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Posts from — outubro 2014

Prata da Casa: Novembro de 2014

O penúltimo mês do Prata da Casa 2014 é o mês feminino do projeto: quatro jovens cantoras deste Brasil imenso mostram seus repertórios na choperia do Sesc Pompeia nas terças-feiras de novembro. Acredito ser importante fazer esse recorte, pois pelo Prata da Casa já passaram nomes como a Céu, Tulipa, Fabiana Cozza, Karina Buhr e Fernanda Porto, entre outras, e eu procurei por cantoras (e havia tantas outras tão boas quanto) que pudessem dar uma continuidade a essa tradição do projeto. Será uma mês bastante especial. Confira a programação.

PAULA TESSER (CE) – 04/11
Paula é filha de brasileiros, mas nasceu na França. Passou os primeiros 10 anos de vida em Paris, mudou-se com a família para Fortaleza, concluiu a faculdade e voltou para a capital francesa alguns anos depois. Lá gravou um disco ao vivo (”Retrato do Vento”, 2004), participou de outras tantas gravações e fez um doutorado em Sociologia sobre o Mangue Beat e Chico Science na Sorbonne. De volta a Fortaleza em 2007, não se distanciou da música, e o resultado dessa paixão é “Valha” (ouça aqui), belo disco produzido por Dustan Gallas (Cidadão Instigado) e lançado em 2014, que namora a Jovem Guarda, pisca o olho para o rock nacional e encanta.

GISELE DE SANTI (RS) – 11/11
Gisele é gaúcha e escreveu sua primeira música quando tinha apenas 14 anos. Hoje, aos 29, ela já conta com dois álbuns na carreira: “Gisele de Santi”, o primeiro, foi lançado em 2010 e reunia canções que a compositora havia escrito desde a adolescência; mais melancólico e reflexivo, o belo segundo disco, “Vermelhos e Demais Matizes” (baixe aqui), de 2013, foi produzido com auxilio de financiamento coletivo, conta com a participação de Vitor Ramil e foi reconhecido pelo Prêmio Açorianos, que concedeu à Gisele o título de Melhor Intérprete MPB de 2013 (ela já havia sido premiada nas categorias Intérprete e Revelação na edição de 2010).

NATÁLIA MATOS (PA) – 18/11
Natália é paraense, mas passou oito anos em São Paulo dividindo-se entre estudos em Canto Popular na EMESP, Arquitetura no Mackenzie e rodas de choro em bares interpretando Aracy de Almeida, Adoniran e cantoras da Era do Rádio. De volta a Belém, integrou o premiado projeto Terruá Pará e começou a preparar o repertório de seu álbum de estreia, lançado em 2014. Com produção de Guilherme Kastrup e participações de Zeca Baleiro, Rodrigo Campos, Kiko Dinucci e Felipe Cordeiro, o disco “Natália Matos” (ouça aqui) traz canções inéditas de Dona Onete e Romulo Fróes unindo a estranheza pop de São Paulo com o suingue irresistível do Pará.

CAMILA GARÓFALO (SP) – 25/11
Camila nasceu em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e mudou-se para a capital paulista quando tinha 17 anos. Na selva de concreto e pedra encontrou um cenário musical efervescente representado por artistas como CéU, Karina Buhr, Tulipa Ruiz, Gui Amabis e Siba, entre outros, o que a inspirou a buscar seu próprio espaço. Em 2014, aos 25 anos, na companhia de Dustan Gallas (Cidadão Instigado), Thiago França (Metá Metá), Bruno Buarque (CéU) e Danilo Prates, ela lança seu disco de estreia, “Sombras e Sobras”, mostrando oito composições próprias, um timbre de voz forte e uma personalidade madura, que merece atenção.

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outubro 31, 2014   No Comments

No som, Natalie Merchant

Sexto disco de estúdio da carreira de Natalie Merchant, este álbum que leva apenas o nome da cantora é o primeiro composto apenas por canções inéditas desde o delicado “Motherland” (2001) – entre os dois álbuns ela gravou o disco de canções tradicionais “The House Carpenter’s Daughter” (2003) e o duplo “Leave Your Sleep” (2010), com adaptação de poemas do século 19 e 20 sobre a infância. Produzido pela própria cantora, “Natalie Merchant” soa um álbum profundo, desses que não se consegue penetrar com uma ou duas audições, mas que lá pela quinta vez que se ouve, se deseja ouvir mais algumas dezenas de vezes. Enraizado no jazz, no blues e no folk, “Natalie Merchant” é um álbum maduro (bela aos 51 anos, ela assume suas madeixas brancas em várias fotos promocionais e vídeos do disco) que não tem nada a ver com ondas e modismos, apenas com boa música que perdura e que dá vontade de ouvir e ouvir e ouvir e ouvir…

outubro 29, 2014   No Comments

Na rota dos vinhos na Argentina (parte 4)

O trecho final do roteiro foi van na estrada! Pegamos a ruta 40 para sair de Mendoza e seguimos primeiro pela ruta 141 e, depois, pela 38, a caminho de La Rioja, quase sete horas de viagem atrás de bons vinhos… e valeu muito a pena. Antes, porém, uma parada estratégica no meio do caminho para conhecer a produção da Finca Las Moras, em San Juan, a duas horas de Mendoza, uma bodega responsável por uma seleção de vinhos muito interessantes na questão custo / benefício.

Antes de beber, porém, fomos dar um passeio na vinícola e adentrar uma calicata, que nada mais é do que uma enorme escavação no terreno para se estudar a geotécnica do solo, afinal, antes de se investir em uma plantação em um determinado local é bom saber se o tal local tem um solo propício para o plantio. No caso desta calicata da Finca Las Moras, o que mais surpreendeu foi encontrar conchinhas do oceano em meio a terra! Do lado de lá da Cordilheira dos Andes há um oceano, e há alguns milhões de anos atrás tudo isso daqui era… oceano! A formação da Cordilheira dividiu o território, mas o solo não deixa esquecer o passado.

Partiu degustação, e a linha tradicional Dada foi bastante elogiada por seu excelente custo / benefício. O Dada 1 é um blend de Bonarda e Malbec enquanto o Dada 2 nasce da união de Cabernet Sauvignon e Syrah. Já o Dada 3, meu favorito, é 100% Merlot. Da linha PAZ, outro dos sucessos da casa, um Sauvignon Blanc muito bom. Seguiram-se a ainda melhor linha Grand Syrah e os tão ótimos quanto Pedernal (Malbec) e, meu favorito desta parada, o Mora Negra 2011 (Malbec e Bonarda).

Próximo destino, Casa Montes, uma enorme vinícola de San Juán, para provar o Ampakama Dulce Natural Viogneir, um Torrontes fresquissimo e um bom blend tinto 2012 que ainda não está nem rotulado além de um ótimo Don Baltazar Cabernet Franc (estou me apaixonando por essa uva!). Dali direto para a La Riojana, cooperativa de vitivinicultura de La Rioja fundada em 1940, com uma produção absolutamente gigantesca. Eles fazem desde vinhos de caixinha até bons exemplares de Torrontes Riojano e Malbec Rose. Gostei do Ecologica Los Andes Reserva Shiraz Malbec e também dos exemplares da linha Raza (Malbec e Syrah).

Pé na estrada e mais uma parada! Recebidos com empanadas e uma vista de tirar o folego do vinhedo no Valle do Chañarmuyo, nem o cansaço foi páreo para se deslumbrar com a linha de vinhos Keo e, principalmente, Paiman, cujo Tannat da casa se transformou em um dos desejos de consumo da turma da van (se você esbarrar com ele por ai, pega dois: um pra você e um pra mim, ok). Um misto de alegria e dever cumprido marcou o almoço que se seguiu, e a sensação é de que essa viagem por regiões vinícolas da Argentina foi um enorme presente que deve abrir meus olhos não só para os Wines of Argentina, mas de todo mundo. Viagem finita, mas já quero voltar.

Turismo: Na rota das vinícolas argentinas (aqui)

outubro 27, 2014   No Comments

Prata da Casa #20: Rapadura

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“Ontem um fato inesquecível aconteceu… corações bateram mais forte que a zuada da zabumba, pés saltaram mais alto que o teto, nós fizemos do dia 21/10/2014 um dia histórico em São Paulo no #SescPompeia, cantei, sorri, dançei, chorei, era disso que minha alma tava precisando, me senti 2 vezes mais vivo, o palco é um lugar sagrado e nele quero sempre me derramar e quando tiver que deixa-lo vcs farão festa dentro do meu coração”
Rapadura Xique-Chico

No Rock In Press: “Outro fato evidenciado em muitos momentos do show foi o valor dado à cultura nordestina. Em músicas como “Norte e Nordeste Me Veste”, as rimas trazem mensagens como “Não vejo cabra da peste, só carioca e paulista, só freestyleiro em nordeste, não querem ser repentistas, rejeitam xilogravura, o cordel que é literatura, quem não tem cultura, jamais vai saber o que é RAPadura!” (continue lendo)

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outubro 25, 2014   No Comments

Na rota dos vinhos na Argentina (parte 3)

O quinto dia de viagem começou na estrada, e o ônibus (leito confortável), se não é comparável a uma cama de hotel, serviu bastante para deixar a carcaça descansar enquanto a cabeça pensava mil coisas. No iPod, Tweedy, Pescado Rabioso, Miles Davis, Charme Chulo, Nevilton e Sui Generis se alternavam embalando rápidos cochilos, que terminaram assim que o sol amanheceu meio vermelho, depois dourado. A chegada a Mendoza às 7h e tanto da manhã parecia uma segunda-feira de Marginal Pinheiros: congestionada e ansiosa.

A primeira tarefa do dia foi uma das mais agradáveis da viagem, uma palestra de Roberto de La Mota sobre o vinho argentino além do Malbec. Enólogo-chefe e proprietário da vinícola Mendel, Roberto de La Mota é um dos grandes nomes da história do vinho argentino, e discorreu sobre sete uvas: Mendel Semillón 2013, Doña Paula Estate Sauvignon Blanc 2014, Colomé Torrontés 2013 (um dos meus preferidos), Durigutti Reserva 2010 Bonarda, Rutini Cabernet Sauvignon 2011, Pasionado Cabernet Franc 2010 e Decero Petit Verdot 2011.

Na sequencia, uma visita à bodega familiar Bressia, que tem apenas 10 funcionários (cinco são da família que dá nome a casa). Fomos recebidos por Marita, que nos levou em um rápido tour pela bodega (da área de engarrafamento passando pelas barricas e até o setor de rotulagem, totalmente manual), e depois nos serviu alguns dos destaques da casa (o Bressia Pinot Noir 2010 Piel Negra me agradou, mas o destaque geral foi o Bressia Profundo 2010, um blend com quatro uvas: Malbec, Cabernet Sauvignon, Syrah e Merlot).

Da simplicidade encantadora da Bodega Bressia fomos para o luxuoso complexo da Vistalba, que inclui uma agradável pousada, para conhecer alguns vinhos da casa sob a orientação do enólogo Alejandro (me chamaram a atenção os Tomero Malbec 2011 e Petit Verdot 2012 e o excelente Vistalba Corte A) e participar de uma mini-feira de vinhos com sete vinícolas presentes: Lamadrid Estate Wines, Viñedos Urraca, Kaiken (responsável por um dos vinhos que me trouxe para essa viagem), Lagarde, Casarena, Septima, Clos de Chacras e Argento.

Uma minifeira de vinhos funciona mais ou menos assim: cada vinícola monta sua apresentação em uma mesa com dois até quatro vinhos, que serão degustados pelos participantes, que vão rodando as mesas e fazendo suas anotações. É bem corrido (a viagem toda foi bem corrida), mas permite se deparar com rótulos excelentes. Como novato, fiquei na cola dos amigos experts, que me indicavam coisas imperdíveis (“Não deixe de experimentar o Lagarde”, dizia um; “Prove o Cabernet Franc da Casarena”, dizia outro).

Grande parte das minifeiras termina em almoço ou jantar, uma agradável confraternização entre enólogos, representantes e donos de bodega com os convidados, momento que permite aprofundar a conversa sobre vinhos, a combinação com pratos e tudo mais. Desta forma, a mesa de jantar na Bodega Vistalba (após um belo entardecer) foi uma das mais divertidas, com ótimos vinhos (provei novemente o Torrontês da Kaiken), comida excelente e um azeite (Corte V) delicioso de edição numerada produzido pela própria bodega (ganhei o de número 397).

O sexto dia de viagem (e o segundo em Mendoza) começou com uma visita à Trivento (aqui dois vinhos me chamaram a atenção: Trivento Golden Reserve Cabernet Sauvignon 2012 e Eolo Malbec 2012) e, na sequencia, à Bodega Norton (mais três pra lista: Norton Cosecha Especial Vintage 2010 Extra Brut; Lote L-109 Malbec 2009 e Gernot Langes 2008, um blend de Malbec, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc). Meu humor não estava dos melhores, e decidi não participar da minifeira, um erro duplo que mereceu um digno puxão de orelhas.

O lance das minifeiras é que, bem, o pessoal está ali para vender vinho e a turma de brasileiros para anotar interesses, trocar informações, movimentar o mercado. Não me senti muito à vontade em ficar ocupando tempo dos exibidores, porém eu não contava com a astúcia deles: a lista de profissionais presentes é apresentada quando o convite é feito para uma minifeira, ou seja, eles sabiam que eu estaria lá. E só descobri isso na mesa do almoço, quando comecei um papo animado com um enólogo sobre carnes, vinhos, cerveja e música.

“Você não provou o meu vinho”, foi a primeira coisa que ele me disse antes mesmo da entrada do almoço ser colocada na mesa. Respondi (de bate pronto) que iria provar naquela hora, na mesa, mas o que me surpreendeu foi sua resposta quando comentei que era Sommelier de Cerveja: “Eu sei. Entrei no seu site essa semana. Tem entrevistas bem boas sobre música lá”. Engoli seco e, não bastasse o arrependimento (e a certeza bacana de que a paixão pelo vinho é algo sério), amigos do grupo disseram que essa foi uma das melhores minifeiras da viagem…

Tudo bem, haveria uma segunda chance no mesmo dia, quando partimos para a agradabilíssima Bodega Tapiz, também pousada (e também produtora de um azeite delicioso), em que além de conhecer os vinhos da casa, haveria outra minifeira (haja vinho, amigos, haja vinho). Da Tapiz, um dos destaques do dia foi o Black Tears Malbec 2010. Na minifeira, a linha Revancha, de Roberto De La Mota, foi um dos destaques, mas só tive olhos (e paladar) para o Mascota Opi Malbec 2013, um dos meus preferidos de toda a viagem. No jantar, um dos sucessos foi o espumante Brut Nature Colonia Las Liebres feito 100% com uva Bonarda.

O terceiro e último dia nosso em Mendoza foi especialíssimo pelos extremos: de manhã partimos para a Bodega DiamAndes, um projeto arquitetônico impressionante do escritório Bormida & Yanzon de deixar a gente sem ar aos pés da cordilheira. Na parte da tarde visitamos a Gouguenheim Winery, uma bodega na total contramão tecnológica da DiamAndes, que ainda produz vinho da mesmo forma com que os primeiros donos da casa produziam nos anos 40, uma experiência lúdica que abre horizontes: há bons destaques em ambas as casas.

Na DiamAndes me apaixonei pelo DiamAndes de Uco Viognier 2013 e, principalmente, pelo DiamAndes Gran Reserva 2008 (a ponto de compra-lo durante a visita – das 13 garrafas que vieram na mala, apenas mais uma foi comprada diretamente na bodega durante a visita). Da Gouguenheim Winery gostei muito do Syrah Bonarda 2013 e do Red Melosa 2010 (Malbec, Sauvignon, Merlot e Bonarda). Na DiamAntes houve minifeira. Meus destaques: o excelente Pinot Noir da Bodega Laureano Gomez, o Malbec 2012 da Alpasión (com um dos melhores rótulos de toda a viagem) e o trio da Bodega Masi Tupungato, que aproxima a Itália da Argentina (em blends de Corvina e Malbec).

A despedida de Mendoza aconteceu mais à noite, no elogiado restaurante Siete Cocinas da Argentina, com o chef Pablo Del Rio caprichando no menu e a companhia na mesa de representantes das vinícolas Roca, Rutini e Decero. Abrimos a noite com um Rutini Apartado Gran Chardonnay 2013, passamos para um Alfredo Roca Pinot Noir 2010, seguimos com um Alfredo Roca Bonarda 2012, Decero Petit Verdot 2011 e Decero Amano 2011, e fechamos a noite com um Rutini Apartado Gran Malbec 2010 e um indie Cara Sur Bonarda 2013.

Não deu muito para caminhar por Mendoza nos três dias, mas foi possível conhecer um número inimaginável de vinhos da região, o que me faz já ter vontade de fazer planos para uma volta mais calma e sossegada. O trecho final da viagem mapeia a terceira região de vinicultura da Argentina: passaremos por San Juan, onde visitaremos a Bodega Finca Las Moras e Casa Montes e, no dia seguinte, partiremos para La Rioja, para as últimas duas visitas: La Riojana e Paiman. Trecho final de viagem (e já está dando saudades).

Turismo: Na rota das vinícolas argentinas (aqui)

outubro 24, 2014   No Comments

Um pouco de história: rock argentino

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“Adiós Sui Generis” é a gravação de um dos shows mais importantes da historia do rock argentino, resultando em um disco ao vivo gravado em Buenos Aires durante dois dias de setembro de 1975, no Luna Park. O show marcava a despedida da banda Sui Generis (Charly García, Nito Mestre, Rinaldo Rafanelli e Juan Rodriguez). O grupo já estava cansado de críticas, da monotonia dos fãs querendo ouvir só canções do primeiro disco e, também, da censura. Abaixo, na integra.

outubro 22, 2014   No Comments

Prata da Casa #19: Tião Duá

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Após um mês dedicado ao rock and roll, o Prata da Casa abriu outubro propondo um olhar sobre a brasilidade musical de três grupos, e nada melhor do que inaugurar a programação do mês com o trio mineiro TiãoDuá, ode ao começo tropicalista dos anos 70, com muito suingue, ginga e boas ideias. Um ótimo público bateu ponto na Choperia do Sesc Pompeia para conferir Luiz Gabriel Lopes (violão e baixo), Gustavito Amaral (violão e baixo) e Juninho Ibitiruna (bateria) e dançar descalço num clima contagiante.

O trio mostrou boa parte das canções de “Tião Experiença”, primeiro álbum do grupo, lançado em 2012, e algumas faixas inéditas que irão compor “Rádio Mandinga”, segundo álbum em fase de finalização. Entre os bons momentos da noite estiveram “Na Quebrada” (com boa parte do público cantando o trecho em holandês: “Ruychaverstraat”), “Rui Macacada” e a empolgante “Mint Sun Drops”, que contou com a participação de Juliana Perdigão (ex-parceira de Luiz Gabriel no Graveola). Para encerrar uma grande noite, dois bis.

As fotos são de Liliane Callegari (mais aqui). Abaixo, dois vídeos.

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outubro 20, 2014   No Comments

Na rota dos vinhos na Argentina (parte 2)

O terceiro dia começou puxado com um voo de Buenos Aires para Neuquén, na Patagonia, e se ao ler “Patagonia” você imaginou aqueles cenários idílicos de Ushuaia, saiba que um voo de Neuquén pra lá demora cerca de seis horas e que a Terra do Fogo não é lá dos melhores territórios para plantio de uva (e essa viagem que estou fazendo é sobre vinhos argentinos).

Não é a toa que a grande concentração de vinicultura na Argentina acontece em Mendoza, região responsável por 75% da produção anual de vinhos do país. Neuquén responde por 0.82% da produção de toda a Argentina, e, ainda assim, apenas uma das grandes vinícolas da região, a Bodega Del Fin Del Mundo, produz sozinha anualmente 9 milhões de garrafas de vinho.

Nosso passeio começou assim que deixamos o aeroporto. Uma van no esperava para nos levar para a Bodega Humberto Canale, fundada em 1909 no coração do Alto Vale do Rio Negro, na Patagônia, e hoje dirigida pela quarta geração da família, Guillermo Barzi Canale, que nos recebeu junto ao enólogo da casa (desde 2003), Horacio Bibiloni, que nos recebeu para falar sobre a bodega, nos mostrar alguns de seus vinhos e nos presentear com um almoço coordenado pelo chef Walter, um churrasco maravilhoso que se saiu como a melhor refeição (até agora) da viagem.

Entre os vinhos, provamos cerca de 10 garrafas e o Humberto Canale Cabernet Franc 2012 foi bastante elogiado (também foi um dos meus preferidos), mas a linha toda me agradou, com destaque também para o Humberto Canale Gran Reserva Merlot 2011. Para o almoço seguimos com um Humberto Canale Gran Reserva Malbec e, depois, outro dos melhores vinhos da viagem: Humberto Canale Centenium, um blend de Malbec, Merlot e Cabernet Franc (envelhecidos em barris norte-americanos e franceses) com produção iniciada em 2005 para festejar os 100 anos da vinícola.

Após a passagem na Bodega Humberto Canale, e ainda com as malas na van, fomos conhecer a pequena (mas apaixonante) Bodega Del Rio Elorza. Quem nos recebeu foi o jovem enólogo Agustín E. Lombroni, de 29 anos, que cativou a todos com sua sinceridade (italiana) e seus excelentes vinhos, que não levam o selo de orgânicos (“embora sejam”, comentou alguém). A turma toda elogiou bastante o trabalho de Agustín, que me pareceu um sonhador em meio a tanta gente querendo apenas fazer dinheiro com o vinho. Os vinhos da Del Rio Elorza não são fáceis (principalmente para quem está acostumado com vinhos “mainstream”), mas vale muito ir atrás deles (procure pela linha Verum).

À noite, jantar no excelente restaurante La Toscana, em Neuquén (o melhor da viagem até agora – recomendo), na companhia do simpático Julio Viola, diretor da Bodega Del Fin Del Mundo. A essa altura do campeonato, o cansaço de voo e visita a duas vinícolas cobrou seu preço, e a mesa ficou um pouco dispersa – uma pena, porque os vinhos servidos sob coordenação de Viola me pareceram ótimos, com destaque (pessoal) para os excelentes Fin Del Mundo Single Vineyard Cabernet Franc 2010 e Fin Del Mundo Special Blend (Malbec, Sauvignon e Merlot) 2009. Tentarei levar um deles para São Paulo também…

Para recuperar as energias, nada melhor que uma boa noite de sono, e o fato de 19 de outubro ser o Dia das Mães na Argentina tanto nos ajudou a descansar um pouco mais (afinal, com feriado na cidade, as tarefas foram agendadas para o fim da manhã) quanto prejudicou as visitas às bodegas Del Fin Del Mundo e NQN, com a apresentação pendendo para o lado mais turístico (rápido e protocolar) das vinícolas do que aprofundadas. Uma pena.

Ainda foi interessante comparar a produção artesanal de Agustín na Bodega Del Rio Elorza com a escala industria da Bodega Del Fin Del Mundo, a tal que faz 9 milhões de garrafas por ano. O tour, bastante básico, não me ajudou a aprofundar nos rótulos, mas há coisa interessante aqui. Já na (moderna) NQN, com um prédio de arquitetura caprichada que conversa com seu entorno, a apresentação foi mais agradável e os vinhos soaram melhores, embora o restaurante tenha me decepcionado bastante.

A rápida passagem pela Patagônia (apenas dois dias) me fez ter vontade de aprofundar um pouco mais na região. A próxima parada (após viagem de 10 horas de ônibus leito) é Mendoza, e após quatro dias imerso no mundo do vinho (com todos ao meu redor discutindo animadamente sobre as coisas boas, os problemas e as dificuldades da área), a chegada à região que mais produz vinhos na Argentina me deixa bastante animado. Iremos ficar quatro dias lá (vou tentar dividir o trecho em dois posts) e depois iremos para San Juan e La Rioja. Segue o jogo.

Turismo: Na rota das vinícolas argentinas (aqui)

outubro 19, 2014   No Comments

Na rota dos vinhos na Argentina (parte 1)

Quando a turma da Wines of Argentina me convidou para participar de um desafio para harmonizar duas garrafas de vinhos argentinos com canções de uma playlist especial, encarei o convite de maneira leve: apesar de não ser conhecedor de vinhos, o curso de sommelier de cervejas feito no primeiro semestre de 2013 me daria uma base inicial para, no mínimo, não fazer feio. E tinha a parte das músicas, muito bem selecionada. No fim das contas, gostei do texto e, quem diria, entre diversos sommeliers de vinho, fui escolhido para integrar um tour de 10 dias por vinícolas da Argentina.

Nesse momento bate aquela insegurança de estar em um ambiente que você desconhece completamente, e, depois de muito pensar, decidi assumir o personagem do observador, tentando não influenciar na rotina (opinativa) do grupo (somos oito pessoas viajando juntos, todos conhecedores aprofundados do mundo do vinho com exceção de… um) e ir aprendendo com eles. Quando a gente assume que não sabe nada, o mundo se abre de uma forma interessante. Ou seja, encarei esses 10 dias como uma imersão no mundo do vinho (não só argentino) observando experts no assunto.

A primeira parte da viagem passou pela Capital Federal, Buenos Aires, e o ponto de partida não poderia ter sido melhor. Assim que chegamos ao hotel e fizemos o check-in, e com tempo livre, o grupo decidiu ir caminhando por Pallermo Soho até a vinoteca de Joaquin Alberdi, e a visita foi a melhor abertura de viagem possível: em questão de duas horas (e sem compromisso), o grupo, orientado por Joaquin, fez uma seleção de sete rótulos (malucos) de vinho que, automaticamente, entraram na minha lista de vinhos preferidos sem concorrência com os anteriores (há um concorrente, mas falo sobre no post final daqui alguns dias).

Não tinha como dar errado: um dono de vinoteca apaixonado por vinho (“Nós amamos o vinho e somos embaixadores dele. Abrimos, provamos e contamos sua história. Assim como um dono de bordel, eu vendo prazer”, disse em certo momento) e um grupo de sommeliers buscando pelos vinhos mais “estranhos” e fora da curva que pudessem encontrar. E o primeiro já valeu a viagem: um da bodega Passionate Wine, o Ineditos Torrontes Brutal 2011, que automaticamente me remeteu a cerveja saison, mas sem a carbonatação, e me deixou apaixonado. Na hora separei uma garrafa para levar.

Vieram, em sequencia, um da Bodega Gen del Alma (Otra Piel Gualtallary Suelo Gen Mendoza “Cabernet Franc – Sauvignon – Pinot Noir 2013”), um Buenalma Malbec 2008, um Achaval Ferrer Special Blends 2012 (Cabernet Franc), um espetacular 33 de Dávalos 2013, da Bodega Tacuil (de Salta) e… mais dois que não anotei. Para apaixonados por vinho (ou mesmo apenas interessados), a JÁ! é um local para ser descoberto e apreciado. Merece ser colocado na agenda de viagens (rua Jorge Luis Borges 1772, Pallermo Soho, Buenos Aires). É ali, na mesma rua, há uma ótima loja de discos (vinis, CDs e camisetas!).

O jantar foi no elogiado restaurante PuraTierra, e a entrada (excelente) foi um ceviche aquecido (camarão, peixe branco e lula) com gengibre em conserva, maracujá e manga. No prato principal, coelho com crosta de mostarda em grãos, frutas cítricas, folhas de amêndoa e talos acelga, feijão verde e tomate confit. Os vinhos da noite foram uma seleção agradavel da Bodega Terraza de Los Andes, que se não me soaram tão especiais quantos os do JA!, acompanharam muito bem os pratos do PuraTierra.

Na manhã de sexta-feira, um seminário bem interessante sobre a “Vinicultura na Argentina” seguido de degustação de vinhos de quatro bodegas: El Porvenir de Cafayate, El Esteco, Amalaya e Tukma – gostei bastante do El Porvenir Laborum Tannat 2012 e do excelente e meio maluco Tukma Altura 2670 Sauvignon Blanc 2014. No almoço, na Casa Restaurante Umare, uma entrada fenomenal (que estou tentando encontrar a descrição) e um prato principal bom, mas não surpreendente. Para acompanhar, os ótimos vinhos que havíamos provado um pouco antes.

Fechando a parte de Buenos Aires, à tarde dei uma passada na Cervelar (ótima loja próxima a Calle Florida com um bom número de cervejas argentinas – comprei 18 garrafas) e, à noite, show de tango no Café Los Angelitos (que, de forma impressionante, eu gostei, e muito – o quinteto musical é muito bom, já o jantar é médio!). A primeira parte da viagem foi excelente para descobrir bons vinhos (com excelente assessoria – ainda visitamos a excelente loja El Fenix, na avenida Santa Fé, 1199) e matar saudade de Buenos Aires. A próxima parada é Neuquén, na Patagonia.

Turismo: Na rota das vinícolas argentinas (aqui)

outubro 18, 2014   No Comments

Prata da Casa: Outubro de 2014

Se o mês de setembro foi o mês do rock and roll, o mês de outubro será o mês da brasilidade no Prata da Casa, com três artistas que aproximam a sua sonoridade de uma identidade brasileira. Vale a pena conhecer o trabalho de TiãoDuá, Rapadura e Mexidinho:

TIÃO DUÁ (MG) – 14/10
No início, o trio TiãoDuá era uma espécie de “banda autoral de buteco”, conta Luiz Gabriel Lopes, um dos compositores e também integrante do Graveola, nome de destaque da nova cena mineira. A ideia ao formar o TiãoDuá com Juninho Ibituruna (bateria) e Gustavito Amaral (baixo, violão e elogiado artista solo) era recriar a atmosfera da MPB dos anos 60/70, uma MPB mais roqueira simbolizada por discos como “Transa”, de Caetano, e “Expresso 2222”, de Gil. O resultado foi “Tião Experiença” (2012), primeiro álbum do trio e retrato de uma turma de músicos que adora a estrada, tanto que está retornando ao Brasil após a segunda turnê independente pela Europa, tocando em livrarias, hotéis de luxo, boteco punks e squats. Prepare-se para dançar muito.

RAPADURA (CE) – 21/10
O rap e o repente são (sem saber) linguagens praticamente irmãs, e o trabalho de Francisco Igor Almeida do Santos, o RAPadura, se notabiliza em unir esses cantos a ponto do MC defender que não faz rap, mas rapente, um gênero bastante particular que une as batidas do hip hop com coco, maracatu, forró, baião e cantigas de roda. Nas oito canções de “Fita Embolada do Engenho” (2010), RAPadura une a voz e a sanfona de Luiz Gonzaga com batidas dançantes falando de arrasta-pé e corações incendiados na canção “Amor Popular” enquanto o poeta Zé Bezerra e seu “O Nordeste é Poesia” é citado em “Norte Nordeste Me Veste”, uma carta de intenções que provoca: “Nordestino agarra a cultura que te veste”. Para dançar e pensar, como todo bom rap.

MEXIDINHO (PE) – 28/10
Eis uma terça-feira para mostrar samba no pé: sexteto que vem se destacando no cenário efervescente de Recife, o Mexidinho defende a Música Brasileira Contemporânea, gingando nas batidas da percussão de Rodrigo Gondão e Heudes Regis, nas melodias do violão de Maneco Baccarelli e de Forllan, que se divide tocando banjo, gaita e berimbau, na levada do contrabaixo de Emanuel Epaminondas e na deliciosa voz de Olivia Fancello, um conjunto de influências que respira os ares de grupos de samba moderno como Metá Metá e Passo Torto. O suingue do Mexidinho, que acaba de completar três anos de estrada, pode ser conferido no EP homônimo lançado em 2013, disponível no soundcloud oficial da banda, com cinco faixas que convidam à dança.

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outubro 13, 2014   No Comments