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Category — Cervejas

O dia em que conheci a Duvel

10 anos atrás eu estava indo pela primeira vez ao Velho Mundo. Minha primeira parada foi na Bélgica, numa quarta-feira ensolarada de verão (02 de julho de 2008). No dia seguinte eu veria Vampire Weekend, National e R.E.M.; na sexta seria a vez de Slayer, The Verve e Neil Young; no sábado, Gossip, Sigur Rós e Radiohead. E no domingo, bem, no domingo eu conheci a Duvel. Eu tava num pub assistindo F1 e, nesse dia, Rubinho e Massa dividiram o podium. Inebriado pelos primeiros dias do Rock Werchter, da viagem (um mochilão de 40 dias apenas começando), da minha primeira vez na Europa, entornei 7 garrafas da Duvel original (NÃO REPITA ISSO EM CASA! NUNCA!) e fui ver Nick Cave e seu Grinderman. A ressaca veio como uma avalanche no meio do show, e após orientações de uma amiga belga que conhecia o Brasil (Beba menos: isso não é Brahma!!! SÃO 9.5% DE ÁLCOOL), eu estava definitivamente convertido ao mundo das boas cervejas. Depois disso, comecei a escrever e estudar cerveja, fiz um curso de sommelier e a Duvel, influenciada pelos bons ventos de lúpulos do Novo Mundo, começou a experimentar. Nascia a Duvel Tripel Hop, uma das minhas cervejas favoritas da vida. Eles testaram vários lúpulos nesta década em edições anuais, e agora chegam ao definitivo. E não poderia ser melhor: Duvel Tripel Hop Citra. Tão boa que me rendeu um momento Marcel Proust: assim que bebi fui transportado para aquele pub, em frente a estação de trens de Leuven, na Bélgica, onde bebi a minha primeira Duvel. A primeira de sete. Hoje é só essa. E eu durmo feliz 

Janeiro 20, 2018   No Comments

Uma cerveja com seriguela

Hoje à tarde, caminhando ali pelo lado da estação Marechal, do metrô, passei por uma banquinha na calçada em que o cara vendia… seriguela. Salivei, mas tava sem cash na carteira, então me lembrei que tinha essa Bragantina (sim, de Bragança Paulista) Prainha Seriguela Gose na geladeira, e dai felicidade azedinha. Recomendo muito (ainda mais em dias quentes, como hoje). Será que a banquinha terá seriguela amanhã?

Janeiro 18, 2018   No Comments

A volta da Bear Republic ao Brasil

Após uma breve passagem em 2013, a cervejaria Bear Republic retorna ao Brasil agora com importação da On Trade, a mesma importadora responsável pela distribuição (desde sempre) da alemã Weihenstephaner no país. “Queríamos ter uma cervejaria norte-americana em nossa carta e acabamos escolhendo a Bear Republic pela qualidade incontestável de suas cervejas”, contou Gustavo Sanches, sócio proprietário da On Trade, em encontro com a imprensa. A importação é feita em containers refrigerados e promete muitas novidades para o mercado nacional.

Fundada em 1995 em Cloverdale, cidade californiana a menos de duas horas de São Francisco, a Bear Republic foi reconhecida pela Brewers Association como a 40ª cervejaria artesanal em produção nos Estados Unidos. O carro chefe da casa é a Racer 5, uma Old American IPA clássica em que brilham os lúpulos Chinook, Cascade, Columbus e Centennial além da maciez da textura conferida pela adição pequena de trigo. Além dela (que chegou em garrafa ao preço de R$ 25 e chope) também veio neste lote, apenas em barril, a Grand-Am, uma American Pale Ale que chegou bem fresca e aromática.

Favorita da mesa na apresentação para a imprensa, a Bear Republic Hop Shovel (R$ 32) é uma baita American IPA produzida com centeio e trigo e os lúpulos Mosaic, Denali e Meridain. Mais suave, com uma Session IPA deve ser, a Pace Car Racer (R$ 26) também surpreendeu. Bem mais encorpada, a Bear Republic Apex Special IPA é uma Imperial IPA com trigo espelta e trigo malteado mais 8.25% de álcool. Fechando o lote caprichado, uma versão especial da Hop Rod Rye, que já havia vindo ao Brasil em 2013, e retorna agora através da Legacy Series 2017, com 18% de malte de centeio na composição. Essa foi a única que veio em garrafa de 650 ml (R$ 64). As demais chegaram em garrafa de 355 ml.

novembro 4, 2017   No Comments

Marcando presença no Cervejocast

O chef de cozinha e sommelier de cervejas Ronaldo Rossi trabalha como professor, consultor e chef executivo há quase 20 anos. Um dos grandes nomes do meio cervejeiro brasileiro, Ronado dá aulas de história da gastronomia na Universidade São Marcos e na formação de sommelieres de cerveja no Senac SP (ou seja, foi meu professor no curso de sommelier de cervejas que fiz em 2013). É colunista da Revista da Cerveja, criador da Riff Beer e proprietário da Cervejoteca. Atualmente se dedica à criação de receitas e preparações que utilizam a bebida como ingrediente e produz uma série de videocasts, todos disponíveis em seu canal (http://ronaldorossi.com.br/blog), tendo a cerveja sendo o ponto de conexão. Participei do primeiro da série Cervejocast In Concert, em que o papo é cerveja e rock and roll, ao lado de Ivan Busic. Inscreva-se no canal (https://www.youtube.com/c/confrariadorr), dê um joinha nos vídeos, abra uma cerveja e assista abaixo!

setembro 23, 2017   No Comments

Dogma abre Tasting Room em São Paulo

Uma das cervejarias ciganas mais importantes do país agora tem um cantinho para chamar de seu. Ainda no modo de soft opening, a Dogma Cervejaria abriu as portas de seu tasting room no centro de São Paulo, mais precisamente no bairro de Santa Cecília, com 20 torneiras disponíveis, sendo que a ideia dos cervejeiros é utilizar a maioria para receitas experimentais e sazonais, mas também deixar algumas reservadas para clássicos do portfólio da Dogma.

Na quinta-feira (31/08) acontece o lançamento dos dois novos rótulos da casa (que serão distribuídos simultaneamente aos PDVs): Guava, uma IPA com goiaba, colab com a Hocus Pocus, e a Dogma Boreas, uma IPA com cryo hops, que estarão disponíveis em lata (R$ 33) e pressão (de R$ 19 por 180 ml até R$ 59 o litro – eles já estão enchendo growlers no tasting room e esperando as latas chegarem para começarem o processo dos crowlers).

No quesito exclusividades, o Dogma Tasting Room abre com quatro receitas novas, sendo que três delas vão ficar engatadas até acabarem os barris, e então eles engatam uma nova receita complemente diferente. A única fixa, por enquanto, será a Dogma Cecília, uma Kolsh bem leve produzida com lúpulo alemão e feita pra homenagear o bairro que os abriga: os preços são R$ 12 (180 ml), R$ 17 (350 ml) R$ 19 (473 ml) e R$ 37 o litro. Uma delícia! Levissima, lupulada e refrescante para conquistar adeptos no bairro!

Entre as novidades ainda estão a Dogma Altazor, uma Saison com nectarina e pêssego bem sutis; a Dogma unkest, que é “a Double IPA mais intensa que a gente fez”, segundo o cerveiro Bruno Moreno. De R$ 18 (180 ml) a R$ 56 o litro. E, também, a Dogma Cake, uma sensacional Russian Imperial Stout com coco. Logo logo eles engatam a St Fortunato XII (uma Belgian Strong Ale com tâmara) e a Lupulim (uma APA), duas receitas também exclusivas do Tasting Room! Outra belezinha que está engatada: Dogma Felix Culpa, uma Gose com mirtilo.

“Aqui foi pensado para ser mesmo um laboratório”, contou Bruno Moreno durante a visita de apresentação do tasting room para a imprensa. “A ideia é tentar fazer coisas diferentes que, de repente, não iriam ter tanta saída para se produzir numa cervejaria de 2 mil litros, mas também produzir Weiss, Pilsen e outros estilos clássicos e oferecer num preço melhor”, comentou, falando ainda da opção pelo bairro de Santa Cecília: “Nós nos identificamos muito com a cidade e queríamos estar no centro, queríamos ser a cervejaria que está fazendo cerveja no centro de São Paulo”.

A Dogma Tasting Room será aberto nesta quinta-feira às 17h com horário de fechamento às 23h, mantendo o mesmo horário na sexta-feira (17h às 23h). No sábado, o horário será de 12h às 23h e no domingo, 12h às 19h. Não há serviço de comida e petiscos na casa, mas haverá sempre um food truck na porta (assim como há uma pizzaria na esquina da Rua Fortunato, o que remete ao modelo do tasting room da Brooklyn Brewery, em Nova York). Além dos chopes haverá vendas de latas, camisetas, copos e outros itens da cervejaria.

HORÁRIOS
Quinta e sexta: 17h às 23h
Sábado: 12h às 23h
Domingo: 12h às 19h

VISITAS GUIADAS
12h (sábado ou domingo – reserva no email loja@cervejariadogma.com.br)

Tasting Room Dogma
Rua Fortunato, 236 – Santa Cecília – São Paulo – SP

agosto 31, 2017   2 Comments

Cervejas de San Diego chegam ao Brasil

Cervejas badaladas de três fábricas renomadas de San Diego, nos Estados Unidos, chegaram ao Brasil nesta semana em container importado pela distribuidora Buena Beer: a Alpine Beer Co, a Green Flash Brewing e a Stone Brewing que, juntas, somam mais de 25 rótulos diferentes entre garrafas, latas e chope chegando ao Brasil agora, sendo que destes cerca de 15 são completamente inéditos no país.

A Alpine Beer Co, que produz suas cervejas desde 2013 na fábrica da Green Flash Brewing, já havia estreado no Brasil em janeiro deste ano, e agora retorna com quatro rótulos diferentes: Hoppy Birthday (uma Session IPA leve e refrescante produzida com seis lúpulos), Duet (uma West Coast IPA com Simcoe e Amarillo) e as inéditas Windows Up (uma American IPA com Citra e Mosaic) e, minha favorita, Willy Vanilly, uma Wheat Ale com baunilha! No Empório Alto de Pinheiros, todas estão na casa dos R$ 34.

A Green Flash já é conhecida dos brasileiros – a primeira vez que a Buena Beer os trouxe foi em 2013! Nesse container vieram quatro rótulos de reposição: Jibe (Session IPA leve produzida com os lúpulos Warrior, Chinook e Cascade), Soul Style IPA (mais pegada com 7.5% de álcool, 75 IBUs e os lúpulos Cascade, Simcoe e Citra), a minha favorita Tangerine Soul Style (Citra e Cascade mais raspas de tangerina) e uma das estrelas da casa, a potente West Coast Double IPA (com Simcoe, Columbus, Centennial, Citra e Cascade).

Já a Stone é responsável pelas maiores novidades do container: Stone IPA, Stone Go To IPA e a incrível Arrogant Bastard Ale chegam agora em lata (a Arrogant em latão de 473 ml por R$ 36 no EAP). Em lata também surgem as novidades, como a Ripper (R$ 27), uma APA com os lúpulos Galaxy e Cascade, e a Ghost Hammer (R$ 32), uma IPA deliciosa que me surpreendeu por utilizar um novo lúpulo, o Loral, que agora aparece denominado (até o ano passado ele era conhecido pelo código HBC 291, que, inclusive, foi usado na Duvel Tripel Hop 2016).

Em garrafa de 355 ml houve reposição da Delicious IPA e duas novidades incríveis: a chegada da Mocha IPA (R$ 47), uma Double IPA com adição de café e cacau, e da Ruination Double IPA 2.0 (R$ 38), tão sensacional que eu já havia trazido uma na mala de Nova York ano passado – na mesma viagem que a provei numa versão envelhecida em barris de carvalho americano. Duas chegam em chope pela primeira vez: Stone Arrogant Bastard Aged in Bourbon Barrels e Stone Tangerine Express (feita com laranja e abacaxi).

Da linha premium da Stone, uma série de novidades poderosas (todas na quantia de 60 garrafas para todo o país): Stone Double Arrogant Bastard In The Rye (R$ 305 a garrafa de 500 ml), de 13.5% de álcool envelhecida em velhos barris de Templeton Rye Whiskey (uísque de centeio) além de duas versões da Stone Double Arrogant Bastard Southern Charred, a 2014 e a 2015 (R$ 305 também), envelhecidas em velhos barris de Kentucky Bourbon. Há, ainda, seis edições safradas da Double Bastard (2011, 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016), que no EAP só é vendida num kit com as seis garrafas (650 ml cada) ao preço de R$ 800.

De todo o pacote me surpreenderam bastante (e recomendo) a Alpine Willy Vanilly (baunilha bem presente) e a Green Flash Tangerine Soul Style. Da Stone, até brinquei no Instagram: a Mocha IPA é tão gostosa que pode parar “um caminhão pipa na porta de casa, please”. O mesmo digo para a Ghost Hammer (quero ir atrás de mais cervejas com Loral, me trouxe algo de anis) e para a Ruination Double IPA 2.0 (até já havia escrito sobre ela aqui). As Double Arrogant Bastard são espetaculares, e indicadas pra confraria (melhor dividir a pancada de álcool e grana).

Leia também
– Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Leia sobre outras cervejas (aqui)

 

agosto 4, 2017   No Comments

Visitando a Goose Island São Paulo

Maior brewpub da capital, aberta no final de 2016 no Largo da Batata, em São Paulo, a Goose Island Brewhouse inaugurou alguns meses depois a parte superior da casa, com uma vista belíssima do largo, e segue firmando-se como uma alternativa interessante tanto para novatos no assunto cerveja artesanal quanto para conhecedores do assunto, e ainda tem o acréscimo de ter um cardápio interessante de petiscos, sobremesas e lanches.

Fundada em 1998 em Chicago, a Goose se tornou famosa entre os cervejeiros por um dos mais maravilhosos líquidos engarrafados, a Bourbon County Brand Stout (Top 5 no ranking pessoal de 1001 cervejas deste que vos escreve), mas eles tem outras belezinhas como a linha Saison (a Sofie é uma delícia) e as sensacionais Sours Sisters (Halia, Juliet, Gillian e Lolita), todas disponíveis em garrafas no brewpub.

Porém, o que chama a atenção são as 30 torneiras disponíveis nos dois andares do prédio, e a liberdade que o mestre cervejeiro da casa, Guilherme Hoffmann, tem para criar e abastecer o brewpub. Todas as cervejas oferecidas nas torneiras da casa são produzidas no próprio local, incluindo as receitas originais da Goose Island tanto quanto as criações do mestre cervejeiro, como a APA Yellow Line (em homenagem a linha amarela do metrô, que passa ali ao lado).

Nesta semana, a Goose São Paulo convidou jornalistas para conhecerem o novo lançamento da série Limited Release da casa, uma Sour Sister que teve como base a Yellow Line APA, mas foi maturada em quatro velhos barris que antes haviam maturado cachaça. Cada um destes barris recebeu adição de uma fruta diferente (maracujá, manga, caqui e laranja), e o resultado, posteriormente blendado, levou o nome de Feather In the Foot.

Essa série se chama Limited Release porque são cervejas realmente limitadas, e no caso da Feather In The Foot, Guilherme produziu apenas 600 litros, e quando acabar, acabou. Vendida ao preço de R$ 24 (280 ml), a Goose Island Feather In The Foot é uma Sour deliciosa e bastante refrescante, com as quatro frutas acrescentando leveza ao estilo arisco da cerveja. Para harmonizar, a Brewhouse sugeriu o hambúrguer de pato (R$ 36), e combinou muito bem.

Para fechar a noite, sobremesa: bolo de pão de mel feito com cerveja Honkers Ale e coberto com calda de chocolate e sorvete de baunilha (R$ 20) mais torta de maças com massa crocante e sorvete sabor cerveja (R$ 14). Os dois pratos surgiram harmonizados com a sensacional Lolita, uma sour que recebe adição de framboesas frescas e é envelhecida em barris que antes maturaram vinho (qualquer uma das Sour Sisters: R$ 95 a garrafa de 750m ml).

Uma dica bacana para quem não conhece o processo de produção de cervejas é que a Goose Island Brewhouse São Paulo está promovendo dois tours noturnos (um às 20h, outro às 22h) para que o público tenha uma pequena noção do processo. Geralmente, o gerente pergunta de mesa em mesa quem quer fazer o tour, mas, caso você tenha interesse, vale avisar a atendente assim que você chegar ao pub, ok. E também não esquece de pegar o seu Brews (está no número 2, jornal sobre a região do Largo da Batata produzido em parceria com o pub.

Goose Island Brewhouse
R. Baltazar Carrasco, 191, Pinheiros.
Horário de funcionamento: 18h/1h (sáb., 12h/1h; dom., 12h/22h; fecha seg.)

agosto 3, 2017   No Comments

Participação no Degusta Beer

Nesta quarta-feira, 26/07, começa o Degusta Beer & Food 2017, grande encontro cervejeiro de São Paulo, especialmente criado para a apreciação das cervejas artesanais. Reunindo o que há de melhor no mercado, no Degusta Beer & Food os visitantes aproveitam as melhores cervejas, shows de bandas e ainda harmonizam tudo isso com as opções gastronômicas na área dos food trucks! Os números da última edição já deixam claro que será imperdível: 60 expositores, 600 rótulos, 10 mil visitantes e 25 mil litros de cerveja consumidos. Em 2017 será ainda melhor com uma novidade incrível: Teremos uma sala de brassagem onde 4 cervejarias farão todo o processo cervejeiro com a criação de um rótulo para degustação dos visitantes!! Há também uma série de debates, palestras e conversas rolando paralelamente ao Degusta, e atendendo ao pedido do amigo Raphael Rodrigues, do site All Beers, participarei junto a Raphael, Carolina Oda e Laura Aguiar de uma mesa redonda sobre preconceitos no meio cervejeiro na sexta-feira (28/07), de 18h45 a 19h30. Neste link você encontra mais informações sobre o evento (ingressos, horários, transporte, endereço e tudo mais). Nos vemos lá!

julho 26, 2017   No Comments

Cervejas da Pöhjala chegam ao Brasil

A Estônia é um pequeno país no Mar Báltico que faz divisa com Letônia e Russia, e do outro lado do mar observa Finlândia e Suécia. Com uma população total de um milhão e 300 mil pessoas e a capital Tallinn tomando para si pouco mais de um 1/3 dessa população, a Estônia entrou no mapa cervejeiro em 2013, quando um mestre cervejeiro que trabalhava na Brewdog aceitou a proposta de se mudar para Tallinn e ajudar a criar uma nova cervejaria. Nascia a Pöhjala, sob o comando do mestre cervejeiro Chris Pilkington, que em menos de quatros anos se tornou uma das cultuadas jovens cervejarias europeias.

A Pöhjala desembarcou no Brasil pela primeira vez agora em julho, via Beer Concept, e já chega com nada menos do que 18 rótulos. A convite da importadora, o Scream & Yell participou de uma degustação que apresentou seis Pöhjalas e também quatro novidades da norte-americana Against The Grain, no segundo container da cervejaria que aporta no Brasil. Das Pöhjalas, o que se pode perceber na degustação é que a cervejaria está criando um ótimo cardápio básico, com estilos necessários e importantes e cervejas bem caprichadas, mas que eles já iniciaram um processo experimental que pode render coisas bem boas no futuro.

Para abrir a degustação,a Pöhjala Prenzlauer Berg (R$ 40), uma Raspberry Berliner, foi ideal. Sabe tortinha de morango? Então, lembra. Uma cerveja leve e refrescante. Na sequencia, entramos na especialidade da casa: cervejas escuras. A primeira foi a (pornográfica) Pöhjala Must Kuld (R$ 34), uma Porter produzida com lactose, equilibrada e agradável, seguida de sua versão caprichada, a Pöhjala Must Kuld Colombia (R$ 46), uma Coffee Porter que recebe adição de café Caturra, da Finca La Chorrera, na Colombia. Produzida durante a noite mais longa da Estônia, a Pime ÖÖ (R$ 86) é uma potente Russian Imperial Stout de 13.6% de álcool.

Os destaques da Pöhjala nesta degustação foram a Kolm Null Null Kolm Imperial Porter Barrel Aged Red Moscatel (R$ 86), uma cerveja colaborativa entre a Põhjala e a cervejaria britânica Brew By Numbers, que é envelhecida em barris de Moscatel Roxo, e apresenta delicada doçura e 11.1% de graduação alcoólica. A estrela da noite foi a Põhjala Öö XO (R$ 86), uma Baltic Porter que passa por envelhecimento em velhos barris que antes abrigaram conhaque. Com 11.5% de álcool (belamente inseridos), a Põhjala Öö XO impressionou a mesa, e saiu com o título de preferida dos jornalistas presentes.

Da norte-americana Against The Grain experimentamos a pornográfica (e excelente) Babyschläger Adambier (olha esse rótulo!), colaborativa com Freigeist, cervejaria alemã da nova escola germânica (que eu adoro!), a Rico Sauvin (uma Double IPA de rótulo hipster que agradou bastante a mesa), a incrível Jackyale (uma Double Brown Ale maturada em barris de Bourbon) e a deliciosa Brettie Paige (desde então minha favorita da Against The Grain: uma Saison com Brettanomyces que integra a All Funked Up Wild Series da casa) – só a Rico Sauvin dessa lista veio em latão, as outras três vieram em garrafas de 750 ml.

julho 10, 2017   No Comments

De Molen e Omnipollo de volta ao Brasil

Badalada entre beergeeks, a Brouwerij De Molen é uma premiada micro cervejaria, destilaria e restaurante localizada na área rural de Bodegraven, uma cidade com menos de 20 mil habitantes próxima a Utrecht, na Holanda. Fundada em 2004 dentro de um antigo moinho (De Molen, em dutch) construído em 1697, a cervejaria começou a chamar a atenção ao recriar receitas históricas (com uma pegada norte-americana) tanto quanto produzir um vasto catálogo baseado em círculos de produção extremamente curtos e sazonais. Em 2010, a Brouwerij De Molen entrou na lista de 100 cervejarias mais notáveis do mundo, segundo o Ratebeer, e seus rótulos continuam provocando o bebedor, já a partir da arte, simples e econômica, que remete a apresentação de remédios.

Após um período ausente do Brasil, a Brouwerij De Molen retorna agora via importação da Beer Concept, que coloca 22 cervejas da casa nas prateleiras brasileiras, numa tabela de preços que flutua de R$ 31 (a Vuur & Vlam IPA) a R$ 96, preço dos rótulos mais festejados da casa, que geralmente passam por envelhecimento em barricas. Algumas destas foram apresentadas para a imprensa esta semana no Empório Alto de Pinheiros, e surpreenderam: a Bommen & Granaten Barley Wine chega em versão básica (R$ 49) e uma espetacular Barrel Aged Rioja (R$ 96), envelhecida em barricas que antes continham vinho Rioja. Outra das favoritas da degustação foi a Verdeel & Heers Barreal Aged With Brett (R$ 96), uma Imperial Stout com uma carga incrível de defumado e turfa, derivados dos barris que a envelheceram.

Pelo Scream & Yell já passaram 24 De Molens diferentes (o meu Untappd soma 35), sendo que algumas que chegam agora neste container estão entre as prediletas da casa, como a Tsarina Esra (R$ 49), uma poderosa Imperial Porter que ocupa a sexta posição no meu ranking pessoal de 1001 cervejas. A De Molen Hel & Verdoemenis (R$ 49) chega em sua versão base sendo que no meu ranking pessoal destaco a versão Cuvee (34º lugar), que eu trouxe de Amsterdã em uma viagem. Outra presente no ranking é a De Molen Mooi & Meedogenloos (R$ 40), que figura na posição 196. Chegaram ainda a Hemel & Aarde Russian Imperial Stout (R$ 49), a Rook & Vuur Smoked Stout (R$ 49), a Rasputin Russian Imperial Stout (R$ 49), a Mout & Mocca Russian Imperial Stout With Coffee (R$ 49), que eu bebi em Amsterdam, entre outras.

Já a sueca Omnipollo retorna ao Brasil com 11 rótulos, sendo que apenas dois deles eu havia bebido anteriormente: a Leon Belgian Pale Ale (R$ 31) e a Nebuchadnezzar Imperial IPA (R$ 40). Dos rótulos apresentados para a imprensa pela Beer Concept, o mais elogiado foi o da espetacular Omnipollo Anagram Blueberry Cheesecake Stout (R$ 82), uma Russian Imperial Stout de 12% de álcool incrível feita em colaboração com a também sueca Dugges. Chamaram a atenção também a bela Magic 3.5 Pineapple (R$ 47), uma deliciosa gose com sal marinho e também abacaxi, a Selassie Vanilla Beans and Ethiopean Coffee (R$ 82), uma Imperial Stout com favas de baunilha e café etíope, e as duas versões Ice Cream, feita em colaboração com a cervejaria britânica Buxton: Original Rock Road e Original Texas Pecan (minha preferida), ambas chegando ao preço de R$ 82 a garrafa.

julho 7, 2017   3 Comments