Blog do Editor do Scream & Yell
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Category — Jornalismo

Radiohead na Rolling Stone Brasil #68

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Rolling Stone nova nas bancas. O destaque é uma grande e excelente reportagem de sete páginas com o Radiohead, escrita por David Fricke (se você assistiu algum “Classic Albuns” já deve tê-lo visto). O jornalista rememora o último ano da banda pós “King of Limbs”, o recrutamento do sexto Radiohead, Clive Deamer, ex-baterista do Portishead, e dá um passeio pela história do grupo. Há ainda um ótimo bate papo de Paulo Terron com Brendan Benson em um estúdio de Nashville; Mariana Tramontina falando de Cícero; uma análise sobre o ECAD pelo chapa Leonardo Dias; Paulo Cavalcanti relembrando as memórias de Elvis e uma análise do rock argentino pós-Malvinas. Na sessão de resenhas tem texto meu sobre o belíssimo trabalho dos mineiros do Transmissor. Nas bancas.

Maio 16, 2012   No Comments

Alta Fidelidade

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Leia também:
- Sebos e lojas bacanas de CDs e DVDs em SP (aqui)
- Onde comprar CDs e vinis em cidades da Europa (aqui)
- Comprando vinis com Robert Crumb (aqui)
- Onde comprar CDs em Buenos Aires (aqui)
- Lojas bacanas de CDs e vinis em Nova York e Chicago (aqui)

Maio 10, 2012   No Comments

A saga dos homens-coxinha

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Ilustração Caco Bressane

Royalties, por favor (risos) -> “Na internet, em um texto publicado em 2002 (aqui), o publicitário Marcelo Costa utiliza o adjetivo para classificar bandas como Coldplay e Travis”

Frase do texto  “Tipicamente paulistana, gíria “coxinha” tem origem controversa”, de Alexandre Aragão, na revista São Paulo. Leia aqui.

Abril 23, 2012   1 Comment

Rolling Stone Brasil #67

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A edição que traz Romário na capa parece estar beeeem bacana. O amigo Paulo Terron conta sobre a viagem que fez ao Tenessee para conferir o primeiro show solo de Jack White, em sua própria loja, a Third Man Records, em Nashville. Outro amigo, Murilo Basso, encontrou Dinho Ouro Preto, e estou surpreso que continue vivo após ouvir o disco solo dele, mas ele conta a história toda na revista. Ainda tem Alabama Shakes (que ando alternando com Spiritualized, Jack White e Lee Ranaldo em meus fones), Chico Anysio e Sérgio Malandro. Marco presença na seção de livros, com algumas palavrinhas sobre “Sexo na Lua”, de Ben Mezrich (o mesmo caça-histórias de talentos que escreveu “Bilionários Por Acaso”, sobre Mark Zuckenberg.

Abril 18, 2012   No Comments

Alguns gadgets

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Reportagem da revista Fast Life #20

Leia também:
- O que você para produzir conteúdo: Marcelo Costa (aqui)

Março 1, 2012   No Comments

Cervejas nacionais na GQ #10

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O décimo número da GQ Brasil está nas bancas com Daniel Craig na capa em entrevistão bacanudo do chapa Rodrigo Salem (que ainda conta como foi o show de Lana Del Rey para 200 pessoas em Los Angeles). A revista ainda traz uma boa entrevista de JR Duran com o ex-presidente do Corinthians, André Sanchez, e outra de Bruno Astuto com Marcus Buaiz. Marco presença nesta edição selecionando quatro rótulos de cervejas com um toque brasileiro, cuja grande estrela é a espetacular mineira Wäls Quadruppel, com um dedinho de cachaça em sua formulação. Confira o índice completo da revista aqui.

Leia também:
- Muricy Ramalho na GQ #5, por Marcelo Costa (aqui)
- Roteiros de uísque na GQ #6, por Marcelo Costa (aqui)
- João Gilberto na GQ #8, por Marcelo Costa (aqui)
- Marcelo Jeneci na GQ #9, por Marcelo Costa (aqui)

Janeiro 2, 2012   No Comments

As mais lidas de dezembro no Scream & Yell

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Dezembro de 2004
01) “Os Sonhadores” faz a gente sonhar, por Mac (aqui)
02) Cinco dias em Buenos Aires, por Marcelo Costa (aqui)
03) “A Ghost Is Born”, do Wilco, é chato, por Mac (aqui)

Dezembro de 2005
01) Claro Que É Rock, por Marcelo Costa (aqui)
02) Entrevista: Walverdes: por Marcelo Costa (aqui)
03) “Disparos do Front da Cultura Pop”, de Tony Parsons (aqui)

Dezembro de 2006
01) Tim Festival, por Marcelo Costa (aqui)
02) Entrevista: The Bravery, por Marco Bart (aqui)
03) Freqüências Freqüentes, Fábio Bianchini (aqui)

Dezembro de 2007
01) Top 10 Shows Internacionais, por Marcelo Costa (aqui)
02) Cinema: “A Vida dos Outros”, por Marcelo Costa (aqui)
03) Os 100 Filmes e 100 Livros essenciais da Bravo (aqui)

Dezembro de 2008
01) O livro obrigatório número 1 sobre rock, por Mac (aqui)
02) Top Ten de Cervejas Européias, por Mac (aqui)
03) Quinze listas de Melhores Discos de 2008 (aqui)

Dezembro de 2009
01) Análise: Melhores da Década 00, por Mac (aqui)
02) O Rock Brasileiro Precisa Morrer, por Vlad Cunha (aqui)
03) Mallu Magalhães por Marcos Paulino e Mac (aqui)

Dezembro de 2010
01) Top 20 Filmes entre 2001 e 2010, por Mac (aqui)
02) A nova cena musical de Portugal, por Pedro Salgado (aqui)
03) Erro na prensagem do vinil da Legião Urbana (aqui)

Dezembro de 2011
01) O Fator Foo Fighters, por Carlos Eduardo Lima (aqui)
02) Melhores de 2011 em 20 Mixtapes, por Rodrigo Salem (aqui)
03) Blue Skies, Noah and The Whale, por André Takeda (aqui)
04) Carta aos Músicos e Artistas, João Parayba (aqui)
05) “Um Dia”, de David Nicholls, por Adriano Costa (aqui)

E não é que o Scream & Yell voltou a bater uma marca impressionante em dezembro? Seguindo a média dos dois meses anteriores, o site alcançou 64.297 batendo o concorrido mês de novembro e tomando para si o posto de terceira maior audiência mensal do site em 11 anos (16 mil UVs a mais que a de dezembro de 2010!!!).

Foi um trimestre de audiência retumbante (de um site independente, claro) para se comemorar e se orgulhar: 66.675 visitantes únicos em outubro, 64.169 em novembro e 64.297 em dezembro.

O retrospecto desde 2004 traz algumas coisas bem bacanas “esquecidas” no site como o meu primeiro “diário de viagem” (para Buenos Aires – aqui), resenhas de filmes (como a de “Os Sonhadores” aqui e a de “A Vida dos Outros” aqui) e de livros (como o excelente “Disparos do Front da Cultura Pop” aqui e o livro de Bill Graham aqui).

Há ainda textos antológicos como “Freqüências Freqüentes”, de Fábio Bianchini, aqui (escrito originalmente para o site 1999), o Rock Brasileiro Precisa Morrer, de Vlad Cunha (aqui) e o balanço da nova cena musical portuguesa, um dos primeiros textos do grande Pedro Salgado no Scream & Yell (aqui).

No dezembro passado quem comandou foi o polêmico (e esperto) texto de Carlos Eduardo Lima sobre o Foo Fighters (bom nível de discussão aqui). Já em todos os dezembros, o campeão foi o Especial Melhores Álbuns dos Anos 00, uma votação que contou com 68 participantes e consagrou Los Hermanos e Strokes (aqui).

Agora… mais um ano começa. Um 2012 especial para todos nós.

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Janeiro 1, 2012   No Comments

Marcelo Jeneci na GQ #9

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Para o número #9 da GQ, que traz o Prêmio de Homens do Ano, fiquei responsável por conversar com Marcelo Jeneci, o destaque para a revista na categoria Música. Etre outras coisas, num papo telefônico no meio de uma tarde corrida, Marcelo Jeneci contou que gosta de ser popular e que já está trabalhando no segundo disco. O papo você lê na revista, que ainda traz Selton Mello (Ator do Ano), Anderson Silva (Esportista), Alex Atala (Gastronomia), Roberto Medina (Empreendedorismo) e muito mais (veja tudo no índice aqui).

Leia também:
- Muricy Ramalho na GQ #5, por Marcelo Costa (aqui)
- Roteiros de uísque na GQ #6, por Marcelo Costa (aqui)
- João Gilberto na GQ #8, por Marcelo Costa (aqui)

Dezembro 19, 2011   1 Comment

Entrevista: sobre crítica musical e web

A Tatiana Vargas está concluindo a graduação em Estudos de Mídia, pela UFF, e defende nesta semana seu TCC cujo tema é Crítica Musical e Web 2.0. Alguns meses atrás ela me mandou essa batelada de perguntas, que respondi na época e publico agora (desejando boa sorte pra ela na banca)…

Alguns críticos, jornalistas e pesquisadores do assunto afirmam que a crítica cultural vive um momento difícil, devido a limitação do espaço destinado às análises mais acuradas na mídia, enquanto é cada vez mais comum, por exemplo, notícias no melhor estilo notas sobre celebridades. Vc acredita que a crítica está em um contexto de crise?
Está, mas não por falta de espaço. A internet está ai com o espaço para quem quiser fazer um trabalho bem feito. Basta querer. A crise, na verdade, demanda de algo mais complexo: a popularização da indústria. Nos anos 60 e começo dos 70, uma crítica negativa poderia causar o fracasso de um filme/disco/peça. Muito porque o principal veículo de informação era o jornal. Assim que a coisa toda se tornou mega, a crítica ficou de lado. A indústria - através do marketing e da publicidade - passou a falar direto com o comprador. Houve ainda um certo respiro nos anos 80/90 no Brasil, mas precisamos entender que vinhámos de um contexto de ditadura, em que a opinião era vigiada. Com a chegada da internet (e a internacionalização do mercado com Amazon e lojas online além dos downloads ilegais), o público passou a ter um acesso mais fácil a coisas que antes ele conhecia por um formador de opinião. Isso tudo tirou a força da crítica, mas é um retrato de época. Não dá para ser nostálgico e ficar chorando sobre a coca-cola derramada. A crítica ainda tem um valor imenso que é entender o contexto cultural. Um crítico é quase um filósofo moderno… (risos).

Em sua opinião, existe um jornalismo musical próprio da internet e outro sob a lógica da mídia impressa? O suporte pode conferir diferentes características em termos de qualidade à cobertura do universo musical?
São duas mídias completamente diferentes. Jornal é diário (revistas são semanais, quinzenais, mensais), internet é segundo a segundo. No entanto, o formato como se empacota a notícia pode ser diferente, mas a notícia é a mesma. A vantagem da internet é que ela possibilita agregar outras mídias. É possível falar de um disco e, no mesmo texto, incluir as músicas para o leitor ler e ouvir - algo impossível no impresso. No entanto, o impresso (assim como a televisão) ainda tem uma força imensa balizada no costume das pessoas. Se está no jornal, se está na TV, é verdade (algo, claro, bastante duvidoso, mas real). A internet, até pela quantidade de hoax, ainda não é tão levada à sério pelo usuário quanto deveria. No entanto, ela ainda permite cobertura em tempo real, criticas rápidas e agilidade na informação, material que se for conduzido por alguém de talento pode render muito mais do que o publicado em impresso (até pela limitação de espaço).

A urgência do jornalismo, especialmente em tempos de internet, que acaba exigindo que se acompanhe os fatos praticamente em tempo real, influencia o exercício da crítica? A qualidade de uma resenha pode ser afetada por essa necessidade de se cobrir os fatos?
Não acredito. Claro que quanto mais se ouve um disco, mais se conhece ele, porém, o estranhamento do novo e a adequação das repetidas audições também pode pender contra o objeto de estudo. Ainda assim, quantas vezes um crítico de cinema, teatro ou literatura consume seu objeto de estudo antes de escrever uma crítica? Pegue uma critica de 1800 sobre uma sinfonia erudita: o cara não ouviu aquela peça dez vezes para escrever. Você tem um contato com o objeto de arte e ele age de alguma forma em você. E é isso que você precisa entender, refletir e embazar. Porém, crítica é uma coisa. Acompanhar fatos é outra. A crítica se alimenta do hard news, mas ela tem seu próprio tempo.

Pode-se dizer que há uma ambiguidade na atuação do crítico profissional em um veículo de grande repercussão/mídia tradicional, ao mesmo tempo em que este pode manter um espaço próprio para produzir conteúdo sobre música - considerando que há a possibilidade de sair na frente da imprensa ao noticiar um novo álbum e até mesmo fazer a crítica do mesmo?
Mas noticiar não é crítica. A diferença começa por ai. Fazer a crítica antecipadamente é algo que existe desde a Idade Média. Alguém tinha acesso ao material antes e escrevia. Não entendi a ambiguidade - a não ser que você esteja falando de um jornalista que reporta notícias e também é crítico. Se for isso é preciso definir o que é crítica como conceito. Escrever um parágrafo sobre um disco não é a mesma coisa que tentar entender sua posição no tempo / espaço - que deveria ser a intenção da crítica. O que isso disco diz sobre a sociedade? É bom não confundir comentário com crítica.

Alguns veículos de grande repercussão já se adaptam à lógica da web (um exemplo interessante vem da ocasião em que o álbum “Angles”, do Strokes, vazou e alguns sites e impressos o resenharam, mesmo considerando a natureza “ilegal” do download). Vc acredita que a crítica pode ser comprometida, considerando os problemas característicos da dinâmica da web, como a qualidade inferior dos arquivos dos álbuns que vazam, ausência de ficha técnica trazendo informações que poderiam ajudar na análise e até mesmo, faixas que ainda não estão finalizadas?
Um disco é uma obra de arte fechada. Pensando assim, capa e encarte fazem parte do pacote. Como alguém poderia pensar em resenhar “Sargeant Peppers” sem aquela capa? Ainda assim, estamos falando de música, certo. A ficha técnica é algo extremamente importante para saber quem fez o que dentro daquele produto de arte - e como isso influencia o resultado final. Mas, na música pop principalmente, é tudo tão resumido no contexto de produção que muitas vezes mesmo a ficha técnica é dispensável. Lógico que a chance de alguém cometer um equivoco é enorme. Mas isso diz mais sobre quem lê do que quem escreve.

O que você pensa acerca da disseminação de blogs e sites amadores que se propõem a escrever sobre o meio musical?
Acho sensacional, mas isso não é critica. Obviamente, existem aqueles que se destacam, e que muitas vezes conseguem realizar um trabalho melhor do que o que está feito na grande mídia. Mas é raro, muito raro. No entanto, ajuda a disseminar a informação, a ideia de argumentação, e uma sociedade necessita de pessoas que saibam argumentar. Ainda assim é preciso verificar que um fã escrevendo na maioria das vezes não é argumentação, e sim puxação de saco.

Em sua opinião, o que leva uma pessoa a dedicar seu tempo livre a um projeto na web, - como um site sobre música - mesmo sem receber nenhum retorno material pelo trabalho realizado?
Existem milhões de formas de passar o tempo. Essa é uma delas. Tem gente que se realiza colecionando tampinhas, por exemplo. Vai muito de cada um, como um hobby.

Qual é a importância da crítica hoje?
Sinceramente, não sei. Vivemos em um mundo cada vez mais capitalista em que o lema “não pense, consuma” é levado ao extremo. A crítica propõe uma reflexão sobre isso - ou deveria. Acho o pensamento crítico essencial, mas pensar cansa. E o público do novo século parece ter nascido cansado. Uma pena. Ainda assim, os filósofos modernos persistem. Espero que, um dia, não sejam expostos em jaulas como um ser em extinção. Mas dai para o fim do mundo seria um pulinho.

Dezembro 14, 2011   2 Comments

Dez perguntas para Muricy Ramalho

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por Marcelo Costa
Foto Leandro Amaral / Divulgação Santos FC

Alguns meses atrás desci a serra para conversar rapidamente com o melhor técnico do país. Você pode discordar, a razão dos apaixonados por futebol é bastante particular, mas Muricy Ramalho é (para este corintiano que o entrevistou) um vencedor com todas as letras. O papo foi rápido, descontraído e sossegado. Muricy respondeu as respostas sem rodeios, sorriu em vários momentos e, na hora da foto, brincou com o fotógrafo: “Quer que eu faça cara de mau? Sempre me pedem isso”.

Torcedor de futebol tem sempre uma opinião muito particular. Tudo que envolve o time dele é melhor. Porém, com o passar dos anos, você conseguiu um respeito que ultrapassa os limites do clube que você está dirigindo. Por exemplo: minha sogra, que é são-paulina, quando soube que eu vinha conversar com você, pediu um autógrafo. Ou seja: Muricy é uma pessoa que a torcida adversária pede autógrafo. Como você conseguiu isso?
Isso acontece mesmo em todo o lugar que vou. As pessoas chegam e dizem: “Sou santista, (ou) sou corintiano, mas quero um autógrafo seu porque te admiro”. Acho que é minha forma de ser. Em todos os times que vou (trabalhar), além de ganhar títulos, fico um tempo. Quando tenho chance de trocar de time, não troco. (Acabo não fazendo) esse tipo de coisa que é normal técnico fazer no futebol: o cara está em um time e quando recebe uma proposta (de outro), vai embora. Acho que as pessoas acreditam nisso (de ficar no time, respeitar o contrato). É uma coisa séria que o torcedor se identifica. E é engraçado… no Campeonato Paulista fomos jogar contra o São Paulo, no Morumbi, quando no intervalo do primeiro tempo toda torcida são-paulina começou a gritar o meu nome. Os jogadores do Santos até se surpreenderam. É uma novidade o técnico adversário ser aplaudido, mas quando vou jogar contra o Náutico, em Recife, também é assim. Em Porto Alegre também.

E isso também vem da sua própria relação com o torcedor? Uma vez li uma entrevista sua para o Ricardo Kotscho em que você dizia que recebia 60 cartas por mês…
É verdade. Algumas eu respondo, outras mando camisas… (os torcedores) me pedem todo tipo de coisa. É um carinho que tenho para com o torcedor. Trabalho duro demais para o time em todo o lugar que vou, e o torcedor reconhece. Ele sabe que eu vou lá para trabalhar. Sou um profissional, tenho um contrato, mas sempre vou fazer o melhor por eles.

Você foi eleito melhor Treinador do Campeonato Brasileiro cinco vezes nos últimos seis anos: 2005, 2006, 2007, 2008, 2010. Isso é só trabalho?
Acho que é (risos). Não sou muito simpático com os negócios. Não sou um cara que faço lobby, não vou a muitos lugares, só dou entrevista uma vez por semana, vou muito pouco à televisão (quase uma vez por ano em cada emissora), então acho que é tudo pelo meu trabalho mesmo. E pelo resultado porque no futebol não adianta você ser simpático, se não ganhar vão te mandar embora. Nestes cinco anos que ganhei meu trabalho foi muito bom, mas com títulos.

Você chegou ao Santos em um momento em que o time estava instável. Nos últimos jogos da Libertadores, no entanto, começaram a surgir muitas comparações deste seu time do Santos como aquele time dos sonhos com Pelé, Zito… Você sempre está pedindo reforços, mas como é treinar esse time do Santos?
É legal. Claro, não tem muitas comparações porque naquele tempo os jogadores eram muito bons. Mas acho que é legal (treinar o Santos hoje) porque estamos tendo a chance de treinar um time que têm alguns jogadores diferentes. No país temos poucos jogadores diferentes, e dois deles são do Santos (Ganso e Neymar). É muito legal trabalhar com eles porque eles são jovens e são jogadores que entendem logo o que o treinador quer, e isso facilita.

Eles pensam rápido…
É muito bom trabalhar com essa molecada, mudar de ares. Trabalhei com muito time experiente…

Você conquistou a Libertadores. Qual foi a sensação de conquistar algo que você buscou tanto?
Pra mim foi um alivio (risos). Não foi como o sentimento de alegria dos torcedores e da diretoria do Santos. Porque quero sempre estar na ponta, entre os melhores técnicos do país, e era contestado porque não ganhava a Libertadores. Não me conformava com isso. Não importa que o cara não tenha ganhado a Libertadores. Tem tantos bons treinadores que nunca ganharam. E não é porque ganhei que passo a ser um bom treinador. Eu sou um bom treinador há alguns anos! Mas no Brasil não adianta: você tem que ganhar algumas coisas. Tem que quebrar alguns tabus. Esse era um que me perturbava um pouco, era sempre a mesma pergunta e não adiantava mostrar meu currículo porque eles queriam saber da Libertadores. Então meu sentimento foi muito mais de alivio do que alegria. Tanto é que após o jogo fui lá para o meu sitio (e não festejei). Eu tinha que ganhar para me manter na ponta, como gosto. Existem muitos outros treinadores jovens surgindo, fortes, e a gente tem sempre que estar ganhando. Graças a Deus deu certo agora. Eu já estava buscando fazia algum tempo…

Agora é o Mundial de Clubes? Como você prepara isso na sua cabeça? Afinal, parece não existir descanso. Você vence um título à noite e na manhã a torcida já começa a querer outro.
Você tem razão: perguntaram no dia seguinte! Como sei separar bem as coisas, e até lá tem muito tempo, nós temos ainda um campeonato brasileiro importante pela frente. O problema é que no Brasil, pra gente que é técnico, é muito difícil perguntar do Mundial de Clubes. Já para o (Josep) Guardiola, técnico do Barcelona, é fácil. Porque ele vai começar a pré-temporada agora e vai chegar ao final do ano, no Mundial de Clubes, com os mesmos jogadores – e alguns reforços. Eu não sei nem com que time vou chegar na semana que vem! Então como posso responder… É uma coisa muito importante para o clube e é possível, embora o Barcelona seja o favorito (é um baita time), mas nem sei o que vai acontecer (com o time do Santos) até lá. Essa é a dificuldade de ser técnico no Brasil: estou com um time, mas não sei quantos vão ficar (até o fim do ano). Está todo mundo muito valorizado… O Mundial de Clubes é uma competição muito importante, e nós temos essa incerteza, o que é pior pra gente, mas ninguém sabe o que vai acontecer.

Mas entra ano e sai ano você é campeão…
E isso é importante. Nos últimos seis meses ganhei três títulos: o Campeonato Brasileiro com o Fluminense, o Campeonato Paulista e a Taça Liberadores com o Santos. É isso que me mantém. Para você ser um profissional, não só no futebol, mas em todas as áreas, você precisa ser consistente… para permanecer numa situação boa. E isso faço bem: sou muito consistente no meu trabalho, toda hora ganho títulos e, por isso, sou muito valorizado.

O desabafo sobre a seleção após o título do Fluminense: “Minha palavra eu tenho de cumprir, foi o que meu pai ensinou”. Por mais que seja da sua personalidade, foi algo muito admirável e bonito de se ver como exemplo mesmo para quem está em casa. È o tipo de ato que as pessoas públicas deveriam exercer mais.
Foi uma decisão complicada… Imagina, todo jogador tem sonho de ir para a seleção brasileira. Todo técnico também. O meu sonho quando era jogador também era o de jogar na seleção, surgiu uma oportunidade, mas tive uma contusão… Foi a maior frustração da minha vida. Então claro que sonho em ir para a Seleção Brasileira como técnico, só que tenho uma linha de cumprir meus trabalhos, cumprir meus contratos, porque minha família me ensinou assim, meu pai me ensinou assim. Mas mesmo assim foi muito difícil. Meus filhos não acreditavam que falei não para a Seleção Brasileira. Eles ficaram enlouquecidos comigo. Mas sempre passo para eles: o que você assina, o que você conversa, você tem que cumprir. Senão nesse país nunca ninguém vai cumprir nada. Temos que ser assim. E é duro das pessoas aceitarem isso, mas naquele momento, o Fluminense (3 anos brigando para não cair, 26 anos sem ganhar título) estava começando a entrosar o time… eu tinha dado a minha palavra que iria permanecer… algumas semanas depois sou convidado para a Seleção Brasileira… não iria ficar bem comigo mesmo se aceitasse o convite. Não me arrependo porque o Fluminense me deu um título super importante. É preciso cumprir com as obrigações.

Com tantos títulos conquistados, o que falta para Muricy Ramalho conquistar?
(risos) Falta o Mundial… o pessoal já está me cobrando. Ganhei Brasileiro, Paulista e Libertadores, ganhei regional em tudo quanto é lugar (até campeonato chinês), agora resta o (Mundial de Clubes no) fim do ano. Mas, sinceramente, não me preocupo com isso. Me preocupo com o hoje. Em treinar o Santos, melhorar o jogador, melhorar o time. Esse é o meu trabalho, é o que gosto de fazer. Não tenho essa obsessão. Eu queria ganhar a Libertadores, mas não era uma loucura. Pode ser que eu não ganhasse agora, mas uma hora eu iria ganhar – toda hora eu estava perto. O sonho do Mundial é importante, mas não é uma loucura.

Leia também:
- Dez perguntas para Marisa Monte, por Marcelo Costa (aqui)

Dezembro 14, 2011   2 Comments

As mais lidas de novembro no Scream & Yell

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Novembro de 2004
01) Personal Festival x Tim Festival, por Marcelo Costa (aqui)
02) “How To Dismantle An Atomic Bomb”, U2, por Jonas Lopes (aqui)
03) “Good News For The People”, Modest Mouse, por Leo Vinhas (aqui)

Novembro de 2005
01) Curitiba Rock Festival + Tim Festival, por Marcelo Costa (aqui)
02) “Tudo Acontece em Elizabethtown”, por Marcelo Costa (aqui)
03) “Bob Dylan - No Direction Home”, por Marcelo Costa (aqui)

Novembro de 2006
01) Entrevista - Jander ‘Ameba’ Ribeiro, por Jorge Wagner (aqui)
02) “Os Infiltrados”, por Marcelo Miranda (aqui)
03) Tim Festival: Patti Smith e mais, por Marcelo Costa (aqui)

Novembro de 2007
01) Björk brilha no fraco Tim Festival, por Marcelo Costa (aqui)
02) CSS, Devo e Rapture: bons shows em São Paulo, por Mac (aqui)
03) “I’m Not There”, Todd Haynes, por Marcelo Costa (aqui)

Novembro de 2008
01) Renovando passaportes, por Luciana Lazarini (aqui)
02) Sobre sono, sonhos e R.E.M., por Marcelo Costa (aqui)
03) A Nova Idade Média, por Marcelo Costa (aqui)

Novembro de 2009
01) O rock brasileiro precisa morrer, por Vladimir Cunha (aqui)
02) Show: The Killers em São Paulo, por Marcelo Costa (aqui)
03) O melhor do Festival Calango, por Marcelo Costa (aqui)

Novembro de 2010
01) Discografia comentada: Bob Dylan, por Gabriel Innocentini (aqui)
02) Belle and Sebastian ao vivo em SP, por Juliana Zambelo (aqui)
03) Cinema: “Scott Pilgrim Contra o Mundo”, por Bruno Capelas (aqui)

Novembro de 2011
01) Pearl Jam: Brasil Tour 2011, por Leonardo Vinhas, Murilo Basso, Eduardo Martinez, Carlos Eduardo Lima e Teca D’Alessio (aqui)
02) Mallu Magalhães fala sobre “Pitanga”, por Marcos Paulino e Mac (aqui)
03) Balanção Planeta Terra: por Marcelo Costa, Bruno Capelas, Murilo Basso e Rodrigo Levino (aqui)
04) The Whole of Love, Wilco, por Marcelo Costa (aqui)
05) Carta aos Músicos e Artistas, por João Parayba (aqui)

O bom número de leitores alcançado em outubro permaneceu lendo o Scream & Yell em novembro, o que resultou na terceira melhor marca da história do site em 11 anos: 68.658 visitantes únicos em outubro de 2010, 66.675 visitantes únicos em outubro de 2011 e 64.169 em novembro de 2011.

É interessante acompanhar os textos mais lidos do site mês a mês: novembro é o mês das resenhas de festivais. Tem desde o Tim Festival, Personal Fest, Curitiba Rock Fest até Planeta Terra, SWU e a turnê brasileira do Pearl Jam, cuja cobertura dos cinco shows feita pelo site ganhou a medalha de ouro das mais lidas do mês.

O bate papo de Mallu Magalhães com Marco Paulino, acompanhado da minha resenha, ficou no segundo posto seguido do Balanção do Planeta Terra (escrito a oito mãos), da meu texto sobre “The Whole Love”, o disco apaixonado do Wilco, e, novamente, a mítica Carta aos Músicos e Artistas, de João Parayba.

Há ainda muita coisa boa: uma entrevista com o ex-Plebe Rude Jander Ameba, pelo Jorge Wagner (aqui), um mapa bacana de bandas que, em 2008, moravam e tocavam na Inglaterra, por Luciana Lazarini (aqui), uma reflexão sobre o novo cenário da música (aqui) e a imperdível discografia comentada de Bob Dylan, por Gabriel Innocentini (aqui).

O texto mais lido de todos os novembros do Scream & Yell foi o polêmico e esperto “O Rock Brasileiro Precisa Morrer”, de Vladimir Cunha (leia aqui). Até o mês que vem.

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Dezembro 2, 2011   1 Comment

Palestra no II CoMúsica, em Maceió

Novembro 26, 2011   No Comments

Wado na Rolling Stone #62

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Rolling Stone #62 nas bancas com Jô Soares na capa em entrevista do grande Paulo Cavalcanti. Integro esta edição com uma resenha de “Samba 808”, do Wado, ao lado de uma resenha do disco do Agridoce, pelo Tiago Agostini, e do novo da Bjork, pelo Murilo Basso. A revista ainda traz textinho de David Fricke sobre o Radiohead, cinco perguntas para Jeff Tweedy, papo de Leonardo Dias com Pélico e de Paulo Terron com Ringo Starr.

Novembro 11, 2011   No Comments

João Gilberto na GQ #8

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O mestre da bossa nova adiou os shows que iriam comemorar seus 80 anos, mas o textinho que escrevi para a GQ #8, Grazi de pin up na capa, ainda é bastante útil. É um rápido (e divertido) manual de como se comportar nos shows de João. A revista ainda traz uma compilação com alguns boxes de música bacanas que chegam ao mercado, um texto sobre a crise do vinho na Argentina e no Chile mais o jogo que deu voz a uma nação: Palestina Futebol Clube (e mais: veja aqui)

Leia também:
- Muricy Ramalho na GQ #5, por Marcelo Costa (aqui)
- Roteiros de uísque na GQ #6, por Marcelo Costa (aqui)
- Os dois primeiros discos de João Gilberto são relançados (aqui)

Novembro 6, 2011   No Comments

As mais lidas de outubro no Scream & Yell

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Outubro de 2004
01) “Com Lag”, coletânea japonesa do Radiohead, por Mac (aqui)
02) Scream & Yell entrevista Wonkavision, por Marcelo Costa (aqui)
03) “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”, por Mac (aqui)

Outubro de 2005
01) Scream & Yell entrevista Brian Bell, do Weezer, por Marco Bart (aqui)
02) “You Could Have It So Much Better”, Franz Ferdinand (aqui)
03) Onze Canções Numa Tarde de Quinta, por CEL (aqui)

Outubro de 2006
01) Scream & Yell entrevista Fred 04, por André Azenha (aqui)
02) Scream & Yell entrevista Adriano Cintra, do CSS, por Mac (aqui)
03) “Fever To Tell”, Yeah Yeah Yeahs, faixa a faixa por Mac (aqui)

Outubro de 2007
01) “Tropa de Elite”, quase um grande filme, por Mac (aqui)
02) O Evangelho Segundo Tyler Durden, por Hugo (aqui)
03) “As Pontes de Madison”, de Clint Eastwood, por Mac (aqui)

Outubro de 2008
01) O Poder do Pensamento Negativo, Jesus and Mary Chain (aqui)
02) Tim Festival: Klaxons e Marcelo Camelo, por Marcelo Costa (aqui)
03) “Ensaio Sobre a Cegueira”, o filme, por Marcelo Costa (aqui)

Outubro de 2009
01) “Bastardos Inglórios”, Quentin Tarantino, por Marcelo Costa (aqui)
02) Marcelo Camelo, Mallu Magalhães e o ego, por Marcelo Costa (aqui)
03) 500 Toques: Pitty, Erika Martins e Fernanda Takai, por Mac (aqui)

Outubro de 2010
01) SWU Festival: cenário de festa ou de caos, por Marcelo Costa (aqui)
02) SWU Festival: Três dias no interior de SP, por Marcelo Costa (aqui)
03) “The Suburbs”, Arcade Fire, por Marcelo Costa (aqui)

Outubro de 2011
01) Scream & Yell apresenta: Agridoce, por Renata Arruda (aqui)
02) A grande chance de Rodrigo Amarante, por Tiago Agostini (aqui)
03) 15 discos para baixar gratuitamente, por Marcelo Costa (aqui)
04) 15 anos da morte de Renato Russo, por Ismael Machado (aqui)
05) “Suck it and See”, Arctic Monkeys, por Eduardo Palandi (aqui)

Outubro é sempre um mês especial para o Scream & Yell. Se em setembro havíamos batido o recorde de usuários únicos de 2011 com 54.351 visitantes, em outubro batemos novamente a meta (com 12 mil UVs a mais que setembro) alcançando 66.675 visitantes únicos numa marca que é a segunda maior audiência do Scream & Yell em 11 onze anos de atividade. O recorde é de outubro do ano passado, quando o site recebeu 68.658 visitantes.

E conferindo mês a mês todos os outubros do Scream & Yell desde 2004, quando passamos a ter arquivo das aferições de audiência mensais, percebemos que muita coisa bacana já passou pelo site neste mês: de entrevistas com Adriano Cintra, falando do primeiro disco do CSS (aqui) a Marco Antonio Bart conversando com Brian Bell, do Weezer (aqui) e André Azenha papeando com Fred 04 (aqui).

Muita coisa de cinema também conseguiu destaque como textos sobre “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” (aqui), de 2004, uma reflexão sobre o primeiro “Tropa de Elite” (aqui) e também sobre “As Pontes de Madison” (aqui), em 2007, “Ensaio Sobre a Cegueira” (aqui), em 2008 e “Bastardos Inglórios” (aqui), em 2009.

Em 2011, o texto mais lido do site foi a entrevista de Renata Arruda com o Agridoce (aqui) marcando o lançamento exclusivo da canção “Dançando” no Scream & Yell. Na sequencia vieram a pensata de Tiago Agostini sobre o futuro disco do Rodrigo Amarante (aqui), vários músicos falando sobre discos liberados para download gratuito (aqui), Ismael Machado relembrando Renato Russo e Legião (aqui) e Eduardo Palandi pagando a aposta do Arctic Monkeys (aqui).

Na história de todos os outubros do Scream & Yell, a cobertura do SWU Festival em 2010 lidera a audiência primeiro com o relato do caos do primeiro dia do festival e, em segundo, com o balanço sobre os três dias do festival (aqui). Que venha novembro.

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Novembro 2, 2011   No Comments

Jornalismo: Como você pauta matérias?

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Pedro Ferreira (@_Klef) é estudante de jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e colaborador dos sites irmãos musicoteca e Rock’n'Beats. Ele estava fazendo um trabalho da disciplina “Técnicas de Reportagem e Entrevista”, no qual a atividade propõe ao aluno escolher um profissional para entrevistá-lo. Ele me escolheu, mandou as perguntas e, após o trabalho entregue, liberou as respostas para que eu publicasse aqui na Calmantes. Valeu, Pedro.

Como você pauta suas matérias? Por exemplo, você acorda, entra na internet e procura pelo quê?
Eu respiro cultura. Esse é o primeiro ponto. Neste momento estou lendo o “O Resto é Ruído”, do Alex Ross, por exemplo. Coisas que leio no livro acabam influenciando as ideias e me aproximando analiticamente do tempo real. E, disso, surgem coisas para se falar, pesquisar, pautar. Já na internet leio todo o noticiário (principalmente via Guardian, New York Times e The New Yorker) e recebo muita coisa das pessoas que sigo no Twitter (ou mesmo de amigos que sabem que determinado assunto me interessa). Além disso, convivo com muitos jornalistas e as ideias vão e vem. Não diria que procuramos pautas, mas que elas nos procuram.

Para você a pauta é um instrumento de auxílio ou limitação do repórter?
Ela auxilia ao mesmo tempo em que limita porque boa parte é pauta factual, que todo mundo faz e nós também temos que fazer. Ou seja: Caetano lança um disco, e todo mundo fala. “Nevermind” faz 20 anos, e todo mundo fala. E a gente precisa falar dessas coisas, mas o ideal é que o viés acrescente algo ao obrigatório da informação. E que não nos rendamos a apenas pautas factuais. Buscar o diferente ou algo que ninguém está falando, mas que possa soar interessante. Em linhas gerais, pensar o mundo.

Como é a sua preparação para entrevistas? Poderia citar uma marcante? Quem você, ainda, deseja entrevistar?
Tento conhecer o melhor possível o universo do entrevistado. Saber o que ele pensa, o que ele já disse que já não interessa mais, e coisas que ele nunca disse, e que podem ser interessantes. Fugir do óbvio. Muitas vezes temos que fazer o feijão com arroz, porque é necessário, mas precisamos buscar algo novo. Foi bacana entrevistar Ian McCulloch (aqui), do Echo and The Bunnymen, por exemplo. Ele estava inseguro, mas no meio da entrevista já tinha se soltado e rendeu um ótimo material. Fernanda Young (aqui) também. Na época, fui entrevista-la para a Reuters, e acabamos conversando por mais de duas horas. Em certo ponto da entrevista ela diz: “Eu nunca falei tanto como eu estou falando agora e eu nem queria dar entrevista”. Outra marcante foi com Cesar Camargo Mariano (aqui, aqui e aqui) relembrando “Elis e Tom”.

Quem acompanha o seu trabalho sabe que você consegue vários “furos”. Como isso acontece? Você tem fontes por todo mundo?
Não são tantos assim (risos), mas os poucos que consigo surgem ou por pesquisa ou por conhecer as pessoas certas.

Como é a sua relação com essas fontes?
Quase sempre de amizade. E muitas das informações que recebo são fruto de confiança e da percepção de que o Scream & Yell e eu temos uma postura ética correta, que faz com que algo ligado a nós tenha uma visibilidade interessante, agregando certo valor.

Temos na história bandas como The Clash, Sex Pistols e Nirvana, que influenciaram uma geração não só pela sonoridade, mas pela política e atitude. Na sua opinião, a música perdeu essa ferramenta de formação crítica de seus ouvintes?
É outra época, muito mais emocional que política (a popularização do emo e dos livros de autoajuda refletem isso). A música apenas reflete esse momento que estamos vivendo. Ou seja, ela é adaptável. Se acontecer algo muito sério com sua cidade, seu país, o planeta, isso pode refletir na música, pois é importante lembrar que uma música é composta por uma pessoa como eu e você, que vive, sente e está, na grande maioria das vezes, sendo influenciada pelo ambiente. A música é um retrato da época que vivemos.

No presente há muita informação chegando ao mesmo tempo (dezenas de bandas novas). Não é muito mais do mesmo? Existe hoje uma ansiedade até associada a algum status em se conhecer tudo, ter baixado tudo, estar por dentro de tudo. Esta ansiedade vinda dos consumidores não estaria influenciando a indústria cultural a produzir mais e mais, mesmo que seja tudo uma fórmula-base do sucesso?
Sempre existiram milhares de bandas, mas a gente não tinha acesso. A diferença agora é que é muito fácil produzir um disco, e mostrá-lo para todo mundo. Talvez a ansiedade seja fruto da fé de que algo maravilhoso pode estar sendo feito por alguma pessoa que a gente não conheça. Uma das coisas que mais questiono na ideia defendida pelo Simon Reynolds no livro Retromania (e em artigos) é que ele defende que o aumento da oferta diminuiu o valor da música. Será? Será que gostávamos de música porque era difícil de encontrá-la? O valor, então, não era da música, mas da dificuldade que tínhamos? Não acredito nisso. Acredito sim que estamos em uma fase complicada do pós-modernismo. O que fazer de novo? Para onde ir? O formato pop que conhecemos (nascido com Elvis e Beatles) já tem 50 anos. O fonógrafo, mais de 100 anos. O cinema também está vivendo uma crise. Ainda assim, o consumidor vem consumindo cada vez mais, e não menos

O que você escutava na adolescência?
Beatles e rock nacional foram onde comecei tudo. Depois, ao mesmo tempo, punk rock e Led Zeppelin. E, com o tempo, comecei a abrir o ouvido para música brasileira, jazz e erudito.

Pra finalizar, o que você indica para os futuros jornalistas que desejam seguir no ramo da música/cultura pop?
Ler muito. Criar um blog e escrever muito. E ouvir de tudo. Beethoven, Bob Dylan, Miles Davis e Jorge Ben são gênios. Existe música boa ou ruim. Apenas isso.

Leia também:
- 2011: Entrevista a Bárbara Bom Angelo, Verdades Particulares (aqui)
- 2010: Entrevista para Vinicius Felix, Blog do Bracin (aqui)
- 2006: Entrevista para Carlos William Leite, Revista Bula (aqui)

Outubro 17, 2011   1 Comment

As mais lidas de setembro no Scream & Yell

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Foto: Liliane Callegari

Setembro de 2004
01) Bandidos Folclóricos Futebol Rock Parte II, por Juliano Costa (aqui)
02) Faixa a Faixa: “Up the Bracket”, Libertines, por Rodrigo Lobo (aqui)
03) “Quase Famosos” é um quase filme de rock, por Marcelo Costa (aqui)

Setembro de 2005
01) “Amor em Jogo” não desonra Nick Hornby, por Marcelo Costa (aqui)
02) “A Bigger Bang”, dos Stones, é inspirado e juvenil, por Mac (aqui)
03) Quinteto Tati surra a cena indie brasileira, por Palandi (aqui)

Setembro de 2006
01) Franz Ferdinand e Art Brut em SP, por Marcelo Costa (aqui)
02) “Mulher Maravilha - O Espírito da Verdade”, por Leo Vinhas (aqui)
03) “Herzog”, de Saul Bellow, por Jonas Lopes (aqui)

Setembro de 2007
01) Lygia Fagundes Telles, por Marcelo Costa (aqui)
02) The Police ao vivo em Londres, por Teca D’Alessio (aqui)
03) Detalhes Tão Pequenos de Nós Dois, por Dulce Quental (aqui)

Setembro de 2008
01) Hives, Plasticines e Melvis em SP, por Marcelo Costa (aqui)
02) “Ensaio Sobre a Cegueira”, de Fernando Meirelles, por Mac (aqui)
03) “Death Magnetic”, Metallica, por Renato Beolchi (aqui)

Setembro de 2009
01) Entrevista: Leandra, por Danilo Corci (aqui)
02) Era uma vez o Oasis…, por Marcelo Costa (aqui)
03) Filme pornô feminista, por Kelly (aqui)

Setembro de 2010
01) Entrevistão: Helio Flanders (aqui)
02) Friends é Beatles, Seinfeld é Stones, por Marcelo Costa (aqui)
03) Discografia: Elvis Costello, por Marco Antonio Bart (aqui)

Setembro de 2011
01) Quem quer gastar dinheiro?, por Marcelo Costa (aqui)
02) Boa Parte de Mim Vai Embora, Vanguart, por Bruno Capelas (aqui)
03) Chico, Caetano e Marcelo Nova, por Marcelo Costa (aqui)
04) O novo Red Hot Chilli Peppers, por Tomaz Alvarenga (aqui)
05) Os destaques do Festival Transborda, por Tiago Agostini (aqui)

No mês de setembro, o Scream & Yell bateu seu recorde de visitantes únicos em 2011: 54351 em setembro contra 52067 em junho. Em Page Views, no entanto, junho continua liderando (com agosto em segundo lugar e janeiro em terceiro) e o mês de setembro cravou o quarto lugar do ano com 107 mil páginas vistas. Número de respeito.

Entre os destaques das mais lidas dos meses de setembro entre 2004 e 2011 estão a segunda parte da série “Bandidos Folclóricos Futebol Rock”, em que Juliano Costa lista “atletas cujo caráter e as atitudes se assemelham aos de um rockstar (caricato, obviamente), carismático e polêmico” (leia aqui).

Há ainda textos de Eduardo Palandi louvando o Quinteto Tati (aqui), de Renato Beolchi sobre Metallica (aqui), de Teca D’Alessio sobre o Police em Londres (aqui) e meus sobre Rolling Stones (aqui), Lygia Fagundes Telles (aqui) e o filme “Ensaio Sobre a Cegueira” (aqui) além de uma entrevista de Danilo Corci com a cantora bielorussa Leandra (aqui).

Em 2011, o primeiro lugar ficou com o texto que reúne as edições especiais de vários álbuns (aqui) com o review de Bruno Capelas sobre o novo disco do Vanguart em segundo lugar (aqui), o meu sobre os discos de Caetano, Chico e Marcelo Nova (aqui), o do Tomaz sobre o disco do RHCP (aqui) e do Tiago Agostini sobre o Festival Transborda, em Belo Horizonte (aqui).

Não entrou no Top 5, mas a entrevista de Manuela Colla com Lucas Santtana (publicada aqui em 2009) apareceu em sexto lugar após “Sem Nostalgia”, o disco do compositor, figurar no topo da parada de Word Music da Europa. E a Tag “Festivais 2011” (essa aqui), embalada pelo anúncio da escalação do festival No Ar Coquetel Molotov, foi a mais clicada do mês.

O texto recordista de todos os setembros no Scream & Yell é o entrevistão com Helio Flanders, do Vanguart, realizado por mim, Marco Tomazzoni e Tiago Agostini e publicado em setembro de 2010 (aqui). Aguarde a próxima.

Outubro 1, 2011   No Comments

Crowdfunding, Cultura e Coletividade

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Indicação bem interessante da Luísa Alves (leitora do Scream & Yell e pesquisadora), os dois primeiros vídeos abaixo produzidos pela Agência de Conteúdo Recheio reúnem entrevistas com várias pessoas de diferentes projetos de crowdfunding (o nome do momento) no Brasil. O terceiro reúne entrevistas com músicos e produtores sobre as mudanças da relação dos fãs com seus ídolos musicais em função das redes sociais. Vale assistir.

Setembro 30, 2011   No Comments

Debates sobre música: Curitiba e Maceió

No dia 21/10 estarei em Curitiba dividindo uma mesa com o produtor Jorge Falcón e o amigo jornalista Guga Azevedo em um debate sobre a Produção Musical na internet. O encontro, no Sesc Paço da Liberdade, propõe uma discussão sobre os caminhos abertos pela internet para a produção musical e a necessidade de reciclagem do artista contemporâneo. Deve render bastante assunto (algumas infos aqui).

Depois, entre 01 e 02 de dezembro, estico até Maceió para participar do II Encontro Nacional de Pesquisadores em Comunicação e Música, o COMUSICA 2011. A programação completa ainda não foi divulgada, mas fiquei bastante feliz com o convite. Assim que tiver mais informações sobre o evento, divulgo aqui, mas vale de antemão seguir o @co_musica no Twitter.

Setembro 20, 2011   No Comments

David Fonseca responde perguntas de sites

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Aproveitando a passagem do músico português David Fonseca no Brasil, a gravadora Universal convidou 10 blogs e sites (Scream & Yell incluso) para participarem de uma coletiva virtual. Cada um dos sites enviou uma pergunta para David, e ele responde a todas calmamente no vídeo abaixo (gravado no Parque Lage, no Rio de Janeiro).

“Between Waves”, disco novo de David, chega às lojas do Brasil hoje. O cantor volta ao país para tocar no dia 02/10 no Palco Sunset do Rock in Rio. A ideia da Universal foi bem bacana. Paralelamente, devido ao excelente trabalho do colaborador lisboeta Pedro Salgado, o Scream & Yell vem focando bastante na nova música portuguesa.
Abaixo você pode conferir algumas entrevistas e textos:

- Nuno Prata, um dos grandes escritores portugueses de canções (aqui)
- Especial: conheça a nova cena musical portuguesa (aqui)
- Deolinda ao vivo em Lisboa: o triunfo do fado pop (aqui)
- B Fachada: as raízes portuguesas atravessaram uma alma (aqui)
- Os Pontos Negros: “É bonito falar em triunfar fora de Portugal” (aqui)
- Os Lábios: “O nosso objetivo é tocar ao vivo”, por Pedro Salgado (aqui)
- Orelha Negra: “Nosso som funciona mais para tomar um copo” (aqui)
- Peixe : Avião: “Queremos experimentar diferentes abordagens” (aqui)

Setembro 13, 2011   No Comments