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Category — Cervejas

16 cervejas da Thornbridge Brewery

Após a revolução cervejeira artesanal estadunidense, que surgiu a partir dos anos 80 buscando acrescentar sabor e liberdade numa batalha contra a cerveja cada vez mais desinteressante mainstream vendida no país, algumas escolas clássicas, do dia para a noite, envelheceram alguns séculos. Ao revisitar receitas e leva-las, muitas vezes, ao exagero, os norte-americanos acabaram criando uma nova escola, mas, ainda assim, as escolas clássicas de cerveja são a base de uma cultura milenar.

A escola inglesa, por exemplo, segue muitas vezes injustiçada. Exemplos existem aos montes, mas é normal perceber neófitos que bebem uma India Pale Ale inglesa reclamarem da falta de exagero made in USA, pois não entendem que a IPA, quando nasceu, era exatamente assim. O que os norte-americanos foi eleva-la a um novo patamar local, que, muitas vezes, não tem a ver com o que acontece realmente no mundo cervejeiro das terras da Rainha.

Ainda assim é interessante perceber que toda base da cultura cervejeira moderna foi construída por belgas, alemães, tchecos e ingleses, e que agora eles passam a sofrer influências do mundo externo, no geral, e da escola norte-americana, no particular. Um bom exemplo deste caso é o cardápio caprichado da Thornbridge, cervejaria fundada em 2005 em Derbyshire, no Reino Unido, cuja missão parece ser traduzir com elegância para os britânicos os avanços conquistados pela escola norte-americana.

O caminho que a Thornbridge encontrou foi o de utilizar lúpulos bastante aromáticos, deixar o malte caramelo em segundo plano, mas sem elevar excessivamente o álcool, afinal nas ilhas, a cultura da botecagem é coisa séria e ninguém quer ficar bêbado antes do sino soar no pub às 23h. Para conferir isso na prática, 16 rótulos diferentes da cervejaria inglesa mais badalada da atualidade aportam no Brasil via importação da Suds Insanity, responsável também por estrear a sueca Nils Oscar do lado debaixo do Equador.

Numa tarde e noite de quarta-feira no Empório Alto de Pinheiros, em São Paulo, a equipe da Suds Insanity reuniu a imprensa para apresentar os 16 rótulos da Thornbridge Brewery que aportam no país. E a abertura não poderia ter sido melhor para exemplificar o quão fora da caixinha inglesa são as cervejas dos caras: a Raindrops on Roses (5.3% ABV) é uma witbier (que lembra pouco uma witbier clássica) com pétalas de rosas bastante presente no aroma e no paladar. Venceu o “The Home Brew Challenge 2016”. Uma bela surpresa.

Na sequencia, Bang Saray (4.5% ABV), uma Thai Pale Ale com limão Kaffir e capim-limão (também bastante presente) que segue a linha doidinha da anterior em outra boa surpresa (não inglesa). A The Wednesday (4% ABV) é uma English Pale Ale bastante aromática, com lúpulos made in USA Simcoe e Citra. É a cerveja oficial do Sheffield Wednesday Football Club. A próxima foi Kipling South Pacific Pale Ale (5.2%), com lúpulo neozelandes Nelson Sauvin (por isso a brincadeira do SP) bastante presente. Bem leve e aromática. Até agora, uma paleta bem diferenciada de aromas e sabores, o que é bem legal.

Primeira Gose da série, a Mr. Smith Gose To (4% ABV) recebe adição de extrato de melancia. Bastante suavidade, muita melancia presente, acidez bem leve para o estilo. A chave aqui é refrescância. Chegamos então ao hit da casa: com mais de 100 prêmios em todo o mundo, a Jaipur (5.9% ABV) é uma India Pale Ale com seis lúpulos made in USA (Chinook, Centennial, Ahtanum, Simcoe, Columbus e Cascade) e bem terrosa. É daquelas que chamo de IPA do Atlântico (que fica entre Europa e EUA), mas com um pézinho na América. Bem saborosa, com muita percepção de aroma e paladar.

Primeira de duas Imperial IPAs da Thornbridge, a Halcyon (7.4% ABV) carrega uma interessante complexidade de lúpulos (Galaxy, Ella, Chinook, Nelson Sauvin e Branling Cross) e é extremamente saborosa e equilibrada, com 7.4% de álcool imperceptíveis e amargor suave. Uma bela surpresa. Já a outra Imperial da casa, a Huck (7.4% ABV), me soou mais comportada e tradicional, adjetivos que divido também com a Cocoa Wonderland (6.8% ABV), uma Porter com corpo bem leve e torra bem suave. A mais inglesa da série até o momento. Drinkability alto.


Juntando-se a Raindrop on Roses, eis a segunda grande estrela da noite: Fika (7.4% ABV), uma Coldbrew Coffee Porter deliciosa, com aroma de café verde e leve pimenta preta. Na boca, café em primeiro plano (incrível) e um chocolatinho suave. No final, o café verde retorna com pimenta preta. E nada de álcool! Uma delícia (principalmente se você gosta de café). O barco segue com a Wild Swan (3.5% ABV), uma White Golden Pale Ale com jeitão de Session IPA, e com a Chiron (5% ABV), uma APA mais norte-americana do que a Wednesday (que me pareceu mais interessante).

No trecho final, Tart Backwell (6% ABV), uma Sour tradicional (sem adição de frutas), o que traz a acidez para o primeiro plano; Tonttu (6% ABV), uma Red Ale Single Hop Enigma provocante; e AM-PM (4.5% ABV), uma deliciosa Session IPA com lúpulos Ella, Nelson Sauvin, Amarillo e Citra. Para fechar a conta, minha favorita da noite, que fecha o trio pessoal com a Coldbrew Coffee Porter e a Raindrop on Roses: Saint Petersburg, uma absolutamente incrível Russian Imperial Stout com lúpulo Sorachi Ace gritando lindamente no nariz e na boca. São apenas 7.4% de álcool, número baixo pruma RIS, mas um conjunto perfeito.

Todas as Thornbridge estão aportando Brasil com importação em cadeia refrigerada pela Suds Insanity, de Curitiba. Elas estão chegando em garrafas de 330 ml com preços, em média, entre R$ 23 a R$ 30. É uma cervejaria bem interessante por produzir cervejas diferentes adaptadas para um público local, que consome um baixo nível de graduação alcoólica (o ABV mais alto dessa série que aportou aqui é 7.4%!) e não necessita de exageros na receita para se destacar. Com elegância, a Thronbridge vem mudando a maneira do bebedor inglês consumir cerveja. Vá de coração aberto e com muita sede. Fiquei felizmente surpreso!

Abril 9, 2018   No Comments

Ugly Duck Brewing Co. retorna ao Brasil

Após uma passagem elogiada no Brasil em 2015, a micro cervejaria dinamarquesa Ugly Duck Brewing, do grupo Indslev Bryggeri, aporta novamente no país com seis rótulos inéditos e mais dois presentes na primeira vinda. As duas importações (2015 e 2018) são responsabilidade da Get Trade, empresa por trás da distribuidora Get – Cervejas Especiais, que também tem em seu catálogo a norte-americana Shipyard Brewing e a inglesa Adnams Brewery, entre outras. Fundada em 2012, a Ugly Duck se destacou rapidamente no mercado ganhando prêmios e lançando colaborativas com cervejarias de renome como Mikkeller, De Molen e Amager.

Para apresentar os novos lançamentos, a Get reuniu a imprensa no Empório Alto de Pinheiros. Os oito rótulos chegam em garrafas de 330 ml com preços variando entre R$ 28 e R$ 40. Para abrir a série (com uma das minhas favoritas), a deliciosa Ugly Duck Follow The White Rabbit (7% ABV), White Brett IPA com trigo, lúpulos Amarllo, Azzaca e Citra mais levedura Brettanomyces causando secura no final. A segunda foi a homenagem dos dinamarqueses para o presidente Barack Obama (com direito a foto no rótulo): Ugly Dyck Obama (4.8% ABV), uma Oat American Pale Ale mais normalzinha com aveia e lúpulos Mosaic e El Dorado!

Sucesso na primeira vinda em 2015, a Ugly Duck Miami Vice (4.8% ABD) é uma APA refrescante que se mantém na sombra do brilho de outra grande novidade (também entre as favoritas da noite): Ugly Duck Kinky Cowboy Texan IPA (6.5%), uma New England IPA deliciosa feita em homenagem ao autor, cantor e político americano Robert “Kinky” Friedman com os lúpulos El Dorado e Amarillo. Mantendo o altíssimo nível, Ugly Duck Juicy Pony Sour IPA (6%), uma Farmhouse IPA (?!) com levedura Vermont e dry-hopping de lúpulos norte-americanos. Essa eu até trouxe uma pra casa (junto a última, mas chegaremos logo no final).

Bastante interessante, a Ugly Duck Imperial Pumpkin Ale (9.7% ABV) é maluquinha: na receita, além de abóbora, gengibre fresco, canela e açúcar mascavo. Intensa. Com a arte já entregando a pegada (“Old School Hopped”), a Ugly Duck Retro IPA (9% ABV) é malte caramelo, lúpulos Cascade, Colombus e Chinook, corpo alto, teor alcoólico elevado e tudo Old American IPA. Bem legal, mas a grande estrela desse contêiner é, sem dúvida, a Ugly Duck Putin (8.9% ABV), uma Imperial Wheat Stout com trigo defumado e lúpulos Cascade, Citra e Amarillo. Deliciosa e absolutamente incrível. Se você curte RIS e quer uma pra começar a conhecer a Ugly Duck, vá nela.

Fiquei bastante surpreso com o alto nível de experimentos apresentados pela Ugly Duck. Da importação anterior, eu havia provado apenas a excelente Ugly Duck Imperial Vanilla Coffee Porter (escrevi sobre ela aqui) e a boa Amarillo & Citra IPA. Agora, num passeio um pouco mais aprofundado, curti a utilização de trigo e aveia nas receitas, marca registrada da cervejaria Indslev, famosa por suas receitas de trigo, e que por elas ganhou o apelido de patinho feio da cena dinamarquesa. Dai decidiram fazer a Ugly Duck e o resultado, caprichado, está nas prateleiras do Brasil. Vá atrás. Quer três dicas? Ugly Duck Follow The White Rabbit, Ugly Duck Kinky Cowboy Texan IPA e Ugly Duck Putin.

Abril 7, 2018   No Comments

Shipyard retorna renovada ao Brasil

Após um ano ausente das prateleiras nacionais, a Shipyard Brewing, de Portland, no estado norte-americano do Maine, retorna ao Brasil totalmente reformulada, com novas receitas, rótulos, embalagens, levedura e até mestre-cervejeiro! Em novembro de 2017 á cervejaria iniciou um processo de modernização, incluiu mais lúpulos estadunidenses em suas receitas, revisou padrões antigos e passou a utilizar a levedura London III em algumas criações ao invés da tradicional levedura inglesa Top Fermenting English, antes padrão na casa. Boa parte das mudanças dizem respeito à saída do mestre cervejeiro Alan Pugsley, que agora atua no Reino Unido. A equipe que assumiu a casa nos EUA decidiu dar um banho de loja na cervejaria mudando a arte dos rótulos e lançando novidades que apontam para uma nova direção.

Até o ano passado, a Shipyard soava uma cervejaria britânica em solo norte-americano com, excetuando as cervejas da linha Signature Series, mais experimentais e extremas, o catálogo da casa apostando na elegância inglesa em detrimento dos exageros da escola made in USA. Agora a coisa toda muda de figura, e ainda que as receitas recriadas mantenham traços das receitas originais e que a cervejaria não tenha exagerado completamente nas novidades, a sensação é de que a Shipyard deu um passo certeiro com todas as alterações impressionando no copo. A Get – Cervejas Especiais, responsável pela importação da Shipyard, reuniu a imprensa no Empório Alto de Pinheiros para apresentar as novidades do catálogo.

Da linha já conhecida no Brasil, três retornam renovadas: a Shipyard Export (5,1% ABV, 35 IBUs, R$ 17, 355 ml), American Blond Ale hit da casa, que agora surge com lúpulo Cascade mais parrudo, levedura destacada e base de malte marcante. Mais arisca (e mais American) que a versão anterior; a Shipyard Monkey Fist (6% ABV, 50 IBUs, R$ 23, 355 ml) teve alteração nos lúpulos (agora Mosaic, Citra e Cascade) e adição de aveia: ficou ainda melhor do que era; a Shipyard Island Time Session IPA (4.5% ABV, 40 IBUs, R$ 23, 355 ml) teve o acréscimo do lúpulo Citra ao lado de Simcoe e Amarillo, presentes na versão anterior. Vieram também (sem alteração na receita) duas excelentes da Signature Series, XXXX IPA (9.25% ABV, 72 IBUs, R$ 67, 650 ml) e Smashed Blueberry (9% ABV, 40 IBUs, R$ 67, 650 ml), e a deliciosa Shipard Chocolate Milk Stout (5.4% ABV, 30 IBUs, R$ 26, 355 ml).

As novidades são quatro: a deliciosamente tortinha Shipyard Steady (5.1% ABV, 30 IBUs, R$ 25, 355 ml) é uma APA com lúpulos Jaryllo e Equinox mais levedura London III. Bastante mel, pinho e cítrico. Primeira New England IPA da Shipyard, a Finder (7% ABV, 55 IBUs, R$ 36, 473 ml) surpreende com lúpulos Citra, Mosaic e El Dorado, turbidez tradicional, mas mais resinosa do que outras NE no mercado. Está chegando inteiraça em lata de 473 ml. As duas outras novidades são do estilo Porter: Shipyard Vanilla Porter (5.4% ABV, 43 IBUs, R$ 25, 355 ml), com fava de baunilha incrível destacada no aroma, centeio e trigo torrado; e a Shipyard Coffee Porter (4.5% ABV, 24 IBUs, R$ 26, 355 ml), que recebe adição de café orgânico da Costa Rica e exibe percepção de chocolate e café verde intensos! Muito boa.

Além destas versões em latas e garrafas, cinco variedades de chopes da Shipyard chegaram nessa importação, três deles inéditos: Shipyard Ringwood Bitter (5.6% ABV e 35 IBUs), Shipyard Nightwind Winter Ale (5.8% ABV) e Shipyard Little Horror of Hops American Tye IPA (5.9% ABV e 50 IBUs) além de Shipyard Finder e da Shipyard Steady.

*A média de preço tem por base os valores do EAP

Abril 3, 2018   No Comments

Novidades da Resistência Cervejeira

Desde novembro de 2015, as marcas Gauden, DUM, Pagan, Tormenta e F#%&ing Bier juntaram a sua distribuição sob o nome de Resistência Cervejeira de Curitiba visando diminuir o preço das cervejas e atender a um pedido antigo de lojistas: comprar direto da fábrica. Para apresentar alguns dos novos lançamentos da Resistência Cervejeira em São Paulo, Luiz Felipe, da DUM, reuniu a imprensa para degustar: DUM Powstanie Warsawskie, DUM Petroleum Chipotle, DUM Baltik Porter, Tormente Gengibéra, F#%&ing Bier Bro, Pagan Valkyrie´s Bless Berries e Pagan Warriors of Scotland.

“No começo foi penoso, pois tínhamos que aprender muitas coisas (e ainda estamos aprendendo) mas as vendas começaram a acontecer”, conta Luiz Felipe, da DUM. “No início, o Murilo (também DUM) encabeçou o projeto tirando os pedidos, separando e entregando (ou pedindo coleta para as transportadoras). Também tem toda a parte de cobrança, formação de preços e contato com os clientes que ainda estamos desenvolvendo. Fora os fechamentos que não são nada fáceis de fazer com um preço para cada estado, mas aos poucos a coisa vai dando certo”, explica.

Realizada no aconchegante Frank & Charles, na porta da FAAP, a degustação foi iniciada com a Tormenta Gengibéra, uma cerveja com base 100% Pale Ale, lúpulos Cacade e Nugget e adição de gengibre na fervura. Uma cerveja bem leve e refrescante, com o gengibre bem suave, mas presente. Bem gostosa.

Lançada no Dum Day 2017, esta é a Dum Warszawskie Powstanie Rye Lager, ou Levante de Varsóvia, colab com a Smedgard, de Belo Horizonte. É uma cerveja inspirada nas lagers do leste europeu que leva centeio e os lúpulos poloneses Lunga e Vermelho, que tem esse nome porque o aroma remete a frutas vermelha. Uma Wheat interessante.

Uma agradável surpresa da degustação, a F#%*ing Brou Beer é uma American Brown Ale com lúpulos Citra, Centenial e Cascade, um cafezinho delicioso com toques cítricos, 5% de álcool e 20 IBUs. Delicinha.

Admiro bastante as receitas do Tiago, que ele lança com a marca Pagan. Essa é a Pagan Valkyrie’s Bless Berries, uma English IPA com frutas vermelhas (ou seja, uma Fruit Beer) que honra suas grandes receitas.

Já a Pagan Warriors of Scotland é uma Scotch Ale com (incrível) malte turfado e chips de carvalho francês na maturação, uma cerveja saborosa e levemente alcoólica com 9.2% muito bem escondidos.

A Dum Baltik Atlantico Porter é uma Baltic Porter com cumaru (cacau da Amazônia que vem sendo bastante utilizando em receitas cervejeiras) e impressionantes 9% de álcool que não aparecem nem no aroma, nem no paladar. O cumaru também está bem comportado em relação a outras no mercado. Criada em julho de 2017 pelas cervejarias DUM e Pinta também com lúpulos poloneses. Excelente.

Grande estrela do passeio, a Dum Petroleum é um clássico cervejeiro artesanal brasileiro que já ganhou até documentário e que surge aqui numa versão com muuuuuuito Chipotle. Sensacional. “Além da ardência pronunciada da pimenta ela traz um defumado que cria mais uma camada de sabor na complexidade dessa cerveja que é ícone da cerveja artesanal brasileira”, comenta Luiz Felipe.

No Facebook da Resistência Cervejeira de Curitiba, há informações de vendas: “Você pode comprar tanto na pessoa física como na jurídica em todo o Brasil. Estamos vendendo caixas abertas, ou seja, você pode fazer uma caixa personalizada com as cervejas da DUM, Tormenta, F#%*ing Beer, Pagan e Gauden que enviaremos para você. Uma outra novidade é a loja física na Gauden, que fica em Santa Felicidade, então se quiser comprar cerveja direto da gente é só aparecer na Avenida Manoel Ribas, 6995, nos fundos da Petiscaria do Victor. A loja funciona de segunda à sexta das 9 à 18 e nos sábados das 9 às 14”, em Curitiba.

Março 5, 2018   No Comments

Cerveja + Comida: Cão Véio Tatuapé e GET promovem jantar harmonizado

Na próxima segunda-feira  (05/03), a turma da GET Cervejas Especiais se junta ao pessoal da novíssima unidade do Cão Véio Tatuapé para a quarta experiência do Cura Para a Segunda do Cão, uma série de jantares harmonizados com cervejas. Alguns dias atrás tive o prazer de prova-los e o resultado agradou bastante.

Os quatro pratos foram desenvolvidos pelo gastropub do Chef Henrique Fogaça e surgem devidamente escoltados com as cervejas inglesas da Adnams, marca exclusiva no Brasil da importadora GET. A elaboração da harmonização e apresentação do evento ficou sob responsabilidade do sommelier Riccelli Adriel.

A primeira edição ocorreu originalmente na matriz em Pinheiros em 2016. Contando já com três edições de bastante sucesso, a casa e a distribuidora acharam o momento ideal para repetir a dose e poder apresentar ao público as novas unidades recém abertas do Cão Véio, “expandindo a cultura cervejeira e a boa gastronomia sem frescura”, conforme assinatura da casa. Abaixo as harmonizações que provei:

Abrindo o cardápio, a Adnams Dry Hopped (Galaxy) Lager surgiu harmonizada com a Doberman, uma salada com folhas variadas, queijo tipo gruyère, manga, tomate pêra, castanha de cajú, manjericão, dill e hortelã finalizada com molho oriental. Esse é o primeiro prato é uma entrada, uma “saladinha” que combina muito bem essa interpretação britânica de uma (australian) lager lupulada norte-americana. Belo começo!

Para o segundo prato, um salto. A harmonização segue com a Adnams Crystal Rye IPA mais o Bulldog Inglês do Cão Véio Tauapé, um sanduíche com hambúrguer de kobe bovino, bacon, queijo cheddar, cebola roxa caramelizada e pepino em conserva, servido no pão australiano. Absolutamente perfeito!

O terceiro prato combina a Adnams Blackshore Stout (escrevi sobre ela aqui) com o Mastim, sanduíche de cupim assado lentamente, finalizado na manteiga de garrafa com vinagrete de agrião, cebola roxa e tomate servido no pão caseiro. O molho é o De Cabron Chipotle Maracujá, de Henrique Fogaça. A harmonização é uma surpresa incrível valorizando o cupim, a manteiga de garrafa, o achocolatado e o café. Meu favorito de todo o passeio.

Fechando, uma sobremesa. O quarto e último prato reúne a Adnams Broadside (escrevi sobre ela aqui) com o Vagabundo, uma rabanada de brioche no pão australiano, creme inglês com Jack Daniel’s e, nesta versão especial para a Cura Para a Segunda do Cão, compota de banana. Uísque, cerveja, banana, creme inglês e amor.

SERVIÇO (LIMITADO Á APENAS 40 LUGARES)
CURA PRA SEGUNDA DO CÃO – CÃO VEIO TATUAPÉ
DIA: SEGUNDA – 05/03 – 20h
INGRESSOS: R$135,00 + SERVIÇO
Rua Itapura, 1534 – Vila Gomes Cardim, São Paulo – SP
Reservas: Venda de ingressos no local ou pelo fone (11) 2373-3310

Março 3, 2018   No Comments

Top 5 do All Beers Sessions 2018

Eleito pelo quinto ano consecutivo como a melhor mídia cervejeira na importante enquete dos Melhores da Cerveja, do Bob Fonseca, o All Beers, criado em 2009 pelo jornalista Raphael Rodrigues, realizou a sua terceira festa anual, o All Beers Sessions, em um novo local em São Paulo, com mais de 30 torneiras abertas e cerca de 10 outras cervejas em garrafa oferecidas para um público próximo das 300 pessoas, que pode ainda se servir de pratos caprichados do Cateto e de batatas fritas especiais da Gran Poutine.

Após duas edições realizadas no Son of Beer, no bairro de Pinheiros, o All Beers Sessions 2018 estreou um novo local, o elegante Espaço Escandinavo, no Alto da Boa Vista, em São Paulo, que compensou a distância pelo amplo espaço oferecido, com direito a um gramado onde o Cateto promoveu uma digna churrascada enquanto os presentes se alternavam entre as mais de 30 torneiras, sem corre-corre, sem filas, completamente à vontade. Para 2019, Raphael pretende manter o All Beer Sessions no mesmo espaço, e já fica a dica antecipada: não perca!

Apostei nos lançamentos e me surpreendi com a proliferação de Sours e Berliners entre as torneiras engatadas, e a ausência de Russian Imperial Stout, que foi representada apenas pela versão em garrafa da sueca Nils Oscar, uma das estrelas do evento. Outra surpresa agradável: as torneiras mais disputadas pelo público não eram as gringas (e ótimas) Founders, Goose Island e Anchor (EUA), Tiny Rebel (País de Gales), Van-Dieu (Bélgica) e Adnams (Inglaterra), mas as indies brasileiras, o que demonstra uma mudança interessante de perfil.

Na minha lista pessoal brilhou as duas cervejas experimentais da Heróica em colaboração com a Bragantina (Dinastia Flanders Red French Oak Aged e SuperSonic WildTonic Gin Barrel Aged), a deliciosa Suricato Goiabinha (um dos hits do evento), uma Gose com goiaba e hibiscos e a boa surpresa da Avós, a Véia Viaja 2, uma New England Lager deliciosa. Ainda, na minha lista pessoal, se destacaram a Bodebrown Sour Punk Framboesa e a Infected Tropical Blood. Abaixo segue meu Top 5 do evento e, desde já, a espera para All Beers Sessions 2019!

1) Heróica & Bragantina Dinastia Flanders Red French Oak Aged
2) Heróica & Bragantina SuperSonic WildTonic Gin Barrel Aged
3) Avós Véia Viaja 2 New England Lager
4) Suricato Goiabinha
5) 2Cabeças Fênix 5 Imperial IPA

As fotos são da Liliane Callegari

Fevereiro 8, 2018   No Comments

Um livretinho de Nelson Rodrigues

Eu comecei a ler bem cedo e logo moleque já era rato de biblioteca. Curiosamente, porém, só fui ‘encontrar” Nelson Rodrigues aos 24 anos, quando um representante da Folha deixou de presente na biblioteca em que eu trabalhava este volumezinho viciante. São apenas 11 histórias, entre elas “A Dama da Lotação”, “A Realeza de Pelé” e, uou, “Coroa de Orquídeas”, que, viciado (também) adaptei para um trabalho de teatro na faculdade. São “só” palavras num papel tosco, mas bastou para ser convertido… Em 2015, um filme que adaptava algumas histórias de Nelson, “Ninguém Ama Ninguém… Por Mais de Dois Anos“, passou batido, mas merece ser assistido. Está disponível no acervo do Canal Brasil (pra quem tem NET, Vivo, Sky, Claro HDTV e Oi). Vale a pena.

Janeiro 31, 2018   No Comments

O dia em que conheci a Duvel

10 anos atrás eu estava indo pela primeira vez ao Velho Mundo. Minha primeira parada foi na Bélgica, numa quarta-feira ensolarada de verão (02 de julho de 2008). No dia seguinte eu veria Vampire Weekend, National e R.E.M.; na sexta seria a vez de Slayer, The Verve e Neil Young; no sábado, Gossip, Sigur Rós e Radiohead. E no domingo, bem, no domingo eu conheci a Duvel. Eu tava num pub assistindo F1 e, nesse dia, Rubinho e Massa dividiram o podium. Inebriado pelos primeiros dias do Rock Werchter, da viagem (um mochilão de 40 dias apenas começando), da minha primeira vez na Europa, entornei 7 garrafas da Duvel original (NÃO REPITA ISSO EM CASA! NUNCA!) e fui ver Nick Cave e seu Grinderman. A ressaca veio como uma avalanche no meio do show, e após orientações de uma amiga belga que conhecia o Brasil (Beba menos: isso não é Brahma!!! SÃO 9.5% DE ÁLCOOL), eu estava definitivamente convertido ao mundo das boas cervejas. Depois disso, comecei a escrever e estudar cerveja, fiz um curso de sommelier e a Duvel, influenciada pelos bons ventos de lúpulos do Novo Mundo, começou a experimentar. Nascia a Duvel Tripel Hop, uma das minhas cervejas favoritas da vida. Eles testaram vários lúpulos nesta década em edições anuais, e agora chegam ao definitivo. E não poderia ser melhor: Duvel Tripel Hop Citra. Tão boa que me rendeu um momento Marcel Proust: assim que bebi fui transportado para aquele pub, em frente a estação de trens de Leuven, na Bélgica, onde bebi a minha primeira Duvel. A primeira de sete. Hoje é só essa. E eu durmo feliz 

Janeiro 20, 2018   No Comments

Uma cerveja com seriguela

Hoje à tarde, caminhando ali pelo lado da estação Marechal, do metrô, passei por uma banquinha na calçada em que o cara vendia… seriguela. Salivei, mas tava sem cash na carteira, então me lembrei que tinha essa Bragantina (sim, de Bragança Paulista) Prainha Seriguela Gose na geladeira, e dai felicidade azedinha. Recomendo muito (ainda mais em dias quentes, como hoje). Será que a banquinha terá seriguela amanhã?

Janeiro 18, 2018   No Comments

A volta da Bear Republic ao Brasil

Após uma breve passagem em 2013, a cervejaria Bear Republic retorna ao Brasil agora com importação da On Trade, a mesma importadora responsável pela distribuição (desde sempre) da alemã Weihenstephaner no país. “Queríamos ter uma cervejaria norte-americana em nossa carta e acabamos escolhendo a Bear Republic pela qualidade incontestável de suas cervejas”, contou Gustavo Sanches, sócio proprietário da On Trade, em encontro com a imprensa. A importação é feita em containers refrigerados e promete muitas novidades para o mercado nacional.

Fundada em 1995 em Cloverdale, cidade californiana a menos de duas horas de São Francisco, a Bear Republic foi reconhecida pela Brewers Association como a 40ª cervejaria artesanal em produção nos Estados Unidos. O carro chefe da casa é a Racer 5, uma Old American IPA clássica em que brilham os lúpulos Chinook, Cascade, Columbus e Centennial além da maciez da textura conferida pela adição pequena de trigo. Além dela (que chegou em garrafa ao preço de R$ 25 e chope) também veio neste lote, apenas em barril, a Grand-Am, uma American Pale Ale que chegou bem fresca e aromática.

Favorita da mesa na apresentação para a imprensa, a Bear Republic Hop Shovel (R$ 32) é uma baita American IPA produzida com centeio e trigo e os lúpulos Mosaic, Denali e Meridain. Mais suave, com uma Session IPA deve ser, a Pace Car Racer (R$ 26) também surpreendeu. Bem mais encorpada, a Bear Republic Apex Special IPA é uma Imperial IPA com trigo espelta e trigo malteado mais 8.25% de álcool. Fechando o lote caprichado, uma versão especial da Hop Rod Rye, que já havia vindo ao Brasil em 2013, e retorna agora através da Legacy Series 2017, com 18% de malte de centeio na composição. Essa foi a única que veio em garrafa de 650 ml (R$ 64). As demais chegaram em garrafa de 355 ml.

novembro 4, 2017   No Comments