repleta de bistrôs e alguns bares escoceses, demorava a dormir, o que permitia jantar mais tarde, ou encarar um bom pint de Jenlain, a melhor cerveja francesa (quase na fronteira com a Bélgica, mas é francesa!).

Durante o dia fiquei freguês de uma vendinha ao lado do hotel. Redescobri a Cherry Coke, e acho que nesse período bebi mais o refrigerante do que água. Em uma das tardes, após voltar do Louvre, abri a geladeira da vendinha, e havia apenas duas. Fiquei na dúvida se pegava ambas, mas levei só uma torcendo para que a outra ficasse até a manhã seguinte. Bobagem: quando entrei na vendinha no outro dia, o dono (um senhor grisalho, quieto e sério) me olhou, sorriu e mandou um “more Cherry Coke”: ele havia reposto a geladeira. Abri um sorriso, peguei o refri e, ainda, um pacote de madeleines.

Quando voltei a Paris no ano seguinte, pensei seriamente em reservar esse mesmo hotel, mas descobri um apartamento aconchegante em Les Halles (esse aqui), numa travessa da mítica Rua Montorguei (que já havia sido pintada por Monet em 1878 – olhe aqui), e foi paixão a primeira estadia (e a hospedagem mais barata de toda aquela viagem). Possivelmente nunca volte a ficar no Mondial Hotel, mas sempre vou me lembrar dele (e da Cherry Coke), pois ele salvou a minha primeira passagem pela cidade.

mondial3.jpg

Leia também:
- Histórias de Viagem: D’akujem (aqui)
- Diário de Viagem Europa 2008: 40 Dias (aqui)
- Diário de Viagem Europa 2009: 37 Dias (aqui)
- Top 15 Museus: L’Orangerie, D’Orsay e mais (aqui)
- Cinco fotos: Paris (aqui)
- “Se Bardot fosse engarrafada, seria a Jenlain Six” (aqui)
- Uma foto de viagem e outras lembranças (aqui)
- Quatro itens para economizar em Paris (aqui)
- Paris: um festival de cheiros, cores e sabores (aqui)
- Coisas sobre Londres e Paris (aqui)
- “Parri, Parri” (aqui)
- Nem Sadine, nem o anao de jardim… (aqui)
- Pere Lachaise: Sobre Oscar Wilde e Jim Morrison (aqui)

Abril 15, 2012   7 Comments

Histórias de Viagem: D’akujem

bratislava.jpg

Bratislava sempre esteve em nossos planos quando traçamos o roteiro de viagem de 2010 (aqui), mas não tínhamos a mínima ideia do que esperar. Seduzidos pelo Bratislover, um ticket promocional “Viena/Bratislava – Bratislava/Viena” por apenas 14 euros (que ainda lhe permite andar de ônibus gratuitamente na capital eslovaca - infos aqui), partimos em direção a Hlavná Stanica (essa), e fomos caminhando até o centro histórico.

Entramos numa ruela, dobramos uma esquina e ficamos de frente a torre Michalská Brána. No pé da pequena torre, uma mãe pobre tocava uma espécie de sanfona enquanto sua filha, em um carrinho, sorria. Demorou alguns segundos para cair a ficha, mas percebemos um casal com jeitão de turista subindo uma porta ao lado da torre, e decidimos seguir para encontrar a melhor vista da cidade (melhor até que a vista do castelo, que iríamos visitar depois).

Fizemos várias fotos do centro histórico visto lá de cima (as da Lili aqui), olhamos os objetos expostos no pequeno museu e, na saída, encantado com o local, perguntei para uma das senhorinhas (apenas senhorinhas aparentemente tomavam conta do lugar) como se dizia “Thank You” em eslovaco. Sofri algumas vezes para repetir, mas, diante do sinal positivo, sorri, e acho que alcancei uma pronuncia nota 5.

Então a senhorinha toca meu braço, mostra o ticket que estou segurando (esse da foto), e começa a falar empolgadamente em eslovaco algo que não tenho a mínima ideia do que seja. Fico atônito, Lili começa a rir, e a senhorinha, vendo o nosso desentendimento, me puxa até uma janela (a entrada do museu fica no segundo andar da torre) e aponta para algo na esquina, e também para o bilhete. A ficha cai: Farmaceutická Expozícia.

Toda sua empolgação era para que eu entendesse que o ticket de 2,30 euros da entrada do Mestské Múzeum Bratislave (o Museu da Torre) também me dava direito a conhecer o Museu de Farmácia, na esquina. O verso do ticket falava mais sobre ele. Agradeci em eslovaco, para treinar, e até chegamos a olhar a pequena lojinha que abrigava a exposição farmacêutica, mas pela correria do dia (bate e volta Viena/Bratislava) não entramos.

Ainda assim, dentre as coisas que me fazem lembrar Bratislava estão o garçom que serviu cerveja tcheca quando pedi uma “cerveja nacional” (exemplo perfeito de como o sentimento de nação ainda é confuso para eles), os prédios russos enfileirados do outro lado da margem do rio na vista do castelo, e essa senhorinha falando eslovaco animadamente para um brasileiro que tinha acabado de falar a primeira palavra em seu idioma: “D’akujem”.

É uma imagem querida…

bratislava3.jpg

Fevereiro 23, 2012   No Comments

Parque das Aves e Puerto Iguazu

foz2.jpg

O sol voltou a brilhar no nosso quarto dia em Foz do Iguaçu, de programação relaxada e muito descanso. De manhã, um passeio no Parque das Aves, local criado em 1994 pelo casal alemão Dennis e Anna Croukamp dedicado à conservação dos animais. São 16 hectares de mata nativa de um parque em frente ao Parque Nacional do Iguaçu repleto de pássaros, aves, alguns crocodilos, e algumas cobras.

Para ter uma ideia da visita é possível fazer um passeio virtual aqui, mas o mais interessante do parque é adentrar três das grandes gaiolas e ficar bem mais próximo de tucanos, araras e ararajubas, uma mais encantadora que a outra. O passeio é rápido (em duas horas é possível fazê-lo), mas interessante. E, no final, o visitante pode ainda posar para fotos com algumas araras (várias delas estão soltas no parque) e cobras no ombro.

foz1.jpg

Para a parte da tarde o plano era ir para Puerto Iguazu, almoçar e procurar a versão weisse da Patagonia. “É a cerveja mais cara”, disse a vendedora de um dos botequins da feirinha da cidade argentina. “R$ 11”, a garrafa de 740 ml, “mas se você quiser levar a caixa com seis sai por R$ 59”. No balcão, a Patagonia compete com a Quilmes (preferencia nacional que também é vendida em uma versão Stout – quase uma Malzbier – e uma Red), a Brahma, a Budweiser e a Iguana.

O almoço foi novamente no Acva, que já se tornou o nosso restaurante preferido em Puerto Iguazu. Sem entradas desta vez (não só por economia, mas principalmente porque os pratos são muito bem servidos), Lili foi de Fettucine Fresco com Lagostinos, Salsa Crema de Tomates Secos y Zuchinnis Grillados e eu de Bife de Chourizo Acva, com Croute de Pancetta y Estragon acompañado con Risoto de Cebollas. Novamente aprovados.

foz3.jpg

Voltamos no final da tarde para o hotel e desmaiamos. Até cogitamos estender a noite em algum lugar, mas optamos por descansar para o último dia, de programação ainda indefinida. O voo parte para São Paulo no começo da noite e podemos esticar até as Cataratas Argentinas, mas seria um passeio mais curto do que amigos dizem que ela merece. Talvez visitemos o Templo Budista. Tudo depende do nosso pique… e do calor. Ele realmente intimida.

No fim das contas, essa viagem rápida a Foz do Iguaçu, comprada e planejada no susto, foi realmente especial. As Cataratas são um passeio inesquecível (que pode ser ainda mais interessantes com o acréscimo do Macuco Safari, das trilhas de bike e do arvorismo – e da “descoberta” do lado argentino) e Puerto Iguazu é uma cidadezinha encantadora. Agora é hora de arrumar as malas. Logo mais, São Paulo.

foz4.jpg

Fotos por Marcelo Costa: http://www.flickr.com/photos/maccosta/

Janeiro 1, 2012   No Comments

La Garantía Soy Yo

foz5.jpg

Após dois dias de sol intenso e passeios inesquecíveis, a sexta-feira resolveu nos pregar uma peça em Foz do Iguaçu, começando pelo tempo, que amanheceu nublado e com uma fina garoa (ainda bem que fomos para as cataratas um dia antes) como se questionando nossas opções de passeio: uma ida a Ciudad del Este, no Paraguai, e um tour básico pela Itaipu Binacional, a enorme hidrelétrica dividida entre Brasil e Paraguai.

Para ir a Ciudad del Este pegamos um ônibus no centro de Foz, que atravessou as Aduanas e nos deixou no meio de algo que parecia uma 25 de Março (rua comercial muvucada de São Paulo) com a rua Santa Efigênia (rua de eletrônicos onde se encontra de tudo – original e pirateado – também em São Paulo), uma junção que revela o pior das duas ruas: centenas de pessoas oferecendo coisas (de cuecas, panos de prato até celulares e socos ingleses) para milhares que compram.

foz6.jpg

Parte do desconforto é culpa minha, que nunca serviria para trabalhar em um pregão de bolsa de valores, por exemplo. O excesso de barulho, de pessoas falando, pedindo atenção, me dá náuseas, e junte a isso o fato que você está em um território de compras, uma “zona franca”, como comentou um turista no ônibus, em que o intuito é gastar dinheiro, e danou-se. Sem contar o fato do bordão “La Garantía Soy Yo” ecoar na cabeça a todo momento.

Faltou pesquisar e ir com alguns lugares de confiança indicados por amigos, por exemplo. E faltou uma pequena sensação de “foda-se, vamos nos divertir” também. Como a de um capixaba que, um dia antes, elogiava no ônibus: “Fomos para lá e eu não pretendia comprar nada, mas trouxe duas sacolas de coisas que eu nem sabia que existiam”. No fim, acabamos ficando apenas uma hora e meia em Ciudad del Este, não compramos nada, e voltamos de braços cruzados. Vale voltar?

foz7.jpg

Quanto a Itaipu Binacional, o tempo colaborou: lá pelas 15h abriu um solzão lindo e quente, muito quente, que acompanhou o nosso passeio. O complexo, localizado no Rio Paraná (que alguns quilometros depois se encontra com o Rio Iguaçu na Tríplice Fronteira) e construído no período de 1975 a 1982, é hoje a maior usina geradora de energia do mundo. É um gigante de concreto com uma extensão de 8 quilômetros que represa 1.350 quilômetros quadrados.

Para conhecer a hidrelétrica existem três tours e várias visitas a projetos bancados pela companhia. Dos tours (todos com necessidade se serem reservados com antecedência aqui) há do mais básico (a visita panorâmica) até o circuito especial, um passeio de duas horas e meia em que o visitante adentra o interior da barragem, passa ao lado de condutos por onde escoam até 700 mil litros de água por segundo, e conhece o antigo leito do Rio Paraná (entre muitas outras coisas – aqui).

foz8.jpg

Há ainda tours que incluem conhecer o Refúgio Bela Vista, o Ecomuseu, o Canal de Piracema, o Refugio Tatí Yupí além de alguns passeios de barco no Rio Paraná (a lista completa está aqui). Acabamos fazendo o tour mais simples (a Visita Panorâmica), já que o Circuito Especial estava esgotado (vale reservar com antecedência), e foi interessante (um ônibus passa sobre a barragem em que é possível observar a represa, o vertedouro e o outro lado do leito do rio), mas… básico.

Ainda havíamos comprado um passeio noturno para observar um show de luzes na barragem, mas acabamos deixando de lado devido ao cansaço. No fim, voltando para a cidade em meio a uma pequena tempestade, acabamos optando por um cinema (no Shopping Cataratas) e por dormir mais cedo para dedicarmos o sábado ao Parque das Aves e a outra visita a Puerto Iguazu. Ainda queremos visitar tanto a Mesquita Muçulmana quanto o Templo Budista e o lado argentino das Cataratas. Não sei se vai rolar fazer tudo até amanhã…

foz9.jpg

Fotos por Marcelo Costa: http://www.flickr.com/photos/maccosta/

Dezembro 31, 2011   2 Comments

Banho nas Cataratas do Iguaçu

foz3.jpg

A quarta-feira terminou fudidamente quente em Foz do Iguaçu e a quinta-feira não quis deixar por menos, e (felizmente) caprichou no calor: solzão lindo na cabeça, óculos escuros na cara e muito protetor solar na pele que o dia prometia. E foi muito além de nossas expectativas.

Como primeira tarefa de um casal estreante na Tríplice Fronteira, partimos em direção ao obrigatório Parque Nacional do Iguaçu, grande atração turística que se estende por 250 mil hectares de floresta subtropical divididas entre Brasil (Foz do Iguaçu) e Argentina (Missiones).

foz4.jpg

O Parque Nacional argentino foi criado em 1934 e o Parque Nacional brasileiro em 1939, na administração do presidente Getúlio Vargas. Os parques tanto brasileiro como argentino passaram a ser considerados Patrimônio da Humanidade em 1984 e 1986, respectivamente. E merecem tal honraria.

A principal vedete do conjunto ecológico são as 275 belíssimas quedas de água que formam as Cataratas do Iguaçu, mas o parque (principalmente de alguns anos para cá) aprendeu a diversificar os passeios, de forma que o visitante pode experimentar a visita de diversas formas.

foz5.jpg

A primeira dica especial é simples: compre o ingresso no site oficial (aqui), pois economizará uns 40 minutos de fila na porta do parque (a fila da internet estava absolutamente vazia). O preço varia de acordo com a nacionalidade (estrangeiro, mercosul, brasileiro e moradores da região) e possuidores de cartões Itaú conseguem 50% de desconto (veja aqui).

O ticket lhe dá acesso ao parque com direito a ver a grande estrela: as Cataratas (olhe o mapa do parque). Um ônibus lhe deixa na beira de uma trilha de cerca de 1 quilometro (asfaltada) que vai ambientando o fregues com a experiência: as quedas começam “pequenas” e impressionantes, e até chegar a Garganta do Diabo, a maior das quedas, o queixo do espectador irá cair umas cinco ou seis vezes.

foz6.jpg

É meio inexplicável em palavras, e você ainda pode refutar a diversão dizendo “é só água caindo”, mas ainda assim impressiona. Segundo consta, a ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Eleanor Roosevelt, teria exclamado “Pobre Niágara!” ao se deparar com as Cataratas do Iguaçu. Ainda quero visitar o Niágara (e também as Cataratas Vitória, na África Austral), mas o dia de hoje já valeu essa viagem.

A estrutura do lado brasileiro é exemplar (do lado argentino, na palavra de amigos e de alguns blogs, é mais roots, mas não menos sensacional – leia aqui) e a sensação é bastante especial. Porém, o passeio ainda se divide em diversas atividades que incluem rafting, arborismo, passeios de bike em trilhas e um de barco até dentro de uma das quedas (combos podem ser comprados aqui - e divididos em até seis vezes).

foz7.jpg

Neste primeiro dia optamos por este último passeio, o Macuco Safari, de custo elevado (R$ 140 por 1h45 de passeio), mas plenamente satisfatório (a versão argentina, Gran Aventura, custa metade do preço, e é, dizem, mais radical): nada mais é do que subir o leito do rio até próximo das quedas d’água, chegar bem perto de algumas delas, e sair do barco de alma e roupas lavadas. Literalmente tomar banho de cataratas. Inesquecível.

A equipe do parque recomenda não levar câmeras no passeio, mas até rola, desde que você a proteja bem, pois acredite: molha e muito (eles avisam o momento em que o bicho vai pegar). Ainda assim eles fazem algumas fotos que, após o percurso, se interessar, você pode comprar e pedir para enviar por e-mail ou gravar em CD ali mesmo (R$ 12 cada foto, R$ 65 um vídeo de 25 minutos do seu passeio gravado em DVD e entregue no seu hotel/hostel).

foz9.jpg

Todos os amigos indicaram o passeio de helicóptero (R$ 180 por 10 minutos), e até planejamos fazer os dois, mas saímos tão felizes e desgastados do Macuco Safari que deixamos o helicóptero para uma outra vez. No entanto, pretendemos voltar até o domingo para fazer a Trilha do Poço Preto (essa aqui). Tomara que sobre tempo.

Todo o desenrolar do dia foi sossegado. Ônibus do centro de Foz de Iguaçu até a porta do parque e vice-versa. Tiramos um cochilo no fim da tarde com o plano de jantarmos em Puerto Iguazu, a cidadezinha argentina de fronteira. Daqui pra lá, ônibus de linha internacional (R$ 4), mas a volta nos pregou uma peça: os ônibus funcionam até aproximadamente às 19h. Voltar só de taxi (R$ 50).

foz8.jpg

Ainda assim a visita valeu muito a pena. Compramos seis garrafas de vinho (todos indicados pelo brasileiro de alma portenha Tiago Trigo) por R$ 80, duas cervejas Patagonia por R$ 20 e jantamos no Acva, que o Leonardo tinha indicado (e que um blog também rendia elogios). Ficamos com uma vontade enorme de ficar em um hotel no lado argentino (apesar do inconveniente de mostrar os documentos na Aduana toda vez que ultrapassar a fronteira).

Lili foi de Tempura de Camarão com Perfume de Coco, Guacamole e Molho de Fungui na entrada enquanto optei por Palmito acompanhado de três molhos. Para o prato principal não tive dúvidas: um enorme e inesquecível Oyo de Bife Gratinado com Papa Rustica Rellenos (Batata recheada de queijo e amendoas) enquanto Lili arriscou (e se satisfez) em um peixe Surubi sobre Pure Cremoso de Mandioca, Coco e Gengibre. Noite especial de comidas (compensando o McDonalds de ontem).

foz10.jpg

A sexta-feira promete muito: nos planos uma visita rápida ao Paraguai na parte da manhã combinada com um tour na Itaipu Binacional no fim da tarde (esse passeio aqui). Estamos pensando em voltar até Puerto Iguazu para jantarmos (novamente) e visitarmos a feirinha, mas precisamos ver se vamos ter pique. Ainda queremos fazer o passeio do Parque das Aves, no sábado de manhã, e visitar as cataratas argentinas no domingo. Tomara que a gente consiga.

Fotos por Marcelo Costa: http://www.flickr.com/photos/maccosta/

Dezembro 29, 2011   3 Comments

Foz do Iguaçu, 36 graus

foz1.jpg

Meses atrás, numa dessas promoções relâmpago de companhias aéreas, acabei decidindo na moedinha o destino do réveillon: entre várias opções de tentativa e erro (ou melhor: tentativa e preços altos), optamos por Foz do Iguaçu, que nós dois não conhecíamos. Recorremos a alguns guias, os amigos deram dicas preciosas (Leonardo Vinhas, que já morou na cidade, fez um textão detalhado e precioso) e cá estamos, torrando debaixo de um sol de 36 graus (e animadíssimos).

Logo que chegamos, por volta das 16h, comentei com o taxista sobre o sol (“Que beleza de tempo”, disse pra puxar assunto e ele, pela cara, estava pensando: “Quero ver você achar esse sol infernal uma beleza daqui quatro dias”) e as pancadas de chuva que o site de meteorologia previa para todas as tardes de nossa estadia: “Chuva? Não chove aqui desde novembro!”. E vou te contar: é sol demais.

Fim de tarde, sem tempo para os passeios tradicionais, pensamos em esticar ao Paraguai para procurar uma loja da Canon que “descobrimos” via outdoor de beira de estrada. “Paraguai? Lá tudo fecha às 15h, 15h30”, disse o gerente do hotel. “Se você quiser ir passear, tudo bem, mas para compras é preciso ir cedinho”, orientou, aproveitando para emendar: “Mas tem uma van que passará aqui em meia hora para levar um pessoal para o Duty Free do lado argentino. Se interessar…”

foz2.jpg

Nesse intervalinho de meia hora aproveitei para tentar encontrar um sebo de vinis que o Leo tinha indicado, mas acho que meu cérebro cozinhou debaixo do sol. Fui pra lá e pra cá, e nada. Muita coisa fechada (não sei se é fim de ano, o avançado da hora – mais de 17h – ou siesta pra fugir do sol), calor de fazer Lúcifer sorrir e uma brisa rara e refrescante marcavam o centro de uma cidade aparentemente pacata.

Na volta, na porta do hotel, a van já nos esperava. O gerente, animado, ainda caçou outros dois hóspedes incautos: “Não querem gastar um dinheirinho?”. E partiu o bonde: “Oie, estava fazendo uma muambagem no Paraguai e agora estou indo para a Argentina”, comentou meu vizinho de banco de van no telefone com uma mulher. “Escolhe três perfumes que você quer muito que eu levo”, prometeu.

O tal Duty Free, minutos após a Aduana Argentina, soa uma pequena homenagem para Miami. Lili pegou algumas coisas de maquiagem e alguns acessórios para a câmera enquanto adquiri um pack da cerveja alemã Kaiserdom. Não tinha Jack Daniels e nenhum vinho argentino da lista que o Tiago Trigo tinha me passado. E nem toca-discos (preciso trocar o meu), mas valeu para matar o tempo. A quinta-feira de sol e cataratas promete…

Dezembro 28, 2011   2 Comments

Top 15 Museus

Inspirado pelo novo filme de Woody Allen, “Meia Noite em Paris“, fiz uma listinha dos meus museus favoritos. Ainda faltam alguns importantes para conhecer, mas dos que eu já conheço, esses são os meus 15 preferidos…

01- Museu Guggenheim, Nova York (texto aqui)
02- L’Orangerie, Paris (texto aqui)
03- Museu do Prado, Madri (texto aqui e aqui)
04- Museu D’Orsay, Paris
05- Galleria Borghese, Roma (texto aqui)

 06- Museu Reina Sofia, Madri (texto aqui)
07- Museu do Louvre, Paris (texto aqui)
08- Galleria Academia, Firenze (texto aqui)
09- Museu Peggy Guggenheim, Veneza (texto aqui)
10- National Gallery, Londres (texto aqui)

11- Museu Van Gogh, Amsterdã (texto aqui)
12- Belvedere, Viena (texto aqui)
13- Tate Modern, Londres (texto aqui)
14- Centre Pompidou, Paris (texto aqui)
15- Museu Thyssen-Bornemisza, Madri (texto aqui)


Todas as fotos por Marcelo Costa

Junho 15, 2011   No Comments

Algumas perguntas sobre viagens

placa1.jpg

Ok, logo abrirei uma consultoria sobre mochilagens rock and roll na Europa e nos Estados Unidos, mas enquanto isso não acontece vou dividindo aqui algumas coisas que aprendi, e que podem ajudar alguém que esteja fazendo a sua primeira viagem pra fora dos limites da terra que um dia foi chamada de Vera Cruz. Abaixo, algumas perguntas que recebi.

01) Como organizar uma viagem?
Isso vai do foco que cada pessoa quer dar para a sua viagem. As minhas são, via de regra, viagens focadas em shows. Assim já aconteceu de eu sair de Bruxelas para Berlim, de lá para Glasgow e de lá para Paris (roteiros pouco comuns, mas que compensaram). Como os voos internos não são tão caros (em média, comprando antecipadamente, entre R$ 100 e R$ 200 o trecho) você pode fazer esse zigue-zague atrás das bandas que ama.

placa2.jpg

Então eu vou preenchendo lacunas. Salvo um bloco de notas com todas as datas da viagem e vou preenchendo os shows que eu poderia ver, e o que eu precisaria fazer para vê-los. Daí entra o peso de um festival (que permite a você ver várias bandas juntas), mas o charme de um show separado não pode ser descartado (alguns dos melhores shows que vi fora do Brasil foram fora de festivais).

Ou seja, não tem segredo. Você foca em que tipo de viagem quer fazer (“conhecer os principais museus da Europa”, “um tour etílico pelas melhores cervejarias”, “uma viagem com foco histórico”, “um roteiro arquitetônico” ou mesmo uma “pontos turísticos” e vai brincando com as companhias aéreas e de trens para ver qual roteiro fica mais em conta. A idéia é se divertir (planejar a viagem já faz parte da curtição).

placa3.jpg

02) Quanto tempo você acha necessário começar a comprar ingressos e reservar hospedagem?
O quanto antes. Os melhores hostels e os melhores preços de passagem são encontrados antecipadamente. Quanto mais você deixar em cima da hora, mais caro tende a pagar por um quarto ou por um trecho de avião/trem. Isso não impede de planejar uma viagem para daqui 20 dias. Rola, e procurando bem você pode encontrar bons preços e bons locais, mas daí é preciso também um pouco de sorte.

03) Quais são os melhores sites para descobrir os shows que estão rolando nos países?
Uso o Pollstar e a Last FM. O Pollstar é facílimo. Você pode buscar por artista (indo direto naquele que você quer realmente ver) ou por cidade – que recomendo muito mais. Você digita, por exemplo, New York, e o buscador lista as bandas que contenham a palavra New York (New York Dolls, por exemplo) e cidades. Clicando em New York você verá uma lista de páginas (no dia de hoje tinham 49) listando todos os shows que estão confirmados na cidade até o momento. A maioria linka para a empresa que vende os tickets. Fácil de manusear e altamente funcional.

placa4.jpg

A Last FM tem vantagens e desvantagens. Uma das maiores vantagens é você conseguir listar um País inteiro. Clica-se em Eventos e, na página seguinte, altera-se a Localização para onde você quiser conferir a agenda. Você pode procurar, por exemplo, nos Estados Unidos inteiro, no Reino Unido e daí em diante. Ajuda a encontrar shows próximos, e isso é bastante interessante. A desvantagem é que nem todo o show ali presente está confirmado. Bom sempre confirmar no site do artista, mas é um bom start. Uma dica: trocando o número no final da barra de endereço você consegue se aproximar com mais rapidez de datas distantes.

Pollstar:  http://www.pollstar.com
Last.Fm: http://www.lastfm.com.br/events

E, claro, o próprio site e My Space das bandas.

placa5.jpg

04) Quais são seus sites referência para transporte e hospedagem?

Voos

Skyscanner: http://www.skyscanner.com.br/ (ótimo comparador)
Easyjet: http://www.easyjet.com
Ryanair: http://www.ryanair.com/pt (leia com atenção o contrato)
Ibéria: http://www.iberia.com/

Trem
Rail Europe: http://www.raileurope.com.br/
Renfe: https://venta.renfe.com/
SNCF - França: http://www.sncf.com/
SNCB - Bélgica: http://www.b-rail.be/main/E/

Hospedagem

Hostel Word: http://www.hostelworld.com/
Homelidays: http://www.homelidays.com/
Easy Hotel: http://www.easyhotel.com/
Accor: http://www.accorhotels.com/ (Ibis e Novotel)
Formule 1: http://www.hotelformule1.com/

placa6.jpg

Leia também:
- Quanto custa uma viagem para a Europa? Post sobre passagens, hospedagens, viagens internas, visto, seguro viagem e alimentação e outras dicas (leia aqui)
- Diário Europa 2008 (aqui), 2009 (aqui), 2010 (aqui) 2011 (aqui) e EUA 2011 (aqui)

Abril 4, 2011   3 Comments

Unindo arquitetura e turismo

mimoa.jpg

Dica da @licallegari: o Mimoa é um guia turistico de arquitetura online. Você faz o cadastro gratuito e pode pesquisar obras de arquitetura nas cidades que vai visitar (por cidade, arquiteto ou escritório). Muito legal.

http://www.mimoa.eu/

Março 17, 2011   No Comments

Três dias e meio em Salvador

salvador1.jpg

23 de dezembro, 18h. A folga de fim de ano se aproximava (plantão no natal, folga no reveillon) e o plano inicial era ficar em casa os sete dias (entre 27/12 e 02/01), mas daí caiu a ficha: se ficarmos em casa vamos inevitavelmente trabalhar. A vontade era descansar e desestressar, esquecer emprego e o caos paulistano por alguns dias. Mas ir para onde oito dias antes do ano terminar?

A busca começou de modo simples. Com as páginas do Decolar e do Submarino Viagens abertas em duas janelas, e a do mapa do Brasil no Google Maps na outra comecei a buscar destinos. Primeiro tentei Montevidéu e Buenos Aires (mais caras do que pensávamos gastar) e depois fui pra Belém e, de lá, comecei a descer capital a capital procurando um vôo ok. A cidade escolhida acabou sendo Salvador.

salvador2.jpg

Na mesma hora, corri para o Twitter pedindo dicas aos amigos de hotéis na cidade. A Maira (@MGoldschmidt) indicou este aqui (além de repassar dicas bacanas em seu blog), que me pareceu ótimo, e só não fechei porque o Luciano (@lubmatos), do ótimo El Cabong, fez o convite para ficarmos em sua casa garantindo dicas da cidade e muita hospitalidade soteropolitana. Primeira vez na cidade, viagem curtíssima, bora correr para os amigos. Valeu demais a pena.

Bem, um dos motivos do voo ser barato era que ele saia na terça (28/12) às 9h de Campinas e retornava de Salvador às 8h do dia 01/01 (quem voa na manhã do primeiro dia do ano? Dos 118 lugares do avião só os quatro últimos estavam vagos). Traduzindo tudo isso: teríamos apenas a tarde de terça, mais três dias inteiros (quarta, quinta e sexta) e a madrugada de réveillon para curtir Salvador. E foi bastante especial.

salvador3.jpg

Encontramos com facilidade a casa do Luciano, na Vila Laura, e dicas repassadas (ele não poderia nos acompanhar porque tinha ferrado o joelho batendo baba – jogando futebol no dicionário local) lá fomos nós camelar pela primeira capital do Brasil. O dia parece começar com 30 graus logo às 8h da manhã. Sabe a frase “o sol que arde em Itapuã”? Não é apenas lá. Mas venta bastante, o que deixa a cidade bastante agradável (quando o sol se esconde atrás do mormaço espere sufoco: esquenta muito e não venta).

Roteiro básico de turista: descemos do ônibus na Baixa do Sapateiro e seguimos Pelourinho adentro até chegar ao Terreiro de Jesus e esticar ao Elevador Lacerda. Local de prostituição e drogas nos anos 60, o Pelourinho (que possui um conjunto arquitetônico colonial) foi revitalizado nos anos 80 pela administração ACM, que transformou as casas dos moradores (que foram obrigados a migrar para as extremidades do Centro Histórico) em lojas, centros culturais e restaurantes, o que deu ao local uma característica turística.

salvador12.jpg

Porém, impossível não parar na frente da Fundação Casa de Jorge Amado (o imóvel azul que mais se destaca na praça principal) e relembrar Caetano e Gil cantando: “Pense no Haiti, reze pelo Haiti”. Ele também é aqui. Mas o clima é leve. Totalmente preservado, o Centro Histórico tem uma aura turística, mas suas ladeiras (e tudo que deve ter acontecido nelas durante cinco séculos) têm muita história para contar (a maioria triste) e emocionam.

O Terreiro de Jesus vem logo depois do Largo do Pelô, e é uma praça belíssima e extensa que se estende da Igreja de São Francisco em uma ponta (uma das igrejas mais ornamentadas com ouro do País) até a Basílica de São Salvador, na outra extremidade. Entre as duas há desde rodas de capoeira, barracas de acarajé, bares (Cravinho fica por ali) e algumas lojas além do prédio da primeira Faculdade de Medicina do País.

salvador5.jpg

Um dos destaques da praça é a maravilhosa fachada da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, toda trabalhada com pedra de cantaria, solução arquitetônica pouco usada no Brasil, que remete ao barroco espanhol. Encoberta com argamassa por mais de um século (visando esconder as imagens pagãs), a fachada original foi descoberta no início do século XX. E é deslumbrante - lembra algumas igrejas góticas de Londres e Paris. A visita ao interior ainda vale a pena porque é uma das poucas igrejas no País que permite visitar os andares superiores.

O Elevador Lacerda, por sua vez, é só um elevador (sem visão panorâmica nem nada). Um dos principais cartões postais da cidade, o Elevador foi inaugurado em 1873 visando ligar a Cidade Baixa à Cidade Alta, e é muito mais bonito visto por fora. Se o caso é descer, vale mais ir atrás dos três Planos Inclinados que ligam o Centro Histórico à Cidade Baixa (com a mesma tarifa de R$ 0,15 e a vantagem da vista). O Plano Gonçalves (semelhante aos Ascensores de Valparaiso, no Chile, denominados Patrimônio da Humanidade) fica exatamente atrás da Basílica – e é menos concorrido que o Lacerda.

salvador6.jpg

Na Cidade Baixa, uma olhada de fora no Mercado Modelo (só fiquei sabendo depois que o Sepultura gravou o clipe que “Roots Bloody Roots” ali – relembre o vídeo aqui) e uma caminhada ao primeiro grande ponto apaixonante da cidade, o Solar do Unhão, um prédio do século XVI às margens da Baía de Todos os Santos que, desde 1969 (com trabalho de restauração com projeto assinado pela arquiteta Lina Bo Bardi), virou a casa do Museu de Arte Moderna da Bahia.

A construção e a adaptação proposta por Lina (que também assina o belíssimo projeto do Sesc Pompéia, em São Paulo) fizeram do local um charme, desde a elegante escada lateral com uma bela rampa de madeira sobre o mar até a transformação do ambiente em museu (são oito salas de exposição, um teatro/cinema, uma biblioteca, um café – e uma famosa escada helicoidal, essa aqui) com uma vista esplendorosa do pôr-do-sol na Baía. Um local para se visitar todas as vezes que eu for a Salvador daqui em diante.

salvador7.jpg

Já que o assunto é museu vale encaixar o bonito Museu Rodin, instalado em um belíssimo casarão de 1912 (vale olhar as esculturas em gesso do mestre francês e o teto detalhado da casa), que ganhou um anexo respeitoso – assinado pelos arquitetos Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci – que se integra ao casarão e dá lugar a uma bela galeria e um aconchegante café (Lili namorou o prato de camarão ao molho de jabuticabas oferecido pelo cardápio, mas havíamos acabado de almoçar quando chegamos).

E se falamos em comida, eu provei o Acarajé da Cira (do Rio Vermelho e de Itapuã)… e não gostei. Lili curtiu, mas achei o lance todo meio sem gosto (e eu nem gosto tanto de camarão assim). Fugimos dos pratos quentes (apimentados), e me encontrei numa das melhores dicas do Luciano, a carne de fumeiro, carne de porco defumada na fumaça (e que lembra muito um pedaço suculento e delicioso de… bacon). Muito popular na Espanha e em Portugal, a carne de fumeiro é quase desconhecida no Brasil. Mas não na Bahia. Aleluia. Só uma coisa: pra que tanto coentro na comida????

salvador9.jpg

No quesito sabores valeu demais a visita a Sorveteria da Ribeira, na compania do chapa André Mendes (@andre__mendes) (lembra da ótima banda Maria Bacana?). Provei os sabores de Cajá e, por engano, Tapioca (eu pedi Caipiroska). Ainda bem. Fiquei completamente viciado no sorvete de Tapioca, uma delicia de dar água na boca. Lili apostou (e se deu muito bem) no destaque da casa, o também maravilhoso sorvete de Coco Verde (lembra água de coco). André, que nasceu e cresceu no Bonfim, nos levou por um tour pela região, com direito a pôr-do-sol na Ponta do Humaitá e muitas histórias.

Ainda teve banho de mar no Porto da Barra (eu ficava o dia inteiro lá se me deixassem, mas mesmo com protetor sai queimado ficando só de 8h às 11h), almoço na barraca Buraco da Velha (uma ótima pescada amarela) aos pés da praia (completamente lotada) e também na Pedra Furada (recomendo, recomendo) e réveillon na casa da Lilla (parceira de cerveja e bom humor e papo constante) com muita gente legal e várias histórias do rock baiano (conheci Ronei Jorge, grande cara).

salvador10.jpg

Teve muito mais coisas (e só foram três dias e meio!), mas acho que o principal é isso. Então você me pergunta: o que você achou de Salvador? A resposta é difícil de se condensar em poucas palavras por tão pouco tempo, mas a impressão foi ótima. No começo, um certo descuido com a cidade chamou a atenção e lançou uma dúvida: isso é fruto de descaso político (prefeito, governador) ou o jeito de ser soteropolitano? Ou uma mescla dos dois? Por que as praias (belíssimas e limpas) sugerem imponência e as casas, boa parte, parecem desgastadas?

Uma frase de Lina Bo Bardi (de uma exposição no Solar Ferrão, no Pelourinho, analisando sua passagem pelo Nordeste) saltou aos olhos: “A não importância da beleza”. Entendi essa frase não como um descaso com o que é belo, mas sim uma leveza em relação a ele. A liberdade é bela (Lina faz questão de frisar: “Aí eu vi a liberdade”), e tudo mais funciona como amarras de certa condição do que se convencionou dizer que é bonito e feio. E Salvador, mesmo desgastada, é bonita. Pois a beleza é ser livre (e ser feliz).

salvador11.jpg

Ainda assim, um projeto assinado pelo escritório paulista Brasil Arquitetura (que trabalhou no Museu Rodin – e recheou de móveis da Lina o café do local) pretende recuperar a Cidade Baixa, sufocada pelo trânsito de veículos e com dezenas de imóveis condenados nas encostas. A reportagem (de abril de 2010) publicada na Folha levanta questões de ordem política (penso no social: para onde vão os moradores pobres da região?), mas o projeto parece interessante (veja aqui). Talvez seja a cidade se dedicando ao turismo (o grande gancho econômico do novo século), querendo ficar bela para o olhar (soteropolitano ou não). Desde que a liberdade se preserve, tudo bem.

Terceira maior cidade com habitantes do País (oitava da América Latina), São Salvador da Bahia de Todos os Santos já foi a cidade de maior desigualdade social do Brasil, em ranking da ONU de 2007 (o posto em 2010 é de Goiânia.) Têm bairros que parecem cidadezinhas de interior (como Santo Antônio, com coreto na praça e tudo), uma pressa no trânsito que joga pelo ralo o estigma da preguiça e um jeito para o batuque (no axé e no candomblé) que contagia e parece correr no sangue. É uma cidade com o poder de encantar (e fazer pensar) em três dias e meio. Ainda volto com mais tempo.

salvador8.jpg

Fotos: Liliane Callegari (mais aqui) e Marcelo Costa (mais aqui)

Ps. Obrigado Luciano, Lilla e André por tudo!

Janeiro 3, 2011   8 Comments

Fui ali em Salvador

beber uma água de coco. Já volto.

Dezembro 29, 2010   3 Comments

Relembrando Viena em um dia de cama

antes_amanhecer3.jpg

 Terça-feira, dia de folga. Nos planos, olhar mais alguns apartamentos e escrever alguns textos, mas uma intoxicação alimentar me deixou de cama o dia todo. Na impossibilidade de fazer qualquer coisa que exigisse movimentos, joguei o corpo no colchão e fui rever “Antes do Amanhecer”, para observar Viena novamente. Achei que a Zollamtssteg Bridge não era a ponte que aparece no filme, mas era. E o casal Jesse e Celine vai em um pub chamado Arena Café que tem que ter alguma relação com o Arena Viena do post anterior, pois o clima é o mesmo. No mais, o filme se passa em uma área que não visitamos, o Prater, o parque com a famosa Wiener Riesenrad, uma das rodas-gigantes mais altas e antigas do mundo.

antes_amanhecer1.jpg

Aproveitando a revisão, é impressionante como “Antes do Amanhecer” não envelhece. Lançado em 1995, o filme de Richard Linklater é uma ode à inocência cuja seqüência (“Antes do Por-do-Sol“, 2004) foi um belíssimo contraponto. Os dois filmes são extremamente textuais. Conversa sobre conversa sobre conversa. E são nesses diálogos repletos de significados que reside a beleza dos dois filmes, o primeiro focando na inocência dos personagens, e o segundo pegando aquela fase da vida em que já quebramos a cara um número razoável de vezes, e por isso nos tornamos um tanto cínicos em relação ao mundo, no geral, e ao amor, em particular.

antes_amanhecer2.jpg

Ps. Quem for para Viena e quiser procurar as locações do “Antes do Amanhecer” pode consultar estes dois textos bacanas aqui e aqui
Ps2. Meu texto de seis anos atrás sobre “Antes do Por-do-Sol” aqui

Junho 30, 2010   2 Comments

Uma viagem meio sem pé nem cabeça

budapeste1.jpg

Voltamos para casa faz uns quatro dias, e já durante o vôo vindo de Madri eu imaginava o que falar da viagem deste ano. Os dois anos anteriores foram mais fáceis – de falar e viajar. Primeiro porque as cidades eram mais (ahñ) óbvias, e segundo porque havia o deslumbre da primeira vez. Esse ano foi a terceira viagem (minha, segunda da Lili), e tudo foi mais confuso, nublado e frio, mas mesmo assim não menos emocionante.

budapeste2.jpg

A idéia inicial era ou ir para o Leste ou para a Escandinávia. Wilco e BRMC iriam tocar nas duas regiões em datas próximas, então era só ajeitar a agenda e escolher. Acabamos optando pelo Leste por motivos financeiros. A Escandinávia, dizem, é muito cara. No fim das contas, por culpa de Jeff Tweedy, acabamos esticando para a Grécia e chegamos até Istambul, definitivamente a cidade mais querida desta viagem.

budapeste3.jpg

Porém, tudo começou três semanas antes, quando nosso avião pousou em Madri (numa semana em que o vulcão de nome impronunciável havia cancelado diversos vôos para a Espanha), e de lá pegamos uma conexão para Budapeste. Chegamos arrebentados no hotel após quase um dia inteiro de viagem, e mesmo assim arriscamos uma caminhada… na chuva. No domingo a cidade estava solitária e molhada. Achamos estranho.

viena2.jpg

Na segunda partimos para Viena. Só fizemos isso por culpa do Black Rebel Motorcycle Club, que tocava em um squat super organizado da cidade nesse dia. E valeu a pena. O show foi especial, mas a cidade impressionou ainda mais. A ONU divulgou na mesma semana o ranking de qualidade de vida, com Viena no topo. Basta caminhar, observar e respirar a cidade para entender. E ouvi-la: música clássica (e, para nós, BRMC). Viena não é cinza como Budapeste. É colorida.

viena1.jpg

No entanto, alguma coisa ali pelo terceiro dia saiu do prumo. Viena é certinha demais para quem está acostumado com uma desordem. É tocante ver garotas de olhos azuis passando de bicicleta com imensos violoncelos nas costas, mas é um saco ter que esperar para atravessar a rua no sinal verde quando não há nenhum carro se aproximando nos próximos dois quilômetros. As regras não deviam cegar.

viena3.jpg

Mesmo assim, após o quarto dia, deixamos a cidade número 1 do ranking da ONU para voltar para mais dois dias (agora de sol) em Budapeste, a cidade em que mesmo alguns hotéis de redes mundiais têm damas da noite oferecendo seus dotes no saguão a noite toda. É só uma constatação. Não imagino isso acontecendo em tantas cidades (nem no Rio ou SP, embora em ambas não deva ser difícil pedir tal ajuda).

budapeste4.jpg

Tudo bem, este fato isolado está sendo usado para diminuir a cidade, mas Budapeste não pode ser diminuída. É uma cidade de personalidade, dividida por um rio que separa Buda (antiga e bonita) de Peste (cosmopolita) falando uma língua que até o diabo respeita. E a estação internacional de metrô pode, facilmente, receber um filme de terror. Basta começar a filmar às 3 da madrugada lá. Deve ser assustador. :~

budapeste5.jpg

De Budapeste um trem para Praga, e então o encanto começou. Praga é… foda. Foda. Eita cidade linda. Caminhar na Charles Bridge, mesmo com um montão de milhares de turistas, é algo único. Se perder pelas ruazinhas do centro antigo também. E ver a República Tcheca bater os quase invencíveis russos na final do campeonato mundial de hóquei no gelo na praça principal da cidade junto à torcida tcheca não tem preço.

praga1.jpg

Uma coisa que fiquei matutando: chegar numa cidade com chuva pode nublar seu olhar tanto quanto cair em uma cidade em festa pode fazer você gostar mais ainda do lugar? Provável que sim, em ambos os casos. Mas Praga sobreviveu à dúvida e nos conquistou quatro dias seguidos. E ainda me deu a única cerveja a se infiltrar entre o império belga: no top 15 pessoal, 14 foram belgas. Só uma “estranha”, tcheca, Kout.

praga2.jpg

Praga encerrava a primeira metade da viagem de línguas estranhas. Como esquecer da senhora fofa em Bratislava explicando pausadamente em eslovaco que o ingresso que eu comprei também dava direito a outra atração da cidade: o museu de farmácia. Isso porque perguntei a ela como se agradecia em sua língua: “D’akujem”, ela respondeu. E começou a falar algo que nunca vou conseguir reproduzir, mas entendi.

bratislava1.jpg

Esse primeiro trecho da viagem foi completamente absurdo no quesito língua. Como explicar o magyar, uma língua que parece com o… finlandês. Só personagem de livro do Chico Buarque para aprender. E só mulher para fazer isso com ele. O tcheco não é menos simples, muito menos o eslovaco. Se eu disser que achei o alemão dos austríacos mais entendível você acredita? Onde a gente estava com a cabeça (risos).

barcelona1.jpg

O ponto central da viagem foi Barcelona, e foi um alivio pode exercitar portunhol, mesmo em terra catalã. Se você se lembra das viagens anteriores já sabe no que se transformará esse parágrafo: uma declaração de amor à cidade que já mora no meu coração. Barcelona é poesia para mim. Simples assim. E o Primavera Sound (com Pixies, Wilco, Spoon, Pavement, XX e mais) foi um bom programa musical.

barcelona2.jpg

Próxima parada: um pecado. Ficar um dia apenas em Roma é um pecado. Devia estar em algum código turístico. Fomos para Roma por causa do Wilco, e por duas horas e meia, em um lugar de acústica impecável e arquitetura surrealista (o Parco Della Musica, de Renzo Piano), o Wilco fez valer o peso da mala, o translado do aeroporto e o hotel ruim. Que noite. Que show. Que banda. Que som de guitarra, mister Nels Cline.

wilco.jpg

Jeff Tweedy definiu o rumo da segunda parte da viagem. Fomos para Roma por causa do Wilco, e de lá para Atenas porque era o vôo mais barato da Easyjet. Simples assim (risos). E Atenas é (ou foi e ainda sofre por isso) a Grécia de “Z”, de Costa-Gravas. A economia mais frágil da Comunidade Européia pode ser flagrada nas ruas, mas como não se impressionar com a Acrópole, imponente observando a cidade do céu?

atenas23.jpg

E se reclamavamos do magyar, do tcheco e do eslovaco, o que dizer de um país em que todo mundo fala… grego (piada besta, eu sei, mas útil – hehe). No auge da paixão por Praga, disse que a cidade formava com Veneza e Paris um trio de cidadelas encantadoras. Mas eu nunca poderia imaginar que conheceria uma cidade que seria um sonho, a dona do adjetivo “paradisíaco” e com nome de santa, Santa Irene, ou Santorini.

atenas12.jpg

Dizem que Santorini é a Atlântida de Platão. Já não duvido. Uma cidade que flutua enroscada no topo de morros de um ex-vulcão com casinhas de marshmallow pode ser qualquer coisa. Vou contar – e se você leu até aqui é porque me entende, acho – que só chorei em dois momentos da viagem inteira: no segundo trecho de “Shot In The Arm”, do Wilco, em Roma, e quando ouvi “Santorini Blues”, dos Paralamas, em Santorini.

santorini11.jpg

Santa Irene vai ficar guardada em nossa memória. Até comprei um imã de geladeira de um burrinho e coloquei na geladeira para Lili sempre lembrar que subiu um morro imenso no lombo de um burrico tendo pedras de um lado, despenhadeiro do outro, o Mar Egeu azul lá embaixo, e uma trilha de escada ao infinito para cima. No fim da jornada, Lili tremia, ria e falava ao mesmo tempo, não necessariamente nessa ordem.

santorini31.jpg

Imperceptivelmente, ao traçar o roteiro, colocamos na seqüência uma das poucas cidades no mundo que poderiam manter o astral de Santorini, sem nos causar um banzo, uma vontade danada de voltar para a ilha grega. E assumo que não esperava, mas Istambul foi uma descoberta (que só eu não sabia que seria sensacional, já que a expectativa de Lili era a melhor possível).

istambul.jpg

O que me lembra Istambul agora é o barulho, que o Carlos resumiu perfeitamente em um comentário: “Em Istambul não tem como fugir. É definitivamente a cidade mais barulhenta do mundo. É gente vendendo, gente rezando, musica alta, etc., para todo canto da cidade”. E é isso mesmo. Faz parte do jeito turco de viver, e ao contrário do que possa parecer, é bacana. Acredite: você se acostuma.

istambul25.jpg

Teve o passeio pelo Bósforo, a aula sobre a vila de Anadolu Kavagi dada pelo Ismail, um taxista que também é guia, mas que nos pareceu mais um querido vovô aposentado que, para matar o tempo, entrete os turistas que chegam de barco querendo conhecer a região – que taxista ou guia pararia o carro em frente a sua casa para pegar frutas direto de sua horta para presentear desconhecidos?

istambul32.jpg

Também teve a beleza da Mesquita Azul, a impressionante Hagia Sophia, o imenso Palácio Topkapi, a fantasmagórica Cisterna Yerebatan, as compras no Grand Bazaar e no Spice Bazaar (fizemos chá de maçã ontem, aprovado), os pratos de pide (a pizza turca) e uma longa caminhada no calçadão de Isitktal. E, claro, as cervejas turcas, deliciosas. Istambul, nos veremos novamente. Anote.

istambul42.jpg

Para o fim, Londres. Três anos atrás, quando pisei pela primeira vez na capital do mundo pop, a cidade não bateu. Não é que eu não tenha gostado de Londres, imagina, mas a expectativa era grande demais. Todo mundo falava: “Quando você for para Londres você vai pirar”. E eu não pirei. Mas na minha terceira passagem pela cidade já posso dizer que a danada está me fazendo ter sonhos europeus (risos).

coventgarden.jpg

Londres é uma das poucas cidades européias que me faz ter vontade de sair à noite para beber uma cerveja e ver um bom show de alguma banda nova, algo que faço em São Paulo religiosamente ao menos uma vez por semana. Se eu morasse em Londres iria bater cartão em festas, iria gastar meu salário em CDs, vinis e shows, e teria carteirinha de cliente preferencial do Belgo, o bar belga da cidade (risos), e também do Rakes.

conet2.jpg

Londres foi um intervalo no grande motivo da ida para o Reino Unido: ver Paul McCartney na Ilha de Wight. Vampire Weekend fez grande show. Blondie foi cool. Suzanne Vega também. Até Strokes surpreendeu. Mas histórico, como disse o rapaz do vídeo no telão (“Vocês não vão esquecer essa noite”, adiantava), foi Paul. Arrepia lembrar de “Helter Skelter”, “Live and Let Die”, “Band on The Run” e “Something”.

paul.jpg

Num balanço rápido, a viagem deste ano foi meio sem pé nem cabeça, mas funcionou. Acho que precisamos de algumas semanas para absorver algumas coisas da viagem, aprofundar o olhar, ampliar horizontes. A cultura de um povo é um bem inestimável. Passamos por lugares tão diferentes entre si (em língua, comida, personalidade), e tão próximos, que várias vezes nos vimos olhando o Brasil. Somos assim: várias nações dentro de uma grande nação. Viajar nos traz de volta pra casa.

santasofia.jpg

E é bom estar em casa, voltar ao trabalho, seguir a rotina. Temos contas para pagar, um novo apartamento para encontrar e mudar, e estamos aprendendo a lidar com a vontade de bater asas e sair voando para longe. Tudo tem sua hora. É só ficar de olhos e ouvidos atentos. Ou, como diria Walter Franco, tudo é uma questão de manter a mente aberta, a espinha ereta e o coração tranqüilo. Acrescento não deixar de tentar realizar sonhos à equação. A vida segue. Ainda bem. :)

santorini4.jpg

Top 10 Cidades
1) Santorini (uma foto)
2) Istambul (uma foto)
3) Praga (uma foto)
4) Barcelona (uma foto)
5) Londres (uma foto)
6) Viena (uma foto)
7) Bratislava (uma foto)
8 ) Budapeste (uma foto)
9) Atenas (uma foto)
10) Ilha de Wight (uma foto)

acropole.jpg

Top Ten Lugares
1) Acrópole, Atenas (uma foto)
2) Santa Sofia, Istambul (uma foto)
3) Charles Bridge, Praga (uma foto)
4) Ôia, Santorini (uma foto)
5) Old Town Square, Praga (uma foto)
6) Parco Della Musica, Roma (uma foto)
7) Dancing House, Praga (uma foto)
8 ) Ponte Szabadság, Budapeste (uma foto)
9) Centro histórico, Bratislava (uma foto)
10) MuseumsQuartier, Viena (uma foto)

paul2.jpg

Top Ten Shows
1) Paul McCartney na Ilha de Wight (uma foto)
2) Wilco em Roma (uma foto)
3) Vampire Weekend na Ilha de Wight (uma foto)
4) Spoon no Primavera Sound (uma foto)
5) Black Rebel Motorcycle Club em Viena
6) Strokes na Ilha de Wight (uma foto)
7) Broken Social Scene no Primavera Sound (uma foto)
8 ) Pixies no Primavera Sound (uma foto)
9) Pavement no Primavera Sound (uma foto)
10) Scout Niblett no Primavera Sound (uma foto)

malte.jpg

Top Ten Cervejas
1) Duvel, Bélgica (aqui) 8,5%
1) Chimay Blue, Bélgica (aqui) 9%
1) Chimay Red, Bélgica (uma foto) 7%
4) Kout Special Dark Beer 14°, República Tcheca (uma foto) 6%
5) Grimbergen Cuvée de l’Ermitage, Bélgica (uma foto) 7,5%
6) Grimbergen Optimo Bruno, Bélgica (uma foto) 10%
7) Gouden Carolus Ambrio, Bélgica (uma foto) 8%
8 ) Judas, Bélgica (uma foto) 8,5%
9) Achel Blonde, Bélgica (uma foto) 8%
10) Orval, Bélgica (uma foto) 6,2%

cure2.jpg

Top Ten CDs comprados
1) All Miles, The Prestige Albums, Miles Davis (box com 14 CDs)
2) Disintegration Deluxe Edition, The Cure
3) Fly On The Wall – B Sides e Rarities, Paul Weller (box com 3 CDs)
4) The Complete Singles Collection, The Thirteen Floor Elevators
5) Verona, Samson e Delilah, Bruce Springsteen (Bootleg)
6) Live at Isle of Wight, Leonard Cohen
7) London Wembley Arena, 05/10/2000, Bob Dylan (Bootleg)
8 ) New York City Blues, Lou Reed (Bootleg)
9) Working For The Man Deluxe Edition, Tindersticks
10) Stone Roses Deluxe Edition, Stone Roses

isle.jpg

Todas as fotos por Marcelo Costa e Liliane Callegari

Mais fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Junho 20, 2010   11 Comments

Os CDs comprados na viagem

oscdsaviagem.jpg

Atendendo a pedidos, cá está a tradicional foto dos CDs comprados na viagem (em alta aqui). Para relembrar e comparar (e tentar adivinhar alguns títulos) tem a foto dos CDs comprados em 2008 (aqui) e 2009 (aqui). Tenho a percepção que fui mais contido neste ano. Ao contrário dos anos anteriores, em que eu entrava em lojinhas de CDs em toda cidade procurando alguma raridade, desta vez deixei para fazer isso em Londres, último trecho da viagem.

Não que não tenha comprado nada antes. Os primeiros CDs foram pegos no meio da viagem, em Barcelona. Alguns na Fnac (como o duplo ao vivo da The Band e a coletânea dupla do Eels) e outros na sensacional loja Revolver, na Calle Tallers, número 13 (site oficial aqui). Se você algum dia passar por Barcelona sinta-se obrigado a ir a esta loja. E cuidado: a sessão de bootlegs em CDs e DVDs é um perigo para a sua conta bancaria.

Os dois DVDs do Fellini (com legendas em português) foram comprados na FNAC de Atenas e a grande maioria dos bootlegs numa lojinha barateira no mercado de pulgas da capital grega. E os vinis em Cowes, na Ilha de Wight. Depois disso apenas Londres. A maioria dos CDs foi comprada entre a Fopp e as duas HMV da Oxford Street. Uns três ou quatro itens eu peguei na MVE da Berwick Street (a rua da capa do segundo disco do Oasis). Quase nada de lançamento e muitas edições especiais…

Junho 18, 2010   12 Comments

68 cervejas diferentes em 30 dias

achel.jpg

Na verdade foram 69, mas não consigo de forma alguma entender a anotação que fiz da cerveja feita na Ilha de Wight, a primeira da hora daquele almoço. E também não foram apenas 68. Nos festivais (Primavera e Isle), em que você passa um bom tempo vendo shows, bebi várias São Miguel e Carling (respectivamente). E acho que a única extra que repeti foram as deliciosas Gusta na Turquia e a passável Red Stripe, em Londres.

Das minhas cervejas prediletas faltaram a Leffe e a Hoegaarden, ambas com posições garantidas entre os dez primeiros. As duas, inclusive, eram fáceis de se encontrar, e até topamos com versões 750 ml delas em um supermercado na Ilha de Wight (a da Leffe em versão rolha), mas o supermercado estava fechado quando voltamos para compra-las. Uma pena. Uma boa cota dessa lista veio do Belgo, o excelente bar belga em Londres (em Covent Garden. Saca um clique do cardápio dos caras aqui).

Inevitável, mas a Bélgica lidera disparado a lista, e isso levando-se em conta que metade da viagem foi feita no Leste Europeu, casa da tradicional Pilsen, que não reina aqui em casa. Aliás, seria interessante alguém listar a diferença da Alpha para a Mythos e desta para Roná e desta para a Nastro Azzuro e desta para a Carling e desta para a Fisher, Grolsh, Cobra, Kaiser, Red Stripe e Staropramen… todas praticamente iguais.

Duvel é o topo certo da lista. Uma cerveja saborosa e tremendamente alcoólica, quase uma bomba relógio liquida que faz sonhar. No mesmo nível surge as Chimay, cervejas trapistas que em qualquer supermercado na Europa custa 2 euros, e no Brasil não sai por menos de R$ 20. Tanto a Red quanto a Blue são matadoras. Possível viver o resto da vida se alimentando delas.

A grande surpresa da viagem foi a Turquia. O Islã proíbe bebidas alcoólicas, e mesmo assim a Turquia fábrica ótimas cervejas como a Efes e a Gusta. Um nome para se provar em Praga é a Kout, feita em uma cervejaria que reabriu as portas faz pouco tempo, e que não tem uma boa distribuição. Local garantido de achar é no bar do prédio Dancing House, de Frank Gehry e Vlado Milunić. Tem duas ou três versões. Tente provar todas. Vale muito.

Há ainda os itens curiosos, como a Cannabis, cerveja ok feita de maconha, e fruit beers. Dessas, a Mongozo é disparada a melhor. Tem a mesma graduação alcoólica de uma Brahma, diferente das cervejas de limão (como a Sandy e as Marzens austriacas), fraquissimas. Abaixo a lista final. Para o começo do mês prometo um Top 100 incluindoas outras cervejas já listadas no Bebidinhas. Enquanto isso, um brinde. E saúde:

1) 5/5 – Duvel, Bélgica (aqui) 8,5%
1) 5/5 – Chimay Blue, Bélgica (aqui) 9%
1) 5/5 – Chimay Red, Bélgica (aqui) 7%
4) 4,96/5 – Kout Special Dark Beer 14°, República Tcheca (aqui) 6%
5) 4,95/5 – Grimbergen Cuvée de l’Ermitage, Bélgica (aqui) 7,5%
6) 4,92/5 – Grimbergen Optimo Bruno, Bélgica (aqui) 10%
7) 4,79/5 – Gouden Carolus Ambrio, Bélgica (aqui) 8%
8 ) 4,75/5 – Judas, Bélgica (aqui) 8,5%
9) 4,74/5 – Achel Blonde, Bélgica (aqui) 8%
10) 4,72/5 – Orval, Bélgica (aqui) 6,2%
11) 4,70/5 – Achel Brune, Bélgica (aqui) 8%
12) 4,66/5 – Westmalle Trappist Dubbel, Bélgica (aqui) 7%
13) 4,65/5 – Pauwel Kwak, Bélgica (aqui) 8,1%
14) 4,60/5 – Satan Gold, Bélgica (aqui) 8%
15) 4,50/5 – Grimbergen Blonde, Bélgica (aqui) 6,7%
16) 4,46/5 – Voll Damm, Espanha (aqui) 7,2%
17) 4,20/5 – Gusta Weiss Dark, Turquia (aqui) 5,5%
18) 4,09/5 – Efes Dark Brown, Turquia (aqui) 6,1%
19) 4,08/5 – Efes Dark, Turquia (aqui) 6,1%
20) 4,01/5 – Gusta Weiss, Turquia (aqui) 5%
21) 3,99/5 – Edelweiss, Áustria (aqui) 5,5%
22) 3,85/5 – Hofbrau Munchen, Alemanha (aqui) 5,1%
23) 3,65/5 – Soproni’s Fekete Démon, Hungria (aqui) 5,2%
24) 3,57/5 – McFarland, Holanda (aqui) 5,6%
25) 3,55/5 – Rethymnian Dark, Grécia (aqui) 4,8%
26) 3,01/5 – Craft Weiss, Grécia (aqui) 5%
27) 2,99/5 – Rethymnian Blonde, Grécia (aqui) 4,8%
28) 2,92/5 – Negra Modelo, México (aqui) 5,2%
29) 2,89/5 – Staropramen Černý (Dark), República Tcheca (aqui) 4,4%
30) 2,88/5 – Kozel Černý (Dark), República Tcheca (aqui) 3,8%
31) 2,86/5 – Craft Red Ale, Grécia (aqui) 4,8%
32) 2,85/5 – Mongozo Banana, Bélgica (aqui) 4,8%
33) 2,84/5 – Blanche De Bruxelles, Bélgica (aqui) 4,5%
34) 2,79/5 – Wadsworth 6 X, Reino Unido (aqui) 4,3%
35) 2,78/5 – Newcastle Brown Ale, Reino Unido - 4,7%
36) 2,76/5 – Mahou, Espanha - 5,2%
37) 2,76/5 – Efes Extra, Turquia (aqui) 8%
38) 2,75/5 - Kronenbourg 1664, França (aqui) 5%
39) 2,73/5 – Pilsner Urquell, República Tcheca (aqui) 4,4%
40) 2,72/5 – Craft Pilsner, Grécia (aqui) 5%
41) 2,71/5 – Amstel, Holanda (aqui) 5%
42) 2,65/5 – Arany Ászok, Hungria (aqui) 4,5%
43) 2,62/5 - Staropramen Granat, República Tcheca (aqui) 4,8%
44) 2,55/5 - Staropramen Premium Lager, República Tcheca (aqui) 5%
45) 2,54/5 - Gambrinus Svetly, República Tcheca (aqui) 4,1%
46) 2,49/5 - Hubertus Bräu, Áustria (aqui) 3,9%
47) 2,45/5 - Kozel Premium, República Tcheca (aqui) 4,8%
48) 2,32/5 - Tyskie Lech Premium, Polônia - 5,2%
49) 2,31/5 - Mythos Red, Grécia (aqui) 5,5%
50) 2,30/5 - San Miguel, Espanha 4,8%
51) 2,29/5 - Cannabia, Espanha (aqui) 4,8%
52) 2,28/5 - Kaiser, Áustria (aqui) 5%
53) 2,27/5 - Red Stripe, Jamaica (aqui) 4,7%
54) 2,26/5 - Cobra, Reino Unido - 5%
55) 2,25/5 - Eggenberg Vollbier, Áustria (aqui) 5,1%
56) 2,24/5 - Grolsch, Holanda (aqui) 5%
57) 2,20/5 - Fischer, Grécia (aqui) 5%
58) 2,11/5 - Alpha, Grécia (aqui) 5,4%
59) 2,07/5 - Wieselburger Stammbräu, Áustria (aqui) 5,4%
60) 2,06/5 - Carling, Reino Unido (aqui) 4%
61) 2,05/5 - Róna, Hungria (aqui) 5%
62) 2,04/5 - Nastro Azzuro, Itália (aqui) 5%
63) 2,02/5 - Mythos, Grécia (aqui) 5,4%
64) 2,01/5 - Dreher, Hungria (aqui) 5,2%
65) 1,99/5 - Elephant, Dinamarca (aqui) 7,2%
66) 1,85/5 - Gösser Märzen, Áustria (aqui) 5,2%
67) 1,10/5 - Sandy, Grécia 2,0%
68) 1,00/5 - Gösser Radler, Áustria (aqui) 2,0%

Fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Junho 17, 2010   4 Comments

Em São Paulo

Acabei de ligar a geladeira e colocar as cervejas para gelar. A pizza chegou, e é isso que temos de comida em casa hoje após um mês batendo perna pelo mundo. Na segunda, ainda em Londres, rolou despedida no Belgo com presença do Afonso e do Askera. Na terça, enquanto o Brasil jogava (feio), a gente esperava, esperava e esperava pelo vôo de conexão para Madri, que atrasou duas horas, e nos fez perder nosso vôo para o Brasil. A Iberia nos colocou em um hotel (eu, Lili, mais dois brasileiros, o Lúcio, que já fez o Caminho de Santiago oito vezes, e a Licia, e um grupo de chilenos) e o novo vôo remarcado saiu hoje ao meio dia me fazendo perder a festa de lançamento de “O Pequeno Livro do Rock”, a coletiva de imprensa do que seria o Woodstoock em Itu e uma tarde inteira livre para procurar um novo apartamento. A vida recomeça, mas ainda há coisas da viagem pendentes. Preciso atualizar a lista final das cervejas e fazer o balanção. Amanhã, combinado? :)

Ps. É bom estar de volta…

Junho 16, 2010   4 Comments

Paul McCartney na Ilha de Wight

isle1.jpg

“Qual show você gostou mais?”, pergunta uma senhora que aparenta ter uns 50 anos, e que bate cartão no Festival da Ilha de Wight desde 2006. “Pink”, responde uma garota que não deve passar dos 18 anos. “A Pink foi realmente surpreendente”, completa a senhora. No banco ao lado do double decker bus que leva o público de volta pra casa, um casal de idade comenta: “Jay-Z foi legal, mas a Pink e o Macca foram demais. Quem será que eles vão trazer para o ano que vem?”. Senhores e senhoras, esse é o Festival da Ilha de Wight.

isle2.jpg

As três primeiras edições do Festival da Ilha de Wight aconteceram no final dos anos 70 (mais precisamente 1968, 1969 e 1970), sendo que a última reuniu 600 mil pessoas (que foram ver Doors, Who, Leonard Cohen e Jimi Hendrix, entre outros). Após três décadas de silêncio, a ilha na costa sul da Inglaterra voltou a sediar o festival de música em 2002, e desde então anualmente a Ilha de Wight vira palco de grandes shows no mês de junho - ao lado de eventos como caminhadas de terceira idade e competições de regatas.

isle3.jpg

No caso do festival de música, a organização impressiona. São dezenas e dezenas de barraquinhas que servem uma variedade extensa de comida (indiana, japonesa, mexicana, tailandesa, italiana, vegetariana, hambúrguer de carne de avestruz e muito mais), cerveja, vinho, roupas, chá, chocolate quente, doces, sorvetes, badulaques e tudo o mais, sem contar o parque de diversões que é montado no meio do evento para alegria dos aventureiros (uma bola de bungee jump era particularmente assustadora) e dos saudosistas (tinha até carrinho bate-bate).

isle4.jpg

Alguém pode perguntar: e a música? A música está lá, bem representada, mas um festival de verão no velho mundo é muito mais do que música, pois os europeus (no geral, e os ingleses em particular) piram com os únicos dois meses e pouco de sol que eles vão ter no ano, então o tempo bom é motivo para festejar. Não a toa, a maioria das 50 mil pessoas que congestionaram os ferries na travessia de Southampton para a Ilha de Wight o fez para acampar no festival, uma coisa tão inglesa quanto o carnaval para os brasileiros.

isle5.jpg

O público não poderia ser mais diversificado. Pais com filhos, moleques e meninas de 10 anos curtindo os shows em turma (e mandando SMS para os pais avisando que estava tudo bem), hippies velhos que já viram centenas de outros festivais, vovós (uma senhorinha em particular chamou a atenção: ela estava com a camisa do festival de 2007, tinha vários bottons dos Stones na bolsinha e comia um bolo de chocolate enquanto um dos shows não começava) e uma multidão de gente fantasiada, que deixa o ambiente meio nonsense, mas também divertido.

isle6.jpg

O festival acontece em um parque nos arredores de Newport, principal cidade da ilha, e parece ser feito especialmente para quem lota os campings, e pode dar uma boa caminhada para ver seu artista preferido na hora que quiser e depois voltar pra “casinha”. Os shows começam às 11h da manhã e seguem até meia noite numa extensa maratona. São dois grandes palcos (o menor deles numa tenda), um palco acústico e algumas tendas eletrônicas (que funcionam na madrugada para os corajosos, que são muitos).

isle7.jpg

A programação 2010 começou na sexta com shows de Florence + The Machine, Doves, Calvin Harris e Jay-Z (queridinho da liga de festivais europeus), entre outros, mas chegamos apenas no sábado, exatamente quando Ezra Koening subia ao palco com seu Vampire Weekend para seu já tradicional grande show. A apresentação funciona melhor em um lugar pequeno (com todo mundo dançando abraçado como no Werchter e no T In The Park em 2008), mas a banda cresceu e convence também em um grande palco. “Horchata” foi cool, mas “Cousins”, “Walcout”, “A-Punk”, “Oxford Comma” e “Cape Cod Kwassa Kwassa” foram celebrativas.

isle8.jpg

O Blondie, na seqüência, mostrou boas canções recentes e alguns clássicos antigos. A musa Debbie Harry está bem diferente do show do Personal Fest, em 2004 (aqui), parecendo mais um robô estático no palco do que a deusa de toda uma geração. Um simples movimento de cabeça puxa outras parte do corpo (será culpa das cirurgias plásticas?), e a cena toda é bem estranha. A voz faltou em “Call Me”, mas as versões de “One Way Or Another” e “Heart of Glass” (que eles não tocaram em Buenos Aires) honraram o mito. Ela deixou o palco recomendando: “Não façam nada que eu não faria”. Sei…

isle9.jpg

Na posição de headliners, o Strokes fechou a segunda noite com um show quilômetros à frente da apresentação mediana que fez em São Paulo, no Tim Festival, anos atrás (relembre aqui). A banda evoluiu muito, e Julian Casablancas (bêbado ou drogado, procure vídeos no Youtube e decida) toda hora repetia o quanto era bom estar de volta. O problema é que o show foi curto (a primeira parte acabou com 13 músicas e eles fecharam a noite com 17) e não trouxe nada de novo. Os caras ficam parados dois anos e voltam fazendo o mesmo show de dois anos atrás (no meio das gravações do disco novo). Frustrante, mas ainda assim um grande show. Agora só falta aprender a usar as luzes do palco a favor…

isle10.jpg

Para o domingo, a grande atração era Sir Paul McCartney, mas o dia começou com Suzanne Vega no palco acústico fazendo um show normal, com banda. Ela tinha se apresentado no palco principal ao meio dia (será que alguém acordou para vê-la?), e a organização sabiamente a colocou também neste palco num horário decente (19h). A primeira coisa que ela fez foi agradecer a presença do público: “Obrigado por vocês estarem aqui e não no palco principal vendo a Pink”, espetou. O show começou com “Marlene on The Wall”, do primeiro álbum da cantora, e misturou canções velhas e novas em uma apresentação delicada e bonita.

isle11.jpg

Deixamos Suzanne Vega sete músicas depois (e antes do final) para tentar encontrar um bom lugar para ver Paul McCartney no palco principal, o que nos deu oportunidade de presenciar ainda três músicas da Pink (uma delas, a cover de “Roxanne”, do Police) e perceber o quanto ela é querida na Inglaterra, com todo mundo cantando/berrando junto suas canções. No bis, a cantora voltou fazendo malabarismos em uma corda sobre o imenso público. De impressionar (tente acha-la aqui). A música não diz muita coisa, mas a moça tem um pique no palco de causar inveja. O show terminou com rojões e cortina de fumaça. Bonito.

isle12.jpg

Para fechar a terceira noite, e o festival, Sir Paul McCartney. O show começou morno (com “Venus And Mars/Rock Show” e “Jet”), mas nada como uma canção dos Beatles para colocar as coisas no lugar, função cumprida por “All My Loving” (com direito ao famoso baixo Hofner). “Letting Go” foi dedicada a John Lennon, e “Let Me Roll It” serviu para Paul mostrar seus dotes de guitarrista, citar “Purple Haze” no solo, e contar uma história ao final. “O disco “Sargeant Peppers” foi lançado numa sexta-feira em Londres. No domingo, Jimi tocou a música em um show em Londres. Foi sensacional. Jimi, essa música que toquei foi pra você”.

isle13.jpg

Logo mais, Paul assumiu a guitarra de novo, e explicou: “Essa eu toco guitarra porque fui eu quem gravei a guitarra nessa canção”. E surge “Blackbird”, linda. “Dance Tonight”, uma das canções recentes, faz bonito na noite, mas o grande momento, logo após a alma se arrepiar com “Eleanor Rigby” foi… “Something”, uma canção beatle que não é dele. Paul surge no palco com um ukelele, e diz: “George adorava tocar esse instrumento”, e sozinho começa a música, com o palco todo apagado, de forma acústica. Quando a banda entra na segunda parte da canção, o palco se acende e o telão revela dezenas de fotos de George Harrison, para delírio do público. Emocionante.

isle14.jpg

O trecho final é simplesmente arrasador. Começa com uma grande versão de “Band on The Run”, e segue com “Ob-La-Di, Ob-La-Da”, “Back in the U.S.S.R.”, “Paperback Writer” e “Let It Be”, todas em versões perfeitas. Em “Live and Let Die”, canhões de fogo aquecem o palco, mas nem precisava, tamanha a excelência da canção. “Hey Jude” fecha o show com 50 mil pessoas fazendo o coro do final por quase 10 minutos. A banda volta para o bis, e não economiza: primeiro vem “Day Tripper”, depois “Get Back” e “Yesterday”. Quando o riff de guitarra anuncia “Helter Skelter”, o céu parece que vai desmoronar. “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (reprise) / The End” encerram uma noite inesquecível.

isle15.jpg

Acabou? Quase. Os alto falantes anunciam o fim do festival (embora o grupo britânico James ainda estivesse tocando na segunda tenda) despejando em alto e bom som a clássica versão de Jimi Hendrix para “All Along the Watchtower”, gravada na Ilha de Wight em 31 de agosto de 1970 (dezoito dias antes da morte do guitarrista). Ao mesmo tempo, o céu vira um colorido de fogos e rojões que duram os quase seis minutos da canção num fechamento simbólico comovente. O Festival da Ilha de Wight celebra o fim da edição 2010 com muito estilo. Que venha 2011.

isle16.jpg

Mais fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Set list dos Strokes

1. New York City Cops
2. The Modern Age
3. Hard To Explain
4. Reptilia
5. What Ever Happened?
6. You Only Live Once
7. Soma
8. Vision of Division
9. I Can’t Win
10. Is This It
11. Someday
12. Red Light
13. Last Nite
14. Encore:
14. Juicebox
15. Under Control
16. Heart In A Cage
17. Take It Or Leave It

 

Set List de Paul McCartney

1. Venus And Mars/Rock Show
2. Jet
3. All My Loving
4. Letting Go
5. Let Me Roll It / Purple Haze
6. The Long and Winding Road
7. Nineteen Hundred And Eighty Five
8. I’m Looking Through You
9. Blackbird
10. Here Today
11. Dance Tonight
12. Mrs Vandebilt
13. Eleanor Rigby
14. Something
15. Sing the Changes
16. Band on the Run
17. Ob-La-Di, Ob-La-Da
18. Back in the U.S.S.R.
19. Paperback Writer
20. Let It Be
21. Live and Let Die
22. Hey Jude
23. Encore:
23. Day Tripper
24. Get Back
25. Yesterday
26. Helter Skelter
27. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band / The End

Junho 16, 2010   8 Comments

Últimos dois dias em Londres

londres8.jpg

Já já apareço para contar sobre o Isle of Wight. Correria (ainda bem).

Junho 14, 2010   No Comments

Todo dia parece domingo em Londres

londres2.jpg

A sexta-feira, nosso único dia inteiro em Londres, começou tipicamente inglesa: cinza, fria e com uma garoa insistente. Até parecia domingo, e Morrissey diria: todo dia parece domingo aqui. Colocamos o guarda-chuva na mochila e fomos caminhar pela capital do mundo pop, cidade cujas ruas estampam cartazes dos lançamentos do momento (hoje: o álbum de estreia do Drums e a coleção de singles do Oasis) e onde possível ouvir grande parte dos idiomas do mundo.

Começamos o dia na National Gallery, que por extrema incompetência cultural eu deixei de visitar nos dois anos anteriores que passei pela cidade. Das 61 salas passamos por 45, deixando a área com pinturas do século XV para uma próxima visita (talvez terça-feira, quem sabe). Há muita coisa foda na coleção, embora não exista nenhuma obra inconteste no acervo (talvez a Toilette de Venus, único nu desenhado pelo espanhol Diego Velazquez, mesmo assim inferior a “As Meninas”).

londres3.jpg

Nunca tinha visto tanto Rembrant junto (apenas uma sala chega a ter dez obras suas, mas há várias outras espalhadas pelas demais salas), aquela coisa densa, meio macabra. Foda. Aliás, isso é um mérito da National Gallery: eles tem um grande número de quadros de dezenas de artistas, como Tiziano, Monet, Turner, Pissaro, Van Gogh e Canaletto (deste último existem umas seis ou sete pinturas lindas retratando a Veneza do século XVIII).

Meus preferidos, além do Velazquez, foram Holbein (um impressionante exercício de vida e morte com “The Ambassadors”), Vermeer (o detalhista “A Young Man Standing at a Virginal”), um Seurat (achei meio futurista e totalmente triste “Bathers at Asnieres”), Hayes (em um belíssimo e acadêmico retrato de “Susannah at Her Bath”), Renoir (“At The Theatre”, “Umbrella”), Pissaro (“Boulevard Montmatre”), Turner (“The Fighting Temeraire”) e Cezanne “(“Bathers”).

londres4.jpg

O sol saiu pouco depois das 13h, quando deixamos a National Gallery. Um imenso telão preparado para transmitir os jogos da Copa foi colocado no meio da Trafalgar Square, mas tinha chego a hora de uma visitinha ligeira (nem tanto assim) às minhas megastores prediletas de CDs no mundo: a Fopp e a HMV. Sai carregado das duas lojas com mais de 20 CDs e comprei tudo aquilo que eu ainda não tinha comprado na viagem.

Para comer, contrariando a fama de a comida londrina é ruim, fomos procurar algum pub bacana. Na verdade, Londres é isso: a comida barata é ruim. Não é como Istambul, Atenas, Santorini ou São Paulo, que com R$ 10 você come algo razoavelmente bem (no caso das três primeiras, muito bom). Em Londres você precisa pagar acima de R$ 20 pra isso, e incluindo cerveja (obrigatória, né) a conta pessoal pode estourar um orçamento econômico.

londres5.jpg

Fim de viagem, decidimos investir em um pub legal, e fomos ao Belgo, um pub que destaca no cardápio aproximadamente 80 cervejas belgas mais pratos tradicionais do país, como o Mexilhão (que Lili investiu, feliz). Fui do não menos tradicional fish and chips, com a massa sendo cozida em cerveja Hoegaarden, uma delicia. Além, claro, de três cervejas trapistas (duas Achel de 8,0% e uma Orval) O Belgo fica em Covent Garden (Rua Earlham, 50), os garçons trabalham vestidos de monges e o clima todo é muito bacana. Já é meu pub preferido em Londres.

À noite rolou baladinha em Brick Lane, no 93 Feet East. Fui encontrar o Afonso Capellaro (você chegou a ouvir o programa de rádio que fizemos juntos sobre o Primavera Sound, em Barcelona. Tem reprises na Rádio Levis). Ele tinha dado a dica de uns shows legais na área, e fui conferir (aproveitando para ver jogos da Copa no telão). Só vi a última música do David’s Lyre e gostei. E vi boa parte do show da timida (e bonita) Laura Hocking (subo um vídeo asim que conseguir uma conexão boa) além de beber duas Red Stripe (cerveja jamaicana), uma cerveja polonesa que não lembro o nome e fechar com uma boa Newcastle Brown Ale.

londres6.jpg

Rolou pegar o último metrô para Shepherds Bush, dançar bêbado “Billy Jean” com mais umas 30 pessoas na estação Liverpool Street (momento divertidíssimo com um cara tocando numa entrada, as pessoas dançando animadas como se estivessem em uma balada, e indo cada um para o seu lado assim que a música acabou. Três minutos de felicidade e risos) e chegar em casa para aproveitar algumas horas de sono antes da viagem para a Ilha de Wight. No fim de semana, Vampire Weekend, Blondie, Strokes e Paul. Conto tudo na segunda.

londres7.jpg

Mais fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Junho 13, 2010   5 Comments

Manhã em Istambul, noite em Londres

istambul14.jpg

Acordamos animados para a nossa última manhã em Istambul. Sol lindo no céu, povo animado nas ruas, o som da reza nas mesquitas no ar, muita coisa ainda pra conhecer. Aproveitamos que estávamos ali do lado e fomos ao Palácio Topkapi, lógico, sem a intenção de vê-lo inteiro, afinal o palácio circundado por muralhas tem uma área total de 700 mil metros quadrados, área maior que a do Vaticano e metade do que o principado de Mônaco.

istambul24.jpg

Construído entre 1475 e 1478 (e aumentado nos sultanados seguintes), o Topkapi foi o centro da administração do império otomano por mais de 400 anos, sendo um belo exemplo da arquitetura otomana e um ponto de partida para entender a força do império, a religião islã, o sultanato e suas particularidades (as vestes, o harém e tudo mais). Construções imponentes, muitos detalhes em azulejaria e pinturas belíssimas, objetos religiosos e uma vista para o Bósforo completam o passeio.

istambul31.jpg

Até que pelo tempo que tínhamos conseguimos aproveitar bem o Topkapi. Na saída ainda demos uma esticada no Hipodramo (que fica ao lado da Mesquita Azul, e antigamente recebia corridas de bigas para um público de 100 mil pessoas, mas hoje é só uma praça), local que abriga a relíquia mais antiga da cidade: um obelisco egipicio de 3500 anos trazido para Istambul pelo imperados Teodósio I do Templo de Karnak, em Luxor. Terremotos vem e vão e o Obelisco ali, imponente.

istambul41.jpg

Nos atrasamos (cinco minutos só) para o shuttle que iria nos levar ao aeroporto de Sabina Góksen (que atende as companhias barateiras, como a Easyjet), no lado asiático, 1h30 distante da cidade (o aeroporto principal, Atatürk, é bem mais perto e acessível) num daqueles translados que parecem eternos. De Sabina, vôo de quatro horas para Londres (mas fuso horário de duas) e chegamos no aeroporto de Luton com nossos 40 quilos de bagagem às 18h.

istambul52.jpg

A entrevista na imigração foi tensa e engraçada. Um senhor grisalho perguntou o que nos trazia a Londres, e comentamos que estávamos indo ver um show do Paul McCatney na Ilha de Wight. “Você tem os tickets?”. “Não, compramos pela internet e vamos retirar na hora”. Silêncio. “Quanto custou?”. “Cerca de 250 pounds”. Silêncio. “Cada um ou os dois?”, como se ele estivesse por dentro do preço de ingressos para festivais no Reino Unido. Antes de liberar, ainda ironizou Lili: “Você devia ser jornalista e ele arquiteto. Arquitetura é coisa de homem”. Ok, bye bye tiozinho.

istambul61.jpg

Chegamos em Shephers Bush (bairro que deu ao mundo o Who) quase às 21h, detonados de cansaço. Tempo nublado e frio na cidade. Comemos em um restaurante indiano e apagamos. O dia (nosso único dia inteiro em Londres na viagem) promete muito (Nationa Gallery, passeio em Covent Garden, lojinhas de Cds, Tate Modern à noite) e amanhã de manhã partimos para a Ilha de Wight (e previsão garante: vai chover no festival). Fim de viagem tremendamente corrido, mas está valendo a pena.

londres1.jpg

Mais fotos da viagem:
http://www.flickr.com/photos/maccosta/
http://www.flickr.com/photos/lilianecallegari/

Junho 11, 2010   3 Comments