Blog do Editor do Scream & Yell
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Category — Causos

Roger and me

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Umas semanas atrás me chamaram para bater papo com o Roger sobre música e tal. Alguns stills do vídeo em que eu e Roger trocamos de função: ele foi o jornalista, eu o entrevistado. Cool (hehe).

Agosto 16, 2010   7 Comments

Dez dias desconectado

Devido ao péssimo tratamento da NET, lá se vão dez dias sem internet em casa, o que deixa este blog e, ainda mais, o site em ritmo arrastado. Tem muuuuita coisa legal para publicar e reflexões para dividir, mas estamos na dependência da NET cumprir o que diz. Era para terem instalado tudo em casa (TV, internet, telefone) no sábado, mas ligamos lá e, adivinha: não havia nada programado. Segundo a atendente, havia uma data marcada, dia 10, que tinha sido alterada para o dia 14. Esperneamos, xingamos, reclamamos e… cancelamos. Uma hora depois, frente a poucas ofertas que valessem realmente a pena, acabamos cancelando o cancelamento e adiantando o agendamento com o técnico da NET para esta terça-feira. É isso que dá ter apenas uma empresa no mercado que faça um trabalho apenas ok. O cliente fica dependente, escravo do serviço. A empresa destrata a pessoa, e você tem que ficar com o serviço porque é o único que realmente presta no País. Alô, Anatel, abre o olho.

Agosto 9, 2010   3 Comments

Novo ap, SWU, BRMC e Rodrigo Lemos

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Vazou o disco do Arcade Fire (que é bem bom), Rodrigo Lemos (ex-Poléxia) colocou seu primeiro EP solo para download, Mano Menezes foi para a seleção, BRMC fez um cover de um cover do Pogues, Roger Rocha Moreira me entrevistou, tomei uma baita porre de cervejas gringas na sexta-feira e eu e Lili finalmente assinamos o contrato do nosso novo apartamento (aos 45 minutos do segundo tempo).

Do fim para o começo: saímos da Bela Cintra para subir uns setecentos metrôs para morar na Fernando de Albuquerque, quase na esquina da Bela Cintra. Esse apartamento sempre foi uma de nossas primeiras opções por estar reformado, ser grande e bem, localizado. O dono é um economista argentino que pareceu ser bem gente boa.

Temos que entregar esse apartamento no próximo fim de semana, ou seja, temos cinco dias para encaixar coisas. Já assinamos a papelada, mas devemos pegar às chaves na próxima quarta, mais tarde quinta-feira. Na sexta já pedi folga para acelerar o processo de desmontagem das coisas no velho ap, e lá vamos nós: apartamento novo, vida nova.

A semana promete ser corrida. Tem uma pauta boa pela frente, programa da rádio Levis a ser gravado na segunda-feira, caixas a serem fechadas para mudança e o provável anúncio do próximo passo do Scream & Yell. E no próximo fim de semana ainda vai rolar discotecagem no lançamento do novo clipe do Charme Chulo (veja o flyer e coloca na agenda). Haja pique.

O lance do Roger foi bem divertido. Ele me entrevistou pruma parada ae sobre o espírito do rock and roll, e 20 anos atrás eu nunca poderia ter imaginado isso acontecer. Tirando o fato dele me sarrear dizendo que sou uma mistura do Leoni com o João Barone, o papo fluiu bem e assim que tiver algo coloco por aqui.

Outras idéias minhas foram publicadas no ótimo Rock’n’Beats, numa pauta sobre sustentatibilidade e o polêmico SWU Festival (leia aqui). Tenho uma série de reservas ao festival até o momento. Acho que o planejamento foi feito de forma errada (isso se existiu planejamento) e o line-up apresentado até agora mostra que o festival está atirando para todos os lados. Mas ainda vale dar um voto de confiança. Vamos ver onde isso vai dar.

O BRMC decidiu regravar em estúdio o clássico “Dirty Old Town”, canção de 1949 que ganhou uma versão poderosa dos Pogues, em 1985, produzida por Elvis Costello. Eles tocaram essa versão no show que vi deles em Viena, dois meses atrás, e aqui ela aparece em versão despojada em comemoração dos 50 anos das botas Dr. Martens. Você pode assistir ao clipe e baixar a canção em MP3 de graça aqui. O projeto da Dr. Martens ainda terá o Raveonettes regravando “I Wanna Be Adored”, do Stone Roses. Tudo aqui.

Quem também está voltando com material novo é Rodrigo Lemos, ex-Poléxia, que libera seu primeiro EP solo de forma gratuita. “Lemos, EP” traz cinco faixas (gostei de “Alice” e “Menina Laranja”) com participações de Alexandre Rogoski (Baque Solto), Diego Perin (Banda Gentileza) e Vinícius Nisi, Luís Bourscheidt e Thiago Chave, os três da Banda Mais Bonita da Cidade. Você pode baixar o EP aqui e ler uma entrevista com o Lemos aqui.

Por fim, ainda quero ouvir um pouco mais “The Suburbs”, o novo e intenso disco do Arcade Fire, que vazou na sexta-feira. Os caras já lançaram dois discos matadores (falei do “Funeral” aqui e do “Neon Bible” aqui) e fazia muito, mas muito tempo, que uma banda não chacoalhava o cenário pop deixando todo mundo na expectativa. Se diz algo, a primeira audição de “We Used To Wait” causou arrepios. Fodona, massssss… aguarde.

Julho 25, 2010   12 Comments

Revista Noize #35 para download

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Fiquei meio inseguro com a minha coluna desse mês na revista Noize, mas o Fernando, editor, disse (sem eu perguntar!) que o pessoal tinha gostado muito. Ganhei o dia. A coluna se chama “Você já sentiu saudade de algo que nunca teve?”. Leia online ou baixe o PDF aqui.

Julho 12, 2010   1 Comment

A procura pelo apartamento perfeito

Semana bastante corrida por aqui. Nem bem chegamos em casa após a viagem já começamos a procurar pelo novo apartamento. Completamos em julho quatro anos na Bela Cintra, mas a dona do imóvel irá vendê-lo, e temos até 31 de julho para entregar as chaves. Gostamos muito da região, e nossa primeira idéia é ficar por aqui, mas os preços dispararam nos últimos anos, e essa área valorizou quase 60%.

Nos últimos dez dias contatamos mais de trinta apartamentos, mas só me apaixonei por dois. O primeiro, na Peixoto Gomide, era sensacional, mas quando liguei para a imobiliária descobri que já estava com a papelada de aluguel em andamento. O segundo é um na Frei Caneca, que fizemos uma proposta e estamos no aguardo da resposta. Ainda existem mais dois (uma na própria Bela Cintra e outro na Fernando de Albuquerque) na fila.

Nosso “problema” é que precisamos de uma sala grande para as estantes de CDs (quem mandou ter tanto disco) e fazemos questão de termos um segundo quarto para a família, que sempre nos visita. E gostamos de estar nessa região entre a (minha amada rua) Maria Antonia e, uma região lotada de cinemas, baladas e locais bons para comer. Mesmo assim, por economia, chegamos a olhar aps na Teodoro Sampaio e na Capote Valente, sem sucesso.

Na próxima terça-feira tiro uma folga para tentar achar o apartamento perfeito, e já começar a negociar (afinal, não basta achar o apartamento: tem cumprir todas as burocracias). Estamos entre os três dos segundo parágrafo, mas quero ainda olhar na Vila Buarque e passar novamente na Peixoto Gomide, Frei Caneca, Bela Cintra e Antônio Carlos (esta última dona de um aps mais legais que já morei em São Paulo) procurando alguma novidade. Quem sabe…

Junho 27, 2010   2 Comments

Calma, esse blog não morreu

Eu só estou extremamente enrolado com mil e uma picuinhas. Volto logo para contar a nova confusão sobre o apartamento.

Abril 26, 2010   No Comments

Todo carnaval tem seu fim

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 Cordão Cecília / Fotos: Liliane Callegari

 Enfim, 2010 começa. Clichê, eu e você sabemos, mas inevitável. Apesar de janeiro ter voado, parece que o ano estava hibernado, esperando o momento certo para acordar, o que aqui pros nossos lados acontece invariavelmente após o carnaval. E olha que tem Copa do Mundo e Eleições Presidenciais pela frente. 2010 parece até ano sabático, mas nem deve ser tudo isso, ou devemos nos preocupar?

Particularmente, esse foi o primeiro carnaval que folguei em três anos. Dos últimos oito anos, trabalhei em seis carnavais, todos na redação, virando madrugada. Até pensei em viajar. Deu vontade de ir para o Rio, vi preços de vôos para Porto Alegre e de pousadas em Monte Verde, tudo proibitivo. No fim das contas, fiquei em São Paulo com Lili procurando blocos de rua para fotografar, vendo filmes e escrevendo.

No sábado de sol queimando a moleira fomos atrás de um trio não elétrico, na verdade, um cordão, o Cordão Cecília, um grupo pequeno, mas bastante animado (fotos minhas aqui e da Lili aqui) que diverte a Rua Vitorino Carmilo, na Barra Funda. Saímos dela a fim de pegar o Lira da Vila, na Vila Buarque, mas o pessoal ainda estava carburando no boteco para começar o agito, e acabamos desistindo (após um lanche no Bar do Zé).

Nos dias seguintes, muitos filmes. Revi os três primeiros da trilogia “Star Wars” em casa e aproveitei as pequenas filas para conferir “A Fita Branca” e “Guerra ao Terror” nos cinemas. Ainda rolaram alguns Seinfeld em casa, algumas boas cervejas (tome muito cuidado com a Baden Baden Red Ale, eita bichinho bão) e um bate papo com amigos no Filial, na Vila Madalena. E textos.

No meio do feriado, um leitor me mandou um email com uma pergunta direta: “No que você anda pensando? É só isso que eu queria saber”. A frase simples desencadeou uma porção de idéias e buscas e reflexões, que no fim não se revelou tão interessante quanto o leitor curioso deva ter imaginado. Eu penso muito. Eu penso o tempo todo. Faço planos, discuto rumos comigo mesmo. Argumento, discordo e concordo. Uma loucura.

Tenho pensado na viagem deste ano, mas bem pouco. Não quero me animar muito. Fiz o pedido pra chefia e, aguardo uma resposta. Se for aprovado, desembarco de laptop e digital em Barcelona no dia 27/05 para conferir o festival Primavera Sound. Dali para Antuérpia (ver o Pixies tocar o “Doolittle” em um lugar pequeno) e Amsterdã, Viena, Budapeste, Praga e Bratislava. Nada confirmado ainda, melhor não planejar nada.

Também tenho pensado no que quero ser quando crescer (hahaha). Ando com vontade de me arriscar na Publicidade, ou então abrir um bar, ou então ir morar em Tiradentes ou Barcelona (ok, esqueça essa última). Dez anos trabalhando com jornalismo na internet, tendo passado pelos três maiores portais do país (três anos no UOL, três anos no Terra e quatro no iG) é um bocado de tempo. Bate um cansaço, mas o aluguel precisa ser pago.

2010 é um ano de datas importantes… para mim. Em agosto completo 40 anos. Em novembro, o Scream & Yell completa 10 anos. Aliás, já dá para adiantar que São Paulo irá ganhar uma noite Noite Scream & Yell, festa (provavelmente) quinzenal com bandas escolhidas a dedo e discotecagem bacana numa casa aconchegante. Tenho boas idéias para isso, mas assim que baterem o martelo, explico tudo direitinho.

Tem mais coisas, mas é preciso calma ao cutucar o vespeiro de suas próprias idéias. Palavra pensada é uma coisa. Palavra escrita é outra. Palavra escrita é realidade. Ela salta do não lugar para se transformar em objeto palpável. E assim que ela passa do não existir para o existir, vira estaca cravada no peito clamando para ser retirada, um sonho que quer a todo custo transformar-se em realidade. Devagar com o andor, diz o ditado. E vamos em frente.

Ps1: Bora assistir mais um episódio de Lost

Ps2: Nesta quinta tem Romulo Fróes + Eisenbahn no CB. Saiba aqui

Ps3: Falta algum filme do Woody Allen para você ver? Olha aqui

Ps4: Em março, O Mundo Livre vai tocar três discos na integra no Sesc Pompéia. Veja mais aqui.

Ps5: Não paro de ouvir Dirty Projectors…

Ps6: Estou adorando “Uma Vida Iluminada”, do Jonathan Safran Foer

Ps7: Já baixou o EP do Nevilton? Aqui.  E a Loomer? Aqui. Vale.

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Fevereiro 17, 2010   8 Comments

Desdobramentos sobre o lance do apartamento

Então, a imobiliária respondeu meu email em que eu perguntava se a dona queria vender o apartamento. Abaixo, o email:

“Bom dia Sr. Marcelo,

Já enviei pelo correio a notificação. A proprietária não tem interesse em vender, e sim atualizar o valor do aluguel conforme o mercado. O senhor teria interesse em permanecer no imóvel perante a atualização do valor de aluguel?

Aguardo seu retorno o quanto antes.
Desde já agradeço.
Atenciosamente”

Um pouco de histórico: nosso contrato venceu em julho de 2009, e uma clausula garantia que se nenhuma das partes se manifestasse, o contrato seria automaticamente renovado. Ninguém se manifestou, e o contrato foi renovado.

A questão toda é a seguinte. A imobiliária que aumentar em R$ 300 o aluguel agora, mas não pode atualizar segundo os índices do mercado (que são baixos). Então eles vão e quebram o contrato, e fazem essa nova proposta. Se quisermos ficar, teremos que fazer um novo contrato com o novo valor. Isso é permitido?

Fevereiro 5, 2010   10 Comments

A saga da procura do apartamento perfeito

Terça-feira chega um e-mail:

“Bom dia!

Estou tentando entrar em contato pelo telefone, porém não estou tendo nenhum sucesso. Foi enviado já há alguns meses atrás uma notificação para a desocupação do imóvel e até o momento ainda não tivemos nenhum retorno em relação a desocupação do mesmo. Por gentileza, entre em contato conosco o quanto antes, e nos forneça um telefone de contato atualizado.

Desde já agradeço.
Atenciosamente,
Imobiliária”

Não entendi bulhufas. Como assim enviaram meses atrás uma notificação para desocupação do imóvel, e ninguém fala mais nada? Estranhamente, o aluguel e o condôminio, que também são enviados pela imobiliária, chegam todos os meses. Será que eles perderam o endereço do apartamento? Desculpinha esfarrapada, hein.

Liguei lá, ela explicou que tinhámos que deixar o apartamento um mês após recebermos a nova notificação que eles estão nos enviando. Retruquei dizendo que, segundo a lei, tinhámos 90 dias. Ela confirmou, frisando: “Quanto mais rápido melhor”. Isso foi na terça, e a tal notificação ainda não chegou. História mal contada essa, mas não tem como fugir do recado, certo.

Desta forma, passei três horas da minha tarde de folga camelando atrás de um novo apartamento. É incrível como as coisas sempre são o contrário do que queremos. Quando eu era solteiro, e procurava aps de um dormitório, só encontrava aps de dois ou três para alugar. Agora que quero um ap de dois dormitórios achei vários de um ou três e até quatro para alugar. Ah Murphy. Hehe.

Nossa idéia é continuar morando próximo a avenida Paulista, ou no mínimo nessa região. Hoje subi a Peixoto Gomide, andei pelas ruas Antônio Carlos, Luis Coelho, pela Haddock Lobo e pela Matias Aires.  Estiquei até um pedacinho da Avenida Angélica e só fui entrar realmente em um apartamento (após ligar para várias imobiliárias) na Rua Antônia de Queiroz, com dois quartos, salão, mas R$ 2 mil de aluguel (tudo incluso, sem garagem) e terreo. É só o primeiro dia.

Fevereiro 4, 2010   3 Comments

Dois Brasis que o Brasil (finge) desconhece(r)

Maria Aparecida da Silva, foto de João Wainer

Uma das grandes reportagens da nova edição da Rolling Stone (Shakira na capa) é de Yara Morais, que para fechar seu trabalho de conclusão de curso em jornalismo alugou um barraco (por R$ 65 o mês) em uma favela barra pesada da periferia de São Paulo e passou um mês convivendo com os moradores, indo de festas de aniversário a execução de devedores do tráfico. Uma parte da reportagem está aqui. A integra só na revista.

A foto que abre este post é de João Wainer, fotógrafo da Folha de S.Paulo desde 1996. Ele retrata Maria Aparecida da Silva, que na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, é conhecida por Márcia. Aos 42, ela trabalha como faxineira de manhã em uma firma e prostituta a tarde, em frente a estação de trem mais movimentada do Rio de Janeiro. Cida sustenta quatro filhos e a mãe sozinha. Leia mais sobre no ótimo texto do João Wainer aqui.

Outro link que vale conferir é o do excelente blog reportagem “Glamour e Boca do Lixo”, retrato da prostituição no centro de São Paulo:

http://www.glamourebocadolixo.blogspot.com/

Janeiro 12, 2010   4 Comments

Nem todo o carnaval tem seu fim

Ajude São Luiz do Paraitinga

Janeiro 5, 2010   1 Comment

No que você transformaria a sua geladeira?

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Questão de uns dois meses atrás, o pessoal da LiveAD me convidou para  participar de uma ação para o lançamento da nova Brastemp Inverse. O lance todo consistia no seguinte: eles selecionaram dez blogueiros, cada um ganhava uma Brastemp Inverse novinha e a geladeira antiga iria virar uma obra de arte nas mãos de um artista. Além disso, a turminha blogueira iria ganhar uma verbinha para organizar duas comemorações: a da chegada da geladeira nova e da chegada da obra de arte.

Nesse tempo que passou, algumas coisas legais aconteceram. A geladeira nova chegou, e todo marketing dela se baseia no lance do freezer ficar embaixo, e não em cima. O que eu curti, além do espaço maior em comparação a antiga, foi um botão na porta que deixa a temperatura do freezer ok para gelar cerveja mais rápido (50 minutos a long neck, uma hora a latinha). Lili viu coisa a mais na geladeira, que nosso amigo Macho Alfa recortou (risos) e transformou em uma coluna no iG (leia aqui).

O Rafael Pequeno e Geraldo Tavares, da Möve, após um bate papo bacana em casa, saíram atrás do artista que iria transformar a nossa geladeira antiga em um novo objeto. Tem gente que vai fazer um sofá, outro parece que fará uma adega. Uma geladeira irá virar uma estante de livros e uma quarta ganhara nova vida como um barzinho descolado. Eu e Lili batemos cabeça, batemos cabeça, e talvez a nossa vire uma mesa de centro com um mural. Ainda não sabemos (risos).

A artista escolhida para assumir a nossa geladeira foi a adorável Fernanda Guedes. Rafael a trouxe aqui em casa e o papo se estendeu até Woody Allen, paixão confessa de ambos. Lady Guedes mantém a excelente galeria online Magenta (www.galeriamagenta.com.br), com obras de vários ilustradores, tem um site próprio que exibe dezenas de trabalhos (www.fernandaguedes.com.br) além de manter o Sketchbook, seu blog pessoal (www.fernandaguedes.blogspot.com/). E, ah, estreou na segunda passada (07/12) a exposição Magioska, na galeria Pop (aqui).

Em que pé as coisas estão agora: A Fernanda está trabalhando na geladeira antiga e a nova Brastemp Inverse está lotada de cerveja… e de espaguete, pois decidi aproveitar a primeira comemoração para reunir alguns amigos queridos, que prezo muito, para a segunda experiência minha e de Lili no território do pesto genovês. A primeira, modéstia a parte, foi um sucesso (tudo aqui). A gente combinou de deixar um pouco de pesto pra comer no dia seguinte, e quem diz que conseguimos. Estava divino.

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Com esse almoço encerraremos a primeira parte do projeto Inverse My Fridge, que além de mim e da Fernanda conta com os seguintes blogueiros e artistas:

1- Os blogueiros

Alexandre Inagaki / interney.net/blogs/inagaki
Ricardo Cobra / homemnacozinha.com
Chris Campos / casadachris.uol.com.br/blog
Marcelo Costa / screamyell.com.br/blog
Gabriel Pires e Marcos Gomes / nerdbunker.com.br/blog
Samantha Shiraishi / samshiraishi.com
Cláudia Midori / aventurasgastronomicas.com.br
Leonor Macedo / revistatpm.uol.com.br/blogs/eneaotil
Anita Cavagnoli / objetosdedesejo.com
Gabriela Bianco / casadagabi.com

2- Os artistas:

Billy Argel - billyargel.blogspot.com/
Estúdio Deveras - www.estudiodeveras.com/
Luísa Ritter - www.flickr.com/photos/luisaritter/
Emerson Pingarilho - www.flickr.com/photos/pingarilho/
Geraldo Tavares - www.flickr.com/photos/geraldotavares/
Yan Sorgi – Sebográficos - www.sebograficos.com.br/
Ana Helena Tokutake - www.flickr.com/photos/iamana/
Wagner Pinto - www.wagnerpinto.com/
Fernando Chamarelli - www.flickr.com/photos/lfchamarelli/
Fernanda Guedes - www.fernandaguedes.com.br/

Enquanto esperamos pela Fernanda – curiosos, vou gelando a cerveja e o vinho branco, moendo os pinoles (não acredito que conseguimos pinoles), e me preparando espiritualmente para cozinhar para sete pessoas. Preciso dormir. Ainda tenho que acordar cedo para comprar umas verduras fresquinhas na feirinha da Praça Roosevelt para uma saladinha caprese. Conto a experiência do almoço e os próximos passos do projeto Inverse My Fridge nos próximos posts. Torce por mim. Quem sabe eu não abro um restaurante… um dia. risos

Ah, essa abaixo é a nossa Brastemp Inverse já devidamente carregada de imãs de geladeira… hehe

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Dezembro 12, 2009   11 Comments

Entrevistando Fernanda Young

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Não lembro ao certo que mês de 2001 foi, mas acho que era novembro ou dezembro. Desci a rua Albuquerque Lins, no bairro de Higienópolis com meu gravador e duas fitas cassete de 60 minutos para entrevistar Fernanda Young em seu apartamento. Ela estava lançando um livro (mediano), “Efeito Urano”, até hoje o único que li dela (por causa da entrevista), e me aguardava com os dois pés atrás.

Assim que entrei em seu apartamento, notei uma certa insegurança por parte dela, que gesticulava muito tentando soar à vontade. “Você é o repórter da Reuters, certo. O Alexandre (Carvalho, marido) me disse que a Reuters é muito importante. E eu ficava falando pra mim mesma. ‘Reuters, Reuters, Reuters, está tudo bem”.  Ela chamou a empregada, me ofereceu algo para beber e ficou feliz de eu ter escolhido coca-cola ao invés de água. Sinais, sabe.

Cerca de quarenta minutos depois, no meio de uma resposta, ela solta: “Puxa, eu nunca falei tanto como eu estou falando agora (risos) e eu nem queria dar entrevista, né”. A tarde passou voando e quando vimos, as duas fitas cassete de 60 minutos estavam abarrotadas de conversa. Então surgiram Estela May e Cecília Madonna, suas duas filhas, e aproveitei o momento família para me despedir e subir a Albuquerque Lins em direção a Teodoro Sampaio, local em que eu morava na época.

Fernanda Young foi bem interessante nas duas horas que conversamos. Me pareceu se desarmar da persona que criou para provocar o mundo e a conversa rendeu uma longa entrevista de 14 páginas que ficou reduzida a 3 mil toques para a Reuters.  Isso era 2001 e cortamos para 2009. Ela é capa da edição de novembro da revista masculina mais famosa do país, e parece ter incomodado muito gente com isso. Mais: homens agem como se fosse proíbido ela ter feito o ensaio. Bobagem.

Alguns dizem que ela é feia, no que discordo, embora também não a ache um exemplo de beleza. Na verdade, beleza não tem a ver com ela. Fernanda Young é falastrona, provocadora e irritante. E isso a sociedade (principalmente a ala masculina) não suporta. É o inverso da sensação de paixão que faz com que homens enxerguem suas mulheres como a mais bela do mundo. Pouca gente parece amar Fernanda Young, e isso a torna feia, burra e chata. Copo meio vazio, eu sei, mas é assim.

Particularmente, gostei de algumas fotos prévias do ensaio. Essa edição vai ser (fácil) mais interessante do que qualquer uma das tão “amadas” Mulheres Frutas. No entanto, fotos de nudez a parte, acho que essa entrevista que fiz com Fernanda Young em 2001 é uma das minhas prediletas junto com o bate papo com Ian McCulloch e também uma longa troca de e-mails com o amigo André Takeda. Recentemente, fiquei feliz com o resultado da conversa com Wado aqui em casa.

Destas quatro citadas (linkadas abaixo) e entre todas as outras que fiz, a minha preferida é a da Fernanda Young. Acho que o politicamente incorreto é extremamente necessário (nunca sonhei em viver no paraiso do bom mocismo), e a liberdade de expressão é um bem valioso demais para todos, mas fica feio quando descamba para a hipocrisia. São gestos não pensados e idiotas de machos que pensam apenas com a cabeça debaixo que acabam desancadeando fatos como o da moça da Uniban.

Fernanda Young muitas vezes me irrita, mas se ela quer ficar pelada, eu não vou reclamar. Pelo contrário. Como diria o sábio Roger Rocha Moreira no hino “Eu Gosto de Mulher”: “mulher faz bem pra vista”. Sua nudez é benvinda e não deveria ser castigada. Em um mundo em que Gilberto Kassab é um péssimo prefeito, José Serra candidato forte à presidência e Caetano Veloso é consultado (e levado à sério) sobre tudo que acontece, Fernanda Young é dos males (se for), o menor. E não quero nem imaginar Kassab, Serra e Caê nus. Prefiro a Fernanda Young.

Leia mais:
- Marcelo Costa entrevista Fernanda Young (aqui)
- Marcelo Costa entrevista Ian McCulloch (aqui)
- Marcelo Costa entrevista André Takeda (aqui)
- Marcelo Costa entrevista Wado (aqui)

Novembro 7, 2009   14 Comments

Um fim de semana bastante agitado

Ok, ok, essa última semana foi um pequeno caos de coisas legais acontecendo, e a fuga da rotina fez com que o corpo clamasse por descanso (que só vai acontecer no domingo), que a alma sonhasse e que as atualizações no blog e no site dessem uma capengada, mas coisas bacanas vêm por ai.

Ainda tenho que preparar um texto sobre o passeio pela Chapada dos Guimarães (as fotos já estão no flickr – aqui) e outro sobre a palestra excelente do Paul D. Miller, o DJ Spooky, na quinta-feira em Belo Horizonte. O recital foi cansativo, mas a correria SP/BH e o champagne colaboraram.

Para esta sexta-feira tem cerveja com pessoas queridas à noite e Ludov no Studio SP na compania de vários amigos. A família S&Y bate cartão em peso no local com Adriano vindo de Belém e Murilo saindo de Curitiba mais a presença do chapa Tiago Agostini. Sábado de manhã gravo participação no programa de rádio Sonzera, da FAAP, e depois encontro o grande Marco Antônio Bart para cerveja e churrascos.

O sábado “termina” com um passeio no Playcenter na compania de Thurston Moore, Iggy Pop, Bobby GIllespie e dezenas de amigos. Para qualquer hora do (sábado ou) domingo tenho que gravar um depoimento para o projeto Quinta no Bloco, de Juiz de Fora, que me recebe no fim do mês para um bate papo sobre o cenário independente e intercambio musical.

E ainda tem repescagem da Mostra e estréia de “500 Dias com Ela” e “Alto Volume”. Um fim de semana agitado para uma semana agitadíssima…

Novembro 6, 2009   2 Comments

Um fim de semana em Taubaté

Praça Dom Epaminondas, Taubaté

Não lembro a última vez que eu tinha ido pra Taubaté, mas fazia um bom tempo. Uns cinco anos. Por ai. Desde que minha mãe passou a vir me ver em São Paulo, perdi o laço que tinha com Taubaté. Ok, tenho grandes amigos lá, pessoas de que sinto uma saudade imensa várias vezes, mas não consigo me organizar a ponto de reservar um fim de semana completo e correr atrás de todos. Estou ficando cada vez mais caseiro, e minha casa é o meu reino, o lugar em que mais me sinto bem em São Paulo.

Mesmo assim, a viagem deste fim de semana teve um q de nostalgia imenso. Talvez por Lili ter ido comigo, e eu ter sentido a minha personalidade despida, afinal, apesar de ter nascido em São Paulo e ido para Taubaté com cinco anos, foi lá que aprendi a ser quem eu sou. Eu cresci e me transformei nessa confusão de idéias sem sentido passando mais de vinte anos de minha vida em Taubaté. Não tem como não ter sido influenciado. Felizmente, a influência foi boa. Acho.

Aqui cabe um trecho de “Primeiro o Amor, Depois o Desencanto”, de Douglas Coupland: “Eu sempre me orgulhei de não ter sotaque algum, mas então percebi que o meu sotaque era o sotaque de lugar nenhum. É por isso que eu nunca senti realmente que eu era de algum lugar”. Mais ou menos isso. São Paulo sempre correu nas minhas veias, e eu sempre soube que voltaria para cá, mas mesmo hoje em dia, vivendo aqui faz 10 anos, não me sinto nascido aqui. E já começo fazer planos sonhadores de ir embora.

Então caminho longamente por algumas ruas de Taubaté. Passo por lugares que presenciaram primeiros beijos e começos de namoro. O passado esbarra em mim, e mancha de saudade a minha alma. Eu vivi tudo isso. Eu vivi essa cidade. Observo lugares em que trabalhei, outros em que estudei, e ainda outros em que bebi e comi. Encontro amigos. Não resisto e fujo à noite procurando o gosto de um sanduíche familiar. E fico feliz de descobrir que o gosto permanece o mesmo.

A cidade não para. Não me lembro quem me deu essa foto acima. Nem a data dela. Deve ser anos 40. Ou 50. Quando mudamos para Taubaté, nos anos 70, a praça Dom Epaminondas já era bem diferente, mas ainda não tinha o calçadão, que surgiu no final dos anos 80, se não me engano. É uma imagem poética, ao menos para mim. Agora tudo soou mais triste. As lojas em que comprei tantos vinis se fecharam. A praça está diferente. Me lembro punk, de calças detonadas, vivendo histórias engraçadas ali. Foi.

A sessão nostalgia terminou num fim de tarde no Sítio do Pica-Pau Amarelo. Morei alguns anos na Rua Pedrinho, que termina na Rua Pica-Pau Amarelo, que cruza a Rua Emília e se transforma em Rua Visconde de Sabugosa, que segue até o sítio. Adorava ir ao local jogar futebol. Hoje fiquei olhando minha sobrinha brincar com personagens de Monteiro Lobato enquanto uma menininha de uns dois anos tentava pular corda –fofíssima sem tirar os pés de chão.

Na casa antiga, de tinta descascando e falta de reboco em alguns ambientes, em que se transformou meu coração, Taubaté tem um canto especial no quarto das minhas memórias mais queridas. Eu abro uma gaveta e dezenas de histórias se jogam em meu colo, tentando se ajeitar diante da fragilidade da organização das minhas lembranças. Não posso fazer muito por elas, além de carregá-las comigo pelo resto de meus dias. Acho que ambos ficamos felizes por isso. E a vida continua.

Outubro 4, 2009   7 Comments

Eu também tenho sangue português

Nessa confusão de genes que me formaram, descobri que também tenho sangue português. O alemão vem por parte do pai da minha avó materna. O índio é da mãe dela. O espanhol, até onde sei, é coisa da minha avó paterna. E do meu avô paterno é sangue português, segundo ele, uma união dos Toledo com os Costa (e eu nem sabia que tinha Toledo na família).

O seu Sérgio, meu avô, passou esta manhã em casa atualizando as histórias de família com uma memória excelente para os seus 82 anos. Ainda não sei se essa novidade lusitana explica a confusão de idéias que me formam, mas achei interessante. Ainda quero saber mais, mas fica para outra visita do seu Sérgio. Afinal, quem sabe não desco para Lisboa ou Porto numa próxima viagem, né mesmo.

Setembro 28, 2009   4 Comments

Das coisas que me explicam, parte 2

“Sou um homem sossegado. Tenho tendência a pensar bastante e tentar não falar demais. Mas aqui estou, talvez falando demais. Existem, porém, esses sentimentos dentro de mim que precisam muito escapar, acho. E isso me faz sentir aliviado, porque uma das minhas maiores preocupações nesses últimos anos é que eu tenho perdido minha capacidade de sentir as coisas com a mesma intensidade - da maneira que eu sentia quando era mais jovem. É assustador - sentir as suas emoções fluindo para longe e não dar a menor importância”.

Trecho de “Primeiro o Amor, Depois o Desencanto”, de Douglas Copland

Leia também:
- Das coisas que me explicam, parte 1 (aqui)

Setembro 21, 2009   2 Comments

Meus cinco botecos preferidos em São Paulo

Na mesa do Veloso

A primeira coisa que me disseram quando comentei que iria listar os meus botecos preferidos em São Paulo foi: “Que coisa de alcoólatra, hein”. A idéia, na verdade, era falar de alguns lugares legais que eu gostaria muito que outras pessoas – principalmente de fora – conhecessem. Por fim, acabei descobrindo que vou sempre aos mesmos lugares. Quase sempre (risos). Pra mim, a idéia de boteco vai muito além de um lugar para beber, beber e beber. Tem que ter comida boa também.

Na verdade, o Kebabel (de boas cervejas importadas e nacionais) na Fernando de Albuquerque poderia entrar na lista. Já tive ótimas (e péssimas) experiências no BH, na quadra de cima do Espaço Unibanco na Augusta, e é uma pena eles só terem cerveja long-neck.  O Salve Jorge, com a melhor porção de polenta frita acompanhada de molho bolonhesa da cidade, merece uma citação assim como o The Pub, na Augusta, o Filial e o São Cristovão na Vila Madalena, e mesmo o Ibotirama, na esquina da Fernando de Albuquerque com a Augusta. O Leblon (desde que você não beba cerveja de garrafa que custa o dobro de um boteco comum) na Bela Cintra e o Bar do Léo, na rua dos Andradas, no centrão (sábado é dia de bolinho de bacalhau), merecem uma visita. No entanto, os meus preferidos são…

Veloso
É um botecão pé limpo com jeito de botecão pé sujo (o que traz um certo charme). Tem uma camisa do Juventus (da Rua Javari mesmo, não o italiano) na parede, as mesas de madeira bem próximas e quase sempre na lotação máxima. A cerveja é leve e você bebe como se fosse água, mas os carros chefes da casa são a melhor caipirinha da cidade (Souza, o responsável, foi eleito o melhor barman de São Paulo nos últimos três anos pelo seleto júri da Veja São Paulo) e as sensacionais porções de coxinha (foto acima) e bolinho de arroz com toque de calabresa.

As caipirinhas são algo. Tem de saque, vodka (nacional e Absolut) e cachaça (Velho Barreiro, mesmo). Opto sempre por esta última, e vou devorando o cardápio começando quase sempre por Tangerina, depois Frutas Vermelhas, Jabuticaba, Frutas Amarelas, Abacaxi e Carambola. As coxinhas são reverenciadas por muitos. Eu, por exemplo, passei dois anos ouvindo Lili dizer que nenhuma coxinha poderia ser melhor que a do Balbec, em Uberaba, até ela provar a do Veloso. Virou fã. Se vou com ela, é a primeira coisa que ela pede. Se vou sem ela, tenho que trazer uma porção pra casa.

Depois de freqüentar o bar durante um bom tempo (já faz uns três anos), passei da coxinha para o bolinho de arroz com toque de calabresa, com recheio que derrete na boca. O Veloso fica em uma rua de paralelepípedos na Vila Mariana, atrás da caixa d’agua entre as estações de metrô Ana Rosa e Vila Mariana. Paralelo a ele, e dividindo a mesma cozinha (ou seja, a mesma coxinha e o mesmo bolinho de arroz, mas não o mesmo barman) tem o Brasa Mora, uma versão ajeitada do Veloso. O cardápio é quase o mesmo que o do vizinho, com a vantagem que nele há um item especial: o sensacional bife de tira de picanha, meu prato preferido nessa cidade maluca. Aos sábados, tanto Veloso quanto Brasa Mora oferecem feijoada. Vale.

Rua Conceição Veloso, 56, Vila Mariana
http://www.velosobar.com.br/

Exquisito
Não lembro a primeira vez que fui ao Exquisito, mas foi nas primeiras semanas após a inauguração. Hoje em dia, quando algum amigo inventa de aparecer e quer beber em algum lugar, sempre indico o Exquisito. Encontrei a Helena (que me ensinou a fazer risoto), Camilinha (e o Carlos) e vários outros amigos diversas vezes ali. Por ficar na rua em que eu moro, por ter um dos melhores chopps escuros da cidade, por ser o primeiro bar de São Paulo a servir Patricia e Nortenha e também pela magnífica porção de bolinho caipira, algo que me faz suspirar e me leva direto para as festas juninas de infância em Taubaté. Eles também tem um cardápio de responsa de comidas latinas (com destaque para o chilli com carne) e a decoração do local é bem cool.

Rua Bela Cintra, 532, Consolação
http://www.exquisito.com.br

Esquinão do Fuad
Já faz uns seis ou sete anos que fui apresentado á picanha no saralho (eu escrevi saralho), e me apaixonei (por “culpa” da Karina, que me levou para conhecer seus amigos, que ficaram meus amigos, e até hoje batem cartão no lugar - nós todos). A especialidade da casa são as carnes, e esqueça bebidas especiais: o que funciona no Fuad são as cervejas de garrafa. Na minha última ida ao local, mês passado, quando fui cambaleante olhar a conta da mesa para deixar uma grana já estávamos em 39 cervejas. “Só faltam nove para esvaziarmos dois engradados”, pensei, mas não cedi a tentação e fui pra casa. Com certeza, o pessoal da mesa alcançou a marca. Hehe. A decoração é de botecão com uma infinidade de placas oferecendo as diversas especialidades da casa. Tempos atrás eles lançaram a Picanha a La Ronaldo, que vem acompanhada de mandioca e agrião. Apesar de ser corintiano, preferi continuar com a picanha no saralho. Ligelena é fã do lugar.

Rua Martin Francisco, 244, Santa Cecilia
http://www.esquinagrill.com.br

Bar do Zé
Eu morei seis anos na Rua Maria Antonia. Ok, três na esquina da Maria Antônia com a Dr. Vila Nova, e três na própria Maria Antônia. Não tem como deixar o Bar do Zé de fora de uma lista dos meus botecos prediletos de São Paulo. Cansei de beber sozinho no balcão observando a rua movimentada (geralmente por gente do Mackensie) assim como almocei diversas vezes em mesinha na rua (uma vez, inclusive, com o casal Stereo Total na mesa ao lado folheando uma cópia xerox do livro dos Mutantes). Fiquei completamente viciado no pão com mortadela e vinagrete e recomendo várias vezes o Monalisa, um delicioso sanduiche de quatro queijos. Aqui o negócio todo também gira em torno da cerveja de garrafa. Lembra muito um bar de bairro de cidade do interior. E ainda tem um porém: o pessoal dos Festivais (Chico, Paulinho da Viola) bebia aqui naquela época. Mais histórias? É só bater “Bar do Zé + Maria Antônia” no Google. hehe

Rua Maria Antonia, 216, Vila Buarque

Charm
A única coisa boa do Charm é a… localização. A única. Ele fica na esquina da Rua Antonio Carlos com a Rua Augusta, quase em frente ao Espaço Unibanco, e é um ótimo lugar para se esbarrar em amigos. Ou seja: é uma autêntica curva de rio. Mesmo que eu tentasse nunca saberia quantas vezes fui lá. Dezenas de porres homéricos começaram ali. Várias noites do ano em que morei na Rua Antônio Carlos começaram ali. Eu conheci Lili, inclusive, numa roda de cerveja que fizemos na calçada, “o” lugar para se ficar no Charm. Para você sentir o nível da coisa, já participei da comunidade do bar no Orkut discutindo coisas tão edificantes quanto a identidade do Tio de Pijama. Papo de boteco, claro. Os lanches são toscos, mas a cerveja está sempre gelada. Tente sempre conseguir uma mesa na calçada. 90% do legal deste bar é ficar na calçada. Mas também não sei quantas vezes bebi no porão… risos

Rua Augusta, 1448, Consolação

Bebendo Bohemia no Bar do Zé / Foto: Karina Tengan

Junho 4, 2009   15 Comments

Das coisas que me explicam

>De resto, tudo bem. Eh impressionante como essa poluição toda me faz >bem para alma.

Meu Deus, os paulistas realmente nao sao deste planeta, isso eh pq vc nao mora no Rio, eu vejo o mar e o sol e a lagoa e a montanha todos os dias… todos os dias Deus me lembra que estou viva

> Hoje vou ver “Dali” no Masp. E eh isso. A tristeza esta me pegando sei >la porque e isso tem me arrebentado…

A tristeza esta te pegando pq vc gosta disso. Vc eh meu companheiro “ludico”, vc eh o elemento de insanidade e irrealidade do meu cotidiano. Vc pra mim nao existe, certo? Vc eh palavras bonitas e poemas no meu dia; vc eh a magica que eu nao tenho normalmente. E por ser assim, vc eh tristeza e alegria (mesmo que melancolica), pq eh so sentimento puro; e mesmo que voce me fale do sanduiche de cebola, nozes e repolho que comeu, mesmo assim sera belo pq eh um contexto de conto-de-fadas, nao eh simplesmente a narracao de uma refeicao, e sim algo bem mais profundo, uma constatacao paradoxal da sua existencia - eu nao *imagino voce, voce *eh*, apesar de nao existir. 

Fragmento de correspondência pessoal SP/RJ, 1999

Maio 18, 2009   4 Comments

Quando eu penso na infância

A primeira escola que estudei foi a Cel. José Benedito Marcondes de Matos, no Bosque da Saúde, em Taubaté. Não lembro tanta coisa a respeito dessa fase de primeiro grau além de que eu precisava caminhar uns quinze ou vinte minutos a pé para chegar ao colégio. Eu atravessava a Av. Oswaldo Aranha, passava por uma praça e descia uma ladeira até chegar à porta da escola num ritual que hoje em dia me lembra correria, avental branco e poeira.

Minha mãe diz que me comportei bem na primeira aula. Enquanto outros meninos choravam assim que seus pais deixaram a sala, fiquei ali observando o mundo. Entrei no primeiro ano sabendo ler e escrever, o que me ajudou muito, mas não me lembro de estudar. Nada. Gostava de História e Geografia, não dava à mínima para Ciência e enganava em Língua Português e Matemática. Acho que fui bem nestes primeiros anos, pois segui na classe A até a quarta-série.

Tento me esforçar, mas não me lembro de professores. Das coisas que me lembro: a Márcia, que pode ser descrita como a minha primeira e inocente paixão. E a Elaine, meu par nas quadrilhas de festa junina. Não me lembro de nenhuma das duas dentro da sala de aula. Acho que esse ambiente está em algum canto apagado da minha memória. A lembrança que tenho das duas é totalmente externa, e mesmo assim não consigo desenhar todos os detalhes. São fragmentos.

Não me lembro direito do rosto da Márcia, mas tínhamos um ritual de brincarmos todos os recreios. Hoje em dia, quando escrevo todos os recreios, não me passa pela cabeça que mesmo no período em que estive com catapora, sarampo, ou algo que o seja que tenha me deixado em casa de cama, tenha me impedido de passar aqueles eternos quinze minutos correndo de lá pra cá, daqui pra lá, ao lado dela. Parece que, simplesmente, todas aquelas manhãs foram divididas com ela.

Já da Elaine eu consigo lembrar nitidamente. Fizemos par nas quatro quadrilhas, da primeira até a quarta-série. Noivo e noiva. Ela tinha um rostinho fofo, algumas sardinhas mínimas, pele clarinha e era bem magricela. Minha lembrança mais clara da Elaine é um registro com eu e minha mãe subindo a ladeira de volta pra casa após um ensaio de quadrilha, e ela fazendo muito gosto na minha noivinha julina que nos acompanhava morro acima. Penso nela e me lembro de flores, primavera.

Meu romance inocente com a Márcia terminou abruptamente quando retornei para a 4ºA e ela não estava na sala. Segundo descobri com meus amigos, sua família mudou de bairro e ela foi transferida de escola. Foi um ano difícil, a começar pela perda dela, depois pela separação dos meus pais, e toda mudança na rotina familiar com a saída de casa do meu pai, e a ida de minha mãe para o mercado de trabalho. No ano seguinte mudei de escola, não me lembro qual o motivo, e também não tive par de quadrilha…

Ps. Também lembro de uma briga no meio da praça, mas não sei o que causou…

Maio 18, 2009   No Comments