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Category — Entrevistas

Chemical Brothers no Programa Alto Falante

Uma baita honra! No primeiro vídeo abaixo, registro da minha participação especial no mítico programa Alto Falante falando do clássico “Dig Your Own Hole”, do Chemical Brothers, que festeja 20 anos em 2017 ( o segundo vídeo traz a integra do programa Alto Falante de 08 de abril)! Brigadão aos grandes parceiros Terence Machado, do Alto Falante, pelo convite e Tiago Trigo, da produtora Casa Inflamável, que fez a gravação.


abril 18, 2017   No Comments

Entrevista: Fanzine Scream & Yell em pauta

Bate papo com Rodrigo Lariú, da Midsummer Madness, para esse especial com todos os fanzines Scream & Yell escaneados para ser lidos online

Quando saiu o nº 1 (do fanzine Scream & Yell em papel)? No final do nº 2 diz que saiu dois anos antes, ou seja em janeiro de 1997… e você cita o João Marcelo que aparentemente faleceu… o que houve?
O número 1 não chegou a sair. Nós montamos ele inteiro (eu escrevi e decidi pautas com o João Marcelo, que diagramou com a ajuda de uma amiga) e deixamos espaço para eventuais publicidades, aquele coisa de vender uma tirinha pro cara da padaria, fazer uma permuta com o cara do xerox por outra tirinha, essas coisas. No meio desse processo, o João sofreu um acidente de moto e não resistiu. Eu decidi engavetar o projeto. Acontece que nós tínhamos distribuído alguns exemplares dessa versão teste (ainda com espaço pra anúncios vazio) para amigos, e essa versão começou a circular, algumas pessoas tiravam cópias e passavam adiante. Uma dessas versões caiu nas mãos do Alexandre. Ele estudava na Faculdade de Direito da Unitau, em Taubaté, e eu trabalhava na Biblioteca de lá. Um dia ele chegou com uma cópia dessa edição número 1 nas mãos e propôs me ajudar a fazer novamente. Relutei, mas um tempo depois decidimos tentar.

O Petillo sempre foi co-editor?
Sim, a partir do número 2. A gente decidia as pautas juntos, o que cada um deveria fazer, pensávamos em colunas fixas e chamávamos amigos. Tive a ajuda de uma amiga na diagramação (a mesma que desenhou o número 1), que me ensinou o básico de Pagemaker. Do três em diante eu passo a fazer a diagramação sozinho, com uns helps dela.

Na capa do 5 vocês colocaram Taubaté – agosto e setembro de 2000.. Não morava em SP pelo visto…
Na verdade a capa da edição 5, com o Kevin Smith, traz apenas “Taubaté – Agosto e Setembro”, mas não colocamos o ano, que no caso era 1999. Mudei para São Paulo no meio do ano seguinte, 2000. Deu tempo de fazer a sexta e última edição, com Jerry Lee Lewis na capa, que saiu em março de 2000.

Você lembra quantas cópias imprimia? Era xerox né?
As cinco primeiras foram xerox sim, e a média foi subindo. Da edição 2 circulou umas 300 cópias; a edição 3 foi algo em torno de 350. A edição 4 manteve isso e a edição 5 acho que chegou em 500. A edição derradeira, a 6, foi feita em gráfica com ajuda de alguns amigos que trabalhavam lá. Fizemos no horário livre deles e imprimimos 1000 cópias. Foi a única que não foi feita no modelo xerox.

No editorial diz publicação bimestral sobre rock… era bimestral mesmo?
Era a ideia inicial, mas a gente não tinha tanta grana sobrando assim e também tinha toda dificuldade da diagramação. Mas foi quase bimestral. No fim das contas ficou assim: edição 2 em jan/fev de 1999; edição 3 em março e abril de 1999; edição 4 em junho de 1999; edição 5 em agosto e setembro de 1999; e a edição 6 em março de 2000. E tiveram três informativos de A4 frente e verso nos intervalos entre as edições 4, 5 e 6.

O zine impresso teve apenas 6 edições? É isso? Não sei por que eu tinha a impressão de que eram mais…
E tiveram três informativos de A4 frente e verso nos intervalos entre as edições 4, 5 e 6, que circularam bem. Talvez a confusão venha dai. Mas foram apenas seis edições, e foi intenso (risos). Acho que aquele momento de virada de século foi muito produtivo. Eu recebia fanzines de todos os cantos do Brasil, muitos deles dando de 10 no que a grande mídia estava publicando sobre cultura pop. Nessa época rolou a Mostra de Cultura Independente, na Funarte, organizado pela Deborah Cassano e Megssa Fernandes em outubro de 2000. Eu já havia vindo a São Paulo para uns encontros fanzineiros, mas aquilo ali foi sensacional. Grandes shows (Hang The Superstars, Fishlips, Dominatrix, Sala Especial, Grenade e Thee Butchers’ Orchestra), debates, participação ativa do público, saraus (eu mesmo declamei poemas) e conversas sobre fanzines. Havia uma efervescência, e é nesse momento que o Scream & Yell On Paper morre e nasce o Scream & Yell On Line.

Porque decidiram parar o zine após a edição 6?
Fazer fanzine impresso é um trampo danado, consome grana, precisa uma dedicação que eu, recém-mudado para São Paulo e trabalhando em dois empregos (iG e Noticias Populares) não tinha. Dai surgiu o Hugo Tavares, que se apaixonou pelo fanzine e pirou que queria fazer o site. E fez. Ele entrou no ar em 20 de novembro de 2000. Eu trabalhava no iG de 6h às 12h, mas para abastecer o site com textos comecei a entrar meia-noite e ficava até meio-dia. Com o site começando a ser comentado aqui e ali, o fanzine em papel foi ficando em segundo plano. Já teve épocas de eu acordar no meio da noite, rascunhar algumas coisas e pensar: vou fazer mais um Scream & Yell impresso. Mas passa… (risos)

Aquele lance de sempre incluir textos de jornalistas consagrados, como “matérias antólogicas”, qual era a estratégia? Alunos de comunicação tentando se aproximar? rsrsr Vocês pediam permissão ou publicavam na cara dura?
Hahaha, bem, eu fiz Publicidade e Propaganda na Unitau entre 1994 e 1998. Acho que incorporei dogmas da profissão, mas nada foi planejado. Na verdade a gente queria ser lido e também retribuir um pouco do que aqueles jornalistas tinham feito pra gente. Então é sério o lance de amar aquelas matérias antológicas. Eu tenho a grande maioria delas impressas até hoje, porque o meu jornalismo foram elas. Foi ali que eu aprendi a arte de escrever, lendo Ana Maria Bahiana, André Forastieri, Lúcio Ribeiro, André Barcinski, Alex Antunes, Marcel Plasse, essa turma toda. O jornal tem essa coisa do “embrulhar peixe no dia seguinte”, e a ideia do “Matérias Antológicas” era dar certa perenidade àqueles textos. Nunca foi, conscientemente, uma estratégia, mas uma forma de valorizar o jornalismo cultural, algo que ninguém faz. Eu fui “criado” pela revista Bizz, então há varias entrevistas e reportagens que eu sei exatamente onde estão em cada edição da revista. Quando preciso de alguma referencia, me lembro: “Fulano falou sobre isso em tal edição”, e vou lá conferir. A ideia do Matérias Antológicas foi dar uma sobrevida a esses textos. Alguns a gente pedia autorização e outros republicamos na cara dura, porque éramos (e ainda somos) apaixonados por aqueles textos. Teve uma vez que andando na Amoeba, em São Francisco, encontrei o CD do Hapa, uma dupla de havaianos nativos, e quase tive uma síncope. Era um CD que a Ana Maria Bahiana havia escrito num texto que amo, o “Belas Canções Sob o Céu da Califórnia”, que foi publicado no Estadão em 1996. Eu encontrei ele na Amoeba quase 15 anos depois, em 2010!! Esses textos me acompanham (ele está publicado no Scream & Yell). Eles moldaram a minha maneira de ver o mundo e eu agradeço de coração a todos os jornalistas que me fizeram um apaixonado por cultura pop. A seção Matérias Antológicas, ainda online na versão 1.0 do site, foi minha maneira de retribuir tudo que eles me deram.

O que você fazia na época? Trabalhava em algum lugar?
Eu era auxiliar de biblioteca concursado da Universidade de Taubaté. Assim que me formei, em 1998, prestei outro concurso interno e fui transferido para a Pró-Reitoria de Extensão, para trabalhar diretamente com a Pró-reitora. Era o que tinha praquele momento e foi bem bacana, mas bastou pintar uma oportunidade de trabalhar com jornalismo em São Paulo para largar tudo.

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abril 15, 2017   No Comments

Scream & Yell na Mutante Radio. Ouça!

Participei na segunda-feira do Intervenção Urbana, programa comandado pelo queridíssimo Fabio Shiraga na Mutante Radio. Dei uma sacada na rádio (www.mutanteradio.com) e recomendo muito acompanhar o dial online dos caras. É coisa bacana! No programa que você abaixo eu conto um pouco a história do Scream & Yell, os lançamentos do nosso selo, música independente, curadorias, um mundo de coisas. Adorei o papo e, além, Fabio fez uma seleção de canções que me emocionou. Vale a pena ouvir.

01. Terminal Guadalupe – O bêbado de Ulysses
02. Angel Olsen – Give it up
03. The Jesus And Mary Chain – Always sad
04. Kiko Dinucci – A gente se fode bem pra caramba
05. João Erbetta – Paralelas
06. Beto Só – Más o menos bien
07. Vivian Benford – Abre alas
08. Camila Barbalho – O outro
09. Sex Beatles – Más companhias
10. Harry – Genebra

abril 12, 2017   No Comments

Entrevista: Música, Mercado e Scream & Yell

Entrevista concedida a Rúvila Avelino, em fevereiro de 2017, para o site Like a Rock

Qual a sua primeira memória relacionada à música?
Festas em casa organizadas pelo meu pai, que tinha uma vasta coleção de MPB, coisa fina. Depois disso lembro-me da minha mãe chorando quando o Jornal Nacional anunciou a morte de John Lennon…

Como você descreveria sua relação com a música?
A música me deu tudo que tenho. Sou completamente dependente dela, mas é uma dependência boa, apaixonada e pacifica.

Você se considera um “nerd de música”? O que isso significa pra você?
Não me considero um nerd de música não. Eu acho que o nerdismo muitas vezes se torna um vício em que o objeto (no caso a música) fica em segundo plano e o vício em primeiro: a pessoa tem que ter todos os discos, saber todas as coisas ao máximo sobre cada disco, o nome do cachorro do roadie do baterista, essas bobagens. Prefiro me concentrar na música e nas peças que a constroem.

Você já passou por alguma situação estranha ou divertida por conta da paixão pela música?
Conviver com pessoas que amam a música propõe a você centenas de situações divertidas. Saca os personagens de Nick Hornby em “Alta Fidelidade”? Eles são reais! Ou ao menos têm dezenas de versões pelo mundo. Isso é hilário.

Como você consome música hoje em dia?
Cerca de 80% da música que ouço vem de CDs e vinis, mas uns 19% que recebo por streaming ou baixo. E dai tem menos de 1% que ouço em streaming. Prezo muito pelo formato físico.

Você é do tipo que coleciona discos?
Já comprei muito mais do que compro hoje em dia, afinal, a crise está tensa, mas não dá pra negar que ter uns 1000 vinis e uns 15 mil CDs me faça um colecionador.

Se pudesse resumir a sua coleção a cinco discos, quais seriam e por quê?
Eu teria duas formas de tentar fazer esse resumo: a primeira seria a de escolher os discos da minha vida, dai entrariam “London Calling”, do Clash, “Ocean Rain”, do Echo and The Bunnymen, “Songs and Storeis”, do Husker Du, “Closer”, do Joy Division, e “Doolittle”, do Pixies. A segunda maneira seria resumir a discos “novos” que amo muito, favoritos que retorno sempre que posso. Dai escolheria “The King is Dead”, do Decemberists; “Yankee Hotel Foxtrot”, do Wilco; “My Secret is My Silence”, do Roddy Woomble; “My Woman”, da Angel Olsen; e “Outras Histórias”, do Deolinda.

Você costuma ir em muitos shows? Por que?
Sim, vou a muitos shows. Porque a música acontece ao vivo. É ali, no palco, que o que está no disco se transforma em real – para o bem e para o mal.

O que essa experiência de show representa na sua vida?
Tudo. Minhas viagens são organizadas de acordo com os shows que quero ver. Houve um ano em que fiz uma viagem pra Europa que começou com o festival Primavera Sound, em Barcelona; depois vi Guns com um amigo em Paris; no outro dia estávamos vendo Lou Reed em Luxemburgo; dois dias depois era a vez de assistir a Tom Petty na Irlanda. De lá voltei pra Barcelona para assistir ao Stone Roses. Essa loucura de roteiro mostra como shows são importantes pra mim.

Você consegue listar alguns que marcaram sua vida?
Eu tenho uma lista com mais de 100 shows entre o meio dos anos 80 e hoje em dia. Atualmente, entre os inesquecíveis da minha vida, um Top 10 possível teria Arcade Fire no Coachella, em 2011; Radiohead em São Paulo, 2009; Bruce Springsteen em Trieste, 2012; Blur no Hyde Park, 2009; Leonard Cohen no Benicàssim, 2008; Lou Reed em Málaga, 2008; R.E.M. no Rock in Rio, 2001; Page e Plant no Hollywood Rock de 1995, Elvis Costello no Tom Brasil em 1995, e Portishead no Best Kept Secret, 2013.

O que mais te empolga na música produzida atualmente, tanto no Brasil quanto no mundo?
A ligação com suas raízes. Acredito que estamos vivendo um momento especial, em que muitos povos estão buscando valorizar sua cultura, mas sem ligar para fronteiras. Isso está fazendo com que muita música nova esteja surgindo desta aparente falta de fronteira musical que a internet nos permite aproveitar.

A forma de produzir e distribuir música mudou muito de alguns anos para cá, o que dá mais liberdade para os artistas alternativos que não querem ou não conseguem entrar nas grandes gravadoras. Como você enxerga esse movimento?
Acho sensacional. A liberdade criativa é algo muito importante. O que é preciso é buscar uma forma de que essa arte gere um mínimo de lucro para que o artista receba pela arte que produz.

O Scream and Yell já está no ar, acompanhando o mundo da música há 17 anos. O que é mais importante para você na história do site?
A valorização da cena independente nacional dando o mesmo espaço para um jovem artista que damos a um Caetano, a um Chico, a um Electric Six, a um Teenage Fanclub. E também a nossa tentativa de promover conexões musicais com Portugal e América Latina, um dos nossos maiores desafios atuais, mas que já vem rendendo frutos!

Você acredita que houve grandes mudanças na forma de consumir conteúdo sobre música nesse tempo? Quais foram as mudanças mais significativas que você poderia apontar para nós?
Mudou tudo. Quando o site surgiu, o CD ainda reinava e o MP3 era um vislumbre possível nos Estados Unidos e Europa. Dai veio o Napster e a coisa toda virou de cabeça pra baixo. Hoje temos o vinil novamente valorizado, temos artistas lançando trabalhos em fita cassete, temos uma vasta gama de possibilidades. As coisas estão mudando a toda hora, todos os dias. Difícil é acompanhar, mas a gente tenta 🙂

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março 20, 2017   No Comments

Entrevista ao site Visão AL22

Bate papo com a Ellen Visitário sobre música latina. Só clicar na imagem.

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janeiro 29, 2017   No Comments

Entrevista ao site Free The Essence

Passei uma tarde batendo um papo muito legal com o Kaluan Bernardo no Lira. O resultado você lê abaixo (é só clicar na imagem)

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janeiro 29, 2017   No Comments

Em São Luís, debatendo o jornalismo


Coloca na agenda 🙂 Mais infos aqui

novembro 20, 2016   No Comments

Falando sobre Leonard Cohen

Quatro respostas para Thiago Pereira, do jornal mineiro O Tempo. Leia a reportagem “A Última Valsa de Leonard Cohen” aqui

Em linhas gerais, o lugar do Cohen na música popular , sua importância.
Leonard Cohen é o principal nome a fazer a travessia da literatura para a música, da palavra escrita para a melodia. Existe uma centena de letristas incomparáveis, contistas pop de primeira grandeza, um deles inclusive Nobel de Literatura, mas Cohen é de outra estirpe porque ele é influenciado por Federico Garcia Lorca, não por um músico. A música foi um acidente (socialista) na vida dele, e ele provou durante 50 anos que poesia e música podem, sim, caminhar juntas.

Será que podemos pensar em Cohen como um “artista” dos “artistas”? Um cara que não tem um relevo popular tão grande, mas que os músicos tem extremo respeito?
Creio que sim, ainda que um Palais de Bercy, em Paris, sold out, com 15 mil pessoas em pé cantando suas canções por três horas possa contradizer o termo popular. Acho que Cohen era popular, mas não popularesco. É diferente de um Alex Chilton, por exemplo, que muitos músicos amavam, mas realmente pouca gente conhecia. Cohen tinha um público, mas sua música não era, realmente, das mais fáceis. É preciso um pouco de coragem pra mergulhar em seu universo, algo que gente como Michael Stipe, Bono, Nick Cave, Ian McCulloch e outros tiveram.

Cohen poeta: no contexto da música pop, ele entra num pódio, top 3? Pq?
Uou. É uma pergunta difícil porque Leonard era um dos maiores poetas musicais, ainda que a música tenha sempre ocupado um lugar de paisagem sonora em sua obra, um fim de tarde às vezes ensolarado, às vezes crepuscular, às vezes sombrio. A música era a maneira que Cohen transmitia sua poesia, era o meio, não o começo e nem o fim. Lou Reed, Bob Dylan, Morrissey e Ian Curtis talvez tenham tido mais êxito em unir música e texto, por serem músicos. Mas Cohen com toda certeza integra esse Top 5.

04- Sua experiência de ver ele ao vivo, quase no poente da vida.
Absolutamente incrível. Foram duas vezes, uma em 2008 e outra em 2009. Leonard Cohen era bastante afeito às ironias da vida, e talvez a maior delas tenha sido o fato dele ter sido roubado por seu agente, ficado sem um tostão, e precisado voltar a fazer turnês para saldar as dívidas. Um disco como “Live in London”, de 2008, não existiria sem esse episódio trágico financeiro, e é o disco que dá start a esse trecho final de sua vida musical. É um disco de alguém que sabe que precisa atrair a atenção do público. Ele fez da melhor maneira: usou suas próprias canções. Essa última fase e esses últimas turnês o flagram no auge, aceitando o destino como que dizendo: “Ok, eu tenho que fazer shows e discos então? Vamos nos divertir”. Ele se divertiu. E todos nós também. Foram duas experiências inesquecíveis.

novembro 14, 2016   No Comments

Respostas sobre serviços de streaming

Respostas para Beatriz Arruda, do Jornalismo Júnior ECA/USP, para a reportagem “Serviços de Streaming: o fim da pirataria?” (leia aqui)

Na sua opinião, a que se deve a ascensão dos serviços de streaming pagos? Já que muitas pessoas, com a pirataria, não pagavam pelas músicas que consumiam.
Por estar tudo na nuvem. Essa é, definitivamente, a facilidade definitiva que os serviços de streaming propagam, ou seja, está “tudo” ali, há um clique do mouse. Claro, não é tão simples e não está tudo ali, mas é o que muita gente acredita, e talvez o que interessa a ela esteja mesmo, e dai o problema não é com o serviço, mas com a pessoa que se afundou em uma zona de conforto cultural. A questão da popularização da pirataria de MP3 no Brasil é muito fruto de não existirem bons serviços de streaming na época, e agora já existem vários. A coisa é meio análoga ao período em que decretaram a morte do jornalismo cultural, e depois se percebeu que a produção cultural é imensa e é preciso de um jornalista para fazer a curadoria selecionando o que é mais interessante. No caso da música, as pessoas começaram a baixar muita coisa sem perceber, num primeiro momento, que esses arquivos ocupam espaço, gigas, terabytes, e podem ser perdidos num bug de HD. Dai chega alguém e diz: “Olha, tudo o que você quer está aqui na nuvem”. Essa facilidade conquistou esse público porque, sinceramente, não acredito que as pessoas baixavam música só porque ela era de graça. Não, as pessoas baixavam música porque era a maneira delas ouvirem aquilo que elas queriam. Esse equivoco é mais uma pá de cal na indústria da música que nunca entendeu verdadeiramente o seu público.

Você acredita que os serviços de streaming vão acabar, de vez, com a pirataria no meio musical?
Não. 1) Porque os serviços de streaming sempre vão estar atrás nas datas de lançamentos oficiais. 2) Porque os serviços de streaming não tem todo o catálogo de música do mundo 3) Porque os serviços de streaming pagam pouco. Tudo isso pesa na balança, mas o público médio não se importa muito com tudo isso porque ele quer facilidade, e não é tão simples baixar um disco. Então quem baixa é o fã de música que quer ouvir aquilo antes, e já que a indústria é incompetente na maneira de liberar esse disco para o fã, ele dá um jeito e pega antes de que o disco saia. O livro “Como a Música Ficou Grátis”, do Stephen Witt, é recheado de exemplos que ampliam essa resposta, mas o que interessa é que o inimigo dos serviços de streaming não é a pirataria, mas sim a própria incompetência da indústria musical.

Por muito tempo as grandes gravadoras resistiram em aceitar as transformações do mercado, mas atualmente elas estão, cada vez mais, apostando na venda digital. O que impulsionou esta mudança de atitude?
Dinheiro. Na verdade, os formatos físicos ainda vendem, e muito. “25”, da Adele, está com quase 5 milhões de cópias vendidas. Isso é indústria cultural, cinco milhões de uma única matriz, é um baú de tesouro. Então mesmo quando a indústria estava reclamando muito ainda estava ganhando muito dinheiro. O problema é que quando se aprende a fechar o mês com 100 milhões de lucro e passa-se a fechar o mês com 20 milhões, o negócio complica, ainda que seja um lucro imenso. Nessa história toda é possível observar muito mais ego e incompetência do que estratégias de mercado. Se estão apostando mais na venda digital agora é porque viram algum pote de ouro no final de arco-íris. Se esse pote de ouro existe é uma outra história.

Apesar da popularidade, os serviços de streaming são constantes alvos de polêmicas, como a que envolve a cantora Taylor Swift e a questão da remuneração dos artistas. Quais as melhorias que precisam ser feitas para que se consolidem ainda mais?
Remuneração de artistas é um ponto a ser melhorado, mas é importante sempre lembrar que no mundo pós-moderno em tempos de internet nada é estanque. Estamos falando sobre streaming e tanto pode surgir um outro modelo de negócio musical que torne o streaming obsoleto na semana que vem como estamos vivendo um momento forte de volta às raízes na humanidade, o que por si só já questiona o modelo de um negócio em que, inevitavelmente, é preciso estar conectado. Talvez uma das saídas inteligentes fosse parar de observar formatos como concorrentes. Tudo é música. Claro que isso pouco importa para quem está ganhando dinheiro com isso, mas não é nessa pessoa que penso quando penso em música, e sim naquela que quer muito ouvir uma música, e vai ouvi-la de qualquer jeito. Essa pessoa – que entende a música como cultura – me interessa. O resto deixo para a bolsa de valores.

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novembro 2, 2016   No Comments

Entrevista: Crítica Musical na Web

Respostas para Ítalo Pereira, que escreveu um TCC sobre Crítica Musical na Internet. Confira o trabalho dele aqui.

As pessoas que escrevem para o site são jornalistas?
Existem jornalistas, estudantes de jornalismo e não jornalistas escrevendo para o site, mas ser ou não ser jornalista não é uma prerrogativa: a qualidade do texto vem antes.

A página cobre o universo da cultura pop, desde quadrinhos a lançamentos musicais. Como surgiu a ideia de criar um site que trate da cultura pop? Qual é o objetivo?
O Scream & Yell surgiu numa cidade do Vale do Paraíba, no meio dos anos 90, com o intuito de dar vazão à cena local. Com o tempo começamos a ampliar o leque para falar de coisas que achávamos importante, e que os grandes veículos na época negavam espaço. Hoje desejamos aprofundar coisas que os jornais dão apenas superficialmente.

Quais critérios são usados para escolher o produto cultural que terá destaque na página?
As entrevistas exclusivas, reportagens e análises especiais e aprofundadas saltam a frente na hora de pensar os destaques.

Qual a média de acessos que a página tem por dia?
A média diária é 3 mil com rápidos picos com reportagens especiais. O especial de Melhores do Ano, por exemplo, elevou esse número para 14 mil no dia de seu lançamento.

O site possui contas no Facebook, Twitter e Instagram. Por que vocês consideram importante estar presente em outras redes sociais?
Porque são ferramentas que se aproximam do leitor sem agredi-lo, por exemplo, com spam. Ao seguir as contas do Scream & Yell nessas redes, o leitor mostra que está interessado nas novidades do site, e na repercussão que damos para o conteúdo de outras publicações.

Como o senhor observa o atual cenário da crítica musical?
Pífio. Todo mundo passa a mão na cabeça de todo mundo, baba ovo, elogia desmedidamente. Anda em falta crítica na crítica musical atual.

Qual a função e importância do crítico musical na atualidade, uma vez que internet facilitou o acesso a uma infinidade de músicas e o próprio consumidor pode fazer suas escolhas e suas críticas?
Acontece que o consumidor não vive apenas de consumir música, ele tem seu trabalho diário, suas rotinas, seus desejos. A infinidade de coisas que cai na internet lhe dá uma liberdade de escolha imensa, mas o que ouvir? Dai entra o crítico no mundo de hoje, como um curador, na função de exibir o conteúdo relevante em meio ao material infinito de lançamentos.

Existem blogs e sites, muito deles amadores, que se propõe a fazer crítica musical. Qual a sua opinião sobre esses blogs e críticos amadores?
Quanto mais se discute, se escreve e se pensa cultura melhor. Da crítica mais rasteira ao texto mais aprofundado, discutir cultura é importante.

Quais características, na sua opinião, são importantes para que uma pessoa se denomine crítico musical?
A crítica é um exercício de argumentação, e para argumentar é preciso ter ferramentas, um certo conhecimento geral que vai além de música. É preciso olhar o mundo, entender o espaço tempo e pensar criticamente porque determinada música faz sucesso e outra não, como tal livro, filme, disco se encaixa no mundo atual, como reflexo de seu criador diante do universo. Ou seja, é preciso tatear o mundo moderno. Sabendo fazer isso é meio caminho andado.

Existe diferença entre a crítica feita nos meios tradicionais (jornais e revistas) e a feita na internet? Nesse caso, o meio interfere na crítica?
Necessariamente não ainda que o meio possa influenciar dependendo do patrocinador.

O que a internet trouxe de novidade para a crítica?
Espaço. Uma coisa é escrever uma crítica em 1500 toques, a outra é ter 15 mil toques disponíveis. Claro que isso abre o precedente do exagero, mas nada que uma boa edição não resolve.

O que o senhor acha sobre os comentários dos leitores, uma vez que eles também podem se posicionar criticamente?
Importantíssimo. Já segui outra linha de opinião após um comentário muito bem argumentado de um leitor. Além disso, ele é um reflexo da crítica em relação ao objeto. Ou seja, se a arte é o reflexo da criação do artista em determinando momento da história da humanidade, a crítica é a análise deste momento e o olhar do leitor é a análise da análise do crítico. Pode sair coisa bem interessante dessa equação toda.

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setembro 25, 2016   1 Comment