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Category — Cervejas

As cervejas de inverno da Shipyard Brewing

Após o retorno ao Brasil em abril (com receitas renovadas) das cervejas da Shipyard Brewing, de Portland, no estado norte-americano do Maine, agora a cervejaria aporta no país com suas cervejas de inverno, algumas delas já conhecidas, que se juntam a um trio bem interessante para harmonizações neste período de frio: Shipyard Vanilla Porter (com favas de baunilha adicionadas na fervura), Shipyard Chocolate Stout (uma Sweet Stout com soro lácteo) e Shipyard Coffee Porter (parceria com a Adventurous Joe Coffee).

De novidades nesse container que aporta no Brasil apresentadas por Riccelli Adriel, gerente comercial da Get – Cervejas Especiais, estão a Shipyard Prelude Winter Warmer (R$ 30 a garrafa de 355 ml), uma English Strong Bitter que retorna com novo rótulo e também nova receita (mais alcoólica: 6.7%), mas mantendo a levedura inglesa Top Fermentation (boa parte da nova linha da Shipyard já utiliza a levedura London III) e exibindo um perfil Bitter acentuado com bastante fruta passa e um agradável perfil de tosta que vai se abrindo conforme a cerveja aquece. Ótima (aliás, se você encontrar a incrível versão BA, agarre!).

Debutando no Brasil, a Shipyard Ringwood Old Thumper (R$ 26 a garrafa de 355 ml) é uma Bitter tradicionalíssima inglesa que agora surge nessa versão Portland. Caramelo e mel delicioso no aroma, herbal suave no paladar e secura no final. Uma belíssima Bitter de entrada que traz como base a receita original criada por um dos mestres cervejeiros mais consagrados da Inglaterra, Peter Austin, o homem que deu o ponta pé inicial na revolução cervejeira inglesa e norte-americana – só nos EUA foram 74 novas cervejarias construídas usando seu sistema de fabricação de cerveja. Lenda.

Já a Shipyard Nightwind é uma Winter Ale (R$ 30 a garrafa de 355 ml) com perfil de torra leve, que valoriza sugestões de ameixa e chocolate amargo. Fechando a série de novidades com um comeback: Shipyard Barrel Aged Gladiator Bestiarius, uma Imperial Porter que passa 10 meses em barrica que antes maturaram o bourbon Jim Beam. Essa está voltando ao Brasil na mesma versão 2016, ou seja, com mais dois anos de guarda em garrafa (vieram 160 garrafas apenas ao custo, no EAP, de R$ 176 a garrafa de 750 ml).

 

julho 21, 2018   No Comments

Escolas cervejeiras, IBU e mais

Programa número 84 da série Scream & Yell Vídeos, e o segundo com foco em cerveja, este programase tornou em um dos vídeos mais longos gravados pela Casa Inflamável para o Scream & Yell (calma, são só quase 28 minutos), e não foi a toa: a ideia aqui era dar um breve histórico de algumas escolas cervejeiras clássicas em exemplos que podem ajudar você a entender para onde essa revolução cervejeira artesanal está indo. No meio do caminho conto algumas histórias minhas com a Duvel, falo de IBU e outras coisas. Assista!

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junho 22, 2018   No Comments

Três novas cervejas da Adnams no Brasil

De Southwold, Suffolk, mais três novidades da inglesa Adnams, duas delas colaborativas, chegaram ao Brasil nesta semana via importação da Get Trade, braço da Get – Cervejas Especiais, dando continuidade a série de lançamentos da cervejaria inglesa no Brasil – só neste ano já baixaram por aqui cinco cervejas da linha Jack Brand (Flat White Porter, Crystal Rye IPA, Ease Up IPA, Mosaic Pale Ale e Clementine Pale Ale) mais a Wild Hop Amber Beer e a Blackshore Stout. Desta vez estão chegando a Two Bays Oak Pale Ale (colab com a Cigar City), a White Lies (colab com a Yeastie Boys) e a Satsuma Witbier.

Para apresentar o trio de novidades, a Get Trade reuniu a imprensa cervejeira no Empório Alto de Pinheiros, em São Paulo, numa segunda-feira (14/05) de tempo ameno na tarde, e friozinho noturno. Para abrir a degustação foi escolhida uma cerveja da Adnams que a Get já vem trazendo há alguns anos, mas que agora retorna ao país em latão de 500 ml e preço especial para o consumidor final, entre R$ 15 e R$ 17. Uma bela Bitter inglesa (tem texto sobre ela no Scream & Yell).

No território das novidades, a primeira foi a Adnams Jack Beand Satsuma, uma Witbier com suco da tangerina oriental Satsuma, cravo e noz moscada (na fervura) mais os lúpulos Huel Mellon e Mandarina Bavaria. Uma boa Witbier que está mais para Blue Moon do que para Hoegaarden. Bem interessante. R$ 21 a garrafa de 330 ml. Na sequencia, Two Bays, colab Adnams com a mítica Cigar City Brewing, de Tampa, nos EUA. Trata-se de uma English Pale Ale com lupulagem caprichada (Citra, Cashmere, Lemondrop, Enigma e Calipso) e acréscimo de chips de carvalho, que traz, de maneira sutil, baunilha e coco. São 1000 garrafas para o Brasil! Preço de R$ 30 a garrafa de 330 ml.

Fechando o trio, outra colaborativa: White Lies, feita em parceria com os cervejeiros da Yeastie Boys, da Nova Zelândia, uma White Stout de corpo leve e aroma intenso de… chocolate branco e pão doce no paladar. Curiosa. Essa está chegando por R$ 26 a garrafa de 330 ml. Encerrando o passeio, a tradicional combinação de Adnams Broadside, uma English Strong Ale caprichada (leia sobre ela no Scream & Yell) que sempre nos lançamentos da Adnams no EAP surge acompanhada de uma incrível Lamb Broadside Pie, uma torta de carne moída de cordeiro cozida na cerveja Broadside. Uma delícia que deveria figurar no cardápio oficial da casa.

maio 18, 2018   No Comments

Leffe, onde tudo começou (para mim)

Na aventura de gravar a série Scream & Yell Vídeos com a ajuda do amigo Tiago Trigo, da produtora Casa Inflamável (façam projetos com ele!), muitas pessoas próximas me cobravam sobre falar de algo que se tornou rotina nas minhas redes sociais: cerveja. E… ok, vocês venceram (risos). Para começar a falar do tema, no Scream & Yell Vídeos de número 80, decidi voltar 10 anos no tempo e relembrar a cerveja que foi o turning point para mim, a marca que me fez olhar para todas as outras cervejas de uma maneira diferente. Havia um contexto especial: era o meu primeiro dia da minha primeira vez na Europa, e eu me apaixonei pela belga Leffe. Abaixo eu conto um pouco dessa história.

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maio 16, 2018   No Comments

Caravan lança série limitada NE IPA

Em fevereiro, o cervejeiro Jaimes Neto conversou com o Scream & Yell sobre a repaginada na Cervejaria Caravan, que chegava com quatro rótulos (conheça eles aqui) e nova arte além de preparava um linha especial ligada à música, que foi apresentada em abril à imprensa no Empório Alto dos Pinheiros, em São Paulo. Como se fosse um selo musical, a Caravan anunciou a Caravan Records, que lançará álbuns em forma de cerveja seguido de um “single” com lado A e lado B.

O primeiro estilo trabalhado pelo selo Caravan Records é o New England IPA batizado de HYPE. São três novíssimos rótulos para abrir o lançamento da Caravan Records: Nude Hype (NE IPA), que entra na linha anual da cervejaria e suas duas variações em parceria com o Franck’s Ultra Coffee, de Curitiba: a Coffee Hype – Side A (com café envelhecido em barril de Bourbon) e a Latte Hype – Side B (com lactose e café envelhecido em barril de Bourbon).

A Caravan Records Nude Hype é uma New England IPA clássica com os lúpulos Citra, Mosaic, Loral e Ekuanot mais cevada, aveia em flocos, trigo e espelta além de um blend das leveduras London III e Vermont e duplo dry-hopping. Essa receita (ótima) é a base também para as duas cervejas que vem na sequencia. Essa base é deliciosamente cítrica, tropical, e com alto drinkability para os seus 7.5% de álcool. No EAP está custando R$ 29 (lata 355 ml).

Tendo como base a Caravan Records Nude Hype, a Caravan Coffee Hype NE IPA é o lado A, uma versão limitada com café da Francks Ultra Coffee, de Curitiba. São apenas 1000 litros (a cervejaria guardou alguns barris para o Mondial de La Biere São Paulo, que irá acontecer de 17 a 20 de maio de 2018) e está incrível: café suave no começo, diluído de maneira deliciosa no perfil NE na sequencia. O café ainda traz um amadeirado no retrogosto. Fiquei fã. A lata de 355 ml está R$ 30.

O lado B do single: se a Coffee Hype utiliza a base da Nude, a terceira, Latte Hype NE IPA, utiliza como base as duas anteriores com acréscimo de… lactose. Café com leite NE, saca? 🙂 A ideia nessa serie é experimentar: desse trio limitado (apenas a Nude permanecerá no catálogo) foram brassados 3 mil litros: mil litros rendem a Nude; dai eles acrescentam café, tiram mil litros e sai a Coffee. Aos mil litros (NE com café) que sobram e eles adicionam… lactose. Minha favorita das três. Essa está R$ 31 a lata de 355 ml (e também terá barril no Mondial).

abril 24, 2018   No Comments

16 cervejas da Thornbridge Brewery

Após a revolução cervejeira artesanal estadunidense, que surgiu a partir dos anos 80 buscando acrescentar sabor e liberdade numa batalha contra a cerveja cada vez mais desinteressante mainstream vendida no país, algumas escolas clássicas, do dia para a noite, envelheceram alguns séculos. Ao revisitar receitas e leva-las, muitas vezes, ao exagero, os norte-americanos acabaram criando uma nova escola, mas, ainda assim, as escolas clássicas de cerveja são a base de uma cultura milenar.

A escola inglesa, por exemplo, segue muitas vezes injustiçada. Exemplos existem aos montes, mas é normal perceber neófitos que bebem uma India Pale Ale inglesa reclamando da falta de exagero made in USA, pois não entendem que a IPA, quando nasceu, era exatamente assim. O que os norte-americanos fizeram foi eleva-la a um novo patamar local, que, muitas vezes, não tem a ver com o que acontece realmente no mundo cervejeiro das terras da Rainha.

Ainda assim é interessante perceber que toda base da cultura cervejeira moderna foi construída por belgas, alemães, tchecos e ingleses, e que agora eles passam a sofrer influências do mundo externo, no geral, e da escola norte-americana, no particular. Um bom exemplo deste caso é o cardápio caprichado da Thornbridge, cervejaria fundada em 2005 em Derbyshire, no Reino Unido, cuja missão parece ser traduzir com elegância para os britânicos os avanços conquistados pela escola norte-americana.

O caminho que a Thornbridge encontrou foi o de utilizar lúpulos bastante aromáticos, deixar o malte caramelo em segundo plano, mas sem elevar excessivamente o álcool, afinal nas ilhas, a cultura da botecagem é coisa séria e ninguém quer ficar bêbado antes do sino soar no pub às 23h. Para conferir isso na prática, 16 rótulos diferentes da cervejaria inglesa mais badalada da atualidade aportam no Brasil via importação da Suds Insanity, responsável também por estrear a sueca Nils Oscar do lado debaixo do Equador.

Numa tarde e noite de quarta-feira no Empório Alto de Pinheiros, em São Paulo, a equipe da Suds Insanity reuniu a imprensa para apresentar os 16 rótulos da Thornbridge Brewery que aportam no país. E a abertura não poderia ter sido melhor para exemplificar o quão fora da caixinha inglesa são as cervejas dos caras: a Raindrops on Roses (5.3% ABV) é uma witbier (que lembra pouco uma witbier clássica) com pétalas de rosas bastante presente no aroma e no paladar. Venceu o “The Home Brew Challenge 2016”. Uma bela surpresa.

Na sequencia, Bang Saray (4.5% ABV), uma Thai Pale Ale com limão Kaffir e capim-limão (também bastante presente) que segue a linha doidinha da anterior em outra boa surpresa (não inglesa). A The Wednesday (4% ABV) é uma English Pale Ale bastante aromática, com lúpulos made in USA Simcoe e Citra. É a cerveja oficial do Sheffield Wednesday Football Club. A próxima foi Kipling South Pacific Pale Ale (5.2%), com lúpulo neozelandes Nelson Sauvin (por isso a brincadeira do SP) bastante presente. Bem leve e aromática. Até agora, uma paleta bem diferenciada de aromas e sabores, o que é bem legal.

Primeira Gose da série, a Mr. Smith Gose To (4% ABV) recebe adição de extrato de melancia. Bastante suavidade, muita melancia presente, acidez bem leve para o estilo. A chave aqui é refrescância. Chegamos então ao hit da casa: com mais de 100 prêmios em todo o mundo, a Jaipur (5.9% ABV) é uma India Pale Ale com seis lúpulos made in USA (Chinook, Centennial, Ahtanum, Simcoe, Columbus e Cascade) e bem terrosa. É daquelas que chamo de IPA do Atlântico (que fica entre Europa e EUA), mas com um pézinho na América. Bem saborosa, com muita percepção de aroma e paladar.

Primeira de duas Imperial IPAs da Thornbridge, a Halcyon (7.4% ABV) carrega uma interessante complexidade de lúpulos (Galaxy, Ella, Chinook, Nelson Sauvin e Branling Cross) e é extremamente saborosa e equilibrada, com 7.4% de álcool imperceptíveis e amargor suave. Uma bela surpresa. Já a outra Imperial da casa, a Huck (7.4% ABV), me soou mais comportada e tradicional, adjetivos que divido também com a Cocoa Wonderland (6.8% ABV), uma Porter com corpo bem leve e torra bem suave. A mais inglesa da série até o momento. Drinkability alto.


Juntando-se a Raindrop on Roses, eis a segunda grande estrela da noite: Fika (7.4% ABV), uma Coldbrew Coffee Porter deliciosa, com aroma de café verde e leve pimenta preta. Na boca, café em primeiro plano (incrível) e um chocolatinho suave. No final, o café verde retorna com pimenta preta. E nada de álcool! Uma delícia (principalmente se você gosta de café). O barco segue com a Wild Swan (3.5% ABV), uma White Golden Pale Ale com jeitão de Session IPA, e com a Chiron (5% ABV), uma APA mais norte-americana do que a Wednesday (que me pareceu mais interessante).

No trecho final, Tart Backwell (6% ABV), uma Sour tradicional (sem adição de frutas), o que traz a acidez para o primeiro plano; Tonttu (6% ABV), uma Red Ale Single Hop Enigma provocante; e AM-PM (4.5% ABV), uma deliciosa Session IPA com lúpulos Ella, Nelson Sauvin, Amarillo e Citra. Para fechar a conta, minha favorita da noite, que fecha o trio pessoal com a Coldbrew Coffee Porter e a Raindrop on Roses: Saint Petersburg, uma absolutamente incrível Russian Imperial Stout com lúpulo Sorachi Ace gritando lindamente no nariz e na boca. São apenas 7.4% de álcool, número baixo pruma RIS, mas um conjunto perfeito.

Todas as Thornbridge estão aportando Brasil com importação em cadeia refrigerada pela Suds Insanity, de Curitiba. Elas estão chegando em garrafas de 330 ml com preços, em média, entre R$ 23 a R$ 30. É uma cervejaria bem interessante por produzir cervejas diferentes adaptadas para um público local, que consome um baixo nível de graduação alcoólica (o ABV mais alto dessa série que aportou aqui é 7.4%!) e não necessita de exageros na receita para se destacar. Com elegância, a Thronbridge vem mudando a maneira do bebedor inglês consumir cerveja. Vá de coração aberto e com muita sede. Fiquei felizmente surpreso!

abril 9, 2018   No Comments

Ugly Duck Brewing Co. retorna ao Brasil

Após uma passagem elogiada no Brasil em 2015, a micro cervejaria dinamarquesa Ugly Duck Brewing, do grupo Indslev Bryggeri, aporta novamente no país com seis rótulos inéditos e mais dois presentes na primeira vinda. As duas importações (2015 e 2018) são responsabilidade da Get Trade, empresa por trás da distribuidora Get – Cervejas Especiais, que também tem em seu catálogo a norte-americana Shipyard Brewing e a inglesa Adnams Brewery, entre outras. Fundada em 2012, a Ugly Duck se destacou rapidamente no mercado ganhando prêmios e lançando colaborativas com cervejarias de renome como Mikkeller, De Molen e Amager.

Para apresentar os novos lançamentos, a Get reuniu a imprensa no Empório Alto de Pinheiros. Os oito rótulos chegam em garrafas de 330 ml com preços variando entre R$ 28 e R$ 40. Para abrir a série (com uma das minhas favoritas), a deliciosa Ugly Duck Follow The White Rabbit (7% ABV), White Brett IPA com trigo, lúpulos Amarllo, Azzaca e Citra mais levedura Brettanomyces causando secura no final. A segunda foi a homenagem dos dinamarqueses para o presidente Barack Obama (com direito a foto no rótulo): Ugly Dyck Obama (4.8% ABV), uma Oat American Pale Ale mais normalzinha com aveia e lúpulos Mosaic e El Dorado!

Sucesso na primeira vinda em 2015, a Ugly Duck Miami Vice (4.8% ABD) é uma APA refrescante que se mantém na sombra do brilho de outra grande novidade (também entre as favoritas da noite): Ugly Duck Kinky Cowboy Texan IPA (6.5%), uma New England IPA deliciosa feita em homenagem ao autor, cantor e político americano Robert “Kinky” Friedman com os lúpulos El Dorado e Amarillo. Mantendo o altíssimo nível, Ugly Duck Juicy Pony Sour IPA (6%), uma Farmhouse IPA (?!) com levedura Vermont e dry-hopping de lúpulos norte-americanos. Essa eu até trouxe uma pra casa (junto a última, mas chegaremos logo no final).

Bastante interessante, a Ugly Duck Imperial Pumpkin Ale (9.7% ABV) é maluquinha: na receita, além de abóbora, gengibre fresco, canela e açúcar mascavo. Intensa. Com a arte já entregando a pegada (“Old School Hopped”), a Ugly Duck Retro IPA (9% ABV) é malte caramelo, lúpulos Cascade, Colombus e Chinook, corpo alto, teor alcoólico elevado e tudo Old American IPA. Bem legal, mas a grande estrela desse contêiner é, sem dúvida, a Ugly Duck Putin (8.9% ABV), uma Imperial Wheat Stout com trigo defumado e lúpulos Cascade, Citra e Amarillo. Deliciosa e absolutamente incrível. Se você curte RIS e quer uma pra começar a conhecer a Ugly Duck, vá nela.

Fiquei bastante surpreso com o alto nível de experimentos apresentados pela Ugly Duck. Da importação anterior, eu havia provado apenas a excelente Ugly Duck Imperial Vanilla Coffee Porter (escrevi sobre ela aqui) e a boa Amarillo & Citra IPA. Agora, num passeio um pouco mais aprofundado, curti a utilização de trigo e aveia nas receitas, marca registrada da cervejaria Indslev, famosa por suas receitas de trigo, e que por elas ganhou o apelido de patinho feio da cena dinamarquesa. Dai decidiram fazer a Ugly Duck e o resultado, caprichado, está nas prateleiras do Brasil. Vá atrás. Quer três dicas? Ugly Duck Follow The White Rabbit, Ugly Duck Kinky Cowboy Texan IPA e Ugly Duck Putin.

abril 7, 2018   No Comments

Shipyard retorna renovada ao Brasil

Após um ano ausente das prateleiras nacionais, a Shipyard Brewing, de Portland, no estado norte-americano do Maine, retorna ao Brasil totalmente reformulada, com novas receitas, rótulos, embalagens, levedura e até mestre-cervejeiro! Em novembro de 2017 á cervejaria iniciou um processo de modernização, incluiu mais lúpulos estadunidenses em suas receitas, revisou padrões antigos e passou a utilizar a levedura London III em algumas criações ao invés da tradicional levedura inglesa Top Fermenting English, antes padrão na casa. Boa parte das mudanças dizem respeito à saída do mestre cervejeiro Alan Pugsley, que agora atua no Reino Unido. A equipe que assumiu a casa nos EUA decidiu dar um banho de loja na cervejaria mudando a arte dos rótulos e lançando novidades que apontam para uma nova direção.

Até o ano passado, a Shipyard soava uma cervejaria britânica em solo norte-americano com, excetuando as cervejas da linha Signature Series, mais experimentais e extremas, o catálogo da casa apostando na elegância inglesa em detrimento dos exageros da escola made in USA. Agora a coisa toda muda de figura, e ainda que as receitas recriadas mantenham traços das receitas originais e que a cervejaria não tenha exagerado completamente nas novidades, a sensação é de que a Shipyard deu um passo certeiro com todas as alterações impressionando no copo. A Get – Cervejas Especiais, responsável pela importação da Shipyard, reuniu a imprensa no Empório Alto de Pinheiros para apresentar as novidades do catálogo.

Da linha já conhecida no Brasil, três retornam renovadas: a Shipyard Export (5,1% ABV, 35 IBUs, R$ 17, 355 ml), American Blond Ale hit da casa, que agora surge com lúpulo Cascade mais parrudo, levedura destacada e base de malte marcante. Mais arisca (e mais American) que a versão anterior; a Shipyard Monkey Fist (6% ABV, 50 IBUs, R$ 23, 355 ml) teve alteração nos lúpulos (agora Mosaic, Citra e Cascade) e adição de aveia: ficou ainda melhor do que era; a Shipyard Island Time Session IPA (4.5% ABV, 40 IBUs, R$ 23, 355 ml) teve o acréscimo do lúpulo Citra ao lado de Simcoe e Amarillo, presentes na versão anterior. Vieram também (sem alteração na receita) duas excelentes da Signature Series, XXXX IPA (9.25% ABV, 72 IBUs, R$ 67, 650 ml) e Smashed Blueberry (9% ABV, 40 IBUs, R$ 67, 650 ml), e a deliciosa Shipard Chocolate Milk Stout (5.4% ABV, 30 IBUs, R$ 26, 355 ml).

As novidades são quatro: a deliciosamente tortinha Shipyard Steady (5.1% ABV, 30 IBUs, R$ 25, 355 ml) é uma APA com lúpulos Jaryllo e Equinox mais levedura London III. Bastante mel, pinho e cítrico. Primeira New England IPA da Shipyard, a Finder (7% ABV, 55 IBUs, R$ 36, 473 ml) surpreende com lúpulos Citra, Mosaic e El Dorado, turbidez tradicional, mas mais resinosa do que outras NE no mercado. Está chegando inteiraça em lata de 473 ml. As duas outras novidades são do estilo Porter: Shipyard Vanilla Porter (5.4% ABV, 43 IBUs, R$ 25, 355 ml), com fava de baunilha incrível destacada no aroma, centeio e trigo torrado; e a Shipyard Coffee Porter (4.5% ABV, 24 IBUs, R$ 26, 355 ml), que recebe adição de café orgânico da Costa Rica e exibe percepção de chocolate e café verde intensos! Muito boa.

Além destas versões em latas e garrafas, cinco variedades de chopes da Shipyard chegaram nessa importação, três deles inéditos: Shipyard Ringwood Bitter (5.6% ABV e 35 IBUs), Shipyard Nightwind Winter Ale (5.8% ABV) e Shipyard Little Horror of Hops American Tye IPA (5.9% ABV e 50 IBUs) além de Shipyard Finder e da Shipyard Steady.

*A média de preço tem por base os valores do EAP

abril 3, 2018   No Comments

Novidades da Resistência Cervejeira

Desde novembro de 2015, as marcas Gauden, DUM, Pagan, Tormenta e F#%&ing Bier juntaram a sua distribuição sob o nome de Resistência Cervejeira de Curitiba visando diminuir o preço das cervejas e atender a um pedido antigo de lojistas: comprar direto da fábrica. Para apresentar alguns dos novos lançamentos da Resistência Cervejeira em São Paulo, Luiz Felipe, da DUM, reuniu a imprensa para degustar: DUM Powstanie Warsawskie, DUM Petroleum Chipotle, DUM Baltik Porter, Tormente Gengibéra, F#%&ing Bier Bro, Pagan Valkyrie´s Bless Berries e Pagan Warriors of Scotland.

“No começo foi penoso, pois tínhamos que aprender muitas coisas (e ainda estamos aprendendo) mas as vendas começaram a acontecer”, conta Luiz Felipe, da DUM. “No início, o Murilo (também DUM) encabeçou o projeto tirando os pedidos, separando e entregando (ou pedindo coleta para as transportadoras). Também tem toda a parte de cobrança, formação de preços e contato com os clientes que ainda estamos desenvolvendo. Fora os fechamentos que não são nada fáceis de fazer com um preço para cada estado, mas aos poucos a coisa vai dando certo”, explica.

Realizada no aconchegante Frank & Charles, na porta da FAAP, a degustação foi iniciada com a Tormenta Gengibéra, uma cerveja com base 100% Pale Ale, lúpulos Cacade e Nugget e adição de gengibre na fervura. Uma cerveja bem leve e refrescante, com o gengibre bem suave, mas presente. Bem gostosa.

Lançada no Dum Day 2017, esta é a Dum Warszawskie Powstanie Rye Lager, ou Levante de Varsóvia, colab com a Smedgard, de Belo Horizonte. É uma cerveja inspirada nas lagers do leste europeu que leva centeio e os lúpulos poloneses Lunga e Vermelho, que tem esse nome porque o aroma remete a frutas vermelha. Uma Wheat interessante.

Uma agradável surpresa da degustação, a F#%*ing Brou Beer é uma American Brown Ale com lúpulos Citra, Centenial e Cascade, um cafezinho delicioso com toques cítricos, 5% de álcool e 20 IBUs. Delicinha.

Admiro bastante as receitas do Tiago, que ele lança com a marca Pagan. Essa é a Pagan Valkyrie’s Bless Berries, uma English IPA com frutas vermelhas (ou seja, uma Fruit Beer) que honra suas grandes receitas.

Já a Pagan Warriors of Scotland é uma Scotch Ale com (incrível) malte turfado e chips de carvalho francês na maturação, uma cerveja saborosa e levemente alcoólica com 9.2% muito bem escondidos.

A Dum Baltik Atlantico Porter é uma Baltic Porter com cumaru (cacau da Amazônia que vem sendo bastante utilizando em receitas cervejeiras) e impressionantes 9% de álcool que não aparecem nem no aroma, nem no paladar. O cumaru também está bem comportado em relação a outras no mercado. Criada em julho de 2017 pelas cervejarias DUM e Pinta também com lúpulos poloneses. Excelente.

Grande estrela do passeio, a Dum Petroleum é um clássico cervejeiro artesanal brasileiro que já ganhou até documentário e que surge aqui numa versão com muuuuuuito Chipotle. Sensacional. “Além da ardência pronunciada da pimenta ela traz um defumado que cria mais uma camada de sabor na complexidade dessa cerveja que é ícone da cerveja artesanal brasileira”, comenta Luiz Felipe.

No Facebook da Resistência Cervejeira de Curitiba, há informações de vendas: “Você pode comprar tanto na pessoa física como na jurídica em todo o Brasil. Estamos vendendo caixas abertas, ou seja, você pode fazer uma caixa personalizada com as cervejas da DUM, Tormenta, F#%*ing Beer, Pagan e Gauden que enviaremos para você. Uma outra novidade é a loja física na Gauden, que fica em Santa Felicidade, então se quiser comprar cerveja direto da gente é só aparecer na Avenida Manoel Ribas, 6995, nos fundos da Petiscaria do Victor. A loja funciona de segunda à sexta das 9 à 18 e nos sábados das 9 às 14”, em Curitiba.

março 5, 2018   No Comments

Cerveja + Comida: Cão Véio Tatuapé e GET promovem jantar harmonizado

Na próxima segunda-feira  (05/03), a turma da GET Cervejas Especiais se junta ao pessoal da novíssima unidade do Cão Véio Tatuapé para a quarta experiência do Cura Para a Segunda do Cão, uma série de jantares harmonizados com cervejas. Alguns dias atrás tive o prazer de prova-los e o resultado agradou bastante.

Os quatro pratos foram desenvolvidos pelo gastropub do Chef Henrique Fogaça e surgem devidamente escoltados com as cervejas inglesas da Adnams, marca exclusiva no Brasil da importadora GET. A elaboração da harmonização e apresentação do evento ficou sob responsabilidade do sommelier Riccelli Adriel.

A primeira edição ocorreu originalmente na matriz em Pinheiros em 2016. Contando já com três edições de bastante sucesso, a casa e a distribuidora acharam o momento ideal para repetir a dose e poder apresentar ao público as novas unidades recém abertas do Cão Véio, “expandindo a cultura cervejeira e a boa gastronomia sem frescura”, conforme assinatura da casa. Abaixo as harmonizações que provei:

Abrindo o cardápio, a Adnams Dry Hopped (Galaxy) Lager surgiu harmonizada com a Doberman, uma salada com folhas variadas, queijo tipo gruyère, manga, tomate pêra, castanha de cajú, manjericão, dill e hortelã finalizada com molho oriental. Esse é o primeiro prato é uma entrada, uma “saladinha” que combina muito bem essa interpretação britânica de uma (australian) lager lupulada norte-americana. Belo começo!

Para o segundo prato, um salto. A harmonização segue com a Adnams Crystal Rye IPA mais o Bulldog Inglês do Cão Véio Tauapé, um sanduíche com hambúrguer de kobe bovino, bacon, queijo cheddar, cebola roxa caramelizada e pepino em conserva, servido no pão australiano. Absolutamente perfeito!

O terceiro prato combina a Adnams Blackshore Stout (escrevi sobre ela aqui) com o Mastim, sanduíche de cupim assado lentamente, finalizado na manteiga de garrafa com vinagrete de agrião, cebola roxa e tomate servido no pão caseiro. O molho é o De Cabron Chipotle Maracujá, de Henrique Fogaça. A harmonização é uma surpresa incrível valorizando o cupim, a manteiga de garrafa, o achocolatado e o café. Meu favorito de todo o passeio.

Fechando, uma sobremesa. O quarto e último prato reúne a Adnams Broadside (escrevi sobre ela aqui) com o Vagabundo, uma rabanada de brioche no pão australiano, creme inglês com Jack Daniel’s e, nesta versão especial para a Cura Para a Segunda do Cão, compota de banana. Uísque, cerveja, banana, creme inglês e amor.

SERVIÇO (LIMITADO Á APENAS 40 LUGARES)
CURA PRA SEGUNDA DO CÃO – CÃO VEIO TATUAPÉ
DIA: SEGUNDA – 05/03 – 20h
INGRESSOS: R$135,00 + SERVIÇO
Rua Itapura, 1534 – Vila Gomes Cardim, São Paulo – SP
Reservas: Venda de ingressos no local ou pelo fone (11) 2373-3310

março 3, 2018   No Comments