Category — Cinema
De Woody Allen para Stanley Kubrick

Terminei o livretinho (bastante teórico, mas ainda assim interessante) do Peter Cowie sobre “Annie Hall” (edição nacional via Rocco. Vou tentar rever o filme esta semana) e continuo na categoria cinema com “A História Secreta do Último Filme de Stanley Kubrick”, de Frederic Raphael, roteirista de “Eyes Wide Shut”, um dos primeiros filmes que escrevi (aqui) sobre e publiquei no Scream & Yell. E lá se vão doze anos…
Janeiro 31, 2011 No Comments
Top 20 Filmes entre 2001 e 2010

Pediram uma lista dos 10 melhores filmes da década 2001/2010. Na correria, listei uns 40 e fui cortando, cortando, cortando até chegar a 20. Fiz correndo agora… será que esqueci algo?
01) Sangue Negro, Paul Thomas Anderson (2007) (texto)
02) Match Point, Woody Allen (2005) (texto)
03) Onde os Fracos Não Tem Vez, Irmãos Coen (2007) (texto)
04) Fale com Ela, Pedro Almodóvar (2002)
05) Katyn, Andrzej Wajda (2007) (texto)
06) Cidade de Deus, Fernando Meirelles (2002) (texto)
07) Bastardos Inglórios, Quentin Tarantino (2009) (texto)
08) A Vida dos Outros, Florian H. von Donnersmarck (2006) (texto)
09) A Fita Branca, Michael Haneke (2009) (texto)
10) Dogville, Lars von Trier (2003)
11) Menina de Ouro, Clint Eastwood (2004)
12) Brilho Eterno, Michel Gondry (2004) (texto)
13) Os Excêntricos Tenenbaums, Wes Anderson (2001)
14) Closer, Mike Nichols (2004) (texto)
15) 2046, Wong Kar Wai (2004) (texto)
16) A Rede Social, David Fincher (2010)
17) Toy Story 3, Lee Unkrich (2010) (texto)
18) Antes do Pôr-do-Sol, Richard Linklater (2004) (texto)
19) Batman Begins, Christopher Nolan (2005) (texto)
20) Adaptação, Spike Jonze (2002) (texto)
Ps. Caiu “21 Gramas”, do Alejandro González Iñárritu, que estava em 20ª, para a entrada de “A Fita Branca”, do Haneke, em nono. Será que “O Segredo dos Seus Olhos” merecia uma posição? Dúvida…
Ps 2. Caiu O Segredo de Brokeback Mountain, Ang Lee (2005) (texto) da 17ª posição para a entrada de “Toy Story 3″, que tinha que entrar.
Agora, a lista com as cobranças feitas pelos amigos nos comentários:
01) Sangue Negro, Paul Thomas Anderson (2007) (texto)
02) Onde os Fracos Não Tem Vez, Irmãos Coen (2007) (texto)
03) Fale com Ela, Pedro Almodóvar (2002)
04) Katyn, Andrzej Wajda (2007) (texto)
05) Cidade de Deus, Fernando Meirelles (2002) (texto)
06) Bastardos Inglórios, Quentin Tarantino (2009) (texto)
07) A Vida dos Outros, Florian H. von Donnersmarck (2006) (texto)
08) Cidade dos Sonhos, David Lynch (2001) (texto)
09) Os Excêntricos Tenenbaums, Wes Anderson (2001)
10) Caché, Michael Haneke (2005)
11) Dogville, Lars von Trier (2003)
12) Brilho Eterno, Michel Gondry (2004) (texto)
13) Closer, Mike Nichols (2004) (texto)
14) 2046, Wong Kar Wai (2004) (texto)
15) O Segredo dos Seus Olhos, Campanella (2009) (texto)
16) Elephant, Gus Van Sant (2003)
17) The Dark Knight, Christopher Nolan (2008)
18) Old Boy, Chan-wook Park (2003)
19) Whatever Works, Woody Allen (2009) (texto)
20) O Lutador - Darren Aronofsky (2009) (texto)
Algumas mudanças pontuais da primeira lista pra segunda. Woody Allen trocado (embora eu não concorde - risos): sai “Match Point” e entra “Whatever Works”. Cairam “Menina de Ouro”, “A Rede Social”, “Toy Story 3″, “Antes do Pôr-do-Sol” e “Adaptação”. “Batman Begins” foi trocado por “The Dark Knight”. “A Fita Branca” deu lugar para “Caché”. E entraram “Cidade dos Sonhos”, “O Segredo dos Seus Olhos”, “Elephant”, “Old Boy” e “O Lutador”. Ainda foram citados todos estes filmes abaixo (alguns eu concordo que mereciam, outros não). E quando me pediram era só um Top 10. Estiquei para um Top 20 (e por pouco não fiz um Top 21 para encaixar o David Lynch, que entrou na segunda lista). Ainda fico com a primeira… e quem quiser arriscar, deixa o seu Top 20 nos comments. Pensa que é fácil? (risos)
Outros filmes citados
- Extermínio, Danny Boyle (2002)
- Encontros e Desencontros, Sofia Coppola (2003)
- O Labirinto do Fauno, Guillermo del Toro (2006)
- O Filho da Noiva, Juan José Campanella (2001)
- Gran Torino, Clint Eastwood (2008) (texto)
- Casa Vazia, do Kim Ki-Duk (2005)
- O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, Jean-Pierre Jeunet (2001)
- Irreversível, Gaspar Noé (2002)
- Into The Wild, Sean Penn (2007) (texto)
- À Prova da Morte, Quentin Tarantino (2007) (texto)
- Zodiaco, David Fincher (2007)
- Vanilla Sky, Cameron Crowe (2001) (texto)
- Paranoid Park, Gus Van Sant (2007) (texto)
- Sinédoque Nova York, Charlie Kaufman (2008) (texto)
Antes de 2000
- Memento, Christopher Nolan (2000)
- Clube da Luta, David Fincher (1999)
- Alta Fidelidade, Stephen Frears (2000)
Dezembro 20, 2010 68 Comments
Cinema político de primeira grandeza
Dezembro 2, 2010 No Comments
4º Mostra de Cinema Rock & Totem no Rio
Isso é daquelas coisas que eu ainda quero fazer:
“Festival de filmes inéditos, unindo cinema e música, com sessões gratuitas e horários acessíveis. É essa a 4ª Mostra de Cinema Rock & Totem, organizada pelo quarto ano seguido por Fred d’Orey, estilista da Totem e um apaixonado por música. No total, serão 16 títulos, distribuídos em sessões de 19 a 25 de novembro, no Estação Ipanema.
Entre os filmes, “When You’re a Strange”, onde Johnny Depp narra a história do Doors, “All Tomorrow Parties”, que reúne apresentações do festival londrino que já teve como curadores Nick Cave e Patti Smith, “Fillmore The Last Days”, que conta a história da criada pelo lendário Bill Graham, “Kraftwerk and The Electronic Revolution”, doc de 2008 que conta a história dos mestres da música eletrônica, e muito mais (veja a programação aqui).
As sessões acontecem sempre a partir das 19h, no Estação Ipanema, e os ingressos devem ser retirados, em troca da doação de qualquer livro infantil, na loja Totem de Ipanema, que fica à Rua Visconde de Pirajá, 547 loja F.
A sessão de abertura, às 19h do dia 19, exibirá o filme do brasileiro Raphael Erichsen, “Superstonic Sound”, com a presença do próprio. Depois de passar por festivais do Canadá, Espanha, Austrália, Alemanha, Nova York e Londres, é através da Mostra de Cinema Rock & Totem que o documentário chega ao Brasil.
“Superstonic Sound” conta a trajetória de Don Letts, lenda viva que conseguiu o que parecia impossível nos idos anos 70: unir punks e rastas em um mesmo salão para ouvir seu som. O cineasta brasileiro colou em Letts e resgatou histórias e imagens inéditas sobre essa pororoca de ritmos orquestrada pelo britânico filho de jamaicanos, que inclui em seu currículo a direção de mais de 300 clipes, de artistas como Sex Pistols, The Clash e Elvis Costello.
Novembro 17, 2010 1 Comment
A Mostra SP 2010 e eu

Trailer de “Um Garoto de Liverpool”
Estava quase certo que a Mostra SP iria passar em branco para mim, mas do último domingo pra cá conseguir aproveitar os horários vagos e consegui ver umas coisas bem legais. Primeiro foi o “Nowhere Boy” (“Um Garoto de Liverpool”), que foca na relação de John Lennon com sua mãe Julia e com a Tia Mimi. Sam Taylor-Wood pesa a mão na direção, mas o filme vale por várias passagens.
Na segunda consegui ver o bom argentino “O Olho Invisível”, de Diego Lerman. Lembrou-me muito Haneke (notadamente “A Professora de Piano” com uma possível pincelada de “A Fita Branca”), mas valeu. A meia-noite teve a primeira exibição do preguiçoso novo filme de Woody Allen, “Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos”. Ou faltou verba, ou ele desistiu de terminar o filme. Mas é Woody Allen, né.
O filme separado para a terça foi “Um Lugar Qualquer”, novo olhar de Sofia Coppola sobre a solidão e o vazio humano. É um dos filmes que mais gostei de ver nos últimos tempos. Trilha caprichada (tem até uma demo dos Strokes que funciona lindamente – está no trailer linkado no fim deste post também) e muito, mas muitos silêncios. Sofia está fazendo aquilo que seu pai Francis sempre sonhou: cinema autoral. Merece aplausos.
Para hoje tem “Uma Carta Para Elia”, documentário de Martin Scorsese e Kent Jones sobre Elia Kazan, um dos lendários e polêmicos diretores de Hollywood (“Sindicato de Ladrões”, “Vidas Amargas”, “A Luz é Para Todos”), que como ex-membro do Partido Comunista dos Estados Unidos, denunciou colegas do antigo partido ao Comitê de Investigações de Atividades Anti-Americanas.
Para amanhã, optei por “Gainsbourg - Vida Heróica” no lugar de “Rede Social”, o filme sobre o Facebbok que fecha a Mostra SP deste ano. Melhor ir atrás de um que pouco provavelmente estréie no lugar de outro que já está com estréia prevista. Preciso, por fim, encontrar um filme para o lugar de “Howl”, de Rob Epstein, cuja exibição de hoje foi cancelada. E tentar pegar alguns na repescagem. Pelo jeito vou manter a média de seis ou sete filmes…
Novembro 3, 2010 3 Comments
A menina, o mamute e o liquidificador

“A Menina Santa”, Lucrecia Martel (2004)
Considerada por muitos o grande nome do cinema argentino nos últimos dez anos, Lucrecia Martel mostra (por a + c) com “A Menina Santa” o motivo de tanta admiração. Todos os elementos de um filme são tratados com extremo cuidado e personalidade. O roteiro, por exemplo, conduz o espectador na trama delicada sem o tornar cúmplice (o público idealiza mais do que o filme realmente entrega). A fotografia, por sua vez, procura os ângulos pouco comuns, o que passa certo aspecto de voyeurismo e também de intimidade sem, no entanto, desvendar a história através das imagens. Na verdade, nada é desvendado. E este é o grande mérito de “A Menina Santa” (e do cinema de Martel): deixar a idéia flutuando na mente do espectador. O que não se mostra é o que interessa. Uma pequena aula de cinema.

“Soy Cuba, O Mamute Siberiano”, Vicente Ferraz (2004)
Vicente Ferraz estudou cinema na Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de Los Baños, em Cuba, e foi lá que conheceu a obra que o cineasta russo Mikhail Kalatozov filmou no início da revolução cubana, em 1960 (logo após ter conquistado uma Palma de Ouro em Cannes, em 1958). “Soy Cuba” necessitou de quase três anos para ficar pronto, e não agradou ao povo cubano (que não aprovou o olhar dos russos sobre o país) nem tampouco teve sobrevida no Velho Mundo. Foi engavetado logo após a estréia e redescoberto 30 anos depois por Martin Scorsese e Francis Coppola, que o relançaram nos EUA. Ferraz conta a história da produção de “Soy Cuba” e conversa com atores e pessoas que trabalharam na realização do filme – algumas passagens são comoventes. Nos extras ele explica o mais belo plano seqüência do filme (quiça da história do cinema), obra do fotógrafo Serguey Urusevsky.

“Reflexões de um Liquidificador”, André Klotzel (2010)
Eis um dos filmes nacionais mais bacanas deste ano. Não que seja perfeito, mas a originalidade do tema e a esperteza do roteiro transformam o drama de um velho liquidificador em uma história interessante. E Selton Mello agora pode dizer que é um ator pau (ops) pra toda obra. É ele quem dá voz e alma para o liquidificador que, de uma hora para outra, começa a ter sentimentos e conversar com Dona Elvira, uma dona de casa que passa apuros com o sumiço repentino do marido. Klotzel brinca muito bem com os clichês (o policial, a gostosona, o thriller), mas apesar de sua curta duração (80 minutos), “Reflexões” cansa um bocadinho no meio, quando o eletrodoméstico começa a pensar em sua própria vida. Faltou uma história secundária forte para tirar o liquidificador da tomada. Mesmo assim, um filme a ser visto e admirado.
Outubro 18, 2010 1 Comment
A Hollywood dos anos 70
- “Quem serrrr esse merrrda? O que ele fez em seu última filme?”, berrou Charlie, um imigrante austríaco.
- “O último filme dele foi ‘O Caminho dao Arco-Iris’”, respondeu Evans.
- “Como você tem corrrragem de me mandar a porrrrra do Caminhas da merrrrrda do Arrrrco- Iris? O filme foi uma bhosta completo!”
Francis foi para Nova York, conversou com Charlie. Dois dias depois, Evans recebeu um telefonema. “O garrroto ser brrrrrilhante, fala bem, mas sabe dirrrrrrrigir?”, Charlie perguntou.
- “Acredite em mim, Charlie, ele sabe dirigir”.
Ps. os personagens:
* Charlie Bludhorn era presidente da produtora Gulf + Western
* Robert Evans era produtor da Paramount
* Francis Ford Coppola era um jovem diretor em Hollywood
O diálogo acima foi travado após Evans convencer Francis a dirigir “O Poderoso Chefão” (Coppola só aceitou dirigir porque estava bastante individado, mas o projeto não o havia seduzido). Agora Evans precisava convencer o presidente da Gulf e o presidente da Paramount a investir uma grana em um projeto ambicioso que contava com um diretor novato (Coppola) que tinha feito três filmes, abre aspas: “Agora Você é um Homem”, uma bobagem pretenciosa, zero de bilheteria, “O Caminho do Arco-Iris”, um grande musical da Broadway que Coppola transformou num desastre, e “Caminhos Mal Traçados”, que todo mundo malhou”. Fecha aspas
“O Poderoso Chefão” faturou 150 milhões de dólares numa época que os filmes faturavam 40 milhões…
Trecho de “Como a Geração Sexo, Drogas e Rock and Roll salvou Hollywood”, de Peter Biskind. Resenhas aqui.
Setembro 6, 2010 2 Comments
Um naturalista, um poeta e dois assassinos

“Criação”, Jon Amiel (2009)
Incrível como os ingleses acreditam que toda a História da humanidade está amplamente relacionada a casos amorosos. “Sylvia”, a adaptação de Christine Jeffs para a história da poetisa Sylvia Platt (com Gwyneth Paltrow no papel principal) é um exemplo (escrevi na época aqui). Existem outros, como este “Criação”, que freqüentou os cinemas meses atrás e agora chega às locadoras pretendendo contar a história de Charles Darwin em um período de sua vida que iria revolucionar o modo de olhar o mundo. Darwin está afundado nos trabalhos de escrita de “Origem das Espécies”, o livro que revolucionou a biologia e desafiou dogmas da igreja. Na visão dos ingleses, esse ato de criação se transforma em um romanção em que o homem dividido entre a família e o trabalho quase enlouquece, visão besta e clichê que atrapalha as atuações de um bom elenco encabeçado por Paul Bethany e Jennifer Connelly. Ignore.

“Brilho de Uma Paixão”, Jane Campion (2009)
Ela é uma jovem garota que está ganhando fama na cidade com seus moldes e roupas. Ele é um jovem pobre que está tentando a sorte no mundo das letras. O encontro destas duas almas perdidas no mundo move está belíssimo “Bright Star”, filme assinado com estilo pela diretora neozelandesa que já ganhou a Palma de Ouro em Cannes por “O Piano”, em 1993. Ele é (ou viria a ser) o poeta inglês John Keats (interpretado pelo ótimo Ben Whishaw). Ela é Fanny Brawne (com a convincente Abbie Cornish encantando corações). Os dois vivem um romance impossível bem típico do século 19. Eles se amam, mas o jovem poeta não tem dinheiro para bancar o dote da moça. O platonismo domina a tela e o texto rebuscado (aliado à fotografia encantadora) conquista o espectador logo nos primeiros minutos, e o enleva numa história sem final feliz. Cuidado: você corre o risco de sair tuberculoso da sessão. E apaixonado.

“Na Mira do Chefe”, Martin McDonagh (2008)
Releve o título nacional besta. “In Bruges” toma uma das paisagens mais belas da Europa (da cidade de Bruges, na Bélgica) como pano de fundo para contar uma história de assassinos que começa tolinha como imagens de cartões postais, mas que cresce vertiginosamente rumo a um final épico e grandioso. O apelo do humor negro lembra muito os primeiros filmes de Danny Boyle (notadamente “Cova Rasa” e “Trainspotting”). A história gira em torno de dois assassinos de aluguel (Colin Farrell e Brendan Gleeson, ótimos), que após um serviço mal feito, acabam se escondendo na cidadezinha belga que tem o centro histórico mais bem preservado da Europa - e muitas cervejas boas. Ray (Farrell) é o típico britânico tosco que não vê graça nenhuma em ficar olhando prédios velhos enquanto Ken (Gleeson) quer aproveitar o refúgio forçado para passear na cidade encantadora. Os diálogos são hilários e o final assustador. Uma bela surpresa.
Leia também sobre outros filmes na categoria Cinema deste blog
Setembro 6, 2010 6 Comments
Aula #3 de Cinema Latino Contemporâneo

Depois de duas belíssimas aulas ministradas pelo professor Ismail Xavier (sobre o cinema de Lucrecia Martel e “Amores Perros”), a terceira aula do ciclo de palestras sobre o Cinema Contemporâneo na América Latina foi uma decepção. Decepção como aula, mas não de toda perdida como cinema. O professor Rubens Machado quis exibir na integra o filme “Soy Cuba”, do russo Mikheil Kalatozishvili, estourou o tempo da aula e se enrolou horrores na análise do filme. Pior: fez todo mundo se perder. “Soy Cuba” nem estava no roteiro de palestras, e não tem muito sentido apresentá-lo em um ciclo de palestras sobre o Cinema Contemporâneo na América Latina (por não ser contemporâneo e por ser russo, não cubano), e sua exibição só não foi um erro maior porque se trata de um puta filme foda. Uma fotografia brilhante (a mais linda que vi em toda a minha vida num filme), um discurso socialista (que casa a perfeição com a propaganda socialista promovida pelo governo de Fidel Castro, poucos anos depois de subir ao poder – o filme é de 1964) e um entorno arrebatador (cuja luz mais forte é solta sobre o que o comunismo sonhava e no que ele se transformou). Já estou procurando em DVD.
Setembro 2, 2010 6 Comments
Cinema Contemporâneo na América Latina

Eu já devia ter contado isso na semana passada, mas quem diz que sobra tempo. O lance é que comecei na quarta-feira passada, na compania do Tiago Trigo e do Marco Tomazzoni, um ciclo de palestras sobre o Cinema Contemporâneo na América Latina, no Memorial da América Latina. A aula de abertura foi ministrada pelo professor da ECA Ismail Xavier, e girou em torno do cinema da argentina Lucrecia Martel, mais precisamente sobre seu primeiro filme, “O Pântano”, que eu ainda não tinha assistido.
Da Lucrecia eu só tinha visto “A Menina Santa” (2004), e após a aula cheguei em casa e baixei “A Mulher Sem Cabeça” (2008), mas ainda não vi. É incrível como essa mulher fascina tanta gente. Preciso assistir aos filmes dela com calma, para que a ficha cai. Gostei da idéia de “O Pântano” (mesmo assistindo ele entrecortado na aula) e fiquei ligeiramente impressionado com “A Menina Santa”, mas a cinematografia da Martel não bateu em mim da mesma forma que em tanta gente. Admiro, mas não me apaixono.
Já “Amores Brutos”, do mexicano Alejandro Iñarritu, eu amo. Um amor distante, diga-se de passagem. A única vez que o tinha visto tinha sido no cinema, em 2001, e sai dilacerado com uma violentíssima dor de estômago. Comprei o DVD na primeira oportunidade, mas nunca tive coragem de revê-lo. Assisti ontem, como esquenta da aula desta quarta-feira, e novamente fiquei impressionado com as imensas qualidades do filme.
O professor Ismail, que conduziu novamente a aula (de forma excelente, diga-se de passagem), mostrou certo incomodo devido ao moralismo da cena final, e uma certa rejeição à forma com que o roteiro trata o personagem do mendigo, que abandona a (suja, barulhenta e violenta) cidade do México em direção ao interior (o filme termina com o personagem caminhando na terra num simbolismo que representa uma negação da cidade e uma opção pela reconstrução da vida do zero).
Sinceramente não me incomoda. Até entendo. Iñarritu e seu (ex-)roteirista desenham um painel de famílias desestruturadas e caos urbano nas três histórias que se intercalam em “Amores Perros”, e opta pela saída moralista de acreditar que, a beira do caos que a sociedade vive, a saída é começar tudo de novo com base no perdão próprio como se dissesse: “Assuma seus erros, salde a divida consigo mesmo e tente ser uma pessoa boa”. Aceito, apesar de achar que a sociedade está condenada e que nem isso daria jeito nas coisas.
Como já escrevi diversas vezes aqui, uma das formas de tentar colocar o social nos eixos é colocar a própria vida nos eixos. Utópico demais esperar que governantes façam alguma coisa por nós. Utópico demais acreditar que uma revolução coloque as pessoas certas nos lugares certos (isso já foi tentando, e nunca deu certo). O negócio, pra mim, é arrumar as coisas dentro do núcleo familiar, dentro do núcleo de amizades, e partir de dentro para fora. Ok, utópico, mas vou continuar tentando fazer a minha parte. (risos)
O que fica disso tudo é que “Amores Perros”, 10 anos depois, continua sendo um filme excepcional. Para a aula da semana que vem, segundo a agenda do curso, teremos cinema uruguaio com reflexões sobre dois filmes que se destacaram bastante na cinematografia do país: “Whisky” (adorei e escrevi dele aqui) e “O Banheiro do Papa”. Prevejo bons debates. De qualquer forma é tão bom discutir cinema…
Agosto 25, 2010 3 Comments
Três textos no Jornal Opção, de Goiânia
Agosto 22, 2010 No Comments
Joan Crawford, Mia Farrow e Forest Whitaker

“Grand Hotel”, Edmund Goulding (1932)
Vencedor do Oscar de Melhor Filme de 1932, aliás, única categoria que concorreu (por uma provável pressão de seu estúdio, o poderoso MGM), “Grande Hotel” faz parte de uma época em que os diretores iam aos estúdios para seguir a risca as anotações dos produtores, neste caso, Irving Thalberg, que cuidou do roteiro e escalou a seleção de estrelas (e egos) que dá um baile no filme (tanto Joan Crawford quanto John Barrymore mereciam, no mínimo, uma indicação ao prêmio da Academia). A história gira em torno do cotidiano de um grande hotel – no caso, em Berlim, centro cultural e nervoso do mundo entre guerras. Greta Garbo está ok como uma bailarina decadente, mas Joan a devora mostrando charme e sensualidade no papel de uma datilografa que acaba tendo que dormir com o patrão por dinheiro. Há discussões aqui que são atuais ainda hoje.

“O Grande Gatsby”, Jack Clayton (1974)
Não li o livro, o que é uma grande falha de caráter (eu sei), mas ninguém é perfeito (como diria uma música do Fellini: “Eu quis ser”… – risos). Mesmo assim, pela fama universal do livro, eu esperava mais dessa adaptação que tem o senhor Francis Ford Coppola assinando o roteiro e Robert Redford e Mia Farrow nos papéis principais. Como filme, “O Grande Gatsby” é extremamente óbvio e pouco inspirado. Falta ritmo e desde o começo o espectador já sabe o que vai acontecer. Amores não correspondidos da juventude que a gente sempre vai carregar como uma cicatriz na alma rendem boas tramas, mas o diretor Jack Clayton e seu amigo Coppola não souberam usar o material que tinha nas mãos e o filme ficou capenga, arrastado, chato. Nem li o livro, mas arrisco sem medo de errar: fique com ele.

“O Último Rei da Escócia”, Kevin Mcdonald (2006)
Perdi de ver no cinema, o que é uma pena, pois a história de Idi Amin Dada – o ditador cujo regime é acusado de ter matado entre 300 e 500 mil pessoas em Uganda – é impressionante (e devia impressionar ainda mais na telona). Forest Whitaker está ótimo no papel do ditador, e o roteiro tenta mostrar o lado humano do homem, e consegue até certo ponto, mas não adianta: no final o que prevalece é um forte gosto amargo cujo cerne é aterrorizante: histórias de canibalismo e de assassinatos brutais. O ator James McAvoy, que sempre decora bons papéis secundários (“Desejo e Reparação”, “Coisas Belas e Sujas”, “Wimbledon”), está muito bem no papel romanceado do médico que se torna braço direito do ditador. Para ver e pensar na África.
Agosto 9, 2010 4 Comments
Woody Allen para completar a coleção
Três filmes do Woody Allen até então inéditos em DVD no Brasil chegam ao país via 2001 (veja aqui). Os três frequentam o terceiro escalão de obras do diretor (ok, “Setembro” é segundo escalão), mas se é WoodyAllen vale ver mesmo quando o filme é fraquinho…
“Simplesmente Alice”: Após ter feito um de seus melhores filmes, o denso “Crimes e Pecados” (1989), Woody partiu para uma comédia de costumes leve com Mia Farrow interpretando uma ricaça que gasta fortunas em bichos de pelúcia para seus filhos enquanto vive um casamento sem amor com o marido (William Hurt). Ela acaba se apaixonando por um saxofonista no mesmo momento em que começa a se consultar com um médico especializado em poções mágicas. (continue lendo aqui)
“Setembro”: Um dos filmes mais polêmicos do diretor, “Setembro” fracassou nos cinemas e não foi entendido em sua época, de forma até clara. Woody vinha de três comédias de muito sucesso (“A Rosa Púrpura do Cairo”, “Hannah” – indicado a sete Oscars, do qual levou três – e “A Era do Rádio”), e rompe o ciclo com um drama inspiradíssimo em Bergman. Quem foi ao cinema esperando piadas encontrou uma longa trama de desencontros dramáticos, e deve ter odiado. (continue lendo aqui)
“Neblinas e Sombras”: Eis uma ótima comparação cinematográfica para aquele clichê da pessoa linda e burra. “Neblinas e Sombras” é um pastiche filmado em branco e preto que valoriza a fotografia belíssima de Carlo di Palma (fotografo de “Blow-Up”, de Antonioni, e todos os Woody Allen entre “Hannah e Suas Irmãs” e “Desconstruindo Harry”) em detrimento do roteiro. Woody Allen encavala dezenas de citações literárias sem nenhum foco e desperdiça um elenco estelar. (continue lendo aqui)
Paralelamente chega às lojas a caixa Coleção Woody Allen, com 20 filmes:

Bananas (1971)
Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo Mas Tinha Medo de Perguntar (1972)
O Dorminhoco (1973)
A Última Noite de Boris Grushenko (1975)
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)
Interiores (1978)
Manhattan (1979)
Memórias (1980)
Sonhos Eróticos de uma Noite de Verão (1982)
Zelig (1983)
Broadway Danny Rose (1984)
A Rosa Púrpura do Cairo (1985)
Hannah e suas Irmãs (1986)
A Era do Rádio (1987)
Setembro (1987)
A Outra (1988)
Crimes e Pecados (1989)
Simplesmente Alice (1990)
Neblina e Sombras (1991)
Melinda e Melinda (2004)
A caixa está saindo ao preço de R$ 249,90
Leia também: “Woody Allen de 0 a 10″, por Marcelo Costa (aqui)
Julho 28, 2010 6 Comments
Você conhece Roma? E a Roma de Fellini?

Na primeira cena, a morte (uma garota segurando uma foice) caminha em uma estrada devastada. Close na placa: Roma, 340 quilômetros. A declaração de amor do cineasta Federico Fellini à cidade eterna é simplesmente devastadora e emocionante. O cineasta caçoa da cidade que o abrigou ao mesmo tempo em que faz belíssimas declarações de amor. “Devemos ser leais a nossa natureza”. A frase justificativa é do próprio Fellini no meio do filme, após ser pressionado por alguns estudantes que não querem a Roma de todos os filmes: “simpática, confusa e maternal”. Eles querem ver nas telas os problemas dos trabalhadores, da educação.

Um produtor, no entanto, se preocupa: “Este filme será exibido no estrangeiro. O que vão pensar da nossa querida Roma? Que Roma é essa cheia de vadios, drogados, hippies nojentos, travestis e estudantes que não querem estudar? As pessoas são más”, diz o senhor grisalho com olhos de quem já viu dias melhores na cidade eterna. A saída de Fellini é voltar ao passado, direto para um velho teatro pré-guerra, em que artistas desafiam o público em números de comédia, música e dança.

No entanto, o alarme soa e todos são levados para um abrigo antiaéreo. Bombas caem sobra cidade do Papa enquanto geringonças perfuram o subterrâneo tentando expandir as linhas de metrô da cidade. “A cada 100 metros encontramos uma obra histórica”, diz em tom de pesar o dono da companhia. “Chamamos os arqueólogos e as obras param por quase um ano. Sabe desde quando existem planos de metrô em Roma? 1880. Sempre paramos na burocracia e nas obras históricas”, diz o senhor.

Fellini, no entanto, não desiste de ser leal a Roma que ele vê. Ele destrói a cidade, e a acaricia. Dezenas de pessoas almoçam no meio da rua, ao lado dos trilhos dos bondes. Uma criança grita palavrões. O pai ri. A câmera então leva o espectador para um pedágio de carros, e uma voz em off diz: “Que impressão a Roma dos dias de hoje pode dar aos turistas? Vamos entrar pela cidade de carro pela auto-estrada”. O cenário que se vê é de caos completo. Prostitutas e travestis acenam dos acostamentos, animais invadem a estrada, acidentes param o trânsito, buracos aparecem por todos os lados, a chuva alaga as ruas e o congestionamento é assustador parando no… Coliseu. Isso é Roma. Ao menos é a Roma de Fellini. Quer mais lealdade do que expor a cidade que você ama com todos os defeitos e qualidades de forma tão… visceral?

Porém, o diretor não para por ai. Ele desanca o papado em um sensacional e corrosivo desfile de moda eclesiástica. Há muito mais. A câmera passeia pelo bairro do Trastevere e flagra um escritor norte-americano que vive em Roma. Assim que vê a câmera, ele começa o monólogo arrasador: “Você quer saber por que vivo em Roma? Eu poderia dizer que vivo em Roma porque é uma cidade central, mas na verdade Roma é a cidade das ilusões. É uma cidade, antes de tudo, da Igreja, do governo e do cinema. Todos fabricantes de ilusões. Eu também fabrico ilusões, assim como você. E quer lugar melhor do que esta cidade, que já morreu tantas vezes, e ressuscitou outras tantas, para ver o verdadeiro final da humanidade através da superpopulação e da poluição? Me parece o local perfeito para ver se acabamos de vez ou não”.

A cena termina com um brinde ao final da humanidade. E de Roma. Os restos da cidade, que também podem ser chamados de fontes, são iluminados em um passeio de moto na madrugada que é pura poesia cinematográfica. Simplesmente sensacional. Sensacional. Sensacional.
Julho 7, 2010 4 Comments
Três roteiros de Woody Allen
Revi na volta da viagem o Woody Allen filmado em Veneza, e não lembrava quão bom e leve ele é. O “Sonhos de um Sedutor” foi visto no voo de volta de Madri para São Paulo. E “O Que Que Há Gatinha?” foi pré-viagem.

“Todos Dizem Eu Te Amo”, Woody Allen (1996)
Assisti no cinema, na época, e fazia muito tempo que não revia essa homenagem de Woody Allen não só aos musicais, mas também para Nova York (nas quatro estações do ano), Paris (na belíssima cena final) e Veneza. E para o amor, claro. E para os Irmãos Marx. O elenco estelar (Drew Barrymore, Edward Norton, Alan Alda, Goldie Hawn, Julia Roberts, Tim Roth, Natalie Portman) flui que é uma beleza em um filme que é leve como a respiração. As piadas são secundárias, mas funcionam perfeitamente quando aparecem. Woody contou a todos os atores só depois de assinado o contrato de que se tratava de um musical, e que eles cantariam no filme. O resultado deu certo em um filme que encanta e faz a alma dançar.

“Sonhos de Um Sedutor”, Herbert Ross (1972)
Woody Allen escreveu o roteiro e atuou neste que é seu oitavo filme como ator. Ele já tinha dirigido “Bananas” (1971) e “Um Assaltante Bem Trapalhão” (1969), além da picaretagem de “O Que Há, Tigreza?” (1966), mas aqui a direção ficou para Herbert Ross, o que muda pouca coisa, já que o filme é basicamente um roteiro repleto de piadas (que na maioria do tempo funcionam, mas tem suas escorregadas). Várias das manias que Allen iria perseguir nos anos posteriores estão aqui (o final infeliz, o personagem neurótico, o vício por analistas e pela mulher do amigo) além de Diane Keaton novinha (e linda) se encaixando perfeitamente no papel (que também iria se desenvolver até chegar a “Annie Hall”). E tem “Casablanca”, o que já vale uma olhadela com carinho…

“O Que Que Há Gatinha?”, Clive Donner (1965)
Era para ser o primeiro filme de Woody Allen, mas o produtor Charles Feldman pegou o roteiro, picotou e transformou “O Que Que Há Gatinha?” em uma bobagem divertida sem muito foco. Alguns dos melhores momentos do filme são de Woody, mas sua participação foi reduzida e muito de suas piadas foram para o charmoso Peter O’Toole, que manda bem na compania de Romy Schneider. A história é puro Woody Allen: uma garota quer casar, mas seu namorado tem o péssimo vício de chamar a atenção da mulherada, que não o deixa em paz. Woody, claro, é apaixonado pela garota, mas ela só o quer como amigo, e há ainda o psicanalista tarado (Peter Sellers) e a loura de parar o trânsito (Úrsula Andrews). Bobinho, mas com divertidas passagens.
Leia também:
- Um François Truffaut e três Woody Allen (aqui)
- Dois Woody Allen e três Jason Bourne (aqui)
- As aventuras de Antoine Doinel, de Truffaut (aqui)
- François Truffaut, Kevin Smith e Michael Lehmann (aqui)
- Hitchcock, Antonioni, Allen e Almodóvar (aqui)
- Um Alan Parker e dois Woody Allen (aqui)
Junho 22, 2010 1 Comment
Uma Noite em 67
Queria muito, mas muito ver esse documentário, que tem sessões na sexta e sábado em São Paulo, e na outra quinta no Rio de Janeiro, mas não vou conseguir e vou ter que esperar estreiar nos cinemas. Se você tiver chance, não perca. Assista ao trailer aqui.
Serviço – “Uma Noite em 67″ no É Tudo Verdade
Espaço Unibanco de Cinema (São Paulo): Sexta (09), às 21h
Espaço Unibanco de Cinema (São Paulo): Sábado (10), às 15h
Unibanco Arteplex (Rio de Janeiro): Quinta (15), às 19h
Entrada franca
Previsão de estreia: 2010
Abril 7, 2010 7 Comments
Minhas apostas para o Oscar
A cerimônia 2010 do Oscar não terá um grande vencedor. “Avatar” deve levar as categorias técnicas e se consagrar como Melhor Filme, mas, para mim, Kathryn Bigelow sairá nesta madrugada do Teatro Kodak como Melhor Diretora. Dai em diante va um Oscar para cada produção. Talvez “A Fita Branca” e “Guerra ao Terror” saiam com dois Oscar. Talvez, mas muito mais difícil, “Bastardos Inglórios” saia com dois também (ator coadjuvante garantido e, quem sabe, roteiro). No fim, será a noite de James Cameron (e Sandra Bullock)…
Melhor Filme
Vai ganhar: “Avatar”
Deveria ganhar: “Bastardos Inglórios”
Deu: “Guerra ao Terror”
Melhor Diretor
Vai ganhar: Kathryn Bigelow, “Guerra ao Terror”
Deveria ganhar: James Cameron, “Avatar”
Deu: Kathryn Bigelow, “Guerra ao Terror”
Melhor Ator
Vai ganhar: Jeff Bridges, “Coração Louco”
Deveria ganhar: Jeff Bridges, “Coração Louco”
Deu: Jeff Bridges, “Coração Louco”
Melhor Atriz
Vai ganhar: Sandra Bullock, “The Blind Side”
Deveria ganhar: Meryl Streep, “Julie and Julia”
Deu: Sandra Bullock, “The Blind Side”
Melhor ator coadjuvante
Vai ganhar: Christoph Waltz, “Bastardos Inglórios”
Deveria ganhar: Christoph Waltz, “Bastardos Inglórios”
Deu: Christoph Waltz, “Bastardos Inglórios”
Melhor atriz coadjuvante
Vai ganhar: Mo’nique, “Preciosa”
Deveria ganhar: Mo’nique, “Preciosa”
Deu: Mo’nique, “Preciosa”
Melhor animação
Vai ganhar: “Up – Altas Aventuras”
Deveria ganhar: “Up – Altas Aventuras”
Deu: “Up – Altas Aventuras”
Melhor roteiro original
Vai ganhar: “Guerra ao Terror”
Deveria ganhar: “Bastardos Inglórios”
Deu: “Guerra ao Terror”
Melhor roteiro adaptado
Vai ganhar: “Distrito 9″
Deveria ganhar: “Amor Sem Escalas”
Deu: “Preciosa”
Melhor filme estrangeiro
Vai ganhar: “A Fita Branca”, Alemanha
Deveria ganhar: “O Segredo de Seus Olhos”, Argentina
Deu: “O Segredo de Seus Olhos”, Argentina
Melhor direção de arte
Vai ganhar: “Avatar”
Deveria ganhar: “Avatar”
Deu: “Avatar”
Melhor fotografia
Vai ganhar: “A Fita Branca”
Deveria ganhar: “A Fita Branca”
Deu: “Avatar”
Março 7, 2010 1 Comment
Liev Schreiber, Stephen Frears e Mike Mills

“Uma Vida Iluminada”, Liev Schreiber (2005)
Ainda não li o livro de Jonathan Safran Foer, mas acabei de terminar “Pergunte ao Pó”, do Fante, e ele é o próximo. A Lili leu, e pelo jeito curtiu bastante a adaptação (ela adorou o livro do Jonfen). O filme é excelente. Roteiro e fotografia espertos, frases ótimas e uma atuação impecável de Eugene Hutz, vocalista do Gogol Bordello, que rouba a atenção do espectador. Elijah Wood também está muito bem, e acho que resumo o filme em uma frase que Lili me falou ao tentar explicar o livro: tem partes cômicas, mas também é triste, muito triste. Tem umas três passagens ali no final que poderiam ser a tradução perfeita da palavra lirismo. Gostei tanto que vou rever qualquer dia. E ler o livro. Já.

“Ligações Perigosas”, Stephen Frears (1988)
Falando em rever filmes, aproveitei a inspiração de “Cheri”, o mais recente lançamento de Stephen Frears (e que traz Michelle Pfeiffer no elenco), e fui tirar a poeira do DVD de um dos meus filmes preferidos de todos os tempos. “Ligações Perigosas” me fascina desde a primeira vez que assisti. Há um cuidado nos mínimos detalhes da produção que são simplesmente arrebatadores. Do começo brilhante com John Malkovich e Glenn Close sendo arrumados pela criadagem até o final angustiante, “Ligações Perigosas” é um dos melhores filmes sobre vingança já feitos. Ganhou três Oscars (roteiro adaptado, figurino e arte), mas Michelle Pfeiffer merecia uma estatueta dourada. Ainda escrevo um textão sobre ele…
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“Impulsividade”, Mike Mills (2005)
Esperava mais desse filme, mas não sei por qual motivo. Ok, sei. Confundi o diretor Mike Mills com Mike Figgis (“Despedida em Las Vegas”, “Por Uma Noite Apenas”) e, ao mesmo tempo, com o Mike Nichols (“Closer”, “A primeira noite de um homem”), quando devia ter pensando no baixista do R.E.M. A premissa de “Impulsividade” é interessante (jogando luz sobre a fase em que você começa a sair da infância para a adolescência), mas o resultado não comove. Prejudica ainda a atuação fanfarrona de Keanu Reeves (ele já teve alguma graaande atuação?). Lou Pucci, que interpreta o jovem que ainda não conseguiu deixar de chupar o dedo, se sai muito bem, mas o problema de “Impulsividade” é o roteiro extremamente previsível. Ahh, a trilha é assinada pelo pessoal do Polyphonic Spree e ainda traz coisas do Ellioth Smith. Ouça o CD…
Fevereiro 2, 2010 1 Comment
Jason Reitman, Guy Ritchie e Spike Jonze

“Amor sem Escalas”, Jason Reitman (2009)
O ponto de partida da história de “Up In The Air” (esqueça o título besta nacional) é excelente e perfeito para o atual momento (principalmente, o atual momento norte-americano): George Clooney é um dos empregados de uma empresa que é contratada para demitir funcionários de outras empresas, e faz o serviço com uma eficácia surpreendente. O desenrolar da história você já deve ter lido (ou visto no trailer). Clooney se envolve com duas mulheres (uma profissionalmente, a outra sexualmente) e a experiência o faz reavaliar sua vida. Jason Reitman é bom nisso, vide os ótimos “Obrigado por Fumar” e “Juno”, mas “Up In The Air” é o mais fraco dos três. Clooney está convincente e brilha em vários momentos, mas na segunda parte o roteiro derrapa para o melodrama cheio de boas intenções, o que não chega a incomodar totalmente, mas desperdiça uma excelente primeira hora de película. Azarão no Oscar.

“Sherlock Holmes”, Guy Ritchie (2009)
Não tem jeito: Guy Ritchie dificilmente irá fazer algo tão brilhante quanto “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” (um sub-Tarantino que ousou ser melhor que a safra do próprio na época), e parece ter sido o primeiro a ter descoberto isso. A opção do cineasta foi dedicar sua carreira ao saudável cinema fast-food: o público até se diverte na sala escura, mas esquece do que viu alguns dias depois. Desculpe-me os detratores, mas é bom para a sanidade não viver todos os dias apenas de cinema iraniano. Guy Ritchie merece ser saudado por atualizar o personagem de Sherlock Holmes (apesar dele e seu fiel companheiro Watson viverem na Londres do começo do século passado), e acertou na loteria ao escalar a dupla Robert Downey Jr para o papel principal e Jude Law para o secundário, mas o roteiro (repleto de enigmas mirabolantes) parece mais uma adaptação de Dan Brown do que Conen Doyle.

“Onde Vivem os Monstros”, Spike Jonze (2009)
Max é uma criança esperta típica: muita energia, necessidade de atenção e falta de amigos marcam seu cotidiano. A irmã, mais velha, já tem sua turma. A mãe, separada (provavelmente, o roteiro não esclarece) é atenciosa o tanto que consegue, mas está atolada de trabalho e tentando dar um jeito em sua vida sentimental. Após uma traquinagem, o garoto deixa a casa e sai correndo pelo bairro, chega ao rio, pega um barco e entra no mundo dos sonhos, de seus próprios sonhos, e encontra um grupo de monstros esquisitos (e carinhosos) que representam, cada um, suas próprias facetas. “Onde Vivem os Monstros”, de Spike Jonze, é uma fábula tristonha sobre a passagem da infância para a adolescência em um filme muito mais adulto que infantil. A trilha de Karen O (ex-namorada do cineasta) e a fotografia de Lance Acord são os pontos altos desta pequena e frágil epopéia de redescobrimento. Para lembrar a infância.
Janeiro 27, 2010 4 Comments
Coluna de Segunda: Golden Globes
Pré-Script: Vou tentar ser fiel a este espaço e escrever uma coluna toda segunda nos moldes da antiga Revolution, algo que é mais pessoal do que o Scream & Yell, por isso postada no blog, mas tem a ver com coisas de lá. Bem, as palavras falam por si… sempre.

Foto: GoldenGlobes.Org
Eu completo 40 anos neste ano. É a primeira vez que escrevo isso, e olho isso frente a frente, e não dá nem um friozinho que seja no estômago. Fazer 40 anos com a mente sã e alma lívida ajuda e muito a manter o foco nas coisas que a gente acredita, acho eu. Porém, inevitável, fazer 40 anos (e aproveitar todo esse tempo) é, numa comparação rasteira, viver o dobro do que alguém de 20 já viveu. São 20 a mais para se ouvir discos, assistir a filmes, ler livros e enterrar amigos.
Porém, por mais que a gente se policie, o mundo (principalmente o cultural) é muito mais novo que nós – e a gente já viu e viveu um bocado. Jovens músicos começam a fazer barulho em alguma garagem, arranjam um contrato bacana, e viram ídolos. Você já viu isso. Do nada, topamos com algum filme sensacional de algum diretor que nem aprendeu a falar direito com jornalistas, mas conhece a linguagem cinematográfica e consegue emocionar com algumas idéias toscas na cabeça e uma câmera na mão.
A gente ainda consegue se emocionar (ok, falo por mim), mas ficamos mais emburrados com a apatia cultural. E, após escrever tudo isso, fica parecendo que o problema na verdade não é mundo, e sim somos nós, sou eu. A música internacional anda tropeçando feio já faz uns três anos (a nacional vive uma fase excelente, mas no underground). Artistas enganam o público com discos medianos, e fica tudo por isso mesmo.
Às vezes parece que estou desconectado do mundo. E percebi muito disso assistindo a entrega do Globo de Ouro 2010, talvez a pior edição da premiação em anos e anos, e claro que ela não é culpada sozinha: se o ano foi ruim é porque a safra cinematográfica é ruim, ou talvez seja mau-humor da minha parte, e não eu esteja valorizando os futuros clássicos do cinema. Será mesmo?
Na minha ótica desfocada, o Globo de Ouro 2010 premiou bilheterias, dando uma pista para futuras premiações: você quer um Golden Globe? Fature bastante que a gente dá. Os principais filmes e artistas premiados foram recordistas de bilheterias no ano que passou, e é sempre bom lembrar que os executivos estão pisando sobre ovos em tempos de internet, peer-to-peer e pirataria à vontade nas principais ruas do mundo.
O que mais estranha, no entanto, é que o Globo de Ouro é a premiação dos jornalistas estrangeiros nos Estados Unidos, e não dos executivos ou da Academia. A Academia valorizar “Avatar” é uma coisa, a imprensa, outra. “Avatar” e a vitória da técnica sobre a inspiração. Mas, por outro lado, é também a senha para a Indústria de que o mercado ainda está vivo, e de que cinemas Imax e/ou 3D seja uma saída, uma fuga do caos desenhado nos últimos quatro, cinco anos.
A rigor, cifrões deveriam impressionar economistas, banqueiros, investidores e produtores. Não que o lucro seja um problema, pelo contrário, ele é necessário, mas quando passamos a visar o lucro pelo lucro viramos objetos da própria moeda que criamos, reféns de nossa própria ignorância. Pouca importa se o filme realmente é bom. O que importa é quanto ele conseguiu arrecadar nas bilheterias. Se for assim, estamos a um passo do abismo.
O que se viu no Globo de Ouro foi uma premiação voltada ao mercado e não ao cinema. A Academia pode sujar as mãos à vontade agora. O Globo de Ouro sempre foi referencia para a Academia, afinal, jornalistas teoricamente assistem a todos os filmes, o que é difícil acreditar que atrizes – e mães – como Angelina Jolie e Julia Roberts (para citar dois exemplos) tenham tempo entre seus filmes e filhos para assistir a todos os concorrentes. Ou seja: o Globo de Ouro é um guia, uma colinha para os desavisados.
Tenho muito receio do que pode acontecer com o cinema daqui pra frente, se o que contar realmente for grandes bilheterias. Assim como “Nevermind”, do Nirvana, abriu um buraco no peito da Indústria, por onde entraram dezenas de novas bandas, “Pulp Fiction”, de Quentin Tarantino, fez o mesmo pelo cinema independente em uma época de grandes blockbusters. Mas isso foi há 16 anos, e os blockbusters voltaram fortes e poderosos para mostrar que o dinheiro realmente vale mais.
Talvez nos reste, como último recurso, esperar que algum moleque viciado em cinema apareça com algum filme brilhante feito em sua própria casa, e abra um novo caminho nesta selva de pedra, aço e dólares. Talvez. Ainda temos tempo para revoluções? Em “Sonhadores”, de Bertolucci, uma questão era proposta através de uma frase: “Toda petição é um poema, todo poema é uma petição”. Isso era 1968. Em 2004, data do filme, ou agora, poderíamos dizer: “Toda petição é uma folha de cheque, toda folha de cheque é uma petição”.
Mudou o mundo ou mudamos nós.
Ps1: Ainda não vi “Fita Branca”, mas quero muito ver.
Ps2: Robert Downey Jr. está ótimo em “Sherlock Holmes”, mas é sério que valia um Globo de Ouro?
Ps3: Gostei muito de “Se Beber, Não Case”, que uma pessoa esperta poderia ter traduzido como “Ressaca”. Talvez tivesse votado em “500 Dias com Ela”. Talvez.
Ps4: A estatueta de Melhor Ator Coadjuvante do Oscar já vai sair da fábrica com o nome de Christopher Waltz
Ps5: No Oscar não vai dar Meryl Streep, né. E nem Sandra Bullock. Vai?
Ps6: Estou curioso por “Nine”, mas é claro que vou me decepcionar.
Ps7: O filme a ser visto se chama “Guerra ao Terror”.
Janeiro 18, 2010 7 Comments








