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Cinco cervejas da Duvel Moortgat

A Duvel Moortgat é uma cervejaria flamenga surgida em 1871, na Bélgica. A sede da empresa fundada por Jan-Leonard Moortgat fica em Breendonk, uma cidadezinha entre Bruxelas e Antuérpia, e a principal estrela do cardápio apareceu pela primeira vez em 1920, visando comemorar o fim da Primeira Guerra Mundial. Ela se chamava então Victory Ale, mas um ávido bebedor num pub, ao prova-la, soltou as palavras mágicas em brabante holandês – “Nen Echten Duvel” (“Um Diabo Real”) – e a família Moortgat decidiu não só rebatizar a criança, mas também a companhia. Nascia a Moortgat. Abaixo, cinco cervejas produzidas em Breendonk.

Sucesso da cervejaria belga Moortgat, a Duvel ganhou uma versão lupulada em 2007, cuja produção esgotou em três dias. Os mestres cervejeiros da casa repetiram a receita em 2012 (a pedido do público) com um terceiro lúpulo diferente ao lado do tcheco Saaz e do esloveno Styrian Golding, ambos usados na Duvel tradicional: em 2007 foi o lúpulo norte-americano Amarillo; em 2012, outro lúpulo norte-americano, Citra (resultado excelente) e, agora em 2013 (essa edição especial passa a ser anual), com edição limitada, chega aos balcões a Duvel Triple Hop destacando o lúpulo japonês Sorachi Ace.

Duvel Triple Hop: eis uma cerveja sensacional, perfeita: espuma majestosa com renda belga marcando a taça e, repetindo a receita fantástica de 2012, um aroma fantástico (valorizado pelo dry hopping): muito floral e herbal se desprendendo em notas que remetem a hortelã, grama, alecrim, levedura e limão. No paladar, o primeiro ataque é de amargor (com a acidez da levedura em segundo plano), mas algo de adocicado se junta à hortelã, frutas cítricas (maracujá) e malte, que balanceiam o belíssimo conjunto. O final é seco e amargo, e o retrogosto (amargo) interminável. Brilhante.

Em 1945, Albert Moortgat, filho do fundador da cervejaria, decidiu apostar em um lager destinada a clientes mais jovens em bares urbanos de luxo. Nascia a Vedett, que em 2008 ganhou uma versão Extra White, com trigo, cevada lúpulo, coentro e casca de laranja seca. Se você pensou em Hoegaarden, patrimônio do estilo, acertou. De cor amarelo palha e boa formação de espuma, esta Vedett traz no aroma intensas notas cítricas (limão e abacaxi), temperos e trigo. O paladar cítrico segue a risca o que o aroma adianta. O final é seco e refrescante e o retrogosto, condimentado, pede outra garrafa. Aceite.

Em 1963, a Duvel Moortgat passou a produzir e comercializar uma linha de cervejas de abadia que leva o nome do Mosteiro de Maredsous, sob licença dos monges, que exercem um controle rigoroso para que a receita original da abadia seja seguida a risca pela fábrica. O mosteiro beneditino fica na aldeia belga de Denée, na província de Namur (à 1 hora e 15 minutos de Bruxelas, quase na divisa com a Alemanha). Fundado em 1872, o mosteiro é famoso pelo queijo que produz em cinco variedades: Maredsous Tradition, Mi-Vieux (meia cura), Fumé (defumado), Fondu (fondue), Frais (queijo fresco), Light e Fagotin.

No caso da cerveja, a Moortgat produz três estilos: Maredsous Blonde Ale (6% de álcool), Maredsous Brune (8% ) e Maredsous Triple (10%). A Maredsous Blonde Ale é dourada e exibe um bele creme, que permanece durante um bom tempo na taça. O aroma característico traz notas frutadas entre o adocicado (pêssego em calda, damasco e mel) e o cítrico. O malte e a levedura também marcam presença. O paladar fica entre o adocicado, o cítrico e o amargo do lúpulo, com a acidez da levedura e do álcool batendo ponto. O final é seco e o retrogosto adocicado. Uma delícia.

A versão Brune da Maredsous (também conhecida por Maredsous
é uma Belgian Dark Strong Ale bastante suave. Na taça, um liquido caramelo quase indo para o preto exibe uma formação de espuma exuberante. No aroma, o malte tostado é responsável pelas notas principais, que remetem a café e caramelo. Notas frutadas também surgem (ameixa e frutas vermelhas) além do álcool. No paladar, a primeira sensação fica entre amargor e acidez, mas é algo rápido que abre espaço para o adocicado caramelado. O final é lento e licoroso pendendo ao adocicado (com uma certa acidez) enquanto o retrogosto traz frutas secas. Belíssima.

Encerrando este passeio pelas cervejas do demo belga, a Maredsous Tripel (Maredsous 10) é um exemplar de líquido âmbar e espuma generosa e de longa permanência. No aroma frutado, os 10% de álcool mostram o rabo ao lado de notas de malte (desprendendo-se como caramelo, melaço e ameixa) e percepção de levedura com um leve toque de acidez. O paladar é tão alcoólico quanto adocicado. A acidez (com certa percepção de condimentos) volta a marcar presença beliscando o céu da boca enquanto o amargor (com toques de anis) surge rapidamente um pouco antes do final, que é maltado e persistente. No retrogosto, ameixa. Muito boa.
Todas as cervejas acima podem ser encontradas com facilidade no Brasil. A Duvel Tripel Hop 2013 sai entre R$ 17 e R$ 22 enquanto as demais estão entre R$ 7 e R$ 12 em bons supermercados. Vale o investimento.
Duvel Triple Hop 2013
- Produto: India Pale Ale
- Nacionalidade: Bélgica
- Graduação alcoólica: 9,5%
- Nota: 5/5
Vedett Extra White
- Produto: Witbier
- Nacionalidade: Bélgica
- Graduação alcoólica: 4,7%
- Nota: 3,82/5
Maredsous Blonde Ale 6
- Produto: Belgian Blond Ale
- Nacionalidade: Bélgica
- Graduação alcoólica: 6%
- Nota: 3,82/5
Maredsous Brune 8
- Produto: Belgian Dark Strong Ale
- Nacionalidade: Bélgica
- Graduação alcoólica: 8%
- Nota: 3,95/5
Maredsous Triple 10
- Produto: Belgian Tripel
- Nacionalidade: Bélgica
- Graduação alcoólica: 10%
- Nota: 3,90/5

Leia também:
- Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
Junho 5, 2013 No Comments
De Mogi Mirim, Sauber Beer (Parte 2)

O segundo passeio pelo cardápio da cervejaria artesanal Sauber Beer (leia sobre o primeiro aqui), de Mogi Mirim, interior de São Paulo, começa com a menina que trouxe fama a casa: Sauber Pumpkin Ale. Na taça, o liquido castanho acobreado exibe uma boa formação de espuma, de média persistência. A percepção de abóbora domina o aroma assim que se abre a garrafa, mas as notas não são tão intensas, o que colabora no conjunto, permitindo a presença de notas adocicadas advindas do malte (caramelo, melaço) e condimentos (cravo e canela). No paladar, a abóbora surge com mais intensidade, sem enjoar, e traz também sensação de temperos (principalmente cravo). O final é quase cítrico e o retrogosto, com leve adstringência, frutado.

Como uma tradicional cerveja da escola Stout, a versão produzida pela Sauber dispersa aromas de café e chocolate assim que a tampa é retirada da garrafa. A cor é preta com leves feixes acobreados no fundo da taça. A espuma é generosa, mas de pouca persistência. Além de percepção de café e chocolate, devido ao malte torrado, há algo de baunilha e trufa. No paladar, o primeiro ataque é levemente amargo (cortesia do lúpulo) com certa adstringência. O adocicado não tão intenso surge na sequencia repetindo as notas de aroma. O final é marcado por uma dança entre amargor e dulçor (este último retorna no retrogosto).

Outra aposta diferenciada da cervejaria é a Sauber Tangerine, uma weizenbier que recebe casca de tangerina no processo de maturação. Na taça, um liquido dourado exibe um baixa formação de espuma, que some rapidamente. O aroma é bastante cítrico puxando para a casca da fruta que dá nome à cerveja e deixando notas condimentadas (semente de cravo) em segundo plano, e, lá no fundo, o malte (com sugestão de trigo e biscoito). No paladar, a acidez dá o primeiro bote (com leve adstringência) seguida pelo cítrico, que se desmancha em notas que remetem a tangerina. O final é ácido e o retrogosto, cítrico.

Seguindo a mesma linha da anterior, a Sauber Witbier é temperada com sementes de coentro e casca de laranja. Na taça, um liquido dourado apresenta uma baixa formação de espuma, de pouca permanência. O aroma puxa para o cítrico sem a intensidade da anterior, mas ainda assim as notas que remetem a laranja e limão são bastante perceptíveis, com os condimentos ficando em segundo plano. No paladar, o cítrico surge no comando com um leve adocicado (proveniente do malte) balanceando o conjunto. O final fica entre o cítrico e o adocicado, e as duas retornam no retrogosto desta cerveja altamente refrescante.

Fechando o segundo passeio pelos rótulos da cervejaria de Mogi Mirim, a Sauber Santo Capim, que além dos tradicionais malte, lúpulo, água e levedura, traz Capim Santo (também conhecido como capim-limão ou capim cidreira). Na taça, um liquido dourado exibiu uma formação de espuma média, com pouca persistência. No aroma, o intrigante Capim Santo se destaca trazendo notas herbais e cítricas (limão) e um leve adocicado além de percepção de trigo e pão. No paladar, o capim volta a fazer bonito valorizando as notas percebidas no aroma além de uma leve adstringência. O final é cítrico pendendo a limão e o retrogosto, herbal. Muito boa.
Por ser uma micro cervejaria artesanal, encontrar as cervejas da Sauber pode não ser tão fácil, mas alguns empórios especializados (como a excelente Cervejoteca, em São Paulo) costumam ter alguns rótulos da casa no acervo. Na dúvida, vale contatar o Renato através do site da cervejaria e verificar se algum lugar próximo de você vende as cervejas do Sauber. Ou então encomendar diretamente com o Renato ou no site Empório do Patrão, de Campinas. As cervejas saem entre R$ 10 e R$ 15 (garrafas de 335 e de 600 ml).
Sauber Pumpkin Ale
- Produto: Pumpkin Ale
- Nacionalidade: Mogim Mirim, Brasil
- Graduação alcoólica: 4,7%
- Nota: 2,57/5
Sauber Stout
- Produto: Stout
- Nacionalidade: Mogim Mirim, Brasil
- Graduação alcoólica: 4,9%
- Nota: 2,57/5
Sauber Tangerine
- Produto: Witbier
- Nacionalidade: Mogim Mirim, Brasil
- Graduação alcoólica: 4,7%
- Nota: 2,61/5
Sauber Witbier
- Produto: Witbier
- Nacionalidade: Mogim Mirim, Brasil
- Graduação alcoólica: 4,7%
- Nota: 2,89/5
Sauber Santo Capim
- Produto: Vegetable Beer
- Nacionalidade: Mogim Mirim, Brasil
- Graduação alcoólica: 5,1%
- Nota: 3,06/5

Leia também:
- Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
- De Mogi Mirim, Cinco cervejas da Sauber Beer (Parte 1)
- Cerveja com abóbora: Dogfish Head Punkin Ale (leia aqui)
- Cerveja com abóbora: Brookin Post Road Pumpkin (aqui)
Junho 3, 2013 No Comments
Três cervejas: Ogre, Backer e De Bora

Da cidade paranaese de São José dos Pinhais, a Ogre Beer foi uma das boas surpresas do 5º Festival Brasileiro de Cerveja, em Blumenau, em março, defendendo o título de que as cervejas da casa “só não harmonizam com frescura” e esgotando títulos provocativos como a Rauchbier Caldo de Bituca e a Chilli Witbier Chaparrita. Por sorte consegui uma garrafa da Über Lager, uma belíssima Amber Ale. De Belo Horizonte surge a nova aposta da Backer, cervejaria responsável pela ótima linha Três Lobos. Desta vez os mineiros apostam em uma Amber Lager que homenageia uma figura mítica da cidade, o Capitão Senra. Fechando o post, de Curitiba, o pessoal da Bodebrown refaz a excelente De Bora Robust Porter, sob supervisão do autor, Edygil Pupo, da cidade de Imbituva. Três ótimas cervejas. Vamos a elas:

A Über Lager da Ogre Beer é uma amber inspirada em uma receita californiana do final do século 19 que ousava colocar leveduras de baixa fermentação (lager) para trabalhar em temperaturas mais altas (ales). Na taça, um liquido âmbar exibiu uma ótima formação de creme. No aroma intenso e cativante, muito malte levemente tostado liberando aromas de caramelo, alguma coisa de defumado (puxando para o adocicado) e toffee com um leve cítrico derivado do lúpulo Northern Brewer. O paladar é levemente doce e traz as notas perceptíveis no aroma com louvor. O amargor surge na sequencia para equilibrar o conjunto. O final é seco e levemente adocicado e o retrogosto equilibrado entre cítrico, dulçor e amargor. Uma cerveja de complexidade interessante que pede atenção. Excelente.

Produzida para celebrar o aniversário de 81 anos do maior harleyro do Brasil, o Capitão Senra, a cerveja que leva o nome do Oficial da Reserva do Exército Brasileiro que escoltou, sempre pilotando uma Harley Davidson, diversas pessoas de renome, como a Rainha da Inglaterra e o Presidente Juscelino Kubitscheck, é uma Amber Lager acobreada de espuma com formação média e baixa persistência. No aroma, notas bastante suaves de malte tostado com leve percepção de notas adocicadas que remetem a caramelo e baunilha. No paladar, o malte se apresenta com um pouco mais de força distribuindo notas adocicadas, mas o lúpulo surge para equilibrar o conjunto de uma cerveja leve, refrescante e de alto drinkability. O final é seco e levemente maltado com o retrogosto trazendo leve percepção de caramelo.

Medalha de Bronze na categoria Robust Porter do I Concurso Brasileiro da Cerveja, em Blumenau, neste ano, a De Bora Robust Porter, produzida pela Bodebrown seguindo a receita original de Edygil Pupo, é uma daquelas cervejas que honra o estilo a que se propõe. Na taça, um liquido preto exibe uma bela formação de creme, com formação persistente. No aroma, muito malte torrado liberados notas de café e chocolate (com leve sensação frutada de ameixa e adocicada remetendo a baunilha e caramelo). O paladar interessantíssimo traz adocicado e amargor em equilíbrio com uma leve acidez em segundo plano enquanto o malte torrado, por sua vez, não traz tanto café, mas sim uma calda de caramelo com um pouco de cítrico de lúpulo. O retrogosto pende ao amargor com toques adocicadas (banana caramelizada) e o retrogosto, persistente, segue por esse caminho. Muito boa!
Über Lager
- Produto: Amber Lager
- Nacionalidade: São José dos Pinhais, Brasil
- Graduação alcoólica: 5,2%
- Nota: 3,75/5
Capitão Senra
- Produto: Amber Lager
- Nacionalidade: Belo Horizonte, Brasil
- Graduação alcoólica: 5,3%
- Nota: 2,98/5
De Bora Robust Porter
- Produto: Robust Porter
- Nacionalidade: Curitiba, Brasil
- Graduação alcoólica: 5,9%
- Nota: 3,90/5

Leia também:
- Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
- Backer Três Lobos: cervejas caprichadas e interessantes (aqui)
- Cacau IPA, a bela parceria da Bodebrown com a Stone (aqui)
Maio 31, 2013 No Comments
Cervejoteca in Concert em São Paulo
Recomendo… várias vezes
Ingresso custa R$30 e dá direito a um copo da cerveja campeã no concurso de cervejas da Cervejoteca (estilo Wee Heavy).
Maio 29, 2013 No Comments
De Mogi Mirim, Sauber Beer (Parte 1)

Fundada em 2009 em Mogi Mirim, interior de São Paulo, pelo Engenheiro Químico Renato Marquetti Junior, a Sauber Beer nasceu de um projeto familiar: Renato produzia cerveja por hobby para amigos e familiares, e os elogios o incentivaram a arriscar na criação de uma micro cervejaria artesanal. Renato, então, começou a desenvolver receitas diferenciadas, e começou a chamar a atenção com a excelente Sauber Pumpkin, com abobora. Hoje produz cerca de 800 litros por mês em um cardápio que conta com 19 rótulos. Abaixo, cinco deles.

Abrindo os serviços, a Sauber Lemon é uma deliciosa surpresa. São sete tipos de malte mais limão siciliano na fórmula. Um liquido âmbar inunda o copo exibindo uma bela espuma. No aroma, muito cítrico e uma presença intensa de limão siliciano a ponto de se sobressair ao malte. No paladar, a acidez dá as primeiras cartas, mas a doçura surge na sequencia marcando presença e ganhando terreno. O final vai deixando um rastro ácido, que se torna mais intenso e levemente amargo quando termina. O retrogosto é… limão. Bem boa.

Feita em homenagem a mulher de Renato, Vanesca, que mesmo não apreciando cerveja, apoiou o marido na empreitada da Sauber, a Lady in Black é uma stout feita especialmente para o paladar feminino, ainda que o leve amargor final sirva de provocação masculina. No copo, um líquido preto exibe um bonito creme, que boa persistência. No aroma, o malte tostado faz as honras com remissão a notas de chocolate e café. O paladar segue o aroma fielmente, e o final, nem tão amargo assim, é bem suave. No retrogosto, café.

A Sauber Summer Pilsen, como o próprio adianta, foi feita para ser consumida no verão. É uma cerveja leve, com 3,2% de álcool, para ser consumida sem preocupação com a quantidade. Na taça, um liquido de cor dourada quase âmbar exibiu uma boa formação de espuma. No aroma, o malte se destaca com algo de herbal e floral. O paladar é levíssimo, novamente destacando o malte (com percepção de trigo) enquanto o lúpulo marca presença para equilibrar o conjunto. O retrogosto novamente valoriza o malte remetendo a trigo e pão. Boa cerveja.

Seguindo com a Sauber Honey, que, como antecipa o nome, traz mel em sua receita. Na taça, o liquido é âmbar levemente turvo com uma espuma de fraca pra média, e de pouca permanência. No aroma, o malte sai na frente com o melaço seguindo logo atrás e trazendo consigo algo de mentolado. No paladar, a expectativa pela doçura do mel é felizmente desfeita: tanto o amargor do lúpulo quanto a picância dos 6,5% de álcool surgem de forma intensa e agradavel. O final, no entanto, é levemente adocicado, assim como o belo retorno.

Para fechar esse primeiro passeio pelas cervejas do pessoal de Mogi-Mirim, a Sauber Tripel (calma, a Sauber Pumpkin virá na próxima). Na taça, o liquido de cor âmbar revelou uma boa formação de creme. No aroma, notas frutadas (leve sensação de banana) com percepção de adocicado (baunilha, caramelo) e um pouco de cítrico e condimentado. No paladar, o frutado fica mais intenso assim como o dulçor enquanto acidez e amargor apenas aparecem para balancear o conjunto. O final é levemente adocicado e o retrogosto, frutado. Bem boa.

Por ser uma micro cervejaria artesanal, encontrar as cervejas da Sauber não é tão fácil, mas alguns empórios especializados (como a excelente Cervejoteca, em São Paulo), costumam ter alguns rótulos da casa no acervo. Na dúvida, vale contatar o Renato através do site da cervejaria e verificar se algum lugar próximo de você vende as cervejas do Sauber. Ou então encomendar diretamente com o Renato ou no site Empório do Patrão, de Campinas. As cervejas saem entre R$ 10 e R$ 15 (garrafas de 335 e de 600 ml).
Sauber Lemon
- Produto: Fruit Beer
- Nacionalidade: Mogim Mirim, Brasil
- Graduação alcoólica: 7,5%
- Nota: 2,79/5
Sauber Lady in Black
- Produto: Stout
- Nacionalidade: Mogim Mirim, Brasil
- Graduação alcoólica: 4,5%
- Nota: 2,56/5
Sauber Summer Pilsen
- Produto: Pilsen
- Nacionalidade: Mogim Mirim, Brasil
- Graduação alcoólica: 3,2%
- Nota: 2.51/5
Sauber Honey
- Produto: Specialty Beer
- Nacionalidade: Mogim Mirim, Brasil
- Graduação alcoólica: 6,5%
- Nota: 2,78/5
Sauber Tripel
- Produto: Belgian Tripel
- Nacionalidade: Mogim Mirim, Brasil
- Graduação alcoólica: 8,5%
- Nota: 3,01/5

Na segunda parte, Sauber Pumpkin…
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Maio 28, 2013 No Comments
Do México: quatro cervejas da Calavera

Surgida em 2009 em Tlalnepantla de Baz, município com 700 mil habitantes a meia hora da Cidade do México, a Cervecería Calavera levanta a bandeira da Cerveza de Autor (título incluso em todos os rótulos da casa) e se declarando “um laboratório de sabores que pretende explorar novas dimensões gustativas da cerveja”. A ousadia já rendeu alguns prêmios aos mexicanos como uma Medalha de Ouro no US Open Beer Competition 2011 (para a Calavera Mexican Imperial Stout) e outras duas medalhas douradas na mesma competição em 2012 (para a LoveCraftBeer e a Yule). No cardápio da casa, 16 rótulos, sendo que cinco já podem ser encontrados com certa facilidade no Brasil (em bons empórios - online ou não): Calavera Mexican Imperial Stout, Calavera Witbier, Calavera Dubbel de Abadía, Calavera Tripel de Abadía e Calavera American Pale Ale, todas entre R$ 16 e R$ 24 (garrafa de 355 ml).

A Calavera American Pale Ale é uma cerveja que leva a sério o conceito das APAs chocando lúpulos norte-americanos Cascade com levedura britânica (além de água de manancial e malte de cevada). Na taça, uma espuma exuberante e permanente se destaca sobre uma cerveja na fronteira entre o dourado e o âmbar. No aroma, lúpulos e levedura saem no tapa para ver quem ganha a primeira sensação de percepção do bebedor, e é justo apontar empate em um conjunto que exibe muito cítrico (maracujá, abacaxi, lima), certa dose de condimento (semente de cravo), intensas notas herbais (camomila) e maltadas (trigo). No paladar, a levedura sai na frente despejando acidez enquanto o lúpulo colabora com um tiquinho de amargor (que aumenta na sequencia) quase apagando a doçura. Sobra até um pouco de salgado pelo caminho. O final é seco e rápido, e o retrogosto cítrico e frutado. Bem boa.

Friozinho? A Calavera Dubbel de Abadia cai bem. Desta vez, os mexicanos apostam na união do tradicional lúpulo Saaz com as rebeldes leveduras belgas. Na taça, o liquido marrom claro recebeu uma ótima formação de espuma, com boa permanência. No aroma, muito malte em notas frutadas (ameixas), adocicadas (baunilha, caramelo, melaço) e alguma coisa que remete a amadeirado. No paladar, a textura levemente licorosa traz o adocicado em primeiro plano e esquenta a garganta sem mostrar tanto a presença do álcool (são 6,4%). Há uma leve picância e também um leve salgado, mas quase nada de amargor (se você sentir algo, “culpe” o álcool). As notas frutadas e adocicadas que aparecem no aroma retornam com delicadeza no paladar (bastante ameixa e baunilha). O lúpulo é responsável por cortar a doçura no final da dose, mas ela retorna suavemente no retrogosto. Aqui funcionou muito bem com carnes defumadas.

A Calavera Witbier reúne malte de trigo, malte de cevada, lúpulo Saaz, levedura belga além de laranja e coentro. Na taça, um liquido de cor dourada, de intensa turbidez a frio, apresentou uma espuma tímida, que desapareceu logo na sequencia. No aroma, muito cítrico (laranja, lima, limão) e condimentado (coentro) convivem ao lado de adocicado (caldo de cana e trigo), do floral e da presença ilustre da levedura dispersando acidez. O paladar é levíssimo e saboroso. A acidez chega a fazer a primeiro ataque, mas o cítrico surge com força na sequencia e se sobressai, mas o final, interessantíssimo, é dominado pelo dulçor. O retrogosto consagra o cítrico em uma cerveja deliciosamente refrescante e perfeita para dias quentes e pratos leves (saladas, peixes, frutos do mar, sushi e ceviche). Tão boa e, em alguns pontos, melhor do que algumas representantes belgas.

Encerrando o passeio pelas “cervezas de autor” da Calavera com a poderosa Mexican Imperial Stout, uma cerveja escura de 9% de graduação alcoólica e… pimentas selecionadas (não podia faltar). Uma espuma bege abundante e de boa permanência se formou no copo enquanto no aroma é possível perceber (ainda que timidamente se comparada a nomes famosos do estilo) as notas clássicas derivadas de malte torrado: café intenso, chocolate de forma discreta mais caramelo, passas e frutas secas. A pimenta aparece levemente no aroma, mas mostra sua força mesmo no paladar. Ainda assim, o primeiro ataque exibe um equilíbrio, com a doçura surgindo em primeiro plano e, segundos depois, sendo dominada pela acidez e pelo condimentado. O final é seco e quente (a pimenta e o álcool aquecem) enquanto o retrogosto é levemente adocicado. Para acompanhar chilli deve ser uma maravilha.
Calavera American Pale Ale
- Produto: American Pale Ale
- Nacionalidade: México
- Graduação alcoólica: 5,3%
- Nota: 3,14/5
Calavera Dubbel de Abadía
- Produto: Belgian Dubbel
- Nacionalidade: México
- Graduação alcoólica: 6,4%
- Nota: 3,29/5
Calavera Witbier
- Produto: Witbier
- Nacionalidade: México
- Graduação alcoólica: 4,8%
- Nota: 3,42/5
Calavera Mexican Imperial Stout
- Produto: Russian Imperial Stout
- Nacionalidade: México
- Graduação alcoólica: 9%
- Nota: 3,35/5

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Maio 28, 2013 No Comments
Quatro cervejas da Samuel Adams

Fundada em 1984 em Boston, nos Estados Unidos, a Samuel Adams Brewery tem uma história interessante. A primeira receita da Samuel Adams Boston Lager, carro chefe da cervejaria, data de 1860. Louis Koch, o patriarca da família, a fabricou desta data até a Lei Seca, e voltou a produzi-la com a queda da lei até 1950, quando a cervejaria foi fechada. Jim Koch, sexta geração da família, voltou a produzir a Samuel Adams Boston Lager no começo dos anos 80, em sua própria cozinha, seguindo a receita original de Louis e iniciando o movimento de cervejarias artesanais nos Estados Unidos. O resultado, quase 30 anos depois, coloca a Samuel Adams Brewery como a maior micro cervejaria norte-americana em atividade. São mais de 140 milhões de litros (1,2 milhões de barris) anuais. Abaixo, quatro rótulos da cerveja.

O mundo seria muito melhor se todas as lagers tivessem a qualidade da Samuel Adams Boston Lager (e da Brooklyn Lager). Na receita, a junção de dois estilos de malte (Two-row Pale e Caramel 60) e dois de lúpulos (Hallertau e Tettnang) rende uma cerveja de liquido âmbar claro, ótima espuma e boa permanência. No aroma, há equilíbrio entre lúpulo herbal e malte de caramelo com uma leve percepção de mel e amadeirado. No paladar, as notas aromáticas são replicadas com perfeição em uma cerveja leve, refrescante, saborosa e de carbonatação alta. O final é seco enquanto o retrogosto é amargo, e implora por outra garrafa. Fazer o básico de forma caprichada rende ótimas cervejas como esta Samuel Adams Boston Lager.

Com a Samuel Adams Black Lager, o foco e o desejo dos norte-americanos era fazer uma cerveja a altura das Schwarzbier alemãs, que tem na belíssima Köstritzer uma de suas grandes representantes. Na taça, a Samuel Adams Black Lager exibe um liquido de cor preta, mas com feixes marrons e uma boa formação de creme. No aroma, o malte torrado remete diretamente a café com muito leve percepção de caramelo e ameixas. O paladar é bastante equilibrado, com doçura, amargor e até um pontadinha de salgado replicando algumas notas do aroma (café, mel e ameixas), e deixando pelo caminho um rastro delicioso de café e caramelo que a aproxima de um belo copo de café com leite gelado. Perfeita para o café da manhã, certo.

A terceira da lista é a Samuel Adams Boston Ale, um Amber Ale que leva os mesmos dois maltes da Boston Lager (Two-row Pale e Caramel 60), mas altera a proporção de lúpulos, incluindo East Kent Goldings e English Fuggles ao lado do Hallertau, o que resulta em uma cerveja de liquido âmbar claro tendendo ao alaranjado, com espuma média na formação e permanência. No aroma, as notas derivadas do malte levemente tostado se desprendem remetendo a mel e caramelo enquanto os lúpulos trazem uma carga de cítrico (abacaxi) e frutado (manga). No paladar, menos complexo, o cítrico aparece com mais intensidade, mas o malte está ali para equilibrar o conjunto até o final, seco. O retrogosto frutado é ótimo.

Por fim, a Samuel Adams Octoberfest, uma sazonal preparada para celebrar a chegada do outono. A primeira edição foi feita em 1989, e de lá pra cá, ano a ano, esta cerveja de liquido âmbar translucido e boa formação de espuma integra o cardápio da Samuel Adams. No aroma, bastante malte tostado (são quatro na fórmula: Harrington, Caramel, Munich e Moravian) desprendendo-se em notas de caramelo além de sensação de condimentos, frutado (amêndoa) e, levemente, de defumado. No paladar, após o ataque de acidez e, na sequencia, de doçura, que some rapidamente, a tosta se faz mais presente, com a sensação de defumado um pouco mais intensa. O retrogosto é adocicado e interessante.
Estas quatro cervejas da Samuel Adams podem ser encontradas em bons empórios brasileiros (online ou físicos) em preços que variam de R$ 9 a R$ 15 (garrafas de 355 ml), porém o cardápio da cervejaria é bastante extenso (confira aqui) e merece uma olhadela especial. Há, ainda, tours especiais pela cervejaria em Boston (saiba aqui).
Samuel Adams Boston Lager
- Produto: Premium American Lager
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 4,9%
- Nota: 3,39/5
Samuel Adams Black Lager
- Produto: Schwarzbier
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 4,9%
- Nota: 3,12/5
Samuel Adams Boston Ale
- Produto: American Amber Ale
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 4,8%
- Nota: 3,16/5
Samuel Adams Octoberfest
- Produto: Marzen
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 5,5%
- Nota: 3,32/5
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Maio 18, 2013 No Comments
EUA 2013: Três cervejas da Flying Dog

Aberta em 1990 em Aspen, no Colorado, a Flying Dog Brewery conquistou rapidamente uma bela reputação entre os cervejeiros, coroada com a eleição da Flying Dog “Doggie Style” como a Melhor Pale Ale da América, em 1991, no Great American Beer Festival. Com a popularidade crescente, a cervejaria mudou-se de Aspen para Denver em 1994, e, em 2008, foi transferida para a cidade de Frederick, no Estado de Maryland. Adepta ferrenha da escola norte-americana de exageros “cervejisticos”, a Flying Dog mostra personalidade desde seus rótulos, desenhados por Ralph Steadman, ilustrador da obra de Hunter S. Thompson – uma frase do jornalista gonzo estampa todos os rótulos: “Good people drinking good beer” – até o conteúdo caprichado de suas garrafas. Com 10 rótulos em sua linha principal, nove na linha sazonal, e mais de 10 em tiragens limitadas, o cardápio da Flying Dog Brewery é um deleite. Exportada de Maryland para 45 Estados norte-americanos, as cervejas da Flying Dog já chegaram a figurar nas prateleiras brasileiras, mas uma reunião confusa de diversos fatores (mais sobre no último parágrafo) fez com a matriz norte-americana cancelasse a distribuição brasileira. Em Nova York, encontrei algumas delas. O relato segue abaixo.

No rótulo divertido, uma caveira de chapéu (com jeitão de Hunter S. Thompson) convida: “Ok! Let’s Party”. A festa aqui é comandada pela Flying Dog Gonzo Imperial Porter, uma delicia que reúne três estilos de maltes (Black, Crystal e Chocolate) e três de lúpulo (Warrior, Northern Brewer e Cascade) e já foi premiada com a medalha de ouro no World Beer Cup 2008. Já adianto: ouro merecido. Na taça, um liquido preto projeta um creme de formação e permanência excelentes. No nariz, tudo aquilo que você espera de uma Imperial Porter: café, chocolate, ameixa além de sensação de vinho do Porto e notas amadeiradas. Os 9,2% de álcool estão muito bem inseridos, mas é possível perceber algo leve no aroma. Já no paladar, o álcool aparece mais, mas no final da dose. O primeiro ataque é de doçura, com as notas frutadas (ameixa), adocicadas (chocolate) e derivadas de torrefação (café) surgindo ainda mais nítidas. De corpo médio para alto e textura indo do suave para o licoroso, a Flying Dog Gonzo Imperial Porter é o tipo de cerveja que pode viciar, de tão complexa e sensacional. Por exemplo, após tanta doçura no paladar, o retrogosto é levemente amargo, puxando para o final do copo de café. Uma delicia. Bora pra festa?

A próxima da lista é a Flying Dog Horn Dog Barley Wine, estilo surgido na Inglaterra buscando englobar cervejas tão fortes quanto vinho. No caso desta preciosidade da Flying Dog são cinco tipos de malte (Crystal, Munich, Carastan, Chocolate e 2-Row Pale) e três de lúpulo (German Perle, Northern Brewer e Cascade) que, após o processo tradicional de ales, é maturada em barris de carvalho por três meses (há edições especiais com 13 meses de envelhecimento disponíveis apenas no bar da cervejaria) com uma segunda maturação na garrafa (ou seja, ela continua se transformando). Na taça, um liquido de cor âmbar com leve turbidez revelou uma bela formação de creme de média permanência. No aroma, intensamente frutado e viciante, notas de mel, madeira, baunilha, pêssego, damasco, vinho do Porto e algo que remete a Coca-Cola vão e voltam remetendo a muitas outras coisas pelo caminho. No paladar, a textura licorosa logo remete a adocicado (melaço) e frutado (pêssego e nozes), mas a porrada de álcool (10,2%) não passa desapercebida, e belisca o céu da boca. O calor aquece a garganta e toma o corpo enquanto o retrogosto adocicado remete a banana caramelizada. Uma cerveja deliciosa para beber devagar (deixando esquentar) e sempre.

Fechando esse curto e embriagado passeio pelos rótulos da Flying Dog com o cachorro louco da cervejaria (de cueca e partindo pra cima da taça), a Double Pale Ale, uma cerveja de 11,5% de graduação alcoólica, e muita personalidade. A cor é âmbar cristalino e o creme tem boa formação e permanência. No aroma, o malte de caramelo chama a atenção, mas algo de herbal e cítrico (derivados do lúpulo) também se destacam ao lado do álcool, discreto, mas perceptível. No paladar, o amargor dá às boas vindas fazendo você pensar que está bebendo uma Double IPA e não uma Double Pale Ale. Notas cítricas e herbáceas se divertem encobrindo o melaço derivado do malte, que nada consegue fazer diante de tanta destreza amarga – até o álcool fica em segundo plano diante de tanto lúpulo. O corpo é de médio para alto e a textura macia e menos licorosa do que se espera de uma cerveja tão alcoólica. O calor sobe do peito, passa pela garganta e cora o rosto. Impossível ficar impassível. No retrogosto, amargor, amargor e mais amargor. Algo de cítrico, e, se você for a fundo, caramelo, mas o que pega aqui é amarração que o amargor deixa após passar tinindo pelo território. Para lupulomaniacos, afinal, de doce já basta a vida.
Onde encontrar Flying Dog no Brasil? Não tem. Na verdade, a Flying Dog foi uma das primeiras afamadas micro cervejarias norte-americanas a aportar no País, mas uma série de fatores envolvendo prazos de validade da cerveja norte-americana vendida no Brasil, regulamentações do governo brasileiro quanto à logística de transporte, e “inspiração” de rótulos da Flying Dog em cervejas nacionais, fez com que o imbróglio ficasse conhecido como o “Caso Flying Dog” (leia aqui e aqui) e que a matriz cancelasse sua parceria com a distribuidora nacional, a Tarantino – a Anderson Valley, que também integrava a mesma parceria, continua sendo importada, o que permite vislumbrar um retorno das Flying Dogs ao Brasil no futuro. Em Nova York e outras cidades norte-americanas, porém, é possível encontrar com facilidade (nos lugares certos) boa parte da linha tradicional da cervejaria ao preço de US$ 3 até US$ 4,50 (garrafas de 355 ml). Independente das várias leituras possíveis do Caso Flying Dog, o imbróglio levantou uma discussão interessante acerca das validades das cervejas que são importadas para o Brasil, e a ineficiência do governo brasileiro de lidar com este novo mercado, cada vez mais amplo e com mais sede. Enquanto isso, aguardamos uma nova oportunidade para beber Flying Dog em casa. Que não demore.
Flying Dog Gonzo Imperial Porter
- Produto: Imperial Porter
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 9,2%
- Nota: 4,45/5
Flying Dog Horn Dog Barley Wine
- Produto: Barley Wine
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 10,2%
- Nota: 4,29/5
Flying Dog Double Pale Ale
- Produto: Imperial IPA
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 11,5%
- Nota: 4,37/5
Leia também:
- Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
Maio 15, 2013 No Comments
Cinco cervejas da Dogfish Head

A Dogfish Head Brewery é uma cervejaria fundada na cidadezinha de Milton, no Estado de Dellaware, nos Estados Unidos. Saindo de carro de Nova York é só pegar a Interstate 78 e depois a 95 para, em 50 minutos, estar na terra de Sam Calagione, um cara que se apaixonou por cervejas artesanais quando trabalhou em um brewpub na Big Apple, e não descansou enquanto não realizou o sonho de ter sua própria cervejaria. Milton tem menos de 3 mil habitantes, mas as cervejas de Sam viajam por todos os Estados Unidos. Atualmente, a produção da cervejaria é de 75 mil barris, e o pessoal não descansa, partindo sempre atrás do exótico. Isso fica muito claro no programa Mestres Cervejeiros, da Discovery Channel (é exibido no Brasil atualmente no Travel & Living Channel, TLC), apresentado pelo próprio Sam Calagione. O programa gravado em 2010 ficou no ar apenas uma temporada, e os seis primeiros programas podem ser comprados na Amazon por US$ 1,99 cada (ou 7,99 todos). Vale para conhecer o pensamento cervejeiro de um grande cara. Abaixo, cinco cervejas Dogfish Head.

Quem já assistiu a algum episódio de Mestres Cervejeiros, com certeza já deve ter percebido a fixação que Sam Calagione tem por receitas antigas. E a Dogfish Head Midas Touch foi a primeira cerveja que o pessoal de Delaware produziu (em 1999) tendo por base material antigo, neste caso ingredientes coletados em tachos de 2.700 anos de idade encontrados no túmulo do Rei Midas. Além, a receita desta ale tradicional leva uva moscatel, mel e açafrão. Na taça, o líquido é dourado e a espuma tem média formação e persistência. O aroma é ótimo com notas cítricas que remetem a uva e condimentos (lembra muito a uva Chardonnay), um pouquinho de acidez assim como também de mel e nada dos 9% de álcool. No paladar, a acidez surge em primeiro plano dando as cartas, mas deixando um interessante adocicado em segundo plano (e salgado nas notas finais). O retrogosto é intenso de uva lembrando, e muito, vinho branco. Que tal troca-lo por esta belíssima cerveja?

No site oficial, Calagione apresenta a Dogfish Head Aprihop, feita pela primeira vez em 2004, como “a nossa fruit beer para lúpulomaníacos”. Isso porque a Aprihop traz, além de lúpulos Amarillo e maltes Cristal e Pilsner, adição de damascos (a fruta mesmo) em sua fórmula. Na taça, o liquido de cor âmbar translucido exibe uma boa formação de espuma. No aroma, o cítrico (laranja) e frutado (damasco) se exibem para alegria dos hopheads. Há ainda notas de adocicadas (que remetem a pão) e herbais (grama). No paladar, como uma boa IPA, a Aprihop traz o amargor como primeiro ataque, mas não espere tanta aspereza, pois o frutado e o cítrico constroem um cenário interessante com sensação de laranja, damasco, mel e um final seco e deliciosamente complexo (mel e cítrico de mãos dadas) e refrescante. O retrogosto é levemente amargo abrindo o caminho para a próxima Aprihop (os 7% de álcool podem derrubar desavisados, já que eles brilhantemente não aparecem no conjunto).

Partimos para a Dogfish Head Palo Santo Marron, uma Imperial Brown Ale, se isso existisse. Nascida de testes que se transformaram rapidamente em sucesso no brewpub da cervejaria, a Palo Santo Marrom leva esse nome por ser maturada em barris de madeira paraguaia Palo Santo (construídos especialmente a pedido da Dogfish). Na taça, um liquido de cor intensamente preta forma um colarinho marrom de bela formação. O aroma é espetacular: o malte torrado se desprende em notas de chocolate, cacau, café, ameixa, figo, baunilha e conhaque (isso mesmo). Depois de tanta surpresa no aroma, é um desafio esperar que o paladar igualasse a experiência, mas uma nova surpresa lhe aguarda: de textura licorosa, a Dogfish Head Palo Santo Marron repete nota a nota as percepções aromáticas acrescentando calor no peito (são 12% de graduação alcoólica) e um adocicado persistente que deve conquistar chocólatras. O retrogosto remete a Irish Coffee gelado. Cade? Quero mais!

A próxima é a Dogfish Head Raison D’Etre, uma Belgian Dark Strong Ale com açúcar de beterraba e uvas passas na receita (Sam Calagione é, definitivamente, maluco). Na taça, um líquido de cor âmbar exibe uma formação média de espuma, que no entanto permanece com um fio durante um bom tempo. No aroma, notas intensas de frutado remetem a frutas secas e também à madeira, baunilha, cookies, menta e álcool (os 8% de graduação alcoólica se exibem com formosura) além de toques florais. No paladar, a doçura surge em primeiro plano com picadas alcoólicas surgindo na sequencia, mas não surtindo nem amargor, nem tanta acidez (apesar da sensação de uvas verdes), apenas uma leve adstringência devido à textura – entre vivaz e o licoroso. Há notas de caramelo também. Novamente, como na Palo Santo Marron, há uma sensação de conhaque, menos intensa na Raison D’Etre, mas sensível. O retrogosto é totalmente adocicado e intenso – como uma bala de doce de leite/baunilha alcoólica. Deliciosa.

Fechando esse primeiro passeio pelas cervejas de Sam Calagione, nada melhor que a primeira da turma, Dogfish Head Punkin Ale, cuja receita foi feita em 1994, seis meses antes de a cervejaria ser aberta. Atualmente, a Punkin Ale é um dos cavalos de batalha da Dogfish Head, e o pessoal de lá recomenda: se encontrar, compre, porque todo ano esgota. Segundo Sam, essa foi a primeira cerveja de abobora dos Estados Unidos, a que fez a Brewers Association incluir o verbete de categoria em sua lista. Na taça, o liquido de cor âmbar recebeu uma formação de creme generosa e de média persistência. No aroma, a abobora (que faz parte da fórmula junto ao açúcar mascavo e a especiarias) se destaca no primeiro plano com resquícios de canela, mas há percepção de malte levemente tostado. No paladar, a abobora continua se sobressaindo enquanto o malte abre espaço com melaço e as especiarias surgem mais presentes na forma de canela, cravo e noz moscada (principalmente na parte final do gole) sem nenhuma percepção dos 7% de álcool. O retrogosto é adocicado com a abobora marcando presença e pedindo outra dose. Clássica.
A Dogfish Head ainda não é exportada para o Brasil (aló importadores, vale a pena), e mesmo nos Estados Unidos é preciso ir atrás dos lugares certos. A dica é fuçar a dica de locais do Ratebeer. Estas cinco cervejas acima foram compradas em dois lugares em Nova York: no distribuidor New Beer e no Whole Foods Market, do Bowery, mas também vi cervejas da Dogfish Head no Top Hops Beer Shop. O preço é mais em conta na New Beer, por ser uma distribuidora, mas a diferença é de centavos, e você irá pagar entre2,25 dólares até 4 dólares cada garrafa de 355 ml (dependendo da cerveja). Além destas cinco é possível encontrar muitas outras, como a belíssima edição especial em comemoração aos 40 anos do álbum “Bitches Brew”, de Miles Davis, ou mesmo uma em homenagem a Robert Johnson. Vale muito ir atrás.
Dogfish Head Midas Touch
- Produto: Spice / Herb / Vegetable Beer
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 9%
- Nota: 3,76/5
Dogfish Head Aprihop
- Produto: India Pale Ale com Damascos
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 7%
- Nota: 3,88/5
Dogfish Head Palo Santo Marron
- Produto: American Brown Ale
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 12%
- Nota: 4,81/5
Dogfish Head Raison D’Etre
- Produto: Belgian Dark Strong Ale
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 8%
- Nota: 3,90/5
Dogfish Head Punkin Ale
- Produto: Pumpkin Ale
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 7%
- Nota: 3,79/5
Leia também:
- Ranking Pessoal -> Top 200 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
Maio 13, 2013 No Comments
EUA 2013: Quatro cervejas em Nashville

1) Turtle Anarcky Rye IPA, de Franklin, Tennessee

2) Rock Bottom Speacility Dark, de Nashville, Tennessee *

3) Shock Top Belgian White, de St Louis, Missouri

4) May Day ‘Boro Blond, de Murfreesboro, Tennessee
Ps. A Rock Bottom tem mais de 30 pubs espalhados pelo país, e cada um produz a cerveja que é consumida na casa.
Abril 27, 2013 No Comments
Cinco cervejas da Rogue (Parte 2)

Neste segundo passeio pela cervejaria responsável por alguns dos mais belos rótulos encontrados nas prateleiras, mais cinco cervejas. Ok, você está observando seis na foto, mas é que Rogue Red Fox Amber Ale é a versão de importação para o Oriente da Rogue American Amber Ale, uma das cervejas do texto anterior. Então, colocando ordem na casa, temos duas versões em garrafas de 600 ml (Rogue MoM Hefeweizen with Rose Petals e Rogue Dad’s Little Helper Black IPA, as duas numa faixa de preços entre R$ 36 e R$ 40) e três em garrafas de 355 ml: Saint Rogue Red Ale Dry Hopped, Rogue Juniper Pale Ale e Rogue Juniper Pale Ale. Juntando ao primeiro grupo somamos 10 Rogues neste espaço. Mas ainda falta muito… No entanto, nada de chorar pela cerveja que ainda não bebemos. Abaixo, mais Rogue.

No belo rótulo, uma matriarca levanta um brinde de cerveja com uma rosa vermelha nas mãos. Não é à toa. Com dois tipos de malte (Trigo e Great Western), apenas um de lúpulo (Sterling) mais água de rosas, pétalas de rosas (da cidade de Eugene, no Oregon) e mel, a Rogue MoM Hefeweizen with Rose Petals é uma surpresa. De cor dourada e cristalina, e boa espuma, a MoM Hefeweizen with Rose Petals traz no aroma notas florais tão intensas que a sensação é de que a garrafa foi aberta dentro de um jardim. Os maltes ainda trazem para o conjunto notas de trigo e biscoito. De corpo e textura leves, o paladar replica a sensação do aroma com as rosas dominando a atenção, mas aqui o lúpulo surge de forma perfeita colocando uma boa dose de amargor logo após a primeira sensação floral, embora o retrogosto volte a priorizar as rosas numa cerveja altamente refrescante e de alto drinkability.

Com três tipos de malte (Great Western, Carastan e Crystal) e outros três de lúpulo (Chinook, Perle e Centennial), a Saint Rogue Red Ale Dry Hopped, medalha de ouro no World Beer 2011, é mais uma American Amber Ale do pessoal de Oregon, e, ouso dizer, a melhor. Boa parte do mérito deve-se ao fabuloso dry hopped, que deixa o aroma dessa santinha espetacular. A cor é cobre avermelhada, e a espuma, belíssima. No aroma, divino, traz notas frutadas e cítricas (um pouco de maracujá aqui, um pouco tangerina ali) surgidas do dry hopped. O malte tostado preenche a cota restante do olfato com doses generosas de caramelo. No paladar, os lúpulos fazem uma festa cítrica distribuindo notas de cascas de limão e maracujá enquanto o malte, querido de todas as Amber, aparece em segundo plano apenas balanceando o conjunto. O retrogosto, adivinhe, é… amargo. E cítrico. E levemente maltado. Uma delicia.

Na sequencia, com quatro tipos de malte (Maier Munich, Crystal, Triumph, C-15 e Great Western), três de lúpulo (Styrian Golding, Amarillo e Perle) mais adição de zimbro, planta comumente utilizada no preparo do gim, surge a Rogue Juniper Pale Ale. Na taça, o liquido de cor âmbar, totalmente turvo, exibe uma bela espuma de ótima permanência – padrão de qualidade Rogue. No aroma, a união de lúpulos com o zimbro cria notas que valorizam o herbal (pinheiros) e o cítrico (limão e casca de laranja) com uma leve sensação metálica e condimentada. No paladar, o amargor e a acidez dominam o conjunto causando certa adstringência, e também proporcionando refrescância. O zimbro reina sobre as papilas, amarrando o céu da boca enquanto é cortejado pelos lúpulos, que fazem um belo trabalho. O final é seco, e o retrogosto reforça o uso do fruto pouco habitual. Interessante.

No caso da Rogue Buckwheat Ale, o rótulo em japonês já chama a atenção (há ainda uma versão norte-americana do rótulo). O motivo principal é a inclusão de trigo-sarraceno, um tipo muito utilizado na cozinha japonesa, em sua fórmula, que ainda traz três tipos de malte (Pale Ale, Munich e Carastan) mais lúpulo Crystal. No taça, uma cerveja dourada e quase cristalina exibe uma bela formação de espuma. No aroma, a força do trigo-sarraceno é marcante e remete inicialmente a arroz e cereais, mas logo se desdobra em notas frutadas (abobora), herbais (grama), florais e adocicadas (mel). O paladar, levíssimo, é novamente tomado pelo trigo-sarraceno, que aplica doçura no primeiro ataque, mas, na sequencia, há percepção de abóbora, mel e um amargor interessante balanceando o conjunto. O retrogosto distribui bem as notas de amargor, doçura e acidez em uma cerveja levíssima (apenas 2,9%) e interessante.

Para fechar este segundo passeio pelo cardápio da Rogue, já que começamos o post com uma mãe, nada mais correto do que fechar com um pai: eis a Rogue Dad’s Little Helper Black IPA, uma cerveja especial para… o Dia dos Pais. Isso mesmo. São quarto tipos de malte (Great Western, Malteries Franco-Belges Carawheat, Weyermann Melanoidin, Wyermann Carafe Special II) e três de lúpulo (Newport, Chinook e Cascade) resultando em uma cerveja escura, apesar de exibir feixes claros no fundo da taça. O creme formou bonito e manteve a persistência. No aroma, apesar da intensidade de tons do malte torrado, é a alta carga de lúpulo que chama a atenção com uma sensação forte de notas cítricas, que se juntam aos tradicionais aromas de chocolate e café. No paladar, uma porrada de amargor com um leve acidez e sensação de salgado. Doçura passou longe da taça. O final é seco, mas o retrogosto não deixará você esquecer o malte torrado e os lúpulos: haja amargor. Para apaixonados.
Rogue Mom Hefeweizen with Rose Petals
- Produto: American Wheat
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 5%
- Nota: 2,95/5
Saint Rogue Red Ale Dry Hopped
- Produto: American Amber Ale
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 5,3%
- Nota: 3,81/5
Rogue Juniper Pale Ale
- Produto: American Pale Ale
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 5,9%
- Nota: 3,03/5
Rogue Buckwheat Ale
- Produto: Spice / Herb/ Vegetable Beer
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 2,9%
- Nota: 3,04/5
Rogue Dad’s Little Helper Black IPA
- Produto: Black IPA
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 7%
- Nota: 3,65/5

Leia também:
- Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
- Cinco cervejas da Rogue (Parte 1), por Mac (aqui)
Abril 25, 2013 No Comments
Duas cervejas caseiras: Zap e Charlipa

Cerveja artesanal ou caseira é a cerveja feita em casa, no conforto do lar, geralmente em quantidades que vão de 6 litros até 50 litros (às vezes mais, raramente menos). Muitas vezes são experimentos para amigos felizardos – e para o próprio mestre-cervejeiro. Na maioria das vezes, porém, é um mergulho em um universo apaixonante que permite uma centena de milhares de resultados. Os alemães, em 1516, criaram a Reinheitsgebot, a conhecida Lei da Pureza, que permitia apenas água, cevada e lúpulo no processo (estava faltando trigo para o pão de cada dia, e a levedura, ainda desconhecida, só foi inclusa na receita no século 19), os belgas pouco se lixaram e colocaram condimentos, frutas e casca de laranja no mosto enquanto os norte-americanos, séculos depois (mais propriamente a partir dos anos 80), chutaram o balde em suas versões personais e exageradas. Tudo isso abre um leque de possibilidades para cada um fazer sua própria cerveja em casa. Abaixo, dois exemplos:

De Joinville, em Santa Catarina, surge a Zap Firebird Lovers, de Willian Fernando Petla, uma Golden Strong Ale de belo rótulo e muita responsa – entre as belgas mais populares do estilo estão “apenas” a Delirium Tremens e a Duvel. “Quando fiz essa cerveja, queria algo forte no álcool, mas que 1) fosse fresca e 2) fosse fácil para harmonizar”, explicou Willian, que me deu duas garrafas (com a orientação de “uma pra logo, outra pra daqui seis meses” – estou abrindo a primeira hoje!) quando nos encontramos no 5ª Festival Brasileiro de Cervejas, em Blumenau. “Moro em Joinville, que é muito quente. Eu e a patroa gostamos muito de cozinhar. E acho que o adocicado dela é bom para acompanhar comida. Ele quebra o sal sem ser enjoativa. Mas confesso que queria algo mais carbonatado do que ficou”, completa. Sou suspeito, afinal, além de ser fã de belgas adocicadas e alcoólicas, as portas do mundo cervejeiro se abriram para mim após conhecer a Duvel, na Bélgica, anos atrás.
Na taça, a cor da Zap Firebird Lovers fica naquela fase em que o amarelo está se transformando em âmbar trazendo, ainda carregando uma leve turbidez. O creme teve boa formação e permanência. No ótimo aroma, sensação de notas frutadas (abacaxi e banana, com a segunda em destaque), adocicadas e, ao fundo, condimentadas. Há, ainda, percepção de floral e cítrico (conforme ela esquenta, o álcool surge mais presente). No paladar, entre os gostos básicos, o primeiro ataque é de acidez e doçura, quase que ao mesmo tempo, com um residual salgado e falsa sensação de amargor, provocada pelos muito bem inseridos 8% de álcool (que esquentam a garganta). Há reforço de notas frutadas (banana, pêssego em calda) e algo que, para mim, remeteu a chiclete, que fazem a doçura se sobressair no conjunto. Um dos destaques é o levíssimo amargor que surge exatamente logo após o fim do gole, como que cortando a doçura, que, vitoriosa, irá retorna marcante no retrogosto. Muito boa!

De Joinville para o Guaíba, no Rio Grande do Sul. É de lá que vem a linha Voadeira, ainda em seu primeiro lançamento, uma India Pale Ale com o belíssimo rótulo Charlipa, edição especial em homenagem à Charlinho, mascote do site Birrinhas, um complô dos irmãos Bruno, Cirilo e Leonardo Dias, mais eu, Daniel Calasans e Aline Soterroni (só gente confiável). O mestre cervejeiro é velho conhecido desse espaço: Ândrio Maier Barbosa, ex-Superguidis, atual Medialunas (e outros vários projetos), é o responsável pela Voadeira, carinhosamente chamada de Cerveja Marginal. Ândrio fala dessa versão India Pale Ale que inaugura o cardápio da casa: “Eu queria uma IPA tipo as norte-americanas, com lúpulo bastante pronunciado, cítrico e sem medo de exageros. Nessa última leva (apresentada no IPA Day, em Porto Alegre), acertei com o uso do lúpulo Sterling (parente do quase raro Cascade, que eu andava atrás originalmente) para o aroma e dry-hopping”, explica.
Na taça, a Voadeira Charlipa India Pale Ale exibe uma cor âmbar, com feixes alaranjados e uma turbidez intensa. O creme teve boa formação e estabilidade. O aroma capricha naquilo que o mestre cervejeiro propõe: muito lúpulo norte-americano (Nugget e Challenger), embora o resultado esteja mais próximo de uma English India Pale Ale (cuja graduação alcoólica de 5% se encaixa no estilo – os norte-americanos, extremistas, jogam o álcool acima de 6%), apesar de sua natureza cítrica. No aroma, que fará palpitar os lúpulo-maníacos, muito cítrico (com sensação de abacaxi e maracujá), herbal (grama) e presença discreta (mas perceptível) de melaço de malte. No paladar, a alta carga de lúpulo distribui amargor e notas cítricas para lá e para cá enquanto uma leve acidez toca o céu da boca e o malte, mero personagem de luxo, se esconde assustado. O final é seco, mas o retrogosto amargo permanece e é nessa hora que os 5% de álcool colaboram aumentando o drinkability e pedindo por mais uma. Bora?

A foto que abre o post é da fervura da Voadeira, por Andrio
Leia também:
- Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
Abril 24, 2013 No Comments
De Curitiba: Way, Bodebrown, Pagan

Um das cervejarias de grande destaque de 2012 – ano em que colocou no mercado a Roller Coaster IPA, a Double American Pale Ale, a Amburana Lager e um kit single hop –, a Way Beer lançou no 5ª Festival Brasileiro de Cervejas, em Blumenau, sua Avelã Porter, uma cerveja escura e de boa espuma que chamou bastante atenção no evento. No aroma, o malte torrado surge em destaque ao lado das notas de avelã, intensas e convidativas – como se você tivesse aberto um caixinha de Amandita. No paladar, no entanto, a força dos lúpulos cítricos norte-americanos embaralham as sensações sobre uma nuvem densa de malte torrado que remete a café. O Avelã, ainda assim, faz um charme no primeiro ataque, mas logo é soterrado pelo malte torrado, que domina daí em diante até o retrogosto, levemente amargo nos primeiros segundos, mas o final longo ainda permite ao avelã uma interessante revanche. Boa Porter!

Principal vencedora do I Concurso Brasileiro das Cervejas, em Blumenau, com 5 medalhas de Ouro, 2 de prata e 4 de Bronze, a Bodebrown estreou uma campeã: a dona de uma das 5 medalhas douradas foi a Cacau IPA, 1º lugar na categoria Chocolate Beer, e maior sucesso da feira (garrafas e barris esgotaram na sexta, 3º dia do festival, deixando aqueles que foram no sábado curiosos). Parceria dos curitibanos com Greg Koch, da cervejaria californiana Stone Brewing, a Cacau IPA traz em sua fórmula Cacau de Ilhéus torrado e triturado. A cor é um âmbar turvo. O creme é denso e persistente. No aroma, o cacau surge intenso ao lado das notas cítricas derivadas de lúpulo, incorporando maracujá e lima. Há, ainda, sensação de caramelo e, conforme a cerveja aquece, mais cítrico. No paladar, a doçura do Cacau (e do malte) suavizam o amargor do lúpulo, que chega a dominar a sensação em alguns momentos, e até se sobressai no retrogosto, mas não assusta desacostumados com IPAs norte-americanas. A sensação é de que Stone e Bodebrown conseguiram incluir doçura no amargor de uma IPA, e isso é o grande mérito desta belíssima cerveja.

Para fechar este post paranaense, mais um rótulo premiado no 5ª Festival Brasileiro de Cervejas, em Blumenau: a Pagan India Pale Ale saiu do evento com a medalha de ouro na categoria respeitosa das English-Style India Pale Ale, também merecidamente. Os modelos Pagan Strong Bitter e Pagan Porter já mostravam uma queda da turma pelo modo inglês de produzir cervejas, o que essa Pagan India Pale Ale aka Valhala Incursion Ale apenas coroa. A cor é um acobreado levemente turvo, e a espuma de média formação. No aroma, o malte coloca notas de mel e caramelo como entrada para uma festa de lúpulos Goldings e Fuggles, que revelam frutas secas (ameixas), notas florais, herbais (grama molhada) e algo de madeira. O paladar traz um início equilibrado entre dulçor e amargor, mas depois vai bailando conforme a música no salão: um pouco de amargor frutado de um lado, um pouco de melaço de malte do outro, e segue o baile (com uma tendência clara aos primeiros dançarinos). O final é seco alternando percepção de amargor, doçura e sensação cítrica. Ótima!
As três cervejas já estão no mercado, podendo ser encontradas em bons empórios. A Way Avelã Porter sai entre R$ 9 e R$ 12 (garrafa de 310 ml) enquanto a Pagan India Pale Ale fica entre R$ 11 e R$ 13 (355 ml) e Cacau IPA sai entre R$ 20 e R$ 25 (garrafa de 300 ml).
Way Avelã Porter
- Produto: Porter
- Nacionalidade: Brasil
- Graduação alcoólica: 5,6%
- Nota: 3,27/5
Bodebrown Cacau IPA
- Produto: India Pale Ale
- Nacionalidade: Brasil
- Graduação alcoólica: 6,1%
- Nota: 3,88/5
Pagan India Pale Ale
- Produto: India Pale Ale
- Nacionalidade: Brasil
- Graduação alcoólica: 7,1%
- Nota: 3,34/5

Leia também:
- Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
- De Curitiba, cinco cervejas da Bodebrown (aqui)
- Bodebrown Hop-Weiss, IPA Perigosa e a Wee Heavy (aqui)
- Sobre a Pagan Strong Bitter e Pagan Porter (aqui)
- O projeto single hop da Way Beer (aqui)
- Roller Coaster IPA, uma das melhores cervejas da Way (aqui)
- Uma das melhores do país: Way Double American Pale Ale (aqui)
- Way Amburana Lager: eles acertaram de novo (aqui)
Abril 22, 2013 No Comments
Da Bélgica, Malheur Dark Brut

A história da cervejaria De Landtsheer remonta a 1773, quando Balthazar De Landtsheer fundou a casa em Buggenhout, uma cidade de pouco mais de 14 mil habitantes na região flamenga dos Flanders Orientais, meio do caminho entre Bruxelas e Antuérpia – e também principal região de cultivo de lúpulo na Bélgica. Cinco gerações da família tocaram o negócio de cerveja até a Segunda Guerra Mundial, quando os Landtsheer foram obrigados a fechar a fábrica (embora a família continuasse a plantar lúpulo). Corte para 1997, ano em que Manu De Landtsheer resolveu reabrir a cervejaria e trabalhar uma linha de cervejas chamada Infortúnio (Malheur, em francês). O especialista em cerveja Michael Jackson visitou a fábrica logo após sua reabertura, e conta detalhes em um texto empolgante de 1998 (leia aqui).
A linha tradicional da Malheur traz quatro rótulos: 6, 8, 10 e 12. Além há uma Bière Brut World Classic (rótulo amarelo), Cuvée Royale (rótulo azul) e a Dark Brut (rótulo cinza). Recentemente, a De Landtsheer lançou uma nova linha, Novice, com dois rótulos: Blue e Black Triple. Esse exemplar da foto é uma Malheur Dark Brut que, como uma tradicional Bière Brut, segue o método champenoise, sendo que o ponto de partida desta é uma receita de Malheur 12, uma Belgian Dark Strong Ale (ou seja, uma cerveja escura!). Após a tradicional fermentação e maturação, ela passa por uma segunda maturação em barricas de carvalho norte-americano jovens, especialmente desenvolvidas para cerveja. A levedura é retirada usando o tradicional método de ‘remuage’ na sequencia e o líquido é engarrafado. Surge a Malheur Dark Brut.
Eis uma cerveja com 12% de álcool, de cor marrom (com feixes vermelhos) e boa formação de uma espuma bege. No nariz, um universo: primeiro surgem notas de madeira derivadas da barrica, e, quase ao mesmo tempo, vem o frutado (damasco, frutas secas, ameixas, framboesa) e as notas que remetem a vinho (tanto Porto quanto Xerez) e condimentos (pimenta do reino). O malte levemente tostado se dispersa em notas de mel, açúcar queimado, rapadura e baunilha – com leve sensação de café. No paladar, a primeira sensação é de doçura, com remissão a mel e açúcar queimado. Há uma leve acidez, um pouco de salgado e o amargor derivado do álcool, que aquece o peito quase que imediatamente. O retrogosto é sensacional: uvas, Xerez, damasco, toffee, bananada, baunilha. Melhor abrir outra garrafa…
Bem, calma: se você é (tão pé rapado) como eu, não dá para sair abrindo uma Malheur Dark Brut atrás da outra #classemediasofre. Eis uma cerveja para ocasiões especiais: o preço da garrafa de 750 ml vai de R$ 90 a R$ 194 (preços confirmados em dois sites diferentes), o que mais uma vez permite a dica: pesquise sempre. A faixa de preços mais comum que você irá encontrar é entre R$ 90 e R$ 100, o que a coloca mais em conta que uma DeuS, que, inclusive, é produzida na mesma cidade de Buggenhout. Ou seja: 14 mil habitantes que tem fácil acesso a carta da De Landtsheer – incluindo todas as Malheur – e da Bosteels Brewery, que além da DeuS produz “só” a Tripel Karmeliet e a Kwak. Tudo isso faz o nome Infortúnio soar uma grande (e deliciosa) piada.

Malheur Dark Brut
- Produto: Bière Brut
- Nacionalidade: Bélgica
- Graduação alcoólica: 12%
- Nota: 4,47/5
Segundo o pessoal da Malheur, você precisa seguir o mesmo processo da Brut, exposto calmamente no vídeo acima, para servir a Dark Brut…
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Abril 21, 2013 No Comments
Cinco cervejas da Rogue (Parte1)

Inaugurada como pub às margens de um rio em Ashland, no Oregon, em outubro de 1988, a Rogue precisou sair de sua cidade natal para prosperar. O local escolhido foi um prédio na área portuária de Portland, alugado em 1989 sob um contrato de clausulas hilárias (vale conferir no site oficial), e que passou a se tornar sede da cervejaria. Com o tempo, o capricho dedicado a seus rótulos personais e um extenso cardápio de cervejas que, hoje em dia, conta com mais de 60 tipos (entre sazonais, especiais e regulares), a grande maioria com medalhas em concursos ao redor do mundo, a Rogue se tornou um grande estrela no cenário micro cervejeiro norte-americano. John C. Maier, o mestre cervejeiro da empresa, está na Rogue desde 1989 honrando o lema “variedade é o tempero da vida”. Das cervejas que veremos abaixo, as quatro primeiras custam entre R$ 13 e R$ 22 (garrafas de 330 ml) enquanto a Rogue Irish Style Lager pode chegar a R$ 40 (garrafa de 600 ml).

Criada no pub original da Rogue em Ashland, Oregon (destruído por enchentes tempos depois), a Rogue American Amber Ale mantém em seu currículo mais de 40 medalhas em concursos mundo afora e reúne três tipos de malte (Great Western 2-Row Malts, C120 e C150) e apenas um estilo de lúpulo, Cascade. De cor âmbar e espuma amarelada densa e persistente, a Rogue American Amber Ale traz no aroma notas maltadas que se desprendem remetendo a mel, caramelo e pão. A presença do lúpulo Cascade remete a algo de terroso (e de terra molhada devido à chuva) e herbal. No paladar, o corpo é médio e a textura levemente adstringente. No primeiro toque, a doçura do malte chama a atenção, mas na sequencia surge o lúpulo equilibrando o conjunto de forma interessante. O retrogosto desta bela American Amber Ale é inicialmente terroso e amargo, mas vai se tornando levemente adocicado.

De uma Amber Ale para uma Brown Ale: a Rogue Hazelnut Brown Nectar reúne sete tipos de malte (Great Western 2-Row, Brown, Carastan 13/17, Crystal 70/80, Crystal 135/165, Beeston Pale e Chocolate), dois de lúpulo (Perle e Sterling) e ainda recebe adição de avelã em sua fórmula. A cor é um marrom bem mais intenso do que a Rogue American Amber Ale, e espuma mais suave, mas tão persistente quanto. No aroma não espere outra coisa além da doçura do avelã. O fruto domina as sensações de olfato remetendo a amêndoas (mais precisamente amandita), bolacha champagne e, muito levemente a café e caramelo. No paladar, a doçura domina, mas não enjoa. O avelã surge suavemente e vai carregando tudo que vê pela frente deixando rastros pelo céu da boca e garganta, porém, o que fica ao final é uma deliciosa sensação de cappuccino. Uma das mais personais da linha tradicional da casa. Perfeita. E, detalhe: já acumula mais de 50 medalhas em torneios.

Produzida para os Jogos Olímpicos de Inverno, em Salt Lake City, 2000, a Rogue Yellow Snow IPA e mais um belo exemplar norte-americano do estilo Indian Pale Ale. São três tipos de malte (Cara Foam, Melanoiden e Great Western 2-Row) e dois estilos de lúpulo (Amarillo e Perle) em alta dosagem elevando o IBU até 70. Levemente turva e de espuma tão intensa quanto duradoura, a Rogue Yellow Snow IPA traz no aroma um de seus principais destaques sensórias: a força dos lúpulos que despejam na atmosfera notas cítricas, frutadas e herbais desmembrando-se em maracujá, abacaxi, maçã verde, casca de laranja, manga, pinheiros e cereais. O paladar honra o estilo: o amargor chega metendo o pé na porta, sem pedir licença e muito menos abaixando a cabeça. Há alguma doçura, mas dificilmente você irá se concentrar nela, pois do começo até o retrogosto é só lúpulo e amargor. Ela soma 9 medalhas sendo três de ouro em um tricampeonato no World Beer Championships (2010/2011/2012).

No inicio dos anos 90, a Rogue criou uma Helles Bock para celebrar o Dia de Finados (01 de novembro). Era apenas uma torneira em um pub de Portland, no Oregon, mas a recepção foi tão positiva que a cervejaria decidiu inclui-la no cardápio de cervejas da casa. Nascia mais um hit (com quase 30 medalhas em campeonatos): Rogue Dead Guy Ale. São três tipos de maltes (2-Row, Maier Munich e C15) e dois estilos de lúpulos (Perle e Sterling, substituto norte-americano para o clássico Saaz) que resultam em uma cerveja de cor âmbar e, praxe da casa, belíssimo creme. No aroma discreto, malte e lúpulo dividem as atenções com notas de caramelo, toffee, melaço, floral e herbal. No paladar, malte e lúpulo permanecem equilibrados permitindo tanto percepção de caramelo quanto de cítrico. Ainda assim, a doçura se sobressai discretamente ao amargor, que retorna no retrogosto também equilibrado – um bom adjetivo para todo o conjunto de uma cerveja que foi adotada pelos fãs do Grateful Dead.

Para encerrar esse primeiro rápido passeio pelo cardápio da Rogue, uma Irish Style Lager (antes conhecida como Rogue Kells Irish Style Lager), cerveja de receita europeia que deu trabalho ao mestre cervejeiro John Maier: apenas na quarta tentativa ele conseguiu o resultado que buscava. A receita junta cinco tipos de maltes e dois de lúpulo com levedura tcheca (ao contrário de todas as anteriores, que usam levedura norte-americana). O resultado é uma cerveja de cor amarelo palha com leve turbidez a frio. A espuma novamente é um destaque, bela, cremosa e persistente. O aroma com notas de malte e de lúpulo é bastante discreto e remete a cereais, trigo e pão (há tanto floral quanto herbal, mas é preciso busca-los no copo). O paladar levíssimo e refrescante reforça a impressão discreta do aroma: o amargo dos lúpulos Sterling e Perle são responsáveis pelo primeiro ataque, mas o conjunto de malte coloca as coisas em pé de igualdade em uma cerveja de alto drinkability.
Rogue American Amber Ale
- Produto: American Amber Ale
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 5,1%
- Nota: 3,60/5
Rogue Hazelnut Brown Nectar
- Produto: American Brown Ale
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 6,2%
- Nota: 3,91/5
Rogue Yellow Snow IPA
- Produto: India Pale Ale
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 6,2%
- Nota: 3,30/5
Rogue Dead Guy Ale
- Produto: Helles Bock
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 6,6%
- Nota: 3,34/5
Rogue Irish Style Lager
- Produto: Premium American Lager
- Nacionalidade: EUA
- Graduação alcoólica: 5,2%
- Nota: 2,75/5
Leia também:
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Abril 18, 2013 No Comments
Três cervejas: Ramée, Anderson, Invicta

No rótulo, o ano de 1216 refere-se a data inicial da construção da Abadia de La Ramée, no Brabante Valão, na Bélgica. A abadia sofreu com as guerras religiosas, foi demolida e reconstruída várias vezes até que, em 1980, foi tombada pelo patrimônio histórico (e é tido como o maior monumento da arquitetura valã). O prédio atual, que pode ser visitado, é do século 18, e os monges ainda produzem queijos suaves (lavados na cerveja), patês de carne de porco e três estilos de cerveja: Ramée Blanche, só vendida na pressão, e as duas garrafas que chegaram ao Brasil: Rameé Blond, uma Golden Strong Ale (gostei e falei dela aqui) e Ramée Ambree, uma Dark Strong Ale de cor âmbar, espuma majestosa com direito a perlage (renda belga). No aroma, a presença da levedura se destaca com um toque cítrico (abacaxi) e condimentado enquanto o malte tostado se desdobra em notas frutadas (ameixas) e adocicadas (caramelo e bananada). O corpo é médio e a textura levemente licorosa. A acidez chama a atenção em primeiro plano, mas há doçura, amargor (bem suave e advindo do álcool, e não do lúpulo) e salgado. Ao final, a lembrança é tanto cítrica quanto adocicada e alcoólica, tudo presente no belo retrogosto, talvez o mais destaque da Ramée Ambree.

Em 2007, no aniversário de 20 anos da Anderson Valley, os californianos lançaram uma Imperial IPA que contava com mais de 20 adições de lúpulo Pacific Northwest durante o processo. Após o lançamento, a turma da cervejaria debruçou-se sobre a Imperial IPA, e decidiu alterar a receita: sai de cena o lúpulo Pacific Northwest e entra o trio Columbus, Chinook e Cascade. Desta forma, a Imperial IPA se aposenta e surge a Anderson Valley Heelch O’Hops, uma Double IPA apaixonante. Na cor, um alaranjado carregado de turbidez chama a atenção. A espuma é bela riscando o copo de renda belga e permanecendo presente por um bom tempo. Nos aromas, a força dos lúpulos: muito cítrico, um pouco de herbal e floral mais frutado (puxado pelo cítrico: abacaxi, maracujá, manga) e leve percepção de álcool. No paladar, o amargor surge intenso com o adocicado dos maltes Pale Two-Row e Victory tentando aparar com caramelo as arestas da pancada de lúpulo, e tornar o conjunto não tão agressivo. O retrogosto é amargo e amargo. E amargo. Sob a tempestade é possível perceber a presença dos 8.7% de álcool e de um leve adocicado. Sensacional, mas para fãs do estilo.

Da Bélgica para a Califórnia e agora para Ribeirão Preto: apresentada em primeira mão no 5º Festival Brasileiro de Cervejas, em Blumenau, a Invicta Imperial Stout mostra que o pessoal de Ribeirão Preto segue firme no intuito de criar cervejas inesqueciveis. No rótulo da garrafa (lote 001), que sempre traz um símbolo da cidade, o Theatro Pedro II. No copo, um liquido intensamente preto proporciona uma belo creme de cor marrom. O aroma é espetacular: as notas de chocolate são um dos destaques do conjunto, e devem conquistar qualquer chocólatra que não goste de cerveja: diferente de boa parte das Imperial Stout, a lembrança de chocolate aqui é de leite, não amargo (mais comum). Por fora, há também remissão a café, ameixa e nozes (e, lááááá atrás, os 9% de álcool, praticamente imperceptíveis). No paladar, o primeiro ataque é de doçura, com predominância de chocolate. Aqui, ao contrário do aroma, o álcool aparece de forma intensa, marcando a língua e esquentando a garganta. Há um amargor interessante (o IBU é 65) que não compete com a doçura, mas sim se intercala criando um conjunto absolutamente arrebatador. O retrogosto alterna-se entre alcoólico e achocolatado. Garçom, por favor, quero uma caixa.
Ramée Ambree
- Produto: Belgian Dark Strong Ale
- Nacionalidade: Bélgica
- Graduação alcoólica: 7,5%
- Nota: 3.72/5
Anderson Valley Heelch O’Hops
- Produto: Imperial Double IPA
- Nacionalidade: Estados Unidos
- Graduação alcoólica: 8,7%
- Nota: 4.12/5
Invicta Imperial Stout
- Produto: Imperial Stout
- Nacionalidade: Brasil
- Graduação alcoólica: 9%
- Nota: 4,69/5
Leia também:
- Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
- Rameé Blond é tudo aquilo que se espera de uma belga de abadia (aqui)
- Anderson Valley: primeiro passeio (aqui) e segundo passeio (aqui)
- Invicta India Black Ale e Invicta Imperial India Pale Ale (aqui)
Abril 16, 2013 No Comments
De Blumenau, Eisenbahn (Parte 2)

Segundo passeio pelo cardápio de cervejas da Eisenbahn, uma cervejaria de Blumenau quem mantém 14 cervejas em sua linha (escrevi sobre seis delas aqui), a grande maioria delas com excelente relação custo x beneficio. Das seis cervejas presentes neste post, cinco (Pale Ale, Weihnachts Ale, Rauchbier, Weizenbock e Strong Golden Ale) podem ser encontradas em grandes redes de supermercados (como, por exemplo, o Pão de Açucar) com preços entre R$ 4,50 e R$ 6,50 (garrafas de 330 ml). Já o sexto rótulo desta compilação é um caso especial, uma Bière Brut que segue o método champenoise de produção, descansando durante três meses em barris, e pode custar até R$ 140 em alguns empórios, mas encontra-se ao preço de R$ 70 (mais frete) no site da cervejaria. Além há ainda a Eisenbahn Lust Prestige, mas isso fica para um próximo post. Agora começamos com…

A Eisenbahn Pale Ale, lançada em setembro de 2003, é feita com três tipos de malte e, no copo, exibe uma cor âmbar cristalina. A espuma tem boa formação, mas pouca persistência. No aroma destacam-se notas de caramelo e mel mais algo que remete a guaraná e um herbal picante derivado do lúpulo. No paladar, amargor e doçura surgem equilibrados, mas o malte tostado se sobressai na sequencia remetendo a caramelo. É uma cerveja de corpo médio, textura suave e retrogosto levemente amargo, boa para refrescar e acompanhar pratos como frango assado, salsichas de modelo alemão e massas com molho bolonhesa.

Em dezembro de 2003 chegava ao mercado a sazonal Eisenbahn Weihnachts Ale, uma American Amber Ale de cor acobreada e três maltes distintos, preparada especialmente para o período natalino. A espuma é de baixa pra média formação e pouca permanência. No aroma, o frutado se destaca remetendo a frutas cristalizadas, guaraná, um leve picante mais caramelo e mel. No paladar, o corpo é médio e a textura suave. Assim como na anterior, o amargor e a doçura surgem equilibrados no primeiro ataque, mas aqui o amargor se sobressai na sequencia – ainda que suavemente – enquanto o retrogosto é mais adocicado.

Com maltes defumados importados de Bamberg, na Alemanha, única região do mundo que ainda o produz nos modos tradicionais, secando o malte com a fumaça da queima de madeira, a Eisenbahn Rauchbier está longe de ser tão arisca e intensa quanto as famosas Schlenkerla, mas é uma boa introdução ao estilo: aroma destacando com suavidade o malte defumado, que remete a bacon e peito de peru, além de um toque amadeirado. No paladar, o defumado se faz mais presente (e com mais bacon), e é nessa hora que você irá descobrir se vai em frente no estilo, ou não. Experimente com carnes fortes e molho a base de barbecue, pimentão recheado e até pizza de calabresa (de preferência, peperoni).

A próxima é uma das preferidas da casa, a Eisenbahn Weizenbock, uma cerveja não filtrada, com seis tipos de malte, cor avermelhada escura e boa formação e permanência de espuma. No aroma, o malte levemente torrado remete a bananada no tacho, quando a banana começar a caramelizar e o aroma toma o ambiente. Também há notas de frutas escuras (ameixas, nozes, jabuticabas, castanhas). No paladar, o corpo é médio e a textura sedosa. A primeira sensação é de adocicado replicando as sensações do aroma, mas os 8% de álcool marcam presença na sequencia (e aparecem mais conforme a cerveja esquenta – e fica melhor – no copo). No retrogosto, o malte torrado se desfaz em caramelo e café. Excelente.

Fechando a linha das cervejas “tradicionais” da Eisenbahn, a Strong Golden Ale carrega a maior graduação alcoólica da cervejaria (8,5%), mas a carga de malte usada na receita, que ainda traz levedura belga, a torna inocentemente adocicada, o que pode derrubar muito marmanjo acostumado American Lagers amargas mainstream. Na cor, um dourado avermelhado traz consigo uma espuma baixa e de pouca permanência (influência do álcool). No aroma, muito mel, caramelo, algumas frutas vermelhas, um pouco de condimento, outro de floral, e por ai vai. No paladar, a primeira sensação é de acidez e amargor (provenientes muito mais do álcool do que lúpulo), mas, na sequencia, um caminhão de doçura chega dominando o território. O amargor aparece ligeiramente no final do gole, mas o retrogosto doce apaga a sensação. Uma bela cerveja!

Por fim, a especialíssima Eisenbahn Lust, primeira Bière Brut do Brasil, produzida pelo método champenoise (gênero cujo rótulo mais famoso em todo o mundo atende pelo nome pomposo de DeuS Brut Des Flanders): após a fermentação e maturação normal dentro da cervejaria, o líquido (com 8% de álcool neste momento) é enviado para uma vinícola (no caso, a Vinícola San Michel, em Rodeio, Santa Catarina), onde fica três meses passando pelo processo de produção de champanhes (recebendo uma pequena dose de açúcar e de leveduras para vinho) até alcançar a graduação alcoólica final (10,5%). Um bebedor fã das tradicionais American Lagers nacionais de botequim poderá estranha-la e dizer que está diante de um champagne, mas é fato que a Eisenbahn Lust é uma cerveja com potencial para conquistar muitos paladares.

Com leveduras especiais belgas, a Eisenbahn Lust traz um líquido dourado e uma bela espuma que sobe ao topo da taça – em formato de champagne – deixando, na sequencia, o conhecido “perlage” (renda belga) nas laterais do copo. O aroma é bastante cítrico remetendo a uvas verdes (o que aproxima ainda mais da percepção de champagne), e também alguma coisa de acidez (provavelmente devido a sua altíssima carbonatação), frutado, floral, adocicado do malte e amadeirado. No paladar, a acidez faz a cortesia, mas o malte brilha colocando adocicado no balanço do conjunto enquanto os 10,5% de álcool piscam o olho fazendo graça. A estrela do conjunto é o retrogosto cítrico que remete a uvas verdes, marca a garganta, e dá um colorido à leve adstringência que envolve a língua. Simplesmente encantadora.
Eisenbahn Pale Ale
- Produto: Belgian Pale Ale
- Nacionalidade: Brasil
- Graduação alcoólica: 4,8%
- Nota: 2,86/5
Eisenbahn Weihnachts Ale
- Produto: American Amber Ale
- Nacionalidade: Brasil
- Graduação alcoólica: 6,3%
- Nota: 2,50/5
Eisenbahn Rauchbier
- Produto: Rauchbier
- Nacionalidade: Brasil
- Graduação alcoólica: 6,5%
- Nota: 3,03/5
Eisenbahn Weizenbock
- Produto: German Weizenbock
- Nacionalidade: Brasil
- Graduação alcoólica: 8%
- Nota: 3,35/5
Eisenbahn Strong Golden Ale
- Produto: Belgian Golden Strong Ale
- Nacionalidade: Brasil
- Graduação alcoólica: 8,5%
- Nota: 3,29/5
Eisenbahn Lust
- Produto: Bière Brut
- Nacionalidade: Brasil
- Graduação alcoólica: 10,5%
- Nota: 4,40/5
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- Top Cervejas: Cold 200, por Marcelo Costa (aqui)
-De Blumenau, Eisenbahn (Parte 1), por Marcelo Costa (aqui)
Abril 11, 2013 No Comments
Bélgica: as cervejas da St. Bernardus

A St. Bernardus é uma cervejaria fundada em 1946 em Watou, uma vila de cerca de 2 mil habitantes no Flandres Ocidental, na Bélgica, que girava em torno da Refuge Notre Dame de St.Bernard, uma comunidade de monges (Catsberg Abbey Community) que deixou o norte da França no final do século 19 devido ao anticlericalismo do país. Ali eles começaram a fabricar um queijo que se tornou famoso na região e, após a Segunda Guerra Mundial, a produzir uma cerveja chamada Westvleteren sob encomenda do mosteiro de St Sixtus. O mestre cervejeiro da St.Sixtus, Mathieu Szafranski (de origem polonesa), tornou-se parceiro da St. Bernardus e trouxe as receitas, o know-how e a cepa de levedura da cerveja que foi produzida por 46 anos em Watou – até 1992. Ao fim do contrato, o pessoal da Westvleteren decidiu produzir a cerveja em seu próprio mosteiro, enquanto os monges da St. Bernardus continuaram a produzi-la, agora sob nome próprio.

A St. Bernardus Tripel tem uma cor amarelo palha com uma leve turbidez e uma espuma belíssima e persitente, daquelas que tomam quase todo o copo. No aroma espetacular temos notas frutadas e cítricas (abacaxi, maracujá, limão), condimentos (cravo e pimenta) e algo de floral com uma leve percepção de álcool, trigo e levedura. No paladar, o corpo é médio e a textura vivaz. O adocicado do malte surge no primeiro toque, mas o picante marca presença com o lúpulo ligeiramente discreto, mas presente. Há sensação de frutas (menos cítricas do que no aroma: pera, goiaba branca e melão), trigo, mel e um azedinho rápido, que some assim que o álcool (amaciado pelo lúpulo floral) se torna evidente no retrogosto, com o calor (da felicidade) esquentando a garganta. Uma cerveja deliciosa e excelente.

A St. Bernardus Pater 6 abre a linha de receitas que a cervejaria produzia para os monges trapistas de Westvleteren. A espuma é majestosa, mas de curta permanência. A cor fica entre o âmbar claro e um leve avermelhado. No aroma, muito de cítrico proveniente da levedura belga assim como um adocicado que remete a açúcar queimado surgido do malte levemente tostado. Há ainda condimentos (cravo, canela e pimenta) e sugestão de frutas secas (uva passa, nozes, cacau). Na boca, o corpo é médio, a textura sedosa, e o primeiro toque é adocicado acompanhado de uma leve acidez. A sensação é que há mais álcool do que o rótulo entrega (6,7%), pois garganta e céu da boca esquentam. Seu forte, no entanto, é o final, complexo, intenso e longo com presença de notas de caramelo, canela e toffee. Intrigante.

A St. Bernardus Prior 8, uma Belgian Dark Strong Ale, também é da linha de receitas que a cervejaria produzia para a Westvleteren. A diferença, no entanto, surge na cor. Enquanto a 8 produzida atualmente pelos monges trapistas é quase negra, a Prior 8 da St. Bernardus é um âmbar intenso com leve turbidez. As diferenças, no entanto, acabam aqui. A espuma bege é generosa e de média persistência. No aroma, algo de herbal, cítrico e frutado com percepção de levedura e condimentos. Há sensação de cravo, banana caramelada, uvas secas, ameixa, nozes, maçã passada e pêssego em calda. O paladar, de corpo médio e textura sedosa, é mais suave do que na versão 6 . A doçura se destaca, mesmo não sendo tão intensa. As notas de caramelo dominam a sensação com a presença de um leve amargor e álcool. O final é seco e, mesmo com 8%, pede outra garrafa. Menos arisca que a 6, e por isso mais sedutora.

A St Bernardus Abt 12, uma Belgian Quadruppel, é o orgulho da cervejaria – e a terceira da linha de receitas feita sob encomenda para a Westvleteren por 46 anos. Na cor, é o marrom mais denso dos quatro exemplares deste post. A espuma, praxe da casa, sob lindamente, e tem boa permanência. No aroma, intenso, notas que remetem a frutas secas, ameixas, nozes, caramelo tostado, açúcar mascavo, grama, condimentos, levedura e leve percepção de álcool. Uau! No paladar, mas o álcool se faz mais presente e dá a primeira estocada, mas o adocicado do malte (que se desvela em várias frutas), a sensação dos condimentos (canela e pimenta) criam um painel interessante que remete a uma explosão de sabores. O retrogosto é levemente amargo, mas não pelo lúpulo, e sim por resquícios do malte tostado e pelo calor do álcool. Excepcional.
Os principais rótulos da St Bernardus estão disponíveis no Brasil em ótimos preços. As garrafas de 330 ml podem sair de R$ 12 a R$ 22 (vale muito pesquisar).
St. Bernardus Tripel
- Produto: Belgian Tripel
- Nacionalidade: Bélgica
- Graduação alcoólica: 8%
- Nota: 3,95/5
St. Bernardus Pater 6
- Produto: India Belgian Dubel
- Nacionalidade: Bélgica
- Graduação alcoólica: 6,7%
- Nota: 3,89/5
St. Bernardus Prior 8
- Produto: Belgian Dark Strong Ale
- Nacionalidade: Bélgica
- Graduação alcoólica: 8%
- Nota: 4,12/5
St. Bernardus Abt 12
- Produto: Belgian Quadrupel
- Nacionalidade: Bélgica
- Graduação alcoólica: 10,5%
- Nota: 4,65/5
- Ranking Pessoal -> Top 200 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
- Westvleteren 8, uma cerveja espetacular, por Marcelo Costa (aqui)
Abril 5, 2013 No Comments
Desbravando a BrewDog (Parte 3)

Em 2011, a BrewDog estreou um projeto de single hops (cervejas com apenas um tipo de lúpulo) em que a base de quatro cervejas era uma India Pale Ale. Na oportunidade, os escoceses escolheram os lúpulos Bramling X, Citra, Nelson Sauvin e Sorachi Ace. O projeto foi um sucesso, e os escoceses logo planejaram uma segunda versão. Lançado em 2012, o pacote IPA IS DEAD trazia a mesma receita de 2011 com quatro lúpulos diferentes: Motueka, da Nova Zelândia; Challenger, do Reino Unido; Galaxy, da Austrália; e HBC, dos Estados Unidos. Além das quatro cervejas do IPA IS DEAD VOL. 2 este post traz uma quinta IPA com um lúpulo só e fecha com uma bela Russian Imperial Stout. E o terceiro passeio pelo catálogo da BrewDog.

O Motueka é um lúpulo da Nova Zelândia que, segundo os malucos da BrewDog, é primo distante do Galaxy’s Kiwi. A BrewDog IPA Is Dead Motueka é de cor âmbar bastante turva. As coisas começam a ficar interessantes no contagiante aroma, que mostra um belo balanceamento do lúpulo (que se desfaz em notas cítricas que remetem a limão) e do malte (caramelo e pão) – e também lembra couro e alguma coisa que remete a fazendas. No paladar, o lúpulo reina (ahhhh, IPAs). O primeiro toque traz alguma coisa de doçura, mas são segundos para a avalanche de amargor bater no céu da boca e deixar o bebedor feliz. Ainda assim, não é um amargor intenso deixando-se perceber as notas cítricas e frutadas de um lúpulo bastante interessante. O final, claro, é seco e amargo deixando para trás uma leve adstringência que, provavelmente, fará você ir atrás de outra garrafa de uma cerveja bastante agradável.

Saímos da Nova Zelândia e partimos para o Reino Unido. O lúpulo Challenger nasceu de uma fusão de um lúpulo alemão com a variante Northern Brewer na Inglaterra em 1961, mas só chegou ao mercado em 1968. Suas características principais são o cítrico e a acidez. Isso já é meio caminho para entender a BrewDog IPA Is Dead Challenger, que mantém as mesmas características de água, malte e levedura da cerveja anterior, fórmula que confere ao líquido uma cor âmbar bastante turva. No aroma, muitas notas herbais que remetem a ervas, grama e mato. Há algo de adocicado vindo do malte e um frutado ácido quase imperceptível que remete a casca de limão. No paladar, novamente (assim como a Motueka), o adocicado do malte surge em primeiro plano, mas o amargor do lúpulo bate ponto na sequencia amarrando tudo. Doçura e amargor se alternam, mas o grande vencedor é o lúpulo, que rasga a garganta no final.

Próxima parada: Austrália, casa do lúpulo Galaxy, o mais suave dos quatro lúpulos desta segunda leva de IPA IS DEAD, da BrewDog. Na cor, o âmbar turvo permanece deixando a sensação que o malte levemente tostado é o responsável pela percepção adocicada em todos os rótulos da caixinha. O aroma é inicialmente cítrico e frutado com notas de tangerina e manga, mas uma percepção herbal que remete a grama além do adocicado do malte, muito bem inserido, também marcam presença. O paladar repete a sensação das duas cervejas anteriores, mas com um espaço de tempo maior: o adocicado do malte é mais perceptível aqui abrindo, ainda, espaço para o cítrico e o frutado (tangerina, uva), mas não adianta se fazer de desentendido, pois um amargor (não tão intenso) vai chegar varrendo tudo. Este amargor moderado e seco irá dominar o retrogosto, viciante. Uma cerveja simples e bastante gostosa.

Fechando o segundo pacote de IPA IS DEAD, o lúpulo norte-americano HBC, que muita gente conhece como Citra, um lúpulo criado em 2007, e que vem conquistando cada vez mais pessoas. A diferença para as três anteriores percebe-se logo pela cor, um âmbar claro sem tanta turbidez. Nos quatro modelos, a espuma subiu bonita, amarela e com boa persistência. Um caminhão de frutas cítricas é despejada pelo aroma, divino. Há percepção de laranja bem doce, abacaxi, pêssego, casca de limão, uva verde, melão e, ainda, grama, caramelo e trigo. O paladar é o mais interessante dos quatro rótulos IPA IS DEAD, pois o amargor e o cítrico do lúpulo e o dulçor do malte formam um casal perfeito. O retrogosto é interessantíssimo, pois o cítrico com forte remissão à tangerina segue junto com o amargor, que deixa seu lastro pela garganta como uma boa lembrança de fazenda e poeira de roça. Uma delicia.

Continuando no território das sazonais da cervejaria escocesa, a BrewDog Hoppy Christmas é uma single hop IPA como as anteriores, porém preparada apenas para as festas de fim de ano. Com 7,2% de álcool, lúpulo norte-americano Simcoe e três tipos de malte (Extra Pale, Cara e Crystal), a Hoppy Christmas é envelhecida por 12 meses em toneis antes de chegar à mesa do cliente. A cor é âmbar, mas o brilho, ao contrário das anteriores, é transparente. No aroma, um equilíbrio interessante entre as notas de malte e o herbal e cítrico do lúpulo. As primeiras remissões encontram notas frutadas (maracujá, laranja, abacaxi) e adocicadas (um pouco de caramelo e de mel) que se desprendem com facilidade. No paladar, a doçura do malte vem em primeiro plano, e o amargor surge na sequencia aconchegante e persistente. Notas de cítrico e frutado destacam uma cerveja versátil, com doçura e amargor em perfeita sintonia.

Para fechar esse terceiro post com cervejas da BrewDog, mais um destaque da casa, a Rip Tide, releitura dos escoceses para o estilo Russian Imperial Stout. São dois tipos de lúpulo (Galena e First Gold) mais cinco de malte (Marris Otter, Dark Crystal, Caramalt, Chocolate Malt e Roast Barley) e açúcar mascavo resultando em um líquido escuro e brilhante, com espuma densa e acobreada. No aroma, o tostado do malte se destaca remetendo delicadamente a café com percepção de ameixas, carvalho, terra molhada e algo de cítrico (provavelmente derivado do lúpulo). O paladar é uma surpresa agradável, pois o açúcar mascavo consegue amaciar a força do amargor proveniente dos maltes torrados. De bônus, o lúpulo marca presença com um toque cítrico. Ainda assim, não se engane: há notas de café em abundancia no conjunto (como em uma clássica Russian Imperial Stout), mas os outros ingredientes tornam o conjunto macio. Bela cerveja.

Onde encontrar o pacote IPA IS DEAD 2012? Complicado. A validade das cervejas era março/abril de 2013, e com sorte você encontra alguma das quatro garrafas por cerca de R$ 30 em locais especializados, mas o mais indicado seria esperar pelo lote 2013, que não só definiu seus quatro single hops (Dana, Goldings, El Dorado e Waimea) como já pode ser encontrado fora do país. A BrewDog Hoppy Christmas também é uma sazonal, mas mais fácil de ser encontrada (com preços que variam de R$ 21 a R$ 30), mesmo faixa de preço da BrewDog Rip Tide, todas excelentes cervejas.
BrewDog IPA Is Dead Motueka
- Produto: India Pale Ale
- Nacionalidade: Escócia
- Graduação alcoólica: 6,7%
- Nota: 3,46/5
BrewDog IPA Is Dead Challenger
- Produto: India Pale Ale
- Nacionalidade: Escócia
- Graduação alcoólica: 6,7%
- Nota: 3,41/5
BrewDog IPA Is Dead Galaxy
- Produto: India Pale Ale
- Nacionalidade: Escócia
- Graduação alcoólica: 6,7%
- Nota: 3,48/5
BrewDog IPA Is Dead HBC
- Produto: India Pale Ale
- Nacionalidade: Escócia
- Graduação alcoólica: 6,7%
- Nota: 3,55/5
BrewDog Hoppy Christmas
- Produto: India Pale Ale
- Nacionalidade: Escócia
- Graduação alcoólica: 7,2%
- Nota: 3,69/5
BrewDog Rip Tide
- Produto: Russian Imperial Stout
- Nacionalidade: Escócia
- Graduação alcoólica: 8%
- Nota: 3,72/5

- Ranking Pessoal -> Top 200 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
- Desbravando a BrewDog (Parte 1), por Marcelo Costa (aqui)
- Desbravando a BrewDog (Parte 2), por Marcelo Costa (aqui)
Abril 2, 2013 No Comments
Infográfico: O mundo da cerveja

Cortesia do http://tudo.extra.com.br
Março 30, 2013 No Comments


