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Dylan com café, dia 53: Together

Bob Dylan com café, dia 53: o 33ºálbum de estúdio de Bob nasceu de um acaso. O diretor francês Olivier Dahan pediu a Dylan uma música para seu novo filme, “A Minha Canção de Amor” (com Renée Zellweger e Forest Whitaker e que sairia só em 2010), e Bob decidiu trabalhar com Robert Hunter, letrista do Grateful Dead, com quem tinha composto duas canções em 1988 para o disco “Down In The Groove”. O resultado foi a canção “Life is Hard” (que Renée canta no filme – assista no final do post), mas a dupla se empolgou tanto que compôs mais um punhado de canções, permitindo a Bob pensar neste material como base de um vindouro novo disco. Nascia “Together Through Life”, o primeiro álbum de inéditas de Dylan desde “Desire” (1976) em que ele dividia a autoria da grande maioria das composições com um letrista convidado. Assumindo novamente a produção (com o codinome Jack Frost), Bob utilizou a banda que o acompanhava na Never Ending Tour acrescentando ainda o guitarrista Mike Campbell, dos Heartbreakers de Tom Petty, e David Hidalgo, líder da grande banda californiana Los Lobos, que fez em “Together Through Life” algo semelhante a que Scarlet Rivera havia feito em “Desire”: se lá ela havia conduzido as canções com seu violino, aqui Hidalgo tangencia os arranjos com seu acordeom dando ao álbum uma sonoridade de “blues do Sul dos Estados Unidos com tempero mexicano”, como descreveu David Fricke na Rolling Stone.

Lançado em abril de 2009, “Together Through Life” teve como primeiro single (com direito a clipe além de embalar trailer e um episódio da série “True Blood”), “Beyond Here Lies Nothin’”, que novamente surge inspirada em Ovídio transportando o poeta grego para um bar de beira de estrada tex mex. A busca desencontrada pelo amor é o tema que move as 10 canções, oito delas assinadas por Dylan/Hunter, uma acrescentando Willie Dixon à dupla (Bob sempre foi de não creditar suas “inspirações” de amor e roubo, mas com a família de Dixon é bom não brincar – Led Zeppelin que o diga) devido ao uso de “I Just Want to Make Love To You” no blues “My Wife’s Home Town”. Há bons momentos como “Forgetful Heart”, com banjo e acordeom e uma guitarra distorcida, mas o que dá o tom do disco são bons rocks ora acelerados (como a sarcástica “It’s All Good”), ora mais cadenciados (“Jolene”), ora mais bluesy (“Shake Shake Mama”), que se não alcançam o brilho dos três discos anteriores, também não comprometem. “Together Through Life” repetiu o feito de “Modern Times” (2005) e bateu no topo do ranking da Billboard. Mais: alcançou o número 1 também na Inglaterra, feito que Bob não tinha conseguido desde “New Morning”, de 1970. A edição deluxe do álbum trazia duas curiosidades deliciosas: um CD de um hora com o episódio “Friends & Neighbors” do programa de rádio Theme Time Radio Hor apresentado por Dylan (que seleciona canções de Howlin’ Wolf, Little Walter, Carole King e Rolling Stones, entre outros) mais um DVD com cerca de 15 minutos de um outtake do documentário “No Direction Home”, em que Dylan introduz Roy Silver, primeiro empresário do cantor (ainda que ele o defina como um picareta), que o levou para a agência Witmark, que será tema do próximo Bootleg Series, mas isso é assunto pra outro café.

Especial Bob Dylan com Café

Maio 5, 2018   No Comments