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Category — Cervejas

Scream & Yell no São Paulo Tap House

O Donos da Noite é um projeto do pub São Paulo Tap House em que a casa convida alguém de fora para criar uma noite temática usando o espaço do pub. Nesta primeira parceria da SPTH com o Scream & Yell, decidimos promover uma noite cultural com música ao vivo, literatura, DJ Set e dois menus degustação de cervejas artesanais pensados especialmente para o evento, tudo isso amarrado no que um ambiente de um botequim promove de melhor: o bate papo.

Com esse foco de aproximar quem consome arte de quem produz arte teremos duas sessões de autógrafos:

– O autor Guss de Lucca irá apresentar seu recém-lançado livro “O Monstro”, um suspense de fantasia (sem magos, guerreiros, anões ou elfos) focado na vida de jovens agricultores que encontram nas mortes atribuídas a uma misteriosa criatura a chance de realizar seus sonhos. Guss é jornalista e historiador, trabalhou no site da MTv Brasil e no Portal iG. Também colaborou com o Scream & Yell contando a saga de Bernard Bertrand, o crítico musical.
Saiba mais: http://gussdelucca.com.br/livros.html

– O músico Bruno Souto irá apresentar seu segundo álbum solo, “Forte”, lançado no final de 2016. Integrante da elogiada banda recifense Volver, Bruno Souto estreou solo com “Estado de Nuvem” (2013), disco que apareceu em diversas listas de melhores do ano, e levou o músico ao Prata da Casa, do Sesc Pompeia – seu show foi escolhido um dos 10 melhores do projeto em 2014. “Forte” acaba de ganhar edição em CD e Bruno mostrará algumas canções na noite.
Saiba mais: https://brunosouto.bandcamp.com/

– O editor do Scream & Yell, Marcelo Costa, também Beer Sommelier, irá preparar dois menus degustação de cervejas especiais, o Scream (mais arisco) e o Yell (mais comportado), buscando aproximar quem não está lá muito acostumado com esse negócio de cerveja artesanal desse mundo incrível. E também papear e trocar impressões com os experts sobre as favoritas da lousa. Ou seja, é só um motivo (ou melhor, dois motivos) para a gente beber e falar de cerveja.

– O som da noite ficará na responsabilidade do jornalista Tiago Agostini, que já discotecou em várias festas Scream & Yell, nas saudosas noites de Dê um Role (no Puxadinho da Praça), na Sirigaita, na Noites Trabalho Sujo, entre outras. Coisa fina 🙂

Na São Paulo Tap House você encontra 40 torneiras de cerveja artesanal com chopes produzidos pelos melhores produtores do país. A seleção é rotativa, com presença garantida de lançamentos sazonais e edições especiais. Da cozinha saem hambúrgueres (incluindo veggies), sanduiches, porções (destaque para a porção de pastel de queijo Canastra) de croquetes, bolovos além de tábuas de queijos, embutidos e linguiças. Saiba mais: http://www.spth.com.br/

SERVIÇO
23/06/2017 – Sexta-Feira
A partir das 22h
Entrada Gratuita
Rua Girassol, 340, na Vila Madalena, São Paulo.

junho 14, 2017   No Comments

Cervejando em Buenos Aires

O start da revolução cervejeira artesanal começou nos Estados Unidos no final dos anos 70, começo dos 80, e nos anos 90 grande parte dos 51 estados norte-americanos tinha aderido ao “movimento”. O novo século chegou e países como Itália, Dinamarca, Holanda, Canadá, Chile e Brasil, entre muitos outros, embarcaram na onda da revolução cervejeira, que também bateu na porta das respeitadas escolas clássicas (Alemanha, Inglaterra e Bélgica), e muitas delas cederam levemente (a República Tcheca ainda faz charminho).

País do vinho Malbec, a Argentina tinha acenado levemente alguns anos atrás que estava a fim de embarcar na onda, mas as coisas caminharam lentamente no país de Diego Maradona até que nos últimos dois anos houve uma proliferação de cervejarias artesanais e brewhouses que se triplicaram na capital. Se nos anos 00 era possível contar os lugares que vendiam cerveja artesanal na capital argentina nos dedos das mãos, agora já é melhor chamar mais uns dois amigos para ajudar na contagem (e no levantamento de copo).

No geral, a escola de cerveja artesanal argentina ainda soa em um estágio inicial apostando em IPAs, Irish Reds e Golden Ales básicas, mas um nome já se destaca no cenário local: Ricardo “Semilla” é responsável pelas experimentais cervejas Los Bichos Mandan (geralmente nascidas de blends improváveis de outras cervejas artesanais locais com maturação em barris de uísque, vinho ou conhaque de segundo uso com acréscimo de levedura selvagem e lúpulo) e pelo grande hit da atual temporada cervejeira argentina, a linha artesanal Juguetes Perdidos.

Abaixo um passeio por 10 points cervejeiros (e um extra) na capital argentina em maio de 2017, boa parte deles divididos entre San Telmo e Pallermo (há uma honrosa exceção em Caballito). É sempre bom lembrar que pubs que não são brewhouses (ou seja, não produzem a própria cerveja) dependem do que o mercado artesanal tem a oferecer, o que quer dizer que você pode ir a alguns desses bares e a lousa estar completamente diferente (e alguma cerveja citada não estar disponível), o que torna o passeio sempre uma surpresa (a alguma ainda melhor pode estar engatada). Boa sorte na sua caminhada. A minha foi essa.

PRIMEIRA PARADA – Bodega Cervecera (El Salvador 5100, Palermo Soho)
Dica da amiga Cilmara, do blog Lupulinas. Aberta em 2011 inicialmente na Calle Thames, a Bodega Cervecera mudou para este lugar aconchegante cujo diferencial nesta noite foi não estar abarrotado. Ou seja, um lugar calmo para se beber uma cerveja sem stress. Na lousa, 10 rótulos, todos de nano ou micro cervejarias argentinas honrando o lema artesanal “apoya a tu cerveceria local”. Apostei numa Kira Indie American IPA, bastante correta e amarga, mas sem grandes surpresas. O companheiro de boteco Tulio Bragança, do renomado site Aires Buenos (que honra o lema “Simplesmente tudo sobre Buenos Aires”), foi de Finn American Wheat, que chegou sem carbonatação nenhuma, um pecado em se tratando de cerveja artesanal. Um dos méritos das cervejas mainstream é entregar padrão, baixo, mas ainda assim padrão. Uma Budweiser, Stella ou Heineken terá o mesmo gosto em São Paulo, Nova York ou Londres, e se você bebe uma delas “choca” é, muito provavelmente, porque o dono do estabelecimento desligou a geladeira para economizar energia e esse gela/aquece/gela ferra uma das duas únicas vantagens que a grande indústria pode oferecer: padrão para quem está na zona de conforto (a outra é preço). Dai pagar um pouco mais caro numa artesanal e ela vir sem carbonatação dificulta o jogo, mas eventualmente acontece. Ainda assim gostei da Bodega Cervecera, e lamentei não olhar as cervejas locais que eles tinham em garrafa (num post antigo deles num blog vi garrafas de Grosa, uma das minhas cervejas argentinas favoritas).

SEGUNDA PARADA – On Tap (Costa Rica 5527, Palermo Hollywood)
Excelente recomendação do Túlio, esse pub é o grande exemplo do crescimento da procura por cerveja artesanal na capital argentina. Aberto em julho de 2015, o On Tap deu tão certo com suas 20 torneiras de cerveja artesanal argentina que abriu uma filial na mesma calçada e mais cinco (!) bares em outros bairros da cidade. Como só números não significam muita coisa (afinal Justin Bieber vende milhões de discos e sua música é algo tipo Malt 90 – Malt Nojenta, se você viveu os anos 80), conta pontos eles terem duas Juguetes Perdidos entre suas 40 torneiras nos dois endereços da Calle Costa Rica: uma Baltic Porter (que deixei passar) e uma sensacional Grand Cru, uma das melhores cervejas de toda viagem. A média, no entanto, é de Pale Ale, IPA, Red, Golden Ale e Stout (Tulio experimentou uma Hazelnut bem interessante), mas ainda havia uma Wee Heavy engatada (da BierHaus) e uma Wesley Double IPA, que experimentei e curti (ainda que melada demais e amarga de menos). O On Tap original é um local fechado, com mesas e tal (e estava abarrotado). Já o vizinho coloca balcões na calçada, o que é bem legal. O saldo foi extremamente positivo nesse que já está entre os meus três bares favoritos da cidade.

TERCEIRA PARADA – Gull (Cabrera 5502, Palermo Hollywood)
Para fechar a primeira noite, Túlio nos levou ao Gull, que tem um ambiente mais pop, gourmet e arrumadinho (patricinho) com um segundo andar bastante aprazível para dias de verão, mas que não me animou tanto quanto a variedade de rótulos on tap, todos próprios e básicos (Irish Red, Golden, IPA, Honey, Porter e Scottish). O que salvou a noite foi a geladeira da casa, de onde retirei duas La Loggia, uma Imperial Stout e uma Imperial IPA, ambas seladas com cera e sem rótulo, apenas com uma etiqueta que lista os prêmios (merecidos) recebidos pelas duas. Aqui já deu notar outro salto das cervejas locais: em 2014, num tour (de vinhos) que fiz pela Argentina, trouxe três La Loggia na mala, e nenhuma delas (inclusive essa mesma RIS) impressionou muito, todas boas e corretas, mas sem grandes destaques. Essas duas da geladeira do Gull estavam bem melhores e mais provocantes, um ou dois níveis acima das mesmas cervejas que bebi em 2014.

QUARTA PARADA – Cervelar (Viamonte 336, Microcentro)
Na primeira vez que vim a Buenos Aires buscando cervejas argentinas, por volta de 2008 e 2009, a Cervelar era o principal point indicado por blogs e locais. Ainda hoje se você buscar locais cervejeiros na capital argentina pelo Ratebeer, a Cervelar aparecerá em primeiro lugar, mas a sensação é de que este bar na Viamonte (geralmente o indicado) parou no tempo. Nas prateleiras, uma boa seleção básica do que a Argentina tem de cerveja artesanal engarrafada (Antares, OtroMundo, Barba Roja, Beagle, Berlina); em tap, quatro estilos tradicionais, mas absolutamente nenhuma novidade. A sensação é de que este bar é mantido por ter sido um dos primeiros da marca, que hoje soma mais oito pubs na cidade. Dai fica o critério ao que você busca: se você está procurando por cervejas artesanais argentinas em garrafa, esse point da Viamonte pode ser interessante para neófitos; se você quer cerveja on tap, deixe a Cervelar da Viamonte de lado e parta para a Cervelar de San Telmo (Defensa 998), que ganhou um banho de loja, tapas gourmet e 14 torneiras (incluindo uma Double IPA).

QUINTA PARADA – Bélgica (Avenida Pedro Goyena 901, Caballito)
Num belo casarão de esquina em Caballito está localizada uma das joias cervejeiras de Buenos Aires na atualidade, o Bélgica, pub aberto em novembro de 2016 e que conta com 12 torneiras e atendimento “a lá Bélgica”: aqui se bebe cada estilo de cerveja em seu copo próprio, buscando alcançar o melhor resultado (os copos especiais de dose para experimentar alguma cerveja desconhecida são um charme). Indicado a mim pelo próprio Semilla, não estranha encontrar na lousa quatro Juguetes Perdidos entre as 14 opções disponíveis: uma Belgian IPA (que já é um passo à frente das American IPA locais), uma Jamaica Dubbel, uma Saison Maracuya e até uma Scotch Peated Smoked Whisky Barrel (que eu só descobri que estava engatada depois de sair e perdi de experimentar). Outra que chamou a atenção foi a Finn Wheat IPA Blend 2, o que demonstra certo apreço da casa em sair do lugar comum das cervejas artesanais, algo que os diferencia num oceano de mais do mesmo. É um espaço grande com um belo balcão central, mesas e um segundo piso, tudo cheio numa sexta-feira de tempo bastante agradável para se provar cerveja artesanal. Recomendo conhecer.

SEXTA PARADA – Antares Brew Pub (Bolivar 491, San Telmo)
Fundada em dezembro de 1998 por três amigos de faculdade (dois caras e uma garota), a Antares é hoje a maior micro-cervejaria da Argentina, e paga certo preço por ser uma das desbravadoras do universo cervejeiro local. Tal qual a Colorado no Brasil, a Antares funciona como porta de entrada para curiosos adentrarem o mercado cervejeiro artesanal, oferecendo rótulos tradicionais que já soam ultrapassados por nanos e micro cervejeiros (tal qual as escolas clássicas europeias ficaram ultrapassadas pela revolução cervejeira norte-americana). Então se você gosta muito de Colorado, por exemplo, você irá gostar de Antares. Já se você acha que a Colorado já não é mais o que era há 10 anos atrás (você evoluiu, ela permaneceu a mesma) e está mais para mainstream do que para cerveja artesanal, a Antares segue o mesmo caminho. Dito isto, este pub num belo casarão de San Telmo (aliás, são mais de 30 pubs espalhados por todo o país) vive permanentemente tomado. O legal aqui é provar a régua com todas as cervejas da lousa em copos pequenos (são oito tradicionais mais duas cervejas sazonais). Gosto da Kölsch e da Barley Wine – nesse esquema de cervejas mainstream produzidas por “empresas artesanais”.

SÉTIMA PARADA – Sexton Beer Company (Bolivar 622, San Telmo)
Um dos que mais curti a vibe, o Sexton Beer Company foi aberto em fevereiro de 2014, e aposta numa carta apenas com cervejas preparadas no próprio bar, que eles vendem on tap e também em garrafa. O local é pequeno (três mesas e um bom balcão), mas bastante agradável, com alma de pub rock and roll: no som, Iggy Pop esgoelando durante meia hora (clap clap clap) celebrou meus dois pints. Provei a Munyon Citra IPA e a Merican IPA, e as duas estavam muito boas, modelo American IPA “antigo” (amargor “sujo” e levemente resinoso – mesmo na Citra), mas totalmente dentro do estilo. Depois me arrependi de não provar a Dulce de Leche Amber. Quero voltar.

OITAVA PARADA – Breoghan Brew Bar (Bolivar 860, San Telmo)
Alguns passos na mesma rua do Sexton Beer Company está o Breoghan Brew Bar, com uma proposta totalmente inversa: pub totalmente lotado daqueles que você precisa conversar com o vizinho no balcão quase gritando para competir com o pop rock anos 80 que sai das caixas e o falatório no salão, ou seja, um bar mais jovem, de galera, para quem não quer apenas beber e comer, mas também conversar e paquerar. Há várias mesas, um balcão no miolo do bar e outro no canto próximo das torneiras, que somam 15 taps, sete deles da própria casa. Decidi arriscar em uma Buena Birra Cascade e fui beber no anexo do bar, mais calmo e vazio. Desceu bem, outra American IPA das “antigas”, mas o local me soou mais um daqueles para ver, beber, e ser visto.

NONA PARADA – Barba Roja San Telmo (Defensa 550, San Telmo)
Eu estava evitando ir ao Barba Roja, mas queria fechar um post com 10 bares, e não resisti a inclui-lo (no fim acabei indo a 11 bares de qualquer jeito). E eu estava relutante porque nunca bebi uma Barba Roja que “valesse realmente a pena” – e acho que já bebi umas seis ou sete diferentes. Mas como diz o ditado, já que não tem tu, vai tu mesmo. Até curto a arte da cerveja, tão infantil quanto a tampinha destacável e fácil de abrir das garrafas, mas definitivamente eu não vivo no universo Barba Roja: no pub, enorme, escuro e lotado, uma boa seleção de pop rock argentino em alto volume. Na lousa, oito Barbas Rojas diferentes e escolhi a IPA (até para manter a linha da noite após passar na Sexton e na Breoghan), que estava tão ruim, mas tão ruim, mas tão ruim, que a vontade era deixar o pint pela metade. Posicionado no balcão de frente a atendente, que foi bastante gentil, educadamente bebi a cerveja toda. A gente não acerta todas numa mesma noite, certo.

DÉCIMA PARADA – BierLife (Humberto 1º 670, San Telmo)
Desanimado no balcão do Barba Roja, recorri a amigos no Whatsapp, e o cervejeiro e parceiro de confraria Marcio Kovacs (que já havia me auxiliado num roteiro cervejeiro em Nova York) me salvou novamente: “Você está em San Telmo? Vá no BierLife!”. Dica anotada, maps ligado e uma pernadinha leve para encontrar o melhor local cervejeiro da viagem, o point número 1 para mim em Buenos Aires, com 44 torneiras (duas Juguetes Perdidos <3) num casarão que remete muito a um Biergarten alemão: a casa começa em dois salões, abre prum terceiro salão menor que emenda com um quarto salão imenso. E estava totalmente lotada! Esse é o tipo de lugar que faz falta em São Paulo, um galpão cervejeiro imenso com vários ambientes (tudo aqui em São Paulo é pequeno e lotado). A lousa não decepcionou. Encarei a Juguetes Perdidos Belgian IPA (mandei até um elogio bêbado ao cervejeiro) e uma BierLife Wheat Wine que me surpreendeu. A lousa ainda destacava uma Del Parque Pumpkin, uma La Delicia Sidra Espumante Seca, uma BierLife Raisins Wine e uma Juguetes Perdidos Jamaica Dubbel, mas o nível alcoólico já estava alto, a madrugada outonal agradável e a cont fechada: 10 bares, e justamente o último tinha sido o melhor formando um Top 3 com o On Tap de Pallermo Hollywood e o Bélgica Caballito.

EXTRA: NOLA (Gorriti 4389, Pallermo)
Já havia encerrado a lista na madrugada de sexta e as malas já estavam fechadas preparadas para o voo das 22h, mas o sábado prometia um almoço com o casal André e Giovana. O local (escolhido pelo Tulio) foi o Carniceria, responsável por um dos melhores cortes de carne de toda viagem (deixando para trás até o famoso ojo de bife do 1884, do Francis Mallman) – aliás, vale conhecer também o Chori, de um dos donos do Carniceria, algo como um choripan gourmet, mas muito bom (outra boa dica do Tulio). Depois de duas garrafas de vinho e papos muito bons, o casal comentou sobre o NOLA, um bar de comidas cajun comandado por uma nativa de New Orleans com cerveja artesanal própria próximo dali. Não resistimos e saímos batendo perna na agradabilíssima tarde outonal de Buenos Aires. No NOLA bebi mais uma boa IPA bastante fresca e caramelada, e fiquei salivando pelas comidas, mas já não havia espaço depois do almoço. Fica para a próxima, mas eu volto.

maio 12, 2017   No Comments

Os Melhores de 2016 na Cerveja Brasileira

E o Roberto Fonseca (AKA Bob) publicou hoje mais uma leva de “cédulas” do importante Melhores de 2016 na Cerveja Brasileira. Trabalho sensacional que o Bob já vem fazendo há alguns anos, a enquete mapeia o ano cervejeiro com centenas de nomes da cena. Meus votos para a safra 2016 estão aqui. Um brinde!

fevereiro 2, 2017   No Comments

Green Flash e Alpine Beer no Brasil

O mítico Empório Alto de Pinheiros, a meca cervejeira na capital paulista, recebeu na quarta-feira, 18 de janeiro, o lançamento de três cervejas da californiana Alpine Beer e três cervejas da Green Flash Brewing Company, de San Diego (responsável também pela produção das cervejas da Alpine). Dos seis rótulos, quatro são novidades no Brasil, sendo que a Green Flash já passou pelo Brasil em 2014/2015 com uma linha mais arisca (relembre) e a excelente Alpine Beer chega pela primeira vez aos consumidores brasileiros.

Desta vez, a Green Flash retorna ao Brasil com três IPAs à moda antiga, amargas e ásperas (duas delas em lata): a Jibe é uma Session IPA leve produzida com os lúpulos Warrior, Chinook e Cascade. São apenas 4.8% de álcool e 65 IBUs declarados (mas parece menos, algo em torno de 45). A outra que chega em lata é a potente e agradável Soul Style IPA (7.5% de álcool e 75 IBUs). Minha favorita das três foi a Tangerine Soul Style, cuja receita une maltes norte-americanos, lúpulos Citra e Cascade mais raspas de tangerina. Delicinha (de 6.5% e 75 IBUs).

Da linha Alpine, a Hoppy Birthday é a Session IPA da casa, leve e refrescante com seus 5.2% de álcool e 69 IBUs que demonstram um amargor mais limpo do que o das Green Flash. Uma bela cerveja feita com seis lúpulos. Favorita da mesa, a Duet (7% e 45 IBUs) é uma West Coast IPA produzida com os lúpulos Simcoe e Amarillo. Fechando a sessão, a favorita pessoal do dia (e da semana) e com nota 100 no Ratebeer, a apaixonante Alpine Pure Hopiness é uma West Coast Double IPA incrível com 8% de álcool e 61 IBUs.

janeiro 19, 2017   No Comments

Cervejando em Nova York

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Em setembro estive em Nova York durante uma semana, e decidi fazer um pequeno tour por micro cervejarias artesanais e pubs legais (e ver um ou outro show). A ideia inicial era beber o máximo de Hill Farmstead que eu conseguisse encontrar na cidade (e eu encontrei cinco – obrigado, Beer Menu), visitar o maravilhoso templo New Beer Distributor e rodar algumas micros cervejarias em Long Island, uma dica esperta do amigo cervejeiro Marcio Kovacs. Fiquei devendo uma visita a Other Half Brewing, no Brooklyn, queridinha atual dos cervejeiros locais, e lamentei não conseguir seguir o conselho do Fabio Andrade e ir até a Peekskill Brewery de trem margeando o rio Hudson, mas acerto as contas com ambas na minha próxima visita a Nova York. O importante agora é falar de…

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1) BEER MENU (https://www.beermenus.com/)
Foi de uma grande ajuda! Você bate o nome da cerveja /cervejaria que está atrás e a cidade em que está e o BEER MENU lista todos os pubs que trazem a tal cerveja engatada. O serviço não é tão atualizado, o que recomenda pegar a dica ali e ir atrás do site oficial do pub e bater com o que eles realmente tem no momento. Ainda assim funcionou bem demais porque pude encontrar Hill Farmstead no excelente The Jeffrey Craft Beer and Bites (dá uma olhada nisso: cinco queijos enrolados em bacon acompanhados de mostarda da casa), em Manhattan, e no The Well, no Brooklyn, absolutamente vazio numa segunda à noite, mas com uma carta de cervejas incrível e uma trilha sonora que eu teria feito (Bruce Springsteen, Neutral Milk Hotel, Sparklehorse). Dei uma passada no Torst, o pub número 1 da cidade segundo o Ratebeer, e curti, mas era 13h e pouco e a coisa toda estava meio parada. Acho que a noite a coisa deve funcionar melhor. A carta, por sua vez, estava bem básica, sem novidades incríveis. Também visitei a Mugs Alehouse, mas como não fiz a conferência antes, eles não tinham Hill Farmstead (havia acabado dois dias antes), mas valeu pela Stone Ruination 2.0 with American Oak.

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2) BOTTLES
O New Beer Distributor continua imbatível com quase uma centena de rótulos entre 2 e 4 dolares (muitas Dogfish Head). É o templo na cidade para se comprar garrafas. A passada no Eataly valeu a pena assim como a tradicional visita ao Whole Foods Beer Room do Bowery, sempre sensacional (foi o segundo lugar em que comprei mais coisas). Eu queria encontrar uma Parábola, e o site oficial da Firestone me indicou alguns lugares próximos ao hotel. Escolhi o Urban Barley, com bom acervo, mas apenas se você estiver interessado em algumas coisas que não vai encontrar no New Beer Distributors (como a Parábola, US$ 22, ou a Bourbon County, US$ 18) e quiser gastar dinheiro.

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3) As cervejarias em LONG ISLAND
Eu comecei o dia no Brooklyn passando na Rough Trade e depois na Brooklyn Brewery, apenas para desejar comprar algumas dezenas de vinis e beber uma ótima Brooklyn Bel Air Sour. Consultando o Maps encontrei um ônibus que em menos de 15 minutos já tinha me deixado próximo a primeira das três micro cervejarias abaixo. Importante: confira os horários nos sites de cada uma delas. A preferência pelo fim de semana é evidente, já que todas elas estendem o horário, abrindo mais cedo e indo até um pouco mais tarde, então é ideia é pegar um sábado ou domingo se você quiser conhecer as três – ou ir sossegado num dia de semana degustando uma delas de cada vez.

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TRANSMITTER (http://www.transmitterbrew.com)
Para mim, a melhor das três, ainda que o serviço seja o mais complicado. A cervejaria fica numa bocadinha bem interessante (e aparentemente sossegada – ao menos nesse sábado de sol), mas assim que você chega lhe é oferecido doses de algumas das cervejas malucas da casa (Sour, Gose, Saisons condimentadas), e ou você leva a garrafa de 750 ml (US$ 15) ou senta para beber na hora ali em meio aos barris. É bacana, mas quem pretende fazer as três num dia e estiver só já começa tendo que entornar 750 ml de uma única cerveja. Eu preferiria 250 ml de três (ou quatro, ou cinco). Ainda bem que o Fábio me ajudou nessa (ok, bebemos duas garrafas e eu acabei tomando 750 ml do mesmo jeito). Gostamos muito da PH1, uma Dry Hopped Sour Ale.

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ROCKWAY (http://rockawaybrewco.com)
Da Transmiter fui a pé para a cervejaria mais família das três. Fiz esse vídeo lá que mostra o clima (um pai com seu filho bebê, alguém com um cachorro, gente no balcão e uma carta interessante de cervejas tradicionais). O prédio em que a cervejaria está localizada é bem legal e fica exatamente em frente a um estacionamento que, aos sábados, recebe uma feirinha com food trucks. Dai já fica a dica para tentar aproveitar o sábado, já que o horário das três ajuda e há boas opções de comida na feirinha. Na Rockway eu bebi uma boa Nitro Black Gold Stout e uma IPA (e comi uma excelente empanada na feirinha, que forrou o estômago para a próxima), mas me arrependi de não ter ido mais a fundo no cardápio de cervejas da casa.

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BIG ALICE (http://bigalicebrewing.com)
Do Rockway vim a pé para a mais “profissional” das três. Fica escondida numa rua meio estranha (e totalmente vazia). Percebe-se a casa por essa bandeira na porta fechada (e ainda assim eu passei batido na rua lateral). Assim que a gente abre encontra um espaço fofíssimo e um atendimento de primeira (neste vídeo dá pra sacar o ambiente). Das três era a única que tinha tasting, e escolhi seis da casa para experimentar. Minha sensação é de que a Big Alice é uma prima distante da paulistana Urbana, pois ambas utilizam o fermento praticamente da mesma forma, saltando na boca do bebedor. Acho que funciona em algumas receitas, mas não me agrada no geral. Mas, ainda assim, foi bem bacana experimentar a Lemongrass Kölsch e a favorita, Peach Gose (a Queensbridge IPA também colocou um sorriso no fim de tarde).

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Pra ficar sabendo de assuntos cervejeiros na cidade vale acompanhar:
https://www.facebook.com/brewyorknewyork

outubro 26, 2016   3 Comments

Download: As receitas da Brewdog

Em fevereiro deste ano, a Brewdog mostrou mais uma vez sua faceta punk ao incentivar o lema Do It Yourself (Faça você mesmo) disponibilizando para download em PDF o livro “DIY Dog”, com mais de 200 receitas de cerveja da casa detalhadas e com dicas. Isso mesmo: James e Martin, sócios da cervejaria escocesa, incentivam cervejeiros caseiros a produzirem na panela receitas clássicas como a Punk IPA e a linha Paradoxx até as especiais Abstrackt.

“Em 2007, conseguimos um empréstimo bancário, compramos alguns equipamentos de segunda mão e transformamos nosso hobby cervejeiro em nosso trabalho, diz o texto de introdução do livro. “Nossa cervejaria original era, basicamente, um home brewing gigante com galões de água de plástico de 50 litros e controle manual. Até hoje desenvolvemos novas receitas neste sistema de galões de 50 litros”, eles explicam.

O livro não só detalha as receitas como dá dicas de home brewing (com os equipamentos básicos) e traz um breve glossário. James e Martin incentivam: “Copie nossas receitas, rasgue elas em pedacinhos, perverta-as, adapte-as e, acima de tudo, aprecie-as”. Eles ainda recomendam: “Só não se esqueça de compartilhar suas cervejas, adaptações e o resultado. Compartilhar é se importar”. Mãos a obra:

https://www.brewdog.com/diydog

Leia também
– Top 1001 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
– Leia sobre outras cervejas (aqui)

abril 24, 2016   No Comments

Combinando cervejas e pop rock stars

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Tô indicando a Urbana Refrescado de Safadeza pra Rihanna, a Backer Tommy Gun para o AC/DC e mais oito cervejas (pra Katy Perry, pro Michael Stipe, pro Paul…) na Rolling Stone que acaba de chegar às bancas (com Bowie na capa)

fevereiro 19, 2016   No Comments

Melhores de 2015 na Cerveja brasileira

janeiro 25, 2016   No Comments

Quatro perguntas sobre cervejas

Você tem uma marca de cerveja favorita?
Não. Minha preferida é sempre a cerveja que não bebi e, de preferência, local. Se eu estiver em Minas, vou de Wäls, Três Lobos e alguma das Inconfidentes. Se eu estiver em POa, Coruja, Abadessa ou Tupiniquim; se estiver em São Paulo, alguma da linha da Cervejas Sazonais…

Qual é a relação que você tem com o universo craft?
Sou beer sommelier e escrevo sobre cervejas tanto no Birrinhas quanto no Scream & Yell. É um universo que me interessa bastante.

Você costuma ser fiel a uma marca de cerveja?
Não. Existem marcas que me agradam, mas meu interesse é sempre em descobrir uma cerveja nova, inédita. Então se estou em um bar e existem 10 cervejas crafts que já bebi e gosto, e uma que não bebi, vou nessa última.

Onde você compra cerveja e onde bebe?
Meu local preferido para comprar em São Paulo hoje é a loja da Beer4U no Sumaré. Para beber ainda acho o EAP imbatível, mas gosto de dar uma passada na Brewdog SP vez em quando.

agosto 28, 2015   No Comments

Cinco drinks com Berliner Weiße

Uma cerveja mítica (e, para muitos, difícil) produzida apenas em Berlim, a Berliner Weiße já foi a bebida alcoólica mais popular da Alemanha, entre os séculos 16 e 19, com cerca de 700 fábricas a produzindo para abastecer o mercado. Após duas grandes guerras, que devastaram a cidade, e a chegada de cervejas concorrentes (menos agressivas) da Baviera, a produção da Berliner Weiße caiu vertiginosamente a ponto de, hoje em dia, apenas duas fábricas em Berlim a produzirem seguindo as receitas tradicionais. Porém, basta chegar o verão para que a Berliner Weiße retorne aos supermercados e a mesa dos bares berlinenses. Quando estive em Berlim em 2013 decidido a prova-la, fui solenemente criticado por um garçom sérvio fã de cervejas belgas num bar em Potsdamer Platz: “É horrível”, ele disse, mas me serviu, primeiro na forma tradicional, depois com xaropes de frutas.

Isso mesmo, xaropes de frutas. A produção da Berliner Weiße inclui a adição de bactérias (Lactobacillus) na segunda fermentação com o intuito de deixa-la ácida e efervescente (como um champanhe), e o resultado é uma cerveja de trigo de ataque violentamente seco e amargo, mas com um final levemente frutado. Bastante arisca e agressiva para o bebedor não acostumado, popularizou-se em Berlim misturar xaropes de frutas e/ou ervas para abrandar seu ataque, criando uma espécie de drink, que pode tanto ser feito na hora como vendido pronto em supermercados (como nestas versões vendidas no Brasil). Além destes drinks, a Berliner Weiße também caí bem com outras bebidas, e foi nessa toada que a turma da distribuidora Bier & Wien, que traz as Berliner para o Brasil, me convidou a testar algumas receitas. Fui além e criei outras duas receitas minhas.

O primeiro drink que preparei se chama Spectrall 555 e é uma receita chef Onur Kőksal, do Harry’s New York Bar, de Berlim, que junta suco de maçã, vodka (abri uma Absolut novinha pra mistura), pepino, gelo e pimenta do reino. A mistura amacia o ataque da Berliner Weiße sem apaga-lo completamente enquanto pepino e pimenta do reino criam um interessante contraponto de sabor, que encontra maciez do suco de maçã, formando um conjunto bastante agradável, que passou no teste, com louvor. Modéstia às favas, minha replicação da receita do chef Onur ficou muito boa e é bem fácil de preparar em casa. Vale a pena.

SPECTRALL 555, por Onur Köksal
01 MIXcup de Maçã Verde (ou 14 ml de suco concentrado e adoçado de maçã verde)
40 ml de Vodka
01 Pepino fresco pequeno
01 Berliner Kindl Weisse Original
Gelo
Fatias fina de pepino fresco
Pimenta do reino

Bata o pepino com o gelo, a vodka e o MIXcup. Sirva coado, complete com a Berliner Kindl Weisse Original e finalize com as fatias de pepino e um pouco de pimenta.

O segundo drink, este com receita minha, chamarei de Petróleo do Futuro e é extremamente simples, resultado da junção de 150 ml de Berliner Original (azeda, acética e salgada), 150 ml de Petroleum (alcoólica, torrada e caramelada), duas doses de suco de tangerina e raspas de chocolate. Minha ideia era amaciar duas cervejas extremas, e o conjunto ficou supimpa, descendo de forma refrescante (com destaque para o cítrico). A ideia da tangerina foi inspirada num blend do Monks Cafe, de Estocolmo, que colocou cerejas numa Russian Imperial Stout, alcançando um belíssimo resultado.

PETRÓLEO DO FUTURO, por Marcelo Costa
80 ml de suco concentrado de tangerina
150 ml de Berliner Original
150 ml de Petroleum (Wäls ou Dum)
Raspas de chocolate

Colocar as duas doses de tangerina e misturar em doses iguais (de 150 ml) as cervejas Berliner Original e Petroleum. Pincelar com raspas de chocolate.

O terceiro drink, outro assinado por mim, é o Carimbó Berlinense: duas doses de tequila (usei a José Cuervo Black para acrescentar cor e calor), uma doses de licor de Cupuaçu (para textura e doçura) e uma dose de suco de maçã (leve acidez frutada) mais uma pitada de pimenta do reino e semente de cravo (para destacar o salgado da Berliner) e duas folhas de manjericão. Completar com 150 ml de Berliner, e ir abastecendo a taça com a garrafa conforme for bebendo. Ficou… caliente. A tequila se sobrepõe, mas o licor tenta amacia-la. O paladar vai mudando conforne vai se adicionando Berliner na taça.

CARIMBÓ BERLINENSE, por Marcelo Costa
40 ml de suco de maçã
80 ml de tequila
40 ml de licor de cupuaçu
Manjerição
Semente de cravo moída
Pimenta do Reino
Uma garrafa de Berliner Original
Gelo

Colocar três pedras de gelo triturado no fundo da taça e, sobre ela, o suco de maçã, a tequila, o licor de cupuaçu e 150 ml de Berliner Original. Acrescentar duas folhas de manjericão e uma leve pitada de semente de cravo e pimenta do reino. Conforme for bebendo, acrescentar a Berliner Original que ainda está na garrafa, até finaliza-la.

Além destes três drinks acima há outros dois feitos pelo chef Onur:

HIMALAYAN HIGHWAY, por Onur Köksal
01 MIXcup de Ruibarbo (ou 14 ml de suco concentrado e adoçado de Ruibarbo)
40 ml de licor de Ruibarbo Azedo
40 ml de purê de morango
01 Berliner Kindl Weisse Original
Gelo triturado

Bata o licor, o purê de morango e o MIXcup. Em seguida, sirva sobre o gelo triturado e complete com a Berliner Kindl Weisse Original. Mexa delicadamente e decore.

THE SHADDOCK, por Onur Köksal
01 MIXcup de Grapefruit (ou 14 ml suco concentrado e adoçado de Grapefruit)
Gengibre fresco ralado
20 ml de Aperol
20 ml de Suco de Limão
01 Berliner Kindl Weisse Original
Gelo

Bata todos os ingredientes exceto a cerveja e sirva numa taça sobre algumas pedras de gelo. Complete com a Berliner Kindl Weisse Original, misture e decore com cascas de Grapefruit.

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abril 20, 2015   No Comments