Category — Jornalismo
Revistas: Billboard, Rolling Stone e Noize

A Billboard #6 tem coisas interessantes que prometem na revista, tipo o Ricardo Schott num textão sobre o carnaval do Recife e numa entrevista com Baby do Brasil, e o Braulio Lorentz num papo com o Franz Ferdinand (você sabia que o Kapranos andou dormindo no chão de um loft depois de uma balada pós show em São Paulo?). Além, tem resenhas minhas do “Aventuras de um Punkbrega”, DVD do Wander Wildner, e do “El Turista”, o disco (brasileiro) de Josh Rouse. E um papo com Mini, da Walverdes, sobre o quinto disco deles, que já está pronto e é fodaço.

A Rolling Stone #42 colocou Pedro Bial na capa, uma excelente tacada. Dei uma passada de olho na entrevista que o Pablo Miyazawa e o Paulo Terron fizeram com o Franz (curti a resposta do Kapranos pra pergunta sobre distribuição ilegal de música), mas esta edição (que me pareceu uma das melhores que eles fecharam até hoje) ainda tem bate papo com Arnaldo Antunes, Richarlyson, Jeff Bridges e Omar Bin Laden (sim, o filho), entre outras. Marco presença na seção de resenhas com um texto sobre o disco de estréia da banda cearense O Jardim das Horas (ex-O Quarto das Cinzas).

Por fim, a Noize #31 já está liberada para download (ou leitura online aqui). Nesta edição: entrevistas com a galera que ajudou a colocar “Is This It”, dos Strokes, no mundo; uma reportagem dissecando a cultura faça você mesmo dos zines musicais e seu pioneirismo como mídia democrática; entrevistas e fotos com o baiano Lucas Santtana, dono de um dos melhores discos nacionais de 2009, e com os gaúchos da Walverdes. Compareço com a coluna Scream & Yell, que neste debute fala sobre… vinis e edições de luxo. Baixe ou leia online aqui.
Março 10, 2010 4 Comments
Um clipe, um texto e um show pra ouvir
O Portal Nação Cultural está liberando o áudio de um show gravado por Mombojó com China no Armazé, 14, em Recife. Baixe o disco e conheça toda a história aqui.
Mario Marques e Ricardo Schott, do Laboratório Pop, decretam: a cena independente está rachada. Motivo. Algo em torno de R$ 10 milhões. Leia a reportagem completa aqui.
Fazia muito tempo que eu não via um clipe inteiro, mas o OK Go conseguiu me manter parado por 3m53s com “This Too Shall Pass”. A ironia? Assisti ao clipe sem som… Clica na imagem abaixo e divirta-se:
Março 3, 2010 5 Comments
Coisas para ler, ver e ouvir
Para ler
Como contratar um jornalista, por André Forastieri
“Conheço uma pá de estudantes e recém-formados em jornalismo. Tenho uma dó louca. Nossa profissão está acabando. Quer dizer, o tempo em que nossa profissão era fácil está acabando. Mais explicitamente: antes era mais fácil enrolar o leitor, o chefe, até os colegas“. Leia mais aqui.
“O império das bandas coxinhas”, por Sérgio Martins
“Chris Martin é um sujeito exemplar. Vocalista e líder do grupo Coldplay, que desembarca nesta semana no país para apresentações no Rio e em São Paulo, ele não perde a chance de ajudar os mais necessitados”. Leia mais aqui.
Editora processa blogueira, por Sérgio Rodrigues
“A tradutora e blogueira Denise Bottmann, do site Não Gosto de Plágio, precisa de ajuda. Caçadora mais ou menos solitária de picaretas editoriais, está sendo processada pela editora Landmark, que pede ao juiz indenização mais a retirada de seu blog do ar.” Leia mais aqui.
Para ver
Bruno Morais faz show gratuito no Sesc Consolação (Rua Dr. Vila Nova, 245) nesta terça-feira, às 19h30. Canções como “Hino dos Corações Partidos F.C.”, “A Vontade” e a novíssima “Cidade Baixa” (que toquei no meu set list da rádio Levis, e você pode baixar aqui) podem fazer o seu dia mais bonito.
Lulina, na sequência, apresenta as deliciosamente pegajosas “Balada do Paulista”, “Meu Príncipe” e outras no Sesc Pompéia, às 21h, também com entrada gratuita. Aliás, você já visitou a Lulilândia? Aqui.
Lafayette e os Tremendões (Gabriel, do Autoramas, Érika Martins, ex-Penelope, Renato Martins, do Canastra, Melvin, do Carbona, Nervoso, do Nervoso & os Calmantes, e Marcelo Callado, Do Amor e Banda Cê, de Caetano Veloso) tocam hits da Jovem Guarda na Choperia do Sesc Pompéia na quinta-feira, 21h. Para beber chopp escuro e cantar até ficar rouco.
Do Amor na festa Versão Brasileira, no CB (Rua Brigadeiro Galvão, 871), ali pela meia-noite de quinta-feira. E ainda tem Eisenbahn de Trigo (bebi quatro na primeira festa), Pale Ale (quatro na terceira festa) e outras que vou descobrir (e beber quatro).
Vanguart no Studio SP (Baixo Augusta), no meio da madrugada de sexta-feira para sábado. Já faz um tempo que não vejo o amigo Helio Flanders e seus comparsas ao vivo.
Para ouvir
Em mais uma de suas empreitadas malucas, João Brasil fez um mashup delicioso que junta a sensacional “O Que Que Nego Quer (Comer a Mulher)”, do rapper De Leve, com a não menos sensacional “Samba a Dois”, um dos últimos momentos de criatividade do Los Hermanos. Ouça (e baixe) o mashup aqui.
A banda Graveola e o Lixo Polifônico está liberando seu novo “meio” disco gratuitamente em seu site oficial. Gostei do primeiro (?) disco deles, que ainda não comentei por absoluta falta de tempo, e já baixei esse novo. Vale a pena o download. Aqui.
Você gosta de bootlegs? Se a resposta for positiva, divirta-se aqui.
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Ps. Eu tinha que escrever sobre “Um Homem Sério”, novo filme chapado dos irmãos Coen, mas bateu um sono…
Fevereiro 22, 2010 5 Comments
1h20, madrugada de segunda-feira

O fim de semana rendeu. Houve de tudo um pouco. Muito sol, um pouco de chuva, caipirinha e coxinha e bife de tira do Veloso. Também teve plantão. E mesmo assim consegui escrever duas 500 Toques, um texto sobre “Avatar” (aqui) e ler o livro da Conrad inteirinho para entregar os originais de manhã (aliás, curti muito o livrinho. Assim que puder, libero mais infos). E assisti ao “Sherlock Holmes”, de Guy Ritchie (vou tentar escrever).
Andei ouvindo o novo do Vampire Weekend (eu tava achando mezzo, mas não paro de ouvir) e do Spoon (droga, não gostei tanto assim. E ouvi muito o “Rock and Roll”, do Erasmo, que tinha passado batido e fui atrás seguindo recomendação de alguns amigos de fé. Discaço! Mesmo. Ainda falo dele, mas você precisa ouvir “Olhar de Manga”, “A Guitarra é Uma Mulher” e “Encontro ás Escuras”.
Esqueci de contar: uma foto minha de Parati irá sair na próxima edição da revista da Tam. Aproveitando a empolgação comprei várias cervejas importadas - para escrever, para escrever. E falando em escrever, as novas edições da Billboard e da Rolling Stone estão nas bancas com muita coisa legal. A primeira traz resenhas minhas sobre os discos de Lady Gaga e de Lafayette e os Tremendões, mais o DVD do Killers. Na segunda digitei palavras sobre o disco ao vivo do R.E.M.
Aliás, a Rolling Stone traz nesta edição os melhores de 2009 por um seleto grupo de votantes. Abaixo, os votos que mandei para a revista:
MELHOR DISCO NACIONAL
01) “No Chão, Sem o Chão”, Romulo Fróes
02) “Certa Manhã Acordei De Sonhos Intranqüilos”, Otto
03) “Uhuuuu!”, Cidadão Instigado
04) “Caligrafia!”, Ludov
05) “Tudo Que Eu Sempre Sonhei”, Pullovers
06) “Sem Nostalgia”, Lucas Santtana
07) “A Vontade Superstar”, Bruno Morais
08) “Banda Gentileza”, Banda Gentileza
09) “Complete”, Móveis Coloniais de Acaju
10) “Atlântico Negro”, Wado
MELHOR DISCO INTERNACIONAL
01) “Them Crooked Vultures”, Them Crooked Vultures
02) “Tonight”, Franz Ferdinand
03) “Secret, Profane & Sugarcane”, Elvis Costello
04) “Broken”, Soulsavers
05) “Years of Refusal”, Morrissey
06) “Dark Nights of The Soul”, Sparkelehorse
07) “It’s a Blitz”, Yeah Yeah Yeahs
08) “A Woman a man Walked By”, Pj Harvey and John Parish
09) “My Old Familiar Friend”, Brendan Benson
10) “Backspacer”, Pearl Jam
MELHORES MÚSICAS NACIONAIS
01) “Tudo Que Eu Sempre Sonhei”, Pullovers
02) “Balada do Paulista”, Lulina
03) “6 minutos”, Otto
04) “Pavão Macaco”, Wado
05) “Para Fazer Sucesso”, Rômulo Froes
06) “Mormaço”, Paralamas do Sucesso
07) “O Tempo”, Moveis Coloniais de Acaju
08) “Cangote”, Céu
09) “Contando Estrelas”, Cidadão Instigado
10) “1/2 Amor”, Wonkavision
MELHORES MÚSICAS INTERNACIONAIS
01) “(If You’re Wondering If I Want You To) I Want You To” - Weezer
02) “I’m Throwing My Arms Around Paris”, Morrissey
03) “Beyond Here Lies Nothin’”, Bob Dylan
04) “Ulysses” – Franz Ferdinand
05) “Zero” – Yeah Yeah Yeahs
06) “Wilco, The Song”, Wilco
07) “Working on a Dream”, Bruce Springsteen
08) “I Cut Like a Buffalo”, Dead Weather
09) “Fuck You” – Lily Allen
10) “New Fang”, Them Crooked Vultures
Dos dez discos nacionais que votei, seis entraram no Top 25 da Rolling Stone. Dos meus dez discos internacionais, cravei cinco. Das músicas nacionais também cravei seis (como os discos nacionais) e a lista gringa de músicas foi minha pior média: quatro das dez que votei entraram. O Top Ten 2009 da Rolling Stone Brasil você vê aqui.
Acho que é isso. São 1h50 da madrugada. Acordo às 7h para mais uma semana de caos. Minha gastrite permanece me acompanhando, mas só consigo pensar que preciso terminar o “Pergunte ao Pó”, do John Fante, procurar um lugar baratinho para comprar a quinta temporada de Lost (e me preparar pra sexta, que está chegando) e guardar forças para o show do Del Rey, na sexta, com vários amigos presentes. 2010 começou a toda. Ufa.

Janeiro 11, 2010 6 Comments
Download: baixe a nova edição da +Soma
A +Soma 15 encerrra o ano com uma entrevista de capa exclusiva com Robert Crumb, considerado por Robert Hughes, crítico de arte do The New York Times, como o Pieter Bruegel do século XX. Um dos gênios maiores dos quadrinhos e da iconografia da contracultura, Crumb deu entrevista exclusiva em Paris a Fernando Eichenberg, que já falou com nomes como Lévi-Strauss, Wim Wenders, Emir Kusturica e Pierre Boulez. Em pauta, política internacional, a crise do american way of life, arte e a vida reclusa na França, além de sua magistral adaptação do livro do Gênesis.
No destaque musical, Dave Longstreth, líder dos Dirty Projectors, fala com o editor Mateus Potumati na única entrevista que deu enquanto esteve no Brasil. Esta edição ainda traz Chris Couto indicando dez discos (entre eles, “Velha Guarda 22″, do Mamelo Sound System e “Band on the Run”, de Paul McCartney; a beleza e morte em esculturas em cera e metal de Tatiana Blass; Mayer Hawthorne e a nova cara (nerd) do soul norte-americano, e Gustavo Mini conta que resolveu inventar a sua própria forma de mixtape. Baixe.
http://maissoma.com/2009/12/18/revista-soma-15-free-download
Dezembro 20, 2009 4 Comments
Rolling Stone e Billboard nas bancas

A Rolling Stone chega às bancas destacando um entrevistão com Mano Brown, conhecido por seu pouco animado em conceder entrevistas. Porém, quem comandou o papo foi André Caramante, que já escreveu para o Scream & Yell em 2000, 2002 sobre… rap. Ou seja, o cara sabe do que está falando e com quem está falando. Vale ler.
Já a terceira edição da Billboard traz as belas pernas de Ivete Sangalo na capa, uma pauta sobre Belchior, Wanusa e Byafra “depois do vendaval”, um entrevistão enorme e bacana com Mike Love, do Beach Boys e resenhas minhas do “Raditude”, do Weezer, e do “MTV Apresenta Autoramas Desplugado”, do Autoramas. Divirta-se.
Dezembro 17, 2009 3 Comments
Em vídeo: Profissão Roadie e Madame Saatan
http://www.profissaoroadie.com/
O Gabriel e o Gilmar estão disponibilizando o documentário “Profissão: Roadie” na internet. A dupla montou um site bem caprichado com informações e vídeos separados para cada tema. Assim você pode ver trechos do documentários aos poucos. ”Profissão Roadie” lança os holofotes sobre os profissionais que atuam nos bastidores do showbizz. Sem a pretensão de esgotar o assunto, o filme conta quando o mercado de shows começou a se profissionalizar e traça um raio x das vantagens e desvantagens da profissão, partindo de questões como relacionamento com os músicos, mercado de trabalho, vida na estrada e sobre os mitos envolvendo sexo, drogas e rock’n’roll. Assista aqui.
http://veja.abril.com.br/musica/madame-saatan.shtml
O jornalista e amigo Sérgio Martins lança mais uma edição do videocast “Veja Música”, que já teve a presença de Fernanda Takai (aqui) e Arnaldo Antunes (aqui), entre outros. Desta vez, a banda convidada é o Madame Sataan, nome de respeito do metal paraense. A pedido de Sérgio Martins, Sammliz (voz), Ed Guerreiro (guitarras), Ícaro Suzuki (baixo) e Ivan Vanzar (bateria) escolheram dois covers especialíssimos para o programa: “Mistério do Planeta”, dos Novos Baianos, e “Baião de Lacan”, do compositor carioca Guinga. Além, os integrantes explicam a força do metal paraense em uma entrevista bem bacana. É uma das melhores edições do Veja Música até agora. Vale assistir aqui.
Dezembro 16, 2009 3 Comments
Algumas palavrinhas no Programa Novo
Dezembro 5, 2009 1 Comment
Uma noite rock and roll em Juiz de Fora

Apesar do inconfundível sotaque mineiro, Juiz de Fora é quase Rio de Janeiro. Isso fica perceptível quando se abre o caderno de esportes do Tribuna de Minas, o maior jornal da cidade, e a última página é dividida em quatro blocos: Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Um dia antes, o caderno de cultura destacava a ida deste que vos escreve à cidade classificando-me como “uma das maiores autoridades em cultura pop na internet”. O título é exagerado, mas agradeço o deferimento.
Juiz de Fora tem 525 mil habitantes, seis faculdades (uma delas federal) e fica na Zona da Mata. Chegou a ser conhecida como a Manchester Mineira, não por bandas equivalentes a Smiths e New Order, mas por seu pioneirismo na industrialização. Para chegar à cidade, vindo de São Paulo, se pega a Via Dutra em direção ao Rio, e segue-se beliscando Volta Redonda. Ou encara-se um vôo no avião de médio-porte ATR-42 saído de Congonhas de pouco mais de hora via Pantanal.
Os vôos costumam atrasar. Na quinta foram duas horas de espera devido a uma vistoria na nave feita pela ANAC, o que permitiu descobrir que o chopp Brahma em Congonhas é mais barato que o chopp Heineken em Guarulhos: R$ 7,50 x R$ 10,50. De qualquer forma, dois assaltos. Apesar do atraso, o vôo foi tranqüilo (e altitude da aeronave, voando a 18 mil pés, permitiu uma bela visão de São Paulo iluminada à noite) e o pouso em Juiz de Fora um dos mais sossegados dos últimos tempos.
Fui recebido pelo João Paulo Mauler, do projeto Quinta do Bloco (www.quintadobloco.com), no aeroporto, e seguimos para o hotel e sem eguida para o Café Musik, local que abriga o retorno do projeto após três anos de hibernação. Kátia Abreu, da Alavanca, já havia elogiado o Musik em um bate papo, mas não tenho palavras para descrever um local cuja parede lateral de entrada é tomada inteiramente pela foto clássica e nostálgica do filme “Manhattan”, de Woody Allen, em que o casal de personagens observa a Ponte do Brooklin. Estou em casa.
A programação para a noite era um bate papo meu com os presentes depois shows da banda local Hermitage e do carioca Lê Almeida (www.myspace.com/lealmeida). Alguns minutos pós a meia-noite dispensei o microfone, coloquei uma cadeira no meio do salão e gastei uns 20 ou 30 minutos falando bobagens sobre a minha formação profissional e minha visão do cenário musical nacional. Fiquei feliz e surpreso com o bom número de ouvintes e com algumas perguntas interessantes que surgiram após meu monólogo.
A Raizza questionou minha crítica à Pitty, e precisei aprofundar o assunto “jornalismo combativo”. Del Guiducci, do Martiataka (www.martiataka.com), tocou no assunto mainstream brasileiro, e assim que afirmei que vivemos a pior fase do rock nacional no mainstream e não há nada de bom acontecendo no momento, três emos de uma jovem banda local levantaram e partiram. Um pouco antes eu já havia dado o recado: “Aprenda a ler jornalistas e não revistas”. Eles devem ter pegado o recado e visto que dessa cartola aqui não sai coelho.
No geral, o bate papo foi extremamente proveitoso, ao menos para mim. Fiquei satisfeito, mas o melhor ainda estava por vir com curtos bate papos com a Raizza (que leu Simone de Beauvoir por causa da Pitty); com o Anderson, da banda Usversos (www.myspace.com/usversus), que faz um som na linha Dead Fish (e tenta fugir do emo); com o Greg, que curte o Scream e já tocou o Ameba, da Plebe Rude; com o Roney, que toca em duas bandas locais, sendo que uma delas fará uma temporada na Alemanha nos próximos meses.
Nas pick-ups da festa rock and roll, Luiz Valente, do selo Vinyl Land (www.vinyllandrecords.com), que lança singles em vinil e discoteca com compactos 7 polegadas de uma coleção que faria Rob Fleming corar de inveja. A frase que mais ouvi – e mais me deixou comovido – na noite foi: “Acompanho o Scream & Yell há seis (sete, oito, nove) anos, e ele (e o 1999, do Alexandre Matias e do Abonico Smith, e o Esquizofrenia, do Gilberto Custódio) moldou muito do que ouço hoje em dia”.
O Hermitage, que fazia seu último show com esse nome, me arrancou sorrisos. A Paula Bento, do Quinta no Bloco, comentou que o som da guitarra estava alto, e o bom rock and roll é isso: guitarra alta e distorcida. Bebendo cerveja num canto da pista e olhando a alegria do público dançando só pude imaginar que quando Pavement, Teenage e Guided by Voices, começaram, eles tocavam assim para uma platéia não muito diferente dessa. Festa. Rock caipira poderoso com direito a cover de Neutral Milk Hotel.
Lê Almeida veio na seqüência. Ele comanda o selo Transfusão Noise Records de seu quarto estúdio na Baixada Fluminense. Levando a sério o lema “faça você mesmo”, Lê já organizou um tributo brasileiro ao Guided By Voices (veja aqui) chamado “Don’t Stop Now” (que conta com Superguidis, Kid Vinl Experience, Snooze, Surfadelica e mais 27 bandas), toca em dezenas de bandas, lançou vários EPs caseiros e, segundo muitos presentes, é um gênio. Toca tudo deste projeto solo, que ao vivo conta com o reforço dos amigos.
Antes do show, o projeto Quinta no Bloco apresentou em primeira mão o clipe de “Nunca, Nunca”, faixa de “Revi”, novo trabalho de Lê Almeida lançado em parceria com os selos Midsummer Madness e Vinyl Land. O set list, na linha Guided By Voices, tinha 27 músicas, e a banda mostrou suas guitarradas em um show potente, mas que acabou prejudicado por um problema em uma das caixas de som. No balanço geral, dois bons shows que mostram que a cena lo-fi nacional continua rendendo excelentes frutos.
Fica o agradecimento a Rayssa, ao Del Guiducci, ao Greg, ao Anderson, ao Roney, ao Evandro (não esqueci do Mojobook não!), ao Lê Almeida (pela gentileza e por todos os CDs), ao Luiz (pelo bom papo sobre vinis), ao André Medeiros (que escreve junto com o Eduardo no ótimo Last Splash - lastsplash.wordpress.com) e o pessoal do ex-Hermitage, ao pessoal do Café Musik, e especialmente ao João e a Paula pelo convite. Para mim, a noite foi bem bacana. Espero que para vocês todos, também. Até a próxima, Juiz de Fora.
Todas as fotos por Amanda Dias
http://www.flickr.com/photos/amandadias
Novembro 22, 2009 7 Comments
No Tribuna de Minas desta quarta

Universo independente
Depois de um hiato de três anos, o projeto “Quinta no bloco” volta a integrar o calendário cultural de Juiz de Fora com a promessa de movimentar mensalmente o cenário musical da cidade. A primeira edição de 2009 acontece amanhã, no Muzik, e traz como novidade a inclusão na programação, até então marcada por apresentações musicais, de um bate-papo sobre o universo independente. A tarefa de conduzir a primeira discussão ficará sob a responsabilidade do jornalista cultural Marcelo Costa, considerado uma das maiores autoridades em cultura pop na internet. Editor do site Scream & Yell (www.sreamyell.com.br), colunista do iG Música e colaborador de revistas como “Rolling Stone” e “Billboard”, o paulista aporta em Juiz de Fora para falar de cultura pop, tecnologia, mercado independente e o que mais estiver na cabeça do público presente.
O palco será ocupado pelo músico carioca Lê Almeida, que, acompanhado por uma banda de apoio, irá mostrar o seu trabalho autoral, influenciado por bandas como Pixes, Pavement, Teenage Fanclub e Flaming Lips. As músicas do set list integram as dezenas de EP’s gravados pelo artista, registros que o tornaram referência em produções caseiras, orientadas pela filosofia do “faça você mesmo”. O músico ainda irá aproveitar o espaço para lançar o clipe da faixa “Nunca nunca”, totalmente produzido em Juiz de Fora. A noite ainda será embalada pelo “noise pop” da banda local Hermitage e pela discotecagem de Luiz PF.
O “Quinta no bloco” é encabeçado pelos jornalistas João Paulo Mauler e Paula Bento. O organizador diz que o projeto é orientado pela proposta de dar oportunidade ao público local de assistir bandas que se destacam no cenário alternativo. “A escolha dos nomes é baseada em tendências. São bandas pouco conhecidas, que possuem muito potencial, nomes que tendem a aparecer”, explica. Nas 15 edições da iniciativa, realizadas entre 2005 e 2006, as noites foram protagonizadas por atrações como Cachorro Grande, Moptop e Autoramas. João Paulo destaca ainda que o evento tem como objetivo promover o intercâmbio entre os artistas e levar o trabalho dos músicos locais para fora da cidade.
QUINTA NO BLOCO
Amanhã, às 22h
Café Muzik (Rua Espírito Santo 1.081)
Novembro 18, 2009 1 Comment
Quinta-feira, bate papo em Juiz de Fora
Novembro 16, 2009 1 Comment
Para ler online: Revista Pop
Novembro 13, 2009 1 Comment
Them Crooked Vultures na Rolling Stone

Chega às bancas nesta terça-feira a edição 38 da Rolling Stone Brasil com Alline Moraes na capa. Pessoalmente não curto essa idéia de transformar beldades em seres do outro mundo. Ela sem maquiagem é mais bonita que a foto acima, mas quero conferir o entrevistão do chapa Paulo Terron.
Numa primeira olhada, o que chamou a atenção na revista é o especial Them Crooked Vultures com entrevistas individuais com Dave Grohl, Josh Homme e John Paul Jones. O disco vazou ontem e… disco do ano. Á 1 da manhã, na quinta música, isso já estava claro. Além tem resenha minha sobre as duas novas coletâneas do Morrissey que chegam às lojas recheadas de pepitas musicais.
Novembro 10, 2009 6 Comments
Bate papo em Juiz de Fora dia 19/11
Novembro 9, 2009 1 Comment
Entrevistando Fernanda Young

Não lembro ao certo que mês de 2001 foi, mas acho que era novembro ou dezembro. Desci a rua Albuquerque Lins, no bairro de Higienópolis com meu gravador e duas fitas cassete de 60 minutos para entrevistar Fernanda Young em seu apartamento. Ela estava lançando um livro (mediano), “Efeito Urano”, até hoje o único que li dela (por causa da entrevista), e me aguardava com os dois pés atrás.
Assim que entrei em seu apartamento, notei uma certa insegurança por parte dela, que gesticulava muito tentando soar à vontade. “Você é o repórter da Reuters, certo. O Alexandre (Carvalho, marido) me disse que a Reuters é muito importante. E eu ficava falando pra mim mesma. ‘Reuters, Reuters, Reuters, está tudo bem”. Ela chamou a empregada, me ofereceu algo para beber e ficou feliz de eu ter escolhido coca-cola ao invés de água. Sinais, sabe.
Cerca de quarenta minutos depois, no meio de uma resposta, ela solta: “Puxa, eu nunca falei tanto como eu estou falando agora (risos) e eu nem queria dar entrevista, né”. A tarde passou voando e quando vimos, as duas fitas cassete de 60 minutos estavam abarrotadas de conversa. Então surgiram Estela May e Cecília Madonna, suas duas filhas, e aproveitei o momento família para me despedir e subir a Albuquerque Lins em direção a Teodoro Sampaio, local em que eu morava na época.
Fernanda Young foi bem interessante nas duas horas que conversamos. Me pareceu se desarmar da persona que criou para provocar o mundo e a conversa rendeu uma longa entrevista de 14 páginas que ficou reduzida a 3 mil toques para a Reuters. Isso era 2001 e cortamos para 2009. Ela é capa da edição de novembro da revista masculina mais famosa do país, e parece ter incomodado muito gente com isso. Mais: homens agem como se fosse proíbido ela ter feito o ensaio. Bobagem.
Alguns dizem que ela é feia, no que discordo, embora também não a ache um exemplo de beleza. Na verdade, beleza não tem a ver com ela. Fernanda Young é falastrona, provocadora e irritante. E isso a sociedade (principalmente a ala masculina) não suporta. É o inverso da sensação de paixão que faz com que homens enxerguem suas mulheres como a mais bela do mundo. Pouca gente parece amar Fernanda Young, e isso a torna feia, burra e chata. Copo meio vazio, eu sei, mas é assim.
Particularmente, gostei de algumas fotos prévias do ensaio. Essa edição vai ser (fácil) mais interessante do que qualquer uma das tão “amadas” Mulheres Frutas. No entanto, fotos de nudez a parte, acho que essa entrevista que fiz com Fernanda Young em 2001 é uma das minhas prediletas junto com o bate papo com Ian McCulloch e também uma longa troca de e-mails com o amigo André Takeda. Recentemente, fiquei feliz com o resultado da conversa com Wado aqui em casa.
Destas quatro citadas (linkadas abaixo) e entre todas as outras que fiz, a minha preferida é a da Fernanda Young. Acho que o politicamente incorreto é extremamente necessário (nunca sonhei em viver no paraiso do bom mocismo), e a liberdade de expressão é um bem valioso demais para todos, mas fica feio quando descamba para a hipocrisia. São gestos não pensados e idiotas de machos que pensam apenas com a cabeça debaixo que acabam desancadeando fatos como o da moça da Uniban.
Fernanda Young muitas vezes me irrita, mas se ela quer ficar pelada, eu não vou reclamar. Pelo contrário. Como diria o sábio Roger Rocha Moreira no hino “Eu Gosto de Mulher”: “mulher faz bem pra vista”. Sua nudez é benvinda e não deveria ser castigada. Em um mundo em que Gilberto Kassab é um péssimo prefeito, José Serra candidato forte à presidência e Caetano Veloso é consultado (e levado à sério) sobre tudo que acontece, Fernanda Young é dos males (se for), o menor. E não quero nem imaginar Kassab, Serra e Caê nus. Prefiro a Fernanda Young.
Leia mais:
- Marcelo Costa entrevista Fernanda Young (aqui)
- Marcelo Costa entrevista Ian McCulloch (aqui)
- Marcelo Costa entrevista André Takeda (aqui)
- Marcelo Costa entrevista Wado (aqui)
Novembro 7, 2009 14 Comments

























