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A Queda: As Últimas Horas de Sarney
Agosto 8, 2009 No Comments
Brasileiro o que? Brasileiro o caralho, o caralho
Desde antes de entrar no avião de volta ao Brasil que eu já sabia que a readaptação neste ano seria um tanto mais difícil do que no ano passado. Você vai uma vez, vê que tudo é diferente (muita coisa pra melhor), volta, readapta e continua tocando o barco. Repetir isso tudo não é tão fácil. Passei pelas mesmas coisas nesta viagem, visitei muitos lugares que já conhecia, mas reafirmar as idéias do outro ano bateu mais forte desta vez.
Passei a semana toda vagando a esmo até assistir na manhã de sexta à cabine de “Se Nada Mais Der Certo”, ótimo filme de José Eduardo Belmonte que abre com uma citação de Rousseau que eu tinha na minha mesa quando trabalhava na biblioteca de Direito em Taubaté: “Uma sociedade só é democrática quando ninguém for tão rico que possa comprar alguém e ninguém seja tão pobre que tenha de se vender a alguém”.
O filme é uma bela porrada, que eu vou tentar dissecar melhor quando fizer uma resenha dele mais perto da estréia, mas toca em coisas que me assustam bastante, a principal versando sobre a derrota do homem para o sistema simbolizada no ato de perder tudo, mas aos poucos: o cara perde o emprego, fica sem dinheiro para pagar a conta de luz, e então cortam, e ele tenta uma maneira de se reerguer, e não consegue.
Acredito imensamente no poder da manhã seguinte. Nas minhas épocas áureas de crises violentas eu sempre me agarrava na idéia de que precisava sobreviver à madrugada, pois uma mágica da vida é que o dia morre toda noite para renascer toda manhã. Os problemas permanecem, mas quanto mais cedo você enfrentá-los, mais cedo surgirá uma maneira de resolvê-los. É uma rotina constante, a gente perde, mas também vence.
Lógico que esse é um pensamento voltado para o plano particular. O problema do Brasil é maior, e mais intenso. Como sorrir com tanta gente sofrendo jogada nas ruas, nos sinais, dormindo ao relento, sem o mínimo necessário para viver uma vida digna. Difícil. Como consertar? Sinceramente, não sei. As estatísticas dizem que o país está crescendo, e só o que vejo é mais miséria, mais pobreza e mais falta de oportunidades.
Quando falo em morar fora do país não estou de maneira alguma negando que estes outros países sejam também imperfeitos. Todo país tem problemas assim como todas as famílias. Alguns mais, outros menos, mas todos têm problemas. Os “pobremas” daqui, no entanto, me tomam cada vez mais e doem. Talvez eu vá, quem sabe, mas acredito que volto naquele velho navio e morra aqui na “favela onde eu nasci”.
Como escreveu Oswald de Andrade: “O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus”. Porém, inevitável, não podemos nos esquecer de nossas qualidades. É fácil reclamar, dizer que os outros são melhores nisso e naquilo sem levantar a nossa bola nas coisas que merecemos. Copo meio vazio, sabe. E foi isso que pensei ao assistir a mais um show do compositor Wado em São Paulo.
Não sei quantas vezes vi Wado ao vivo, e essa foi uma das apresentações que eu menos esperava algo. Ouvi o disco novo essa semana, aquela coisa meio “Ivete Sangalo” (hehe), como o próprio brincou comigo após o fim do show, e gostei, mas fui sem expectativas para vê-lo ao vivo. E o show, caro amigo, foi um dos melhores que assisti dele nos últimos anos. O tipo de coisa que me fez ter alegria de estar aqui, agora.
Wado fez um resumão da carreira tocando três canções de cada disco em ótimas versões roqueiras: “Uma Raiz, Uma Flor”, “Beijou Você” e “Ontem Eu Sambei” da estréia (2001); “A Gaiola do Som”, “Poço Sem Fundo” e “Tarja Preta” do “Cinema Auditivo” (2002), “Tormenta”, “Vai Querer?” e “Alguma Coisa Mais Pra Frente” do clássico “A Farsa do Samba Nublado” (2004); “Pendurado”, “Teta” e “Reforma Agrária do Ar” do “Terceiro Mundo Festivo” (2008) além de uma inédita, “Não Pára”, que Maria Alcina gravou no excelente “Confete e Serpentina” (leia aqui).
Do disco novo, “Atlântico Negro” (2009), Wado só tocou a bonita “Pavão Macaco”, do verso instigante e emblemático: “Vem morar comigo neste apartamento, estamos um sobre os outros, temos satisfação”. Os cinco discos de Wado estão todos para download no site oficial do artista (http://www2.uol.com.br/wado/index2.html), música boa dada de graça, tão fácil, a um toque do mouse. Alimento para a alma.
Talvez não seja à toa, mas no momento em que estamos fazendo a melhor música do mundo passamos por uma dura crise de falta de espaços em veículos de massa que dêem ao público o melhor de nossas artes. Não sei se a qualidade dos discos está atrelada à dificuldade de mostrar a música para a grande massa, mas vivemos um momento especial em nossa música, e algo inverso acontece nos EUA e na Inglaterra, locais em que nada novo e instigante acontece já há alguns bons três anos.
U2, Morrissey, Bruce, Bob Dylan, Wilco e outras lendas lançaram discos no último ano pelo simples vício de lançar um disco. Não me entenda errado e deixe o fanatismo de lado: há coisas boas nesses cinco discos, mas todos estes nomes já fizeram coisas muito melhores em suas carreiras e estão apenas rolando a engrenagem. Bandas novas? Nada comove. Por outro lado, o sangue ferve com facilidade neste país verde e amarelo.
Alguém pode dizer que é pouco, mas para mim não. Eu respiro música. Ela é a minha ligação com o mundo. Ela me faz vivo. Eu quero mais, claro. Quero um país melhor. Quero que as diferenças entre ricos e pobres diminuam drasticamente. Quero que a pessoa jogada na rua levante, sacuda a poeira e dê a volta por cima. E sei que o mínimo que eu quero já é quase impossível, o que não quer dizer que vou deixar de querer, mas que aperta o peito, ah, aperta.
Quando eu tinha 14, 15 anos, um dos meus sonhos (além de ser piloto de Fórmula 1 e ou jornalista) era escrever uma série de livros nos moldes da coleção pocket da Brasiliense com pequenos tratados com dicas para consertar o país. O primeiro volume seria o “Como reestruturar o setor educacional”, que consistia basicamente em dar cultura ao povo, e não passá-lo de ano como pessoas sem dinheiro passam por debaixo da catraca. Não lembro os outros livros da série, mas isso permaneceu na minha memória.
É duro demais ser brasileiro, mas eu nunca saberia ser outra coisa, e nem quero. Lembro da raiva de Arnaldo Antunes cantando o trecho de letra que dá titulo a este post na versão ao vivo de “Lugar Nenhum” (do álbum “Go Back”) e entendo sua revolta, mas ela nunca me desceu bem. Nunca. Tenho vontade de encher um barco com uns 500, 900 brasileiros que fazem o país andar para trás, e mandar para o inferno gritando para eles: “Brasileiro o que? Brasileiro o caralho, o caralho”. A chance de outros 900 fdp surgirem, no entanto, é imensa. O problema é a máquina, alguém grita. E está certo.
Volto a repetir a citação de Rousseau: “Uma sociedade só é democrática quando ninguém for tão rico que possa comprar alguém e ninguém seja tão pobre que tenha de se vender a alguém”. E só tenho uma certeza: estamos longe demais da democracia. Penso com dor na frase de Oswald de Andrade e no choque da lembrança da tecla que sempre bato: somos exemplos. As coisas começam a mudar dentro de casa, na nossa roda de amigos, no nosso trabalho. Porém, tento fazer o melhor, mas já não sei se adianta. Cansaço.
Ps. Perdoe a falta de foco e clareza. Eu também estou tentando me entender.
Agosto 8, 2009 15 Comments
Attitude is Everything

Essas duas histórias que seguem abaixo estão flutuando na atmosfera da minha mente desde o fim do ano. Mais precisamente no dia 31 de dezembro quando assisti ao especial do programa Alto Falante sobre os festivais europeus. Uma das reportagens chamou a minha atenção. Alguns dias depois, já em Ouro Preto, Lili leu no Estado de Minas uma reportagem interessante que praticamente tinha o mesmo tema. As duas reportagens tratavam sobre… atitude.
Atitude vem do latim aptitudinem e do italiano attitudine, e significa uma maneira organizada e coerente de pensar, sentir e reagir em relação a grupos, questões, outros seres humanos, ou, mais especificamente, a acontecimentos ocorridos em nosso meio circundante. É um dos conceitos fundamentais da psicologia social. Faz junção entre a opinião (comportamento mental e verbal) e a conduta (comportamento ativo) e indica o que interiormente estamos dispostos a fazer. Entrando no coloquial: é quando deixamos de ser imóveis e começamos a nos movimentar.
A reportagem em questão do Alto Falante é a primeira do primeiro bloco em Londres (assista aqui). O chapa Terence Machado entrevista Suzanne Bull, produtora do festival Attitude is Everything, que explica: “É um evento para melhorar o acesso de pessoas deficientes em shows. (…) O projeto começou faz oito anos, quando escrevi para uma revista de música falando como era ruim o acesso para deficientes em shows. Alguém da prefeitura de Londres leu e me ligou perguntando se eu gostaria de receber algum dinheiro para começar o projeto”, conta Bull.
A entrevista segue e Suzanne fala mais sobre o projeto (site oficial), que é bastante interessante, principalmente quando um deficiente comenta que já esteve no Brasil, foi a shows, mas não viu outros deficientes na platéia. “Eu sempre fui a shows durante toda a minha vida, sozinho, e eu queria que todo mundo fosse. O Attitude is Everything é uma boa maneira de fazer as pessoas acordarem. É só tornar mais fácil o acesso a deficientes. Temos dinheiro como todos e queremos gasta-lo em eventos”, diz um entrevistado. O lance todo que quero grifar, porém, é que tudo isso começou com uma carta escrita para uma revista.
Após assistirmos à reportagem, caçoamos pensando como isso nunca poderia acontecer no Brasil. Imagina: você vai, reclama sobre algo que está errado em nossa sociedade (e são tantos erros) e a prefeitura ou o governo, quem quer que seja, liga para você oferecendo um dinheiro para que você monte um projeto para resolver este problema. Lindo, né. E completamente utópico, certo? Bem, mais ou menos. No dia 03 de janeiro, uma manchete de um caderno qualquer do Estado de Minas contava: “Moradora consegue criar Defesa Civil em Brumadinho em uma semana”.
A história de Ilma Cândida Sobrinho é o melhor exemplo de que atitude é tudo. Em 24 e 25 de novembro de 2008, Ilma, 53 anos, participou de um seminário em que o meteorologista Ruibrant dos Reis alertava para um volume alto de chuvas na cidade de Brumadinho, que poderia causar enchentes e muita tragédia. Preocupada com a previsão, Ilma procurou a Defesa Civil da cidade e descobriu que ela só existia no papel. “Isso acontece muito. Decretam o órgão apenas para captar recursos”, conta a moradora para a reportagem.
Ela não desistiu, foi atrás do procurador-geral de Brumadinho, que autorizou a reativação do conselho. “Fizemos, em uma semana, o estudo que era para ser feito durante todo o ano”, conta. Segue a reportagem: Na segunda 15 de dezembro, ela, temendo a forte chuva prevista, e já com o mapeamento das áreas de riscos em mãos, retirou três famílias de imóveis que poderiam desabar. Na quarta, 17, a previsão se confirmou: Brumadinho foi alagada pelas águas do Rio Paraopeba, que chegou a subir 10 metros. A família de Alessandra Silva dos Santos foi uma das que foram retiradas antecipadamente. “Se estivesse lá quando a tempestade chegou, eu e os meus cinco filhos não sobreviveríamos.”
Nesse dia, centenas de casas ficaram submersas. Cerca de 2.000 pessoas ficaram desalojadas, 200 famílias desabrigadas, 25 casas totalmente danificadas e quatro pontes atingidas, sendo que duas delas foram levadas pelas correntezas. Ilma acionou centenas de voluntários, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e a Defesa Civil do estado. “Já tínhamos avisado todos os habitantes, por isso, eles estavam preparados. Mesmo assim, foi uma loucura, porque a nossa preocupação de salvar todos era imensa, tanto é que fui à rádio da cidade pedir ajuda da comunidade”, conta. Brumadinho teve uma vítima: um senhor de 64 anos foi levado pelas correntezas do Rio Paraopeba.
Em dezembro de 2007 escrevi um longo texto chamado “Sonhar é permitido, viver é permitido”, em que entre outras coisas dizia: “se já sabemos que não podemos confiar em ninguém, que não existem sonhos quando o assunto é política, dinheiro e poder, então está na hora de fazermos as coisas nós mesmos. E, mais do que nunca, deixarmos o social de lado e agirmos no pessoal. Sim, mudarmos as coisas ao nosso redor primeiro. Sempre fomos acomodados demais, mas precisamos mostrar que se as coisas podem dar certo, elas tem que começar a dar certo dentro da nossa própria casa, do nosso próprio ambiente de trabalho, da nossa família, do nosso bairro. Sempre acreditei que fazer o bem é a melhor coisa que uma pessoa pode fazer para mudar o mundo, e apesar de parecer a coisa mais piegas, é no que eu acredito realmente.”
Quando esses três episódios (as duas reportagens e a lembrança do post antigo) se juntaram na minha cabeça, algo meio que pedia um texto como esse. Reclamamos demais. Da família, do emprego, do governo. E o problema não é reclamar. Reclamar é essencial. Acomodados não reclamam e acabam se aconchegando na monotonia de uma vida errada. Evite isso a todo custo. A partir do momento que temos noção de que algo está errado, de que as coisas poderiam ser diferentes e bem melhores, precisamos nos mexer. Com inteligência, cautela, malandragem e boa vontade. Precisamos criar atalhos para que as saídas se tornem mais claras. Não dá para ficar parado olhando o mundo girar. Não dá para chorar sobre a cerveja derramada. A vida passa rápido demais. É bom se mexer.
Links:
- Assista ao programa Alto Falante no Youtube (aqui)
- Leia a reportagem do Estado de Minas sobre Ilma (aqui)
Janeiro 29, 2009 6 Comments
Jogando sapatos em George W. Bush


Dezembro 16, 2008 2 Comments
Obama presidente
“In America, The land of the free, they said, And of opportunity, In a just and a truthful way. But where the president, is never black, female or gay, and until that day, you’ve got nothing to say to me, to help me believe”
Morrissey estava (um pouco) errado. Ainda bem.
Novembro 5, 2008 9 Comments
Na guerra, no amor e na política…
vale tudo. Mesmo?
O assunto do momento em São Paulo é a propaganda política (já retirada do ar) de Marta Suplicy em que a candidata petista pergunta, em certo trecho, se os eleitores sabem quem realmente é Gilberto Kassab, “se ele é casado? se tem filhos?”. O coordenador da campanha petista, bem cara de pau, virou-se contra a imprensa, repudiando o que ele chama de insinuações da mídia. Melhor se saiu o repórter especial do iG, Maurício Stycer, que em sua coluna de hoje mandou: “Marta e Kassab parecem falar a verdade quando dizem que o outro mente” (leia aqui).
Como diria Jack, o Estripador, uma coisa de cada vez. A afirmação de Marta (e da coordenação da campanha) sobre a pretensa homossexualidade de Kassab foi extremamente grosseira e fuge ao campo que realmente interessa ao eleitor: o que eles realmente vão fazer por São Paulo? Chega a ser bisonha a pergunta de Marta, uma sexóloga que sabe muito bem que pouco importa se um governante é (parafraseando Morrissey em “América In Not The World”) negro, mulher ou gay. O que realmente importa é o que ele quer fazer pelo povo e para o povo.
Ok, segunda parte. É bastante inocente pensar que Marta não soubesse no que iria dar sua cutucada sexual em Kassab. Para mim, ela pesou e imaginou: “os ativistas vão reclamar um pouco, mas o povão dos bairros em que perdi o primeiro turno - e que são extremamente tradicionalistas - vão vir para o meu lado”. É o velho bordão do “na guerra e no amor vale tudo”. Mas será que vale mesmo? Sinceramente: tenho vergonha dessa declaração de Marta Suplicy. Ela ameaça jogar por terra anos e anos de batalha social em pró dos direitos humanos, e cada um tem o direito sim de escolher o sexo que mais o atrái.
Se o mundo fosse perfeito, e se Kassab fosse macho (como brinco sempre: é preciso ser muito macho para sair montado na rua, todo travestido, de salto alto, no meio da noite - risos) o bastante, ele assumiria publicamente sua posição sexual (como fez o prefeito de Paris) e levantaria uma bandeira que poderia escurraçar Marta. Se o mundo fosse perfeito e se Kassab não tivesse 17 pontos percentuains à frente da petista neste momento da campanha. É muito cedo para arriscar entrar no jogo da concorrente e perder por capricho ideólogico.
Isso não quer dizer que Kassab está perdoado de todos os seus pecados políticos. Sua associação com Maluf e Pitta é algo que colocaria à prova o curriculo de qualquer homem do bem, imagine de um político. Como escreveu Stycer, “Ao se acusarem de mentirosos, Marta e Kassab parecem falar a verdade”. No fundo, o que fica é a VA total de ter pessoas como essas brigando pela prefeitura da cidade mais populosa do país, com amigos meus sendo assaltados em qualquer hora do dia, e eu demorando 1h30 para chegar em casa de ônibus num trajeto que, a pé, eu faço em 1h20. Independente de quem vencer, fica a sensação de que nós, paulistanos e brasileiros, perdemos.
Outubro 15, 2008 3 Comments
Kassab x Marta
Sinceramente, fiquei surpreso com o resultado das urnas neste primeiro turno. Kassab conseguiu conquistar o público e Marta, além do adversário direto, tem que lutar com a imagem negativa que ela desenhou de si mesma. De cara, Kassab sai como favorito, mas muita coisa pode acontecer nas próximas semanas. Meu colégio eleitoral ainda é em Taubaté, mas se fosse aqui em São Paulo eu teria votado na Soninha no primeiro turno, e na Marta no segundo.
Algo contra o Kassab? Nada. Mesmo. Como definiu minha querida cunhada, Kassab (assim como o PFL/DEM) tem um perfil de zelador: ela mantém a cidade limpa, faz o PSIU trabalhar, fecha casas noturnas e tudo mais que faz da cidade um lugar menos pior. O problema, porém, é que não espero coisas grandes de Kassab, atos que realmente mudem o rumo de uma cidade tão machucada e maltratada como São Paulo.
A criação do bilhete único pelo governo da Marta, por exemplo, é algo de uma importância social imensa, que ajudou milhões de pessoas que dependiam do transporte público, e gastavam boa parte do salário indo e vindo do trabalho. Sua criação é algo grandioso, um ato para se elogiar mesmo. Sinto falta de coisas assim no governo Kassab, mas, sinceramente, ele não me incomoda. Sò acho que vamos evoluir pouco em seus quatro anos de mandato.
O maior problema de São Paulo hoje é o trânsito, algo que afeta todos os paulistanos, dos mais ricos aos mais pobres. O que me impressionou no tour europeu de julho e agosto foi a perfeita funcionalidade do transporte público em cidades como Madri, Barcelona, Berlim, Bruxelas, Paris e Londres. Todo o centro expandido destas cidades é abraçado por linhas de metrô e trem (e claro, ônibus) que deixam a pessoa em casa sem grande dificuldade e transtornos. Enquanto isso, em São Paulo, o Metrô prevê uma estação nova por ano (!!!) numa linha que ainda deixa a desejar.
Bem, lidar com o trânsito é uma tarefa para o novo prefeito, quem quer que ele seja. Temos três debates quentes (Record, Band e Globo) nas próximas semanas que vão dar o tom dessa campanha final. Marta não costuma ir bem em debates. Kassab conquistou o público e é preciso tirar o chapéu a ele por enfrentar Alckmin como enfrentou. Agora, será que dá José Serra em 2010 mesmo? Posso bancar a Regina Duarte?: “Tenho medo”.
Ps. E o Gabeira no Rio, hein? Não posso dar pitacos profundos, mas vários amigos cariocas de confiança ficaram felizes com o resultado.
Outubro 6, 2008 2 Comments















