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Masp expõe 179 gravuras de Marc Chagall

Os Lobos e as Cegonhas
Conheço pouquíssima coisa do bielorusso Moishe Zakharovich Shagalov, popularmente chamado de Marc Chagall, mas ouço seu nome e me lembro de “A Casa Cinza” (essa), um fabuloso exercício de expressão em que o pintor busca transmitir a tristeza de sua cidade natal, Vitebsk, mas que me chama a atenção não pelo retrato cinzento, mas sim pelas formas alegóricas (influência cubista) que parecem fazer o quadro dançar. Ele está exposto no Museu Thyssen-Bornemisza, em Madrid, e nas duas vezes que estive na cidade precisei ir vê-lo (assim como o magnífico “Quarto de Hotel”, de Hopper).

“O avarento que perdeu seu tesouro”
“O Mundo Mágico de Marc Chagall – Gravuras” (em cartaz até 28/03, às terças com entrada gratuita) não tem nada a ver com esse meu quadro preferido do pintor, mas é um passeio delirante por sua obra através de 179 gravuras que vão desde suas primeiras, feitas na Alemanha nos anos 20, até as ilustrações para as fábulas de La Fontaine, uma edição especial com 50 passagens da Bíblia e, por fim, a magnífica série “Dafne e Cloé”, um romance grego do século III. Chagall visitou a Grécia para decorar a paisagem buscando ser o mais próximo possível em sua adaptação.

”O bezerro de ouro”
Gostei de muita coisa que vi. Um gravura com o “Rei Davi” me chamou bastante a atenção na seqüência especial sobre a Biblia. Os desenhos “infantis” para as fábulas de La Fontaine também são excelentes (entre eles, “A águia e a coruja”, “Os lobos e as cegonhas” e “O avarento que perdeu seu tesouro”). Já a parte da série “Dafne e Cloé” (publicada originalmente em 1961) é mais forte, com cores quentes e vivas. Chagall exigiu muito de Solier, seu impressor, para conseguir chegar às cores exatas que viu nas ilhas gregas. O resultado é uma obra viva e vibrante.

“Os jovens de Mithymna”
Para matar saudade, uma visita ao segundo andar do Masp, local do acervo do museu, que guarda, entre tantas preciosidades, obras de Portinari, Tiziano, Rembrant, Van Gogh, Renoir, Degas, Picasso, Cézanne, Toulouse-Lautrec e Modigliani. Adoro os retratos de princesas francesas pintados por Jean Marc Nattier (como este aqui), que abrem a sala, mas não saberia escolher apenas uma obra preferida. Vou arriscar três: “Rosa e Azul”, de Renoir (aqui), “Lunia Czechowska”, de Modigliani (aqui) e “Quatro Bailarinas em Cena”, de Degas (aqui).

“As flores saqueadas”
Serviço:
“O Mundo Mágico de Marc Chagall – Gravuras”
De 23 de janeiro a 28 de março de 2010
- Terças, quartas, sextas, sábados, domingos e feriados, de 11h às 18h
(bilheteria aberta até às 17h).
- Quintas-feiras, de 11h às 20h
(bilheteria aberta até às 19h).
Ingressos:
R$15,00 (valor inteiro)
R$ 7,00 (estudantes com identificação da instituição).
Entrada gratuita ao público somente às terças-feiras.
Menores de 10 e maiores de 60 anos não pagam.
Leia também:
- Uma foto de viagem e outras lembranças (aqui)
- Obras primas de Michelangelo em Florença (aqui)
- L’Orangerie, o museu mais fofo e especial de Paris (aqui)
- Monalisa, Venus de Milo e… Coldplay no Louvre (aqui)
- Plaza Mayor, Palacio Real e Museu do Prado em Madri (aqui)
- Um jarro de sangria e as pinturas negras de Goya (aqui)
- Arte sacra, Bernini, Caravaggio e tiramisu em Roma (aqui)
- São João Del Rey e o inesquecível Inhotim, em Minas (aqui)
- Voll-Damm, Reina Sofia e Thyssen-Bornemisza em Madri (aqui)
Janeiro 25, 2010 1 Comment
Inverse My Fridge: detalhes da geladeira/mural
Janeiro 4, 2010 No Comments
Uma noite de vinho e de sangria ibérica
A festa do vinho: no total, 19 pessoas, 14 garrafas de vinho Concha Y Toro (eu devia ter pedido patrocínio para os chilenos) de uvas variadas (Carmenere, Merlot e Cabernet Sauvignon Tinto e Branco). Cinco litros de sangria com receita portuguesa (a gente chega lá) mais seis pacotes de amendoim sem pele, quatro de bolinhas de amendoim, nove pacotinhos de Pingo D’oro e oito pacotes de torradinhas com diversos patês. Deu tudo certo. Ufa.
A segunda festinha do projeto Inverse My Fridge (a primeira foi essa aqui) visava festejar a chegada da geladeira antiga, que virou um quadro com espaço para fotos. Ou seja, a nossa pequena geladeira branca agora está pendurada na parede da sala (ok, ok, apenas uma parte dela). Lili colocou diversas fotos da viagem a Europa que fizemos em julho e improvisei um local para o quadro da Fernanda Guedes ficar até eu conseguir colocá-lo na parede.
Já a festinha, bem… levamos a sério o conceito de vernissage, afinal, a idéia era reunir os amigos e apresentar a arte feita pela Fernanda. Então resisti bravamente e não coloquei cerveja na geladeira (e bebi as que eu tinha durante a semana – fiz esse esforço). A noite seria de vinho, e decidimos aproveitar o excelente preço dos Concha Y Toro para fazer uma noitada especial. E, pelo jeito, os amigos aprovaram.
Aproveitando o dia quente, e pensando ainda nas pessoas que não são tão simpáticas ao vinho, como eu, que até bebo mas preferiria outra coisa, decidimos arriscar uma receita de sangria, a original, inspirados na lembrança daquela que bebemos na Plaza Mayor, em Madri, e que eu bebi no calçadão de Málaga, que além de ser (aparentemente) mais leve serviria para dar uma refrescada no calorão.
No fim das contas acabei chocando duas receitas. Uma descritiva do JC, um aventureiro português na cozinha, que conta a história da sangria no começo de seu post e passa excelentes recomendações. Tipo usar a massa da receita (as suas frutas eleitas – no nosso caso, abacaxi, maça, limão e laranja – curtidas na cachaça e no açúcar mascavo) Para o JC não se deve colocar nem água nem soda ou o quer que seja na sangria pura.
“A sangria deve servir-se em copos grandes, só com gelo, para os mais aventureiros e afoitos e “cortada” com refrigerantes, na quantidade que se desejar, para as crianças, os condutores e os que têm outras coisas – que não dormir – para fazer depois do repasto. Para as crianças costumo “tingir” o copo com um pouco de sangria e atestar com 7UP ou outro tipo de gasosa.” Leia o post todo (vale, vale, vale) aqui.
O post do JC tem várias dicas ótimas, mas não tem quantidades de doses nem de frutas, por isso decidimos juntar a receita dele com uma que encontramos no Panelinha (aqui), que tem pouco a ver com a sangria original, mas serviu como base dos ingredientes. Assim, da junção das duas criamos a nossa sangria, a Sangria Scream & Yell (vou registrar a marca), que me lembrou muito a sangria deliciosa que bebi em Málaga (essa aqui).
Primeiramente fizemos duas receitas, que renderam quase quatro litros de sangria. E após terminada a primeira leva, aprovada por todos os presentes (que, sinal de acerto, queriam mais), aproveitamos para juntar a massa curtida das duas primeiras receitas em uma mesma jarra, e misturar novamente vinho, cachaça e açúcar mascavo para mais uma jarra de sangria. Se eu não tivesse bêbado cravaria que ficou melhor.
Abaixo a receita:
750 ml de vinho tinto seco
3 laranjas
2 limões
1/2 abacaxi
2 colheres (sopa) de açúcar (se for mascavo, melhor)
1 dose de cachaça
1 dose / 60 ml de contreau (ou conhaque)
1 dose / 60 ml de gim
Hortelã
Modo de Preparo
1. Prepare as frutas: descasque o abacaxi e a maçã e os corte em cubinhos pequenos. Jogue os cubos no fundo de uma jarra. Pegue uma laranja e um limão e os corte em rodelas. Jogue-as na jarra também.
2. Pegue as duas laranjas e um limão e esprema o caldo na jarra.
3. Coloque as 2 colheres (sopa) de açúcar sobre a mistura, e acrescente a dose de cachaça.
4. Com uma colher de pau, um rolo da massa ou outro instrumento, amasse todo o conteúdo até formar uma papa indistinta (ou até você cansar).
5. Despeje uma garrafa de vinho tinto seco na jarra. Aqui, vale a lembrança: vinho ruim, sangria ruim. Vinho bom, sangria boa.
6. Junte à mistura uma dose de contreau e uma dose de gim. Mexa bem. Prove a sangria ainda quente, sem gelo. Se estiver muito doce acrescente limão, se estiver muito forte, acrescente vinho. Quando estiver perfeitamente equilibrada, tapa-se com um pano limpo e vai para a geladeira durante – pelo menos – 24 horas acrescida de pequenas folhas de hortelã.
7. No dia seguinte, acrescente folhas de hortelã como rodelas inteiras de maçã e laranja, para enfeitar. Sua sangria está pronta.
Ainda não acabou, ou melhor, quando acabar, a “massa” que fica no fundo da jarra rende novas sangria durante cinco dias bastando adicionando-se metade dos ingredientes, mais açúcar e vinho. Uma delícia.
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Ps. Queria agradecer ao pessoal da Live AD pelo convite para participar do projeto Inverse My Fridge, à queridíssima Fernanda Guedes pelo lindo quadro, e a presença de todos os amigos queridos que, com sua alegria e histórias, transformaram esse apartamento da rua Bela Cintra em um dos lugares mais legais do mundo por algumas horas. Todas as fotos aqui.
Ps2. Não acordei de ressaca. \o/
Dezembro 23, 2009 7 Comments
Uma caricatura minha, por Vivian Mota

Por Vivian Mota
Novembro 11, 2009 2 Comments
Mostra Virada Russa gratuita no CCBB de SP
Não é todo dia que três Kandinski, um Chagall e alguns Lariónov e outros Maliévitch baixam no país em uma exposição gratuita, então “Virada Russa, A Vanguarda na Coleção do Museu Estatal Russo de São Petesburgo”, em cartaz até 12 de novembro no CCBB de São Paulo, ganha status de obrigatória. A mostra traz 125 peças que marcaram o movimento artístico e cultural ocorrido durante a primeira fase da Revolução Russa, entre 1890 e 1930.
Como esqueci minha caneta, comecei a anotar meus quadros prediletos no corpo de mensagem do celular, porém, ao contrário de Brasília, em que era permitido fotografar dentro da sala de exposição, em São Paulo era vetado o uso de qualquer objeto eletrônico dentro das salas. E não dá para discutir com pessoas que não sabem entender o objetivo das restrições. Por esse motivo, não anotei o nome de meus quadros prediletos, mas me lembro de alguns.
O chamariz da sala do terceiro andar, assim que a pessoa entra, é “Promenade”, um belíssimo Chagall de 1917 que mostra sua amada Bella sobrevoando a cidade de Vitebsk enquanto segura a mão do pintor. Não consegue derrubar a paixão pelo meu Chagall predileto, “La Casa Gris” (exposto no Thyssen-Bornemisza, em Madri), mas é lindo e repleto de lirismo. Na mesma sala, dois Mikhail Larionov me impressionaram, e gostei mais de “Árvore” do que de “O Barbeiro”.
Os três Kandisnki estão no segundo andar, e também brilham assim que você entra na sala. “Igreja Vermelha”, “O Pente Azul Escuro” e “São Jorge II” são de chorar (veja alguns deles aqui). A mesma sala ainda abriga outros dois quadros que adorei: “Fórmula da Primavera” e “Duas Meninas”, ambas de Pavel Filonov. A mostra ainda destaca obras de Maliévitch, consideradas as mais importantes da exposição, Matiúchin e Ródtchenko. O cartaz que fecha o post é o da peça futurista “Vitória Sobre o Sol”, de Maiakovisky, que ainda tem exibidos os figurinos desenhados por Maliévitch (fotografei um aqui).
Há, ainda, uma terceira sala para ser visitada, no antigo cofre do banco, no subterrâneo, com vários cartazes do período socialista da antiga república soviética. “Virada Russa, A Vanguarda na Coleção do Museu Estatal Russo de São Petesburgo” fica em cartaz até 15 de novembro no Centro Cultural Banco do Brasil, na rua Álvares Penteado, 112, centro, de São Paulo de terça a domingo (incluindo feriados) das 10h às 20h. Informações via telefone (11) 3113-3651. Vale, e vale muito, a sua visita.
Outubro 13, 2009 1 Comment























