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Posts from — Abril 2018

Dylan com café, dia 48: Uncut 2

Bob Dylan com café, dia 48: No embalo do então recém-lançado documentário de Martin Scorsese, “No Direction Home”, que saiu em agosto de 2005, a badalada revista inglesa Uncut produziu em setembro um daqueles listões de melhores que só eles têm a manha de realizar com tamanho esmero e qualidade – não só pela lista, mas principalmente pelos convidados que participam dela: 100 Rock and Movie Icons on The Music and Films That Changed Our World reúne em 50 páginas da revista um time invejável de “colaboradores”. O método foi simples: a revista interrogou 100 artistas sobre obras revolucionárias da cultura pop, e colocou certa ordem nas escolhas de seu “júri”.

O especial começa com o número 100 sendo aberto por Chris Martin explicando sua escolha com um “Bem, eu vou ser meio nerd aqui” para citar uma palestra de Brian Eno e chegar a seu disco favorito: “The Soft Bulletin” (1999), do Flaming Lips (e você achou que não tinha nada em comum com o cara do Coldplay, hein), que ele diz ser uma como “Dark Side of The Moon”, do Pink Floyd, mas sendo “Light Side of The Moon”, porque carrega… humor. A lista segue com o ator Robert Downey Jr. escolhendo o álbum “Imperial Bedroom” (1982) de Elvis Costello & The Attractions na posição 96, Ian McCulloch (Echo and The Bunnymen elegendo a série “Sopranos” no número 88, Frank Black (Pixies) indo de “Clube da Luta” no número 86, Trent Reznor contando da emoção de ouvir uma canção sua, “Hurt”, na voz de Johnny Cash no número 85, Stephen Malkmus posando com sua cópia de “Daydream Nation”, do Sonic Youth no número 77, Dave Grohl babando ovo em “Physical Graffiti”, do Led Zeppelin, e por ai vai. A lista completa (e quem escreveu sobre) você confere aqui.

O Top 3 traz Ozzy Osbourne contando como “She’s Love You”, dos Beatles, mudou a sua vida! No número 2, Paul McCartney declara seu amor por Elvis Presley dizendo que “Heartbreak Hotel” é sua melhor gravação. No número… Bob Dylan. E Patti Smith relembra (num texto de página inteira) como foi ouvir pela primeira vez, aos 19 anos, o single “Like a Rolling Stone” na jukebox de um café em 1965 (o texto, na integra, pode ser baixado via Mediafire aqui). Para acompanhar o especial, a revista reuniu um time de luxo para recriar o álbum “Highway 61 Revisited” (que traz “Like a Rolling Stone”), e ainda que o resultado nunca vá arranhar o status de obra genial atemporal do disco original, há boas surpresas com o Drive-By Truckers desacelerando “Like a Rolling Stone”, Paul Westerberg fazendo de “It Takes A Lot To Laugh, It Takes A Train To Cry” um bluezão, Willard Grant Conspiracy esvaziando a sonoridade de “Ballad of Thin Man” e valorizando a letra, o American Music Club brilhando em “Queen Jane Approximately” e os Handsome Family levando “Just Like Tom Thumb’s Blues” para a roça num projeto de especial de revista e CD altamente recomendável (você acha facilmente no Ebay!)

Especial Bob Dylan com Café

Abril 20, 2018   No Comments

Top 100 Momentos Icônicos da Cultura Pop

Em 2005, a bacanuda revista inglesa Uncut saiu perguntando prum time invejável de “colaboradores” quais foram os momentos mais marcantes da cultura pop, aquele fragmento de segundo em que um objeto de cultura (um livro, um disco, um filme, um single, um programa de TV, etc…) mudou a sua vida, em particular, e revolucionou a cultura pop em geral. No “júri” seletíssimo da revista estão nomes como Patti Smith, Paul McCartney, Keith Richards, Ozzy Osbourne, Lemmy, Stephen Malkmus, Björk, Michael Stipe, Noel Gallagher e muitos, muitos outros. Abaixo você confere a lista Top 100 que foi publicada em um especial de 50 páginas na revista em setembro de 2005, e quem escreveu sobre aquela obra.

1. “Like a Rolling Stone” (1965), de Bob Dylan, por Patti Smith
2. “Heartbreak Hotel” (1956), de Elvis Presley, por Paul McCartney
3. “She Loves You” (1963), dos Beatles, por Ozzy Osbourne
4. “(I Can’t Get No) Satisfaction” (1965), dos Rolling Stones, por Roger Daltrey
5. “Laranja Mecânica” (1971), de Stanley Kubrick, por Malcolm McLaren
6. “O Poderoso Chefão I e II” (1972/1974), de Francis Coppola, por Steve Van Zandt
7. “Rise & Fall of Ziggy Stardust & the Spiders from Mars” (1972), de David Bowie, por Robert Smith
8. “Taxi Driver” (1976), de Martin Scorsese, por Edwart Norton
9. “Never Mind the Bollocks, Here’s the…” (1977), dos Sex Pistols, pelos Buzzcooks
10. “Prisoner” [TV serie] (1967/1968), por Donovan
11. “Meu Ódio Será Tua Herança” (1969), de Sam Peckinpah, por Michael Madsen
12. “Velvet Underground and Nico” (1967), por Michael Stipe
13. “Purple Haze” (1967”, de Jimi Hendrix, por Lemmy
14. “Simpsons [TV series]”, por Matt Stone
15. “After the Gold Rush” (1970), de Neil Young, por Jim Jarmusch

16. “Ramones” (1976), dos Ramones, pelo Sonic Youth
17. “Pet Sounds” (1966), dos Beach Boys, por Jimmy Webb
18. “My Generation” (1965), do The Who, por Bob Mould
19. “On the Road” (1957), de Jack Kerouac, por Roddy Frame
20. “Unknown Pleasures” (1979), do Joy Division, por Paul Morley
21. “Waterloo Sunset” (1967), do Kinks, por Peter Buck
22. “Raw Power” (1973), de Iggy & the Stooges, por Josh Homme
23. “Trans Europe Express” (1977), do Kraftwerk, por Richard Kirk
24. “Clash” (1977), do Clash, por Bo Diddley
25. “This Charming Man” (1983), dos Smiths, por Noel Gallagher

26. “Easy Rider” (1969), de Dennis Hopper, pelo New Order
27. “Johnny B Goode” (1957), de Chuck Berry, por Keith Richards
28. “Almoço Nu” (1959), de William Burroughs, por Lou Reed
29. “Spiral Scratch” (1977), dos Buzzcocks, por Alex Kapranos
30. “Music from Big Pink” (1968), da The Band, por Richard Thompson
31. “Eight Miles High” (1966), do The Byrds, por Johnny Marr
32. “Tutti Frutti” (1955), de Little Richard, por Al Green
33. “Blue Monday” (1983), do New Order, por Bernard Butler
34. “Um Estranho no Ninho” (1976), de Miles Forman, por Jesse Malin
35. “Grievous Angel” (1974), de Gram Parsons, por Bobby Gillespie

36. “Born to Run” (1975), de Bruce Springsteen, por Badly Draw Boy
37. “Scarface” (1983), de Brian de Palma, por Don Letts
38. “Five Leaves Left” (1969), de Nick Drake, por John Martyn
39. “Medo e Delírio em Las Vegas” (1971), de Hunter S. Thompson, por Ralph Steadman
40. “Monty Python’s Flying Circus [TV serie]” (1969/1974), por Lee Hazlewood
41. “Roxy Music” (1972), do Roxy Music, por Marc Almond
42. “New York Dolls” (1973), do New York Dolls, por Billy Idol
43. “Brass Eye” [TV series] (1997/2001), por Brian Eno
44. “Astral Weeks” (1968), de Van Morrison, por Kevin Rwoland
45. “Forever Changes” (1967), do Love, por Robert Plant
46. “Manhattan” (1979), de Woody Allen, por Gene Wilder
47. “Horses” (1975), de Patti Smith, por John Cale
48. “What’s Going On” (1971), de Marvin Gaye, por Paul Weller
49. “Ghost Town” (1981), dos Specials, por Damon Albarn
50. “#1 Record” (1972), do Big Star, por Mike Mills

51. “Marquee Moon” (1977), do Television, por Paul Haig
52. “Blue” (1971), de Joni Mitchell, por Crosby & Nash
53. “Curb Your Enthusiasm [TV series]”, por Doves
54. “Surfer Rosa” (1988), do Pixies, por J. Mascis
55. “Takes a Nation of Millions to Hold Us Back” (1988), do Public Enemy, por Beck
56. “Innervisions” (1973), de Stevie Wonder, por Josh Rouse
57. “Trout Mask Replica” (1969), do Captain Beefheart & His Magic Band, por Davey Henderson
58. “Physical Graffiti” (1975), do Led Zeppelin, por Dave Grohl
59. “Juventude Transviada” (1955), de Nicolas Ray, por Andrew Loog Oldham
60. “Bo Diddley” (1955), de Bo Diddley, por Mark E. Smith

61. “I Say a Little Prayer” (1968), de Aretha Franklin, por Rufus Wainwright
62. “Be My Baby” (1963), das Ronnetes, por Brian Wilson
63. “Catch a Fire” (1973), de Bob Marley the Wailers, por Suggs
64. “Rastros de Ódio” (1956), de John Ford, por Chris Hillman
65. “Electric Warrior” (1971), do T.Rex, por Luke Haines
66. “Nevermind” (1991), do Nirvana, por Gus Van Sant
67. “Shot by Both Sides” (1978), do Magazine, por Jarvis Cocker
68. “I Feel Love” (1977), de Donna Summer, por Sparks
69. “Piper at the Gates of Dawn” (1967), do Pink Floyd, por Carl Barat
70. “Tracks of My Tears”(1969), de Smokey Robinson & the Miracles, por Colin Blundstone
71. “Whole Lotta Shakin’ Goin’ On” (1971) de Jerry Lee Lewis, por Moby
72. “Doors” (1967), do Doors, por Grace Slick
73. “Live at the Apollo” (1963), de James Brown, por Hall & Oates
74. “Psicose” (1960), de Alfred Hitchcock, por Alice Cooper
75. “Reach Out (I’ll Be There)” (1966), dos Four Tops, por Wayne Kramer

76. “Metal Box” (1979), do Public Image Ltd, por Wayne Coyne
77. “Daydream Nation”, do Sonic Youth, por Stephen Malkmus
78. “A Change is Gonna Come” (1964), de Sam Cooke, por Kurt Wagner
79. “Relax” (1983), do Frankie Goes to Hollywood”, por Kevin Godley
80. “Midnight Cowboy” (1969), de John Schlesinger, por Norman Blake
81. “Off the Wall” (1979), de Michael Jackson, por Adam Ant
82. “Falling & Laughing” (1980), do Orange Juice, por Stuart Murdoch
83. “Good, the Bad & the Ugly” (1966), de Sergio Leone, por Robert Rodriguez
84. “Kick Out the Jams” (1969), do MC5, por Juliette Lewis
85. “Hurt” (2003), de Johnny Cash, por Trent Reznor
86. “Clube da Luta” (1999), de David Fincher, por Frank Black

87. “Murmur” (1983), do R.E.M., por Guy Garvey
88. “Sopranos” [TV series], por Ian McCulloch
89. “Catch 22” (1961), de Joseph Heller, por Noddy Holder
90. “Bullitt” (1968), de Peter Yates, por Todd Rundgren
91. “Stone Roses” (1989), dos Stone Roses, por Saint Etienne
92. “Fear of Music” (1979), dos Talking Heads, por Steve Harley
93. “There’s a Riot Goin’ On”, de Sly & the Family Stone, por Tim Burgess
94. “Good Times” (1979), do Chic, por Martin Fry
95. “Rumours” (1977), do Fleetwood Mac, por Magic Numbers
96. “Imperial Bedroom” (1982), de Elvis Costello & the Attractions, por Robert Downey Jr.
97. “Screamadelica” (1991), do Primal Scream, por Serge Pizzorno
98. “Sulk” (1982), do Associates, por Bjork
99. “Operação Dragão” (1973), de Robert Chouse, por Jean Jacques Burnel
100. “Soft Bulletin” (1999), dos Flaming Lips, por Chirs Martin

Abril 20, 2018   No Comments

Dylan com café, dia 47: No Direction Home

Bob Dylan com café, dia 47: Em um dos capítulos do livro “Crônicas – Vol. 1”, publicado em outubro de 2004, Dylan relembra os tempos difíceis pré-“Oh Mercy” (1989), enfim um grande álbum que encerrava uma década praticamente perdida “por causa do excesso de distrações”, segundo ele. “Onde quer que eu vá, sou um trovador dos anos 60, uma relíquia do folk rock, um artesão da palavra de tempos passados, um chefe de Estado fictício de um lugar que ninguém conhece. Estou no inferno do esquecimento cultural”, diz. O primeiro dos três turning points no novo século a tirar Bob Dylan deste esquecimento cultural e coloca-lo no lugar em que ele sempre mereceu estar foi um documentário impecável dirigido por Martin Scorsese. Lançado em agosto de 2005, “No Direction Home” compilava em 208 minutos imagens raras (como a primeira exibição do momento em que alguém o chama de “Judas” num show em Manchester, 1966) e dezenas de takes de backstage e shows nas turnês de 1965/1966 além de entrevistas com personagens importantes do período como os músicos Pete Seeger, Maria Muldaur e Al Kooper, a ex-namorada Suze Rotolo (fotografada ao lado de Dylan na capa de “Freewheelin”), o promotor de música folk Harold Leventhal, o cineasta DA Pennebaker (diretor do obrigatório documentário “Don’t Look Back”) e o poeta beat Allen Ginsberg, além do próprio Bob Dylan (impressionantemente desnudado e à vontade a ponto de dizer, sobre o fim do relacionamento com Joan Baez, que “não dá para amar e ser esperto ao mesmo tempo”), entre outros.

O documentário foi acompanhado de uma “trilha sonora” deliciosamente torta em mais um volume imperdível de raridades cobrindo os 7 anos (de 1959 a 1966) que mudaram a música pop: “The Bootleg Series 7 – No Direction Home: The Soundtrack” compila 28 canções, apenas duas delas lançadas anteriormente, com o garimpo começando no CD 1 com a primeira gravação domestica de Bob, “When I Got Troubles”, datada de 1959, e seguindo com outra raridade: “Rambler, Gambler” (1960), canção tradicional gravada por Dylan numa rádio em Minneapolis. O hino “This Land Is Your Land”, de Woody Guthrie, surge numa versão de Bob ao vivo em 1961. Seguem-se takes do famoso álbum pirata “Minnesota Hotel Tapes” (1961), registros do programa de TV “Folk Songs and More Folk Songs” (1963) além de números no Newport Folk Festival (“Chimes of Freedom” em 1964 e “Maggie’s Farm” em 1965 mostrando a mudança do acústico para o elétrico que criou um caos na cena folk da época).

No CD 2, takes alternativos que engrandecem ainda mais os álbuns “Bringing It All Back Home” (1965), “Highway 61 Revisited” (1965) e “Blonde on Blonde” (1966) com versões de “It’s All Over Now, Baby Blue” (mais lenta, mais melódica, mais intensa), “She Belongs To Me” (também mais lenta, e aqui sem bateria, mas com baixo e guitarra), “Tombstone Blues” (frenética, pré-punk), “Desolation Row” (“Com Al Kooper tocando guitarra como o jovem Lou Reed”, observa o crítico John Harris), “Highway 61 Revisited” (numa baita versão de boteco, com slide e piano elétrico sensacionais), “Leopard-Skin Pill-Box Hat” (no modo blues lento e chapado) e “Stuck Inside of Mobile with the Memphis Blues Again” (também em marcha lenta chapada) além de “Visions of Johanna” (com os Hawks e Al Kooper). O livreto (com dezenas de fotos raras e registros alternativos das capas do período) tem texto assinado por Andrew Loog Oldham, o homem que cuidou dos Stones em seus anos de formação (1963/1967), e que aqui observa: “Na Inglaterra e na França, mais conhecidas como Europa, havia Dylan muito antes que houvesse Beatles e Rolling Stones. 43 anos depois, Dylan ainda move os peões”. Muitos fãs jovens conheceram Bob Dylan através deste documentário de Scorsese, que ganhou uma reedição comemorativa em 2016 com acréscimo de diversas cenas raras. Logo logo, esses novos fãs perceberam, na prática, que Dylan não pertence ao passado. “Modern Times”, seu segundo turning point no novo século (o terceiro será o Nobel de Literatura), vem ai, e é assunto para outro café.

Especial Bob Dylan com Café

Abril 19, 2018   No Comments

Download: Scream & Yell 6.5 (Maio 2000)

Eis a última edição impressa do Scream & Yell no formato fanzine! Para o nosso terceiro informativo em A4, inspirei-me em dois informativos bacanas que havia recebido  via correio (e que tenho até hoje): o Bola Gato, do Wener Marq, de Vitória; e o Freak Informativo, versão pocket do grande Freak Out, do Byra Dornelles, parceiração do Rio. O formato era muito bacana, um A4 dividido em quatro partes (frente e verso) com duas dobraduras. Cool (risos). Nesta edição derradeira distribuída em maio de 2000 falamos sobre a Mostra Independência ou Sorte?, que iria acontecer em outubro do mesmo ano (eu ainda não sabia, mas estaria morando em São Paulo a partir de agosto, e participaria ativamente da mostra declamando poemas) e seria sensacional. Falamos também de vários zines e revistas (eu era fã do Velotrol, do Coizine, do Imaginary Friends, do Phriqui, do Informação e do Velvet Zine), do disco de covers do Inocentes, do maravilhoso “Spanish Dance Troupe”, discaço dos galeses do Gorky’s Zygotic Mynci e da coletânea de bandas punk “The Gig Tomorrow Is Too Far”. Não lembro qual foi a tiragem desse informativo, mas foi enorme, afinal o formato facilitava a reprodução e o envio. Como padrão, no arquivo que você irá baixar há duas versões: uma em PDF para ser lida em desktop, celular e tablet, com o formato das páginas sequencial; e outra em JPG formatada para impressão (ou seja, com as páginas combinadas para serem montadas no formato revista. É simples: você imprime a  6.5.1 na frente e a 6.5.2 no verso do A4 e capricha na dobra, primeiro no meio, depois você saberá para onde ir. E terá um zine antigo em suas mãos). Divirta-se.

BAIXE AQUI O SCREAM & YELL – FANZINE 6.5

Baixe os fanzines anteriores também!

Abril 18, 2018   No Comments

Dylan com café, dia 46: Reggae Tribute

Bob Dylan com café, dia 46: Num episódio famoso da cultura pop, em 1979, Serge Gainsbourg baixou em Kingston para gravar um disco de inéditas reggae com os ainda desconhecidos Sly Dunbar (bateria) e Robbie Shakespeare (baixo). O resultado foi “Aux Armes Et Cætera” (1979), um dos maiores sucessos da carreira de Gainsbourg, disco de platina triplo na França ancorado numa versão rastafári de “A Marselhesa” que fez com que a extrema direita francesa o ameaçasse de morte. O sucesso foi tanto que Serge levou Sly & Robbie para a turnê na França, e os colocou no mercado. Serge gravaria outro álbum com a dupla (“Mauvaises Nouvelles des Étoiles”, 1981), mas quem cruzaria Sly & Robbie em 1983 seria Dylan, que contrataria a cozinha jamaicana para o belo álbum “Infidels”, que ainda teria Mark Knopfler e Mick Taylor. Os Wailers já haviam gravado “Like a Rolling Stone” em 1966, mas a ilha jamaicana ainda não tinha mergulhado profundamente na música de Dylan até que o produtor Doctor Dread, fundador da RAS Records, montou uma super banda base (com Sly na bateria, mas sem Robbie no baixo, substituído por Glen Brownie, que acompanhou de Jimmy Cliff a Ziggy Marley, mais Dwight Pinkney na guitarra, entre outros) e convidou um time de estrelas para recriar o repertório de Bob.

Lançado em 2004, “Is It Rolling Bob? A Reggae Tribute To Bob Dylan” traz a capa de “Bringing Back All Home” numa divertida versão Jamaica, com Bob bolando um baseado, uma dreadlocker ao fundo, capa de discos de reggae no chão, um foto de Bob Marley sobre a lareira e até uma cerveja Red Stripe. Gravando em Kingston no padrão Jamaica (um CD reggae, o outro dub), o primeiro disco traz 13 versões e um excelente remix de “I and I” (uma das grandes faixas de “Infidels”) enquanto o segundo toasteia oito versões (“I and I” inclusa). Destacam-se Toots Hibbert (líder da mítica Toots & the Maytals) numa versão poderosa que transforma “Maggie’s Farm” em um grito de guerra escravo; Gregory Isaacs brilha numa pungente “Mr. Tambourine Man”; Nasio Fontaine surge acompanhado por Drummie Zeb & The Razor Posse na religiosa e ótima “Gotta Serve Somedbody” enquanto Sizzla banca o MC agitando “Subterranean Homesick Blues” e Michael Rose (do Black Uhuru) em “The Lonesome Death of Hattie Carroll” (“Uma canção particularmente forte para a história de escravidão na Jamaica, esmagada entre pobreza e violência”, observou a resenha do Guardian) num disco curioso, divertido, reflexivo e descompromissado, como um bom baseado.

Especial Bob Dylan com Café

Abril 18, 2018   No Comments

News: Jack White, Added Colour, Dead Original

“Olá, sou como Guy Lafleur: faço tudo da maneira mais difícil. E fumo”, explica o vocalista e guitarrista Dany Laj no e-mail que chega do Canadá citando um dos maiores nomes do hóquei no gelo em seu país. Ele está á frente do Dany Laj and The Looks, combo power pop na ativa desde 2010 que está lançando a chicletuda “Left Right to One” num compacto dividido com a banda Pink Beam. Confere o clipe abaixo, e se curtir (você vai curtir!), dá uma sacada no Bandcamp da banda! Tem muita coisa legal!

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Com uma passagem badalada pelo Trivium entre 2015 e 2017, o baterista Paul Wandtke largou as baquetas e, seguindo o modelo Dave Grohl, assumiu a guitarra e a voz escudado por Rob Lerner na bateria e Dina Simone no baixo praticando grunge noventista (mais pro lado do Alice in Chains) com o Dead Original. Após “Bored Again” surge “Fade to Light”, segundo adianto do álbum que chega ao mercado em julho.

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Do Brooklyn novaiorquino surge o Added Colour, combo metade brasileiro (Kiko Freiberg na guitarra e vocal; Daniel Freiberg na bateria e vocal), metade estadunidense (Tim Haggerty na guitarra) e Danny Dahan (baixo) que sairá em turnê pelo Marrocos em abril/maio (com o grande parceiro Bruno Montalvão acompanhando). Segundo o release, o som dos caras é pra quem curte Royal Blood, Muse e QOTSA. Saca ai embaixo.

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Que tal abrir a música com um solo metaleiro, acrescentar uma sanfona e depois cair numa batidinha reggae? É mais ao menos isso que propõe o australiano Reichelt em seu novo single, “Seduced by the Light Side”. Ele está na estrada há mais de 15 anos e seu novo álbum, que leva o nome do single, já está em tdos as plataformas. Se curtir, vá atrás.

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Lançado no final de março, “Boarding House Reach”, terceiro disco solo de Jack White, dividiu o mar vermelho (ou melhor, azul) de fãs: tem gente que odiou o disco com todas as forças e outros que o amaram com a mesma devoção apaixonado. A confusa “Over and Over and Over” (há 374 canções diferentes dentro dela, e o desafio é encontrar qual é a boa) foi o segundo clipe do disco. Já o primeiro, menos caótico, saiu em janeiro: “Connected By Love”. Confira os dois abaixo (em estúdio e ao vivo no Saturday Night Live.

Confira outros novidades

 

 

Abril 17, 2018   No Comments

Dylan com café, dia 45: Philharmonic 64

Bob Dylan com café, dia 45: Aproveitando que Dylan permanecia na estrada com a Never Ending Tour sem dar sinais de entrar em estúdio, a Columbia Records seguia fuçando o baú e encontrando raridades que eram itens de colecionador entre pirateiros desde os anos 60. Após lançar o show mítico de 66 em Manchester e a bela compilação da The Rolling Thunder Revue Tour 75, as Bootleg Series voltam no tempo: em 1964, Dylan ainda era uma estrela em ascensão após um primeiro disco que ninguém ouviu (“Bob Dylan”) e três álbuns seguidos que sacudiram a ala folk e os pensadores (“The Freewheelin’ Bob Dylan“, “The Times They Are a-Changin’” e “Another Side of Bob Dylan“), mas ainda não havia feito o crossover de público, estando encaixotado na ala dos cantores de protesto.

Sabendo do potencial de seu pupilo e já antevendo o que viria meses depois, o empresário Albert Grossman ia dando campo para Bob crescer, e se em 1961 Dylan passava o chapéu em apresentações no Greenwich Village, em 1964 já tocava em locais glamorosos como o Carnegie Hall. Grossman, então, reservou uma data no Phillarmonic Hall (hoje Avery Fisher Hall), casa de Leonard Bernstein e da Filarmônica de Nova York. A Columbia iria registrar o show prevendo lança-lo, mas Bob vivia um momento tão prolifico na carreira que dois meses depois entraria em estúdio para começar sua revolução com “Bringing It All Back Home”, e este show de 31 de outubro de 1964 já estaria datado e seria arquivado (e amplamente pirateado na década seguinte, mas de registros do público, não destas masters originais).

Lançado e março de 2004, “The Bootleg Series 6 – Concert at Philarmonic Hall” traz o Dylan dos primeiros anos, voz, violão e gaita, rindo da fama e provocando a audiência com canções novas. Das 19 músicas apresentadas por Bob neste show, sete ainda não haviam sido lançadas oficialmente, três delas ainda nem gravadas: “Gates of Eden”, “It’s Alright, Ma (I’m Only Bleeding)” arrepiante e “Mr. Tambourine Man” (as três apareceriam em “Bringing It All Back Home”) – das outras quatro, uma canção de Joan Baez (que auxilia seu protegido em quatro números aqui) e outras três que só ganhariam lançamento oficial nas bootleg series já nos anos 90, como “Talkin ‘John Birch Paranoid Blues”, uma talking blues em que Dylan tira sarro de um anticomunista que, de tão paranoico, começa a procurar “reds” em todos os cantos da casa, e não achando nenhum, começa a procurar em si mesmo. Interessante observar como “A Hard Rain’s A-Gonna Fall” mudaria dessa versão acústica em 1964 para a nervosamente eletrificada no ao vivo “Hard Rain”, de 1976. É o último registro antes da tempestade elétrica que viria em 1965. E é um grande show.

Especial Bob Dylan com Café

Abril 17, 2018   No Comments

Dylan com café, dia 44: Uncut

Bob Dylan com café, dia 44: em 2002, visando comemorar os 40 anos de carreira de Bob, a importante revista britânica Uncut convidou um extenso grupo de artistas para elencar as 40 melhores músicas do homem. Junto à revista, em duas capas diferentes, dois CDs atualizavam o repertório de Dylan em 31 covers, 8 deles exclusivos da revista. Na reportagem de 31 páginas (disponibilizada na integra em 2015 no site da Uncut: leia aqui), 80 artistas apontam suas canções favoritas: Jon Spencer escolheu “Ballad of Thin Man”, Jeff Tweedy foi de “John Wesley Harding”, Damon Albarn de “Rainy Day Women #12 e #35”, Isobel Campbell e Ian McCulloch escolheram “Love Minus Zero / No Limit” enquanto Tom Waits cravou “The Lonesome Death of Hattie Carrol” e Lee Ranaldo escolheu “Visions of Johanna”. O top 3 das 40 músicas votadas foi composto por “A Hard Rain’s A-Gonna Fall” em terceiro (com voto do ator Jack Black e também de Mike Scott, do The Waterboys), “Tangled Up In Blue” em segundo (com voto de Natalie Merchant) e “Like a Rolling Stone” no número 1 (votada por Pete Yorn, Grant Lee-Phillips e Gerard Love, do Teenage Fanclub, entre outros), com 22 pessoas escrevendo sobre a música (“Foi uma das primeiras músicas do Dylan que ouvi”, relembra Ian McCulloch. “Se fosse “Gates Of Eden” provavelmente teria me assustado”) numa bela introdução à obra genial de Bob (em 2013, a Rolling Stone Brasil lançaria uma edição com um top 100 de músicas, mas sem CDs). Na parte musical do especial da Uncut em 2002, a revista resgata a bela versão de Cat Power para “Paths of Victory” (do álbum “The Covers Record”, 2000) mais releituras de “Shelter From The Storm” por Cassandra Wilson (de “Belly On The Sun”, 2002) “Every Grain of Saint” por Emmylou Harris (de “Wrecking Ball”, 1995) e “Hurricaine”, por Ani DiFranco (do EP “Swing Set”, 2000). Entre o material gravado especialmente para a revista estão uma respeitosa “Don’t Think Twice, It’s All Right” com Johnny Marr, uma grande versão de “Girl From The North Country” com os Waterboys, uma entorpecida “Sitting On A Barbed Wire Fence” por Thurston Moore e Kim Gordon, “Visions of Johanna” com Lee Ranaldo, “I Shall Be Released” por Paul Weller, e “Positively 4th Street” por Paul Westerberg, entre outras. Vale a pena ir atrás!

Especial Bob Dylan com Café

 

Abril 16, 2018   No Comments

Horários do Soundhearts Festival Brasil

Abril 16, 2018   No Comments

Dylan com café, dia 43: Masked

Bob Dylan com café, dia 43: um ano após “Love and Theft”, Bob juntou a banda da Never Ending Tour para gravar uma série de canções que ele pretendia usar na trilha sonora de um filme que estava fazendo com o cineasta Larry Charles, um dos famosos roteiristas das primeiras cinco temporadas da série Seinfeld. Sob codinomes (Dylan como Sergei Petrov e Charles como René Fontaine), a dupla assina o roteiro do confuso, fraco e bagunçado “A Máscara do Anonimato” (“Masked and Anonymous”), filme lançado em 2003 que conta com um elenco estelar que trabalhou com os salários mínimos do sindicato apenas para ter a oportunidade de estar com Bob. Entre as estrelas estão nomes Jeff Bridges, Penélope Cruz, John Goodman, Jessica Lange, Luke Wilson, Bruce Dern, Ed Harris, Val Kilmer, Giovanni Ribisi, Mickey Rourke, Christian Slater e Susan Tyrrell. Há clássicos na história do cinema feito com apenas dois grandes atores, mas essa constelação, infelizmente, não consegue consertar um roteiro ruim.

“Masked and Anonymous” conta a história de Jack Fate (Bob Dylan), um músico outrora famoso, filho de um ditador (que aterroriza um pobre país terceiro-mundista da América) convocado por rebeldes para se apresentar num concerto beneficente contra seu pai. Surrealista e autobiográfico, “A Máscara do Anonimato” padece de tosquice, mas as músicas ao vivo da trilha foram um bom resultado do equivoco do filme. Acompanhado de sua banda (“atuando” no filme), Bob gravou cerca de uma dúzia de canções no primeiro registro oficial ao vivo da nova formação da Never Ending Band (com Charlie Sexton na guitarra) sendo que nove delas aparecem no filme e quatro (“Down In The Flood”, “Diamond Joe”, “Dixie” e “Cold Irons Bound”) foram lançadas no CD da surreal trilha sonora, que junta covers de Dylan cantadas por diferentes artistas de diferentes nacionalidades: os japoneses Magokoro Brothers recriam “My Back Pages”, o italiano Francesco De Gregori interpreta “Non Dirle Che Non E’ Cosi’ (If You See Her, Say Hello)” e o grupo de rap italiano Articolo 31 improvisa sobre a base de “Like a Rolling Stone” numa trilha que ainda conta com Grateful Dead, Shirley Caesar, Jerry Garcia (solo) e Los Lobos. Uma trilha curiosa para um filme desastroso.

Especial Bob Dylan com Café

 

Abril 15, 2018   No Comments